quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Finalmente, mensalão tucano tem o primeiro condenado: Eduardo Azeredo

Após 17 anos da ocorrência do crime e de ficar 11 anos praticamente parada no Supremo Tribunal Federal, o mensalão tucano de Minas Gerais finalmente teve uma condenação judicial. O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) foi condenado ontem, quarta-feira (16) a 20 anos e dez meses de prisão, em regime fechado, pela 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte.


Apesar da decisão da Justiça, Aécio divulgou nota em que afirma estar "surpreso"Apesar da decisão da Justiça, Aécio divulgou nota em que afirma estar "surpreso"
Enquanto nos casos em que nome de petistas são citados a justiça anda a passos largo, Azeredo é o primeiro e único político do PSDB condenado pelo esquema de propinas, apesar de existirem outros no processo.

A decisão foi proferida pela juíza Melissa Pinheiro Costa Lage e cabe recurso à decisão. Para quem não se lembra do caso, o tucano foi condenado por crimes cometidos durante a sua campanha à reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998, quando acabou derrotado pelo ex-presidente Itamar Franco.

Como até agora, político preso é somente do PT, o senador mineiro e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, afirma estar “surpreso com a condenação em primeira instância do ex-senador Eduardo Azeredo”.

Aécio também disse que os tucanos estão confiantes da reversão da condenação nas instâncias superiores.

“Respeitamos a decisão da Justiça, mas estamos confiantes de que nas instâncias superiores o ex-senador possa apresentar as razões de sua inocência e haja reavaliação da decisão”, disse.

Mas ao contrário do que diz Aécio, na sentença - que determina que Azeredo já comece a cumprir a pena na prisão – a juíza questiona a versão de que o tucano não saberia da existência do esquema montado junto com o empresário Marcos Valério enquanto era governador do Estado de Minas.

"Ora, acreditar que ele não sabia de nada e foi um simples fantoche seria o mesmo que afirmar que não possuímos líderes políticos, que os candidatos a cargos majoritários são manipulados por seus assessores e coordenadores políticos", salientou a magistrada.

Na lista de crimes atribuídos ao ex-governador tucano, a justiça elencou sete, entre eles o de peculato que é o desvio do patrimônio público para benefício próprio. O processo aponta o desvio de R$ 3,5 milhões de estatais mineiras por meio das empresas de publicidade de Marcos Valério. Os outros seis crimes são relativos a procedimentos de lavagem de dinheiro.

O ex-governador também foi condenado ao pagamento de 1.904 dias-multa cujo valor, segundo o Fórum Lafayette, de Belo Horizonte, foi fixado em um salário mínimo vigente em 1998.

"Criou-se uma organização criminosa complexa, com divisão de tarefas aprofundada, de forma metódica e duradoura", assinala a juíza na sentença.

"Foi criado um caixa robusto para a campanha eleitoral, com arrecadação de fundos de diversas fontes, inclusive de recursos públicos da Copasa, da Comig e do Bemge, aproveitando-se do uso da máquina pública", pontua.

"Utilizando-se das empresas de publicidade de propriedade de Marcos Valério Fernandes de Souza realizou-se o processo de legitimação do dinheiro ilícito e sua distribuição aos colaboradores da campanha, recursos esses que não constaram na prestação de contas apresentada perante a Justiça Eleitoral pela coligação PSDB-PFL", segue a juíza na sentença.
 

Do Portal Vermelho, com informaçãoes de agências

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