terça-feira, 24 de novembro de 2015

16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher começa no País

Começou na última sexta-feira (20), a Campanha Mundial dos 16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Em Brasília, na quinta (19), as Nações Unidas iluminaram com luz laranja o Museu Nacional com dados de violência contra as mulheres no Brasil.

A ação acontece no contexto da visita da diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, que trará o país para os holofotes internacionais este ano.
A cor laranja, por ser vibrante, foi escolhida para simbolizar um futuro de esperança para mulheres e meninas. No ano passado, entre os principais símbolos mundiais, foram iluminadas a Times Square, em Nova York, e as Pirâmides do Egito.
As mensagens projetadas no Museu Nacional convocam cidadãos e cidadãs, governos, universidades, empresas e sociedade civil a tomarem uma atitude pelo fim da violência contra mulheres e meninas.
A ação se relaciona à campanha global da ONU Mulheres nos 16 Dias “Torne o Mundo Laranja”, que iluminará de laranja monumentos importantes com o objetivo de dar visibilidade para o problema.
Dia Laranja – Em julho de 2012, a campanha UNA-SE pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, do secretário-geral das Nações Unidas, proclamou o dia 25 de cada mês como um Dia Laranja. Em todo o mundo, agências das Nações Unidas e organizações da sociedade civil utilizam esses dias para dar mais visibilidade às questões que envolvem a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas.
Sobre os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra mulher
Os 16 Dias de Ativismo começaram em 1991, quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), iniciaram uma campanha com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.
A data é uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, que se posicionaram contrárias ao ditador Trujillo, ficando conhecidas como “Las Mariposas”, e sendo assassinadas em 1960, na República Dominicana.
Hoje, cerca de 150 países desenvolvem esta campanha. No Brasil, ela acontece desde 2003, por meio de ações de mobilização e esclarecimento sobre o tema.
No Brasil, a campanha dos 16 Dias se inicia em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, e termina em 10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Dados sobre violência contra mulheres
Segundo o Mapa da Violência 2015, estudo elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), com o apoio da ONU Mulheres e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), o Brasil assume a 5ª posição no ranking de feminicídio, com uma taxa de 4,8 assassinatos por cada 100 mil mulheres; 55,3% desses crimes foram cometidos no ambiente doméstico e 33,2% dos assassinos eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo dados de 2013 do Ministério da Saúde.
O estudo diz ainda que houve um aumento de 54% em dez anos no número de assassinatos de mulheres negras, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013.
Mapa da Violência – A fonte básica para a análise dos assassinatos no Brasil, em todos os Mapas da Violência até hoje elaborados, é o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde (MS).
A seguir, alguns dos dados apresentados no Mapa da Violência 2015: assassinato de mulheres no Brasil.
Assassinato de mulheres nas capitais – Vitória, Maceió, João Pessoa e Fortaleza encabeçam as capitais com taxas mais elevadas no ano de 2013, acima de 10 assassinatos por 100 mil mulheres. No outro extremo, São Paulo e Rio de Janeiro são as capitais com as menores taxas.
Estatísticas internacionais – De acordo com os dados da OMS, o Brasil tem taxa de 4,8 assassinatos por 100 mil mulheres, em 2013, o que coloca o país na 5ª posição internacional, entre 83 países do mundo.
Cor das vítimas – As taxas das mulheres e meninas negras vítimas de assassinatos cresce de 22,9% em 2003 para 66,7% em 2013. Houve, nessa década, um aumento de 190,9% na vitimização de negras, índice que resulta da relação entre as taxas de mortalidade brancas e negras, expresso em percentual.
Idade das vítimas – Baixa ou nula incidência até os 10 anos de idade, crescimento íngreme até os 18/19 anos e, a partir dessa idade, tendência de lento declínio até a velhice. O platô que se estrutura no assassinato de mulheres, na faixa de 18 a 30 anos de idade, obedece à maior domesticidade da violência contra a mulher.
Fonte: CUT via Feebbase

Dia de Luta no BNB pelo pagamento da antecipação da PLR da Fenaban

Os sindicatos dos bancários da Bahia e Sergipe realizam, na próxima quarta-feira (25), o Dia Nacional de Luta no BNB para reivindicar a antecipação da parcela do PLR da Fenaban. Esta mobilização foi definida na reunião dos presidentes das entidades sindicais na última sexta-feira (20), no auditório do Sindicato da Bahia, em Salvador.

Os funcionários do BNB têm protestado contra o baixo valor pago a título de antecipação de PLR, que não atende ao acordo geral da Fenaban, o qual estabelece uma regra básica para a antecipação (54% sobre o salário-base mais verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2015, acrescido do valor fixo de R$ 1.213,07, limitada ao valor individual de R$ 6.507,55).

Fonte: Feebbase

CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA EMASA

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vem a público esclarecer que historicamente sempre se posicionou em defesa do patrimônio público e contra as privatizações.

Aqui em Itabuna, quando em governos do DEM e demais partidos de direita foi proposta a privatização da Emasa através de concessão ou parceria público-privada, lutou contra tais iniciativas.

Acreditamos que as dificuldades e desafios que passa o município de Itabuna referente ao tratamento e distribuição de água, ao saneamento básico e a despoluição do Rio Cachoeira, deve advir de uma profunda parceria municipal e estadual entre a Emasa e a Embasa.

Entendemos que a água é um bem inestimável e deve estar à disposição de todos. Por isso, exigimos o cumprimento da legislação federal no que diz respeito à preservação das nascentes e recuperação das matas ciliares. Contra o desmatamento.
Água é vida e direito de todos!


Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Nassif: Mais uma vez a bola está com Dilma

Com as três frentes (oposição, mídia e Fazenda) relativamente apaziguadas, abre-se espaço para o desafio maior: Dilma começar a governar.

Por Luis Nassif


Presidência da República
A presidenta Dilma Rousseff em audiência no Palácio do Planalto, esta semana,  com governadores do Nordeste.  A presidenta Dilma Rousseff em audiência no Palácio do Planalto, esta semana, com governadores do Nordeste.  
Graças exclusivamente ao amadurecimento institucional, o país começa a voltar para a normalidade política.

Digo exclusivamente porque esta volta à normalidade ocorre apesar da apatia da presidente Dilma Rousseff, que até agora se mostrou incapaz de articular um programa mínimo de governo.

Tem a seu favor o fato de que oposição (com Gilmar Mendes) e imprensa não lhe deram um minuto de folga desde o segundo turno.

Agora, ocorre uma confluência de fatores estabilizadores.

Do lado da oposição, a desmoralização do golpismo de fancaria do PSDB de Aécio Neves, Carlos Sampaio e Aloysio Nunes.

Nesse período todo, contando com a retaguarda total da mídia, não logrou desenvolver uma proposta sequer. A inabilidade política foi tal que, ao propor a anulação completa das eleições, Aécio Neves conseguiu jogar fora a única âncora para o impeachment: a parceria com o PMDB.

Conseguiu descontentar os aliados, queimou-se com a opinião pública e com o empresariado e ainda teve que assistir o enterro do aliado Eduardo Cunha.

Essa sucessão de erros políticos é surpreendente em alguém que parecia ter vindo da melhor escola política mineira.

A exposição ao sol desmanchou a imagem de Aécio e levou junto à do PSDB.

É possível que, nos próximos meses, o empresariado paulista e o mercado financeiro passem a apostar na Rede Sustentabilidade, de Marina Silva.

O segundo fator de estabilização é a Lei de Direito de Resposta aprovada pelo Congresso e sancionada por Dilma. Ela deverá conter os exageros de uma imprensa que parece ter perdido totalmente o rumo em sua aposta inconsequente no pior.

A terceira frente foi essa tentativa canhestra de emplacar o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles na Fazenda.

Pode haver discordâncias em relação ao estilo de Joaquim Levy. Pode cometer erros de diagnóstico, mas é um funcionário público responsável que jamais jogaria o país em aventuras.

Além de seu desconhecimento de economia, Meirelles é do tipo que cede o que for necessário para sustentar uma imagem vazia.

Ao sair de cena, devolve um pouco de tranquilidade ao cenário econômico.

Com as três frentes relativamente apaziguadas, abre-se espaço para o desafio maior: Dilma começar a governar.

Nos últimos dias, assessores presidenciais anunciaram a disposição de o governo ouvir sugestões visando reativar a economia. Dá a impressão que Dilma abrirá concurso para selecionar as melhores sugestões e dar um prêmio para os autores.

Se se indagar de qualquer analista se acredita que a proposta é para valer, a resposta será negativa. Dilma não conseguiu romper a imagem de isolamento que construiu.

Se quiser participação, basta recorre aos instrumentos de que dispõe.

Centro relevante de discussão da sociedade civil, o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social) perdeu totalmente relevância no governo Dilma. Agora, com Jaques Wagner na Casa Civil, poderá voltar a ter importância.

Ao mesmo tempo, o governo tem no Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e no CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) dois think tank com bom repertório de diagnósticos e visões de futuro.

Há um enorme elenco de estudos, desde as reformas institucionais defendidas por instituições ligadas ao mercado, simplificações tributárias estudadas por Associações Comerciais, políticas industriais e instrumentos de capitalização estudados pela Universidade e pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Falta apenas a presidente dar-se conta disso e sair a campo para ouvir, ouvir, ouvir. E, depois, ouvir mais até assimilar os conceitos e, sendo uma pessoa reconhecidamente inteligente, conseguir definir seu segundo governo.

A presidente tem resistido bravamente a propostas que, no fundo, buscam desmontar o Estado de bem-estar social construído desde a Constituição de 1988.

Falta sair da atitude defensiva e apresentar propostas de governo.
 

Fonte: Coluna Econômica via Vermelho

Lucro da Caixa chega aos R$6,5 bilhões em 2015

Mais uma prova de que a crise não afeta os bancos. Em balanço divulgado nesta sexta-feira (20/11), a Caixa comunicou o  lucro líquido de R$ 3 bilhões no terceiro trimestre do ano, um aumento de 60% em relação a igual período de 2014. No período de janeiro a setembro, o banco registra R$ 6,5 bilhões de lucro, que representa um crescimento de 23,3% na comparação com o acumulado do ano passado.
A carteira de crédito da instituição avançou 15,5% em 12 meses e 2,8% no trimestre, alcançando R$ 666,1 bilhões de saldo. O principal produto do banco, o crédito habitacional, cresceu 2,5% no trimestre e 17,2% no acumulado do ano, com saldo de R$ 375,7 bilhões.
As operações comerciais com pessoas físicas e pessoas jurídicas totalizaram R$ 197,8 bilhões, alta de 5,7% em 12 meses e de 0,9% no trimestre.
Segundo o banco, no terceiro trimestre, a inadimplência ficou em 3,26% do total dos contratos, acima do percentual registrado um ano antes (2,73%). O resultado foi puxado pelas operações comerciais destinadas a pessoas físicas e micro e pequenas empresas e também teve influência da desaceleração da atividade econômica, informou a Caixa.
A poupança apresentou saldo de R$ 234,5 bilhões ao final do trimestre, alta de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A base de clientes da instituição alcançou 82,4 milhões de correntistas e poupadores em setembro de 2015 (80,2 milhões de pessoas físicas e 2,3 milhões de jurídicas), alta de 6,8% em 12 meses.
O resultado reforça a necessidade de contratação de mais empregados para a Caixa e importância de manter a empresa 100% pública. 
Fonte: Feebbase

Astrojildo e Lênin

Quando os editores de marxismo21 me pediram um artigo de Astrojildo Pereira para publicar neste blog, recordei-me imediatamente de um pequeno texto publicado na revista O Debate de julho de 1917.

Por José Luiz Del Roio *


Arquivo histórico
  
Em 1911, Astrojildo tinha aderido às ideias anarquistas depois da desilusão com o movimento civilista de Rui Barbosa e o horror às injustiças. Naquele momento ficou golpeado com a repressão da Revolta da Chibata e a execução, na Espanha, do criador da Escola Moderna, Francisco Ferrer.

Numa aventurosa viagem a Europa tomou contato com “agitadores sociais” e encheu sua pobre mala de livros anarquistas. Ao voltar, jogou-se com todo o vigor de sua juventude inteiramente à causa que havia aderido; desde então tornou-se um ponto de referência para os militantes em todo o pais.

Quando eclodiu a I Guerra Mundial, fez denúncias contra aquela mortandade; em 1915, organizou um Congresso pela Paz. Mas o horizonte parecia totalmente obscuro. Um brilho surgiu com a revolução de fevereiro de 1917, na Rússia, que liquidou a monarquia dos Romanov. Os anarquistas brasileiros festejaram, mas suas análises sobre o grande evento eram frágeis e confundiam os seus desejos com a realidade.

Astrojildo moveu-se de forma diferente. Muito importantes eram os acontecimentos que se passavam naquele longínquo país para não entendê-lo em profundidade e ver quais ensinamentos poderiam ser úteis.

Com os poucos materiais que podia contar à época, estudou com afinco; escreveu inúmeros artigos, polemizou com seus companheiros e com a imprensa reacionária. Nesta labuta afastou-se do anarquismo e chegou ao marxismo, sendo o principal artífice da construção da seção brasileira da Internacional Comunista – o partido comunista – em 1922.

artigo acima representa o inicio de seu percurso que, como se pode ver, já é muito consistente. A linguagem é anarquista, mas os conceitos já são incrivelmente “leninistas”. O núcleo do artigo é a afirmação de que existem dois poderes no bojo da revolução russa: a Duma burguesa e o Soviete de operários e soldados. Que estes são antagônicos e entrarão em conflito total e que o Soviete deverá vencer, pois tem também o poder das armas, nas mãos dos soldados. Genial percepção, pois foi isso mesmo que aconteceu na Rússia em outubro, poucas semanas depois.

Em 20 de abril, Lênin publicou no Pravda suas teses sobre a revolução, conhecidas exatamente como “Teses de abril”, embora no calendário gregoriano (vigente no Brasil) fosse já o dia 4 de maio. Ali o líder bolchevique colocou a questão dos dois poderes. Teria Astrojildo tido acesso a este escrito? Pode ser. A pista está na frase “(…) no meio do cipoal dos telegramas e correspondências e outros documentos mais raros (…)” Pode ser, mas é difícil acreditar. A tecnologia da comunicação era atrasada; a Europa estava em guerra e a censura dominava. Além do mais, Lênin ainda não era o nome que seria aclamado pelo proletário mundial poucos meses depois; era pouco conhecido. Sabe-se que no texto de abril, Lênin dizia que os bolcheviques eram poucos. “O nosso partido é pequeno e por enquanto é uma ínfima minoria na maior parte dos sovietes dos deputados operários (…)”

Se Astrojildo leu o escrito de Lênin, teve a imensa capacidade – naquela situação política confusão e totalmente isolado – de compreender os rumos corretos da revolução russa. Naquele momento foi, no Brasil, o único que teve essa clareza e capacidade de compreensão. Fato que comprova a sua sede de buscar, pesquisar, estudar e criar.

Se não leu o escrito de Lênin, só me cabe repetir, foi genial. De qualquer forma, o marxismo tinha dado um passo de gigante no áspero terreno do Brasil.


*José Luiz Del Roio – escritor, fundador do Arquivo Histórico do Movimento Operário Brasileiro (Unesp) e ex-senador da República Italiana (Partido da Refundação Comunista).

Fonte: Marxismo21 via Vermelho

Argentina elege Maurício Macri presidente e encerra ciclo dos Kirchner

Com quase 90% das urnas apuradas, o opositor ao kirchnerismo, Maurício Macri, é considerado o novo presidente da Argentina com 52,35% dos votos. O segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (22), é inédito no país, e esta também é a primeira vez que a direita chega ao poder pela via democrática, e não por intervenção militar. O candidato da chapa governista, Frente Para a Vitória, Daniel Scioli, recebeu 47,65% dos votos. 


Reuters
Aos 56 anos, Macri, que representa a direita argentina, chega ao poderAos 56 anos, Macri, que representa a direita argentina, chega ao poder
Em seu discurso de vitória, Macri disse representar uma mudança de rumo para a Argentina e enfatizou que o voto popular “vai mudar a história”. “Esta mudança não representa um revanchismo, ou um ajuste de contas. A Argentina que sonhamos terá pobreza zero e vamos construir isto juntos. Temos que derrotar o narcotráfico e isso temos que fazer todos os argentinos juntos”.

Todo o tempo, o presidente eleito falou sobre “trabalhar em equipe”, “contar com o apoio de cada um dos argentinos” e pediu, diversas vezes, que o povo não o abandone. Macri também já manifestou sua abertura para negociar com “todos os países”. “Queremos ter boas relações com todos os países, queremos trabalhar com todos. O povo argentino tem muito a apresentar ao mundo e esperamos encontrar uma agenda de cooperação”. 


Com ares de modernidade, Macri tem o perfil da nova direita latino-americana e representa o plano neoliberal implementado em diversos países nos anos 90. Assim como Horácio Cartes, no Paraguai, o argentino também é envolvido com o futebol e chegou a presidir o time Boca Juniors entre 1995 e 2008.

Empresário bem sucedido, se envolveu com os esportes no intuito de se descolar da imagem de sua família, cuja fortuna foi adquirida de forma duvidosa durante a ditadura argentina (1976 – 1983). O analista político do canal Telesur, Alberto López Girondo, avalia que a direita do continente apoia o novo presidente argentino por acreditar que esta eleição pode acarretar em um “efeito dominó” em toda a região.

Apesar de afirmar que pretende cultivar boas relações com o Mercosul e, principalmente, com o Brasil, Macri já deixou claro seu interesse em estreitar relações novamente com os Estados Unidos, política diferente da implementada pelo bloco dos países do Sul.

Alberto acredita que o rumo político da Argentina pode mudar drasticamente e abrir mão das políticas sociais e distribuição de renda. “Provocar o shock econômico, decretar uma desvalorização da moeda, pactuar com os fundos abutres e gerar todo um clima de desestabilização econômica são as opções que Macri pode dar ao fazer um completo giro à direita”.

Resultado divulgado pela Câmara Nacional Eleitoral da Argentina, órgão do Ministério da Justiça e Direitos Humanos

Scioli reconheceu a vitória de Macri e lhe desejou um bom governo. Em seu discurso, disse respeitar a escolha do povo argentino e destacou as conquistas obtidas nos últimos anos, entre elas, a renacionalização da empresa de petróleo YPF, a ampliação de acesso aos mais pobres e a distribuição de renda mais justa. Disse que volta a ocupar seu cargo de governador de Buenos Aires e pretende trabalhar em harmonia com a governadora eleita da província, María Eugenia Vidal, também da coalizão Cambiemos.

Fortalecimento dos EUA e da Otan no continente

O economista e analista internacional Ernesto Mattos, acredita que a eleição de Macri é desastrosa para a soberania do continente porque ele deverá “seguir ao pé da letra o esquema burguês de abertura de capitais e livre comércio”.

“Macri poderá se aliar à Aliança do Pacífico e orientar o Mercosul a um tratado de livre comércio com a Europa sob condições neocoloniais, poderá ainda pactuar com o Acordo sobre o Comércio Internacional de Serviços (Tisa, por sua sigla em inglês) e frear o papel do Estado na economia”, afirmou o economista.

Ernesto afirma ainda que os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido se favorecem com Macri na presidência porque a Argentina é um lugar estratégico para os interesses necoloniais destes países. Principalmente Londres que rechaça o diálogo sobre as Ilhas Malvinas na ONU.

As principais bases da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) fora da Europa estão instaladas nas Ilhas Malvinas e com Macri não haverá mais resistência. Além da questão da soberania territorial, há três companhias petrolíferas britânicas denunciadas pelo governo argentino – Falkland Oil ad Gas, Premier Oil e Rockhopper – que afirmam terem encontrado petróleo na região e prejudicam o desenvolvimento da empresa petrolífera estatal, a YPF.

O resultado eleitoral foi divulgado pela Câmara Nacional Eleitoral da Argentina, maior autoridade de controle dos votos do país. As eleições, que iniciaram às 8 horas e encerraram às 17 horas (horário local), transcorreram com tranquilidade e tiveram adesão popular de 80,83%. Isso significa que mais de 32 milhões de argentinos decidiram votar neste segundo turno inédito. 


Do Portal Vermelho, Mariana Serafini, com informações da Telesur
Fonte: Vermelho