terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bahia registra 101 ataques com explosivos a bancos

Na madrugada desta terça-feira (25/08), o Estado da Bahia registrou o 101º ataque a banco que tiveram uso de explosivos. Ao total são 157 ocorrências registradas neste ano, que conta também com 14 arrombamentos, 12 assaltos e 30 tentativas frustradas.
 
Em Macururé, cerca de 455 quilômetros de Salvador, um caixa eletrônico da agência do Bradesco foi explodido. Aproximadamente 20 homens são os suspeitos da ação. Uma agência dos Correios também foi alvo da quadrilha.
 
Durante a ocorrência, os suspeitos atiraram contra residências próximas e também contra uma viatura da Polícia Militar. O grupo conseguiu fugir. O valor levado não foi revelado.
 
Outro registro aconteceu em Caldeirão Grande, no Centro-Oeste baiano, onde um grupo de suspeitos explodiu a agência do Banco do Brasil. Os suspeitos conseguiram fugir com o cofre da agência. Não há informações da quantia subtraída. 

Fonte: O Bancário

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Walter Sorrentino: O país precisa de uma Frente Brasil Popular

 O dirigente comunista Walter Sorrentino tem 61 anos de idade. Antes de iniciar a entrevista ao Portal Vermelho, em sua nova sala no segundo andar do prédio do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), no centro de São Paulo, Walter confirma ao jornalista sua formação como médico pediatra e comenta, traindo uma ligeira melancolia, “até que eu fui um bom médico, de todo modo gostava”. 


Os verbos no passado soam como uma referência indireta aos 42 anos de militância no PCdoB, que absorveram muito da sua dedicação, furtando tempo à prática da medicina. Na 10ª Conferência Nacional do Partido, realizada no final de maio, os comunistas apontaram Luciana Santos como sucessora de Renato Rabelo na Presidência Nacional do Partido e elegeram também Walter Sorrentino como Vice-Presidente Nacional. Nesta rica entrevista, Walter analisa a crise política no Brasil, comenta sobre a onda conservadora, tece considerações sobre os limites e responsabilidades da esquerda no Brasil e no mundo e fala sobre suas novas funções e os desafios do PCdoB. 


Portal Vermelho – Walter, você assume a vice-presidência do Partido em momento de grande turbulência política no Brasil. Embora alguns apontem que a tendência da crise é a de refluir, existe grande consenso de que ela é grave e perigosa. Qual a sua avaliação?

W - Minha avaliação é que a situação ainda é instável. Ela progride com mais equilíbrio desde as últimas duas ou três semanas, mas ainda é muito instável.

Portal Vermelho - E o que levou a esta situação mais equilibrada?

W - É que esta ampla ofensiva da oposição política, midiática e judicial teve dissenções, divisões neste campo. Era uma ampla frente contra nós e de repente eles têm dissenções porque não conseguem na verdade consenso político e econômico quanto à saída. E do nosso lado se ampliou o arco de forças em defesa da normalidade política, da estabilidade institucional e do próprio mandato de Dilma. Escrevi no Portal Vermelho sobre a proclamação de Fernando Henrique, o dono da voz, digamos assim, da oposição. A declaração de Fernando Henrique, se não é uma pregação legalmente antidemocrática, é legitimamente incendiária contra os interesses do país e da democracia. Ele fez uma impropriedade política histórica ao afirmar que a renúncia da presidenta Dilma seria um gesto de grandeza. Ora, renúncia no Brasil nunca foi gesto de grandeza. Mas, mais importante do que isso, é que ele reflete um impasse da oposição. Está claro a esta altura que o impeachment seria uma violência golpista, então ele pede a renúncia porque o impeachment sai da ordem do dia imediata. Impasse também porque a oposição vem se posicionando contra importantes interesses econômicos, no “quanto pior melhor”. Todas as votações das pautas bombas têm o apoio da oposição e eles tem se apoiado no próprio Eduardo Cunha. Além do mais é evidente que Dilma não vai renunciar e a oposição não tem um programa alternativo para abrir perspectiva, então isso conferiu um pouco mais de equilíbrio.

Portal Vermelho – O próprio empresariado não está unido em torno das saídas para os problemas econômicos...

W - Há um problema na economia, a crise econômica alimenta a crise política, mas não é o centro da nossa crise. A crise econômica representou uma confluência de três movimentos distintos. Uma crise fiscal, fruto das políticas contracíclicas que tivemos que fazer para enfrentar a crise mundial. Veja, no passado o Brasil saía aleijado das crises hiper-inflacionárias e assassinado pelas crises cambiais.



O Brasil superou esta etapa, apesar do controle da inflação ainda ser um desafio. A crise fiscal é diferente, ela se criou por causa da crise mundial, e esta crise mundial é o segundo movimento. Eu leio que o Brasil vai encontrar dois anos seguidos de recessão, a mesma coisa que aconteceu em 1930, 85 anos atrás. Nada mais claro: as duas maiores crises históricas do capitalismo realmente criaram dificuldades para o nosso país, o que é evidente, e não é inesperado. E o terceiro movimento, que conflui na própria crise, é a necessidade de mudança no modelo que vigeu nos três mandatos, dois de Lula e um de Dilma, que, explicando simplificadamente precisa transformar uma economia de demanda numa economia de oferta, quer dizer, um choque de produtividade, educação, competitividade da indústria, um choque de investimentos privados e públicos. Estes três movimentos se imbricaram e formaram uma tormenta que é muito difícil de ser enfrentada. Exige grandeza, e é essa a grandeza que Dilma precisa ter e não a da renúncia. A crise também exige a união dos que lutam pelos interesses do país. Neste contexto o ajuste da Dilma se tornou inevitável. Ela teve que desconstruir a política anticíclica anterior. Foi duro e, aliás, é um ajuste contraproducente porque já está aprofundando a recessão. O Partido é crítico de várias medidas do ajuste fiscal. Mas a Dilma apresenta já uma agenda econômica, e até geopolítica, de retomada de investimentos com importantes projetos, que ela foi lançando ao longo destes últimos meses. É isso: perspectiva de futuro. Vai levar algum tempo para digerir a crise, mas o Brasil é maior do que o buraco da crise. O que é preciso nesta hora é dar perspectiva, com uma agenda pós ajuste, para recompor a confiança na retomada do crescimento econômico e, claro, re-conformar a base de sustentação política da Dilma.

Portal Vermelho – Neste contexto, como você avalia a chamada “Agenda Brasil”, proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros?

W - Essa proposta, num contexto de crise política, ajuda a dar convergência às forças políticas e sociais interessadas na retomada do crescimento econômico. Claro, a agenda Brasil é também um palco de disputa política, para que não prevaleçam interesses conservadores, contrários às garantias que a Constituição deu ao povo, como saúde, educação, etc.

Portal Vermelho - Você diria então que estamos diante da busca de uma agenda mínima?

W - Eu acho que todo o nosso campo político, com Dilma à frente, está construindo esta agenda mínima. Hoje (a entrevista foi concedida na quinta-feira, dia 20) vai ter manifestação nas ruas. Dia cinco de setembro vai ter o lançamento da Frente Brasil Popular. É preciso que a gente se una em defesa da democracia, do mandato de Dilma, e em defesa de uma agenda mínima. O governo está fazendo sua parte, mas tão importante ou mais são as forças políticas e sociais de esquerda e progressistas se entenderem para disputar na sociedade essa agenda.

Portal Vermelho – Daí podemos afirmar que a agenda Brasil do Renan não joga lenha na fogueira do golpe.

W - Exatamente, ela está em aberto e em disputa. Joga para mais estabilidade política e institucional entre o Executivo e o Legislativo, no caso o Senado. Se soubermos agir, podemos jogar lenha na verdadeira usina do que o país precisa, que é unir forças amplas em defesa da democracia, em defesa das empresas nacionais, atingidas pela Lava Jato, em defesa da retomada do crescimento econômico. No plano político, esta agenda tem um vértice bem determinado, que é Dilma. Dilma e Temer, a chapa eleita por 54 milhões de votos. No plano social, a Frente Brasil Popular que precisamos vai também elaborar sua agenda em prol dos mesmos objetivos.

Portal Vermelho – Estamos enfrentando uma onda de valores conservadores que engloba inclusive parte da juventude. Temos, por um lado, esta onda conservadora e por outro, como parte do mesmo fenômeno, uma forte rejeição à política, que ficou bastante nítida nas jornadas de junho de 2013. Como você vê isso?

W - Eu creio que esta rejeição à política - que é um fenômeno mundial - é produzida. E é produzida por meio de vasto movimento de despolitização do povo. Isto é feito pela dominância dos verdadeiros poderes maiores desta sociedade, que são o poder financeiro, o poder midiático, o poder das grandes corporações, que capturam a política e isto é uma coisa muito preocupante, porque coincidiu com a quebra de referências de toda uma experiência política e social que vigeu a maior parte do século 20, que era uma experiência organizada, centrada na luta capital/trabalho. Existiam influentes sindicatos em torno dos quais se unia um poderoso movimento popular. Em grande medida este paradigma mudou, o socialismo sofreu uma derrota, e no lugar disto se instalou uma certa anomia social, que facilita esta despolitização.

Portal Vermelho - Pode-se dizer que, quanto a este aspecto da politização, a esquerda falhou nestes 12 anos da era Lula/Dilma? E se falhou onde está a falha, ou as falhas e qual o caminho para corrigi-las?

W - A esquerda falhou? Sim, nós temos sempre que nos atualizar perante o tempo, mas falando no contexto mais imediato do Brasil, já que a esquerda, com o PT e outras forças, está no governo, eu acho que falhou. Diria dois exemplos que para mim são muito importantes: o primeiro é que, surpreendentemente, uma força de esquerda ocupa o centro do governo e foi incapaz durante treze anos sequer de pautar o que eu chamo de uma agenda de Estado. Isto é uma profunda tradição da esquerda no mundo todo. O Estado que existe aí não está conforme as conquistas progressistas e avançadas, é um Estado conservador. Bom, você tem uma luta em torno disso, mas ela sequer foi pautada! As grandes reformas estruturais, que enfrentassem o caráter conservador do Estado brasileiro sequer foram pautadas.



Para dar um exemplo básico, o Brasil não tem nem regulamentado o direito de resposta, que é um direito constitucional. Mesmo nos oito anos de governo Fernando Henrique, em um período curto, eles pautaram toda uma agenda de Estado. No caso, isso representou o desmonte do Estado voltado para o desenvolvimento nacional, com as privatizações, com as agências reguladoras, com as novas leis, como a da responsabilidade fiscal e autonomia relativa do Banco Central para cumprir a tríade de ferro das metas de inflação, superávite primário e câmbio flutuante. Eles foram adequando o Estado ao modelo que perseguiam, e nós? Acho que isso revela, por parte de uma parcela destas forças da esquerda brasileira, ilusões quanto ao caráter do Estado. E o segundo exemplo, que é um pouco mais matizado: estar no governo não expressa necessariamente ter hegemonia, pois isso é um processo que implica não só hegemonia política, como social e cultural, na sociedade e não apenas no aparato de governo. Acho que nós não soubemos fazer todo o processo de educação política do povo brasileiro. É verdade que Lula, um grande líder, sempre procurava armar política e ideologicamente sua base social, mas era preciso mais do que isso, era preciso todo um processo de politização que tem relação com a agenda de estado. Como corrigir isso? Elevando o nível de politização do nosso povo. E esta é uma tarefa que não é do governo é uma disputa que se faz na sociedade, é para isso que existem os partidos de esquerda que não podem se acomodar, nem sequer porque são governo. Muito menos viver para ter mais poder na máquina do Estado, pois isso seria ter um projeto de poder, não um projeto político de nação.

Portal Vermelho - Diante da desilusão com a chamada política tradicional surgem, principalmente na Europa, opções como o Podemos, que afirma que não é de esquerda nem de direita, mas “dos de baixo”. Como o movimento comunista, a seu ver, deve se situar para influir mais decisivamente na atual conjuntura mundial?

W - Eu faço uma comparação, arbitrária, que não é precisa historicamente. O Brasil teve o seu Podemos, em outro contexto, que foi o PT. O PT era uma força original, mas se dava, naquele contexto, como uma experiência política e social que seguia predominante a via tradicional da esquerda. O Podemos surge da crise deste paradigma e surge devido à derrota do campo socialista, e de certo modo este é um processo inevitável, que a gente vai enfrentar. Eu acho que o movimento comunista, ou nós do PCdoB, fazemos muito bem quando defendemos integralmente a nossa identidade. Isso não só é prova de coerência, é uma necessidade política, exatamente para politizar o povo, porque no fundo, a política, com P maiúsculo, é a forma mais elevada da consciência social. A negação da política leva, em geral, ao fascismo, ao retrocesso, e você desconhecer as grandes forças estruturadas da sociedade, forças sociais, políticas e econômicas, com base nas quais se faz a representação política, é prestar um serviço ao adversário, aos poderes financeiros, que são onipotentes, estão em todo lugar e não estão em lugar nenhum. O PCdoB preserva sua coerência, defende a autonomia do movimento social que deve ser muito variado, e o partido defende a unidade das forças para um projeto político programático. Eu acho que ao fim e ao cabo, as forças estruturadas predominarão, assim como eu vi nas manifestações de junho de 2013, que foram muito importantes, deixam um saldo difuso, mas negando a política não mudam a sociedade. Para mudar a sociedade é preciso organização política e poder de estado. Negar a política vai nos deixar em uma situação em que o movimento é tudo e o objetivo é nada, o que no Brasil se traduz como a indignação é enorme mas o resultado é quase nada.

Portal Vermelho - Voltando ao Brasil, o centro da tática atual dos comunistas é a defesa do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, como caminho brasileiro para o socialismo. O NPND exige ampla aliança inclusive com setores da burguesia brasileira. Como articular isso e o caráter imanente do PCdoB como força revolucionária anticapitalista?

W - Para ser uma força revolucionária, consequente, anticapitalista, é preciso ter um programa de superação do capitalismo que seja viável, exequível. Este é o grande esforço que o PCdoB busca fazer vis a vis a história política real do país. Não um socialismo que fosse implantado das nuvens, mas um processo longo, prolongado, complexo. Nas condições do nosso Brasil, que é um país que ainda nem sequer completou a sua construção nacional, é preciso um caminho, que seja o caminho de um desenvolvimento com algumas características: soberano, democrático, de integração regional, com defesa do meio ambiente, que seja profundamente distribuidor de renda, que é a principal chaga da história do nosso país, não só renda para o povo e os trabalhadores como também para combater as desigualdades regionais. Então, nós temos um caminho. Um velho debate da esquerda que permanece atual é o seguinte: o mundo mudou. O mundo mudou por uma assimetria de poderes fantástica que, talvez, nem sequer Lênin pudesse dar conta quando dizia que uma das características do imperialismo é a de ser uma força tão poderosa que arrasta nações inteiras. Naquele momento talvez fosse inadmissível considerar que esta força pudesse ser tão poderosa quanto é hoje, expressa pela força do capital financeiro. Capital financeiro que fez com o Tsípras (Aléxis Tsípras, então primeiro-ministro grego), que no domingo ganhou um plebiscito com 61%, na terça-feira fosse rendido pelos poderes financeiros. Eu acho que resistir a esta situação, sem contar com a força de um Estado nacional, é muito difícil. De modo que o projeto nacional de desenvolvimento estaria destinado a trazer desenvolvimento ao país, o fortalecimento da soberania nacional, o fortalecimento do Estado nacional e a afirmação nacional, com este conteúdo democrático e popular, de tal forma que a gente possa, no concerto internacional, resistir e se afirmar enquanto nação, que seria o caminho para o rumo socialista. Mais precisamente, para abrir caminho à transição ao socialismo.



Ou seja, na luta de classes ferrenha que se trava hoje, a forma nacional desta luta toma vulto e tem papel muito central sem desconhecer também a luta de classe entre capital e trabalho, a luta de classe em todos os demais terrenos, e acho que o Partido Comunista do Brasil se dispõe, com esta compreensão, a ser uma verdadeira força nacional popular, capaz de disputar a hegemonia, estar presente em todos os acontecimentos, lutas e processos, infundindo em cada um deles os valores do seu programa. A burguesia brasileira é ambígua quando se trata de inteira defesa dos interesses nacionais, mas vários setores podem e precisam ser disputados para um projeto nacional de desenvolvimento. Quanto à esquerda, que é muito variada, nós não temos problema com isso, mas nós defendemos este rumo. Eu acho que hoje no Brasil, para dizer numa palavra, perante esta crise e os desafios da retomada do crescimento, e da afirmação do nosso projeto, eu acho que o Brasil precisa de mais frentismo, digamos assim. Uma força só, por mais poderosa que fosse, não daria conta disso. O Brasil é um país complexo, não é um país para amadores, como dizia Tom Jobim. É preciso uma ampla frente, uma estratégia frentista que conte com o PT, que conte com o PCdoB, que conte com essas forças sociais politizadas que existem na rica sociedade civil do nosso país, e conte com outras forças político partidárias, de esquerda, progressistas, que conte com a intelectualidade progressista. É isto que o Brasil precisa. Sempre achamos isso. A melhor formulação do PCdoB sempre foi essa: a de unir amplas forças. Hoje, numa dimensão imediata, amplas forças democráticas e progressistas que precisam se unir em defesa da democracia, das empresas nacionais e da retomada do desenvolvimento, mas também, no seio dela, de uma Frente Brasil Popular, desse bloco político social que citei. As contradições da esquerda, a gente busca fazer com que elas não sejam contradições insanáveis, ou contradições antagônicas. Sempre haverá este debate, mas vamos encontrar os pontos da unidade de ação, de todas estas forças de esquerda para levar nosso país adiante.

Portal Vermelho - Depois de 14 anos como Secretário de Organização, como você encara e o que representa este novo desafio de ser vice-presidente nacional do PCdoB?

W - Do ponto de vista político, com muito entusiasmo e responsabilidade, do ponto de vista pessoal com alívio, porque 14 anos na organização de fato é um trabalho muito pesado, mas também com o sentimento de dever cumprido. No discurso que fiz num Encontro partidário falo um pouco desse sentimento. Eu completei a transição apenas no domingo passado (16) com a decisão do Comitê Central (que elegeu como novo Secretário de Organização, Ricardo Abreu – o Alemão) porque até então eu estava acumulando as funções. Eu acho que o Partido completou a transição de sua direção, com a Luciana Santos na liderança de um novo núcleo, que é um núcleo reforçado e cujo destino vai ser decidido pela capacidade de enfrentamento desta crise política do país. O Partido tem tido um papel muito destacado, de sagacidade política, destacado na frente social, no movimento de massa. Eu acho que este novo núcleo herdou um legado muito rico e muito potente, e nós vamos ter que honrá-lo. Acho que a principal missão que eu tenha como parte desta direção é consolidar esse novo núcleo, sob a liderança da presidenta Luciana Santos. Acho que esta é a nossa primeira missão e, claro, o enfrentamento desta crise. Mas também terei missões definidas na condição de vice presidente.

Portal Vermelho – Quais as suas funções como vice-presidente nacional do PCdoB?

W - Eu sou o sétimo vice-presidente nacional eleito pelo PCdoB, e nenhum teve funções definidas nessa condição, a não ser substituir o presidente no caso de impedimento, mas no meu caso eu vou ter funções. Neste novo núcleo de direção as tarefas são muitas e eu pretendo retomar um papel político mais público, que eu já tive como presidente do Comitê Estadual do Partido em São Paulo durante onze anos, e algumas funções próprias porque eu vou coordenar a frente institucional que é uma frente já complexa, com inúmeros quadros de alto valor, envolvidos com inúmeras políticas públicas, sobretudo a responsabilidade no ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e a responsabilidade no governo do Maranhão. O Partido já vai mostrando que não é apenas um partido bom de luta, mas é também bom de governo e isso exige muita responsabilidade, vou cuidar desta frente. Além disso, eu sou membro do grupo de trabalho eleitoral do Comitê Central e vou fazer a secretaria executiva deste grupo, coordenando a construção do nosso projeto eleitoral nos 27 estados, que é uma tarefa ao qual eu já me dedicava. Pessoalmente, o que eu vou fazer também com muito gosto, é me dedicar mais à luta de ideais. Eu sempre dei muita aula, escrevia, sempre escrevo no blog, isso me atrai muito, me motiva, me estimula, mas eu não tinha tanto tempo. Estes novos desafios temperam e promovem superações, não só para mim como para todos os novos membros da direção. É o que eu sinto e me dedicarei a isto de corpo e alma.

Portal Vermelho – Já que você falou no Grupo de Trabalho eleitoral do PCdoB, consegue arriscar alguma avaliação do cenário político em que acontecerão as eleições municipais de 2016?

- Na minha opinião o cenário eleitoral de 2016 será marcado, coerentemente com o que eu já afirmei nesta entrevista, por uma grande despolitização e também pela grande ofensiva que fizeram contra a imagem do PT, que atinge toda a esquerda. São dois fenômenos que para mim terão influência. Embora eleições locais sejam sempre mais próximas do cotidiano do povo, e eu não desconsidero a capacidade do eleitor em traduzir seu interesse em voto. O PCdoB sempre luta para encontrar seu lugar político próprio, autônomo, independente, embora sempre compromissado com os problemas maiores da nossa nação e do nosso governo, o Governo Dilma. Nós precisamos encontrar em 2016 qual é o eixo de acumulação de forças que permitirá ao PCdoB dar prosseguimento à sua inserção eleitoral, nas condições atuais, que são condições mais desfavoráveis do que as eleições anteriores, no geral, mas, para o PCdoB, se inscrevem numa trajetória de acúmulo. Eu acho que o eixo principal de acumulação de forças do PCdoB será disputar cidades médias, e isto é muito importante. Cidades médias no Brasil vão se fazendo um polo muito dinâmico em todos os terrenos, e o Partido está presente em todas as cidades com mais de cem mil habitantes. Mas pela primeira vez nós temos condições de lançar candidatos a prefeito, e chapas próprias de vereadores em grande número delas, e em grande número delas de modo competitivo. O PCdoB nunca foi um partido de ter deputados pelo interior. Hoje já é uma realidade e você tem deputados ou fortes candidatos comunistas de várias cidades médias do Brasil. Isto é uma realidade nova. A gente já se acostumou, mas é rigorosamente nova. Eu acho que por aí a gente pode encontrar as condições de conquistar novas prefeituras, fazer boas gestões e preparar o terreno para retomar o nosso objetivo de eleger 20 ou mais federais em 2018 e alguns senadores. Eu estou obcecado por isso (risos). Nós sofremos um prejuízo na bancada federal nas últimas eleições. Vamos tirar lições disso mas vamos continuar perseguindo este objetivo. Minha maior preocupação tem sido e continua sendo alertar o partido nas capitais, para que renovem raízes de inserção social e trabalhem em função de aguçar a representação social que o partido tem, para constituir redutos eleitorais mais permanentes. Do ponto de vista eleitoral (mas também da luta política e social em geral), sinceramente, esse é o maior desafio que vejo de imediato, inclusive para 2016.


 Da Redação do Vermelho

Renato Rabelo: O movimento popular acende seu pavio

 
Foto: Paulo Pinto

Muitos perguntavam: --“Cadê o movimento popular? A esquerda na sua maior parte não se une!” As manifestações de 20 de agosto começaram a responder favoravelmente a estas indagações.

Por Renato Rabelo*, em seu blog


Foram mais de 50 organizações sociais, organizadas, incluindo as sindicais, que se reagruparam e foram capazes de uma vasta mobilização massiva, numa quinta-feira, ocupando as ruas em todo país. Deu o seu tom e apresentou seu lado político, suas reivindicações e alternativas diante da crise política e econômica, expressão de parte real e de parte forjada, que cobre e recobre o país.
Sim, foi uma expressiva manifestação nacional que começou a retirar da letargia e do burocratismo as múltiplas organizações dos trabalhadores e do povo. Estas, nos períodos de “paz” se assomam da rotina e inércia, quase afogadas nos seus próprios interesses corporativistas, longe da ação política. Nada mais eficaz para o despertar do que o risco que pode levá-las a grandes perdas e até à ameaça de retrocesso das conquistas democráticas.

Primeiramente, as manifestações de 20 de agosto, divulgadas nas redes sociais, sem divulgação na grande mídia -- distinta da prioridade midiática dada às manifestações domingueiras do dia 16 -- confluiu e se uniu com entusiasmo num campo definido: a defesa da democracia, do mandato constitucional da presidenta Dilma, contra o golpe da direita,

Em segundo lugar, além das diversas organizações sociais e sindicais, tiveram a participação e presença também dos partidos políticos como o PCdoB, PT, PSOL, PCO e PDT, que têm suas militâncias atuando permanentemente nessas organizações populares.

Em terceiro plano, próprio de organizações populares que dão sua arrancada política, as consignas levantadas expressavam suas reivindicações e anseios nesse momento de crise aguda, com um chamamento que reflete a sua natureza e seu rumo: “que os ricos paguem pela crise”, “contra o ajuste fiscal” e “pela retomada do crescimento, garantido os direitos sociais”; “contra a corrupção e pela investigação e condenação exemplar dos responsáveis, garantindo o pleno direito de defesa”, e uma “reforma política democrática, sem financiamento empresarial das campanhas eleitorais”.

Esses acontecimentos que culminaram nas manifestações do dia 16 e do dia 20 de agosto revelam, nas atuais circunstâncias, a configuração de dois campos de luta social e política. Um campo, com predominância de camadas médias das cidades e de maiores rendas – insuflada pela mídia e por esquemas profissionais de redes sociais -- com uma ideologia própria da denominada pequena-burguesia, com uma reação similar em momentos de crise. Outro campo, predominantemente de camadas de trabalhadores, gente simples de origens mescladas que compõem o povo brasileiro e que aspiram maior avanço social.

Desde sua quarta derrota na eleição presidencial de 2014, o consórcio oposicionista assumiu uma ação mais extremada e feroz, com ampla e direta participação da mídia hegemônica, contra a presidenta da República reeleita, o PT e estendendo sua ignomínia à maior liderança popular desse período, Luis Inácio Lula da Silva.

Isso influenciou e abriu o caminho para uma ação radical odienta dessas camadas pequeno-burguesas – aspiram ser burgueses e se assombram com o ascenso social das camadas pobres --, dando lugar a setores de ultradireita e fascistas. Sendo esses estratos e grupos que vêm delineando os protestos sucessivos que desembocaram no terceiro, no dia 16 de agosto.

Qual o retrato e expressão dessas raivosas manifestações domingueiras? Inflamada pela ação da direita reacionária e revanchista essas camadas e grupos se apresentam para exigir a derrubada da presidenta da República, o fim do PT e a execração de Lula. Em suma são contra a esquerda, as forças progressistas e populares.

Expõem sua própria natureza antidemocrática na forma crua de protestos reativos, irracionais, intolerantes. Sua raiva desarvorada brada o que querem, mas, não sabem o que querem após a pretendida destituição da presidenta da República. Sem alternativa, o que desponta são os apelos dos grupos mais extremados que gritam pela a volta dos militares, em cartazete como “S.O.S FFAA”. Ou a abominável afirmativa de que “Dilma deveria ter sido assassinada” desde a ditadura.

É nesse meio que os partidos de oposição surfam, onde o presidente tucano, Aécio Neves se infiltra -- participa de forma relâmpago como “cidadão” -- comungando também, apenas, com a revolta dos revoltosos nas ruas. A oposição tenta dar as cartas, mas, no fundo não tem alternativa definida para o pretendido pós-Dilma, ou procuram deixar submerso seu verdadeiro propósito.

Por enquanto é o vale tudo com o único objetivo de lançar chispas para incendiar toda pradaria, numa ação conjunta de grande conspirata golpista. Depois? Depois deixa com eles. A “saída” vem sendo arranjada assiduamente por meio de um “mandato” arranjado “constitucionalmente”. Elites conservadoras dominantes agem nos bastidores e já ostensivamente nos órgãos de poder do Estado. Juristas de plantão ao seu serviço é que não faltam como sucedeu no tempo da Ditadura.

É diante desse incessante curso golpista que reascende o movimento popular, que pode se tornar numa força motriz fundamental pelo avanço democrático, progressista e popular.

Este movimento manifesta-se já definindo seu lugar, seu lado e o que pretendem: defesa da democracia e preservar o mandato constitucional da presidenta Dilma; retomar o crescimento não ficando o ônus do ajuste somente com os trabalhadores, mas sim com a parcela dos que têm maiores rendas e fortunas; defender a Petrobras, o marco regulatório do pré-sal e a engenharia nacional. E a perspectiva de aprofundar as mudanças através de reformas estruturais, essencial para o novo ciclo de avanço do projeto nacional de desenvolvimento, com progresso social e soberania nacional.
 

*Renato Rabelo é ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Fonte: Vermelho

Debate intenso no 4º Encontro da Juventude Bancária

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O sábado (22/8) foi de intenso debate para os participantes do 4º Encontro da Juventude Bancária da Bahia e Sergipe, que está sendo realizado no Águas Claras Beach Resort, na cidade de Saubara, no Recôncavo Baiano. Logo na abertura, todos foram surpreendidos por uma ótima notícia: o evento será válido como uma etapa preparatória da Conferência Nacional da Juventude, o que possibilitará a eleição de representantes da categoria para contribuir com a construção de políticas públicas de alcance nacional.
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Organizado pela Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, o Encontro contou com a presença de representantes dos 12 sindicatos filiados, tendo um público majoritário de bancários da base, que entenderam a importância de participar das discussões que envolvem a categoria. “Este é um encontro pensado e organizado para a juventude. Durante estes dois dias de debates, nós poderemos expressar as nossas opiniões sobre os temas que interessam os jovens bancários e vamos fazer isso do nosso jeito e com a nossa linguagem”, explicou o secretário de Juventude da Feebbase, Lucas Galindo.  
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A relevância do evento foi destacada também pelo presidente da Feebbase, Emanoel Souza, que lembrou a importância da participação de mais jovens nos debates sobre a categoria bancária. “Agradecemos muito a presença de todos vocês. A nossa ideia aqui é que vocês possam ter contato com o fazer sindical e entendam com a atuação das entidades são fundamentais para a garantia de mais direitos e melhores condições de trabalho. Sabemos o quanto isso é fundamental, não apenas para a renovação, mas também para a continuidade das lutas do movimento sindical’.
Mobilização e renovação
O evento foi aberto por exposições enriquecedoras do jornalista e presidentes do Centro de Mídias Alternativas Barão de Itararé, Altamiro Borges, e da presidente do Conselho Nacional da Juventude e Secretária Adjunta da Secretaria Nacional da Juventude, Ângela Guimarães, que falaram sobre a importância da participação dos jovens nas ações de transformação da sociedade brasileira.
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Altamiro Borges parabenizou a iniciativa da Feebbase que começou a construir a continuidade da luta através da atração de mais jovens para os debates que envolvem a categoria e o país. Ao falar da conjuntura brasileira e mundial, ele ressaltou a importância da participação dos trabalhadores nos debates sobre os rumos do país, que ocorrem em diferentes espaços físicos, mas também, e de forma muito mais intensa nas redes sociais.
Para Borges, o ambiente de novidades e oportunidades, em que se transformou a internet,  precisa ser ocupado por pessoas comprometidas com propostas que possam fazer o país avançar na luta contra a desigualdade social, evitando assim, o predomínio de  grupos ligados a ideias fascistas e preconceituosas, que podem promover um grande retrocesso no país.
“Nós temos que fazer um grande esforço para mobilizar mais jovens para fazer a disputa de ideias nos locais de trabalho, nas ruas e nas redes. Se a gente não se mobilizar, a gente corre o risco de ter um grande retrocesso, não apenas na questão de retirada de direitos trabalhistas e sociais. Não estamos falando apenas da ameaça de um governo neoliberal, mas, da possibilidade de um governo com ideias fascistas. Se isso acontecer, os trabalhadores e os jovens serão os mais prejudicados”, afirmou.
Protagonismo da juventude
Outra contribuição muito importante ao debate foi dada por Ângela Guimarães. A presidente do Conselho Nacional da Juventude percorre o país para falar da situação de desigualdade ainda enfrentada pelos jovens no país, mesmo com as políticas públicas implementadas nos últimos dez anos pelo Governo Federal.
encontro juventude angela
“Os jovens representam 27% da população e 30% do eleitorado. A participação da juventude no mercado de trabalho é muito importante, mas a média de desemprego entre os jovens é três vezes maior que o da população adulta, isso porque o jovem é o primeiro a ser demitido nos momentos de crise. Precisamos mudar esta situação”, disse.
Ângela falou também sobre os números da violência contra a juventude, uma vez que o Brasil é o terceiro país do mundo onde mais se mata jovens. Por isso, a violência é a maior preocupação dos jovens brasileiros, segundo pesquisa do Instituto Cidadania. O levantamento mostrou ainda que 51% dos entrevistados já perderam um familiar, amigo ou conhecido para a violência. “Em um ano no Brasil, nós perdemos mais jovens de forma violenta, que países em guerra perdem em 10 anos de conflito. Estas mortes são ainda mais comuns entre os jovens negros e pobres da periferia das grandes cidades. Estes não são dados comuns a países de regimes democráticos. Não podemos nos conformar com esta situação. Precisamos envolver a sociedade no debate sobre a violência contra a juventude e apontar saídas para evitar mais mortes sem sentido”, acrescentou.
As discussões seguiram com os debates em grupo na tarde de sábado e prossegue até domingo (23), quando as resoluções do Encontro serão discutidas e aprovadas em uma plenária final.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ato pela democracia reúne milhares de pessoas em Salvador e Itabuna

Os trabalhadores e trabalhadoras de Itabuna não se contiveram com as constantes ofensivas contra a democracia e foram as ruas clamar em favor da liberdade democrática do país na tarde de ontem.
Uma caminhada organizada pelas centrais sindicais e movimentos sociais, saiu do Jardim do Ó, percorrendo a Avenida Cinquentenário e se concentrou na praça Adami, centro da cidade.
Camisetas, faixas e cartazes davam voz ao povo que não ficou passivo diante de tanta injúria. “Eu defendo a democracia e a legitimidade do voto”, dizia um cartaz levado por um estudante universitário. “A crise é dos ricos. Eles que paguem a conta”, dizia uma faixa levada por outros estudantes.

Segundo a organização do evento, cerca de cinco mil pessoas participaram do ato.
“O povo de Itabuna está sintonizado com a ideia de estabelecer os direitos democráticos e disse ‘não ao golpe’ na tarde de ontem. Foi um evento extremamente positivo”, afirmou Luís Sena, diretor do Sindicato dos Bancários e um dos organizadores do evento.
“Foi um ato importante ao demonstrar que a população de Itabuna se posiciona contra o retrocesso defendendo os direitos sociais e trabalhistas. Não existe defesa democrática com golpe. A crítica ao governo deve ser feita sim, mas de uma forma positiva para que todos devam ter seus direitos assegurados com legitimidade”, explicou Wilmaci Oliveira, coordenadora da CTB Regional Sul Bahia.
Na Praça Adami os trabalhadores realizaram um ato cívico e cantaram o hino nacional. Dirigentes sindicais reforçaram o discurso de não ao golpismo para os trabalhadores.
Salvador
As ruas do centro de Salvador foram tomadas por faixas e bandeiras na tarde de ontem, quinta-feira (20/8). Mais de 15 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, atenderam à convocação dos movimentos sociais e participaram do ato cívico e cultural em defesa da democracia e por mais direitos. Incialmente marcado para a Piedade, o evento precisou ser realocado para a Praça Castro Alves devido ao grande número de participantes.
Este foi um dos maiores eventos organizados pelo movimento social baiano nos últimos anos e contou com a representação de dezenas de segmentos da sociedade civil organizada. O movimento de mulheres, negro, LGBT, estudantil, da luta pela terra e por moradia, além de mais de 60 sindicatos de trabalhadores se fizeram presentes no ato.  As centrais sindicais CTB, CUT e Intersindical e os partidos políticos PT, PCdoB e PSB também se engajaram no movimento, que ganhou o apoio da Arquidiocese de Salvador, representada pelo Padre José Carlos, responsável pela organização do Grito dos Excluídos.
A Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, o Sindicato da Bahia e de Feira de Santana também participaram do ato, levando a disposição da categoria de sair às ruas para defender a democracia.
“O movimento de hoje não é desta ou daquela entidade. É de todos aqueles que defendem a democracia, independentemente de qual setor da sociedade pertença. A manifestação de hoje mostrou isso. Mostrou também que o povo e os movimentos que organizam a luta do dia a dia da sociedade não vão aceitar qualquer tipo de golpe contra a presidenta Dilma”, avaliou o presidente da CTB Bahia, Aurino Pedreira.
Para Aurino, os atos desta quinta-feira representam apenas um primeiro passo na luta para proteger o regime democrático no país. “Colocamos o povo na rua, mas queremos trazer também outros setores importantes para esta luta. Queremos também que a presidenta entenda a necessidade de se aproximar mais dos movimentos sociais para garantir que as conquistas dos últimos anos continuem avançando”.
Haroldo e Waldir
A manifestação desta quinta-feira em Salvador contou com a participação de dezenas de lideranças sindicais, sociais e políticas, no entanto, as presenças mais festejadas foram as do ex-deputado comunista Haroldo Lima e do ex-governador da Bahia Waldir Pires, atualmente vereador de Salvador pelo PT, dois dos maiores expoentes da luta contra o regime militar no estado.
Em uma fala bastante aplaudida, Haroldo Lima falou da tendência golpista da elite brasileira, que costuma se articular para derrubar qualquer governo que trabalhe para diminuir as desigualdades sociais, a exemplo do que aconteceu com Getúlio Vargas e João Goulart. “A diferença é que agora estamos atentos e o golpe não passará”, afirmou.
Do alto dos seus 82 anos, Waldir Pires ressaltou a importância da defesa da democracia, lembrando que a ela não existe se vale apenas para uma parcela da população. “a democracia tem que ser para todos ou é apenas uma democracia de merda. Eu dediquei minha vida à luta pela democracia de fato e vou morrer assim, lutando para que todos  tenham direito à democracia e às riquezas do nosso país”.

Fonte: Seeb Itabuna e Feebbase

Dilma entrega primeira Estação da Transposição do Rio São Francisco

 A presidenta Dilma Rousseff acionará, nesta sexta-feira (21), a primeira Estação de Bombeamento (EBI-1) do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, em Cabrobó, no Sertão de Pernambuco.


Ministério da Integração
 
Ontem, quinta (20), membros do Ministério da Integração Nacional realizaram uma visita técnica na estação. De acordo com o diretor do Departamento de Projetos Estratégicos do Ministério da Integração, Robson Botelho, nessa primeira etapa, a água seguirá em um canal por sete quilômetros até o reservatório de Tucutú e 45,9 quilômetros até o segundo reservatório Terra Nova.

Com a bomba operando 16 horas em cinco dias da semana, o reservatório de Tucutú estará cheio em 39 dias, dando condições para encher o reservatório Terra Nova em 18 dias.

“A partir desta sexta, a agua será liberada e assim que for chegando nos reservatórios, o que deve acontecer entre os meses de novembro e dezembro, as comunidades já podem ser abastecidas”, explicou Robson Botelho.

Este trecho que será posto em funcionamento possuir três estações distribuídas ao longo de 260 quilômetros de extensão, e até o final de 2015, todas estarão concluídas.

70 mil beneficiados

O funcionamento desta primeira estação vai beneficiar diretamente mais de 77.733 habitantes, em 12 comunidades quilombolas e 23 indígenas. Esse número deve aumentar com a assinatura de convênios com os governos da região.

“Será assinado um Termo de Compromisso com os governos dos estados de Pernambuco, Ceará e Paraíba para abastecer 325 comunidades”, disse Robson.

Transposição

O Projeto de Integração do Rio São Francisco deve garantir a segurança hídrica de R$ 12 milhões de pessoas, em 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
 

Do Portal Vermelho, com informações de agências

As mentiras de Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República e ex-“príncipe dos sociólogos”, tem uma qualidade rara: é uma espécie de rei Midas ao contrário.

Ele se esforça por polir sua biografia no esforço vaidoso de figurar bem na história. Mas, quanto mais se empenha, mais opaca sua imagem fica! Ele, que se tornou “príncipe da privataria” depois das privatizações promovidas por seu governo, figura entre os piores presidentes da República (talvez o pior) na avaliação popular e tenta, a todo custo, desqualificar a imagem de seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva que, sem titulação acadêmica, ostenta a avaliação popular de melhor presidente da história do país.

Em seu mais recente rompante FHC teve a deselegância (cara-de-pau, melhor dito) de exigir a renúncia da presidenta Dilma Rousseff. Seria um gesto de “grandeza”, disse ele no início desta semana, pois seu governo seria, na opinião do expoente da direita neoliberal, “ilegítimo”. E pregou (claro!) a abreviação de seu mandato constitucional.

Neste ambiente em que a memória histórica tem sido abreviada (desde que a luta de classes voltou abertamente às ruas a partir de junho de 2013) muitas pessoas se esqueceram do que era a vida dos brasileiros há 13 anos, até o ano de 2002, e das mentiras, corrupção e fraudes que mantiveram os tucanos no poder entre 1995 e 2002.

Na eleição de 1998, FHC recebeu o que havia “comprado” antes, sua reeleição, mudança constitucional adotada depois de num dos piores casos de corrupção política envolvendo o presidente da República e parlamentares corruptos que receberam dinheiro para votar pela adoção da reeleição.

Mesmo assim a reeleição não foi fácil e FHC teve 53% dos votos. A campanha eleitoral assistiu a um dos maiores festivais de mentiras promovidos por um candidato à reeleição.

A maior delas foi a garantia dada aos eleitores por FHC (que dizia "ou eu ou o caos”!) de que o governo não mexeria no câmbio e manteria a taxa do dólar vigente durante praticamente todo seu primeiro mandato. Alcançado o objetivo da mentira, a reeleição de FHC, a máscara caiu rapidamente. O país soube, assombrado, que a manutenção da taxa do dólar (que foi de R$ 1,12 durante praticamente todo ano de 1998) havia custado quase todas as reservas externas que o Brasil acumulara, e o país estava agora de “pires na mão”.

Pior principalmente para empresas que, até então, confiaram no governo e contraíram dívidas em dólar.

A mentira de FHC revelou-se, afinal, e seu governo mexeu no câmbio. Abandonou o fixo e adotou o câmbio flutuante; o valor do dólar pulou, em poucas semanas, dos R$ 1,12 para R$ 2,11 em março de 1999, e chegou a R$ 3,82 em outubro de 2002.

De repente, cada US$ 1 mil de dívida das empresas passou para US$ 2.110,00, e para os insustentáveis US$ 3.820,00 no final do mandato do tucano que se pretende sabidão e campeão da ética e da moral.

E campeão da competência. E ninguém pode atribuir aquelas decisões econômicas de FHC à incompetência do presidente ou seus auxiliares.

É pior. Foram decisões que decorriam do programa neoliberal de FHC e das fidelidades de classe, nacionais e internacionais, que aquele programa pressupõe.

Os dois mandatos de FHC foram períodos nos quais a nata da especulação financeira controlou a presidência da República e impôs ao país o programa de privatizações, desmonte do Estado e ataques aos direitos sociais e políticos dos trabalhadores e do povo, e à soberania nacional.

Tudo isso precisa ser lembrado, entre os desmandos dos governos de FHC, para que se possa pôr em seu lugar as afirmações recentes do ex-presidente e atual líder golpista antidemocrático.

FHC tema cara-de-pau de propor que a sonhada (pela direita) renúncia da presidenta Dilma Rousseff seria um gesto de “grandeza”.

Este é outro aspecto da política da mentira, da qual ele já se demonstrou um verdadeiro campeão.


Fonte: Vermelho