segunda-feira, 13 de abril de 2015

Guerra contra PL 4330 está longe do final e exige mais mobilização

Crédito: Contraf-CUTContraf-CUTBanner da Contraf-CUT que está bombando nas páginas do Facebook

Apesar da aprovação do texto-base do PL 4330 no plenário da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira 8, a guerra contra o projeto que legaliza a terceirização sem limites no Congresso Nacional está muito longe do final. Por isso, a Contraf-CUT orienta as federações e sindicatos a intensificarem a mobilização e a pressão sobre os deputados federais, especialmente sobre os que votaram a favor do PL, e jogar todo peso na paralisação da quarta-feira 15.

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"Temos que lutar até o fim e ir para a ofensiva. Além de mandar email para seus gabinetes, precisamos denunciar os parlamentares que votaram a favor do texto-base, com as suas fotos e os seus partidos, nas redes sociais, nos jornais das entidades sindicais e junto à população em cada estado do país, mostrando quem está traindo a classe trabalhadora", afirma o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

"O que está em jogo é o maior roubo de direitos dos trabalhadores em toda a nossa história, com gravíssimos impactos para todos os trabalhadores, rurais e urbanos, públicos e privados, e por consequente desestrutura toda a organização social vigente. É hora de ampliar a mobilização contra esse projeto e pressionar os deputados que votaram a favor do PL 4330 em suas bases eleitorais nos estados, denunciando a perda que estão impondo aos trabalhadores", ressalta o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Miguel Pereira.

O que aconteceu até agora

O que ocorreu nesta quarta-feira na Câmara foi a votação do texto-base do PL 4330, cujo teor foi o relatório do deputado Artur Maia (SD-BA), o mesmo apresentado à CCJC em 2013, com algumas alterações: 

1. Inclusão da mesma representação sindical, somente caso a empresa contratada seja da mesma categoria econômica, o que é raro acontecer; 

2. A necessidade de aviso em 10 dias ao sindicato da categoria principal do processo de terceirização efetuado; e 

3. Assegurar que não haja perdas de receitas tributárias com a terceirização, como pediu o governo, garantindo-se a retenção e o repasse direto pelas contratantes dos valores referentes a INSS e FGTS, além de serem recolhidos 1,5% de IR na fonte ou alíquota menor prevista na legislação tributária; 1% da Contribuição Social sobre o lucro líquido (CSLL), 0,65% do PIS/Pasep e 3% da Cofins.

Os próximos passos

Na próxima terça-feira, dia 14, está prevista a apreciação e votação dos destaques apresentados, que são os pontos mais polêmicos do PL 4330:

1. Impor limites à terceirização no Brasil, alterando o texto original aprovado nesta quarta-feira, que autoriza a terceirização sem nenhuma restrição, inclusive nas atividades-fim das empresas.

2. Garantir direitos iguais entre trabalhadores terceirizados e contratados diretamente, 

3. Definir a responsabilidade solidária, pela qual a empresa contratante deve ser responsável por todas as obrigações trabalhistas, tanto quanto a empresa prestadora de serviços. 

4. No caso específico dos bancários, a deputada Érica Kokay (PT-DF) apresentou emenda excluindo do texto qualquer referência aos correspondentes bancários e postais. O PL 4330, mesmo com o conceito de atividade especializada, a pedido dos banqueiros abre a exceção para "legalizar" os correspondentes.

Da Câmara para o Senado

Encerrada essa fase na Câmara, o projeto de lei vai para tramitação no Senado. E caso haja alguma alteração na votação do texto, ele terá de voltar à Câmara, para nova apreciação. Depois disso, segue para sanção presidencial.

"Portanto, ainda há muito a fazer. Temos de intensificar a mobilização e os debates na sociedade, que não tem a dimensão do tamanho do estrago do PL 4330 nas relações de trabalho e sociais futuras. A Contraf-CUT orienta sindicatos e federações a, junto com as demais categorias, visitarem todos os parlamentares em seus estados de origem, apresentando a verdadeira face da tragédia que seria a aprovação definitiva do projeto, além de colocar faixas nas avenidas como fizemos em 2013", insiste Miguel Pereira.

Além disso, é fundamental organizar o Dia Nacional de Paralisações, convocado pela CUT para o próximo quarta-feira, dia 15.


Fonte: Contraf-CUT

Demanda por voos domésticos alcança seu maior nível em 10 anos

 Nota técnica publicada pela Agência Nacional de Viação Civil (Anac) aponta que a demanda por voos domésticos completou 17 meses consecutivos de crescimento, e alcançou o seu maior nível para o mês nos últimos dez anos. De acordo com a nota, a Anac registrou alta de 4,1% na demanda por transporte aéreo doméstico de passageiros em fevereiro de 2015.


 
Os dados também apontam que a oferta doméstica apresentou o sexto mês consecutivo de crescimento e alcançou 4,7% no mesmo período.

Além disso, a taxa de aproveitamento das aeronaves em voos domésticos operados por empresas brasileiras foi de 80,0%. Não foram feitas estimativas para o mercado internacional devido a não se esperar uma alteração tão significativa nos valores.

Avião supera ônibus


O relatório também apontou que a participação no consumo dos modais aéreo e rodoviário e revelou que no caso do transporte interestadual de passageiros de longa distância o avição superou o ônibus. Para ser ter uma ideia, em 2004, quando o transporte rodoviário era responsável por 69,2% dos passageiros e o modal aéreo por 30,8%. No período de janeiro a setembro de 2014, as empresas aéreas transportaram 62,6% dos passageiros neste mercado e as de transporte rodoviário 37,4%.

Transporte Internacional cresce 31,5%


Em fevereiro de 2015, a demanda do transporte aéreo internacional de passageiros das empresas aéreas brasileiras apresentou crescimento pelo 12º mês consecutivo, com aumento de 31,5% quando comparada com o mesmo mês de 2014.

Já a oferta internacional  registrou o 7º mês consecutivo de crescimento, com relevante alta de 26,9% em comparação a fevereiro de 2014. Tanto a demanda quanto a oferta internacional foram recorde para o mês nos últimos dez anos.

Da Redação do Vermelho
Joanne Mota, com informações da Anac

Emiliano: norte-americanos que regulamentam mídia são bolivarianos?

 
Foto: Fred Vázquez

O 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), que acontece de 10 a 12 de abril, em Belo Horizonte, Minas Gerais, reuniu cerca de 700 pessoas neste sábado (11), entre representantes dos movimentos sociais, sindical, do governo, estudantes, acadêmicos e coletivos que debatem o tema comunicação. A mesa de abertura debateu o cenário internacional e os desafios do Brasil para enfrentar a regulação democrática da mídia e a garantia do direito à comunicação. 


A coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, destacou que o tema se torna ainda mais importante na conjuntura atual, momento em que a classe trabalhadora está tendo seus direitos ameaçados. “A liberdade de expressão nos permitirá fortalecer a democracia, o direito à voz e à diversidade”.


A presidenta da CUT Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, fez referência à cobertura pela imprensa tradicional da votação do Projeto de Lei (PL) 4.330, que amplias as possibilidades de terceirização de atividades: “A crise deve ser transformada em estímulo”, segundo a cobertura da mídia, observa Bia Cerqueira.

O secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Emiliano José, garantiu que o governo irá promover neste ano o debate sobre a regulação da mídia no Brasil. “Todos os setores da sociedade serão chamados a participar dos espaços de discussão e ali poderão responder qual marco regulatório querem para o país”, afirmou. Emiliano fez referência à mídia hegemônica brasileira, também considerando-a como um polo político. “Eu não acredito na auto-regulação da mídia sobre si mesma.” Segundo o secretário, os Estados Unidos têm legislação muito mais rigorosa do que a brasileira. “Por que, então, não são chamados de bolivarianos ou censuradores?”, questionou.

Luta mundial
O consultor da Unesco e diretor-executivo do Centro de Direitos e Democracia, Toby Mendel, destacou que a liberdade de expressão é também o direito de receber e buscar informações. “Na lei de direito internacional, o que protege é o fluxo de informações e ideias. Quando temos uma restrição maior do que o benefício, então ela não é legítima”.

Para Mendel, é preciso existir uma relação de equilíbrio. “O debate público é essencial e se observarmos a democracia em todo o mundo, veremos que todos os lugares têm um órgão ou algum sistema de regulação”, lembra. E cita como exemplo o Canadá: “Se observarmos a regulamentação da transmissão por lá existem três condições essenciais, que são o licenciamento, a regulamentação de conteúdo e a aplicação de regras legislativas ou do país ao transmissor”.

Direitos humanos
Rosane Bertotti ressaltou que a comunicação deve ser vista como um direito humano: “Quando a comunicação é tratada como um direito, o Estado tem de ser garantidor deste direito. E defender direito é defender a democracia”.

O professor e pesquisador Martín Becerra, da Universidade de Buenos Aires e da Universidade Nacional de Quilmes, acrescenta: “A liberdade de comunicação deve ser como direito social e não como um direito dos emissores. Isso supera várias barreiras de caráter coorporativo”. Para ele, esse entendimento é questão chave no debate da regulamentação.

Becerra destacou avanços na Lei de Meios, aplicada em seu país em 2009 durante o governo da presidenta Cristina Kirchner para romper com o oligopólio, no qual o Grupo Clarín era um dos principais representantes. “A articulação da sociedade civil, que sustenta a sociedade, é de extrema importância em todo esse processo. É preciso sempre avaliar se a lei se aplica igualmente a todos os atores sociais”.

Para Rosane, é fundamental que existam instrumentos de comunicação para elevar a voz da sociedade. “Neste sentido nossas rádios comunitárias, TVs comunitárias e a nossa estrutura de comunicação pública não podem ser só retóricas, elas devem ser parte da estratégica na construção da mídia democrática.”

Ao final da mesa, Becerra fez elogios ao envolvimento das organizações no Brasil e observou que a regulação dos meios não se refere somente à lei, ao dispositivo legal. “Mais respeitável do que isso é a consciência social e política que se tem de que os meios não são produzidos com uma concepção imaculada. A imaculada concepção dos meios de comunicação tem sido colocada em crise. E essa crise é muito bem-vinda”, concluiu.

Fonte: Rede Brasil Atual via Vermelho

A América Latina afirma sua soberania perante os Estados Unidos

A luta pela emancipação dos povos e nações das Américas viveu nos últimos dias um fato de transcendência histórica. Realizou-se, nos dias 10 e 11 de abril, na Cidade do Panamá, a 7ª Cúpula das Américas, que se transformou em cenário de uma nova batalha pela afirmação da soberania e a independência nacional dos países da região. 

O ideal do Libertador Simón Bolívar de criar a "grande Pátria Americana", que inspirou inúmeros combates e batalhas pela independência ao longo de dois séculos, esteve presente na reunião do Panamá, tanto no encontro dos movimentos sociais, que mobilizou centenas de ativistas e dirigentes, como na Cúpula dos chefes de Estado e governo. 

O encontro do Panamá foi marcado por dois importantes fatos inéditos. Foi a primeira vez que os 35 países das Américas se sentaram em torno de uma mesma mesa, com o convite formulado a Cuba pelo governo do país anfitrião, depois de muitos anos durante os quais os governos progressistas exigiram a presença da ilha socialista que estava excluída deste tipo de conferência inaugurada em 1994 nos Estados Unidos. Foi também o momento em que os presidentes de Cuba e dos Estados Unidos se encontraram pela primeira vez em mais de cinco décadas, dando curso aos entendimentos para o estabelecimento de relações diplomáticas e para o fim do odioso bloqueio imposto pelo imperialismo estadunidense à maior das Antilhas.

De uma forma peculiar, a Cúpula das Américas ratificou uma tendência inexorável na evolução da luta política na região latino-americana e caribenha – a da afirmação das nações que a integram – como donas de seus destinos. A rigor, esta tendência revelou-se inexorável quando, a dois e três de dezembro de 2011, foi criada a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), em Caracas, o que inaugurou uma nova etapa na história de Nossa América. 

Naquele instante, Fidel e Raúl Castro consideraram ser este o mais importante acontecimento institucional em dois séculos da luta dos povos latino-americanos, tornando-se patente a opção patriótica desses povos pela paz, o desenvolvimento, a integração, a cooperação, a solidariedade, a autodeterminação, a soberania, a independência, a identidade e o direito a escolher os próprios caminhos para soerguer sua vida política e social. 

Na Cúpula do Panamá, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entreve-se, diferentemente da maioria dos seus antecessores, não mais com ditadores ou governantes civis reacionários, fantoches do império, complacentes com as políticas de “canhoneiras”, da “boa vizinhança”, da “Aliança para o Progresso”, do “alinhamento automático” ou da Aliança de Livre Comércio das Américas (Alca). Desta vez, o chefe de turno da Casa Branca houve-se com líderes que dialogam de igual para igual e fazem ouvir a voz altaneira de representantes de povos dignos.

A Cúpula das Américas do Panamá entra para a história como o fórum em que se afirmou a solidariedade com a Venezuela Bolivariana, o rechaço ao intervencionismo e ao golpismo imperialista e oligárquico, aos intentos desestabilizadores e às injustas sanções; o compromisso com a solução pacífica do conflito colombiano, com uma paz democrática e pelo progresso social; o respaldo à luta pela independência de Porto Rico; a denúncia da ofensiva que consiste em tramar e fomentar os chamados “golpes suaves”, novos tipos de intervenção que utilizam os meios de comunicação privados e monopolistas e Organizações não Governamentais (ONGs) que atuam a soldo de potências imperialistas; a ratificação dos caminhos de integração escolhidos pelos governos progressistas, caminhos irreversíveis, que resultam na formação de novo polo geopolítico mundial a favor da paz, do desenvolvimento e do progresso social. 

Neste quadro, ganham relevo as palavras do presidente cubano, Raúl Castro, sobre a nova realidade interamericana: “As relações hemisféricas, em minha opinião, hão de mudar profundamente, em particular nos âmbitos político, econômico e cultural; para que, baseadas no Direito Internacional e no exercício da autodeterminação e da igualdade soberana, se centrem no desenvolvimento de relações mutuamente proveitosas e na cooperação para servir aos interesses de todas as nossas nações e aos objetivos que se proclamam”.

A Cúpula das Américas foi também o cenário em que se reafirmou a opção por um novo caminho de desenvolvimento, em contraste com o modelo neoliberal. O novo paradigma é caracterizado pelo esforço para adotar um modelo nacional de desenvolvimento e implementar políticas centradas na busca da justiça social. Malgrado as dificuldades, este é o rumo que orienta a maioria dos países da região. 

De acordo com a presidenta brasileira Dilma Rousseff, hoje “a América Latina e o Caribe têm menos pobreza, menos fome, menos analfabetismo e menos mortalidade infantil e materna. [...] Mas é preciso mais riqueza, dignidade, educação e é isso o que vamos construir nos próximos anos”, afirmou, mostrando-se, entretanto, atenta à “persistência de desigualdades, que ainda afetam, em diferentes graus, a todos os países do hemisfério”. 

A 7ª Cúpula das Américas foi, em todos os sentidos, um fato alvissareiro, uma ocasião que propiciou avanços na caminhada para construir relações de respeito, cooperação e complementaridade, que assegurem o progresso e preservem a autodeterminação dos povos, assim como a ampla e profunda democracia.

Foi um sinal dos tempos, mais uma comprovação de que os povos da região estão vivendo uma época de mudanças e uma mudança de época.


Fonte: Vermelho

Raúl Castro e Barack Obama se reúnem na Cúpula das Américas

Os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de Cuba e dos Estados Unidos, se reuniram no Panamá durante um intervalo da última jornada da Sétima Cúpula das Américas, um encontro amplamente esperado por todos. 

Os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de Cuba e dos Estados Unidos, se reuniram no Panamá durante um intervalo da última jornada da Sétima Cúpula das Américas, um encontro amplamente esperado por todos.


Foto: Estudio Revolución
Os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de Cuba e dos Estados Unidos, se reuniram no Panamá durante um intervalo da última jornada da Sétima Cúpula das Américas, um encontro amplamente esperado por todos. 
Depois dos discursos pronunciados por cada um e instantes depois de posar para a costumeira foto oficial, os dois mandatários ocuparam uma sala preparada para a reunião no Centro de Convenciones Atlapa.

Raúl disse que o fundamental é que estão dispostos a discutir sobre qualquer tema, inclusive sobre direitos humanos e liberdade de imprensa. Dessas e de outras questões, de Cuba e também dos Estados Unidos.

Penso que se pode discutir sobre tudo, se isto for feito com respeito mútuo, considerou o presidente cubano. “Pode ser que nos convençamos de algumas coisas, mas de outras não”.

Não se deve ter ilusões, advertiu, temos muitas diferenças e uma história complexa, mas estamos dispostos a avançar nas reuniões para estabelecer relações diplomáticas.

Raúl se referiu à abertura das embaixadas, ao aumento das visitas entre os dois povos e a praticar todas as questões próprias de “vizinhos tão próximos”.

Podemos falar de tudo com paciência, mesmo nestes tempos em que a vida avança tão rápido, apontou. Esperamos que nossos mais próximos colaboradores saibam cumprir as instruções dos dois presidentes.

Por sua parte, Obama se referiu a que a história entre os Estados Unidos e Cuba era complicada, pois houve desconfiança durante muito tempo. Depois de 50 anos chegou o momento de algo novo, considerou.

É importante manter o contato entre os governos e povos, opinou. “Estamos no caminho para o futuro, deixaremos para trás as coisas que tornaram o passado complicado”.

Obama disse que ambos os povos apoiaram positivamente as mudanças. Na medida em que haja mais intercâmbio, creio que haverá mais contato direto e maior relação entre nossos povos, expressou.

Seguirão havendo diferenças profundas e significativas, seguiremos tentando “levantar as preocupações sobre democracia e direitos humanos”.

“Como disse Raúl em seu discurso apaixonado, eles também tentam levantar essas preocupações”. Ambos podemos virar a página, entabuando novas relações, agregou em seguida.

Queremos que nossos diplomatas tenham contatos mais cotidianos, disse, até o ponto de abrir as duas embaixadas

“Obrigado a Castro pelo espírito de abertura que demonstrou para conosco”. Podemos seguir construindo nossa relação baseando-nos no respeito mútuo, apontou.

Castro falou em seu discurso sobre a dureza que os cubanos têm tido que suportar, minha política é ajudar a que sejam mais prósperos, “o povo cubano é um povo de pessoas iluminadas, inteligentes e brilhantes”, concluiu.

Pelos Estados Unidos, participaram do encontro, que foi descontraído, Susan Rice, assessora de Segurança Nacional; Roberta Jacobson, secretária assistente de Estado para os Assuntos do Hemisfério Ocidental; Ben Rhodes, vice-assessor de Segurança Nacional e Ricardo Zúñiga, diretor de Assuntos Hemisféricos do Conselho de Segurança Nacional.

Por Cuba, estiveram presentes, o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla; Alejandro Castro Espín e Juan Francisco Arias Fernandez, ambos da Comissão de Defesa e Segurança Nacional e a diretora geral de Estados Unidos do Ministério das Relações Exteriores, Josefina Vidal Ferreiro.


Fonte: Granma; tradução do Portal Vermelho

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Nossa água de cada dia

 Por Jorge Barbosa de Jesus*
Devido a estiagem no sudeste, com conseqüências que afetam a realidade de milhões de brasileiros como o preço mais alto da energia elétrica, é que, finalmente, o Brasil iniciou o processo de discussão e busca de efetivas soluções para a conservação dos recursos hídricos. Contudo, a tirar como exemplo as ditas obras estruturantes solicitadas pelo governo de São Paulo a Brasília, vemos que a falta de respeito com a natureza é gritante.
Das ditas obras, apenas uma, a nosso ver, é realmente estruturante, a que diz respeito a reutilização da água. As outras são, apenas, de construção de barragens, noutras palavras, de empossamento d’água. Nenhuma diz respeito a recuperação de bacias hidrográficas com a revitalização das nascentes e o reflorestamento das matas ciliares.
Além disso, sabe-se da importância hídrica da Floresta Amazônica, todavia, continua a ser desmatada impiedosamente, principalmente nos estados do Mato Grosso, Pará e Rondônia. Vejam que existe desde 2006 o Programa Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), no qual está contido a recuperação das bacias hidrográficas e de florestas.
Em nossa região, convivemos com diversas bacias da pior maneira possível, todas estão sendo degradadas pelo esgoto, lixões, desmatamento e assoreamento. A bacia do nosso Rio Cachoeira não é diferente. Tanto o rio Salgado quanto o Colônia, são alvos do descaso que tratamos a água.
Está em curso a construção da barragem do Rio Colônia que, com certeza, aumentará a oferta de água aos municípios próximos a Itapé, porém, é bom frisar que não existe nenhum recurso destinado a revitalização da bacia do Rio Colônia, quanto mais do Salgado, ambos formam o Rio Cachoeira.
Segundo pesquisa recente da SOS Mata Atlântica, com base na análise da situação de 111 rios brasileiros, 23,3% das águas são de qualidade ruim ou péssima. De acordo com a nossa legislação, as águas nesse estado não podem sequer receber tratamento para consumo humano ou serem usadas para irrigação de lavouras. Em Itabuna, o Rio Cachoeira recebe 86% dos esgotos sem nenhum tratamento. E já é um avanço, tendo em vista que há pouco mais de dois anos chegamos a quase zero. Estão previstos novos investimentos que poderão elevar o índice para 60%, até o final de 2016.
Outro problema sério é a perda de água tratada que tem como média, na Bahia, de 30,7%, e no Brasil de 38,8%. Em Itabuna, chega a impactantes 56%. O índice aceitável de acordo com a ONU é de 10%.
Para alterarmos este cenário sombrio é necessário o esforço do poder público através da parceria entre municípios, estado e União no sentido de por em prática o PNRH, através da constituição de consórcios regionais em função da revitalização das principais bacias hidrográficas. Além de programas de educação ambiental envolvendo a sociedade civil das áreas urbanas e rurais.
“O homem vive da natureza, isto é, a natureza é seu corpo, e tem que manter com ela um diálogo ininterrupto se não quiser morrer. Dizer que a vida física e mental do homem está ligada à nature- za significa simplesmente que a natureza está ligada a si mesma, porque o homem é parte dela". (MARX)
 * Por Jorge Barbosa de Jesus – Presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna

PL 4330 da Terceirização sem Limites: Discussão política começa a voltar aos eixos

Por Jorge Barbosa*

A dura derrota imposta aos trabalhadores durante a votação do Projeto de Lei – PL 4330 -, revela  claramente a composição conservadora da Câmara dos Deputados onde a maioria assumem a postura de agentes do capital contra o trabalho.

Os únicos partidos que fecharam questão contra o projeto da precarização do trabalho via terceirização foram PCdoB, PT e PSOL. O placar foi devastador: 324 a favor e  137 contra. Dos 137 setenta e oito votos vieram dos três partidos de esquerda  e apenas 59 dos demais.

Desde o final do ano, diante das dificuldades econômicas provenientes da longa crise mundial do capitalismo iniciada em 2008, o governo Dilma vem buscando a execução de um ajuste fiscal, impondo inclusive de maneira contraditória perdas a classe trabalhadora através das Medidas Provisórias 664 e 665 que dificultam o acesso a direitos previdenciários e assistenciais. O ajuste não propõe a taxação de grandes fortunas, nem mesmo a devida tributação de bens de luxo, a exemplo de lanchas, iates e helicópteros. Tal atitude tem gerado grande confusão na população e especialmente na classe trabalhadora.

A mídia e a direita têm se aproveitado da difícil situação econômica e política, além dos erros  de articulação política cometidos pelo governo para desestabilizar o país, impondo uma pauta conservadora no Congresso  com ataques aos direitos dos trabalhadores, à Petrobrás, ao pré-sal e até mesmo aos direitos humanos, como é o caso do projeto que reduz a maioridade penal.
O que a mídia não explica é que as dificuldades por que passa a economia com o desequilíbrio nas contas do governo é proveniente das medidas anticíclicas adotadas desde 2008 para salvaguardar o Brasil e os brasileiros da recessão, do arrocho salarial e do desemprego, consequências que estão vivendo os países que adotaram o receituário ortodoxo  que dispõe de cortes de  investimentos e despesas públicas  e provocam a recessão.

A classe média beneficiou-se extremamente das medidas econômicas do governo, como a  oferta do crédito por parte dos bancos públicos, sem falar no PAC e no incremento do mercado imobiliário.  Muita gente que estava quebrada  hoje é empresário da construção civil. Tantos outros corretores de imóveis, comerciantes e empreendedores em diversos ramos. Só que diante da súbita mudança de vida e de preconceito de classe, não enxergam a realidade e estão sendo ganhos por propostas atrasadas, preconceituosas, fundamentalistas, entreguistas e golpistas.
Espero que a partir de agora com o choque de realidade que foi a votação do PL 4330, o verdadeiro debate político seja restabelecido e a verdadeira ordem das coisas volte a normalidade, onde a direita e seus partidos (PSDB, DEM, PTB, PPS, PV, PR, PSD, PROS) entre outros defendem os interesses do capital, dos ricos e poderosos e que a esquerda  (PCdoB, PT, PSOL) luta pela  valorização do trabalho, desenvolvimento econômico, democracia e soberania nacional.


*Jorge Barbosa é presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região