Sem camisa, suando dentro do caminhão parado sob um calor de 29°C ao sol, o caminhoneiro Itacir Cattapan, 52 anos, está revoltado. Ele tem dois caminhões, que ainda não terminou de pagar – está endividado –, e teve de parar nesta segunda-feira em um bloqueio montado pelos grevistas em Soledade, no norte do estado.
Por Humberto Trezzi, no Zero Hora
Carlos Macedo
Caminhoneiro Itacir Cattapan diz que “greve não tem de ser política, tem de olhar para a categoria”
Morador de Caseiros, também no Norte, Cattapan é contra a paralisação e está parado apenas por temor de que seu veículo, uma carreta Scania carregada de trigo, seja apedrejado. O caminhoneiro critica a pauta dos manifestantes, que exigem a renúncia da presidenta Dilma Rousseff."É bobagem das bobagens, palhaçada", disse.
Confira a entrevista dele ao Zero Hora:
O senhor concorda com a greve?
Não. A categoria até que está certa em reivindicar rebaixamento do preço do diesel, mas vai conseguir? Isso é uma questão que deveria ser discutida por todos no país, o rebaixamento dos combustíveis. Difícil conseguir algo assim. Outra coisa que não vai acontecer é o tabelamento do frete. Nunca teve isso. Tem de pressionar as cooperativas a pagarem mais, as empresas a pagarem mais, mas tabelar o frete é um sonho que vai dar em nada. E, por conta disso, somos prisioneiros dessa greve, está errado.
O que o senhor acha dos grevistas exigirem a renúncia da presidenta Dilma?
É bobagem das bobagens, palhaçada. Não cabe a nós tirar a Dilma. Isso é política, e greve não tem de ser política, tem de olhar para a categoria. Nós não temos emprego que chega, mas isso é com a categoria e as empresas, não tem de envolver o governo.
Fonte: Zero Hora via Vermelho
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