quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Mar Harris: Capitalismo e Armas, uma história de amor

A violência se tornou um princípio estruturante da sociedade norte-americana, que agora começa a revelar uma guerra contra si mesma.

Por Mar Harris, no Counterpunch


Dinheiro e armasDinheiro e armas
Em fevereiro de 2008, eu escrevi o editorial de um jornal de Illinois intitulado "O que faz de alguém um assassino do campus?". O comentário foi motivado pelas mortes na Northern Illinois University (NIU) de cinco pessoas e 21 feridos nas mãos de um ex-aluno armado.

Na época, eu me lembrei da visita que fiz ao campus de DeKalb, Illinois, nos dias após o episódio de violência. Por ter sido um estudante naquela universidade anos antes, eu conhecia muito bem Cole Hall, onde o tiroteio ocorreu. Lembro do tempestuoso e frígido inverno daquele dia, enquanto dirigia para a cidade. Senti o peso da tristeza, sensação devidamente adequada à nevasca de angústia que então varria o campus.

Mesmo que o incidente da NIU não tenha sido o primeiro tiroteio em escolas, havia a sensação de que algo completamente fora do comum tinha acabado de acontecer. Como poderia ser de outra forma? Por mais rotineira que seja a violência armada neste país, há algo especialmente grotesco sobre o ímpeto de um suicida que atira indiscriminadamente em pessoas inocentes, independente das queixas e aflições que motivam sua mente enferma.

As raizes da violência 
Desde 2008 vem ocorrendo vários outros massacres igualmente deploráveis. Infelizmente, o que mais choca talvez não seja a particularidade desses assassinatos em massa, mas a sua regularidade. O que está na raiz desses espetáculos “insanos” de violência pública? A menos que nós acreditemos que um comportamento tão abominável e destrutivo seria de alguma forma inexplicável, como alguns moralistas religiosos poderiam concluir, há sempre uma explicação.

Ao investigar histórias dos muitos assassinos, o neurologista Jonathan Pincus escreveu em seu livro, "Base Instincts: What Makes Killer Kill", ser previsível uma combinação de doença mental, danos neurológicos e abuso infantil. Na verdade, pobreza, perda do emprego ou outros fatores estressantes da vida não são em si aquilo que tipicamente faz de alguém um assassino. É necessário que exista uma espécie de semente psicológica corrosiva que já existe anteriormente no individuo. A psicóloga e escritora Alice Miller, assim como outros autores, fazem a discussão sobre as consequências sociais do trauma infantil, identificando as feridas emocionais que muitas vezes fermentam comportamentos patologicamente violentos em adultos.

Como Miller descreve em seu ensaio, "The Roots of Violence", a necessidade ou impulso de matar não é resultado de uma "natureza humana" maleável per se, mas resulta de danos infligidos sobre o cérebro em desenvolvimento. "As pessoas cuja integridade não foi danificada na infância, que foram protegidas, respeitadas e tratadas com honestidade pelos seus pais, serão, tanto em sua juventude como na vida adulta - inteligentes, sensíveis e empáticos", escreve Miller. "Eles vão ter prazer na vida e não vão sentir qualquer necessidade de matar ou mesmo de machucar os outros ou a si próprios. Eles vão usar o seu poder para se defender, não para atacar os outros".

Em outras palavras, os assassinos são moldados. Não nascem assim.

Mas assassinos também não são feitos no vácuo. Essa brutalidade armada em larga escala representa um fenômeno cujo entendimento exige contextualização. Além de um histórico de abuso infantil e comportamentos violentos também estão frequentemente relacionados ao abuso de drogas e exposição crônica a ambientes violentos, como Jeffrey Swanson, uma cientista comportamental da Universidade de Duke conclui em uma recente entrevista.

Swanson afirma que a taxa de criminalidade nos Estados Unidos não é muito diferente daquela de outros países da Europa Ocidental, do Reino Unido, do Japão e da Austrália. Mas a taxa de homicídios é muito superior. Uma razão óbvia é a fácil disponibilidade de armas. Considere um incidente recente em Nova York em que duas jovens ficaram feridas e uma terceira foi morta fora de uma boate de Manhattan. Uma briga de fim de noite dentro do clube levou seguranças a expulsarem um jovem que estava no local local. Irritado, esse indivíduo pegou uma arma no seu carro e tentou entrar no clube, mas foi barrado. Em seguida, cruzou a fachada do clube com seu carro e atirou em um inocente. Foi relatado que o atirador tinha como alvo os seguranças que haviam entrado em confronto com ele.

Tais incidentes em países onde a prevalência de armas é menor do que nos Estados Unidos são apenas menos suscetíveis a terminar com sangue derramado por uma arma. Já nos Estados Unidos, incidentes mesquinhos têm mais propabilidade de se tornarem violência armada ou homicídios. Isto é completamente inesperado? De acordo com dados do governo, os Estados Unidos têm 4,4% da população do mundo, porém mais de 40% de todo armamento civil. Em 2013 havia cerca de 357 milhões de armas de fogo nesta nação de 319 milhões de pessoas.

Nos EUA, portar armas é um direito constitucional. No entanto, o país também é marcado por um tipo de violência desenfreada e corrosiva que se infiltra nas raízes da sociedade, aquele cujo ponto de exclamação é o acesso generalizado às armas letais. Na verdade, as manchete de assassinatos em massa são apenas a ponta do iceberg da violência armada nos Estados Unidos. Como The Washington Post relatou, cerca de 10.000 pessoas foram mortas em incidentes de violência armada nos Estados Unidos até agora só durante esse ano.

Algumas pessoas atribuem o agravamento dos níveis de violência armada ao crime organizado. A realidade, no entanto, é mais complexa. Na verdade, as armas têm proliferado em muitas comunidades pobres e interiores das cidades como uma consequência da política de guerra às drogas. É uma consequência de décadas de lei e de ordem a desmando dos democratas e dos republicanos.

Como bem explica a historiadora da Universidade de Temple, Heather Ann Thompson, em um ensaio de 2014, no The Atlantic, "Esta nova guerra às drogas criou um mercado ilegal que é perigoso e necessita que não haja uma contenção de armas e violência".

Em muitas comunidades urbanas vulneráveis, a Guerra às Drogas se traduz em uma realidade cotidiana de assédio racial, perseguição e matança conduzidos pela polícia. Em vez de tratar o abuso de drogas como uma questão de saúde pública, diz Thompson, fez dele um subterfúgio penal para brutalizar as comunidades urbanas.

O Individualismo

Em certo sentido, a violência armada generalizada na sociedade americana reflete o célebre individualismo da vida americana voltado contra si mesma. Em uma sociedade que oblitera os laços comunitários e o tecido de infra-estrutura social (incluindo os recursos públicos mínimos de saúde mental), devemos realmente nos surpreender quando muitas pessoas despencam dos limites dessa realidade do faz-de-conta?

"Quando a violência se torna um princípio estruturante da sociedade, as rachaduras da democracia norte-americana começam a revelar uma guerra contra si mesma", escreve Henry A. Giroux, da Universidade de McMaster, em um recente ensaio pro CounterPunch. Giroux está certo. Nós vivemos em uma sociedade definida e sustentada pela violência. A mesma semana em que ocorrem tiroteios em Oregon, militares dos EUA realizam ataques aéreos sobre um hospital em Kunduz, Afeganistão, que matou pelo menos 22 pessoas e feriu outras dezenas.

Aparentemente, nós nos acostumamos com a economia da guerra permanente e com a militarização da política externa, que podemos agora declarar o fim de guerras mesmo quando elas não acabam. Com um orçamento militar que se iguala à metade de todos os gastos militares do restante do mundo combinados, a nossa presença militar global demarca a mensagem de que a violência é a última solução para qualquer disputa. Esta é uma mensagem que, invariavelmente, se infiltra no subsolo da psique e da cultura americana.

Evidentemente que o direito de portar armas, previsto na Segunda Emenda, não se opõe a regulamentação razoável sobre distribuição de armamentos. Por sinal, as armas já estão sujeitas a muitos regulamentos. Ao contrário do clichê paranoico da Associação Nacional do Rifle (NRA), medidas para evitar a venda extraoficial de armas a indivíduos com histórico de violência não se resumem a um debate limitado do direito à posse de armas. Assim como inovações tecnológicas "inteligentes", que podem impedir o disparo de armas sem verificação de identidade.

"Uma arma é apenas uma ferramenta, tão boa ou tão ruim quanto o homem que a carrega", declarou o ator Alan Ladd, enquanto pistoleiro Shane, no clássico faroeste de 1950. Tal qual uma sociedade que chafurda num lamaçal de interminável violência, segregada por extremos de riqueza e pobreza e fundamentalmente concebida para enriquecer o 1% (ou menos) que detém a maior parte das indústrias e dos recursos da nação. Com efeito, essa realidade constitui uma forma de violência econômica contra a maioria da população trabalhadora do país, cuja rede incipiente de seguridade social e a deterioração das condições socioeconômicas servem como pano de fundo e favorecem uma epidemia de violência armada.

Pode-se notar que, mesmo na década de 1930, no auge da Grande Depressão, as ruas permaneceram relativamente a salvo de violência armada, pelo menos mais do que hoje. Mesmo na década de 1940, com o mundo sob as chamas da guerra, desajustados não entravam nas escolas para atirar indiscriminadamente em pessoas inocentes. Mas essas comparações só falam aos efeitos consumidores da alma que a ordem social capitalista arcaica instaurava sobre a condição humana. Os últimos cem anos constituem um dos séculos mais violentos da história da humanidade. Este fato não é relevante para qualquer discussão sobre a violência armada como uma questão de saúde pública?

Em certo sentido, o espectro da violência armada nos EUA é reflexo de uma sociedade atomizada e militarista que respira os fumos da democracia, insensível à violência e ao sofrimento humano e que agora tosse uma alienação e uma amargura por vezes mortal entre as fileiras dos cidadãos mais marginalizados.

Se existe um antídoto para essa realidade tóxica, ele será encontrado, a longo prazo, menos em novas leis ou regulamentos sobre as armas e mais na visão radical de um novo tipo de sociedade. Falo da perspectiva de uma democracia de massas genuína, como melhor encarna os ideais históricos do movimento socialista. O antídoto permanece, como sempre, no ar fresco da solidariedade social, em relações humanas enraizadas nos valores de cooperação e de carinho, na garantia das necessidades sociais e de desenvolvimento de cada criança, asseguradas desde o início da vida.

Fonte: Carta Maior. Tradução por Allan Brum via Vermelho

Maior parte da população mundial repudia o capitalismo

Uma nova pesquista internacional realizada pelo Instituto Legatum e a empresa YouGov revelou que a maior parte da população mundial, tanto nos países desenvolvidos como nos países "emergentes", se expressam de maneira negativa sobre o sistema capitalista.


Reprodução
Ilustração de como funciona o capitalismoIlustração de como funciona o capitalismo
Com a finalidade de investigar a atitude do público ante o sistema capitalista, os especialistas entrevistaram habitantes de três países desenvolvidos (Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido) e quatro "emergentes": Brasil, Tailândia, Indonésia e Índia.

Em cada um desses países, a maioria das pessoas entrevistadas concordou com a ideia de que nas sociedades capitalistas os pobres se tornam mais pobres e os ricos, mais ricos. Por exemplo, nos Estados Unidos, 55% responderam desta forma.

Ao mesmo tempo, a população do Reino Unido, Brasil, Alemanha e Estados Unidos não espera que seus filhos tenham uma situação econômica melhor, mais segurança e mais saúde.

Por outro lado, existe uma crença quase universal de que as maiores empresas do mundo não conseguiram crescer de maneira "honesta".


Fonte: Russia Today via Vermelho

Direito de resposta é um avanço democrático

A presidenta Dilma Rousseff ainda não a sancionou, mas a aprovação pelo Senado, na última quarta-feira (4), da lei que regulamenta o Artigo 5º da Constituição de 1988 (o direito de resposta) já dá resultados.

Neste domingo (8) o jornal O Globo retratou-se, em nota publicada na primeira página, da mentira que difundiu um mês antes (em 11 de outubro), assinada pelo colunista Lauro Jardim, segundo a qual Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria sido citado na delação premiada do lobista Fernando Baiano, na Operação Lava Jato. A mentira dizia que o filho do ex-presidente teria recebido um pagamento de R$ 2 milhões.

A mentira logo se espalhou pela mídia patronal, sendo repetida à exaustão por jornalistas e pela imprensa empenhados na aventura ilegal e antidemocrática do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. O objetivo era também enxovalhar a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A direita brasileira tem sido, desde pelo menos 1945, o principal fator de instabilidade na política no país. E seu instrumento tem sido, fundamentalmente, as mentiras espalhadas pela mídia conservadora e patronal, que não tem compromissos com a verdade mas apenas com a manipulação da opinião pública para alcançar resultados políticos inconfessáveis, sempre contra a democracia, o povo e o Brasil.

As campanhas mentirosas da mídia conservadora marcaram, nas décadas de 1940 e 1950, a conspiração contra Getúlio Vargas e seu sonho de um Brasil forte e independente; depois, nos anos 1960, contra João Goulart, o presidente das democráticas “reformas de base”, resultando em sua deposição que deu início à ditadura militar de 1964. E, agora, se volta contra a coalizão que, indicada pelo voto popular, ocupa a Presidência da República, desde 2003. Coalizão que, tendo à frente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reúne os principais partidos da esquerda brasileira, entre eles o PT e o PCdoB.

O esforço da direita e seu instrumento, a mídia conservadora, é interromper o ciclo democrático iniciado com a eleição de 2002 e que já é o mais longo da história do Brasil.

A lei do direito de resposta, que será sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, é um importante passo para a democratização da mídia e instrumento de enorme importância para a luta pelos avanços e mudanças que a efetiva modernização do Brasil exige. Aquilo que a lei estabelece é fundamental: a mídia tem que ser responsável perante as informações que publica. Hoje não é, e pode impunemente faltar com a verdade quando convém, aos conservadores, criar situações políticas favoráveis à direita. Isto é, na ausência de uma lei apropriada, a mídia brasileira tem sido irresponsável. 

Nesta situação, a imprensa conservadora pode promover campanhas injuriosas para destruir a reputação de personalidades políticas que não rezem pela cartilha da direita. Ou contra partidos, sindicatos e organizações populares, atacados com mentiras com o objetivo de criminalizar a luta democrática. 

Assim, a lei do direito de resposta tem o significado de uma lei de autodefesa da luta democrática para o Brasil avançar, pois não permitirá a persistência da irresponsabilidade da imprensa conservadora no país, que tem investido, a seu bel prazer, contra reputações e tenta destruí-las. Principalmente daqueles que não se perfilham às imposições antidemocráticas, antipopulares e antinacionais da direita.


Fonte: Vermelho

terça-feira, 10 de novembro de 2015

André Rebouças: o primeiro Engenheiro negro


Pedir renúncia de Dilma é "palhaçada", diz caminhoneiro

Sem camisa, suando dentro do caminhão parado sob um calor de 29°C ao sol, o caminhoneiro Itacir Cattapan, 52 anos, está revoltado. Ele tem dois caminhões, que ainda não terminou de pagar – está endividado –, e teve de parar nesta segunda-feira em um bloqueio montado pelos grevistas em Soledade, no norte do estado.

Por Humberto Trezzi, no Zero Hora


Carlos Macedo
Caminhoneiro Itacir Cattapan  diz que “greve não tem de ser política, tem de olhar para a categoria”Caminhoneiro Itacir Cattapan diz que “greve não tem de ser política, tem de olhar para a categoria”
Morador de Caseiros, também no Norte, Cattapan é contra a paralisação e está parado apenas por temor de que seu veículo, uma carreta Scania carregada de trigo, seja apedrejado. O caminhoneiro critica a pauta dos manifestantes, que exigem a renúncia da presidenta Dilma Rousseff.

"É bobagem das bobagens, palhaçada", disse.

Confira a entrevista dele ao Zero Hora:
O senhor concorda com a greve?

Não. A categoria até que está certa em reivindicar rebaixamento do preço do diesel, mas vai conseguir? Isso é uma questão que deveria ser discutida por todos no país, o rebaixamento dos combustíveis. Difícil conseguir algo assim. Outra coisa que não vai acontecer é o tabelamento do frete. Nunca teve isso. Tem de pressionar as cooperativas a pagarem mais, as empresas a pagarem mais, mas tabelar o frete é um sonho que vai dar em nada. E, por conta disso, somos prisioneiros dessa greve, está errado.

O que o senhor acha dos grevistas exigirem a renúncia da presidenta Dilma?
É bobagem das bobagens, palhaçada. Não cabe a nós tirar a Dilma. Isso é política, e greve não tem de ser política, tem de olhar para a categoria. Nós não temos emprego que chega, mas isso é com a categoria e as empresas, não tem de envolver o governo.
 

Fonte: Zero Hora via Vermelho

ENTREVISTA COM JORGE BARBOSA SOBRE A CAMPANHA SALARIAL 2015

1)    Qual o maior ganho da greve dos bancários 2015?

Jorge: Derrota da proposta de arrocho salarial defendida pela Fenaban de reajuste abaixo da inflação. Além disso, segundo o Dieese, 11,2 bilhões serão injetados na economia até o final do ano. É a redistribuição de parte do lucro dos bancos através de salários, beneficiando a muitos e não apenas um punhado de famílias concentradas na região mais rica do Brasil.

2)    E a condução do movimento?

Jorge: A posição da CTB dentro do Comando Nacional dos Bancários foi de que deveria haver um tensionamento maior após a proposta de 10%, no sentido de reafirmar que a rentabilidade dos bancos não foi nem será afetada pela política macroeconômica que continua a privilegiar o sistema financeiro através de juros altos, e a geração de superávit primário. Poderíamos ter sido mais ofensivos!


3)    Qual o papel da CTB?

Jorge: A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, deu uma grande contribuição à categoria bancária quando através da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe apresentou ao Comando Nacional dos Bancários a proposta de: Acordo só com aumento real, o que foi acatado e norteou a negociação.

4)    A respeito da participação dos bancários?

Jorge: A categoria precisa entender que é necessário o envolvimento com o movimento. Além da participação nas assembléias, é preciso construir a greve, no objetivo de convencer mais colegas a adesão através da efetiva permanência em frente às agências. Só com mais participação, é que contaremos com maior adesão. Avançaremos com mais consciência e ação.

5)    Como será lembrada?

Jorge: Mediante o duro enfrentamento a intransigência e arrogância dos bancos, que tentaram impor o arrocho salarial com o reajuste abaixo da inflação. É bom sempre ressaltar que é o segmento mais lucrativo da economia nacional, que mesmo em plena crise, a estimativa é de aproximadamente 70 bilhões de lucro líquido em 2015.
Fonte: SeebItabuna

Entrevista: Campanha Salarial 2015



1)  Qual o maior ganho da greve dos bancários 2015?

Jorge: Derrota da proposta de arrocho salarial defendida pela Fenaban de reajuste abaixo da inflação. Além disso, segundo o Dieese, 11,2 bilhões serão injetados na economia até o final do ano. É a redistribuição de parte do lucro dos bancos através de salários, beneficiando a muitos e não apenas um punhado de famílias concentradas na região mais rica do Brasil.

2)    E a condução do movimento?
Jorge: A posição da CTB dentro do Comando Nacional dos Bancários foi de que deveria haver um tensionamento maior após a proposta de 10%, no sentido de reafirmar que a rentabilidade dos bancos não foi nem será afetada pela política macroeconômica que continua a privilegiar o sistema financeiro através de juros altos, e a geração de superávit primário. Poderíamos ter sido mais ofensivos!

3)    Qual o papel da CTB?
Jorge: A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, deu uma grande contribuição à categoria bancária quando através da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe apresentou ao Comando Nacional dos Bancários a proposta de: Acordo só com aumento real, o que foi acatado e norteou a negociação.

4)    A respeito da participação dos bancários?
Jorge: A categoria precisa entender que é necessário o envolvimento com o movimento. Além da participação nas assembléias, é preciso construir a greve, no objetivo de convencer mais colegas a adesão através da efetiva permanência em frente às agências. Só com mais participação, é que contaremos com maior adesão. Avançaremos com mais consciência e ação.

5)    Como será lembrada?
Jorge: Mediante o duro enfrentamento a intransigência e arrogância dos bancos, que tentaram impor o arrocho salarial com o reajuste abaixo da inflação. É bom sempre ressaltar que é o segmento mais lucrativo da economia nacional, que mesmo em plena crise, a estimativa é de aproximadamente 70 bilhões de lucro líquido em 2015.