domingo, 16 de fevereiro de 2014

Luís Carapinha: Na linha de frente na Ucrânia, os neofascistas

Adicionar legendaProtestos em Kiev, na Ucrânia, 22 de janeiro de 2014.
Crédito: 
RIA Novosti / Andrey Stenin

Os desenvolvimentos da crise ucraniana (política, econômica e social) dos últimos meses e semanas assumem extrema gravidade. Desde logo, ressalta o brutal envolvimento e a ingerência do imperialismo na vida da antiga República soviética. 

Luís Carapinha*, no jornal Avante!


No pano de fundo da intervenção encoberta e dos fundos para o proselitismo e a desestabilização canalizados há mais de 20 anos, a desfaçatez da pressão política e de Estado exercida sobre Kiev e a sociedade ucraniana, após a suspensão da ruinosa associação com a União Europeia (UE), ultrapassa todas as marcas. 

Entre ameaças de sanções, o corrupio de dirigentes das potências e países da Otan em Kiev é frenético. Só na semana passada revezaram-se Catherine Ashton, responsável da política externa da UE, e Victoria Nuland, subsecretária do Departamento de Estado dos EUA (que em dezembro distribuíra bolachas aos ativistas aquartelados na Praça da Independência). 

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No fim de semana, a ponte aérea da ingerência fez escala em Munique, sede de mais uma edição da conferência internacional sobre segurança que este ano contou com a participação especial dos dois principais rostos da "oposição" ucraniana. Na presença de figuras de proa dos EUA, UE e Otan e dos responsáveis da política externa de Moscou e Kiev, ali se tratou também dos destinos da Ucrânia. 

De Munique 2014 saem declarações de apoio, dos dois lados do Atlântico, à reforma constitucional na Ucrânia cozinhada com Yatseniuk e Klichko. E o anúncio bombástico de que os EUA e UE preparam um pacote de "ajuda" financeira de emergência a Kiev, sendo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) até estaria disposto a suavizar algumas das exigências mais ferozes de austeridade em troca de ceder no plano político. Apesar das diferenças, em toda esta chicana nas costas dos interesses do povo ucraniano não deixa de se insinuar um inquietante paralelo com o pacto de Munique de 1938.


Mal chegado de Munique à – mal dita – praça Maidan (palavra que significa "praça" em ucraniano), Klichko exortou à formação de corpos de milicianos voluntários. Não é segredo que na linha da frente das barreiras e ocupações no centro de Kiev e dos assaltos às sedes dos governos regionais pontificam forças extremistas de cariz neofascista. 

Este é outro aspecto central da crise política ucraniana que o discurso farisaico de "defesa da democracia" dos EUA e UE não pode ocultar, mas cujo efeito transcende as fronteiras do país. 

Apoios financeiros e logísticos não faltam a estas hordas nacionalistas que colhem inspiração nas organizações criminosas que colaboraram com a ocupação nazista na Segunda Guerra e cuja máxima representação institucional é o

 partido "Liberdade" (mais de 10% dos votos nas legislativas de 2012). 

Em várias regiões do oeste da Ucrânia foi proclamado um poder paralelo, as chamadas "assembleias populares", em que não há lugar para os comunistas e todas as vozes dissonantes. Não espanta que um dos primeiros anúncios destes democratas respaldados por Washington e Bruxelas tenha sido a proibição do Partido Comunista (e do Partido das Regiões do, em muito, desacreditado presidente Yanukovitch).

Para um plano recuado cai a incontornável dimensão de classe. A capacidade do imperialismo e seus sequazes em instrumentalizar para o campo pantanoso do nacionalismo as sequelas do descalabro econômico e social em que se afundou a Ucrânia pós-soviética é inseparável, nas complexas circunstâncias presentes, da ausência ou considerável debilidade do movimento sindical e da organização do proletariado e trabalhadores ucranianos. 

Sem o seu fortalecimento qualitativo, a Ucrânia continuará a enfrentar o espectro da divisão e ditadura, diluindo a sua soberania, rendendo-se ao domínio dos grandes monopólios e convertendo-se em espaço vital de uma perigosa agenda expansionista fixada para Leste.

*Luís Carapinha é membro da Seção Internacional do Partido Comunista Português (PCP).
**Título original: "Ucrânia e Munique"

Fonte: Avante! via  Vermelho

Venezuela: Povo marcha pela paz; opositores pela violência



Antes de milhares de venezuelanos se reunirem na extensa Avenida Bolívar, em Caracas, para pedir por paz, o presidente da Venezuela Nicolás Maduro disse que o tempo em que as pessoas saem às ruas para construir a paz em todas as áreas do país chegou."Eu não aceito a violência no campo de Chávez reiterou," devemos ser o exército de paz, e não o exército de violência e auto destruição".




O presidente disse que construir a paz, passou por uma batalha de ideias, não de armas. "Apelo a todos da Venezuela para lutar nas ruas, suas ideias, seus valores, em um debate na altura no que diz respeito aos direitos das pessoas, sem violência", disse ele, a uma multidão que neste sábado (15) marchou da Praça da Venezuela ao Avenida Bolívar, para apoiar o apelo à paz no país, após a violência das últimas manifestações que deixaram um saldo de três pessoas mortas e destruição na cidade de Caracas.

Neste contexto, Nicolás Maduro deixou claro que nem o Governo nem o povo bolivariano concorda com ações violentas, nem com armas. "Eu quero ser claro: Aquele que chegou a colocar uma camisa vermelha com o rosto de Chávez e puxou uma arma, não é chavista, ou revolucionário. Não aceitamos grupos violentos no campo de Chávez e sequer da Revolução Bolivariana (...), disse o presidente, com a aprovação dos cidadãos concentrados na manifestação pacífica. E completou: "estas correntes anárquicas não contribuem em nada para esta revolução de paz e amor."

Simpatizantes e partidários do governo de Nicolás Maduro marcharam neste sábado (15) pela paz e a vida, em apoio a um plano de pacificação nacional anunciado na noite de sexta-feira (14) pelo presidente.

O microblog na Venezuela informou ter recebido muitas reclamações de usuários e afirmou que não está claro se há bloqueio nos provedores de internet no país. A Companhia Anônima de Telefones da Venezuela (Cantv), estatal de telecomunicações, disse que não está envolvida em nenhum tipo de bloqueio de imagens.

Os usuários, entretanto, alegam não conseguir baixar certo tipo de fotos, por exemplo, de protestos. A polarização nas redes sociais entre a população a favor e contra o governo é nítida.

Novo protesto contra governo termina em conflito em Caracas
Um novo protesto contra o governo ocorreu na noite deste sábado (15), segundo o chamamento o intuito da manifestação era pela libertação de colegas presos nos últimos eventos que terminou em confronto entre estudantes opositores e forças policiais, que lançaram balas de borracha e bombas de gás. 


Haverá algum limite para a violência e o vandalismo? Tem justificativa para o que está acontecendo?

Com informações da AVN e Opera Mundi via Vermelho


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Estupro coletivo na novela e o desempoderamento das vítimas

Cena de estupro veiculada na segunda-feira (11) na novela
da rede Globo Em Família. Reprodução

Na segunda-feira (10), uma cena de estupro coletivo foi exibida na novela “Em Família”, na Rede Globo, gerando uma onda de comentários aturdidos diante do terror que, para muitos, chegou sem aviso. 

Por Jarid Arraes*, na Revista Fórum


Manoel Carlos, autor da nova novela, parece ter uma predileção por abordar a violência contra a mulher em seus enredos. No entanto, apesar de suas alegadas boas intenções, a mais recente personagem a experimentar a realidade da misoginia não causa otimismo a quem já debate questões como estupro e aborto.

A desconfiança que parte das ativistas feministas e de outros aliados na luta contra o machismo acontece porque, ao contrário do que Manoel Carlos defende, o caso de estupro não terá um desfecho socialmente responsável. Acontece que a mulher estuprada, Neidinha, engravidará do estupro, manterá o feto e, anos depois, precisará lidar com sua filha em busca do “pai”. Embora seja garantia da lei brasileira, mulheres que engravidaram devido a estupro encontram uma dificuldade enorme na hora de conseguir efetivar o aborto com segurança e auxílio do SUS. Há incontáveis casos em que mulheres negras e pobres são obrigadas a dar continuidade à gestação, sendo intimidadas e pressionadas por equipes de saúde e religiosos de sua comunidade. 

Neidinha também é mulher negra, mais uma que é retratada de forma negativa, dentro de um contexto revoltante – e o seu estupro tem alguns pontos pelos quais devemos, no mínimo, refletir com seriedade. Um deles é a classificação indicativa da novela, pois “Em Família” foi categorizada como não recomendada para menores de 12 anos, limite que indica insinuações de sexo e alguns tipos de violência. No entanto, quando o assunto é estupro, a classificação sobe para 16 anos.

O estupro não é qualquer violência. Não é a toa que tantos filmes são amplamente reconhecidos como “muito pesados” por mostrarem cenas detalhadas de estupro. O que Neidinha sofreu na Globo foi verdadeiramente perturbador – os gritos podiam ser ouvidos de longe e suas expressões faciais causaram extremo mal estar em milhares de pessoas ao redor do país. Ainda mais triste são os diversos relatos de mulheres vítimas de estupro, que foram pegas de surpresa pelo capítulo e tiveram que lidar com uma carga pesada de estresse pós-traumático, lembranças terríveis e sofrimento emocional.

Se Manoel Carlos é contrário ao aborto em casos de estupro, deveria, no mínimo, pensar no público que assiste às suas novelas. O desserviço que ele está fazendo é gritante. A realidade em nada se parece com a fantasia romantizada que pretende exibir, pois o desfecho feliz da criança gerada por um estupro, que cresce fazendo aulas de violino em um lar equilibrado, simplesmente não é fato social com estatísticas palpáveis. Mas talvez o autor se lembre de outra personagem sua, vítima de violência doméstica, interpretada por Helena Ranaldi: Raquel, da antiga novela “Mulheres Apaixonadas”, apanhou durante meses até que tomasse coragem de fazer a denúncia. Na mesma semana, as delegacias registraram um aumento de 25% no número de mulheres que procuraram as autoridades para denunciar seus agressores.

Lamentavelmente, Neidinha não servirá de exemplo para que vítimas de estupro se sintam empoderadas e tenham coragem para denunciar, pelo contrário, até mesmo o direito conquistado de interromper a gravidez é negligenciado. É uma grande irrresponsabilidade social não informar às mulheres a respeito de seus direitos de forma honesta. 

O fato é que não podemos ignorar o poder que as novelas possuem sobre a audiência; o povo assiste, comenta, copia gírias e roupas e se inspira nessas tramas para enfrentar também os seus próprios desafios diários. Além de fazer com que uma quantidade enorme de mulheres assistam cenas inadequadas, extremamente violentas, ainda precisamosnos atentar para a perpetuação da misoginia, pois o caso de Neidinha gera também um teor agressivo de culpabilização da vítima. Pouquíssimas mulheres conseguem reunir a coragem para denunciar o estupro sofrido e solicitar o aborto – legal e gratuito – para não ter um filho indesejado. É inaceitável que tantas mulheres continuem a reviver seus traumas sem que sequer recebam algum auxílio. A naturalização da violência sexual é um problema severo que a novela “Em Família” continua a perpetuar.

*Estudou psicologia Social, diretora do Femica (Feministas do Cariri), colunista na Revista Fórum.

Fonte: Vermelho

Mendigos de Gravata da Lavagem do Beco do Fuxico




Violência: número de denúncias revela medo das mulheres europeias

Dois terços das mulheres vítimas de violência física e/ou sexual não entram em contato com a polícia ou qualquer outro serviço de apoio, indicou nesta sexta-feira (14) estudo elaborado pela Agência de Direitos Fundamentais (FRA, sigla em francês) da União Europeia (UE).  


A falta de queixas e denúncias esconde a verdadeira extensão do problema da violência contra as mulheres, destacou o documento. 

O estudo da agência revela níveis "chocantes" de violência em toda a União Europeia, disse o diretor da FRA, Morten Kjaerum, em comunicado. O resultado completo do estudo será divulgado no dia 5 de março, mas dados preliminares foram anunciados nesta sexta-feira, quando se comemora em vários países eupeus o Dia de São Valentim, análogo ao Dia dos Namorados no Brasil. A data será marcada por uma campanha para o fim da violência contra a mulher.


"Há necessidade urgente de capacitar as mulheres para debater e denunciar um problema demasiado comum, para que as autoridades possam ajudar a pôr fim à violência”, diz a nota.

Essa é a primeira pesquisa no âmbito da União Europeia que registra a extensão e a natureza da violência contra mulheres nos 28 países do bloco. Para elaborar o estudo, foram reunidos testemunhos, feitos ao vivo, com 42 mil mulheres dos 28 Estados membros da UE que foram vítimas de abusos físicos e/ou sexuais em casa, no trabalho, na esfera pública e no espaço virtual, como crimes de perseguição e assédio pela internet.

Fonte: EBC via Vermelho

Maduro convoca venezuelanos a ocuparem as ruas pela paz

O presidente venezuelano, Nicolas Maduro , convocou neste sábado (15) uma marcha pela paz e contra a violência. Milhares de venezuelanos ocuparam a Avenida Bolívar da capital com palavras de ordem e muita unidade. "Somos um povo revolucionário e de paz", gritam os venezuelanos contra os manifestantes que semeiam o fascismo na Venezuela.


O início da grande marcha está prevista para às 17h30 deste sábado - 13h no horário local. A expectativa é que milhares de venezuelanos de todos os do país participem.

As pessoas se concentraram na Plaza Venezuela, ponto de mobilização para Avenida Bolívar começando , rejeitando ataques de grupos fascistas.

Frases como "Queremos paz" e "Não podemos permitir que ações fascistas se repitam" estão sendo utilizadas como lemas da grande mobilização. 

O obejtivo é reafirmar o apoio a pacificação nacional, contra os golpistas e pelo respeito à vida.


Através da rede social Twitter , o presidente Maduro convocou o povo para que juntos defendam o país do fascismo. "Vamos ficar juntos", conclamou o mandatário. Segundo ele, o fascismo "baseia a sua ação em semear o ódio e a intolerância". "Mostraremos que a maioria irá defender amor e país para o país".

A mobilização popular também apoiará Paz e Coexistência Plano apresentado pelo véspera do dignitário composta por 10 linhas estratégicas que resumem mais de 500.000 propostas de todos os setores da sociedade.

#PuebloDePazALaBolivar
Um dos setores com maior destaque entre os apoiadores da Revolução Bolivariana, e que caminham em marcha pelas ruas de Caracas em apoio ao plano de pacificação, são os jovens.

Gritando palavras de ordem ele reivindicam o legado de Bolivar e referendam a Revolução. Além disso, os milhares de jovens rechaçam a violência, o golpe fascista orquestrado pelo extrema direita.

A marcha também celebra do Dia da Juventude que está sendo lembrado com homenagens aos mortos e feridos pelo golpe.

Apoio da Bolívia


E pronunciamento pelo emissora de TV da Bolivia, o presidente Evo Morales, manifestou seu apoio ao governo venezuelano e ao trabalho de cobertura da cadeia multiestatal TeleSUR. Ele afirmou que diante da cobertura golpista dos meios privados, a muitiestatal realiza uma conbertura verdadeira e comprometida com os fatos. "TeleSUR tem meu repeito e admiração".

Acompanhe alinha do tempo do golpe fascista na Venezuela.

Da Redação do Vermelho em São Paulo,
Com informações da TeleSUR

CTB: Não ao golpismo na Venezuela, todo apoio a Maduro

Ventos golpistas voltaram a soprar forte na Venezuela ao longo desta semana. Manifestações radicais pela destituição imediata do presidente Nicolas Maduro, estimuladas pelos EUA, resultaram em três pessoas mortas, 66 feridas e 69 presas na última quarta-feira, 12. 
Por Adílson Araújo*, no Portal da CTB 


Os atos foram convocados por uma ala da oposição neoliberal, liderada por Leopoldo López, que teve a prisão decretada pela Justiça.

Por suas características, a iniciativa golpista vem sendo comparada aos acontecimentos de 2002 contra o ex-presidente Hugo Chávez, que chegou a ser sequestrado e deposto no dia 11 de abril, mas retornou ao poder 48 horas depois pelas mãos do povo e das Forças Armadas. Os acontecimentos refletem o desespero da direita, que recentemente amargou nova derrota eleitoral e aproveita os dramas econômicos e sociais do país (inflação e violência) para espalhar o caos e desestabilizar o governo bolivariano.

A estratégia não é nova. Até agora não obteve sucesso na Venezuela, na Bolívia ou no Equador, onde foi testada, mas provocou queda de presidentes e mudanças reacionárias em Honduras e no Paraguai. O pano de fundo desses movimentos protagonizados pela direita neoliberal e pelo imperialismo, que nunca deixou de se intrometer na política interna dos países latino-americanos e caribenhos, é a progressiva mudança do cenário geopolítico da região, que se afasta dos EUA e busca um caminho próprio de desenvolvimento soberano, democrático e pacífico. Não é demais lembrar o protagonismo de Hugo Chávez na luta pela integração.

A última reunião de cúpula da Celac, celebrada recentemente em Havana, deu mais um passo nesta direção e foi também mais uma prova da determinação e do compromisso dos governantes da comunidade de trilhar um novo caminho. A instituição, que reúne 33 países (incluindo Cuba e excluindo EUA e Canadá) definiu a América Latina e o Caribe como uma “zona de paz, desnuclearizada” e aposta seu futuro numa parceria estratégica com a China.

É contra essas mudanças que as forças conservadoras, alinhadas com Washington, voltam suas baterias golpistas. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) alerta a classe trabalhadora e as forças progressistas para os riscos de retrocesso antidemocrático na Venezuela e em toda Nossa América, ao mesmo tempo em que reitera seu total repúdio aos golpistas e sua ativa solidariedade e apoio à revolução bolivariana em curso na Venezuela, à integração soberana e democrática dos povos latino-americanos e caribenhos, à democracia e ao socialismo.

*Adílson Araújo é presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).


Fonte: Vermelho