A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que completa 70 anos neste dia 1º de maio, é um verdadeiro patrimônio da classe trabalhadora. No Dia do Trabalhador, realizado pelas centrais Força Sindical, CTB, UGT e Nova Central, que será comemorado hoje em São Paulo e outras dezenas de cidades do País, vamos lembrar e enaltecer a importância histórica da CLT.
João Carlos Gonçalves “Juruna” (*)
Criada em 1943 e sancionada pelo então presidente Getúlio Vargas, a CLT unificou toda legislação
A CLT é uma das normas trabalhistas mais avançadas do mundo e sua aplicação garante uma rede de proteção social para o
Precisamos sempre estar alertas na sua proteção, visto que hoje há, no Congresso Nacional, insistentes tentativas de setores empresariais no sentido de frear os avanços e diminuir direitos. Em paralelo à defesa da CLT, é importante unir forças para a conquista de novos avanços, como o fim do fator previdenciário, 40 horas semanais sem redução salarial, reajuste para os aposentados, juros menores, correção permanente da tabela do Imposto de Renda retido na fonte, regulamentação da terceirização e combate a todas as formas de precarização do trabalho, valorização dos servidores públicos e trabalho decente para todos.
Vale lembrar ainda que a CLT é uma proteção ao trabalhador da ativa. Por isso, temos também bandeiras de lutas em prol dos aposentados e pensionistas. É o caso da desaposentação, já aprovada no Senado. O mecanismo permite que as pessoas que já se aposentaram, mas permanecem trabalhando, possam pedir o aumento do valor dos seus benefícios. O projeto precisa ser votado agora na Câmara dos Deputados.
A extensão das desonerações à contribuição patronal para a Previdência Social é motivo de crescente preocupação. Como é do conhecimento geral, o Governo Dilma vem substituindo gradativamente a contribuição de 20% sobre os salários por um novo tributo, a incidir sobre o faturamento das empresas. O objetivo da mudança é reduzir o valor do pagamento da contribuição previdenciária.
Aí entra a questão: até dias atrás, estávamos submetidos à verdadeira histeria de setores políticos, empresariais e governamentais sobre os riscos de quebra da Previdência frente aos sucessivos déficits. A solução encontrada para evitar tal situação foi a criação, no governo FHC, do Fator Previdenciário, para, por intermédio da redução sistemática de benefícios, manter o equilíbrio das contas da Previdência Social, política mantida nos governos Lula e Dilma (Lula, inclusive, vetou a extinção do Fator, aprovada pelo Congresso Nacional em 2010). Ora, se é possível reduzir a contribuição patronal, por que não é viável extinguir o Fator Previdenciário?
Somos críticos da condução da política econômica. Se o incremento PIB de 2011 foi chamado de “pibinho”, ao cravar os 2,7%, o que dizer do de 2012, que baixou para 0,9%? O País apresenta baixas taxas de crescimento, aumento da vulnerabilidade externa, maior concentração de renda e riqueza e centralização dos capitais em benefício do setor financeiro. E o que dizer dos juros que, mesmo sendo uma trava para o crescimento e para o consumo, voltaram a subir na última reunião do Banco Central? Como vamos alcançar níveis de crescimento mais robustos e sustentáveis se aumentamos os juros toda vez que os rentistas exercem pressão sobre os tecnocratas do Comitê de Política Monetária?
Vale ressaltar que qualquer projeto de desenvolvimento democrático para o país deve incorporar as reivindicações trabalhistas e sindicais, o que é fundamental para conquistarmos crescimento econômico com desenvolvimento social, distribuição de renda,
Os trabalhadores já optaram e estão em luta por um projeto de desenvolvimento calcado em três pressupostos: democracia, soberania nacional e valorização do trabalho.
(*) Secretário Geral da Força Sindical

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