terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Renato Rabelo: Em 2014, nossa meta é reforçar a luta pelo avanço do país

"A sociedade brasileira, pelo sistema estrutural vigente, é muito desigual e discriminatória. Por isso a nossa luta em prol de reformas estruturais e democráticas. Somente elas poderão iniciar um processo de mudança real no Brasil", afirmou Renato Rabelo, presidente do PCdoB, em sua última entrevista, em 2013, no programa Palavra do Presidente.

Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo
Durante o balanço das lutas travadas ao longo do ano, o líder comunista reafirmou que é preciso estarmos alertas em 2014, pois em 2013 não foram poucos os ataques empreendidos pela oposição conversadora e a mídia golpista.

"Ao longo de todo o ano, a oposição atuou em torno de um teatro de mentiras. Tal teatro buscou justificar o que eles defendem, um chamado choque fiscal, que nada mais é do que o retorno de era obscura, a era FHC. E o que é esse tal choque fiscal? Nada mais é do que mais juros, câmbio sobrevalorizado, contenção dos salários. Ou seja, a defesa de um tripé nocivo ao processo, em curso a mais de uma década, que prevê a valorização real dos salários, geração de empregos, fortalecimento do Estado, distribuição de renda. Essa é proposta da oposição, e está claro que ela só tem um beneficiário: o rentista", relembrou Renato Rabelo durante a entrevista.


E mais, o presidente do PCdoB esclareceu que o receituário proposto pela oposição conservadora, se converte em um duro custo social ao país. "Essa experiência nós já conhecemos. Ela não serve para o Brasil. Esse receituário foi prescrito para a Europa e lá os efeitos colaterais foram: desemprego em alta, corte de salários e de direitos sociais, ou seja, quem pagou essa conta foi o trabalhador". E completou: "Como ouvir a voz das ruas defendendo redução do Estado, defendendo corte nos investimentos?", questionou o líder comunista.

Como reposta para essa onda reacionário empreendida pela oposição ao longo dos últimos anos, e especialmente em 2013, Renato deixou claro que "a luta pela reforma política é central, sem ela nào avançaremos na democracia. E mais, a reforma dos meios de comuncação é outra e da mídia batalha que precisamos vencer".

Ele reafirmou que 2014 dará espaço a uma intensa luta, na qual os comunistas tem um papel estratégico.será central

Manifestações de Junho

Durante a entrevista, Renato também refletiu sobre as manifestações de junho, que ocorreram em todo o Brasil. Ele destacou a validade das manifestações (veja mais) que reivindicaram bandeiras necessárias para o Brasil.

"As bandeiras pelo povo nas ruas do Brasil são legítimas. As cidades vivem hoje uma crise urbana que precisa ser combatida. Ou seja, estamos diante de demandas urgentes que chamam os governos (federal, estadual e municipal) à sua responsabilidade", pontua o líder comunista.

Jornada de Luta da Juventude, em 2013, tomam as ruas para lutar por mudanças, por uma nova arrancada. Foto: Fernando Donasci/UOL.

Renato lembra que a nova realidade do Brasil é o grande influenciador dessa efervescência. "O povo quer mais. O PCdoB refende uma nova arrancada. A presidenta entende isso e já deu seus primeiros passos nesse sentido. Não podemos perder a oportunidade de reformar o Brasil. Para 2014, nosso lema é continuar a luta pelas reformas estruturais, pelo avanço do Brasil".

13º Congresso Nacional do PCdoB

Na oportunidade, o presidente Nacional do PCdoB falou sobre a realização do 13º Congresso Nacional do PCdoB, que ocorreu nos 14, 15 e 16 de novembro em São Paulo. Nas suas palavras: "Foi u Congresso vitorioso e que refletiu a força do Partido pelo Brasil".

Ele lembrou que o Congresso fez amplo balanço dos últimos dez anos de governos populares e progressistas no Brasil, nos quais o Partido teve ampla participação. Ele também destacou o simbolismo da presença da presidenta Dilma Rousseff. "É singular ter presente a mandatária do país. Dilma falou dos avanços do Brasil e reconheceu a contribuição dos comunistas nos diferentes setores sociais e políticos", afirmou Renato.

O dirigente comunista ainda pontuou que os debates realizados em todas as etapas de preparação para o Congresso sinalizaram concordância com as propostas apresentadas nas teses. Renato ainda destacou o denso debate e entendimento dos comunistas e das comunistas no que se refere ao processo analisado e às propostas que o PCdoB quer implementar para construir um novo Brasil, as quais estão resumidas nas 6 reformas (Tributária, Agrária, Urbana, Educação, Mídia e Política).

“Terminamos o 13º Congresso com um sentimento de que estamos cada vez mais fortes e comprometidos com as bandeiras do povo brasileiro”, avaliou o presidente do PCdoB, contando que foram aprovadas resoluções atuais, justas e que orientam o partido para uma nova e desafiadora etapa do Brasil.

Ouça a íntegra da entrevista na Rádio Vermelho:
  • Retrospectiva 2013 - Entrevista Renato Rabelo 
  • DOWNLOAD:  

Quem tem medo de mulheres negras de jaleco branco?

Médicos, imprensa e Conselho Federal de Medicina, é para vocês a grande lição deixada pela estudante de medicina em Cuba, Cíntia Santos Cunha.

Por Negro Belchior, na Carta Maior*


 
 Médicos, imprensa e Conselho Federal de Medicina, é para vocês a grande lição deixada pela estudante de medicina em Cuba, Cíntia Santos Cunha.
“Eu já desde muito nova queria fazer Medicina… só que Medicina é um curso impensável para as pessoas de onde eu venho, para as pessoas como eu sou, negra, mulher, pobre, Capão Redondo. Ninguém sonha ser médico lá. Eu insisti que queria fazer medicina.” – Cintia Santos Cunha

Em seu texto sobre a polêmica dos médicos cubanos no Brasil e a reação de uma jornalista potiguar que escandalizou as redes sociais ao dizer que médicos cubanos pareciam “empregadas domésticas”, e que precisariam ter “postura de médico”, o que não acontecia com os profissionais cubanos, o professor Dennis de Oliveira sintetizou:

“(…) ela expressou claramente o que pensa parte significativa dos segmentos sociais dominantes e médios do Brasil: para eles, negros e negras são tolerados desde que em serviços subalternos. Esta é a “tolerância” racial brasileira.”

Essa mentalidade racista que sempre pressupôs o lugar do negro em nossa sociedade, contaminou milhares de jovens estudantes nas últimas muitas gerações. Isso somado ao descaso com a qualidade da educação pública faz com que, em sua grande maioria, jovens negros e/ou pobres sequer sonhem com universidades ou profissões “diferentes” daquelas nas quais percebem seus iguais.

Herdeiros de Nina Rodrigues
A classe médica (e média) que hoje não se constrange em manifestar seu preconceito racial é herdeira de Nina Rodrigues. Racista confesso, o renomado médico baiano tentava dar cientificidade à sua tese sobre as raças inferiores.

Acreditava ele que os negros tinham capacidade mental limitada e uma tendência natural à criminalidade.

No final do século 19, Nina Rodrigues combatia a miscigenação por acreditar que qualquer mistura poderia degenerar a raça superior branca. Mais ainda, defendia a existência de dois códigos penais: uma para os brancos e outro para as raças inferiores. Esses e outros absurdos podem ser observados em seu livro “As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil’.

A população negra perfaz mais de 50% da população brasileira, mas entre os formados em medicina o percentual foi de 2,66% em 2010. Na USP, por exemplo, são comuns listas de aprovados nos vestibulares mais concorridos sem sequer um único auto-declarado negro, como foi o caso deste ano de 2013. Isso se repete na Bahia, onde mais 70% da população é negra. Simbólica e triste a foto ao lado,que traz a turma de 2011 da Universidade Federal da Bahia.

A declaração de Cíntia, do Capão
Cintia Santos Cunha foi uma exceção. E ao a ouvi-la falar, ao perceber a postura de dignidade que todo ser humano pode – se quiser, carregar, independente de sua profissão, é possível entender o porquê de tanta oposição por parte das classes dominantes em relação à presença dos doutores de pele preta: a descoberta de sua mediocridade.

Médicos, imprensa e Conselho Federal de Medicina corporativistas, reacionários, cínicos e racistas, é para vocês a grande lição deixada pela estudante de medicina em CUBA, Cíntia Santos Cunha, que retornou a Ilha para concluir o curso em Fevereiro de 2014.

É do povo que vocês tem medo! E devem mesmo ter medo! Toda sua riqueza não é suficiente para compensar os mais de 500 anos de opressão.

Assistam e assustem-se! 



 

*Publicado originalmente no Blog Negro Belchior, em 29 de agosto de 2013.

Centrais marcam ato para 1º de fevereiro contra repressão na ditadura

São Bernardo do Campo (SP) recebe no próximo dia 1º de fevereiro o Ato Sindical Unitário "Unidos, Jamais Vencidos", que homenageará trabalhadores e sindicalistas que sofreram perseguição e repressão do regime militar e das empresas no período da ditadura. A atividade acontecerá a partir das 13h, no Teatro Cacilda Becker, no centro da cidade.

O ato, de iniciativa do Coletivo Sindical do Grupo de Trabalho "Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindica", da Comissão Nacional da Verdade, e que conta com o apoio de entidades locais, tem colhido informações, documento e levantado testemunhos buscando resgatar a memória e reivindicar justiça e reparação.

Durante os 21 anos de ditadura, trabalhadores e o movimento sindical foram alvos do regime militar. Sindicatos sofreram intervenções e trabalhadores foram perseguidos, ameaçados, presos, torturados e, inclusive, assassinados. Na região do ABC, diversos sindicatos, sindicalistas e trabalhadores sofreram com a repressão.

O ato em São Bernardo busca reconhecer e homenagear quem lutou pela liberdade, democracia, autonomia sindical e melhores condições de salário e trabalho, na Grande São Paulo. Nesse dia, trabalhadores ou suas famílias receberão um diploma de reconhecimento por sua luta, assinado por todas as centrais sindicais.

A atividade ainda pretende lembrar os 50 anos do golpe militar, que instaurou em 31 de março de 1964 o regime repressivo no Brasil.


Fonte: CUT via Contraf

Bahia fecha 2013 com 193 ataques a bancos

Apesar do esforço diário do Sindicato dos Bancários da Bahia pelo investimento efetivo por parte dos bancos em segurança, a Bahia continua a figurar entre os estados com o maior número de ataques às agências.
O Estado fechou o ano de 2013 no quinto lugar no país em ocorrências. A Bahia perde apenas para São Paulo, líder do ranking, Minas Gerais (segunda posição), Paraná e Mato Grosso, terceiro e quarto lugar, respectivamente.
No ano passado, foram 193 registros em toda a Bahia. No interior, onde a vigilância é ainda mais frágil, a recorrência é maior, com 150 casos. Salvador tem 43. As explosões têm a preferência das quadrilhas especializadas (100 ocorrências). Os assaltos surgem depois (38).
As tentativas frustradas e os arrombamentos somam 28 e 27, respectivamente.
As cenas dos ataques são as mais assustadoras possíveis. Tiros para o alto, funcionários feitos reféns, explosões cinematográficas. Situações capazes de traumatizar os bancários, que trabalham diariamente em clima de insegurança. Os últimos ataques aconteceram na terça-feira (31/12), na cidade de Marcionílio Souza, a 336 km de Salvador, e em Periperi, na capital baiana. Em ambos os casos, os caixas eletrônicos foram explodidos por bandidos.
O ano de 2014 começa e trabalhadores e clientes esperam que as organizações mudem a postura e olhem com atenção para a segurança bancária. A lei 7.102/83, que regulamenta as obrigações dos bancos, é defasada e nem sequer é cumprida. Enquanto isso, a insegurança faz mais vítimas.
Fonte: Seeb Bahia

A Copa do Mundo incomoda muita gente...

O irrequieto sr. Blatter, do alto da montanha suíça onde vive e que não perde oportunidade para não ficar quieto, acusou o Brasil de ser o país que mais atrasou as obras da Copa do Mundo.

Por Flávio Aguiar, no blog do Velho Mundo


Pode-se dizer que ele deu, no plano internacional, o pontapé inicial do que vai ser o jogo do ano de 2014. Do jogo fora das quatro linhas, bem entendido. Porque dentro e fora dos gramados, a Copa do Mundo no Brasil incomoda muita gente, como dizia aquela musiquinha de infância sobre os elefantes.

O time anti-Brasil terá como pontas-de-lança as mídias atacantes The Economist Financial Times, com o meio do campo reforçado por setores neo-liberais de outras mídias, que incluirão até o New York Times, oThe GuardianLe MondeCorriere della SeraEl Pais, e provavelmente a germânica Der Spiegel.

Na defesa, dando bico para tudo quanto é lado, estarão os cronistas do desastre anunciado no Brasil, os arautos da velha mídia, que estão apostando em:
  1. Movimentos como o “Não vai ter Copa”, com primeiro jogo marcado para o 25 de janeiro.
  2. Movimentos como “Anônimos”, “Vem pra rua você também”, esperando que manifestações ganhem corpo de meados de junho a meados de julho, com vaias nos estádios cada vez que o tema roçar ou mostrar a presidenta Dilma.
  3. Na esperança inconfessável de que arruaças do tipo “Blackblocks” e possíveis outras provocações pseudo-anarquistas ou de direita mesmo contem com o inestimável apoio de uma brutalidade da polícia, para expor “a farsa Brasil” dentro e fora do país.
  4. Se de tudo sair alguma vítima fatal, mesmo que seja uma única, melhor ainda.
No gol, estarão os candidatos presidenciáveis da oposição, embolados, e provavelmente enredados na rede que teceram.

Parece, diante dos prenúncios cada vez menos desastrosos sobre a economia, apesar de dificuldades na área industrial e na balança comercial, e diante da inépcia embolada das candidaturas de oposição, que esta é a única bala de prata que resta para estas oposições midiáticas ou outras.

Ao invés de apostas programáticas – já que os verdadeiros programas de direita no Brasil são inconfessáveis pelos candidatos, embora existam –, só lhes resta apostar nos antiprogramas, nas catástrofes políticas e sociais possíveis e imagináveis. E nas inimagináveis também.

Que candidato vai fazer a loucura de dizer que vai fechar o Bolsa Família? Ou outros programas sociais?

Que candidato terá a temeridade de dizer que vai cortar o Pro-Uni (a não ser na extrema esquerda) e a política de cotas?

Que candidato vai confessar que vai esvaziar o Mercosul e voltar à velha política de privilegiar “os países que importam”, quer dizer, a velha política de subserviência aos Estados Unidos e à Europa?

E que candidato vai ter a coragem de dizer que, na verdade, vai acabar com essa parolagem de meio ambiente e vai favorecer a expansão desregrada do agrobusiness no Cerrado, na Amazônia legal e ilegal? Mesmo com apoio do Greenpeace e do SOS Mata Atlântica antes da eleição.

Que candidato vai declarar que a política de juros altos e de desindustrialização através da “abertura” será o norte desta nova dependência em relação aos fortes Nortes da geopolítica?

Que candidato dirá que vai retomar uma política de dependência também no campo da defesa militar, seja na Amazônia, no espaço aéreo ou na plataforma marítima (leia-se pré-sal).

Que candidato dirá que vai rifar os ganhos do pré-sal entre multinacionais e outros barões da indústria fóssil, em vez de destiná-los prioritariamente à educação e ao investimento tecnológico?

Ou que vai diminuir ainda mais as verbas da saúde pública em favor das indústrias privadas do setor? Ou que vai tocar do país os médicos cubanos e outros que vieram auxiliar as regiões desastissidas? Ou que voltarão a criminalizar os movimentos sociais, especialmente o MST?

E por aí vai. Mas podem crer: confessem ou não os candidatos e os arautos da velha mídia, é tudo isto que nos espera e muito mais caso as oposições de hoje ganhem a eleição em outubro. Porque as oposições hoje no Brasil têm sobretudo uma visão anacrônica, provinciana e paroquial do mundo que as cerca, incapazes de ver, por exemplo, que mesmo dentro do sistema capitalista a melhor tendência dominante é a da formação de blocos regionais, da Europa desenvolvida à África subdesenvolvida. E por aí também vai.

Mas como tudo isto é inconfessável, só resta a bola, quer dizer, a bala de prata da Copa e da contra a Copa. Deste modo, o jogo opositor contra a Copa torna-se um jogo anti-Brasil, dentro e fora das quatro linhas. Na ilusão de que se a Copa for normal ou próxima disto, e de que, pior ainda, de que se o Brasil ganhá-la, a reeleição da presidenta estará garantida, vão apostar declaradamente na primeira condição – “não à Copa” – e surdamente na segunda – “que o Brasil perca dentro do campo”.

Vamos ver como eles conseguirão conclamar, sem revelar, sem expor, tudo isto para as galeras nas praças e diante da tevê antes, durante e depois dos jogos.

Como diz o Saul Leblon, a ver.

*é jornalista

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Bancos brasileiros passam a ter nova fonte de captação de recursos

A partir desta segunda-feira (6), os bancos brasileiros passam a contar com uma nova fonte de captação de recursos. Trata-se do certificado de operações estruturadas (COE), sigla que representa um instrumento financeiro que combina características de renda fixa e variável.

Conhecido no exterior como nota estruturada, o instrumento é responsável por pelo menos 10% do funding bancário no mundo, com um volume estimado superior a US$ 2 trilhões. No Brasil, o volume de operações com características semelhantes soma aproximadamente R$ 8 bilhões, de acordo com projeções da Cetip, uma das instituições autorizadas a fazer o registro do instrumento.

A essência do COE é proporcionar a rentabilidade de um determinado ativo, que pode ser, por exemplo, a bolsa ou o dólar, com a garantia de parte ou de todo o capital aplicado em caso de queda. Para o investidor, o produto representa uma nova forma de diversificação do portfólio.

Antes da regulamentação, ocorrida em setembro passado, os bancos já ofereciam produtos similares, na forma de fundos capital protegido ou empacotando a operação em pelo menos dois contratos, como um certificado de depósito bancário (CDB) e mais um derivativo.

Além da maior facilidade ao agregar diferentes operações em um único produto, o COE conta com a vantagem da isenção do depósito compulsório. A letra financeira, título bancário livre do recolhimento obrigatório no BC desde 2010, encerrou novembro do ano passado com um estoque de quase R$ 300 bilhões.

Embora não tenha características de longo prazo, o certificado representa uma fonte mais estável de funding para os bancos. Ao contrário do CDB, que possui liquidez diária, a aplicação não pode ser resgatada a qualquer momento pelo cliente. Uma alternativa possível é a venda do certificado a outro investidor no mercado secundário.

A proporção dos recursos que podem ser usados livremente pelas instituições, porém, dependerá da estratégia de cada COE. Em linhas gerais, quanto maior a participação da remuneração variável na estrutura, menor será a entrada de caixa para o banco.

Para Felipe Soárez, chefe da área de estruturação e derivativos do Itaú BBA, o potencial de crescimento do produto no país é muito grande. Ainda assim, a expectativa inicial é que os bancos sejam conservadores na emissão. "O COE não veio para substituir outros instrumentos de captação bancária", diz Soárez.

Em um primeiro momento, a oferta deve ficar restrita aos clientes do segmento de altíssima renda (private) das instituições, que já conhecem a aplicação. A chegada do COE ao público de varejo deve levar mais tempo e dependerá da regulamentação da oferta pública do instrumento, a cargo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Existem dúvidas entre os bancos se a venda direta na rede de agências, como já ocorre com o CDB e outras aplicações que não são reguladas pela autarquia, pode ser interpretada como uma oferta pública. A regulação da CVM é esperada para o segundo semestre deste ano.

"Após a norma, esperamos que saiam grandes ofertas de COE, com volumes semelhantes aos de IPOs [sigla em inglês para ofertas públicas iniciais de ações]", afirma Fabio Dutra, diretor de produtos financeiros e de commodities da BM&FBovespa. A bolsa aguarda a homologação pelo BC da plataforma que fará o registro de COE, o que deve ocorrer nas próximas semanas, segundo o executivo.

O cenário econômico atual, marcado pela grande incerteza, é considerado ideal para investimentos como o COE. Um dos ativos que devem fazer parte das estratégias com o produto ao longo deste ano é o dólar, segundo Charles Nogueira Ferraz, superintendente do private banking do Itaú.

Antes do COE, o investidor que desejasse exposição à moeda americana tinha a opção de comprar diretamente a divisa ou aplicar em um fundo cambial, com o risco de uma grande perda se o câmbio se desvalorizasse. "Agora, é possível oferecer, por exemplo, uma estratégia comprada ou vendida em dólar, com proteção de parte ou de todo o capital", diz.

A Cetip, que fará o registro das emissões a partir de hoje, estabeleceu 31 estruturas para o COE. Cada uma com diferentes ativos de referência - câmbio, juros, bolsa, entre outros - e com possibilidades de proteção integral ou não do capital, o que atende a mais de 95% da demanda do mercado, segundo Fábio Zenaro, gerente-executivo de produtos e negócios da companhia. 

Fonte: Vinícius Pinheiro - Valor Econômico via Contraf

Fortuna dos 300 mais ricos do mundo sobe para US$ 3,7 trilhões em 2013

As pessoas mais ricas do mundo se tornaram ainda mais ricas em 2013, somando US$ 524 bilhões às suas fortunas. Juntos, os 300 bilionários individuais listados no ranking da agência de notícias financeiras Bloomberg possuem agora US$ 3,7 trilhões. O valor se refere à posição dos mercados financeiros em 31 de dezembro de 2013. 

Os maiores ganhos vieram do setor de tecnologia, cujas fortunas avançaram 28% no ano. Dos 300 bilionários que aparecem na lista final de 2013, apenas 70 registraram perda no período de 12 meses. 

- Os ricos continuarão enriquecendo em 2014 - apostou John Catsimatidis, o bilionário fundador do conglomerado imobiliário Red Apple Group. - As taxas de juros continuarão baixas, os mercados de ações continuarão subindo e a economia crescerá abaixo de 2%. 

Bill Gates, de 58 anos, fundador da Microsoft, foi o grande vencedor do ano. Sua fortuna cresceu em US$ 15,8 bilhões, para US$ 78,5 bilhões, segundo o índice, puxada pela alta de 40% das ações da Microsoft. Gates recuperou o primeiro lugar do investidor mexicano Carlos Slim. 

Entre os sete brasileiros da lista, quatro perderam dinheiro em 2013. Os brasileiro são liderados por Jorge Paulo Lemann na 33ª posição, cuja fortuna cresceu US$ 63,3 milhões, para US$ 22,8 bilhões. Ele é seguido por Joseph Safra, na 90ª posição (fortuna caiu US$ 33,4 milhões, para US$ 12,5 bilhões); Marcel Telles, na 111ª posição (alta de US$ 28,9 milhões, para US$ 10,6 bilhões); e Carlos da Veiga, na 134ª posição (alta de US$ 22,4 milhões, para US$ 9,2 bilhões). 

Eike Batista, a pessoa que mais perdeu em dinheiro em 2013, sequer aparece na lista. Segundo os números da Bloomberg, sua fortuna caiu mais de US$ 12 bilhões no ano, com a petroleira OGX entrando em recuperação judicial. O empresário chegou a ser o oitavo mais rico do mundo em março de 2012, mas tem hoje patrimônio negativo, pelos cálculos da agência. 

Veja abaixo o ranking dos dez mais ricos do mundo:

1 - Bill Gates (Microsoft) - US$ 78,6 bilhões - avanço de US$ 15,8 bilhões

2 - Carlos Slim (America Movil, de Claro, Embratel e Net) - US$ 73,8 bilhões - recuo de US$ 1,4 bilhão

3 - Amancio Ortega (Inditex, das lojas Zara) - US$ 66,4 bilhões - avanço de US$ 8,9 bilhões

4 - Warren Buffet (Berkshire Hathaway) - US$ 60,8 bilhões - avanço de 12,9 bilhões

5 - Ingvar Kamprad (Ikea) - US$ 53,4 bilhões - avanço de US$ 13,8 bilhões

6 - Charles Koch (Koch Industries) - US$ 50,2 bilhões - avanço de US$ 9,3 bilhões

7 - David Koch (Koch Industries) - US$ 50,2 bilhões - avanço de US$ 9,3 bilhões

8 - Larry Ellison (Oracle) - US$ 43,7 bilhões - avanço de US$ 4,4 bilhões

9 - Christy Walton (Walmart) - US$ 39 bilhões - avanço de US$ 6 bilhões

10 - Jim Walton (Walmart) - US$ 37,3 bilhões - avanço de US$ 5,8 bilhões


Fonte: O Globo via Contraf