quarta-feira, 21 de agosto de 2013

DILMA DETONA PROJETO DE MABEL SOBRE TERCEIRIZAÇÃO

“Não concordamos com processos que reduzem direitos dos trabalhadores”, disse a presidenta em entrevista à Rádio Brasil Atual e à Rádio ABC; o projeto do deputado goiano do PMDB está marcado para ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 3 de setembro; texto prevê a permissão da terceirização sem limites, inclusive na atividade principal da empresa, conhecida como atividade-fim, o que precarizaria de forma significativa as relações de trabalho, segundo as entidades sindicais
247- Em entrevista concedida à Rádio Brasil Atual e à Rádio ABC, de São Bernardo do Campo (ABC paulista), a presidenta Dilma Rousseff afirmou na terça-feira (19) que o governo federal é contra qualquer processo que comprometa os direitos dos trabalhadores, “que impactem a negociação coletiva ou precarizem as relações de trabalho”. A referência é ao Projeto de Lei 4.330/04, que trata da regulamentação do processo de terceirização nas empresas, em discussão na Câmara.
O projeto, de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), está marcado para ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 3 de setembro. O texto prevê a permissão da terceirização sem limites, inclusive na atividade principal da empresa, conhecida como atividade-fim, o que precarizaria de forma significativa as relações de trabalho, segundo as entidades sindicais. A última reunião entre trabalhadores, empresários e representantes do Executivo e Legislativo na busca de um consenso sobre o PL 4.330 não alcançou seu objetivo e acabou sem definição. Hoje está marcada uma nova reunião da comissão quadripartite.
A presidenta afirmou à repórter Marilu Cabañas que a avaliação atual do governo é que há força disseminada no Congresso Nacional pela aprovação do PL que regulamenta a terceirização, e que o governo não pode decidir o que é aprovado ou não pelo Legislativo. “Há uma posição bem forte pró-terceirização dentro do Congresso. O governo não pode definir o que Congresso aprova ou não. Tem vezes que conseguimos e tem vezes que não conseguimos. Nosso papel é ensejar e fazer a mediação”, afirmou.
Dilma ressaltou que é necessário que todos os envolvidos na comissão quadripartite entendam que o que está em curso é um processo negocial, que visa a um acordo “melhor possível” entre as partes.
“Chamamos a mesa de negociação para colocar entidades sindicais, Congresso e entidades patronais para buscar o consenso possível para evitar derrotas que não se consegue controlar depois. Há hoje a prática, a partir do STF, de vetos serem avaliados e derrotados. É importante entender o que está em curso, um processo negocial. Não é o que cada parte quer que pode ser o resultado, mas sim o melhor resultado possível. Mas a posição do governo é que não concordamos com qualquer processo que comprometa direitos dos trabalhadores, que impactem a negociação coletiva ou precarizem as relações de trabalho.”
Em relação ao fim fator previdenciário, pauta levantada há anos por centrais sindicais, e que desde maio dispõe de mesa de negociação entre as entidade e o governo federal, Dilma afirmou que tem a “disposição política” para ouvir qualquer proposta, desde que não haja comprometimento da Previdência Social.
“Do ponto de vista do governo, temos a disposição política para debater pontos da pauta. Independentemente da dificuldade de consenso. Conversando, chegamos em um acordo em algum momento. Afirmamos para as centrais que não haverá, por iniciativa do governo, a redução de direitos dos trabalhadores. Temos a posição de não comprometer e reduzir interesses, precarizar relações de trabalho, mas não é ilimitado, depende dos empresários, trabalhadores, do Congresso, da sociedade. Estou disposta a discutir qualquer proposta, desde que não afete a sustentabilidade financeira da Previdência e não coloque em risco a aposentadoria dos trabalhadores que ingressam hoje no sistema.”
Fonte: Portal Brasil 247

México: Esquerda propõe reforma energética contra privatização

A esquerda mexicana entregou ao Senado uma iniciativa de reforma energética que impulsiona a autonomia orçamental e de gerenciamento da Petróleos Mexicanos (Pemex) e da Comissão Federal de Eletricidade (CFE) sem fazer mudanças na Constituição.


“Nossa proposta inclui a modificação de doze leis secundárias ou regulamentares e a expedição da Lei do Fundo de Excedentes Petroleiros”, disse o fundador do Partido da Revolução Democrática (PRD), Cuauhtémoc Cárdenas, em um evento celebrado no Monumento à Revolução.


A proposta do governo prevê mudar os artigos 27 e 28 da Constituição para tornar mais atraente o setor à iniciativa privada e permitir que participe em sua modernização, através de contratos de lucros compartilhados para explorar e extrair petróleo e gás, sobretudo nos campos que requerem mais tecnologia.

Cárdenas propôs a realização de um plebiscito em 2015 para avaliar as mudanças constitucionais propostas por Peña Nieto.

Com sua iniciativa, o presidente estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresça um ponto percentual adicional em 2018 e sejam criados cerca de 500 mil postos de trabalho. No entanto, movimentos sociais mexicanos denunciam o que consideram ser uma armadilha para privatizar o petróleo no país.

“Todos estes supostos lucros soam como contas alegres e, no melhor dos casos, bons desejos”, lamentou Cárdenas, que qualificou a proposta de Peña Nieto de “antipatriótica”, “retrógrada”, “entreguista”, “neoliberal” e “lesiva aos interesses da nação”.

Desde a expropriação de 1938, feita pelo então presidente Lázaro Cárdenas, o petróleo converteu-se em um símbolo de identidade e em um princípio de soberania do país, e, por isso, desata fortes discrepâncias quando se propõe sua abertura ao capital privado.

Cárdenas apresentou os principais eixos do projeto do PRD, que propõe mais autonomia para a Pemex e para a CFE, fortalecer a Secretaria de Energia e a Comissão Nacional de Hidrocarbonetos, converter o fundo de estabilização de lucros petroleiros em um organismo financeiro e impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico.

Com Infolatam via Vermelho

O Paraguai, pobre Paraguai...


Volta ao poder o Partido Colorado, que ocupou
 a presidência durante 61 anos consecutivos até
 serem derrotados por Fernando Lugo, 
derrubado por um golpe parlamentar 
no ano passado/ Foto: Palácio do Planalto

Ninguém sabe até que ponto Horacio Cartes contará com apoio político interno. Sua trajetória política é nula. Virou candidato porque soube injetar dinheiro no Partido Colorado e vender a imagem do empreendedor eficaz. Já avisou que vai rever as políticas de transferência de renda tentadas por Lugo. E que vai conter gastos públicos. 

Por Eric Nepomuceno, na Carta Maior*


Com Federico Franco, o Partido Liberal chegou ao poder no Paraguai pela primeira vez em 60 anos. Foi uma passagem relativamente rápida: durou de junho de 2012 a agosto de 2013.

Antes daquele junho, Franco era vice-presidente de Fernando Lugo. Em conluio com o Partido Colorado – este sim, com vasta quilometragem no poder: 60 anos, inclusive os 44 da sangrenta ditadura de Alfredo Stroessner –, foi dado um golpe parlamentar contra o presidente constitucionalmente constituído. Lugo caiu e seu vice assumiu. Só assim o Partido Liberal conseguiu chegar ao poder. A breve presidência de Franco, um fulaninho falastrão e ranzinza, não deixaria outra memória além da maneira espúria como chegou ao poder.

Talvez por ter consciência disso, ele resolveu, como uma de suas últimas medidas, criar um museu de seu governo. Ou seja, um museu em sua própria homenagem. 

O museu ainda não existe, é claro. Mas quando – e se – existir, o mundo poderá ver a história do agora já ex-presidente, sua trajetória, seus discursos, suas fotografias e um sem-fim de outras pompas. Faltou, claro, perguntar se alguém estará interessado nessa farofada. 

Durante sua presidência, e até a posse do sucessor, Horacio Cartes, o Paraguai foi suspenso do Mercosul e da Unasul, a União das Nações Latino-americanas. Nesse tempo, Franco ameaçou, reclamou, bateu o pé, decidiu dizer (ninguém deu ouvido algum a ele) que o Paraguai não deve mais nada ao Brasil pela construção de Itaipu, e para completar a mixórdia toda deixou um rombo do tamanho do universo.

No dia 15 de agosto, quando seu sucessor tomou posse, fazia tempo que aposentados, funcionários e fornecedores do governo estavam a ver navios. Franco deixou um rombo de mais de 400 milhões de dólares. Há quem assegure que a dívida total é de muito mais: estaria beirando o bilhão.

O sucessor do presidente espúrio chama-se Horácio Cartes e foi eleito em abril de 2013. Assumiu, com ares solenes, na quinta-feira 15 de agosto. Na plateia estavam as presidentas da Argentina, Cristina Kirchner, e do Brasil, Dilma Rousseff, José Mujica, do Uruguai, e Ollanta Humala, que além de presidir o Peru preside também a Unasul. Cartes, antes da posse, recebeu Dilma em sua residência particular. 

O novo presidente paraguaio é uma figura – digamos – polêmica. Está sendo investigado nos Estados Unidos por suspeita de lavar dinheiro do narcotráfico. Foi investigado aqui no Brasil por suspeita de fazer contrabando de cigarros.

É dono de uma fortuna. Jamais havia feito política até 2008. Assume, mais que a presidência de um país, um verdadeiro rabo de foguete. 

Com ele, o Paraguai deverá voltar a fazer parte integral e formal tanto do Mercosul como da Unasul. O Senado paraguaio sempre rejeitou, de todas as formas, que a Venezuela passasse a integrar o Mercosul. Enquanto o Paraguai estava suspenso os outros três sócios do bloco – Argentina, Brasil e Uruguai – aprovaram o ingresso da Venezuela, na condição de sócio pleno. 

Para voltar ao Mercosul, o Paraguai vai esperar até janeiro. É que até lá a presidência rotativa está ocupada justamente pela Venezuela.

Nesse meio tempo, os outros sócios, a começar pelo Brasil, que se preparem. Vão sobrar pedidos e pressões, chantagens e ameaças. 

Já se falou, no Paraguai, da necessidade de analisar aspectos jurídicos da entrada da Venezuela com a mesma soltura com que se mencionou o direito paraguaio a reivindicar compensações financeiras pelo tempo da suspensão. O próprio Cartes já disse que quer ser autorizado a realizar acordos comerciais com outros países que não integram o Mercosul, indo contra a resolução que exige consenso entre os países-membros para negociações fora do bloco. 

Cartes diz que quer mais investimentos brasileiros, especialmente na indústria. Insinua que está disposto a grandes concessões com tal de atrair investidores. Na plateia da cerimônia de sua posse havia gordos punhados de gordos empresários. 

No dia seguinte Cartes se reuniu, num café da manhã insosso, com 450 empresários, dos quais 150 eram estrangeiros. O Paraguai está isolado ou quase, e ele quer reverter esse quadro.

A economia do país vai bem, obrigado. Deve crescer uns 12% este ano. Os paraguaios, por sua vez, vão mal como sempre. Cerca de 42% deles vivem na pobreza mais dura. O Paraguai virou uma potência dos agronegócios. É o terceiro exportador de carne da América do Sul (perde só para o Brasil e o Uruguai, passou a Argentina) e é o quarto maior exportador de soja do mundo. Mas 18% dos paraguaios não conseguem consumir as quantidades mínimas de calorias e proteínas diárias determinadas pelos organismos internacionais e vivem, portanto, em situação de miséria e exclusão social. 

Quase 80% das terras cultiváveis estão nas mãos de 1% dos proprietários rurais do país. A desigualdade é crônica na Paraguai, e só é combatida nos discursos pomposos e vãos.

Ninguém sabe até que ponto Cartes contará com apoio político interno. É bem verdade que com ele o Partido Colorado volta ao poder, após o breve interlúdio de Fernando Lugo e, depois, de Federico Franco. Mas também é verdade que Cartes tem trajetória política nula. Virou candidato porque soube injetar dinheiro no Partido Colorado e vender a imagem do empreendedor eficaz. 

Já avisou que vai rever as políticas de transferência de renda tentadas por Lugo. Avisou que vai conter gastos públicos. Avisou que vai aumentar os impostos sobre as exportações. Avisou que quer reatar as relações comerciais com o Brasil e a Argentina. Avisou um monte de coisas.

Resta agora saber se vale o velho ditado que reza que quem avisa, amigo é. Resta saber se vai fazer o que diz e, principalmente, como fará.

Um dato incômodo deve servir de alerta aos vizinhos: ao anunciar um gabinete ‘essencialmente técnico’, Horacio Cartes quis deixar claro a paraguaios e vizinhos que essa será a linha de seu governo. 

Pois bem: para chanceler, ele escolheu um veterano e experiente diplomata aposentado, Eladio Loyzaga, advogado especialista em comércio internacional e ex-deputado. 

Acima de tudo, Loyzaga é conhecido por ter participado com destaque, nos anos 1960 e 70, de uma chamada Liga Anticomunista Mundial e ter colaborado ativamente com a famigerada Operação Condor, que agiu na América do Sul sequestrando e assassinando militantes de oposição durante as ditaduras militares mais recentes. 

É uma figura nefasta. Se esse é o critério técnico de Cartes, melhor se preparar para tempos difíceis, muito difíceis, com esse vizinho sempre difícil.

* Eric Nepomuceno é jornalista

Tarifas bancárias sobem até 83% em cinco anos, diz Idec

As tarifas cobradas pelos seis maiores bancos do país com "concessão de adiantamento" sofreram uma variação de 83% nos últimos cinco anos, 50 pontos percentuais acima da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que acumulou alta de 32,34%. Os números foram divulgados nesta terça-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).


Os seis bancos, que respondem por 70% das operações de crédito no país, são Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú e Santander. De acordo com Ione Amorim, economista do Idec responsável pelo estudo, os bancos promoveram reduções nas tarifas de serviços avulsos no último ano, mas essa redução foi compensada pelo acréscimo no valor das tarifas de serviços relacionados ao crédito, que não constam em pacotes de serviços ofertados pelos bancos.

Em 2013, o pacote referencial da Caixa apresenta o menor valor (R$ 98,70), com uma correção de 13%, enquanto o HSBC possui o pacote referencial com maior valor (R$ 143,91), e variação de 21%. A maior variação de preço no período ficou com o pacote referencial do Bradesco, com reajuste de 36%.

Com base em dados de extratos bancários fornecidos por voluntários do estudo, os serviços avulsos são utilizados pela maioria dos consumidores e respondem por 38% dos gastos com tarifas. A tarifa que gerou o maior desembolso de caixa dos consumidores foi a de concessão de adiantamento ao depositante (R$ 51,80 - Santander). E o serviço com maior frequência de uso entre os avulsos foi a transferência de operações de DOC, a maioria no canal eletrônico.

"É importante lembrar que a cobrança pelo saldo descoberto pode ser vilã na vida do consumidor distraído ou com dificuldade de equilibrar o saldo bancário. A cobrança ocorre sem aviso e uma vez por mês, independente do valor descoberto", explica Amorim.

Entre as tarifas avulsas mais utilizadas em 2012 estavam: Tarifa para emissão da segunda vida do cartão de débito; exclusão do cadastro de emitentes de cheques sem fundos; fornecimento de folhas avulsas de cheque; saque em terminal eletrônico; extrato mensal presencial; extrato mensal em terminal eletrônico; Transferência DOC/TED presencial; DOC/TED em terminal eletrônico e internet.

O total das tarifas dos serviços avulsas foi comparado aos valores praticados em maio de 2008, o resultado indicou que apesar da redução dos preços de várias tarifas, o pacote referencial apresentou um reajuste entre 13% e 36%. Segundo o Idec, a variação é provocada pelo elevado reajuste que a tarifa para concessão de adiantamento ao depositante sofreu (entre 43% e 83%).

Fonte: Jornal do Brasil via Vermelh
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CPMI da Violência contra a Mulher faz recomendações ao Judiciário

Deputadas e senadoras que participaram da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apurou o enfrentamento à violência contra a mulher reuniram-se nesta terça-feira (20) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Joaquim Barbosa, para entregar o relatório final dos trabalhos da comissão, que duraram um ano e meio.


Jo Moraes
A presidenta da comissão, deputada federal Jô Morais (PCdoB-MG), considera que o STF pode ajudar no combate à violência contra a mulher.
No texto, aprovado no mês de julho, a CPMI fez 73 recomendações para os 17 estados visitados e o Distrito Federal. A comissão também propôs 13 projetos de lei para melhorar o atendimento à mulher que sofre algum tipo de violência.

As parlamentares informaram Barbosa que alguns juízes não estão aplicando a decisão do Supremo que proibiu a suspensão condicional dos processos que tratam de crimes de violência doméstica contra a mulher.

Entre as recomendações, a CPMI pede a criação de um órgão vinculado ao CNJ para acompanhar a aplicação da Lei Maria da Penha, e que o conselho fiscalize a demora dos tribunais de Justiça para criar Varas Especializadas contra a Violência Doméstica e Familiar.

Para a senadora Ana Rita (PT-ES), relatora da comissão, é preciso dar efetividade às conclusões da comissão. “Se estas recomendações forem implementadas de fato, nós teremos, com certeza, mudanças significativas no enfretamento da violência contra a mulher”, disse.

A presidenta da comissão, deputada federal Jô Morais (PCdoB-MG), considera que o STF pode ajudar no combate à violência contra a mulher. “O fato de o presidente do Supremo receber o relatório nos dá uma visibilidade para a sociedade e uma legitimação que é fundamental porque a sociedade ainda é cheia de preconceitos”.

Fonte: Agência Brasil via Vermelho

40% das mulheres que trabalham no campo não são remuneradas

Segundo a FAO, trabalhadoras rurais são invisíveis e
 desamparadas pelo poder público/ Foto: Hiram Pascoal/CC

Um número expressivo de mulheres que trabalham na agricultura familiar não possui nenhum tipo de rendimento próprio. É o que assinala a segunda Nota de Política sobre as Mulheres Rurais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).



Segundo o documento, na América Latina e Caribe cerca de 40% das mulheres rurais maiores de 15 anos não são remuneradas. Em alguns países, a porcentagem pode chegar a até 70%. Neste sentido, a entidade alerta para o desamparo e invisibilidade dessas mulheres, sendo urgente a criação de “políticas específicas para as trabalhadoras agrícolas familiares não remuneradas a favor de uma maior equidade na zona rural”.

A invisibilidade, muitas vezes, se dá pela classificação a qual a maioria das mulheres se encontra nos registros oficiais. Em média, 56% das trabalhadoras rurais com mais de 15 anos de idade são registradas na região como população inativa. Porém, segundo as pesquisas de uso do tempo, a maioria dessas mulheres “inativas” produzem alimentos para o consumo de suas famílias. No México, por exemplo, 50% das mulheres consideradas inativas produzem para suas famílias. Já no Equador, este número chega a 60%.

O órgão também destaca o fato de as mulheres sem remuneração terem uma jornada de trabalho maior que as trabalhadoras remuneradas. Além disso, 82% das mulheres agrícolas não remuneradas têm como principal fonte de sobrevivência a atividade agrícola.

Segundo as Nações Unidas, para tentar sanar o problema, o primeiro desafio é fortalecer a voz destas trabalhadoras para construir políticas de apoio à produção e proteção social que satisfaçam as suas necessidades como produtoras e como membros de uma família. “Conciliar essa dupla perspectiva é um desafio cada vez mais complexo para enfrentar, mas é urgente resolver”, alerta.

Fonte: Brasil de Fato via Vermelho

terça-feira, 20 de agosto de 2013

70% DOS BRASILEIROS QUEREM REGULAÇÃO DA MÍDIA

Fundação Perseu Abramo mostra que, para 35% dos entrevistados, os meios de comunicação defendem os interesses de seus donos.
Sete em cada dez brasileiros querem mais regras para o conteúdo da programação veiculada na tevê, revela uma pesquisa divulgada no dia 16/8 em São Paulo pela Fundação Perseu Abramo (FPA), entidade ligada ao Partido dos Trabalhadores. E 46% da população é favorável a que essa regulamentação seja definida e fiscalizada através do chamado “controle social”, por um “órgão ou conselho que represente a sociedade”.
O estudo entrevistou 2.400 pessoas em 120 municípios do país, entre abril e maio, para mapear a percepção dos brasileiros sobre os meios de comunicação, além de formular perguntas relativas ao grau de concentração das emissoras, regime de concessões, penetração da internet, neutralidade da cobertura da imprensa e representação dos setores da sociedade na mídia. A margem de erro oscila entre 2 e 5 pontos percentuais.
A FPA detectou que a televisão continua sendo uma preferência nacional: 94% dos brasileiros cultivam o hábito de assistir tevê e 82% recorre à telinha diariamente. Mais que isso: quase 90% das pessoas usam a tevê para se informar sobre o que acontece no mundo. O rádio aparece em segundo lugar no gosto popular, atingindo 79% da população. A internet surge na terceira colocação, ao lado dos jornais impressos: 43% afirmam ter acesso à rede. Dessa parcela, 38% usam o Facebook e 25% o Google.
Quanto aos jornais, a maioria das pessoas que afirma lê-los (46%) recorre a títulos locais ou regionais. Depois deles, o periódico mais lido no país é o Extra, seguido pelo Super e pelo Diário Gaúcho. Entre as revistas, a Veja se mantém na primeira colocação, à frente de IstoÉ, Época e Caras.
“Apesar de todo o crescimento da internet, a radiodifusão ainda tem um poder de influência estrondoso”, observa Pedro Ekman, membro do Coletivo Intervozes, durante o lançamento da pesquisa.
Empresas
“Esse país só será democrático quando nos intervalos da programação for informado que as emissoras são concessões públicas, e que as concessões públicas têm começo e fim”, ressalta Laurindo Leal Filho, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), comentando outro dado da pesquisa: cerca de 70% dos brasileiros não sabem que os canais de tevê aberta pertencem ao Estado e 60% acreditam que as emissoras são empresas privadas como “qualquer outro negócio”.
A população tampouco sabe que os meios de comunicação estão concentrados nas mãos de alguns poucos grupos familiares.
“Mais da metade acredita que o número de grupos privados que controla as emissoras é  grande”, diz o estudo, “para 25% é médio e apenas 12% avaliam que é pequeno.” Porém, quando informados de que “a maior parte da mídia no Brasil é controlada por cerca de dez famílias”, 40% dos entrevistados avaliaram que isso é “ruim para o país”. Para 23%, é bom.
“Mesmo que as pessoas não saibam que os canais de tevê são concessões públicas, elas acham que as comunicações precisam de mais regras”, continua Ekman, cujas apreciações encontram eco nas opiniões do presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges.
"Temos que fazer com que as emissoras informem os espectadores que operam concessões públicas. Deveria ser obrigatório”, argumenta. “O governo também deveria dar publicidade à existência da concentração midiática. As pessoas avaliam que as afiliadas da Globo espalhadas pelo país, por exemplo, são empresas à parte. Mas elas retransmitem conteúdo.”
Desafios
Para Altamiro Borges, o nível de desconhecimento sobre concentração midiática e concessões públicas “deixa os filhos do Marinho dormirem sossegados” e apresentam dificuldades para as organizações que lutam pela aprovação de uma lei para democratizar as comunicações do país.
“Mas outros dados podem provocar um baita pesadelo para eles: a população está descontente com a programação. E as pessoas sabem que a mídia defende o interesse dos donos das emissoras e das elites do país, e que os jornalistas não têm autonomia para trabalhar.”
A FPA detectou que 35% dos brasileiros entendem que os meios de comunicação defendem os interesses de seus proprietários; 32%, os interesses dos que têm mais dinheiro; e 21%, dos políticos. Apenas 8% acha que a mídia está a serviço da população.
Quanto à programação, 43% afirmam não se reconhecerem na telinha e 23% sentem que são retratados com negatividade. Mais da metade avalia que a tevê costuma tratar mulheres, negros e nordestinos com desrespeito. E 61% acredita que os empresários têm mais espaço do que os trabalhadores.
Laurindo Leal Filho afirma que a pesquisa será um divisor de águas na discussão política e acadêmica sobre a democratização da comunicação.
“Teremos um antes e um depois desse estudo”, decreta o professor da ECA-USP. “Agora temos dados concretos."
Altamiro Borges avalia que cabe agora aos movimentos sociais encontrar a melhor maneira de se apropriar dessas informações para trabalhar em prol da democratização. “Estamos saindo do achismo.”
Pedro Ekman, do Coletivo Intervozes, complementa: “Essa pesquisa é um instrumento muito importante. Agora a gente começa a ter bases mais sólidas para o debate público.”
Por Tadeu Breda, para a Rede Brasil Atual via FNDC