sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Brasil Debate: FHC e o ódio à democracia

 FHC disse que o PT cresceu nos grotões porque tem voto dos “desinformados”O filósofo Jaques Rancière em seu livro “O ódio à democracia”, recém-lançado no Brasil, lança luz sobre a resistência das elites às aspirações de poder da população.

Publicado no Brasil Debate


Agência Brasil
 FHC disse que o PT cresceu nos grotões porque tem voto dos “desinformados”
Segundo ele, as oligarquias, seus ideólogos e especialistas julgam conhecer os mecanismos adequados para a condução de um governo democrático. Quando a legitimidade popular colide com o consenso oligárquico, trata-se da ignorância. “Se a ciência não consegue impor sua legitimidade é por causa da ignorância. Se o progresso não progride é por causa dos retardatários.”

No fundo, a grande aspiração da oligarquia é “governar sem povo, isto é, sem divisão do povo: governar sem política. E permite ao ‘governo científico’ exorcizar a velha aporia: como a ciência pode governar aqueles que não a entendem?”.

Em entrevista concedida ao Portal UOL, Fernando Henrique Cardoso afirmou que o PT cresceu nos grotões porque tem voto dos “desinformados”.

Como sociólogo ou como ex-presidente da República, tal declaração é lamentável. FHC deveria ter mais respeito pela democracia e pelos 41,6% de eleitores brasileiros que votaram em Dilma no primeiro turno.

Ao chamar algumas regiões brasileiras de “grotões” e dizer que sua população é “desinformada”, FHC parece considerar o voto dessas pessoas como ilegítimo. Ao fazê-lo, ignora que muitas dessas pessoas decidem seu voto com base naquilo que existe de mais concreto: suas vidas. Seria isso desinformação do povo? Ou elitismo e regionalismo por parte de FHC?

Como mostra André Singer (em “Os sentidos do lulismo. Reforma gradual e pacto conservador”, Companhia das Letras, 2012), ao longo de muitos anos, esse eleitor pobre, desqualificado por FHC, foi uma das importantes bases eleitorais de partidos conservadores, como o PSDB.

Entretanto, o grande avanço das políticas sociais (ver AQUI) levou o Estado às camadas mais simples da população. Isso ofereceu a este grupo social uma melhora substancial no padrão de vida, naturalmente criando um senso de identificação com um projeto que pela primeira vez os olhava e os beneficiava.

A dimensão regional também assume papel importante. O PIB per capita tem crescido mais nas regiões Norte e Nordeste (ver AQUI), que são as regiões mais pobres no Brasil. Ao contrário de desinformadas, pode-se dizer o contrário: as pessoas dessa região estão muito bem-informadas sobre a melhora objetiva de suas condições de vida.

Portanto, chamar o voto do pobre de desinformação é negar a identificação do povo com um projeto, ou seja, negar sua capacidade de identificar seus interesses, além de ser incompatível com uma sociedade republicana e democrática.


Fonte: Vermelho

ONU aponta Brasil com maior número de cidades “resilientes”

Entre as cidades brasileiras, estão capitais como Recife (PE), Belo Horizonte (MG) e Manaus (AM), e pequenas cidades, como Talismã (TO) e Barra Velha (SC). 

Ministério da Integração
Entre as cidades brasileiras, estão capitais como Recife (PE), Belo Horizonte (MG)
e Manaus (AM), e pequenas cidades, como Talismã (TO) e Barra Velha (SC). 

Com 282 municípios participantes, o Brasil é hoje o país com maior representação na campanha “Cidades Resilientes”, da Organização das Nações Unidas (ONU). São consideradas resilientes as cidades que têm capacidade de resistir, absorver e se recuperar de forma eficiente e organizada dos efeitos de desastres, assim como prevenir a perda de vidas e bens. 

A iniciativa foi lançada em 2011 pelo Ministério da Integração Nacional em parceria com o escritório da ONU para Redução de Riscos de Desastres. O Brasil ficou na frente da Áustria (com 280), Líbano (254), Itália (130), Índia (130), Filipinas (113), Coreia do Sul (109), Ilhas Canárias (80), Sérvia (50) e Sri Lanka (47).

A finalidade da campanha é aumentar o grau de consciência e compromisso em torno das práticas de desenvolvimento sustentável, como forma de diminuir as vulnerabilidades e propiciar o bem estar e segurança dos cidadãos. Entre as cidades brasileiras, estão capitais como Recife (PE), Belo Horizonte (MG) e Manaus (AM), e pequenas cidades, como Talismã (TO) e Barra Velha (SC).

Segundo o promotor da campanha no Brasil, Sidnei Furtado, o papel do ministério é sensibilizar e apoiar os estados e municípios a aderirem a esse movimento. “A construção de uma cidade resiliente envolve dez providências a serem implementadas por prefeitos e gestores públicos locais. Cinco delas têm como origem as prioridades estabelecidas em 2005 pelo Marco de Ação de Hyogo, quando 168 países, incluindo o Brasil, se comprometeram a adotar medidas para reduzir o risco de desastres até 2015″, explica Furtado.

As cidades estão executando etapas solicitadas pela ONU. Entre elas, criar programas educativos e de capacitação em escolas e comunidades locais, cumprir normas sobre construção e princípios para planejamento e uso do solo, investir em implantação e manutenção de infraestrutura que evitem inundações, e estabelecer mecanismos de organização e coordenação de ações com base na participação de comunidades e sociedade civil organizada.

Da Redação do Vermelho em Brasília
Com informações do Ministério da Integração

Mobilização total de forças e mensagem clara, a chave da vitória

A campanha do segundo turno da eleição presidencial, de curtíssima duração, começou com intensidade e elevado grau de conflitualidade política. Nela, dois aspectos se destacam: a mobilização total da militância, dos aliados e do povo e a nitidez da mensagem política. Em ambos, as forças progressistas levam vantagem. 

Criar uma onda vermelha em todo o país, construir a vitória com uma agenda intensa de atividades diárias, fazer uma campanha cara a cara, olho no olho, conversando com o eleitor, esclarecendo suas dúvidas, desmontando preconceitos, refutando mentiras, afirmando as ideias-força que levaram a maioria do eleitorado a votar em Dilma no primeiro turno – são as tarefas do cotidiano até 26 de outubro, de todos os que têm verdadeiros sentimentos de patriotismo e alimentam ideais de progresso social. O tempo é curto, a vitória precisa ser construída em cada minuto. 

Mais de 10 mil militantes lotaram nesta quinta-feira (9), a quadra do Sindicato dos Bancários, no centro de São Paulo, numa plenária de mobilização. Sob o comando de Lula, que se mostrou otimista, vibrante, enérgico, sorridente e lúcido, a militância do PT, do PCdoB, outros partidos aliados, movimentos sindicais, juvenis e populares, foi dada a arrancada para vencer também em São Paulo, estado onde se concentra a classe operária e em que, no enfrentamento de uma classe dominante reacionária e opressora, sempre existiu um pulsante movimento popular e de trabalhadores. 

Desde a terça-feira (7), quando se reiniciou a campanha do segundo turno da eleição presidencial, a presidenta Dilma Rousseff não tem feito outra coisa senão mobilizar o povo, a militância, as forças políticas aliadas. Em caminhadas e plenárias que realizou no Piauí, na Bahia, em Sergipe e Alagoas, a candidata vitoriosa no primeiro turno tem deixado uma mensagem de esperança, luta e vontade de vencer, em nome da construção de um Brasil democrático, soberano, desenvolvido e socialmente justo. 

É este o papel de todas as forças políticas e sociais de esquerda, democráticas e populares. Mobilização e concentração total de forças, numa campanha que tem caráter e sentido histórico, porque está em jogo o presente e o futuro do país, estão em questão as conquistas sociais alcançadas com ingentes sacrifícios ao longo dos últimos 12 anos, em xeque o desenvolvimento nacional, a soberania e o papel integrador, solidário e pacifista do Brasil no mundo. 

As primeiras plenárias e o programa inaugural de TV mostraram que não faltará à campanha pela reeleição da presidenta Dilma um só partido, organização do movimento social, deputado, senador e governador eleitos no primeiro turno. Não há tarefa maior do que cumprir este compromisso básico com a nação, até por coerência política e demonstração de fidelidade aos alinhamentos políticos nacionais. É indispensável que as forças progressistas dediquem o máximo empenho à conquista da vitória em 26 de outubro próximo, sem o que não será possível continuar avançando no rumo iniciado por Lula e continuado por Dilma, o povo e as forças aliadas. 

Quanto à mensagem, o principal é evidenciar o contraste entre os dois projetos. “Esta não é uma campanha entre Dilma e Aécio. É uma campanha entre duas propostas de país, de duas propostas de sociedade para o futuro. Uma representa a dependência de um modelo neoliberal em que o FMI dava palpite. É trazer de volta um sistema financeiro que quer ganhar sem investir na produção, é trazer de volta a ideia de que a universidade é para poucos”, ressaltou Lula na plenária de São Paulo. “O que está em jogo é um modelo de país”, afirmou a presidenta Dilma no primeiro programa de TV do segundo turno. 

Na era em que foi governado pelo PSDB, o Brasil quebrou três vezes. Foi a era do arrocho salarial, do desemprego, da falta de investimentos na área social e na infraestrutura, época das privatizações, do Estado mínimo, do império do capital financeiro, da submissão às potências internacionais, do entreguismo e da desbragada corrupção. 

A mensagem das forças progressistas não pode ser outra. O povo brasileiro não quer a volta a esse passado de trevas. Quer, isto sim, as mudanças necessárias para continuar avançando, elevando seu padrão de vida, aprofundando a democracia, consolidando a soberania da pátria. Quer reformas, grandes reformas, reformas estruturais democráticas, transformações sociais, mudança no modelo econômico, uma política econômica e financeira em que o imperativo seja o desenvolvimento nacional com justiça social, e não o lucro máximo do capital financeiro nacional e internacional.

Não há mensagem mais clara do que a emitida pela própria presidenta e candidata à reeleição. Construir um “governo novo, com ideias novas”. É com esta ideia-força que se despertarão as energias do povo e a vitória será construída.

Do lado oposto, a candidatura de Aécio Neves destila ódio e preconceitos, acusa, calunia e mente, na falta de uma mensagem que sensibilize o povo e a nação.


Fonte: Vermelho

Armínio Fraga sobre bancos públicos: "Não sei bem o que vai sobrar"

Crédito: Brasil 247
Nomeado ministro da Fazenda por Aécio Neves, caso o tucano seja eleito presidente, ex-presidente do Banco Central defende "correção de rumo" na área dos bancos públicos no Brasil; "Não estou advogando aqui fechar o BNDES", ressalta ele; "Mas não sei muito bem o que vai sobrar no final da linha, talvez não muito"; segundo Armínio Fraga, modelo com três grandes públicos brasileiros, BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica, "não é favorável ao crescimento"

Brasil 247

Já nomeado ministro da Fazenda em um eventual governo de Aécio Neves (PSDB), Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, defende a redução do papel dos bancos públicos na economia brasileira. Em um áudio divulgado pelo blog O Cafezinho, ele chega a dizer que não sabe bem "o que vai sobrar no final da linha, talvez não muito". 

No trecho da apresentação, Armínio afirma que o modelo brasileiro formado por "três grandes bancos públicos em atuação", BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, "não é um modelo favorável ao crescimento, ao desenvolvimento" do País. "Sabemos, da nossa própria história e da história universal dos bancos públicos", justifica.

Leia abaixo o post do Cafezinho e ouça o áudio:

Armínio Fraga defende redução dos bancos públicos

Por Miguel do Rosário

Tem apenas 1 minuto.

Escute o áudio de Armínio Fraga, já "nomeado" por Aécio Neves como seu eventual ministro da Fazenda, defendendo redução do papel dos bancos públicos. Ao final, uma frase com reverberações sinistras: "não sei bem o que vai sobrar ao final da linha, talvez não muito".

É importante destacar que Fraga mente ao falar da "história" do crescimento.

Todos os países desenvolvidos cresceram com enormes investimentos públicos. E hoje, os países que mais crescem, são os que tem bancos públicos fortes, como China.

E os bancos privados são justamente os principais responsáveis pelas periódicas crises financeiras que vem drenando recursos do Estado para mãos de algumas instituições bancárias.

A acusação de que os bancos públicos são capturados por interesses "públicos e privados" é inconsequente, porque finge ignorar que o mesmo acontece, numa escala infinitamente superior, com os bancos privados.

Os bancos públicos são a salvaguarda da nossa soberania econômica e, portanto, também política.

Os bancos públicos são o único instrumento do povo para reduzir o spread bancário e os juros reais, coisas com as quais Fraga não se preocupa.

O Brasil já conhece Armínio Fraga. Ele foi presidente do Banco Central, e sua primeira medida foi elevar os juros para 45%.

Armínio Fraga foi um dos braços direitos de George Soros, apelidado de o "destruidor de países".

É, meus amigos e amigas, os abutres estão vindo para cá.



Fonte: Portal Brasil 247 via Contraf

Direção da CTB aprova apoio integral à candidatura de Dilma Rousseff

comdilma1
Barrar o retrocesso e defender um projeto que garanta o avanço das conquistas e de um projeto com desenvolvimento com valorização do trabalho e soberania é objetivo da CTB, que declarou, por unanimidade, seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff no segundo turno das eleição presidencial.
A decisão foi tomada, nesta quinta-feira (09), na 15ª Reunião da Diretoria Executiva da CTB, que debateu os perigos contidos nesta disputa eleitoral que envolve dois candidatos com projetos distintos.
mulheresctb
Para a CTB, o projeto defendido pela presidente Dilma Rousseff representa a continuidade das mudanças implantadas a partir de 2002 com a eleição do ex-presidente Lula.
Na opinião dos cetebistas, o projeto do tucano Aécio Neves representa o retrocesso e embute riscos aos direitos trabalhistas, bem como para a economia brasileira e por consequência ao desenvolvimento do país.
No final da reunião, os dirigentes também aprovaram uma Moção de Repúdio à Proposta para o Setor Portuário, apresentada pela Associação Brasileira de Terminais Privativos – ABTP.
votacaoapoio
A proposta dá ênfase à defesa neoliberal da iniciativa privada e propõe a anulação da maioria dos avanços conseguidos mediante negociação  dos trabalhadores (Centrais Sindicais e Federações) com o Governo Dilma e sua base aliada e incluídos na atual Lei Portuária (nº 12.815/13). 
Confira abaixo a Resulção da 15º Reunião da Direção Executiva da CTB:
Total apoio à reeleição de Dilma Rousseff
Reunida em São Paulo no dia 9 de outubro de 2014, a Direção Executiva Nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) aprovou por unanimidade a seguinte resolução:
1- A CTB apoia integralmente a reeleição da presidenta Dilma Rousseff no segundo turno que será realizado em 26 de outubro, tendo em vista que a candidatura do tucano Aécio Neves representa o risco de retrocesso neoliberal. Na economia, acena com um ajuste fiscal que trará de volta o desemprego em massa, a flexibilização e redução de direitos trabalhistas, arrocho salarial, fim da política de valorização do salário mínimo, criminalização e repressão das lutas e movimentos sociais; no plano externo vai restabelecer a política de subordinação aos EUA e ressureição da Alca;
2- O resultado do primeiro turno revelou um preocupante avanço da direita. A composição do Congresso Nacional ficou ainda mais conservadora, o que se deu no rastro de uma forte campanha midiática contra as empresas estatais e o governo Dilma sob a falsa bandeira do combate à corrupção. Isto vai exigir um redobrado esforço de mobilização para barrar a terceirização ilimitada e outros projetos patronais que tramitam no parlamento;
3- Continuar derrotando o retrocesso neoliberal, que representa um sério risco não só para o Brasil como para o conjunto da América Latina e o Brics, é uma pré-condição para avançar nas mudanças, concretizar a pauta sindical e a agenda da classe trabalhadora por um novo projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, soberania e democracia. A Direção Executiva da CTB conclama o conjunto de seus dirigentes e militantes a ocupar a linha de frente da batalha pela reeleição da presidenta Dilma Rousseff.
Direção Executiva Nacional da CTB
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Mais conservador, Congresso eleito pode frear avanços em direitos humanos

Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra um aumento, na nova composição do Congresso Nacional, do número de parlamentares ligados a segmentos mais conservadores - entre eles, militares, policiais, religiosos e ruralistas.

Na avaliação do analista político do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, este será "o Congresso mais conservador desde a redemocratização".

Para o especialista, "algumas conquistas do processo civilizatório, como a garantia dos direitos humanos, podem ser interrompidas ou mesmo regredir com a eleição de uma bancada extremamente conservadora".

O Diap mostra crescimento do número de parlamentares policiais ou próximos desse segmento, como apresentadores de programas de cunho policialesco. Ao todo, esse setor contará com 55 deputados, parte dos quais defendeu, na campanha, a revisão do Estatuto do Desarmamento, a redução da maioridade penal e a criação de leis mais rígidas para punir crimes.

Com foco no discurso sobre segurança, o delegado da Polícia Federal Moroni Torgan (DEM) foi o candidato a deputado federal mais votado do Ceará, com 277.774 votos. Em seus programas no horário eleitoral gratuito, ele pedia uma legislação mais rígida. "Já estamos cansados dessa história, o bandido comete um crime e não passa um dia na cadeia. Isso acontece por que a lei é fraca. Isso tem que mudar. Quem deve ter medo das leis é o bandido e não a população."

No Distrito Federal, o coronel da reserva da Polícia Militar Alberto Fraga (DEM) foi o mais votado, com 155.056 votos. No Rio de Janeiro, o atual deputado Jair Bolsonaro (PP), militar da reserva, foi o campeão de votos no estado, com 464.418 votos e segue agora para o sétimo mandato no Congresso Nacional.

Conhecido por suas declarações contra homossexuais e pelos embates na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Bolsonaro deve ter velhos e novos aliados na próxima legislatura.

A bancada evangélica - que teve em Marcos Feliciano (PSC), também reeleito, representante de destaque na legislatura passada - também cresceu e contará, agora, com 52 parlamentares.

Embora nem todos os evangélicos devam ser considerados conservadores, em geral, eles têm tido postura contrária à ampliação do direito ao aborto, à união homoafetiva e à legalização de drogas como a maconha.

O líder do Partido Republicano Brasileiro (PRB) na Câmara, George Hilton (PRB-MG), partido que foi fundado por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus, pondera que as posições não são novas e que esses grupos já vêm ocupando a política institucional. "O país é plural, mas ainda tem uma história muito conservadora. É de maioria cristã. É natural que essa maioria defenda, no Parlamento, os ideais cristãos", aponta.

Defensor da família, o apresentador Celso Russomano (PRB-SP) foi o deputado mais votado destas eleições. Com 1,5 milhão de votos, ele ajudou a dobrar a bancada do PRB, que passou de oito para 21 deputados na Câmara. "Vai existir nessa Casa um grande embate em relação a esses direitos [humanos]", avalia Hilton, para quem o partido não deve combater, mas sim defender políticas públicas para as mulheres e outros segmentos.

Já o setor identificado com a defesa dos direitos humanos perdeu parlamentares com longo histórico de atuação na área, como Nilmário Miranda (PT-MG), Domingos Dutra (SD-MA) e Iriny Lopes (PT-ES), que não foram reeleitos. Por outro lado, lideranças como Érika Kokay (PT-DF), Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ) ganharam nas urnas e figuraram no grupo dos mais votados de cada estado.

Para o integrante da coordenação da Plataforma de Direitos Humanos (Dhesca Brasil) Darci Frigo, houve uma mescla entre "o fenômeno de conservadorismo, mas com influência decisiva do poder econômico". Para garantir equidade no pleito, ele defende a limitação da atuação das empresas nas eleições, por meio de uma reforma política.

Embora aponte que as avaliações são preliminares e que o comportamento do Parlamento dependerá do resultado das eleições presidenciais, Frigo assinala que "os setores mais vulneráveis da sociedade poderão sofrer ataques fortíssimos". No centro das atenções, de acordo com ele, estão as questões relacionadas aos povos indígenas.

Segundo o Diap, nenhum dos candidatos que se autodeclarou indígena foi eleito para a Câmara dos Deputados. Além disso, dois dos que integram a Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas não voltarão à Câmara: Padre Ton (PT-RO), que perdeu a eleição para o governo de Rondônia, e Domingos Dutra (SD-MA), que não conseguiu ser reeleito.

Já a bancada ruralista deve crescer, segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária, que reúne os representantes do setor. Hoje composta por 14 senadores e 191 deputados, a frente estima que passará a contar com 16 senadores e 257 deputados.

"O ataque principal vai ser ao conjunto de direitos dos povos indígenas, em especial os ligados à questão fundiária", afirma o secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cleber Buzatto. Propostas de emenda à Constituição e projetos de Lei sobre o tema já tramitam e têm gerado resistência por parte desses povos.

Diante do atual cenário, "nós vamos continuar apoiando a incidência direta dos povos indígenas, que não têm representação na Câmara e no Senado, mas que têm feito intervenções diretas por meio de delegações, ao mesmo tempo que procuraremos deputados e senadores que se identificam com a causa e também aqueles que não têm vínculo orgânico com o latifúndio para pedir o apoio para que não haja retrocessos", antecipa Buzatto.

No caso das mulheres, o problema é a sub-representação. A bancada cresceu 10%, conforme o Diap. Foram eleitas 51 mulheres, cinco a mais do que as 46 que ganharam as eleições em 2010. Pouco, na avaliação do departamento.

Antônio Augusto de Queiroz opina que, para reverter a situação, seriam necessárias políticas efetivas de valorização das candidaturas femininas, como a priorização das mulheres na distribuição do tempo de televisão e garantia de recursos financeiros.

O levantamento do Diap mostra também que a bancada de parlamentares vinculados à defesa dos trabalhadores, como os advindos do movimento sindical, sofreu diminuição. Dos 83 deputados da legislatura anterior, restaram apenas 46, dos quais 14 são novos e 32 foram reeleitos.

O setor empresarial, por sua vez, vai contar com 190 deputados, segundo levantamento parcial do departamento. Em 2010, esse segmento elegeu 246 representantes.

De acordo com o analista do Diap, a diferença no tamanho das bancadas pode levar a retrocessos em relação aos direitos trabalhistas, já que o setor empresarial pode fortalecer a defesa da regulamentação da terceirização "em bases precarizantes, da substituição do legislado pelo negociado, permitindo que os sindicatos possam negociar redução de direitos, e do projeto do chamado Simples Trabalhista, que pode criar um trabalhador de segunda categoria, com menos direitos", avalia.

Para a socióloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Débora Messenberg, que estuda o Parlamento brasileiro, as diferenças nas representações dos distintos grupos sociais e "a questão central que passa pela ampliação da pulverização dos partidos é decorrência da não realização da reforma política", defende.

Embora o tema tenha sido alvo dos protestos de junho de 2013 e, inclusive, de propostas da presidenta Dilma Rousseff, a reforma não andou. Dentre as consequências disso, segundo a especialista, estão a manutenção do financiamento privado das campanhas e o distanciamento dos jovens da política.

"Os jovens não estão interessados na política institucional, e isso fez com que muitos deles votassem nulo ou branco. Um voto que, na prática, funciona como abertura de espaço para quem está no jogo", cita a socióloga, destacando que abstenções, votos nulos ou brancos somaram cerca de 29% do total aferido no primeiro turno destas eleições. Os percentuais relativos aos votos que não entram nas contas dos votos válidos aumentaram nas três modalidades.

Para Débora, "a reforma política não vai sair do Congresso". "Não teve em Congressos menos conservadores, muito menos agora". Ela aposta que a mudança deverá ser fruto da pressão da sociedade e da atuação do Executivo.

Fonte: Agência Brasil via Contraf

Greve dos bancários arranca fim da cobrança de metas por meios eletrônicos

Fruto de intensa mobilização e da forte greve que durou sete dias em todo o país, os bancários, neste ano, garantiram avanços importantes também em relação a cláusulas sociais. Um deles, diz respeito à cobrança de metas. 
 
A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) assumiu compromisso de acabar com a cobrança de resultados por meio eletrônico e plataforma digital.

Anteriormente, existia a proibição da publicação doranking individual de resultados e da cobrança de metas através do SMS. Agora, qualquer plataforma, comoWhatsApp, celular e redes sociais não serão mais permitidas.

 
No que diz respeito ao assédio moral, os bancos afirmam que o monitoramento de resultados vai acontecer de forma equilibrada e positiva.

O Sindicato, segundo a proposta, se torna canal de denúncias dos bancários, e vai reivindicar junto às empresas a solução para os conflitos. 

Fonte: O Bancário