quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trump: O reacionarismo e a decadência do imperialismo estadunidense


  
Derrotado também o presidente Barack Obama, apesar do propalado carisma e fabricada popularidade. Os republicanos venceram também as eleições legislativas tanto na Câmara como no Senado.

A campanha foi marcada por uma retórica agressiva, escândalos, acusações pessoais, que expuseram as vísceras de um sistema político vendido como “a maior democracia do mundo”, mas que é de fato decadente e falido, uma plutocracia cada vez mais distante dos princípios democráticos.

Ganhou um magnata, demagogo, populista de direita, sexista, racista, anti-imigrantes, xenófobo, com traços fascistas, o que indica o crescimento de uma tendência de direita acentuada, o aumento da ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e do povo, uma manifestação no âmbito político da profunda crise estrutural e sistêmica da sociedade estadunidense, expressão dos impasses do sistema capitalista-imperialista, das incuráveis lacerações da sociedade americana.

O aprofundamento da crise nos Estados Unidos implica a adoção de políticas ainda mais antipopulares pela burguesia imperialista e revela o caráter reacionário de suas instituições. É falso dizer que venceu a “antipolítica” ou a negação da política. Na verdade, venceu uma política determinada, ainda mais direitista, que explora um sentimento disseminado de rejeição às instituições. É igualmente uma ilusão supor que Hillary representasse uma vertente “progressista”. Ela foi a candidata do ” establishment”, da convergência entre o partido democrata e setores do republicano.

Da lama em que estão submersos Hillary Clinton e Donald Trump nada emergirá de bom para os povos.

Hillary não representava, a mera “continuidade”, a “estabilidade” e “previsibilidade”, uma situação “fácil de lidar” por aliados e adversários dos Estados Unidos, como pretendem os analistas de fancaria que previram a sua “vitória acachapante”. Sua eleição já seria por si mesma uma escalada na política imperialista, seria mais, muito mais do mesmo em termos de agressividade contra os povos. Imbuída da ideia de “restaurar a liderança mundial dos EUA”, afirmou durante a campanha que a manutenção da “segurança” do país e a difusão dos “valores americanos” seriam as suas prioridades. Prontidão militar e fortalecimento de alianças seriam os seus métodos preferenciais, para exercer uma política externa “sem medo”. Intervencionismo ainda maior na região do Oriente Médio, reafirmação da aliança com o Estado sionista israelense e contenção da Rússia e da China faziam parte da sua plataforma de política externa.

Quanto a Trump, embora centrado em temas de política interna, deixou claro durante a campanha seu caráter agressivo, sua tendência ao uso da força e a reafirmação dos piores traços da política externa imperialista. O presidente eleito afirmou na campanha que priorizará a restauração da força, do poder, da grandeza e da primazia dos interesses dos Estados Unidos no mundo, mesmo que para isso precise sacrificar os interesses de seus aliados mais próximos. Prometeu ampliar o poder militar, capacitando o país a não sofrer ameaças de absolutamente ninguém, defendeu a imprevisibilidade das ações da superpotência, a modernização e o uso das armas nucleares.

Quanto às relações com a China e a Rússia, diz que pretende uma “convivência pacífica”, mas garantiu que irá traçar um limite e responder duramente quando alguém o ultrapassar.

Há muita incerteza e novos temores no mundo sobre o que ocorrerá depois que o presidente eleito tomar posse na Casa Branca. Na essência, as linhas gerais da agressividade dos Estados Unidos tendem a se manter. A superpotência norte-americana é o maior fautor de guerras de agressão e do militarismo no mundo. Suas despesas militares ultrapassam os 500 bilhões de dólares, suas bases militares, mais de oitocentas, encontram-se espalhadas em todos os continentes em mais de uma centena de países. Seu braço armado para a Europa e toda a região do Atlântico Norte, a Otan, expande-se para Leste e atua nas campanhas bélicas do Oriente Médio e na Ásia Central.

Suas frotas navais singram os mares mundo afora, exercendo o poder marítimo como concepção estratégica para o domínio do mundo. Seus comandos militares, instalados em regiões estratégicas, continuam cumprindo o papel de pró-consulados e de principais agentes da política externa dos Estados Unidos, que se confunde com as políticas de Segurança e Defesa.

No momento em que se acentuam as disputas entre os círculos mais reacionários das classes dominantes estadunidenses, concentrados nas cúpulas dos partidos democrata e republicano, os comunistas brasileiros reiteram seu empenho pela união dos povos, dos verdadeiros democratas, progressistas e anti-imperialistas, na luta pela soberania nacional, o progresso social, a justiça, o direito internacional e paz mundial.


*Jornalista, membro do Comitê Central, da Comissão Política Nacional, do Secretariado Nacional e responsável pela Secretaria de Política e Relações Internacionais do PCdoB
Fonte: Vermelho

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Terceirização: Centrais reivindicam que tema volte para o Congresso


Cristhyana Abreu/CTB
  
O argumento fechado entre as centrais e que será usado na audiência com o ministro Fachin será de que o Senado é que deve legislar sobre o tema da terceirização. “O Supremo pode antecipar uma decisão que compete ao Congresso Nacional”, avaliou Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

De acordo com a assessoria da União Geral dos Trabalhadores (UGT), a entidade participará da audiência também com a expectativa de que o debate seja encaminhado ao Senado Federal. A assessoria esclareceu que a UGT defende a regulamentação da terceirização e condena a prática absoluta e sem limites.

“O argumento à liberdade econômica não pode se sobrepor ao argumento do direito do trabalhador”, reafirmou a assessoria da UGT.

A audiência entre as centrais e o STF foi uma iniciativa dos dirigentes trabalhistas desde que o Supremo decidiu contrariamente aos trabalhadores em julgamentos recentes, entre eles o da Súmula 277, anulada pelo ministro Gilmar Mendes em caráter liminar, e que assegura aos trabalhadores a renovação automática das cláusulas sociais mesmo sem que o novo acordo coletivo tenha sido assinado.    

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, confirmou a audiência com o Supremo nesta quarta assim como o consenso entre as centrais de que o debate sobre a terceirização aconteça no Senado.

“Em caso de ir para o Senado é preciso fazer ajustes no projeto aprovado na Câmara porque não ficou bom para os trabalhadores ao permitir a terceirização para atividade-fim”, afirmou o dirigente da Força.

O Projeto de Lei aprovado na Câmara foi o 4330/04 que sofreu uma série de críticas do movimento sindical. Atualmente, esse PL tramita no Senado como PLC 30/2015. 

Atualmente são 13 milhões os trabalhadores terceirizados no Brasil em um cenário que aponta para a precarização das relações de trabalho, onde o empregado nessa condição tem uma jornada maior, menor remuneração e está mais suscetível a acidentes de trabalho.

Vigília no STF

CTB e Central Única dos Trabalhadores (CUT) também realizarão uma vigília desde a manhã desta quarta-feira em frente ao Supremo. De acordo com Rogério, a CTB está mobilizando dirigentes nas cidades no entorno do Distrito Federal. Segundo ele, a ideia é reunir pela central mil dirigentes fazendo pressão no STF.

Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, que estará presente em Brasília, o que está em jogo é o futuro do sindicalismo brasileiro.  “Esta é uma das principais batalhas pós golpe. É uma decisão que além de ferir os direitos laborais contribui para a completa desorganização do movimento sindical”, ressaltou o dirigente.

Ele convocou o movimento sindical para a participação na vigília. “Nesse momento, cada entidade sindical deve refletir sobre o seu papel. A participação das direções sindicais e a mais ampla mobilização das entidades com ônibus e caravanas para participação da vigília em Brasília será decisiva”, completou Adilson.

Por Railídia Carvalho 
  

Do Portal Vermelho

Rotatividade no setor bancário contribui para a redução dos salários

  

 Ouça:


Bancários


Fonte: Rede Brasil Atual via Vermelho

Congresso Nacional e STF decidirão sobre temas antipopulares


Agência Senado
O governo ilegítimo de Michel Temer conta com a base aliada para aprovar as medidas que ameaçam os direitos dos trabalhadores e a soberania do povo brasileiroO governo ilegítimo de Michel Temer conta com a base aliada para aprovar as medidas que ameaçam os direitos dos trabalhadores e a soberania do povo brasileiro
Dentre os temas, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado será votada a PEC 55, que congela os gastos públicos por 20 anos. O parecer do relator, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) mantém o texto aprovado pela Câmara, o que contraria a opinião da consultoria jurídica do Senado Federal, que considera a proposta inconstitucional.
Na terça-feira (8), a CCJ realiza audiência pública para discutir a proposta. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidenta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), agendou para o mesmo dia audiência pública com professores contrários à PEC.

No cronograma definido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a PEC deve ser votada em primeiro turno no dia 29 de novembro e em segundo turno no dia 13 de dezembro, véspera do recesso parlamentar. Nesta quinta-feira (10), o presidente ilegítimo Michel Temer fará um encontro com senadores da base, a exemplo do que fez com os deputados, para pressionar pela aprovação da proposta.

Para quarta-feira (9), está agendada, no Plenário do Senado, a votação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma política. A proposta, de autoria de parlamentares do PSDB, acaba com as coligações partidárias nas eleições para vereador e deputado a partir de 2022, cria cláusula de barreira e põe fim à reeleição.

Contra os trabalhadores

O STF agendou para julgar na quarta-feira (9), ação que decidirá se é permitida ou não a terceirização nas atividades-fim das empresas. O tema será abordado no âmbito da ação ajuizada pela Celulose Nipo Brasileira S/A (Cenibra). A multinacional japonesa questiona decisão da Justiça do Trabalho que, em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Guanhães e Região, em Minas Gerais, condenou a empresa a se abster de contratar terceiros para sua atividade-fim.

A Corte estabeleceu que a matéria terá efeito vinculante. Com isso, a decisão que vier a ser adotada pelos ministros valerá para todas as instâncias do Poder Judiciário, em casos similares.

Contra a Petrobras

A Câmara também fará votação de matéria antipopular. Nesta terça-feira (8), está marcada a conclusão da votação do projeto que retira da Petrobras a preferência na exploração do petróleo do pré-sal. Está prevista a conclusão da votação de apenas dois destaques. O texto-base foi aprovado em 5 de outubro.

Os destaques procuram minimizar os efeitos danosos da matéria para a Petrobras e a arrecadação da União. Durante a votação do texto-base, parlamentares da oposição destacaram que o projeto abre caminho para uma futura privatização da Petrobras e a entrega da riqueza brasileira para as multinacionais estrangeiras. 
 

De Brasília- Vermelho -  com informações do Diap 

Orlando: Reforma política ideal é a que amplia a participação popular


Foto: Nilson Bastian/Câmara dos Deputados
  
“É necessário criar mecanismos diretos de participação da população”, enfatiza Orlando, destacando que a Constituição já prevê hipóteses de plebiscitos e referendos que foram utilizadas apenas por duas ocasiões: uma sobre o desarmamento e outra sobre o sistema de governo. “Nós poderíamos, ano sim e ano não, fazer referendo porque temos um sistema eleitoral eficiente que ano sim e ano não convoca a população para eleições gerais ou municipais. Creio de deveríamos nesse debate da reforma política, estimular e multiplicar o uso de plebiscitos e referendos de modo a estimular a democracia direta e assim reduzir a distância em relação à política e aos políticos”, salientou o parlamentar.

E segue: “O nosso problema é estimular a participação da nossa população. Ao discutirmos essa reforma política devemos nos perguntar: Por que cresceu tanto a abstenção, votos nulos e brancos? Ao meu ver, cresceu pela desesperança do povo que não vê um horizonte político no governo. Não vê no governo Temer uma perspectiva de enfrentar e solucionar os seus problemas. A desesperança que está atingindo o nosso povo está levando ao afastamento ainda maior da política. Como reverter tudo isso? É dando mais identidade programática aos partidos e valorizando os mecanismos de participação direita da população”.

Orlando afirma que a proposta que tenta impedir as coligações fere o direito de associação previsto na Constituição. “Eu defendo a liberdade de associação partidária e de coligações. Na nossa Constituição está prevista a liberdade de coligações. Dois partidos se juntam por uma opção democrática. Considero antidemocrático impedir que essa associação se dê. O Brasil é um continente com realidades políticas muito diferentes. Querer enquadrá-lo numa lógica local, pode produzir um engessamento que provocará mais distorções políticas ainda”, defende o parlamentar.

Segundo as contas do próprio deputado, se considerar os partidos que seriam atingidos com a cláusula de barreira de 2%, proposta no projeto de autoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG), a bancada teria ao menos 93 deputados. “Já começamos um diálogo com esses parlamentares, de modo que tenhamos uma ação conjunta, já que todos serão atingidos”, contou.

Orlando adiantou que, caso seja aprovada a proposta que impede coligações, a bancada vai defender a criação da chamadas federações partidárias, um sistema proposto para substituir as coligações nas eleições proporcionais, permitindo que os partidos com maior afinidade ideológica e programática se unam para atuar de maneira uniforme em todo o país e, ao mesmo tempo, contribui para que os pequenos partidos ultrapassem a cláusula de barreira.

“Com isso, nós tenderíamos a mitigar coligações que denotam o que apresentam contradições mais profundas no plano nacional. Federações partidárias tenderiam a harmonizar mais na estrutura local, forças que têm mais identidades na estrutura nacional”, argumenta.

Fortalecer os partidos

Diante da grave e profunda crise política que enfrentamos, Orlando Silva afirma que é necessário aprofundar o debate e fortalecer as instituições políticas partidárias para construir a saída dessa crise. Ele aponta duas principais mudanças que o PCdoB defenderá no Congresso, que trata do sistema de votação e do financiamento de campanha.

“Acredito que para fortalecer a democracia brasileira é necessário, em primeiro lugar, fortalecer os partidos políticos e os programas desses partidos para que a população brasileira possa identificar com nitidez quem defende o quê. E para isso é preciso mudar o sistema eleitoral. Defendo que tenhamos um sistema com voto em lista partidária, que permite que as pessoas construam uma identidade política”, afirma.

O deputado comunista explica que, atualmente, o Brasil adota o sistema de voto nominal, em que se escolhe o nome de um candidato de um determinado partido. “O sistema de lista partidária é aquele que o eleitor vota no partido e o partido faz uma lista pré-ordenada. O sistema de voto em lista permite que o eleitor vote no partido e no programa. Pode até ter um sistema mais flexível em que o eleitor, primeiramente, escolhe o partido e depois escolhe o candidato do partido, mexendo com a lista partidária”, detalhou.

Para ele, a segunda medida de maior relevância que a reforma política deveria adotar é a que trata do financiamento público. “O Supremo Tribunal Federal decidiu que é inconstitucional o financiamento empresarial, o que foi um ganho para a democracia brasileira. E não há uma cultura de doação por parte da pessoa física no Brasil. E se temos um sistema de voto em lista se pode criar algum sistema de financiamento público, porque as campanhas serão muito mais baratas”, enfatiza Orlando.

Segundo ele, com todos os candidatos atuando em torno de uma lista e do partido, a redução de gastos de campanha seria significativa. Ele reforça a importância do financiamento público de campanha como forma de garantir a transparência e a fortalecer a democracia, tão abalada por conta de esquemas de propinas envolvendo campanha partidárias.

“Além disso, a democracia tem um custo. É necessário compreendermos que para que possamos exercer a cidadania e para que a democracia possa funcionar há um custo. E isso poderia se viabilizar via financiamento público”, frisou.

Outro ponto que o projeto deve abordar á o número de partidos. Apoiados pela grande mídia, alguns setores defendem a redução do número de partidos políticos como solução para a crise política brasileira. Para Orlando, a redução do número de partidos não é o problema do país e tal medida só aumentaria a concentração dos grandes partidos.

“Esse é o pensamento limitado porque o problema do Brasil não é o número de partidos nem os partidos pequenos. O problema da política no Brasil está concentrado nos grandes partidos. Todos os grandes escândalos políticos e crises giram em torno dos grandes partidos. De nada adianta excluir 10, 20 partidos do sistema político, porque não serão excluídos os partidos que são os vetores de crises no Brasil”, argumenta.

Ele também rebate a teses de que o número de partidos é a causa de ingovernabilidade. “Considero que essa história de que a crise política no Brasil ou a ingovernabilidade política se dá em função do número excessivo de partidos é na verdade uma grande balela, uma bobagem. O problema é que se tem partidos com pouca nitidez programática. Partidos eleitos com um programa e executa outro, o que gera queda de representatividade”, disse.

Orlando destaca que há um risco dessa reforma política ter um viés antidemocrático, se ela for pautada apenas para restringir o funcionamento parlamentar dos partidos com a criação de cláusulas de barreira, ou inibir as alianças com a proibição de coligações.

“Se o debate girar em torno disso, diria que a reforma política tem um viés autoritário. Considero que o número de partidos é um dado irrelevante...O debate sobre a representatividade política dos partidos não está apenas em torno da fragmentação partidária, porque os partidos que concentram 80% da votação dos parlamentares está concentrado em 8 ou 10 partidos, e eles também tem a sua representação questionada”, comenta.

Voto distrital

Sobre a proposta de voto distrital, ele considera um retrocesso que, ao invés de aperfeiçoar o sistema político, poderia aprofundar as distorções do sistema político.

“Um país, com a dimensão do Brasil, instituir o voto distrital seria como criar uma Câmara com vereadores federais. O voto distrital estimula o localismo, esmaga o voto de opinião, ideológico, o voto de pessoas que tem uma capacidade mais crítica”, reforça.

Para ele, o sistema proporcional deve ser mantido. Nesse sistema aplica-se o chamado quociente eleitoral (QE), que é a soma do número de votos válidos, excluindo-se os brancos e os nulos, e dividido pelo número de cadeiras em disputa. Assim, somente os partidos isolados e coligações que atingem o quociente eleitoral têm direito a alguma vaga no Legislativo. Feita esse conta, analisa-se o quociente partidário, que é o resultado do número de votos válidos obtidos, pelo partido isolado ou pela coligação, dividido pelo quociente eleitoral. O saldo da conta corresponde ao número de cadeiras a serem ocupadas.

“O sistema de voto proporcional é positivo. O que temos que reverter é que ao invés de voto nominal, em que se escolhe a personalidade, o eleitor vote na lista partidária, pois escolhe o programa, um partido. O voto distrital vai reforçar o localismo, o lobby local e o parlamento federal viraria uma gigantesca câmara de vereadores, tratando somente de temas locais”, asseverou.

Expectativa

Orlando Silva é franco ao afirmar que não espera que o debate sobre a reforma política resulte em um grande avanço para a democracia. “Não espero nada de avanço de uma Câmara de Deputados que votou o impeachment da presidenta Dilma Rousseff nos termos em que votou. Não espero medidas avançadas de uma Câmara que acabou de congelar por 20 anos investimentos importantes para a vida do país. O papel do PCdoB deve ser e será o de resistência democrática. Nós vamos lutar para impedir que retrocessos aconteçam, restringindo o acesso da população à participação política, restringindo o papel de partidos políticos nesse processo. Nosso esforço será no de radicalizar a defesa da democracia, ampliação da participação e de garantir a representação popular no parlamento”, concluiu.
 

Do Portal Vermelho

UNE, Ubes e UJS repudiam ameaça de processo feita por ministro


  
Mendonça afirmou que irá recorrer à Advocacia Geral da União (AGU) para processar as entidades atuantes há décadas na defesa da educação brasileira.  Para o ministro, que, de forma antidemocratica, não quis dialogar com o movimento estudantil, um pequeno grupo atrapalha a vida da grande maioria dos estudantes e por consequência as três entidades terão que arcar com os custos do segundo Enem, que será aplicado nos dias 3 e 4 de dezembro para os estudantes que prestariam o exame na escolas ocupadas.

O que o ministro intitula como “um pequeno grupo manipulável” se configura hoje em cerca 800 escolas e 200 universidades ocupadas por estudantes. Segundo informações da presidenta da UNE, Carina Vitral, em média, 1.500 estudantes participam das assembleias nas universidades federais, que têm como pauta as ocupações.
A UNE, Ubes e Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG) emitiram uma nota na noite desta segunda-feira (7) rechaçando a tentativa do MEC em criminalizar os movimentos sociais e por também criar uma falsa rivalidade entre os estudantes. Segundo as entidades, “o diálogo poderia ter garantido a realização do Enem em todo o Brasil, mas esse não foi o caminho escolhido pelo MEC”.

Confira a íntegra da nota: 


O movimento de ocupações de escolas e universidades tomou o Brasil contra a Medida Provisória 746 da Reforma do Ensino Médio e contra a PEC 241, agora PEC 55 em tramitação no Senado Federal. Este movimento é claramente legítimo ao sair em defesa intransigente da educação pública, gratuita, de qualidade e inclusiva, e já é vitorioso pela dimensão da sua mobilização – já são mais de 1.200 escolas e institutos federais ocupados, além de 139 universidades em todo o país.

A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), entidades nacionais representativas dos estudantes, vêm a público repudiar as declarações do ministro Mendonça Filho em que ele afirma que vai acionar a AGU para cobrar das entidades os prejuízos com o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 para os estudantes que fariam provas nas escolas ocupadas.

Reafirmamos que o diálogo poderia ter garantido a realização do Enem em todo o Brasil, mas esse não foi o caminho escolhido pelo MEC, que desde o princípio ameaçou os estudantes por meio do cancelamento do Enem e da responsabilização das entidades e ocupantes. Vivemos no segundo turno das eleições municipais a realização da votação em coexistência com as escolas ocupadas, propiciado pelo diálogo entre a Justiça Eleitoral e os ocupantes.

É necessário ressaltar que a existência do Enem é uma conquista do movimento estudantil que lutou em toda a sua história pela democratização da universidade. Por esse motivo, nunca seria o movimento estudantil a impedir a realização das provas, porque sabemos que isso significa a oportunidade de milhares de nós – estudantes de escolas públicas – ingressar na universidade. É bom lembrar que vários estudantes ocupantes fizeram e farão a prova do Enem.

Reafirmamos com a presente nota a luta contra a MP 746 porque achamos que a Reforma do Ensino Médio não cabe numa medida provisória, queremos ser ouvidos para a necessária reforma, queremos o envolvimento de toda a comunidade acadêmica nesse processo. Queremos que pare a PEC 241 (agora PEC 55 no Senado), pois ela congela os investimentos em educação e junto inviabilizam o Plano Nacional de Educação.

Ao adiar a realização do Enem nas instituições ocupadas para o mês de dezembro, o ministério tenta lamentavelmente colocar os estudantes uns contra os outros. E, ao punir financeiramente as entidades, tenta criminalizar o movimento estudantil buscando enfraquecer o movimento legítimo das ocupações. No entanto, não terá sucesso. A juventude se ergueu contra o congelamento do seu futuro, vamos ocupar tudo, vamos barrar essa PEC e a MP do ensino médio com toda a nossa força. Nossa luta não acabou, segue e se fortalece por meio de novas instituições ocupadas e mobilizadas.

Reivindicamos:

* Pela retirada imediata da MP 746 de reforma do Ensino Médio;
* Pela retomada da discussão do PL 6840/2013 sobre a Reformulação do Ensino Médio, em sua Comissão Especial no Congresso;
* Por um calendário de audiências públicas para discutir e debater a Reformulação do Ensino Médio com a sociedade civil, intelectuais, entidades educacionais;
* Pela não aprovação da PEC 55 (antiga PEC 241);
* Contra a Lei da mordaça (escola sem partido)
*Contra a criminalização do movimento estudantil e suas entidades

UJS rejeita a criminalização dos movimentos sociais

Renan Alencar, presidente nacional da UJS, gravou um vídeo no início da noite repudiando as declarações do ministro. Segundo o jovem, a visão de Mendonça é limitada, autoritária e criminaliza os movimentos sociais. “Querem colocar medo para que os estudantes não ocupem suas escolas”, denuncia. 

Assista ao vídeo abaixo com a íntegra da fala de Renan:



Do Portal Vermelho

Sindicato dos Bancários de Itabuna realiza palestra contra PEC 241 nesta terça

Será realizado no auditório da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Itabuna (FTC), nesta terça-feira (8/11), às 18h, uma palestra e um debate sobre a PEC 55/2016, conhecida como PEC da Morte, que prevê o congelamento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos.
A Proposta de Emenda Constitucional aprovada na Câmara sob o nome de PEC 241 foi rebatizada no Senado para PEC 55/2016.
O palestrante será o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia e professor de Direito Constitucional da UNEB, Augusto Vasconcelos.
Contamos com a participação de todos!
Fonte: Seeb Itabuna