terça-feira, 7 de junho de 2016

Porta-voz do golpe, Estadão prega perseguição a movimentos


Mídia Ninja
Polícia reprime militantes do MTST em ato na semana passada no prédio da Presidência da República em São PauloPolícia reprime militantes do MTST em ato na semana passada no prédio da Presidência da República em São Paulo
A licença para reprimir se instalou com a posse do presidente interino Michel Temer (PMDB), apoiado pelo Estadão e outros grupos que dispõem do monopólio da comunicação, veículos usados para legitimar o golpe e tornar legais as perseguições.
 
Coordenador do MTST, Josué Rocha, rebateu as acusações do Estadão ao movimento que, segundo o editorial, tem sido favorecido pelo o que o Estadão chamou de “boquinha”. A referência é à modalidade entidades, que faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida.

Manipulação
“As acusações não tem fundamento e demonstram o completo desconhecimento do jornal sobre o funcionamento do programa. Além da seleção para as entidades ser muito rígido, o repasse das verbas não vai para as entidades e sim para as empresas responsáveis por executar a obra. Quem gerencia os recursos é a Caixa Econômica, que é a operadora do programa”, esclareceu Josué.
 
Pelo programa, cooperativas habitacionais, associações e demais entidades sem fins lucrativos podem acessar o Minha Casa, Minha Vida –Entidades. A modalidade foi criada em 2009.

Criminalização
Para o dirigente,  o papel da mídia tem sido justificar a perseguição policial às ações do MTST. “As duas grandes manifestações que fizemos em São Paulo foram duramente reprimidas e de maneira desproporcional. Querem legitimar qualquer ação de criminalização contra o movimento. Qualquer movimento que ouse encarar esse processo que culminou com a entrada do Temer é visto como inimigo da mídia, que é base desse novo governo”, ressaltou.

Golpe jurídico e midiático 
O MST de Goiás está neste momento obrigada a “prestar contas à justiça”, como quer o Estadão. Enquadrado como organização criminosa pelo judiciário daquele estado, a entidade recorre contra a prisão de dois integrantes, um deles preso na semana passada. 

Gilvan Rodrigues, da coordenação estadual do MST, disse que o termo “violento”, usado pelo Estadão para se referir ao MTST, deveria ser usado para aqueles que descumprem a constituição.  
“O que a gente acredita que é violento, que é inimigo da democracia e que é contra a lei é o ato de não se garantir a constituição nacional. O direito, o acesso à terra está lavrado na nossa constituição e não é respeitado”, ironizou o dirigente.

“A organização de movimento sociais, a luta e protestos sociais estão garantidos na nossa constituição. Então violentas são as forças que tentam impedir que a constituição seja cumprida”, complementou. Na opinião dele, a intensificação das perseguições em Goiás estão direcionadas aos movimentos que denunciam o golpe.

Retaliação de Temer

Além dos ataques que chegam através da imprensa golpista, o governo Temer começa a retaliar a participação da sociedade nos conselhos de participação social. A denúncia é feita por André Tokarski, secretário nacional de movimentos sociais do PCdoB. 

Segundo ele, profissionais que assessoram alguns destes conselhos, como de saúde e educação, foram exonerados por conta dos protestos recentes contra ministros de Temer, como o ocorrido em Fortaleza na semana passada.

“O que fica claro é que a repressão política usando forças policiais passa a ser a tática da direita, seja da imprensa ou do próprio governo lançando mão das exonerações. Esse tipo de editorial do Estadão é sinalização para o governo golpista aumentar o tom”, opinou André.
O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Ferreira dos Santos, confirmou a exoneração de Kátia Souto, que assessorava o CNS. 

Caça às bruxas

“Isso é um absurdo. Nunca em duas décadas houve intervenção desse tipo. É a prática da caça às bruxas. É interferência na autonomia do conselho”, declarou Ronald. Ele confirmou que a exoneração de Kátia foi motivada pelo fato de o governo entender que ela coordenou os atos em Fortaleza. “E não é real que a Kátia tenha coordenado essas iniciativas”, completou Ronaldo. O conselho vai buscar reverter a decisão. 
 
  


Do Portal Vermelho

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