terça-feira, 18 de março de 2014

Manuela D’Ávila: "Luto por cultura de paz com amor no coração"

A deputada federal comunista Manuela D’Ávila sofreu um assalto no último domingo (9), quando chegava em sua casa em Porto Alegre acompanhada do marido Duca Leindecker. O casal se dirigiu a uma delegacia e denunciou o crime, tiveram celulares e o carro roubado.


Mas em poucas horas a notícia vazou e a imprensa começou a procurar a deputada para ter mais informações. Ela diz entender esse processo, mas o que a assustou foram comentários na internet que diziam “ter sido pouco”, o assalto porque ela defende os direitos humanos. Ou que “mereceu ser assaltada por ser comunista”. Manuela escreveu um texto de desabafo em seu blog, onde defende sua luta política por uma sociedade mais humana e respeitosa. 

Leia na íntegra: 

“Uma reflexão

Na madrugada de segunda, cheguei da delegacia de polícia em casa, como outros tantos brasileiros chegam, após serem vítimas da violência urbana – cansada, perplexa, triste e contraditoriamente feliz por estarmos ali, vivos. Repassava em minha cabeça detalhes do assalto – como a feliz coincidência de meu enteado não estar no automóvel – quando fui surpreendida por uma ligação de um jornalista. Nosso boletim de ocorrência com todos os seus detalhes – como o fato de reconhecermos ou não os ladrões – estava nas mãos da imprensa e eles, os jornalistas, telefonaram na madrugada. Foi pela imprensa que minha mãe ficou sabendo. Não tive nem sequer tempo de telefonar. Claro, entendo o trabalho dos jornalistas. Tenho dificuldade de entender o vazamento do boletim de ocorrência.

Um pouco depois, fui para a internet agradecer as pessoas que, carinhosamente, estavam preocupadas e nos escreviam.

Tive acesso a comentários inacreditavelmente maldosos relacionados ao que nos aconteceu. Motivados por dois “jornalistas”, diziam que, por ser comunista, merecia ser assaltada, pois estava distribuindo renda. Fazendo deboche com o assalto e com a minha ideologia, como se o fato de eu defender distribuição de renda mais justa justificasse a violência que sofri. Um dos jornalistas chegou a chamar de gesto de solidariedade o assalto. Algo tão maniqueísta como dizer que alguém que não é de esquerda defende a miséria ou como defender que alguém de direita seja torturado para ver como a ditadura militar doeu nos comunistas. Um desrespeito com a situação que vivi, típico de quem é totalitário, não me respeitando enquanto indivíduo porque penso diferente.

Li também que o que passamos havia sido pouco. Que deveria ter sido violentada por defender direitos humanos. Não imagino por que minha luta em defesa da livre orientação sexual, direitos das mulheres, condições carcerárias dignas, me faça merecedora de ser morta em um assalto à mão armada. Mais um gesto típico dos que não respeitam quem pensa diferente.

Mais ainda: outros tantos diziam que os ladrões estavam certos em roubar de mim por ser deputada, pois políticos são todos ladrões e apenas estavam pegando de volta o dinheiro roubado do povo. Como nunca roubei um centavo, não tenho centavo algum para devolver. O salário que recebo como parlamentar, há dez anos, devolvo com atuação séria e comprometida. Muitos podem não concordar com minhas ideias, mas ninguém pode questionar com solidez a minha seriedade e honestidade. E mais, os corruptos devem ser tirados da política de forma democrática com julgamento pelos espaços adequados e não sendo vítimas de violência ou bandidagem.

Claro que entendo a indignação da população com os políticos! É essa indignação que me motiva há 15 anos, e me faz lutar para mudar a política e, sobretudo, a forma como são financiadas as campanhas. Entendo as pessoas que pensam diferente de mim. E as respeito. Mas, para mim, o protesto contra a má política deve ser feito, em outubro, nas urnas. Contra as ideias que não concordamos também. Assim é a democracia. Que ela viva!

O que não entendo são as pessoas que reproduzem a violência e escrevem na internet como se isso não significasse nada. Como vamos enfrentar a violência no Brasil com essa postura? Como construir uma sociedade mais generosa, humana, respeitosa?
Alguns podem se perguntar: E sobre os ladrões, ela não vai falar? Sobre esses, falei com a polícia. Quero que todos paguem pelos erros que cometem, quem me assaltou inclusive. Contra a criminalidade, a violência, o tráfico de drogas, que transformam nossas cidades em palco de guerra, luto há quinze anos de minha vida. Há dez anos com mandatos. Apresentei leis, aprovei algumas. Disputei, por exemplo, duas vezes a prefeitura por entender que poderia mudar muitas questões na cidade. Perdi. Respeitei os vencedores.

Inspirada num pensamento de Nietzsche, “Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”, quando fui para Brasília transformei uma frase em mantra – “não vou me transformar naquilo que combato”.

Luto por uma cultura de paz, que respeite as diferenças e construa relações mais solidárias e generosas entre as pessoas. Que o abismo não olhe tanto para dentro de nós e que possam refletir sobre a violência que cometeram contra mim e minhas pessoas queridas em cada comentário desses. Lutar para mudar o Brasil, com amor no coração, vale mais a pena”.

 

Da redação do Vermelho

Pesquisa traça o perfil dos bancários

O dia a dia de um trabalhador bancário é duro. Além da cobrança por metas, o funcionário ainda tem de lidar com a discriminação, principalmente se for negro, mulher, deficiente físico ou homossexual.

A diferenciação começa na porta de entrada, já na contratação. O salário normalmente é rebaixado e as chances de promoção são poucas ou inexistentes. 

 
Para mudar o atual quadro, os 486 mil empregados do setor financeiro têm até o dia 25 de abril para responder ao 2º Censo da Diversidade, uma conquista dos trabalhadores, disponível no site da Febraban. 
 
A intenção é traçar o perfil da categoria e, a partir daí, cobrar dos bancos uma política eficaz, que garanta a efetiva igualdade de oportunidades nas agências. A participação de todos é fundamental. 
 
O questionário tem perguntas sociais e profissionais. O preenchimento é fácil e rápido. O sistema conta com programa de segurança e as respostas são sigilosas. O resultado está previsto para ser divulgado em julho.
Fonte: O Bancário

segunda-feira, 17 de março de 2014

Sindicato cancela manifestação e Ceagesp tem madrugada tranquila

 O Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sincaesp) cancelou manifestação contra a cobrança de estacionamento prevista para as 3h desta segunda-feira (17) para evitar novo protesto como o ocorrido na sexta-feira (14) na Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo.
Na sexta, o protesto deixou quatro prédios depredados e incendiados, um homem, baleado e quatro seguranças, feridos. O site da Ceagesp segue fora do ar na manhã desta segunda.
Após o tumulto, a cobrança do estacionamento foi suspensa por tempo indeterminado. Os caminhoneiros que chegaram para fazer entregas nesta segunda não precisaram parar nos acessos. No tumulto, as cabines e cancelas foram arrancadas e queimadas. Estilhaços de vidros ainda estão por toda parte. Imagens do Bom Dia São Paulo mostra prédios administrativos completamente destruídos.
A Ceagesp retomou suas atividades na manhã de sábado (15) e teve uma madrugada de segunda tranquila, como informou o Bom Dia de São Paulo.

Na manhã do sábado (15), a Ceagesp estava aberta, com os acessos liberados e em funcionamento. No entanto, a movimentação estava fraca. Consumidores tiveram dificuldade em encontrar produtos, já que muitos boxes não foram abastecidos na sexta.

A equipe técnica do Ceagesp também começou a contabilizar os prejuízos. Aos funcionários do setor administrativo da companhia, a orientação é que comparecem ao trabalho nesta segunda.
Homem baleadoInvestigação
Até a manhã desta segunda-feira, ninguém foi preso por envolvimento com o tumulto. A Polícia Civil pediu imagens das câmeras de segurança para tentar identificar os criminosos que atacaram os prédios administrativos e destruíram veículos durante a confusão. Os equipamentos de acesso de controle das cancelas passarão por perícia.
Baleado no tumulto, Wellington Washington dos Santos, de 23 anos, permanecia internado na manhã de segunda-feira (17) no Hospital Universitário, na Zona Oeste. O hospital confirmou que ele foi submetido a uma cirurgia e seu estado de saúde era considerado estável.

Segundo a Ceagesp, o entreposto tinha 70 seguranças no momento em que a manifestação se intensificou, por volta das 10h. Vinte agentes particulares estavam no prédio do Depec e tentaram impedir a invasão. Neste momento, os seguranças chegaram a atirar para tentar evitar a destruição.
Cobrança de estacionamento
A Ceagesp, companhia ligada ao governo federal, fez uma licitação e a empresa C3V foi contratada por oito anos para "explorar o estacionamento, prover serviços de segurança e organização do fluxo".
Ao todo, estão previstos investimento de R$ 25 milhões no período. Em contrapartida, o Entreposto vai ficar com 4% do que for arrecadado com o estacionamento.
No início da manhã de sexta-feira, filas de caminhões se formaram no entorno do maior entreposto de alimentos da América Latina. Passageiros de ônibus que passavam nas imediações da Marginal Pinheiros precisaram descer dos ônibus por causa do congestionamento. Horas mais tarde, iniciou-se o conflito.
A C3V, empresa responsável pela cobrança, disse em nota que "lamenta os incidentes ocorridos esta manhã e início de tarde". Em nota, o Sincaesp voltou a criticar a tarifa de estacionamento e os problemas de trânsito causados pelas cabines, mas negou qualquer envolvimento com o tumulto.
Tarifa variável
O valor da tarifa muda com o tempo de permanência do veículo. Os caminhoneiros pagam de acordo com a quantidade de eixos. Veículos com dois eixos deverão desembolsar R$ 4 por 4 horas. O valor pode chegar a até R$ 50, caso o caminhão fique por mais de 10 horas no estacionamento. Já os caminhões com três a seis eixos pagam entre R$ 5 e R$ 60 (veja abaixo os valores).
A cobrança faz parte de um pacote de medidas anunciado em setembro de 2013 para melhorar a circulação dentro da Ceagesp, por onde passam 60 mil pessoas todos os dias. A empresa vencedora da licitação instalou 320 câmeras de monitoramento e novas placas de sinalização.
Grupo atira pedraqs contra prédio na Ceagesp durante protesto (Foto: Edno Luan/ Futura Press/ Futura Press/Estadão Conteúdo)Grupo atira pedras contra prédio na Ceagesp durante protesto (Foto: Edno Luan/ Futura Press/ Futura Press/Estadão Conteúdo)
Protesto na Ceagesp (Foto: Reprodução GloboNews)Caminhão foi incendiado  (Foto: Reprodução GloboNews)

Daniel Almeida cobra votação da pauta dos trabalhadores

Daniel Almeida (PCdoB-BA-foto), que comemora, este ano, 25 anos de atuação parlamentar, discursou na Câmara, nesta terça-feira (12), para cobrar a colocação da agenda dos trabalhadores na pauta desta Casa e deste Congresso. Ele citou, entre as matérias pendentes de votação, a redução da jornada de trabalho; a Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que impede a demissão imotivada; e o fim do fator previdenciários
“É necessário, neste ano de 2014, debatermos e deliberarmos sobre a manutenção e a ampliação dessa política de valorização do salário mínimo, que afeta positivamente a vida dos trabalhadores, da sociedade, da nossa economia”, disse, destacando que é preciso aprofundar as mudanças vividas nos últimos 10 anos de garantia de ganho real do salário mínimo .

Ele lembrou que essa política tem vigência até o ano que vem, enfatizando os ganhos dessa política, que resultou de intenso debate, e mudou o perfil de distribuição de renda para amplos setores da sociedade e tem sido positivo para a economia brasileira.

Para o parlamentar, outro debate que não tem sido priorizado nesta Casa, e que também merece ser retomado, é a redução da jornada de trabalho. “Por causa da elevação na atividade produtiva, decorrente dos elevados padrões tecnológicos que o mundo tem alcançado, à qual o Brasil se associa, é absolutamente inadiável tratar da redução da jornada de trabalho para preservar empregos neste País”, explicou, destacando que a rotatividade de mão de obra continua muito alta no Brasil.

E por isso mesmo, ele cobrou ainda a aprovação da Convenção 158, que dá estabilidade para o empregado e para o empregador e segurança jurídica para as relações de trabalho na sociedade brasileira. É uma convenção já ratificada em muitos países, foi inclusive ratificada no Brasil e depois, suspensa pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Daniel Almeida citou ainda a necessidade do Congresso votar o fim do fator previdenciário, “que provoca tantos danos àqueles que se aposentam e que têm seus ganhos reduzidos”.

“Também não podemos mais continuar adiando a definição do piso salarial dos agentes comunitários de saúde, que é algo absolutamente necessário e já faz parte dos compromissos desta Casa. Os agentes comunitários de saúde querem e têm o direito de ver essa matéria aqui deliberada”, afirmou Daniel Almeida.

De Brasília
Márcia Xavier

Antonio Rondón: Otan, uma polícia do mundo em busca de aliados

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que surgiu com a suposta intenção de enfrentar a União Soviética, tenta transformar-se em uma polícia global em busca de aliados, sem esconder seus propósitos hegemônicos. 

Por Antonio Rondón *


Com o desaparecimento do campo socialista no Leste europeu e a desintegração da União Soviética, bem como do Pacto de Varsóvia, a aliança atlântica buscou novos propósitos para justificar sua existência, que a colocaram em um patamar de presença cada vez mais global através de pactos, acordos bilaterais e projetos.

Tal estratégia levou o tratado do Atlântico Norte a englobar mais de 65 países, incluídos aqueles que à primeira vista em nada coincidem com os objetivos do pacto militar e possuem diferenças ideológicas com esse organismo regional.

Como afirmou o ex-chefe das forças armadas da Otan na Europa, James Stavridis, esse bloco possui cerca de três milhões de soldados, 24 mil aviões e helicópteros de combate, e 800 unidades navais, distribuídos agora por todo o mundo.

Os bombardeios contra a Federação Iugoslava entre março e maio de 1999, sob o pretexto de proteger a maioria albanesa de Kosovo, foram a estreia da Otan em sua apresentação como gendarme mundial, com um mandato unilateral.

Agora o Pacto do Atlântico Norte constitui uma força que deve ser levada em consideração que, como afirmou em 2005 o então subsecretário de Estado para Assuntos da Ásia e Europa e depois embaixador estadunidense nesse organismo, Kurt Volker, possui um orçamento anual de 300 bilhões de dólares e chega a um trilhão junto com o de Washington e Ottawa.

Mas entre essas confirmações, o atual secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, considera necessário aumentar as despesas bélicas da aliança atlântica, quando vários países europeus atenuaram seus gastos militares, por causa da crise econômica de 2008.

Rasmussen falou de novos desafios mundiais, e à luz dos últimos acontecimentos na Europa, especificamente na Ucrânia, considerou necessário promover de forma intencionada o incremento da Otan para justificar uma maior expansão e presença no mundo. 

A aliança atlântica parece acelerar o aparecimento de um novo membro da Otan, talvez o mais estratégico de todos após o desaparecimento da União Soviética. 

A expansão 


Os tentáculos da aliança atlântica, a partir do momento em que se produziu a agressão à Iugoslávia, em 1999, deixaram de limitar o espaço de seus agora 28 membros permanentes para contar naqueles momentos com a presença e a cooperação com países em todos os continentes habitados da Terra.

Nos últimos 10 anos, a organização criada em abril de 1949 cresceu mais de 70 por cento, ao passar de 16 membros aos atuais 28, enquanto são mais de 50 os países que participam em diferentes programas de cooperação, desenvolvimento de planos conjuntos ou como apoio às operações do pacto.

Dessa forma, ao menos 67 países participam nos mencionados projetos. Isso inclui as operações de desembarque aéreo no Mediterrâneo (Ative Endeavor), as operações no Oceano Índico e no mar Arábico (Ocean Shield).

Também, pode-se mencionar a Associação para a Paz, um programa que surgiu em 1996 e que inclui quase todos os países do Leste europeu ainda sem ingressar na organização do Atlântico Norte e estados asiáticos.

A Associação pela Paz englobou quase todos os países do desaparecido Pacto de Varsóvia (acordo de cooperação militar assinado em 1955 pelos países do Bloco do Leste, cuja dissolução se formalizou em 1991) e três ex-repúblicas da União Soviética (Estônia, Lituânia e Letônia).

Agora inclui a Áustria, Azerbaijão, Armênia, Bósnia, Geórgia, Irlanda, Macedônia, Ucrânia, Finlândia, Montenegro, Suíça e Suécia.

Em um período de transição para a Otan estão Azerbaijão, Bielorússia, Geórgia, Iraque, Letônia, Lituânia, Cazaquistão, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Oman, România, Turcomenistão, Turquia, Ucrânia e Estônia, entre outros, afirma o especialista Rick Rosoff, fundador da organização internacional Stop NATO.

A Otan implementou bases e outras instalações militares na Bulgária, Estônia, Hungria, Lituânia, Polônia e România, incluídos os sistemas de mísseis Standars Mísseis (SM), que entram em ação nessa zona europeia em sua versão terrestre.

Esse tipo de mísseis fabricados com a colaboração, entre outros, da empresa estadunidense Lockheed Martin, que compartilha com a Boeing a maioria dos pedidos bélicos norte-americanos, podem cercar a Rússia com sua instalação em vários estados vizinhos em pouco anos.

Além disso, para entrar na aliança atlântica estão na fila Montenegro, Bósnia e Geórgia, esta última desejosa de resolver o assunto de sua integridade territorial, depois que em 2008, em resposta a uma agressão da Geórgia à Ossétia do Sul, Moscou lançou uma operação para impor a paz e reconheceu a Abkásia e a Ossétia do Sul como repúblicas autônomas.

Por outro lado, o chamado Diálogo Mediterrâneo agrupa sete países da zona do norte da África e do Oriente Médio.

A Otan transformou o Mar Mediterrâneo em um lago interno dessa aliança e procura fazer algo similar com o Mar Negro, afirma Mahdi Darius, especialista do portal canadense de análise política Global Research.

Assim, a aliança atlântica controla o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, em uma zona onde forma um cordão de proteção com seus barcos para garantir um movimento estratégico das mercadorias e recursos energéticos, entre operações contra ações piratas.

A região também conta com outro mecanismo para permitir à aliança atlântica a presença permanente nessa zona, como é o caso da Iniciativa de Cooperação de Istambul.

Outro mecanismo global da aliança atlântica é constituído pelo acordo com o Conselho de Cooperação de Golfo Pérsico, integrado por Bahrein, Kuwait, Catar, Omã, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Também, em 2012 se iniciou o projeto Parcerias globais da Otan, que poderia incluir na zona asiática a Malásia, Cingapura e Tonga como possíveis candidatos, enquanto países como Marrocos e Jordânia solicitaram entrar no programa de diálogo com a organização, com sede em Bruxelas.

Naquele momento, foram realizadas negociações para a entrada dos Estados da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), que agrupa Malásia, Cingapura, Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Mianmar, Filipinas, Vietnã e Tailândia.

Na Ásia, a rede formada pelo pacto do Atlântico Norte compreende relações especiais com os estados da região através de entidades como a Organização do Tratado do Centro, a Organização do Tratado do Sudeste Asiático ou o Pacto de Segurança do Pacífico (Áustria, Nova Zelândia e Estados Unidos).

Assim como o Ocidente faz no plano econômico, a aliança atlântica também se aproxima cada vez mais da África.

Em 2006, depois de manobras conjuntas em Cabo Verde, sobre a base das forças de reação rápida da Otan, formaram-se as Forças Africanas de Reserva (ACP). Em 2009, começou-se o preparo de oficiais africanos das ACP em Oberammergau, na Alemanha.

Ademais, Rasmussen anunciou que deseja estabelecer relações oficiais separadamente entre a Otan e a Índia e China, em um modelo similar ao estabelecido no Conselho Rússia-Otan.

No entanto, vários dos países com os quais a aliança atlântica estabelece diversos tipos de cooperação mantêm diferenças com sua política hegemônica e sua intervenção em assuntos internos de outros estados, como ocorreu nos últimos anos no Afeganistão, Iraque ou Líbia.

Embora nos últimos anos tenha reduzido seu orçamento militar, a aliança atlântica ainda conserva 70 por cento do orçamento militar global.

O coordenador do programa humanitário da ONU para o Iraque, Hans von Sponeck, afirmou que além da custódia das fronteiras europeias, a aliança se propôs novos objetivos como o acesso a fontes energéticas e interferência nos conflitos longe de suas fronteiras.

Ao que parece, o século 21 se inicia com os insistentes propósitos da Otan de se afiançar como polícia internacional, sem restrições para a atuação dos capacetes azuis e em nome de uma "comunidade internacional" cada vez mais seletiva.

*Chefe da sucursal da prensa Latina na Europa 

PCdoB recebe nota máxima na vida digital dos parlamentares

Já está disponível a segunda edição da pesquisa Medialogue Político. Trata-se de um levantamento dos 513 deputados federais e 81 senadores a fim de revelar os parlamentares mais influentes no mundo digital. E permite identificar os avanços e retrocessos em relação ao comportamento digital dos parlamentares nos últimos três anos. A bancada do PCdoB foi a única a receber nota máxima da empresa pesquisadora. 


Agência Câmara
 As deputadas Jô Moraes (MG), na internet, e  Perpétua Almeida (AC), ao lado de João Ananias (CE), no twitter, são exemplos da insersão do PCdoB no mundo digital.
 As deputadas Jô Moraes (MG), na internet, e  Perpétua Almeida (AC), ao lado de João Ananias (CE), no twitter, são exemplos da insersão do PCdoB no mundo digital.
O levantamento também estabelece a relação entre a performance nas urnas e influência digital. Há sinais de que quem vai bem na internet também vai bem nas urnas. A pesquisa também explora outros terrenos, como a relação entre o número de seguidores e fãs dos deputados federais com o número de votos que recebeu nas últimas eleições. 

A pesquisa Medialogue Político 2.0 atribuiu notas de um a sete aos parlamentares com maior atuação no mundo virtual. O máximo possível é de 10 pontos. A pontuação é obtida a partir da combinação de vários fatores que levam em conta o tamanho e a audiência das redes sociais de cada parlamentar, os canais digitais usados por cada um, o tipo de interação com os eleitores e a transparência na divulgação de informações de interesse público. 

A pesquisa destaca um grupo de 81 parlamentares que obtiveram notas seis e sete. Estes foram considerados os mais influentes. Entre eles, 54 são deputados federais e 27 senadores. Juntos têm 59% dos seguidores no Twitter e 44% dos fãs no Facebook entre os 594 congressistas. Podemos dizer que são elite digital do Congresso. 

Na outra ponta, 80 parlamentares, ou 9% do Congresso, receberam a nota mais baixa, um grupo relativamente grande que ainda vive na era do papel.

A distância que separa a média dos parlamentares dos mais influentes é relativamente grande. Entre os mais influentes, 83% mantém seus blogs atualizados, contra 53% da média. Os influentes têm em média quatro vezes mais fãs no Facebook e três vezes mais seguidores no Twitter. 

Também são mais cuidadosos com mensagens enviadas por eleitores: mais da metade responde a emails, contra apenas 20% na média dos parlamentares. Além disso, são mais transparentes, pois 84% usam seus canais digitais para divulgar informações sobre seu mandato, contra 57% na média.

Influência digital

A pesquisa faz um retrato dos parlamentares mais influentes no mundo digital. Em linhas gerais são os mais jovens, mulheres, ocupam cadeiras no Senado, governistas, estão em seu primeiro mandato e vem de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. 

O estudo das bancadas mostrou o PT de Dilma Rousseff, o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos em posição equilibrada e bem posicionados no ranking de influência. A bancada do PCdoB foi a única a receber nota máxima e a do PTB foi a que teve o pior desempenho em quatro dos seis quesitos pesquisados. 

A deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), aos 32 anos, no segundo mandato como deputada federal, é destaque entre os parlamentares e tem mais de 140 mil fãs nas redes sociais. Nos desempenhos por partido, o de Manuela D’Ávilla foi eleito o mais influente e mais transparente. Atualmente, o PCdoB é representado por 15 parlamentares.

Nova geração

Para os representantes da Medialogue, algumas mudanças no comportamento político são evidentes. “Estamos vendo nascer uma geração de políticos que tem sua carreira associada à internet, são mais jovens e estão em todos os partidos. Entre 2010 e 2013, mais parlamentares passaram a usar websites e a cadastrar eleitores. O número de seguidores no Twitter aumentou 138% e o de fãs no Facebook 268%”. 

Um das informações que mais despertou atenção na primeira pesquisa foi o baixo número de parlamentares que respondiam e-mails de eleitores. O número dessa vez foi ainda menor. Em 2011, 23% dos emails enviados pela pesquisa foram respondidos, dessa vez a taxa caiu para 20%. Embora a base de seguidores tenha aumentado, o uso do Twitter está caindo: 70% dos que tinham um perfil no microblog o mantinham atualizado em 2011, agora a taxa caiu para 62%. No período, a base de fãs do Facebook expandiu duas vezes mais do que a base do Twitter.

A pesquisa Medialogue Político atual foi realizada entre setembro e novembro. De lá para cá vários parlamentares reformularam totalmente seus sites e fizeram grandes investimentos para angariar novos fãs e seguidores, provavelmente com o objetivo de melhorar sua plataforma digital para as próximas eleições.

Fonte: Medialogue

Angelina Anjos: 20 anos que arruinaram o Brasil

A verdade dói, mas precisa ser dita, reza o provérbio popular. Os generais dizem que houve uma guerra e que tinham, portanto, o direito de fazer com os adversários o que bem entendessem. Uma guerra sem declaração, de uma minoria fardada e armada até os dentes contra o povo indefeso, que se algum crime cometeu foi o de ter protestado e lutado contra uma ditadura infame.

Por Angelina Anjos, especial para o Vermelho


Após 50 anos do golpe militar que agiu indiscriminadamente contra operários, estudantes, camponeses, jornalistas, artistas, intelectuais, deputados, padres e freiras, ainda é importante que o povo brasileiro seja lembrado, precisa conhecer tudo o que ocorreu no submundo da repressão nos negros anos de ditadura fascista. Não por revanchismo, propriamente dito. Para educar e prevenir o futuro.

A ditadura brasileira travou uma guerra suja contra o povo. Seus crimes, hoje ainda impunes, foram desde assassinatos a sangue-frio na tortura até a remontagem de todo o aparelho de Estado, exacerbando seu caráter opressor.

Cerca de meio milhão de homens, mulheres e crianças passaram pelas prisões. Houve 4877 cidadãos com direitos políticos cassados, 128 banidos, perto de 10 mil exilados e muitos milhares de torturados nas masmorras da ditadura. 

A máquina de espionagem, tortura e morte começou a ser montada logo após o golpe, com base nos quadros e na estrutura das Forças Armadas e dos órgãos policiais existentes. 

Alimentavam-se com fartas verbas oficiais, doações de capitalistas e o produto de saques. A estrutura policial-militar anterior a 1964 (já opressiva e antipopular) foi toda posta sob o comando do Conselho de Segurança Nacional. Para espionar a nação os golpistas implantaram o SNI que operava como governo paralelo e “observava” a nação inteira – controlava as fichas de 10 milhões de brasileiros, escutava conversas telefônicas até do 
Presidente da República. 

Em cada um das três Armas foram criados serviços secretos: o CIE no Exército; o CENIMAR da Marinha (famoso pela tortura científica que praticava na ilha das flores); o CISA da Aeronáutica.

Para o cotidiano do trabalho mais sujo criaram os CODI-DOIs. As Polícias Militares passaram à tutela do Exército e especializaram-se na repressão à greves e movimentos de massas. O Ministério da Justiça antes um órgão eminentemente político, transformou-se em instituição policial responsável pela censura à imprensa e as artes e pela Polícia Federal que realizava os inquéritos com base na Lei de Segurança Nacional.

O Poder Executivo militarizou-se. A Presidência da República passou a ser posto privativo dos generais de quatro estrelas. E a alta oficialidade espalhou-se pelos órgãos administrativos, chefia das autarquias e empresas estatais, ramificando-se também pelas diretorias das multinacionais que aqui se instalaram.

Em 1963, a população brasileira era de 76 milhões de pessoas. Naquele ano 25,3 milhões de brasileiros compunham a população economicamente ativa. A classe operária era formada por 3,6 milhões de trabalhadores; 40% dos brasileiros eram analfabetos e havia um déficit habitacional de 8 milhões de residências.

O trabalho desses 25 milhões de brasileiros foi o fermento que fez crescer o bolo que o ministro Delfim Netto dizia que primeiro devia crescer, para depois ser repartido. 

Os trabalhadores nunca engoliram a história do bolo do ministro Delfim Netto. E tinham razão: afinal, revelou-se como uma das maiores mentiras que já tiveram que enfrentar. Entre 1963 e 1983, a fatia dos ricos cresceu, e a dos pobres encolheu. No campo, os latifúndios ficaram ainda maiores e aumentou o número de camponeses sem terra.

O modelo econômico implantado pelos militares e pelos tecnocratas teve efeito semelhante no campo e na cidade: concentra riqueza e meios de produção num polo, nas mãos de uma minoria. O outro polo é o da miséria crescente dos trabalhadores que produzem a riqueza.

O empobrecimento do povo brasileiro foi inegável, manifestava-se principalmente na fome, patologia nacional mais difundida. O verdadeiro milagre brasileiro foi realizado pelo próprio povo por ter conseguido sobreviver em condições tão adversas. 

Vinte anos de ditadura no Brasil foi suficiente para deixar um povo doente, subnutrido, pobre, no qual os portadores de necessidades especiais eram considerados um peso enorme a ponto de comprometer sua capacidade de aprender e trabalhar. 

Uma das memórias mais repugnantes do regime foi como os generais venderam a soberania nacional aos banqueiros e entregaram a gestão da nossa economia às mãos do Fundo Monetário Internacional. O crime da ditadura não foi o de criar a dívida. Foi de reduzir o país a escravo dela, a mando dos banqueiros internacionais, principalmente americanos.

Em que pese longa permanência no poder, nunca o regime militar conquistou o apoio do povo brasileiro. Pelo contrário, os sucessivos generais no poder buscaram de diferentes formas a simpatia da população, mas sua verdadeira face de inimigos da liberdade e do progresso social só lhes granjeou o repúdio dos brasileiros.

Desde os primeiros momentos, a resistência dos trabalhadores e democratas aos generais golpistas se fez presente. No próprio dia 1º de abril, os trens da Leopoldina e Central do Brasil, no Rio de Janeiro, não funcionaram devido à greve dos ferroviários. Estudantes ocuparam a Faculdade de Filosofia do Rio, o Centro Acadêmico da Faculdade de Direito e o prédio da UNE – de onde foram desalojados à força pelos fascistas, que incendiaram a sede da entidade. Manifestações se realizaram em frente ao Clube Militar e Ministério da Guerra. Tiros foram disparados contra a multidão. Mas a direção reformista do movimento popular à época e a confiança num anunciado “dispositivo militar” do presidente João Goulart deixaram, no fundamental, as massas desarmadas para enfrentar o golpe.

Desde então, a luta democrática assumiu diferentes formas. Greves com ocupação de fábricas (Osasco e Contagem – 1968), passeatas e manifestações estudantis (passeata dos 100 mil – 1968), enfrentamentos de rua contra os gendarmes do regime, resistência cultural, grupos de guerrilha urbana e a luta guerrilheira do Araguaia – ponto alto da resistência antifascista, que durou três anos. 

Os trabalhadores desenvolveram dentro dos sindicatos a luta contra os interventores ministeriais e os pelegos. No campo, mais de mil entidades sindicais foram criadas por assalariados e pequenos proprietários rurais, não obstante os inúmeros assassinatos de líderes camponeses perpetrados pelos latifundiários e pelos agentes do governo.

Campanhas como a da Anistia, que chegou a realizar manifestações com 20 mil pessoas no Rio de janeiro, e pelas eleições diretas empolgaram a população, que realizou abaixo-assinados e manifestações exigindo o fim do arbítrio. 

Os generais achavam que poderiam indefinidamente fazer o que bem quisessem, não contavam com a força da luta travada pelo povo em condições tão desfavoráveis. O povo não se deixou intimidar pelas ameaças, pelo barbarismo imposto, realizou contra o regime um combate sem trégua. As grandes massas adquiriram a compreensão profunda que sua tarefa essencial era a conquista da liberdade política, a mais ampla possível, com a derrocada do sistema arbitrário. 

Às vésperas do 50º aniversário do golpe militar, a situação econômica, social, política do Brasil é pujante, o país possui a Comissão Nacional da Verdade e muitos Estados reverberam instalando as suas. Apurar todo o arbítrio da época é uma tarefa primordial pela memória e verdade histórica. O esforço é para vacinar a consciência nacional, no sentido, que episódios como os de abril de 1964, ninguém esqueça e para que nunca mais aconteça. 

O abril de 2014 será comemorado nas ruas, nas praças, dentro das Assembleias Legislativas de Norte a Sul do país, o povo não tem porque ficar em casa. Cada operário, cada estudante, cada trabalhador patriota e democrata tem a responsabilidade de comemorar a resistência dos brasileiros que deram suas vidas por um Brasil onde todos pudessem ter as liberdades como o maior trunfo de um futuro engravidado de generosidade e liberdade política. Viva a luta do povo brasileiro!

*Angelina Anjos é assistente social, militante da luta pelos direitos humanos, membro do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça e filiada ao Partido Comunista do Brasil no Pará