terça-feira, 27 de maio de 2014

Coalizão Política pede decisão sobre financiamento de campanha

O ministro Gilmar Mendes afirmou que irá liberar o processo apenas no segundo semestre, após o recesso do STF em julho
Richard Silva
O ministro Gilmar Mendes afirmou que irá liberar o processo
apenas no segundo semestre, após o recesso do STF em julho

A líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), integrou o grupo da Coalizão Política em audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na quarta-feira (21), quando parlamentares comunistas e do PT, além de representantes da OAB e CNBB pediram agilidade ao processo que derruba o financiamento de empresas nas eleições.

Em abril, seis ministros do Tribunal adiantaram os votos favoráveis sobre a derrubada deste tipo de financiamento, mas Gilmar pediu vistas ao processo, interrompendo seu trâmite: “Hoje há claramente uma crise de representatividade na política e o poder econômico influencia este cenário. Até para se votar pautas populares é difícil, por causa dessa distorção”, analisa Jandira.

A vice-líder da bancada do PCdoB, deputada Manuela D’ávila (RS), explica que os custos de campanha podem ser bem reduzidos. Em algumas regiões, somente a televisão, por exemplo, pode bastar para divulgar as ideias de um candidato.

O ministro Gilmar, por sua vez, afirmou que irá liberar o processo apenas no segundo semestre, após o recesso do STF em julho: “Precisamos analisar com calma este assunto, porque tomar uma decisão deste calibre precisa de tempo e paciência. Certamente o Tribunal tomará a melhor decisão”, disse.

Nas últimas semanas, o mandato de Jandira iniciou uma campanha na internet com a hashtag #DevolveGilmar, mobilizando e conscientizando cidadãos sobre a importância do tema. A imagem foi amplamente compartilhada em redes sociais, além de se tornar tema de artigos opinativos.

Também estiveram presentes na audiência o líder do Governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), o também vice-líder do PCdoB na Câmara, Assis Mello (RS), o deputado Ronaldo Benedet (PMDB-SC), o padre Ernane Ribeiro e outros representantes de entidades da Coalizão Política.

Da
Redação do Vermelho em Brasília
Com informações da Ass. Lid. PCdoB na Câmara

Dilma e a Juventude, a renovação da esperança

O grande fato político da semana passada, marcada por greves, manifestações, novas arbitrariedades contra os condenados na Ação Penal 470 e a intensificação das articulações de apoios partidários para o pleito presidencial, foi, sem sombra de dúvida, a presença da presidenta Dilma Rousseff no 17º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista, no último sábado (24). 

Dilma teve uma acolhida calorosa e correspondeu com uma participação vibrante no ato político sugestivamente denominado “Amar e Mudar as Coisas para o Brasil Avançar”, durante o qual a principal organização juvenil de massas do país proclamou apoio à sua candidatura à reeleição, com uma plataforma de reivindicações e lutas correspondentes às aspirações mais sentidas da juventude brasileira. 

O apoio da UJS a Dilma foi uma decisão do 17º Congresso da entidade coerente com a trajetória que percorre desde o governo Lula, que abriu nova etapa política, compreendida pelos jovens socialistas como a superação de um ciclo histórico de desigualdade e injustiça. O congresso “Amar e Mudar as Coisas” concluiu que nos últimos 12 anos o Brasil tem vivido grandes avanços, especialmente para a juventude, com a implementação de políticas educacionais inovadoras e inclusivas, que propiciaram o ingresso de milhões de brasileiros à universidade. Destacam-se entre essas políticas o Prouni, o Reuni, a reserva de vagas, a ampliação dos IFETS, o Pronatec e a aprovação da lei que destina os royalties do petróleo para o ensino público. A UJS comemorou também a aprovação do Estatuto da Juventude e as políticas de cultura, de esporte e de direitos humanos.

“A UJS estará ao seu lado nos 27 estados do país. Aqui temos uma militância guerreira, incansável, que defenderá o nosso projeto nas ruas. Sempre que houver uma bandeira da UJS, ali estará um jovem abnegado, dedicado à luta por esse Brasil que estamos construindo juntos. Por isso, para enfrentar os poderosos, os interesses das elites financeiras, o oligopólio da mídia, as forças que impedem o avanço do Brasil, eu quero dizer: Conte conosco, presidenta! A nossa juventude está presente! A nossa juventude não falha!”, acentuou o presidente da entidade, André Tokarski, cujo mandato se encerrava naquele congresso. 

Mais do que a emoção do momento, as palavras do líder da UJS introduziam um fator novo na luta política e eleitoral – a mobilização de setores organizados, politizados, representativos de contingentes numerosos, portadores de uma mensagem clara, intérpretes de densas reivindicações. Um evidente desmentido de que a partir das manifestações de junho do ano passado, as organizações de massas politizadas perderam espaço e razão de ser. 

O congresso “Amar e Mudar as Coisas” teve significado político e incide no cenário eleitoral na medida em que foi mais um momento em que a presidenta Dilma Rousseff mantém a ofensiva que retomou a partir da celebração do 1º de Maio. Dilma sinalizou para os jovens socialistas uma das prioridades da sua campanha à reeleição – a Reforma Política. A mandatária mostrou-se convicta de que para isso é indispensável a participação popular. 

Numa demonstração de que está preparada para o embate político, Dilma não poupou seus adversários, ao dizer que “mesmo aqueles que já nasceram velhos”, vão se dizer empenhados de corpo e alma na luta dos jovens por um espaço no presente e um lugar no futuro. “Mas é sempre bom perguntar onde esses se encontravam todos esses anos, quando nós começamos a mudar o Brasil, trabalhando ao lado daqueles que vinham sendo abandonados há tanto tempo?”, questionou Dilma Rousseff, para demonstrar que o seu governo e o do ex-presidente Lula priorizaram a educação no processo de desenvolvimento do país, com todos os programas sociais e políticas públicas ligados ao setor. 

Desenvolta num ambiente de luta e espírito patriótico, Dilma defendeu a realização da Copa do Mundo no Brasil, respondendo àqueles que usam a fama adquirida nos campos de futebol para fazer propaganda negativa contra o país: “Não temos do que nos envergonhar e não temos complexo de vira-lata. Sei que vocês estão engajados na defesa da nossa Copa. Vamos mostrar a melhor Copa de todos os tempos".

A participação da presidenta Dilma no Congresso da UJS é uma indicação importante sobre como encarar o sentimento de mudança detectado nas sondagens de opinião pública, mal interpretado por analistas que consideram esse sentimento como algo contrário à reeleição, quando o justo enfoque é considerar que o que se quer é uma continuidade com mudança ou uma mudança com continuidade, como assinalou João Santana, coordenador de comunicação da campanha de Dilma, durante encontro nacional de comunicação do PCdoB, realizado no sábado (24). 

O encontro de Dilma Rousseff com a juventude é carregado do simbolismo e da emoção característicos de uma campanha eleitoral e da luta política das forças progressistas, cujas armas são o futuro e a esperança, com foco em bandeiras caras para a sociedade como a realização das reformas estruturais democráticas, destacadamente a reforma política.


Fonte: Vermelho

Dez dos onze países mais felizes do mundo estão na AL, diz estudo

Dez dos 11 países "mais positivos" do mundo estão na América Latina, de acordo com um novo estudo realizado pelo Gallup. A publicação perguntou a mil pessoas em 138 países se elas tinham experimentado emoções "positivas" no dia anterior. O estudo foi realizado em 2013 e divulgado esta semana.
Segundo a pesquisa, apesar do conflito e instabilidades que dominam o noticiário, as pessoas ao redor do mundo estão experimentando muitas emoções positivas. Pelo menos sete em cada 10 adultos relataram terem se divertido, sorrido, sentido-se bem descansados, e terem sido tratados com respeito, enquanto 51% relataram ter aprendido ou feito algo interessante no dia anterior.
O Paraguai ficou no topo da lista pelo terceiro ano consecutivo, com 87% dos entrevistados dizendo que tinham experimentado emoções positivas no dia anterior. Panamá, Guatemala, Nicarágua e Equador completam a lista dos top 5 em 2013. "Que muitas pessoas estão relatando as emoções positivas na América Latina, pelo menos em parte, reflete a tendência cultural na região para se concentrar nos aspectos positivos da vida", detalha Jon Clifton, no estudo da Gallup.
Por outro lado, a Síria, que enfrenta uma guerra civil há três anos, ficou em último lugar, com apenas 36% dos entrevistados relatando alguma positividade.
"É a pior medida já realizada pela Gallup, em todos os países pesquisados, desde o início do estudo". A pesquisa também ressalta que menos de um em cada três sírios relatam se sentir descansados (31% ), ter tido sensação de prazer (31%), aprendido ou feito algo interessante (25%) no dia anterior".
Os onze países mais positivos, segundo o estudo:
Paraguai
Panamá
Guatemala
Nicarágua
Equador
Costa Rica
Colômbia
Dinamarca
Honduras
Venezuela
El Salvador
As dez nações menos positivas:
Síria
Chad
Lituânia
Bósnia
Sérvia
Nepal
Belarus
Iêmen
Azerbaijão
Nagorno-Karabakh (região no sul do Cáucaso)
Fonte: Terra via Feeb-Ba-Se

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Caixa lucra R$ 1,5 bi, cria 1.101 vagas e abre 31 agências no 1º trimestre

A Caixa Econômica Federal obteve lucro líquido de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre de 2014 com crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período do ano passado e uma queda de 12,1% no trimestre. Ao contrário do que vem fazendo o Banco do Brasil e os bancos privados, o banco seguiu abrindo postos de trabalho e ampliando o número de agências e postos de atendimento. 

Conforme análise do Dieese, a Caixa abriu 1.101 vagas no 1º trimestre, o que representa a criação de 4.893 empregos nos últimos 12 meses. Com isso, o número total de empregados no banco saltou para 99.299 em março de 2014.

Além disso, a Caixa prosseguiu com a política de inauguração de agências e postos de atendimento. O banco abriu 31 agências no primeiro trimestre, totalizando 348 unidades abertas nos últimos 12 meses. Houve também abertura de 19 postos de atendimento, somando 76 nos últimos 12 meses.

"Os resultados obtidos no primeiro trimestre de 2014 são frutos do empenho e da dedicação de seus empregados, mesmo enfrentando condições inadequadas de trabalho e sofrendo com o assédio moral e as metas abusivas. Apesar do aumento de empregos, a sobrecarga de trabalho ainda é enorme e, por isso, o banco precisa agilizar as contratações para melhorar as condições de trabalho e o atendimento aos clientes e à população", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contra).

Esse resultado do primeiro trimestre correspondeu a uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido anualizado (ROE) de 23,5% (queda de 1,7 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2013). 

A carteira de crédito ampliada cresceu 33,1% em doze meses, atingindo um montante de R$ 519,8 bilhões (alta de 5,2% no trimestre). A carteira comercial pessoa física cresceu 38,5% em relação a março de 2013, chegando a R$ 86,3 bilhões, o que representa 16,6% da carteira de crédito ampliada do banco. 

Já as operações com pessoa jurídica alcançaram R$ 94,4 bilhões, com elevação de 32,5% em comparação ao 1º trimestre de 2013, totalizando 18,2% do total do crédito. O crédito voltado para a habitação, que representa praticamente 55% da carteira, cresceu 29,1% em doze meses. 

O índice de inadimplência superior a 90 dias apresentou alta de 0,3 ponto percentual em relação a março de 2013, ficando em 2,6%. Devido ao forte crescimento da carteira de crédito, as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) cresceram 19,1%, chegando a R$ 2,5 bilhões.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 13,4% em doze meses, enquanto as despesas de pessoal subiram 14,9%. Com isso, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco caiu de 100,6% para 99,3% no 1º trimestre de 2014.

Nesse primeiro trimestre foram conquistados mais 2,1 milhões de correntistas e poupadores, que totalizaram uma base com 73,7 milhões de clientes, crescimento de 10,8% quando comparado ao mesmo período de 2013. 

"Ao seguir contratando empregados e abrindo novas agências, a Caixa dá bom exemplo para o Banco do Brasil e os bancos privados, que mesmo com lucros astronômicos vem cortando postos de trabalho, o que é injustificável. Não haverá desenvolvimento sustentável sem geração de empregos e distribuição de renda", ressalta Carlos Cordeiro.

Fonte: Contraf-CUT com Dieese

Sistema financeiro tem de ampliar o crédito

Estudo divulgado pelo Dieese mostra que relação entre crédito e PIB no Brasil tem se elevado, mas isso não se deve aos bancos privados

Os bancos continuam em dívida com a sociedade brasileira no que diz respeito ao crédito. É o que mostra estudo divulgado recentemente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Apesar de a relação crédito/PIB (Produto Interno Bruto) ter crescido nos últimos anos – passou de 23,8% em dezembro de 2002 para 55,8% em fevereiro de 2014 –, ainda é baixa quando comparada com a de economia de outros países.

> Veja o estudo na íntegra

“O crédito possui importante papel na economia, uma vez que é essencial ao financiamento do consumo das famílias e do investimento dos setores produtivos”, diz a nota, ressaltando ainda a contradição que existe entre um sistema financeiro robusto, como o do Brasil, e a baixa oferta de crédito à sociedade, tanto para pessoas físicas quanto para empresas.

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, o estudo reforça que o setor bancário no Brasil não está cumprindo seu papel social, em especial os privados. “Os bancos têm de ampliar e facilitar o crédito com juros e tarifas mais baixas. Seus lucros são astronômicos e eles devem isso ao país.”

Ganho fácil – O Dieese aponta como uma das razões para essa contradição – sistema financeiro altamente rentável e lucrativo e, por outro lado, baixa relação crédito/PIB – o fato de os bancos preferirem aplicar seus recursos em títulos do Tesouro Nacional que são corrigidos pela Selic. Portanto, quanto maior a taxa básica de juros, maior o ganho dos bancos, que investem na rolagem da dívida pública.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, o economista Amir Khair explicou o que chamou de ganho fácil: “Os bancos têm três fontes de lucro: empréstimos, tarifas cobradas pelos serviços e, o caso mais brasileiro, a questão da Selic, os títulos do governo federal. Os bancos ganham fácil nessas duas formas, a Selic e tarifas. São duas molezas que, no resto do mundo, não ocorre nessa intensidade”.

Enquanto isso ocorrer, segundo o especialista, não haverá interesse do sistema financeiro nacional em facilitar o acesso ao crédito, e os juros e spread bancários continuarão nas alturas.

Públicos na frente – Os dados levantados pelo Dieese destacam o papel dos bancos públicos no crescimento do crédito. Se até 2007 a expansão era mais forte nas instituições privadas, desde a crise financeira mundial, iniciada em 2008, essas empresas retraíram a concessão. Por outro lado, os bancos públicos passaram a protagonistas, principalmente nos financiamentos aos setores industrial, agrícola e habitacional.

Entre janeiro de 2008 e dezembro de 2013, os empréstimos neles cresceram 210% em termos reais, enquanto que nos privados nacionais a expansão foi de 54% e nos privados estrangeiros de 46%. Com isso, a participação dos bancos públicos no saldo total das operações de crédito saltou de 36% para 51% no período.

“Vemos que a atuação das empresas públicas foi fundamental para enfrentar a recessão e fazer com que o país se mantivesse forte durante a crise financeira mundial. A participação do Estado em setores estratégicos da economia é muito importante e deve ser mantida em qualquer projeto para o país”, afirma Juvandia.

Fonte: Seeb-SP

Mesa de negociações permanentes da Caixa será retomada no dia 28

No próximo dia 28 de maio, às 14h30, em Brasília (DF), os empregados da Caixa Econômica Federal e o banco retomam a mesa de negociações permanentes. Na pauta, pendências da reunião anterior, como horas extras (dotação orçamentária versus acordo coletivo de trabalho – agências com até 15 empregados) e esclarecimentos quanto à redação da CE 081/14.
A reunião também debaterá a gestão de desempenho de pessoas, o estágio probatório versus meta de venda de produtos e a contratação de mais empregados.
A partir dessa rodada, a CEE/Caixa estará sob a coordenação de Fabiana Matheus, diretora de Administração e Finanças da Fenae. No mesmo dia, às 9h, na sede da Fenae, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) estará reunida para preparar o encontro com os representantes do banco.
Fonte: Fenae via Feeb-Ba-Se

As sequestradas nigerianas abandonadas pelo mundo

Por Fatima Oliveira *

Um caso similar já ocorreu no Brasil em 1901, no Maranhão


No dia 14 de abril, o mundo deveria ter se abalado com o sequestro de entre 230 e 270 garotas estudantes de um internato feminino na cidade de Chibok, no Estado de Borno, na Nigéria, pelo grupo islâmico Boko Haram – que em língua hausa significa “a educação ocidental é proibida” –, cujo líder, Abubakar Shekau, assumiu o rapto: “A educação ocidental deve parar. Vocês, meninas, devem deixar a escola e se casar”, e, por Alá, ameaçou vendê-las! Cerca de 50 das raptadas conseguiram escapar e relataram que “cada menina estava sofrendo 15 estupros por dia, e estariam sendo vendidas para casamento por US$ 12 cada uma”.

Mesmo tendo por foco o ataque às escolas, o Boko Haram tem cometido crimes em série: cerca de 3.000 assassinatos desde 2002, quando foi fundado; o abandono de lares por cerca de 300 mil pessoas; um atentado com carro-bomba em prédio da ONU; a explosão de um ônibus em Abuja, que matou 75 pessoas; e a destruição, em 2013, de 50 escolas, impedindo que 10 mil crianças estudassem!

A indignação mundial, após quase um mês, é débil contra mais um crime abominável do patriarcado – sem falar que são garotas africanas negras –, mas está tomando vulto, inclusive com a participação de Michelle Obama, que disse: “O que aconteceu na Nigéria não foi um incidente isolado. É algo que vemos todos os dias, uma vez que meninas de todo o mundo arriscam suas vidas para perseguir suas ambições”. Ela também tuitou uma foto de si mesma na Casa Branca segurando um cartaz com a hashtag #BringBackOurGirls (Traga as nossas meninas de volta).

A paquistanesa que criou o Fundo Malala para apoiar a educação das meninas no mundo, sobre quem escrevi em “Malala Yousafzai: uma menina que queria apenas estudar” (O TEMPO, 29.10.2013), declarou: “Quando soube que essas meninas haviam sido sequestradas na Nigéria, me senti muito triste, pensei que minhas irmãs estavam na prisão e que deveria falar em seu favor”.

Jauarauhu levou

Perpetinha... Tiveram

filhos. Anos depois,

um seringueiro

quis trazê-la para a

companhia dos pais.

Ela não quis.


Sequestro de tal monta, numa ação única, é algo sem precedentes no mundo! Um caso similar, que relato em meu romance “Então, Deixa Chover” (Mazza Edições, 2013), já ocorreu no Brasil em 1901, no maior massacre de índios contra brancos do país, acontecido no Maranhão: “Eram cinco horas da manhã de 13.3.1901, quando 400 índios guajajaras invadiram a Missão de São José da Providência do Alto Alegre. Padres, freiras e dezenas de meninas índias e brancas do internato rezavam quando a capela foi invadida pelo batalhão, usando espingardas, facas, facões e tacapes”. Mataram quatro padres, sete freiras, 40 crianças, e, das 43 famílias de colonos, apenas dois escaparam!

Conforme o jornalista Antonio Carlos Gomes Lima, em “O Massacre de Alto Alegre”: “Dos dramas pessoais, o da adolescente Maria Perpétua dos Reis Moreira, a Perpetinha, é o mais presente na memória e no imaginário das populações de Barra do Corda e de Grajaú. Ela e duas outras meninas internas do convento das freiras em Alto Alegre, filhas de comerciantes de Barra do Corda e de Grajaú – Úrsula e Isabel, que foram resgatadas – foram poupadas da morte e conduzidas pelos guajajaras em fuga... Jauarauhu levou Perpetinha... Tiveram filhos. Anos depois, um seringueiro reconheceu-a naquela região e quis trazê-la para a companhia dos pais. Ela não quis. Muitos dizem que, após aqueles acontecimentos, encontravam, entalhada em árvores de casca grossa, na floresta, a seguinte inscrição: ‘Por aqui passou a infeliz Perpetinha’”.

É uma história que ouvi muito contada por mamãe, que faleceu no dia 09 de maio.

* Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005.