terça-feira, 22 de novembro de 2016

Golpistas "venderam gato por lebre", afirma Dilma ao 247


Reprodução Brasil 247
  
“Nesses seis meses ficou claro que venderam gato por lebre. Qual é a venda que eu acho falsa que fizeram? Primeiro, desconsideraram que tinham criado as condições para que o Brasil entrasse num processo de crise econômica e política e prometeram que assim que o impeachment consolidasse, ou seja, que eu fosse afastada, eles teriam condições de criar uma ‘ponte para o futuro’”, resgatou Dilma.

E segue: “Os fatores que levaram a crise, ao invés de serem contidos, foram acentuados. A crise não decorre do aumento do gasto público, mas da queda acentuada das receitas e, portanto, da redução da capacidade do estado de investir”.

Incitada a definir Michel Temer, Dilma  disse que ele "está aquém do Brasil, aquém do povo brasileiro". "Não é só que ele não lidera, ele não representa", disse. "O brasileiro médio está além dele, o brasileiro pequeno está além dele", concluiu.

Dilma salientou que o ambiente de ingovernabilidade de seu governo foi criado assim que derrotou o PSDB nas urnas, em 30 de outubro de 2014.



“Acontece que, logo depois da minha eleição para o segundo mandato, inicia uma política de construir o meio ambiente para a minha deposição. Pedem a recontagem de votos e auditoria das contas. Elege-se presidente da Câmara - mudando a correlação de forças do PMDB -, uma pessoa ultraliberal em economia, extremamente conservadora e de princípios éticos extremamente questionáveis que é o deputado Eduardo Cunha”, pontua Dilma.

Chantagem de Cunha
Ela conta que Cunha “queria negociar, sobretudo, que ele tivesse livre das investigações que chegaria nele lá pelo meio do ano, mostrando que tinha contas na Suíça, apesar dele negar que tinha contas no exterior”.

“Essa pessoa muda a correlação de foças dentro do PMDB. E ele leva, em aliança estreita com o PSDB liderado pelo Aécio Neves, e junto com a mídia, que deu base para isso, pois tinham uma versão de que estava ‘tudo chegando ao fim’. Fizeram o que chamo de uma profecia autorrealizável, ou seja, falaram que o Brasil ia quebrar, a tempestade perfeita, conduzindo para a inviabilização do meu governo, através da política conhecida pela mídia como “pautas-bomba” e por nós foi chamada da política do ‘quanto pior melhor’, que consistiu em elevar o gasto, quando se tratava naquele momento de ampliar a receita”, explicou.

Na entrevista, Dilma destacou o esforço feito pelo seu governo para retomar o crescimento econômico. “O investimento público tem de ser um sustentáculo da economia quando o investimento privado colapsa. Nós fizemos um esforço enorme para garantir que, a partir da crise de 2008 e 2009, o investimento privado se mantivesse. Nós reduzimos os juros violentamente, assegurando taxas de juros adequado para fazer financiamento a longo prazo, porque ninguém faz investimentos com uma taxa de juros a 14%. Nós reduzimos impostos. Tomamos uma série de medidas para permitir que houvesse um aumento da taxa de atratividade. Tudo isso não foi suficiente para assegurar que o investimento privado se mantivesse, inclusive houve até uma recomposição da capacidade de exportação do Brasil. Mas nós estávamos sofrendo os efeitos da crise internacional e também com problemas internos, como a maior seca dos últimos 80 anos”, detalhou.

E completa: “Tudo isso levou a alguns problemas imediatos, como o aumento do preço da energia, que um ano depois estava revertido. Mas não foi isso que precipitou o Brasil a maior crise. Foi a política do quanto pior melhor”.

Economia

Dilma frisou que sempre defendeu um ajuste de curto prazo bastante reduzido, que implicasse principalmente no aumento de receita. “Porque a crise era uma redução. A receita vinha caindo desde 2011, daí a CPMF, taxar juros de capital próprio, taxar dividendos... Todas as medidas propostas não foram viabilizadas. E passaram a aprovar as pautas bombas”, lembrou.

Ela destacou que entre o final de 2015 e o afastamento no processo de impeachment, “há uma flagrante quebra institucional: a Câmara não funciona”. Ele refere-se ao fato de que de fevereiro até maio de 2015, não houve nenhuma comissão nomeada. “Eles foram no limite. Eles quebraram a própria institucionalidade antes do impeachment... Vem se criando um ambiente sem se medir as consequências para a população brasileira”, enfatiza.

E acrescenta: “Esse meio ambiente propício ao impeachment é integrado por uma imensa quebra de confiança na economia, da sociedade e dos valores que sustentam a normalidade de um país. Cria-se, de tudo quanto é forma, a paralisia do governo”..

De acordo com Dilma, a expansão fiscal que veio a seguir, com o governo Temer no poder, foi “uma tentativa de legitimar, de usar o orçamento para legitimar um governo ilegítimo”. “Aumentam a necessidade do gasto, mesmo que o rombo seja um rombo que vá prejudicar a retomado do crescimento do país”, disse.

Clima de instabilidade
Sobre o clima de instabilidade política, Dilma afirma estar estarrecida com o ambiente em que "pessoas se sentem autorizadas a invadir o Congresso por esse clima criado pelo senador Aécio Neves", principal articulador do golpe de 2016. "O golpismo está entranhado na sociedade brasileira. E o maior representante disso é Aécio Neves", declarou.

Ela também criticou as prisões preventivas da Lava Jato antes de os investigados serem condenados. "Eu não vou defender a prisão do Eduardo Cunha, se eles não prenderam antes... tem que explicar por que estão prendendo agora", disse. "E mais: se a pessoa não tem meios para prejudicar a investigação, tem que responder em liberdade".

Dilma também fez duras críticas à imprensa - "age como um partido político, e prega a despolitização" - e ainda ao presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes. "Perdeu todas as condições de me julgar". Dilma anunciou que poderá entrar com uma ação contra o ministro, ao lembrar: "já me julgou fora dos autos".

Geddel

Em referência à denúncia de tráfico de influência contra o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, Dilma diz que "a ambição do grupo que tomou o poder é do tamanho de um apartamento na Bahia".

Dilma manteve a defesa de novas eleições, como já defendia antes do seu afastamento. Declarou que não defende o "golpe dentro do golpe", e é contra a eleição indireta para mudar o governo. "Acredito em saída por eleição direta, não por eleição indireta, e tem que ter reforma política", afirmou.

A presidenta também manifestou apoio ao movimento dos estudantes, que ocupam instituições de ensino no país. "Os estudantes estão nos ensinando, e não nós a eles", sublinhou ela, classificando como um movimento de esperança.


Do Portal Vermelho, com informações do Brasil 247

Desmonte de empresas públicas obedece a diretriz do mercado privado

RBA
Proposta do governo Temer é fechar agências e aposentar, no mínimo, cerca de 9 mil funcionários - RBA
Proposta do governo Temer é fechar agências e aposentar, no mínimo, cerca de 9 mil funcionários

Bancários denunciam que medidas de “reestruturação” do BB integram intenção do governo Temer de fragilizar o Estado

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil se reunirão nesta terça-feira (22) com a direção do BB, em encontro solicitado pelas entidades sindicais para tratar da decisão anunciada no domingo (20) de, a pretexto de promover "racionalização de recursos", promover a reestruturação de agências e estimular a saída de 18 mil funcionários por meio de plano de incentivo à aposentadoria. O anúncio prevê o fechamento de 31 superintendências do banco, de402 agências e a transformação de outras 379 em postos de atendimento.
Em nota, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região critica o movimento de "desmonte" da maior instituição financeira pública do país. A entidade alerta que a medida terá impacto no acesso ao crédito. "Os públicos aumentaram o crédito de 38% para 57% de 2008 para 2016, enquanto os privados tiveram redução de 5% nos últimos dois anos", diz o documento.
"A economia brasileira passa por um momento grave, com forte retração da atividade econômica, elevação do desemprego e queda na renda das famílias (...) Essa agenda irá aprofundar a recessão na medida em que enfraquece o mercado interno e a infraestrutura social e econômica que nos fizeram avançar na última década", ressalta o texto.
A presidenta do sindicato, Juvandia Moreira, observa um interesse do governo Temer em fragilizar mais uma empresa pública, a exemplo do que vem sinalizando com a Caixa Federal e do que já está fazendo com a Petrobras: "O BB é responsável, por exemplo, por cerca de 60% do crédito agrícola no país. Esse desmonte só interessa aos bancos privados, que não terão concorrência, num sistema financeiro extremamente concentrado e sem os bancos públicos fortes, toda a sociedade perde".
Segundo o coordenador da Comissão de Empresa, Wagner Nascimento, um pacote de medidas desse porte deveria ser discutido com a sociedade e os funcionários, não ser "informado" pela imprensa. "Fechamento de centros de serviços e centenas de agências vão prejudicar muito os funcionários e estes precisam de atenção. O banco precisa respeitar mais aos seus funcionários e pode começar abrindo um canal de negociação efetiva quanto aos impactos das medidas anunciadas", criticou Wagner.
A Contraf-CUT também emitiu nota para contestar a decisão do banco. A entidade lembra que em outubro, após a finalização da campanha nacional dos bancários, o presidente Michel Temer concedeu entrevista afirmando que o "Banco do Brasil estava pensando em cortar uma porção de funções, de cargos que lá existem, que são absolutamente desnecessários", mas que vinha negando alterações. "Apenas após a informação ser divulgada pela imprensa no último domingo, o banco finalmente  divulgou a notícia aos seus funcionários. Um desrespeito com os trabalhadores", contesta a nota.
"Precisamos conhecer cada detalhe da reestruturação para orientar os funcionários sobre a adesão ao plano de aposentadoria e redução da jornada. Contudo, nossa grande preocupação no momento é com as bancárias e bancários que terão suas unidades reduzidas ou fechadas”, afirmou Wagner Nascimento.
Demissões
De acordo como o comunicado divulgado ontem pelo Banco do Brasil, cerca de 9.300 postos de trabalho poderão ser extintos com a adesão ao Plano de Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (Peai). O número de funcionários que se enquadram nas regras propostas para a aposentadoria chega a 18 mil trabalhadores.
Além dos cortes de dotação de pessoas e plano de aposentadoria, o BB também anunciou a ampliação do público alvo da jornada de 6 horas, estendendo a opção aos assessores de todas unidades.
O governo anunciou ainda intenção de cortar R$ 750 milhões de gastos do banco, sendo R$ 450 milhões com a nova estrutura organizacional e R$ 300 milhões com redução de despesas com transporte de valores, segurança e imóveis. A "economia" pretendida com as 9 mil aposentadorias seria de R$ 2,9 bilhões por ano.
A Contraf-CUT afirma que as medidas anunciadas vão na contramão do papel que o banco vinha desempenhando, nos últimos anos, de fomento ao desenvolvimento social e econômico do Brasil.
Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, alternativas para a saída da crise devem ser debatidas e construídas, e exigem a retomada da expansão do crédito para setores prioritários como moradia popular, agricultura familiar, pequenas e médias empresas. “Há alternativas concretas à disposição dos formuladores da política econômica do governo, como a redução da taxa Selic, a utilização dos bancos públicos para rebaixar o spread bancário e elevar o crédito, a liberação de depósitos compulsórios com garantia de aplicação em áreas prioritárias. Basta vontade política para implantar tais medidas”, conclui o documento da entidade.
Seminário: Se é público, é para todos

Um seminário em defesa das empresas públicas será realizado na quadra do Sindicato dos Bancários, no centro de São Paulo, nesta quarta-feira (23), às 19h. O evento terá participação da presidenta da entidade, Juvandia Moreira, de Maria Rita Serrano, coordenadora do Movimento em Defesa das Empresas Públicas, do economista Marcio Pochmann, do cientista político Emir Sader e do coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.
Fonte: Rede Brasil Atual via Contraf

Testemunhas confirmam inocência de Lula e Moro atropela lei processual


  
Durante o depoimento do ex-senador Delcídio Amaral, testemunha da acusação, a defesa do ex-presidente apontou uma contradição da decisão de Moro que apesar de negar a defesa o levantamento de provas, estava permitindo ao procurador da República que representou o Ministério Público Federal fizesse perguntas fora do âmbito da denúncia formal.

O advogado Cristiano Zanin Martins tentou apresentar uma questão de ordem durante o depoimento: “Excelência, pela ordem, estamos falando de três contratos celebrados com uma empreiteira.”

Moro interrompeu: “Dr., é contexto, existe uma dinâmica. Existe um contexto e essa pergunta (do procurador) está dentro desse contexto”.

"Qual é o contexto? O contexto só existe na cabeça de Vossa Excelência. Que contexto é esse? O contexto para nós é a denúncia. E o contexto é a denúncia. Nós pedimos para que o Ministério Público se mantenha, portanto, no objeto da denúncia", disse um dos advogados de Lula.

Zanin novamente tentou concluir a questão de ordem: “Vossa Excelência me permite, quando pedimos a produção de provas vossa excelência foi muito claro e enfático ao dizer que a acusação se restringia a três contratos que envolvem uma empresa”.



Moro, irritado, respondeu: “Dr, a defesa pediu cópias de todas as atas de licitações e os contratos da Petrobras em treze anos, diferente de o Ministério Público fazer uma pergunta para a testemunha nesse momento. Está indeferida essa questão, dr., podemos prosseguir... No momento próprio a defesa pode fazer (perguntas), agora estamos ouvindo a testemunha e a palavra está com o Ministério Público”.

Zanin enfatizou que não se tratava de uma interrupção, mas de uma tentativa de apresentar questão de ordem e que o juiz não estava permitindo que a defesa concluísse. “Mas é uma questão de ordem, Vossa Excelência tem que me ouvir”, enfatizou Zanin.

“Dr., a defesa vai ficar fazendo a cada dois minutos, a defesa vai ficar levantando questão de ordem, é inapropriado. Estão tumultuando a audiência”, disse Moro, na tentativa de intimidar a ação da defesa.

“Pode ser inapropriado, mas perfeitamente jurídico e legal”, afirmou o criminalista José Roberto Batochio. “O juiz preside, o regime é presidencialista, mas o juiz não é o dono do processo. Aqui os limites são a lei. A lei é a medida de todas as coisas. E a lei do processo disciplina essa audiência. A defesa tem o direito de fazer o uso da palavra pela ordem para arguir questão de ordem ou se a vossa excelência quiser eliminar a defesa eu já imaginei que isso tivesse sido sepultado em 1945 com os aliados e vejo que ressurge aqui nessa região agrícola do nosso país. Se Vossa Excelência quiser suprimir a defesa então acho que não há necessidade nenhuma de continuarmos essa audiência", enfatizou o jurista.

Moro decidiu cortar os microfones e seguiu com a oitiva de Delcídio. Até que o próprio advogado do ex-senador, que acompanhava a audiência, questionou o juiz sobre uma das perguntas feitas ao seu cliente. Moro questionou o ex-senador sobre a tentativa de obstruir uma possível delação do ex-gerente da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

“Seguindo aqui nessa questão, o senhor poderia me descrever um episódio aqui, que houve uma tentativa de impedimento da delação do senhor Nestor Cerveró. O senhor se envolveu nesse episódio?, indagou Moro.

“Excelência, o senhor me desculpa, mas esse fato é objeto de um processo que tramita, por decisão do Supremo Tribunal Federal, na Justiça Federal de Brasília. E já houve, inclusive, audiência na semana passada, quando todas as testemunhas acabaram por não reconhecer a delação do depoente em relação a esse tema”, disse um dos advogados do ex-presidente.

Seguindo a retórica da “convicção”, Moro voltou a falar que havia um “contexto” para fazer tal pergunta. Mas um dos advogados de defesa de Lula advertiu: “É que é outro processo. O Supremo disse que Vossa Excelência não tem competência para tratar desse caso. Vossa excelência está afrontando uma decisão do Supremo agora”.

O advogado de Delcídio endossou: “Vou acompanhar aqui o ilustre advogado, em razão de que o senador Delcídio é acusado naquele processo. Então, vossa excelência, com todo o respeito, estaria antecipando o interrogatório. E isso poderia gerar um efeito naquele outro processo. Então, vossa excelência poderia reconsiderar isso aí, de não fazer perguntas sobre aquele processo?”

Moro insistiu: “São breves questões relacionadas sobre o que ele já prestou aqui sobre esse fato”. A defesa do ex-presidente reforçou que que Moro estava afrontando decisão do Supremo.

Moro, que em 20 de setembro, aceitou na íntegra a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Lula e outras sete pessoas, sem provas, mas com base nas “convicções”, demonstrou

Para Cristiano Zanin, a conduta de Moro durante audiência "não surpreende, diante do histórico de violações às garantias fundamentais já ocorridas e praticadas por esse juiz de Curitiba".

"Aula de processo penal dos advogados e, mais uma vez, uma aula de arbitrariedade do nosso Judiciário. Para quem ainda acredita que estamos vivendo em um Estado de Direito", disse o jurista e professor da PUC, Rafael Valim, nas redes sociais.


Sobre os depoimentos, a defesa do ex-presidente disse os quatro delatores arrolados pelo Ministério Público Federal para depor não apresentaram qualquer elemento que confirme a tese acusatória relativa à propriedade de um apartamento triplex, no Guarujá, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia.

“O ex-senador Delcídio do Amaral, um dos delatores ouvidos, disse nada saber sobre essa acusação do tríplex, limitando-se a repetir suas já conhecidas afirmações vagas e sem provas.", disse a defesa.

"Ele [Delcídio] não conseguiu e não soubre apresentar nenhuma prova monstrando que a delaçlão premiada em que fez ao minsitério publico está baseada simplesmente em opiniões e ilações. Isso ficou muito vclra na semana passado quando o Nestor Cerveró não reconheceu as palavras de Delcidio e hoje, quando ele foi confrontado a apresentar provas, ele não soubre apresentar", enfatizou Zanin em entrevista coletiva após a audiência.

"Delcídio foi incapaz de apontar um fato ou conversa concreta em relação a Lula’, disse a defesa, reforçando que os demais delatores também afirmaram desconhecer qualquer relação de Lula com este imóvel ou com o recebimento de qualquer quantia indevida.

“Os depoimentos colhidos deixam, portanto, claro que Lula não praticou ato ilícito. Essa mesma constatação emergiu na audiência do dia 8/11, na 10ª Vara Federal de Brasília quando os depoentes não confirmaram a acusação de Delcídio sobre a “compra de silêncio” de Nestor Cerveró. O próprio ex-diretor da Petrobrás isentou Lula de qualquer intervenção no seu processo de delação premiada”, explicou os advogados por meio de nota.

E concluem: “Mais uma vez ficou claro que as acusações que o MPF fez contra Lula são frívolas, sem materialidade e fazem parte de um processo de lawfare, que é o uso de procedimento jurídicos para fins de perseguição política”.



Do Portal Vermelho, com informações de agências

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Sindicalistas criticam plano de reestruturação que desmonta o BB

"Proposta de desmonte do Banco do Brasil irá afetar, sobretudo, pequenos municípios", externou o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia e membro do Comando Nacional do Bancários, Augusto Vasconcelos ao comentar o Plano de Reestruturação do Banco do Brasil, noticiado pela imprensa neste domingo (20).
Vasconcelos criticou anúncio do Conselho de Administração do Banco do Brasil de que agências serão transformadas em postos de atendimento, isso sem falar das desativadas.  "O fechamento de agências do BB pode comprometer a realização de políticas sociais e o próprio desenvolvimento. Esse banco, por exemplo, é o principal responsável pelo crédito rural, sobretudo o destinado à agricultura familiar".
E emendou: "O fechamento de unidades, principalmente no interior, irá agravar a crise nos pequenos municípios. Trata-se de uma instituição pública e a lógica da maximização do lucro não pode ser a única perspectiva. Os bancos públicos devem ter compromisso com o país”. 
Na mesma linha, o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, comentou o assunto e nomeou de "indigesta" a proposta da Conselho. "Sem ter resposta para a retomada do crescimento e a grave crise econômica que o governo está mergulhado, o maître do Planalto segue apostando no pior do cardápio: desemprego, arrocho salarial e desmonte das empresas estatais. No cardápio desta semana está a privatização do Banco do Brasil, temperada de desligamentos em massa, fechamento de agências e demissões "involuntárias". Para sobremesa não nos resta opção: RESISTÊNCIA!"
Consequências
Além das demissões, que significarão um impacto negativo para milhares de famílias, a proposta do governo para o BB irá barrar um ciclo de investimos na estatal, que reposicionou o BB no cenário nacional e internacional. 
O presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia acredita que o atendimento irá piorar com a medida. "Basta visitar uma agência para perceber que faltam funcionários. Se houver o fechamento de locais de atendimento, o consumidor sofrerá ainda mais com as filas e as péssimas condições de atendimento decorrentes da enorme sobrecarga de trabalho."
Portal CTB - Joanne Mota via Feebbase

Seminário da CTB debate conjuntura e o negro no mercado de trabalho

“Os impactos da atual conjuntura para negros e negras no mercado de trabalho”. Este é o tema do seminário que a Secretaria de Combate ao Racismo da CTB Bahia promove no próximo dia 29 de novembro, em Salvador. O evento acontece no Espaço Cultural do Sindicato dos Comerciário, em Nazaré, das 9h às 12h, e marcará também o lançamento da segunda edição da revista Rebele-se, editada pela CTB Nacional.
O seminário é parte das atividades de comemoração do mês da Consciência Negra e tem o objetivo de promover o debate sobre a atual conjuntura política, econômica e social do Brasil sob a perspectiva racial, além dos impactos da situação na inserção da população negra no mercado de trabalho.
Para o debate, a CTB reuniu a técnica do Dieese Bahia Ana Margareth Simões, que apresentar uma pesquisa sobre a inserção do negro no mercado de trabalho; a presidente da Unegro Bahia, Sirlene Assis, que tratará da importância da unidade do movimento negro neste momento, além da secretária nacional de Políticas para a Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, com uma exposição sobre povos afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento.
Confira a programação:
Seminário: Os impactos da atual conjuntura para negros e negras no mercado de trabalho
9h-Abertura
Hino da Bahia com atabaques
Mesa de abertura:
Silvio Pinheiro - Secretário de Combate ao Racismo da CTB Bahia
Rosa Souza  - Vice presidente da CTB Bahia
Ângela Guimaraes –Representante da Secretaria do Trabalho da Bahia
Olivia Santana – Secretária de Política para Mulheres da Bahia
Everaldo Vieira – Dirigente da UNEGRO  
Fabya Reis – Secretária da Promoção da Igualdade da Bahia
Jaelson Dourado – Presidente do Sindicato dos Comerciários
Coordenação da mesa - Gildomar Santana
9h30 - Intervenção Cultural:
Rapper Geovane “Sobrevivente” – Recital poético
9h50 - Mesa de debate:
Apresentação da pesquisa sobre a inserção do negro no mercado de trabalho
Expositora: Ana Margareth Simões - técnica do DIEESE Bahia
A importância da unidade do movimento negro na atual conjuntura
Expositora: Sirlene Assis – presidente da Unegro Bahia
Povos afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento
Expositora: Mônica Custódio –Secretária Nacional de Políticas de Igualdade Racial da CTB.
Coordenação da mesa -  Everaldo Vieira
10h30 - Debate
11h50 - Considerações finais
12h- Encerramento com lançamento da revista Rebele-se
Fonte: Feebbase

Banco do Brasil anuncia fechamento de agências e corte de funcionários

Com o falacioso discurso da eficiência e modernização, o governo sem voto de Michel Temer iniciará o desmonte de mais uma empresa estatal, agora é a vez do Banco do Brasil (BB). As informações do chamado "plano de reestruturação" foram publicadas neste domingo (20) e tem como foco fechar agências e "enxugar a estrutura administrativa" do banco. Com o plano, o governo fechara 781 agências, um corte de 14%. 
A gestão golpista não cansa de reescrever a história. Na proposta reestruturação do BB também estará o incentivo à aposentadoria de funcionários, uma versão moderna do PDV (Plano de Demissão Voluntária). O banco tem hoje 18 mil empregados que já poderiam ter de aposentado, mas seguem na ativa, estes terão até dezembro para aderir ao plano e se aposentarem.
E fica pior, de acordo com comunicado do banco, o corte tirará o emprego de 10 mil funcionários. Ao todo, hoje, o BB possui 109 mil. As mudanças devem ocorrer ao longo de 2017.
Em um cenário de crise econômica mundial, Temer escolhe o caminho do arrocho e da redução do número de postos de trabalho. Isso sem falar no desmonte de uma estatal que na última década recebeu todo o apoio do governo para concorrer, em pé de igualdade, com os bancos privados e descentralizar as regras do jogo no sistema financeiro.
Desmonte de uma estatal forte
Em poucas horas de pesquisa na internet os números do crescimento dos bancos estatais nos últimos 10 anos saltam aos olhos. Para se ter uma ideia, a soma do lucro dos bancos pesquisados teve como resultado, entre 2001 e 2011 um lucro de 269,3 bilhões de reais.
Outro dado interessante da pesquisa é que 33% deste montante foi conquistado apenas nos últimos dois anos.  Em 2010 os bancos lucraram aproximadamente R$ 46 bilhões. Em 2009 foi algo em torno de R$ 41 bilhões. Deste montante apresentado, seis bancos abocanham 95% do lucro, e praticamente  dominam o mercado. São eles: Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, CEF e HSBC.
Números do crescimento do BB em 2015
Em 2015, o Banco do Brasil anunciou ter registrado lucro líquido de R$ 14,4 bilhões em 2015. O resultado foi 28% superior ao obtido no ano anterior, quando os ganhos somaram R$ 11,24 bilhões.
Estudo do Dieese - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos - mostra que quando o assunto é carteira de crédito o Banco do Brasil aparece em segundo do ranking. A carteira de crédito dos cinco maiores bancos atingiu R$ 2,8 bilhões, com crescimento médio de 10,9%.
Receitas de créditos
O gráfico abaixo mostra que as receitas de crédito dos bancos públicos cresceram consideravelmente. No Banco do Brasil, houve alta de 28,5% enquanto na Caixa a variação foi de 33,9%. 
Portal CTB - Joanne Mota via Feebbase

Enquanto reina a intolerância, religiões afro resistem ao preconceito


Lúcio Távora | Ag. A TARDE
  
Uiara Lopes é diretora da União de Negros pela Igualdade (Unegro), praticante do Candomblé e Vondunsi¹ da Roça do Ventura, um terreiro da tradição Jeje Mahi localizando na Bahia. Ao Portal Vermelho ela faz um relato do momento de retrocesso que o país enfrenta.

"Nós conseguimos avanços no enfrentamento à intolerância religiosa, a partir de algumas ações intensificadas em 2001, realizadas pelo movimento negro em parceria com muitos terreiros, contribuindo na desconstrução da imagem satanizada que foi criada sobre as religiões de matrizes africanas. Essa perseguição tem um cunho racial, criada pelos judaicos-cristãos em estabelecer que tudo é do bem ou do mal, e nós não possuímos tal concepção. Nunca vamos dizer que, por exemplo, que Exu é o diabo, mas sim um guardião que transita na esfera celestial. O candomblé dialoga com os elementos da natureza. As religiões de matrizes africanas são politeístas e, somado ao cunho racial, é uma crença essencialmente negra e muitos adeptos de outras religiões não compreendem isso", explica.

Preconceito 
A Roça do Ventura é considerada partrimonio pelo Iphan ( Mila Cordeiro)
A diretora da Unegro enumera algumas das políticas públicas que foram realizadas nos últimos anos que foram fundamentais para o combate à intolerância religiosa. "Do governo Lula pará cá tivemos mães e pais de santo podendo opinar sobre as políticas públicas, a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa -celebrado no dia 21 de janeiro- e a constituição da Secretaria de Igualdade Racial. Essas ações foram importantíssimas na luta pela conquista de direitos", ressalta.

"Entretanto, com o recrudescimento recente do fundamentalismo, vemos, por exemplo, o sacrifício de animais ser criminalizado em Projetos de Lei, nós não consideramos essa prática como sacrifício, mas uma sacralização religiosa feita dentro de um terreiro, o que é algo completamente diferente de matar um animal e jogá-lo no meio do caminho, porém, considero hipócrita debater essa questão e não discutirem, por exemplo, o crescimento indiscriminado do consumo de carne e o tratamento dado aos animais no abatedouro, mas, claro, tem muito dinheiro envolvido na pecuária, não é mesmo?" questiona Uiara.

Onda conservadora

Uiara Lopes (imagem à direita) considera como o regresso da ditadura militar, a nociva ligação entre o Estado e a religião exercida no Brasil. "Alguns parlamentares são tão reacionários, que as vezes eu questiono: até quando poderemos sair todos de branco nas ruas? Estamos vivendo um momento tão radical que até a palavra gênero foi suprimida da Base Nacional Curricular", lembrou.

"Enquanto religiosa, eu não farei um aborto, mas eu não acho que minha religião e a minha escolha de ordem individual possam interferir na lógica do Estado. Tais representantes neopentecostais tornando-se vereadores, deputados, senadores, prefeitos ou governadores, operam para transformar o aparelho do Estado na instituição mais repressora que nós vamos ter nos últimos anos. Todas as minorias serão afetadas, a partir do momento que a Constituição é trocada pela Bíblia", justificou.

Redação do Enem: Conscientização dos jovens 

O presidente da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu), Tatá, considera um passo importante no combate ao preconceito racial, a abordagem sobre "intolerância religiosa" na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. Para ele, "a porta de entrada da intolerância é o racismo, por isso, o tema do exame foi importante, principalmente para os jovens, pois ninguém nasce ignorante, mas existe uma influência cultural na formação do cidadão. Se dez estudantes foram conscientizados com essa prova, nós já estamos no lucro, é um trabalho de formiguinha o combate ao preconceito, esses jovens serão os senhores do amanhã", enfatiza.

Povos de terreiros 

Tatá (imagem à direita), que lidera um trabalho em defesa do patrimônio de terreiros e quilombos, afirma que o termo "religiões de matrizes africanas" não é aceitável, "o adequado seria povos de terreiro, que abrange o candomblé, umbanda, jurema, todas as culturas afro-brasileiras, então, quando falamos de 'matrizes africanas', a umbanda está fora, pois ela é 100% brasileira, é uma contradição. Com o nome 'povos de terreiro', conseguimos inúmeras conquistas sociais, como por exemplo o Bolsa Família para terreiros e quilombos. Não basta apenas combater a intolerância, é preciso garantir direitos para esse povo", argumenta.

Dados da intolerância 
Segundo a Agência Brasil, de acordo com o Disque 100, canal criado pelo governo Dilma para receber denuncias que ferem os direitos humanos, de 2011 – quando o canal começou a receber denúncias de discriminação religiosa – a 2014, foram feitas 504 denúncias e 597 pessoas foram vítimas do preconceito (uma mesma denúncia pode envolver mais de uma vítima). Entre as 345 vítimas que declararam a cor, 210 são pretas ou pardas. O número representa 35,2% do total de vítimas e 60,8% do total de vítimas que declararam a cor da pele.

Por tanto, os adeptos da religião acreditam que a falta de conhecimento sobre o tema, aliada à ignorância, o preconceito e à intolerância, levam à violência. Por isso, é importante que o debate sobre o tema possa esclarecer que, fundamentalmente, as religiões devem preservar a paz e o amor entre todos. Enquanto isso, eles resistem ao preconceito e pedem respeito.

1- Pessoa iniciada no camdomblé  


Do Portal Vermelho