quarta-feira, 13 de maio de 2015

Frente Parlamentar em Defesa da Caixa será lançada nesta quinta-feira

A Frente Parlamentar em Defesa da Caixa Econômica Federal acontecerá nesta quinta-feira (14), em Brasília (DF). A proposta de criação dessa bancada foi apresentada durante o seminário Caixa 100% Pública, realizado no dia 25 de fevereiro deste ano, por iniciativa da Fenae e da deputada federal e empregada da Caixa, Erika Kokay (PT/DF). O ato será no auditório Freitas Nobre, Anexo IV da Câmara dos Deputados, a partir das 8h30, com café da manhã.
Essa frente parlamentar foi criada oficialmente em 22 de abril, ocasião em que foram eleitos para compor a mesa os seguintes parlamentares: Daniel Almeida (PCdoB/BA), presidente; Erika Kokay (PT/DF), primeiro vice-presidente; José Carlos Nunes Júnior (PT/MA), segundo vice-presidente, além dos coordenadores Assis Carvalho (PT/PI), Edmilson Rodrigues (PSOL/PA) e José Stédile (PSB/RS).
Fonte: Feeb-Ba-Se

Terceirização pode prejudicar pessoas com deficiência, alertam especialistas

O Projeto de Lei 4330, que regulamenta o trabalho terceirizado em todas as atividades das empresas, inclusive a atividade-fim, poderá prejudicar o acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho, segundo defensores dos direitos desse grupo da população. O PL já foi aprovado na Câmara e ainda depende de apreciação do Senado.

A procuradora do Trabalho no Rio de Janeiro, Lisyane Motta, alerta que o cumprimento das cotas para pessoas com deficiência, atualmente exigidas nas contratações feitas por empresas com mais de 100 trabalhadores, poderá não ser cumprida com a nova lei.

"Será computados para efeito de cotas o número total dos empregados, mas quem será a contratante, quem será o responsável pelos encargos, como será feita essa contagem? Então ainda há um panorama de bastante preocupação nessa área", disse a especialista que é coordenadora nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho do MPT.

A Lei de Cotas (8.213/1991) determina que toda empresa com 100 ou mais empregados reserve de 2% a 5%, dependendo do total de funcionários, das vagas para pessoas com deficiência. Com a possibilidade de terceirização de todas as atividades, incluído as finais, as companhias podem não alcançar esse número mínimo de trabalhadores e, dessa forma, não terão obrigação de contratar o percentual definido por lei.

A Superintendente do Instituto Brasileiro da Pessoa com Deficiência (IBDD), Teresa Costa D'Amaral, concorda que a nova lei, se aprovada, poderá piorar ainda mais o quadro de contratações de pessoas com deficiência que já é ruim no País. "A Lei de Cotas tem mais de 20 anos e até hoje não é devidamente cumprida. A grande maioria das empresas não cumpre a cota, algumas nem sabem que a cota é uma obrigação", disse.

"Caso aprovado o projeto de lei, se contratante puder usar os funcionários das empresas terceirizadas para cumprir sua cota, o número de pessoas com deficiência incluídas pela lei será menor ainda. Hoje uma empresa privada não pode cumprir sua cota com terceirização e a terceirizada também deve cumprir a cota. Matematicamente teremos um prejuízo", acrescentou ao enfatizar que o principal problema para o cumprimento da lei é a fiscalização ineficaz.

A procuradora Lisyanne defende o veto total por parte do Senado ao PL, que, segundo ela, retira responsabilidades e gera discriminação.

"Haverá os trabalhadores de primeira e de segunda classe, que são aqueles da contratante e os das terceirizadas, os com o vínculo efetivo e os com o vínculo precário. Nós, do Ministério Público, magistratura, pessoal da área trabalhista achamos que o projeto representa um retrocesso. Em um cenário em que a situação estará tão precarizada, é difícil visualizar o cumprimento da lei de cotas para pessoas com deficiência", avaliou.
Fonte: Agência Brasil - Flavia Villela via Feeb-Ba-Se

terça-feira, 12 de maio de 2015

Ciclo de vida do produto: as revistas semanais e o antipetismo

"Seu nicho de mercado, majoritariamente, é a classe média adulta, conservadora e antipetista".
Blog do Nassif
"Seu nicho de mercado, majoritariamente, é a classe média adulta,
conservadora e antipetista".

Sejamos acacianos, jornalistas pensam como jornalistas e donos de empresas pesam como donos de empresas. Tenho lido ultimamente alguns jornalistas espantados com a marcha da revista Época em direção ao que chamam de “jornalismo de esgoto”, tal e qual identificam na revista Veja.

Por Sérgio Saraiva, para o Blog do Nassif


Caracterizado por um antipetismo militante e delirante. Delirante no sentido de não estar, no mais das vezes, baseado em fatos e sim em factoides, quando não na mais impura ficção.


Dela, disse o jornalista Luis Nassif:

“Não se sabe o que as Organizações Globo pretendem da revista Época, ao torna-la uma Veja de segunda mão.

Veja criou um estilo folhetinesco, um subjornalismo que atraiu um público vociferante, de baixo nível, afastando os formadores de opinião. Hoje, claramente, sua reputação desce ladeira abaixo, perdendo o respeito de toda a categoria.

Época envereda por um caminho sem volta, transformando-se em uma sub-Veja”.

Pensam como jornalistas e, como tais, sabem que o único patrimônio do jornalismo é sua credibilidade. Pensassem como donos de empresa e concluiriam que não há tempo de sobrevida para o produto revista semanal chegar a perder a credibilidade. Morre antes.

Estranha a Nassif e a outros jornalistas que comentaram a postura da revistaÉpoca que, dentro do mesmo grupo empresarial ao qual a Época pertence, o Jornal Nacional e O Globo não a repercutam e que o Portal G1 chegue a desmenti-la.

Perfeitamente natural, são produtos diferentes, destinados a consumidores diferentes. É até saudável que mantenham certa distância e mostrem-se uma alternativa à revista.

Por quê?

Abaixo, algumas reflexões despretensiosas sobre ciclo de vida do produto e de porque só o antipetismo dará tempo ao Grupo Globo para gerenciar o fim daÉpoca. Já o caso Veja é uma sinuca de bico.

A inovação tecnológica e a desconstrução criativa.

Na indústria, há uma situação específica em que o melhor a fazer com um produto de sucesso é deixar de produzi-lo. É o caso de quando a tecnologia desse produto é superada por uma inovação revolucionária.

Já vivi isso.

Vi um produto de grande qualidade e aceitação, de produção massiva e líder de mercado, com duas fábricas no Brasil entre outras no mundo ter sua produção encerrada mundialmente.

Foi essa decisão que se tomou nos anos 1990 com a produção de fitas cassetes.

Naquele momento, o produto ainda era lucrativo, mas não sobreviveria mais 5 anos tendo de enfrentar os CDs. Não havia como competir, o produto entrara na fase de declínio.

O melhor a fazer era encerrar as atividades organizadamente, enquanto elas ainda se pagavam. E assim foi feito, dando outra destinação às instalações industriais e tentando preservar funcionários e fornecedores, na medida em que isso fosse economicamente viável.

Não foi um processo nem indolor nem sem perdas. E, no entanto, era o melhor a fazer.

As revistas semanais e a concorrência da blogosfera especializada.

Uma longa introdução para poder apresentar o cenário em que as revista semanais estão inseridas, neste momento. E para mostrar que ele não é nenhuma novidade no mundo empresarial.

Revistas semanais impressas são um produto morto. A blogosfera é a inovação tecnológica que as levará ao fim.

Seu custo de produção é alto. Logo, dirigem-se a um público de sofisticação e poder aquisitivo maiores.

Qual ainda é seu apelo junto ao público consumidor de informação?

Há anos a informação passou a ser um produto perecível. O conjunto de rádio, televisão e jornal, no Brasil, desde os anos 1960, fez com que seu prazo de validade fosse de um dia.

O jornal de hoje embrulhará o peixe de amanhã. Imagine-se na próxima semana.

Logo, a revista semanal nunca teve a função de informar, e sim de consolidar informações multifacetadas e apresentar reflexões especializadas que permitissem ao leitor formar opinião sobre um assunto em questão.

Além disso, seu formato, entre o jornal e o livro, também a faz o meio ideal para as grandes reportagens sobre um tema determinado. Os ensaios e estudos que o leitor guardaria na estante para consultas futuras.

O advento da internet não mudou isso, apenas reduziu ainda mais o prazo de validade das notícias. A comunicação passa a ter a aparência de instantânea e a renovação da informação de ser constante.

Em um cenário dessa precariedade, aumenta ainda mais a necessidade de seleção, análise da relevância e consolidação da informação. Porém, não é mais possível aguardar-se uma semana para se formar uma opinião.

E então, atendendo a essa nova necessidade, os blogs especializados passaram a fazer diariamente a função que as revistas faziam em uma escala semanal.

Todos os dias, visitando meia dúzia de blogs, obtém-se, em meia hora, a análise que antes era necessário aguardar uma semana para ser obtida.

A qualidade e a profundidade são as mesmas, até porque os jornalistas que hoje estão na blogosfera são os mesmos que antes estavam nas revistas. Mas com um detalhe muito importante, os blogs são gratuitos.

Os jornais diários migrarão do impresso para o virtual. Talvez não mudem muito do que são hoje. Uma fonte de informações primárias minimamente estruturadas.

Mas as revistas semanais, tal e qual a minha fábrica de fitas cassete, não têm futuro. Enfrentam a concorrência de um produto tão bom quanto, mas mais acessível, interativo e grátis - os blogs especializados.

As grandes reportagens não ficarão órfãs com o fim das revistas semanais. Já existem experiências de sucesso na blogosfera que produzem o conteúdo de fôlego que, antes, as revistas semanais produziam.

Só Lula salva Época Veja.

Qual a sobrevida das revistas semanais? Não é crível que os donos das empresas jornalísticas não estejam pensando nisso.

Alguém apostaria 5 anos?

Bem, se é necessário gerenciar o fim do produto, a primeira coisa a fazer é conhecer o público consumidor que ainda pode lhe dar alguma sobrevida. Isso dará uma ideia do tempo disponível para a operação de retirada do mercado.

Quem, hoje em dia, ainda compra revistas semanais?

Não é difícil imaginar que alguém assim é um conservador.

Ainda está no “impresso analógico”, tem dinheiro para pagar uma revista semanal e considera que esse seja um gasto que faz sentido realizar. E um conservador que espera a confirmação dos seus valores e não um desafio para adotar “novos paradigmas”.

Tipicamente: um adulto com mais de 35 anos e da classe média. Como estamos no Brasil, ele é branco e está concentrado no sul e no sudeste do país. Politicamente é de direita. O arquétipo do antipetista. A “elite branca”, usando o denominativo criado pelo professor Claudio Lembo.

Esse o público alvo que interessa a Época Veja. Porque o seu antípoda já assina a Carta Capital.

Não é difícil estimar um mercado de algo em torno de 20 milhões de consumidores potenciais.

Ainda é um número enorme, sem dúvida. Maior que a população da maioria dos países da América Latina. Ainda é possível vender-lhe muito. Tiragens na casa do milhão, se 5% desse público resolver comprar uma revista.

Mas claramente em declínio, pois o conservador jovem, “o coxinha”, que substituirá esse público não lê revistas. Sua fonte de informação é o Twitter e grupos privados no Whatsapp - Facebook tornou-se produto para a classe C. Quando e se um dia vier a buscar reflexões sobre a realidade em que está inserido, a encontrará nos blogs e não nas revistas semanais impressas.

Resumo da ópera

O antipetismo de Veja Época não é uma opção jornalística. É uma decisão baseada em gerenciamento do ciclo de vida do produto.

Revistas semanais, como produtos, entraram na fase de declínio.

Restou-lhes vender para um nicho de mercado muito bem definido e fiel. Mas excludente, ou seja, quem está fora do nicho não consome o produto ou o rejeita.

Seu nicho de mercado, majoritariamente, é a classe média adulta, conservadora e antipetista.

Essa estratégia garante a sobrevivência financeira de curto prazo das revistas. E, ainda que atrele seu futuro ao futuro desse nicho de mercado, torna possível gerenciar a retirada do produto sem maiores rupturas, pelo menos, no caso da revista Época.

Quanto ao poder de influência política, pregam para convertidos. Não são agentes de mudança.

Mantêm-no porque, no caso da Época, o Grupo Globo continua poderoso em outros veículos de comunicação e, no caso da Veja, porque o PT aparentemente não percebeu que, fazendo uso de outros meios de comunicação social, pode simplesmente prescindir dessa revista e continuar ganhando eleições nacionais.

Ambas, no entanto, continuarão, por algum tempo, importantes na política dos Estados das regiões Sul e Sudeste.

No espectro político oposto ao de Época VejaCarta Capital não é mais viável do que elas. Mesmo que inquestionável do ponto de vista jornalístico, deve durar até o dia seguinte ao enterro de Mino Carta. Mas o "brimo" Nassif continuará atendendo a freguesia na "lojinha virtual".

PS : para entregas em domicílio consulte a oficina de concertos gerais e poesia


Fonte: Vermelho

Globo: A mentira padrão, o padrão da mentira e o caso Mujica

  

“O trabalho do jornalista é o de separar o joio do trigo. E publicar o joio”. Assim o jornalista e escritor Luis Fernando Veríssimo descreve com ironia o trabalho da imprensa. Esta ironia, no entanto, é expressão da prática jornalística que hoje domina as redações da mídia hegemônica. Partidarizada, sem qualquer compromisso com a isenção e a pluralidade de opiniões, a mídia brasileira tem um mantra que usa como escudo para as suas vilanias: “a defesa da liberdade de expressão”. 


Esta é a mentira padrão. Em nome dela pode-se impunemente excluir qualquer visão que confronte a linha editorial dos barões midiáticos. As matérias e opiniões verdadeiramente independentes, quando chegam a existir, são apenas pequenas e honrosas exceções que na prática tornam-se irrelevantes diante do número de manchetes, colunas e reportagens que seguem fielmente o roteiro conservador e/ou reacionário.

O caso Mujica

Dois jornalistas, Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz, publicaram uma biografia sobre o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, intitulada “Una oveja negra al poder”. No livro, que ainda não foi editado em português, existem diversas passagens com elogios ao ex-presidente Lula, confirmando o que Mujica sempre disse sobre Lula em entrevistas e pronunciamentos. No entanto, uma atenta repórter das organizações Globo, Cristina Tardáguila, pinçou uma frase do livro onde Lula diz a Mujica: “Essa era a única forma de governar o Brasil”. Com base nesta frase, Cristina e o Globo divulgaram para todo o Brasil que Lula confessou saber sobre o “mensalão”. A matéria da jornalista a soldo da família Marinho tinha, como se viu logo depois, quase nada de jornalismo e muito de manipulação.

O caso Mujica – o padrão da mentira

Um dos autores do livro desmentiu a reportagem: “Lula estava falando sobre as 'coisas imorais' (com as quais teve que lidar como presidente) e não sobre o mensalão. O que Lula transmitiu ao Mujica foi que é difícil governar o Brasil sem conviver com chantagens e 'coisas imorais’, escreveu Andrés Danza”. Mujica também desmentiu. “Ele me falou das pressões e das chantagens. Mas nada de dinheiro ou de corrupção”, contou Mujica, reafirmando: “nunca conversei com um brasileiro sobre o mensalão”. O Globo publicou o desmentido de Andrés Danza. A primeira matéria, de Cristina Tardáguila, tinha a seguinte
manchete: “Mujica, em livro, relata confissão de Lula sobre mensalão”. A matéria que traz o desmentido de Danza ganhou o título de “Lula diz que teve de lidar com 'coisas imorais', relatam uruguaios em livro”. Enquanto no primeiro caso a mentira é o destaque da manchete, o seu desmentido é totalmente subalternizado sendo necessária uma grande dose de paciência para, em meio ao joio, separar o trigo.

O álibi do padrão da mentira

A Globo publica e dá grande divulgação à mentira. Depois, de forma camuflada, também publica o desmentido. É, sem dúvida, uma sofisticação na arte de mentir. Mais ou menos como se o assassino ligasse para a polícia para denunciar o crime, visando com isto ter um álibi. Mas assim como o morto não voltará à vida, a verdade sempre sai muito ferida de uma operação midiática falsa. Ainda mais quando esta operação midiática tem anos de implementação, sempre com o objetivo de colar no governo, no PT e na esquerda a pecha de corrupção.

O ardil do padrão da mentira

Na edição desta segunda-feira (08) do jornal O Globo, o colunista amestrado Ricardo Noblat ignora o desmentido do autor do livro e reafirma a mentira de que Mujica teria feito “a confissão que Lula jamais fizera”. Sobre o desmentido do próprio Mujica, Noblat diz simplesmente que Lula “providenciou um desmentido” e decreta com a arrogância de um guarda da Gestapo: Mujica “não convenceu”. A desfaçatez de um pseudojornalismo que cria, deturpa ou ignora fatos, não é gratuita. O redator destas Notas Vermelhas ouviu nesta segunda-feira, de dois engravatados, entre risos, no aeroporto de Congonhas: “Mujica acabou com o Lula”. A jornalista do Portal Vermelho, Mariana Serafini, estava recentemente no Metrô de São Paulo quando entraram dezenas de professores em greve. Os professores cantaram várias músicas denunciando o governo Alckmin (PSDB). Ao saírem, a população os aplaude. Uma senhora puxa conversa com a jornalista e pergunta o que ela acha da manifestação. Mariana responde que apoia e a senhora comenta: “É isso mesmo, tem que derrubar esta Dilma”.

As consequências do padrão da mentira

Um público já convencido de uma “verdade” criada por uma operação midiática falsa torna-se cada vez mais receptivo às novas mentiras que apenas confirmam a convicção já sedimentada. Aos poucos, a convicção de que alguém e/ou algo é o mal, de tanto ser alimentada, transforma-se em um sentimento de ódio. E com um sentimento de ódio dificilmente consegue-se dialogar, pois pouco espaço resta para a razão. Assim, pessoas acreditam (segundo pesquisa da USP) que o PT trouxe 50 mil haitianos para votarem na Dilma, que o filho do Lula é dono da Friboi, que se antes ninguém era preso no Brasil por corrupção é por que a corrupção começou com o PT, entre outros tantos absurdos que ganham cada vez mais corpo diante de um governo que, perante esta ofensiva, parece optar pela tática suicida da conciliação com a máfia midiática.

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br 

A Reforma Política e Gilmar Mendes: Um novela com mais de 400 dias

"Não adianta mudar o sistema político-eleitoral brasileiro se for mantido o atual esquema de financiamento de campanhas, com contribuição de empresas privadas", externou a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) ao falar sobre a importância da reforma política que tenha por centro o fim do financiamento empresarial de campanha.


Durante seu pronunciamento, a senadora do PCdoB ainda pontuou a morosidade do ministro Gilmar Mendes, que pediu vista da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que questiona a doação de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais.

"Peço ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que viabilize a conclusão do julgamento da ação direta de inconstitucionalidade (Adin)", conclamou Vanessa. Ela ainda lamentou a lentidão no avanço da questão de gênero na representação política. "Embora as mulheres constituam 52% do eleitorado, existem apenas 51 deputadas entre os 513 integrantes da Câmara, enquanto apenas 13 senadoras têm assento no Senado composto de 81 parlamentares".

400 dias e nada

Essa ação está há 400 dias com Gilmar Mendes, que pediu vista do processo quando a ação contava com seis votos favoráveis dos 11 ministros do Supremo. A "demora" do ministro em devolver a ação e permitir a conclusão do julgamento levou os internautas a criarem a hashtag ‪#‎devolvegilmar‬, que viralizou na internet. Além disso, foram criados um abaixo-assinado e um evento no Facebook e até um cronômetro, que contabiliza em quantos dias ele "está atrasando o andamento da Adin".



Coalizão prepara ato nacional dia 20 por reforma política democrática

Manifestação pela reforma política.
Mariana Serafini
Manifestação pela reforma política.

Diante da ameaça autoritária do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que agendou para o fim de maio a votação de proposta de reforma”antidemocrática”, a Coalização agendou para o dia 20 de maio, a realização de atos em todo o país, o chamado Dia Nacional de Mobilização pela Reforma Política Democrática.


Em nota à imprensa, a Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas – que reúne mais de 100 entidades e organizações da sociedade civil como a OAB, CNBB, UNE, CUT, Contag e CTB –, informa que irá se reunir, em sessão ampliada, na manhã do próximo sábado (9), no auditório do Centro Cultural da OAB, em Brasília, para a preparação destas atividades.
 


O movimento defende propostas que garantam a constituição de mecanismos que fortaleçam a participação democrática direta. Enfatizando o combate à corrupção, a luta pelo fim do financiamento de campanha por empresas, contra as propostas de “distritão” e em defesa do sistema proporcional e da paridade de gênero na lista eleitoral.

A Coalizão explica que os atos do dia 20 são em resposta à demonstração autoritária do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que agendou pautas de contrarreforma para o final de maio. "Estamos diante do risco de ver aprovadas as emendas constitucionais da contrarreforma política (PECs 352/13 e 344/13) que constitucionalizam o financiamento de campanha por empresas, na contramão das aspirações do povo e do voto de seis dos onze ministros do STF (Supremo Tribunal Federal)”.

Para as entidades “a influência do poder econômico nas eleições é dos mais graves fatores de degradação do atual sistema político brasileiro, sendo responsável pela eleição de um parlamento distante do povo e canal da corrupção eleitoral”.

A Coalizão continua com a campanha de coleta de 1,5 milhão de assinaturas de eleitores para que seja entregue o projeto de lei à Câmara dos Deputados para que a proposta de lei seja de iniciativa popular. Assine e colabore.

Do Portal Vermelho

Agressão contra Jandira Feghali reforça luta pela reforma política

Na última semana, durante votação na Câmara dos Deputados, mais uma página da violência de gênero foi escrita. Os deputados Roberto Freire (PPS-PE) e Alberto Fraga (DEM-DF) agrediram física e verbalmente a líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ). Os ataques reacenderam a luta feminina por mais espaço na política. Os deputados do PCdoB Orlando Silva (SP), Daniel Almeida (BA) e Jô Moraes (MG) falam sobre o tema nesta edição de Cena Política.







*O Cena Política é um programa produzido pela assessoria da Liderança do PCdoB na Câmara.

Fonte: Vermelho