terça-feira, 24 de maio de 2016

"Licença" de Jucá é disfarce da queda após gravação que desnudou golpe


Agência PT
  
"A partir de amanhã, estou de licença. Vou acompanhar a votação da comissão [de Orçamento] hoje. Amanhã estarei de licença, reassumo o Senado para fazer o enfrentamento aqui até que o MPF se manifeste quanto às condições da minha fala com Sérgio Machado", declarou Jucá.

Na entrevista concedida logo após o vazamento, Jucá disse que "não tenho nada a temer" e que se "tivesse telhado de vidro, não teria assumido a presidência do PMDB no momento de confronto com o PT".

Disse ainda que não iria sair do governo. "O cargo de ministro é uma decisão do presidente Michel Temer. Vou exercê-lo [o cargo] na plenitude enquanto entender que tiver a confiança do presidente Michel Temer. (...) Não nasci ministro do Planejamento e não vou morrer ministro do Planejamento. Não vejo nenhum motivo para eu pedir afastamento. Me sinto muito tranquilo e vou aguardar uma decisão do presidente Michel Temer", afirmou.

Mais tarde anunciou a mudança e disse que se "licenciaria", mas tentou manter a bravata: "Estou consciente que não cometi irregularidade".

No entanto, os áudios revelados pela Folha de S. Paulo vazados das investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstram o contrário. Na coletiva de imprensa, Jucá chegou a dizer que na gravação quando falou com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, de "estancar sangria" não se tratava de barrar a Lava Jato, mas se referiria a crise econômica. Mas a Folha, que havia somente publicado a transcrição, divulgou o conteúdo do áudio para rebater o ministro.

Mas a conversa não deixa dúvidas de que se trata das investigações. Primeiro, Sérgio afirma: "Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisão de segunda instância], vai todo mundo delatar".

Em seguida, Jucá comenta: "Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo, e a Odebrecht, vão fazer [delação]".

Preocupado, Sérgio Machado diz: "Odebrecht vai fazer". E ele responde: "Seletiva, mas vai fazer".

A tática de Temer e os aliados do gabinete do golpe é tentar desvincular - como se fosse possível - Jucá de Temer e, portanto, de seu governo. As gravação não permitem tal manobra, pois evidenciam que o impeachment contra a presidenta Dilma, sem crime de responsabilidade, foi um golpe para barrar as investigações do esquema de corrupção da Lava Jato que os atingiria.


Do Portal Vermelho, com informações de agências

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Blogueiros debatem a atuação da mídia alternativa contra o golpe


Foto: Eder Bronson
  
Na avaliação de Paulo Moreira Leite, nada na política está 'dado'. "O debate jurídico do impeachment, que sem crime de responsabilidade é golpe, é correto, mas parece que isso pouco importa", lamenta. "Porém, a mobilização é fundamental". Para ele, a pedra no sapato dos golpistas é o fato de que o Brasil avançou muito em termos de cidadania. "Os super-explorados, as domésticas, não aceitam mais ser tratados como antes. As formas de luta popular também avançaram. A concepção de Brasil dos golpistas erra ao ignorar as transformações pelas quais passou o país nos últimos 13 anos".

O jornalista, autor de livros emblemáticos na disputa de narrativa com a mídia hegemonizada como A outra história do mensalão e A outra história da Lava-Jato(ambos publicados pela Geração Editorial), avalia que Dilma comparecer a um Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais e prometer resistir não é pouca coisa. "Colocar 30 mil nas ruas em diversas capitais do país após um golpe é algo incrível. Perde-se as contas dos atos de rechaço ao golpismo", comenta.

O processo de denúncia do golpismo e da ilegitimidade do governo Temer, na opinião de Laura Capriglione, tem nas mídias alternativas e nos coletivos de comunicação um grande trunfo: "A grande mídia faz esforço gigantesco para invisibilizar ou desqualificar nossa ampla e massiva resistência, mas somos os loucos que produzem contra-informação e compartilhamos tudo o que é produzido por nossos amigos".

Com passagem por grandes redações de São Paulo, Laura Capriglione integra o Jornalistas Livres, um dos muitos coletivos de comunicação que, com 'trabalho de formiguinha', deflagraram um novo cenário informativo no país. "Criamos uma espécie de jornalismo colaborativo, horizontal e viral, algo inédito", sublinha. "O que fazemos é reinventar, de certa forma, a imprensa, pois somos o repórter, a gráfica, o jornaleiro, o transportador, os câmeras, toda a cadeia produtiva do jornalismo. Somos tudo ao mesmo tempo, e a partir da produção e compartilhamento, temos tido sucesso em disseminar nossas mensagens".

O desafio dos midiativistas e dos veículos contra-hegemônicos, segundo ela, é não pisar nas 'cascas de banana' pelo caminho, a fim de preservar a credibilidade. "Nosso desafio é o da credibilidade. Por isso, não podemos errar", defende. "Quanto mais credibilidade tivermos, mais imprescindíveis seremos", diz, chamando a atenção para a tarefa da vez: "ganhar a classe média com generosidade e didatismo".

O alvo das mídias alternativas, na opinião de Capriglione, tem de ser as ampla fatias da população que não têm necessariamente a compreensão do processo de golpe, mas que são sensíveis às causas sociais. "Há, até mesmo na classe média, uma ficha caindo de que se bateu panela para, no final, colocarem uma trupe de corruptos no governo", diz, "e essas pessoas já não dão mais tanta credibilidade à Globo".

Marco Weissheimer, por sua vez, alertou para o risco de as tentativas de 'judicialização da censura' contra blogueiros e ativistas digitais aumentar vertiginosamente com a ascenção de um governo ilegítimo. "Blogueiros e mídias independentes sofrem, com frequência, uma ofensiva jurídica, com objetivos claros: asfixia-los financeiramente com a finalidade de calar vozes dissonantes".


De Belo Horizonte, Felipe Bianchi, do Centro Barão de Itararé

Fonte: Vermelho

As angústias de quem apoiou o impeachment


Um olhar mais atento aos seus motivos possibilita ver, com preocupação, que o que se desenha à sua frente é um cenário de articulação para uma volta ao passado. Um olhar mais atento aos seus motivos possibilita ver, com preocupação, que o que se desenha à sua frente é um cenário de articulação para uma volta ao passado. 
Portanto, nada mais natural ouvirmos quase quatrocentas vezes, daqueles que nos representam na Câmara dos Deputados, “pelo meu pai”, “pela minha mãe”, “pelos meus filhos”, “por deus”. Só o diabo não precisou ser lembrado, dizem as más línguas, pois presidia a sessão.

Agora no Senado, mais explicações. Num outro nível, claro, mas de pouca efetividade diante do caráter exclusivamente político em que se transformou esse processo, com pouco espaço para a prevalência da razão, ambiente propício para que razões pessoais se sobreponham, espúrias ou não.

Em recente artigo publicado em seu próprio portal e no Correio Braziliense , o senador Cristovam Buarque, do PPS, com o peso que a autoridade lhe dá para participar e decidir sobre o processo de afastamento da presidenta da República, e que já há muito se declarou a favor da abertura do processo de impeachment no Senado, diz estar agoniado e elenca diversos motivos para tal.

Os motivos da agonia


Um olhar mais atento aos seus motivos possibilita ver, com preocupação, que mesmo políticos mais progressistas tem dificuldades em vislumbrarem que o que se desenha à sua frente é um cenário de articulação para uma volta ao passado, devido ao caráter retrógrado dos setores e agentes políticos que se colocam como ponta-de-lança para corrigir as falhas da política atual.

Cristovam Buarque se diz agoniado. Pelo desemprego atual, não pela terceirização e um futuro provável de perda de direitos trabalhistas.

Pela economia parada, não pelo projeto neoliberal a ser adotado com restrições econômicas ainda mais violentas, afetando sobretudo os mais pobres.

Pelos hospitais, não pelo projeto de privatização do SUS desenhado pelo PMDB. Pela falta de assistência aos mais pobres, não pela intenção de um futuro governo em acabar com os parcos projetos sociais de hoje.

Pelos bolsistas universitários sem o apoio prometido, não pelo projeto que quer restringir ainda mais os repasses de apoio ao ensino superior, acelerando o desmantelamento da universidade pública e sua gratuidade.

Por Cunha ser presidente da Câmara dos Deputados, não pelo fortalecimento político que o processo de impeachment, como vem sendo desenhado, deu a ele mesmo diante de seu afastamento pelo STF.

Com os desvios na Petrobras, não pela evidente intenção política de entregar o controle do seu patrimônio ao capital estrangeiro.

Com a ciência e tecnologia, mas ignora o sinal de gravidade quando um pastor passa a ser seriamente sondado para assumir esse ministério.

Por fim, agoniado por romper com 53 milhões de votos num processo democrático, parecendo ignorar outro 1 milhão e meio, já que o pleito vencedor teve com 54.501.118 votos.

Com uma miopia dessas, é para ficar agoniado mesmo. 
 

*É sociólogo e professor 
Fonte: Vermelho

Serra não está agindo em nome dos interesses do Brasil


Foto: Abc News
 David Rothkopf é editor da Fareign Policy David Rothkopf é editor da Foreign Policy
"Se Serra acha que reformar a política externa é desfazer o que o Lula fez, ele não está agindo em nome dos interesses do Brasil", disse à BBC Brasil David Rothkopf, em referência à possibilidade de fechamento de embaixadas abertas em gestões anteriores.

Após assumir o posto de chanceler do governo interino de Michel Temer, Serra criticou o que chamou de "partidarismo" da política externa dos governos do PT e indicou que, além de buscar uma gestão focada em comércio internacional, possivelmente fecharia embaixadas abertas por Lula em países da África e do Caribe.

Para Rothkopf, Lula "fez mais para aumentar o peso do Brasil no cenário mundial do que qualquer presidente do Brasil". Ele também dá crédito ao ex-chanceler Celso Amorim - que chegou a chamar de "provavelmente o melhor chanceler do mundo" em um artigo em 2009 - pelo papel em transformar o país em um ator de peso no cenário internacional.

O CEO e editor da Foreign Policy, no entanto, critica a excessiva complacência do governo com o regime de Hugo Chávez sob Lula e a perda de importância da política externa sob Dilma.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista, separados por temas:

Discurso de Serra

"O maior problema que o Brasil tem em termos de política externa é que o país está paralisado e perdeu muita credibilidade. Não é só que Dilma tenha sofrido impeachment ou que haja uma nuvem de suspeitas sobre a cabeça de Temer, é que há uma nuvem de suspeitas sobre a cabeça de muita gente no Congresso, no Executivo, e é muito difícil saber quando esse escândalo de corrupção vai parar de prejudicar o Brasil.

Então os mercados estrangeiros perderam a confiança no Brasil, não tem certeza de com quem vão lidar, e esse tipo de previsibilidade, saber com que você está lidando, como são as políticas, é absolutamente crucial.

Então o discurso de Serra não significa nada se não soubermos por quanto tempo essa administração vai ser efetiva, ou se vai ser efetiva."

Política externa do PT

"Sobre as críticas às políticas do governo de esquerda, a questão é: qual governo? Lula, no auge de sua popularidade, fez mais para aumentar o peso do Brasil no cenário mundial do que qualquer presidente do Brasil, seja por abrir embaixadas e consulados pelo mundo, seu papel de liderança, Celso Amorim e o Itamaraty envolvidos nos assuntos mais importantes e dizendo 'o Brasil é um dos países mais importantes do mundo e temos que ser tratados desta forma'. Aderir à ideia dos Brics foi outro componente disso, a diplomacia Sul-Sul, e também o fato de que as coisas estavam funcionando no Brasil.

Dilma não tinha muito tato para isso, Antonio Patriota era ótimo, mas ela não o empoderou, controlou muito, houve tensões com o Itamaraty. Depois veio Mauro Vieira, que era também muito capaz, mas era muito claro que ela estava com problemas na maior parte do tempo em que ele foi chanceler. De novo, se há um problema interno, isso se transfere para a política externa.

Ouço Serra e penso: é possível que o regime de Lula tenha se inclinado demais para Chávez e ignorado problemas no regime (venezuelano)? Sim, com certeza. Eles foram muito permissivos na mudança de Chávez para uma ditadura e nos abusos de direitos humanos. Eu nunca sugeri que a política externa do PT era perfeita. Teria feito mais sentido ter uma política equilibrada.

Mas se o Brasil voltar às políticas pré-Lula, que eram essencialmente 'vamos ter políticas de comércio com algumas partes do mundo, não vamos causar problemas, vamos adotar um tom cético-reflexivo em relação aos EUA, etc.', isso não seria bom.

Acho que o Brasil mudou muito nos anos do governo do PT e o mundo mudou muito, e não acho que o Brasil precisa de uma política de volta ao passado, acho que o Brasil precisa de uma política orientada para o futuro.

'Mas toda política externa começa com força interna, e neste momento o Brasil tem um problema tão grande que torna a política externa uma nota de rodapé dentro da política do governo."

Comércio bilateral


"Dependendo dos acordos bilaterais, priorizá-los pode ser uma estratégia mais eficiente. A maioria dos esforços recentes com acordos multilaterias resultaram em inação ou, se implementados, acordos ineficientes.

Mas isso parece ecoar uma noção de que política externa é essencialmente política de comércio. E a política externa pré-PT era muito orientada para comércio, e não pelo protagonismo no cenário político mundial.

Eu acho que em um país de 200 milhões de pessoas, uma das sete maiores economias do mundo, com a quinta maior população e área, merece estar na discussão política também.

Não tem nada de errado em querer acordos bilaterias, mas isso por si só não é política externa."

Fechamento de embaixadas

"No meu ponto de vista, a abertura de embaixadas foi uma forma de aumentar a influência do Brasil. E acho que, sejam quais forem as boas intenções que Serra possa ter, não é uma boa política, como aprendemos com os EUA, chegar e falar 'vou fazer o oposto do que meu antecessor fez'.

George Bush foi e fracassou em lugares como o Oriente Médio e Obama fez o oposto, foi muito pouco ativo nesses lugares, e isso foi um problema.

Não sei se o problema (de Serra) vai ser convencer outros países de que o governo é legítimo, mas se é um governo de confiança, se estará lá por um bom tempo, se terá mandato para fazer as coisas, se representa os brasileiros.

Parece impróvavel que Dilma renuncie, e isso significa que o governo tem um prazo de 6 meses, não sabemos o que acontece depois. O presidente está cercado de suspeitas, os líderes do Congresso, não sabemos onde os dominós vão parar de cair.

Os governos estrangeiros serão educados com Serra, vão receber bem as mudanças que acharem que são de seu interesse, mas eles vão esperar para ver o que vai acontecer."


Fonte: BBC Brasil via Vermelho

PCdoB: Golpe é reversível, a democracia pode triunfar


PCdoB: Golpe é reversível, a democracia pode triunfarPCdoB: Golpe é reversível, a democracia pode triunfar
Em nota, os comunistas ressaltam a necessária resistência ao demonte das estruturas políticas e sociais construídas nos últimos 13 anos e convocam as amplas forças democráticas e progressistas, a realizarem "jornadas unitárias em ações crescentemente amplas, representativas e massivas”.

A Comissão Política do PCdoB ratifica a proposta de um "plebiscito por eleições diretas para presidente que remete ao povo a decisão do melhor caminho para se restaurar a democracia contribui para a reversão do golpe no Senado e confronta o governo ilegítimo de Temer”.

Segue abaixo a íntegra da nota:

Golpe é reversível, a democracia pode triunfar 
Bastou uma semana para que o usurpador da presidência da República, Michel Temer, e seu governo ilegítimo confirmassem em atos os objetivos do golpe de Estado em andamento no país. A sede exacerbada de assalto ao poder de Temer e de seu grupo é tal que, mesmo sendo um presidente interino desmonta em ritmo frenético as políticas e estruturas de governo e, em escasso tempo, promove significativo retrocesso.

O povo brasileiro não se enxerga no ministério nomeado cuja formação se deu pela partilha do botim, pois Temer deve o cargo não ao povo, mas ao “colégio eleitoral” que o entronizou. Nesse ministério não há mulheres, não há negros, e nele se destaca uma notável percentagem de ministros investigados ou citados em inquéritos que apuram crimes de corrupção.

Temer jogou uma pá de cal no Ministério da Cultura, acabou com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e igualmente extinguiu a Secretaria Nacional de Portos e o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e da Juventude – decisão que revela uma concepção retrógrada, reacionária. É um ministério de costas para a sociedade, montado para tentar assegurar os 54 votos necessários para aprovar o impeachment no Senado e manter aglutinada a contraditória e conservadora base na Câmara dos Deputados, cujo líder do governo é o deputado André Moura (PSC-SE), aliado incondicional de Eduardo Cunha, prova de que Michel Temer segue atado ao que há de pior no parlamento brasileiro.

Os direitos trabalhistas, o caráter universal do Sistema Único de Saúde, a Educação pública, os programas Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família já se tornaram alvo de medidas e declarações de ministros – o que revela que já foi acionada a máquina de triturar e mitigar direitos e soterrar as conquistas que nosso povo alcançou nos governos Lula e Dilma.

Para dirigir a área econômica foi nomeado, com plenos poderes, o “time dos sonhos” do mercado financeiro, fato revelador de um governo diretamente manietado pelo rentismo. A Previdência foi posta sob a alçada dessa equipe de falcões do mercado, que promete, a toque de caixa, apresentar uma proposta que ameaça direitos dos trabalhadores. Já começou, também, a operação para enfraquecer o Estado nacional como indutor do desenvolvimento, garroteando os Bancos públicos e desmembrando o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A política externa afirmativa da soberania do país, da integração latino-americana, é objeto de desmanche. Os governos e instituições dos países da região que se opõem ao golpe são toscamente hostilizados pelo chefe interino do Itamaraty. É o retorno de uma política externa que se dirige com arrogância aos países de menor porte e se curva ante as grandes potências.

Tudo isso é apenas o início da prometida Ponte Para o Futuro, o programa impopular de Temer, eivado de neoliberalismo selvagem – na verdade, um túnel para o passado.

A grande mídia brasileira blinda e incensa esse governo que nasceu velho, mas a imprensa internacional o contesta, as redes sociais no país o desmascaram; o mercado e a direita o festejam, mas os trabalhadores, o povo, artistas, juristas, cientistas, amplos segmentos seguem denunciando o golpe e exigindo a volta da presidenta eleita, Dilma Rousseff.

O PCdoB, ao reiterar sua condenação veemente ao golpe de Estado que está sendo realizado no Brasil, conclama as amplas forças democráticas e progressistas, ao povo e aos trabalhadores e suas entidades e seus movimentos – entre eles a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo – a empreenderem firme e resoluta oposição, no parlamento e nas ruas, ao governo ilegítimo de Michel Temer. Embandeirados com a defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores e do povo, e pela derrota do golpe no julgamento do Senado, devemos realizar jornadas unitárias em ações crescentemente amplas, representativas e massivas.

O fraudulento impeachment em curso, ao contrário do que propagandeiam os golpistas, pode sim ser derrotado no julgamento do Senado Federal. A presidenta eleita Dilma Rousseff mantém-se altiva e realiza uma agenda de mobilização contra o golpe. A agenda regressiva de Temer e os conflitos de seu governo tendem a provocar descontentamento e mesmo cisões entre os apoiadores do golpe. Respaldada pelo fato de que o impeachment de Dilma é um escândalo jurídico – uma infâmia política que condena uma presidenta que não cometeu crime de responsabilidade –, a resistência democrática irá dialogar, persuadir senadores e senadoras que se mostram reflexivos a não se tornarem cúmplices dessa investida que rasga a Constituição.

A proposta de um plebiscito por eleições diretas para presidente que remete ao povo a decisão do melhor caminho para se restaurar a democracia contribui para a reversão do golpe no Senado e confronta o governo ilegítimo de Temer.

Um vasto movimento democrático e popular emerge em todo o país contra o presidente interino e impostor. Ao mesmo tempo, a presidenta Dilma eleva sua autoridade diante do povo. Ela representa, nas atuais circunstâncias, a luta pela democracia porque foi flagrantemente vítima de uma injustiça, além de ter sido retirada da presidência da República por um conluio de políticos envolvidos em crimes de corrupção.

O PCdoB ressalta a necessidade de a resistência democrática realizar uma agenda de múltiplas formas e iniciativas em defesa da democracia: manifestações de rua, debates, simpósios, manifestos, atos culturais e tribunais simulados que denunciem as fraudes do golpe. Temos a convicção de que a jornada democrática crescerá, dia a dia, ao longo dos próximos meses. O golpe não é irreversível, podemos sim conquistar, ao final, a vitória da democracia.

Fora Temer!

Derrotar o golpe nas ruas e no Senado!

Plebiscito para antecipação das eleições presidenciais já!

São Paulo, 20 de maio de 2016
Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil - PCdoB


Do Portal Vermelho

Cultura: a resistência, nas ruas e nas ocupações, derrota Temer

"Quando ouço falar em cultura, penso logo em sacar o revólver" – esta frase, atribuída a um dos líderes nazistas, Herman Göring ou Joseph Goebbels, exprime a costumeira posição direitista face a esta decisiva manifestação humana, o pensamento e suas criações. 
 
A frase, que na verdade faz parte de uma peça antinazista escrita em 1933 por Hanns Jost, serve como uma luva para descrever a atitude do governo golpista de Michel Temer e sua pretensão de destruir o ministério da Cultura.
 
Acabar com a autonomia da cultura ante o estado e o governo, e subordiná-la a qualquer organismo tem apenas um significado: manietar a expressão, colocar limites à liberdade artística e cultural e fazer dela instrumento de governo para domar o pensamento e a resistência contra um mandato ilegítimo como é o de Michel Temer.
 
A tentativa de destruir o ministério da Cultura despertou grande oposição, de democratas, artistas, produtores culturais e gente do pensamento, em todo o Brasil.
 
Desde o anúncio dessa decisão espúria, no dia 12 de maio, a resistência a ela se traduziu em manifestações políticas e ocupações de prédios públicos, em todos os estados.
 
O valor simbólico destas manifestações é decisivo. Não se trata de reação corporativa de agentes da cultura, mas da defesa de um projeto de nação que se exprimiu em tudo aquilo que foi apoiado e promovido pelo ministério da Cultura nestes treze anos de governos populares e democráticos. Tempo em que a cultura saiu dos salões “bem pensantes” da elite, e do eixo Rio-São Paulo, e abarcou todo o país no esforço de construção de identidade nacional que envolve todo o povo e seus produtores culturais. Um esforço de construção em cujo resultado os brasileiros se reconhecem. 
 
A elite reacionária rejeita isso e busca colocar sob seu tacão as condições de produção cultural, como sempre ocorreu anteriormente. 
 
As manifestações contra a ilegitimidade dessa pretensão de submeter a Cultura a tais ditames juntou a frente mais ampla de trabalhadores da arte e do pensamento em todo o país. No Rio de Janeiro, os shows realizados na ocupação do Palácio Gustavo Capanema, reuniram - por exemplo - artistas como Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Seu Jorge, Teresa Cristina, Mareta Severo, Otto, Arnaldo Antunes, entre outros. Mesmo a virada cultural, que ocorre em São Paulo, neste final de semana, poderá trazer novas manifestações de protesto contra Temer e pela autonomia da Cultura.
 
Este movimento da cultura brasileira é semelhante ao que ocorreu em 1964, contra o golpe de estado de 1º de abril – os artistas e os profissionais do pensamento não deram sossego desde o primeiro momento aos golpistas que instalaram a ditadura militar.
 
Com a diferença de que, em 2016, a resistência contra o desmonte da Cultura, impôs logo de saída uma derrota ao governo ilegítimo de Michel Temer e ele, neste sábado (21), viu-se forçado a anunciar a recriação do ministério da Cultura, como divulgou o próprio ocupante do ministério da Educação e  Cultura, o deputado direitista pernambucano Mendonça Filho (DEM). 
 
Foi uma derrota imposta ao golpista Michel Temer pelas ruas, pelo movimento, pelos artistas e intelectuais mobilizados contra sua tentativa de destruir o ministério da Cultura.
 
Derrota que se junta a outras vacilações deste governo ilegítimo nesta primeira semana de seu mandato contestado. Vacilações e recuos vistos também em áreas importantes do governo, como Saúde, Justiça, Educação, Fazenda, etc. e que revelam a visível insustentabilidade de um governo que não teve o apoio das urnas em 2014 e não tem o apoio das ruas agora. Governo ilegítimo e golpista que, no futuro, talvez tenha venha também a ser descrito como aquele que foi derrotado nas ruas, pela opinião democrática brasileira. Fora Temer!

Fonte: Vermelho

Conversa de Romero Jucá revela: golpe foi pacto para barrar Lava Jato


boavistaagora.com.br
  
Nas informações publicadas pelaFolha, a conversa ao telefone entre o senador licenciado, Romero Jucá, ocupando atualmente o ministério do Planejamento, e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, revela o interesse entre os interlocutores em acelerar o afastamento da presidenta Dilma Rousseff para barrar as investigações da operação Lava Jato. Ambos são citados na operação, sendo que Machado foi alvo de uma das fases e teve sua residência visitada por policiais federais. Romero, citado por delatores, chega a afirmar literalmente: “Com Dilma não dá”. E ambos são categóricos: “Tem que ter impeachment”. “Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, afirma Jucá.

Mais adiante, o diálogo entre os dois é mais revelador. Machado afirma: "Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer]. (...) É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional”. Jucá reforça e prevê o STF no acordo: “Com o Supremo, com tudo”. Machado arremata: Com tudo, aí parava tudo.”

O diálogo teria ocorrido em março deste ano e os dois se mostram preocupados com o tempo. A certa altura Machado afirma: “ Porque se a gente não tiver saída... Porque não tem muito tempo”. Jucá reforça: “Não, o tempo é emergencial”. E Machado propõe uma conversa: É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês”.

Leia abaixo trechos do diálogo:

SÉRGIO MACHADO - Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.

ROMERO JUCÁ - Eu ontem fui muito claro. [...] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?

MACHADO - Agora, ele acordou a militância do PT.

JUCÁ - Sim.

MACHADO - Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.

JUCÁ - Eu acho que...

MACHADO - Tem que ter um impeachment.

JUCÁ - Tem que ter impeachment. Não tem saída.

MACHADO - E quem segurar, segura.

JUCÁ - Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente.

MACHADO - Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.

JUCÁ - Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.

MACHADO - Odebrecht vai fazer.

JUCÁ - Seletiva, mas vai fazer.

MACHADO - Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.

[...]

JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.

[...]

MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.

MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.

[...]

MACHADO - O Renan [Calheiros] é totalmente 'voador'. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.

JUCÁ - Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.


MACHADO - A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado...

JUCÁ - Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com...

MACHADO - Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.

JUCÁ - Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].

MACHADO - Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?

JUCÁ - Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.

[...]

MACHADO - O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.

JUCÁ - Todos, porra. E vão pegando e vão...

MACHADO - [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.

JUCÁ - Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.

MACHADO - Porque se a gente não tiver saída... Porque não tem muito tempo.

JUCÁ - Não, o tempo é emergencial.

MACHADO - É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês.

JUCÁ - Vá atrás. Eu acho que a gente não pode juntar todo mundo para conversar, viu? [...] Eu acho que você deve procurar o [ex-senador do PMDB José] Sarney, deve falar com o Renan, depois que você falar com os dois, colhe as coisas todas, e aí vamos falar nós dois do que você achou e o que eles ponderaram pra gente conversar.

MACHADO - Acha que não pode ter reunião a três?

JUCÁ - Não pode. Isso de ficar juntando para combinar coisa que não tem nada a ver. Os caras já enxergam outra coisa que não é... Depois a gente conversa os três sem você.

MACHADO - Eu acho o seguinte: se não houver uma solução a curto prazo, o nosso risco é grande.

MACHADO - É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma...

JUCÁ - Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.

MACHADO - O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...

JUCÁ - É, a gente viveu tudo.

JUCÁ - [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem 'ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca'. Entendeu? Então... Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.

MACHADO - Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]

JUCÁ - Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento...

MACHADO -...E burro [...] Tem que ter uma paz, um...

JUCÁ - Eu acho que tem que ter um pacto.

[...]

MACHADO - Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.

JUCÁ - Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara... Burocrata da... Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça].


Do Portal Vermelho