quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Após protestos, Índia manda abrir inquérito de estupro coletivo em ônibus


O governo indiano ordenou uma investigação após o estupro coletivo de uma estudante de medicina de 23 anos em um ônibus da capital do país, Nova Déli, no dia 16 de dezembro. Violentada por diversos homens e espancada ao lado de um amigo, ela continua internada em estado grave. O minsitro das Finanças, P Chidambaram, anunciou que o juiz aposentado Usha Mehra deverá "identificar as falhas" das autoridades e "determinar as responsabilidades".
A decisão chega após uma série de intensos protestos em Nova Déli, quando milhares de pessoas saíram às ruas para exigir um controle mais rígido na cidade que ficou conhecida como "capital do estupro" devido ao alto número de ocorrências deste tipo.
AP
Polícia indiana tenta conter mulheres que protestam contra estupro coletivo de jovem em ônibus de Nova Délhi
Os médicos que tratam da jovem dizem que seu estado de saúde sofreu leve melhora, embora ela ainda respire com a ajuda de aparelhos. A jovem foi violentada durante uma hora por diversos homens e depois ela e seu amigo foram espancados com barras de ferro e expulsos do ônibus nus. Até o momento seis pessoas foram presas, incluindo o motorista do ônibus em que o crime ocorreu.
Confrontos
As manifestações na capital indiana deixaram ao menos um policial foi morto e mais de cem pessoas ficaram feridas. De acordo com o governo, o objetivo do inquérito é "identificar as falhas, se houver, da parte da polícia, ou autoridade ou indivíduo que tenham contribuído para a ocorrência, e determinar responsabilidades por essas falhas ou atos de negligência". Até agora somente dois policiais foram suspensos em meio aos reflexos do caso.
Interferências
Um juiz tomou um novo depoimento da jovem no hospital na noite de terça-feira após uma controvérsia em torno de sua última conversa com outro magistrado, que reclamou de interferência da polícia durante o interrogatório. O chefe de polícia da capital, Neeraj Kumar, nega qualquer influência sobre o trabalho dos juízes.
A cidade reabriu ruas e estações de metrô que estavam fechadas desde segunda-feira devido aos protestos, e o governo local anuciou medidas para tentar conter a fúria dos manifestantes. Entre elas estão mais patrulhas policiais noturnas, inspeções de motoristas de ônibus e cobradores, e a proibição das cortinas e janelas escurecidas em coletivos.
Os organizadores dos protestos se dizem insatisfeitos com as intenções do governo de aplicar sentenças de prisão perpétua aos acusados, e pedem pela pena de morte.
Impunidade
Somente neste ano, mais de 630 casos de estupro já foram registrados em Nova Déli, conhecida no país como "capital do estupro". De tempos em tempos, casos como este mobilizam a opinião pública e ganham espaço em programas de TV, jornais, revistas, além de virarem tema de protestos e discursos de políticos. Mas pouco depois o nível de atenção é reduzido e o ciclo de violência e impunidade continua, dizem analistas.
E um sistema judiciário ineficiente aliado a uma polícia conivente e negligente não parecem ajudar as vítimas, avaliam analistas. "A violência e os abusos de mulheres são grandes problemas em Déli e no norte da Índia. Uma mentalidade fortemente patriarcal, uma cultura de impunidade entre o poder, um desdém generalizado pela lei, uma força policial em grande parte insensível e uma crescente população de imigrantes sem raízes e ilegais são alguns dos fatores desde cenário. Mas deve haver muitos outros", diz o correspondente da BBC na capital indiana, Soutikl Biswas "Se você for mulher - a não ser que seja muito rica e privilegiada - há mais chances de enfrentar humilhação e indignidade aqui", acrescenta.
Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br

Efeitos da seca podem durar anos na Floresta Amazônica


A Floresta Amazônica pode demorar vários anos para se recuperar dos efeitos de uma grande seca, colocando em risco a sua própria sobrevivência caso esses eventos passem a ocorrer com mais frequência - como preveem alguns modelos de mudanças climáticas para a região nas próximas décadas. O alerta é de um estudo publicado na última edição da revista PNAS, que avaliou, pela primeira vez, os efeitos a longo prazo da grande seca de 2005 na Amazônia.

Agência Brasil
Impactos da estiagem ainda eram perceptíveis na cobertura da floresta quatro anos depois


Segundo os pesquisadores, os impactos da estiagem ainda eram perceptíveis no dossel (cobertura) da floresta quatro anos depois, em 2009, na véspera de uma outra grande seca, em 2010, apesar de um aumento de precipitação no período intermediário. O estudo foi feito por meio de imagens de satélite no espectro de micro-ondas, que permitiram analisar variações nos parâmetros de umidade e biomassa sobre grandes áreas florestais.
Os resultados indicam que a floresta ainda sofria com os efeitos da seca de 2005 (com redução de biomassa e ressecamento do dossel) quando foi atingida pela seca de 2010. Segundo os cientistas, se as estiagens continuarem a acontecer numa frequência de 5 a 10 anos, o efeito cumulativo poderá alterar significativamente e permanentemente a estrutura biológica da floresta.
A pesquisa foi liderada por pesquisadores da Nasa, nos Estados Unidos, em colaboração com os brasileiros Luiz Aragão, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e Liana Anderson, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no interior paulista.
Os dados do estudo vão até 2009, mas os pesquisadores preveem que os efeitos observados se repetiram - e provavelmente se intensificaram - nos últimos anos, desde a seca de 2010, que foi a maior já registrada na Amazônia. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/

Greves impulsionaram movimento sindical em todo o país em 2012


Seguindo a tendência de 2011, o Brasil foi palco de muitas greves que mobilizaram milhares, em diversas partes do país, em uma clara demonstração da força dos trabalhadores públicos e privados. Uma delas marcou o noticiário: a dos servidores públicos federais, que retomaram reivindicações históricas, do governo Fernando Henrique Cardoso. Durante os oito anos de neoliberalismo, 80% do funcionalismo público ficou sem reajuste.



A paralisação de muitos setores do funcionalismo público federal, com destaque para os professores e funcionários das universidades, foi uma oportunidade para discutir a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em abril de 2010, o Senado ratificou a convenção da OIT, de 1978, que estabelece o direito do servidor à negociação coletiva nas esferas municipal, estadual e federal. No entanto, nenhum projeto de lei foi aprovado nesse sentido.

As mobilizações - que começaram em maio e muitas categorias de servidores encerraram o movimento grevista em outubro -, tiveram amplo apoio da sociedade, inclusive das centrais sindicais. Em nota, a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical, a Nova Central e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) declararam apoio à greve do funcionalismo público federal. Dezenas de categorias reivindicaram reajuste salarial, benefícios sociais e econômicos com reestruturação de carreiras e melhorias de condições de trabalho.

“As centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT) apoiam a greve do funcionalismo público federal que reúne dezenas de categorias, por reajuste salarial, benefícios sociais e econômicos. No entender do movimento sindical, é legítimo os trabalhadores paralisarem as atividades para reivindicar melhores condições de vida e de trabalho”, diz um trecho do texto.
Após quatro meses de mobilização intensa, cerca de 1,7 milhão de servidores federais civis e militares começam 2013 com aumentos salariais garantidos com a primeira das três parcelas que a União se comprometeu pagar até 2015. Para a maior parte das categorias, o reajuste total será de 15,8%, sendo 5% ao ano.

Os professores da rede estadual da Bahia também realizaram uma greve extensa, de 115 dias, que deixou 1,1 milhão de alunos sem aula durante 72 dias letivos. Em nota, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC), garantiu que os 200 dias letivos exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases o que foi cumprindo. Há uma programação planejada que prevê aulas até o final de fevereiro e atividades aos sábados.

Antes disso, professores de todo o país cruzaram os braços entre os dias 14 e 16 de março pelo cumprimento da Lei do Piso Nacional do magistério, fixado neste ano em R$ 1.451, pelo MEC, para jornada de 40 horas semanais.

Segurança pública
A reestruturação da carreira, reajuste salarial e melhoria das condições de trabalho também foram as principais reivindicações de policiais. O ano começou com paralisação dos policiais militares da Bahia, em 31 de janeiro, que durou 12 dias. Eles acamparam em frente à Assembleia Legislativa em Salvador e ocuparam o prédio. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. Em março, após acordo com o governo baiano, a Assembleia Legislativa aprovou por unanimidade projeto de lei do Poder Executivo que reajusta os soldos na Polícia Militar em 6,5% retroativo a janeiro e concede a Gratificação de Atividade Policial 4 (GAP-4). Também foi aprovado o reajuste salarial de 6,5% para os servidores do Executivo e Legislativo. Com isso, os ganhos chegarão a 38,89%.

Policias e bombeiros do Rio também cruzaram os braços para reivindicar aumento e melhoria nas condições de trabalho. Posteriormente, a Polícia Federal também aderiu à paralisação dos servidores. No Distrito Federal, a Polícia Civil fez uma greve que durou 81 dias. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) considerou o movimento e ilegal e determinou o reinício imediato das atividades, em novembro. 

Bancários e carteiros
Os bancários realizaram oito dias intensos de paralisação nacional, em setembro. Com isso, a categoria conquistou 7,5% de reajuste, 8,5% para o piso salarial e auxílios-refeição e alimentação; e 10% para a parcela fixa da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Na Bahia e Sergipe, o movimento fechou 923 agências. Só em Sergipe paralisou atividades em 160 unidades. Na Bahia, 763, sendo 453 agências fechadas na base do Sindicato da Bahia; 60 em Conquista; 33 em Feira; 20 em Ilhéus; 30 em Irecê; 22 em Jacobina; 24 em Jequié; 30 em Itabuna; 13 em Camaçari, 55 em Barreiras e 23 em Juazeiro.

Por orientação da CTB, os bancos públicos prolongaram por mais três dias a paralisação e também conquistaram reajuste de 7,5%, entre outros benefícios.

Já os 110 mil carteiros conquistam 6,5% após uma paralisação que durou nove dias.
Também entraram em greve os aeronautas, os trabalhadores da Usina de Belo Monte e do complexo de Suape, bem como do setor de gás.

Balanço Dieese
Em 2011, houve 554 greves em todo o país, número 24% maior que o de 2010 – quando ocorreram 446 paralisações –, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgados nesta quinta-feira (29). Este é o maior número de ocorrências desde 1997, quando foram registradas 631 greves.

Da redação do Vermelho

Após mobilização dos trabalhadores, governo isenta IR de PLR até R$ 6 mil

Após mais de um ano de mobilização dos bancários, metalúrgicos, químicos, petroleiros e eletricitários e de negociação entre as principais centrais sindicais e o governo federal, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a pedido da presidenta Dilma Rousseff, anunciou nesta segunda-feira (24) a isenção de Imposto de Renda (IR) na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para trabalhadores que recebem valores até R$ 6 mil. A partir de R$ 6.000,01, foram criadas escalas de alíquotas, de 7,5% até 27,5%, dependendo do valor recebido.

Para quem ganha entre R$ 6.000,01 e R$ 9 mil, a incidência do IR será 7,5%, de R$ 9.000,01 a R$ 12 mil, será 15%, e de R$ 12.000,01 a R$ 15 mil, será 22,5%. Acima de R$ 15 mil, será 27,5%, segundo a ministra Gleisi.

A mudança da incidência do IR sobre a PLR será feita por medida provisória, que o governo vai publicar na edição desta quarta-feira (26) do Diário Oficial da União. Como a medida está sendo anunciada neste fim de ano, ela já passa a valor a partir de janeiro de 2013 para todas as categorias. 

A isenção de Imposto de Renda sobre a PLR era uma demanda antiga das centrais sindicais. Uma campanha foi lançada no final de 2011. Houve diversas manifestações - em São Paulo, ABC e Brasília - e reuniões com representantes do governo e parlamentares. Um abaixo assinado com mais de 220 mil assinaturas foi entregue ao governo. A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf) encaminhou milhares de adesões recolhidas pelos sindicatos de bancários em todo país.

Na última sexta-feira (21), um ofício assinado pelos presidentes de CUT, Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central e União Geral dos Trabalhadores (UGT) foi enviado à Secretaria-Geral da Presidência da República, informando que as centrais aceitam a proposta do governo, apresentada durante o encontro de Natal da presidenta Dilma com catadores de materiais recicláveis e a população em situação de rua, na quadra dos bancários de São Paulo.

Para Carlos Cordeiro, presidente da Contraf, "a isenção do IR na PLR é uma conquista importante para os trabalhadores nesta véspera de Natal, pois esses recursos irão agora para o bolso do trabalhador, que poderá consumir mais, contribuindo para aquecer a economia, gerar empregos e incentivar o desenvolvimento do país".

"A isenção do IR na PLR é uma grande vitória para os trabalhadores", afirma Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. "Essa isenção representará economia de mais de R$ 1 bilhão. Um montante que vai para o bolso dos trabalhadores. Economia, portanto, que vai aumentar a demanda."

Fonte: Contraf com Seeb SãoPaulo e Agência Brasil

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Centrais aceitam proposta do governo sobre isenções na PLR

As principais centrais sindicais do país e o governo federal encerraram nesta sexta-feira (21) um debate que se estendeu ao longo de todo 2012. Foi fechado em São Paulo o acordo para que a chamada participação nos lucros ou resultados (PLR) esteja isenta de cobrança de Imposto de Renda. Um ofício firmado pelos presidentes das entidades de representação dos trabalhadores já chegou ao gabinete do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Antônio Cruz/ABr
gilberto carvalho O ministro Gilberto de Carvalho negociou com as centrais
O governo propõe a isenção de valor de R$ 6 mil. Os sindicalistas avaliaram que a concretização desse acordo é uma conquista a ser celebrada. “Estamos mandando solicitação para a presidenta Dilma para que faça isenção de R$ 6 mil da maneira que Gilberto Carvalho se comprometeu no 1º de Maio”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas. As centrais esperam pela ratificação do acordo pela presidenta Dilma Rousseff na próxima semana, para que comece a surtir efeito a partir de janeiro.

Um ofício assinado pelos presidentes de CUT, Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central e União Geral dos Trabalhadores (UGT) foi enviado à Secretaria Geral informando que aceitam a proposta do governo, apresentada durante a cerimônia do Natal de Dilma Rousseff com catadores de materiais recicláveis e a população em situação de rua.

O ministro Brizola Neto afirmou que o valor de R$ 6 mil evita que se possa usar a PLR como maquiagem. “A gente tem que ter cuidado com o teto”, disse. “Se eleva muito o teto do desconto, daqui a pouco tem executivo usando o bônus como PLR.”

O presidente da UGT, Ricardo Patah, também considerou positivo que o governo apresente a proposta no final de um ano no qual as centrais se queixaram da distância que o Planalto mantém em relação aos trabalhadores. “De tantos problemas que tivemos, sem votar fim do fator previdenciário e redução da jornada, é melhor resolver algumas questões pontualmente, e aí para 2013, que já temos estratégia traçada, teremos posições firmes em busca das bandeiras que estamos há muito tempo querendo emplacar. Este é um sinalizador de que 2012, pelo menos uma das questões pleiteadas está saindo.”

Para o presidente da CTB, Wagner Gomes, o número é “razoável”, mas ele lamentou a falta de discussão do governo com os representantes das centrais este ano. “Ficamos de negociar, mas ela (a presidenta Dilma Rousseff) nunca mais chamou a gente”, criticou.

O secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, também considerou “aceitável” o valor, que segundo ele abrange 80% dos acordos de PLR. “Demorou um pouco, mas não deixa de ser uma notícia positiva para os trabalhadores. Com certeza, é mais renda no bolso.”


Fonte: Sul21 / Rede Brasil Atual.

Desigualdade e fome assolam 167 mi na América Latina

Reduzir os níveis de desigualdade na distribuição de renda na América Latina e no Caribe, considerados entre os mais altos do mundo, continua sendo um dos maiores desafios da região. É o que diz a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) em seu mais recente estudo sobre a pobreza na região, onde 167 milhões de pessoas vivem em tais condições.
Pobreza América Latina e o Caribe: 167 milhões de pessoas em situação de pobreza em 2012
Na maioria dos países observa-se que um conjunto reduzido da população acumula uma grande proporção de todos os rendimentos gerados, enquanto os mais pobres só chegam a receber uma quantidade mínima.

O relatório da Cepal, intitulado Panorama Social da América Latina 2012, detalha que os 10% mais ricos da população latino-americana recebem 32% dos rendimentos totais, enquanto os 40% mais pobres se beneficiam só de 15%.

Segundo as estatísticas disponíveis sobre 17 países, Venezuela e Uruguai são as nações da região onde a desigualdade é menor.

A secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, afirmou que a Venezuela fez enormes esforços para reduzir a desigualdade e citou como exemplo os subsídios aos alimentos para a população de menores rendimentos.

A servidora pública também observou que no país existem programas muito específicos, educacionais e de saúde, "e o mais importante, que são os rendimentos trabalhistas". Tanto na Venezuela como no Uruguai, foi realizado um esforço para transferir benefícios para as populações
mais vulneráveis.

Brasil está entre os mais desiguais

Os níveis relativamente altos de concentração do rendimento observaram-se no Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, Honduras, Paraguai e República Dominicana, países em que as percentagens se aproximam aos 40% para os mais ricos e de 11 a 15% para os mais pobres.

No entanto, para a Cepal, a manutenção desses altos índices de desigualdade não deveria obscurecer o fato de que nos últimos anos se conseguiram avanços neste campo.

O balanço em relação ao início da década de 2000 mostrou uma clara tendência à redução da concentração do rendimento, dinâmica que tem-se diferenciado do processo de desenvolvimento da região no último decênio e que representa uma mudança na tendência imperante nas décadas de 1980 e 1990 do século passado.

Dos 17 países analisados, em nove o coeficiente de Gini (medida da desigualdade) reduziu-se a um ritmo de ao menos 1%. As quedas mais significativas registraram-se na Argentina, Bolívia, Nicarágua e Venezuela, todos com taxas anuais de redução do Gini superiores a 2%.

Investimentos

Os gastos sociais, como percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) na América Latina e no Caribe atingem 18,6%. Nos anos 1990 era de 11,2%.

Em relação à despesa pública, também esses orçamentos têm aumentado, embora na realidade nos últimos tempos se observe um nivelamento nos gráficos, o que indica que não há uma disparada, mas também não há retrocesso.

167 mi na pobreza

A verdade é que a América Latina e o Caribe terminarão 2012 com 167 milhões de pessoas em situação de pobreza, um milhão a menos que no ano passado. O número de cidadãos em extrema pobreza se manterá estável neste ano, com 66 milhões.

A tabela de populações em situação de pobreza e indigência é encabeçada pelo Paraguai (49,6%), República Dominicana (42,2%) e Colômbia (34,2%). Nessas nações também se registram os números mais vermelhos quanto à indigência.

Relatório da FAO

Outra radiografia do subcontinente foi oferecida em dias recentes pelo escritório regional da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), ao destacar que, apesar do crescimento de várias economias, 49 milhões de cidadãos na América Latina e no Caribe são vítimas da fome.

Em seu estudo de 2012 sobre o panorama da segurança alimentar e nutricional na região, a FAO precisa que nos últimos 20 anos, 19 milhões de pessoas conseguiram sair dessa condição.

Mas realmente, o crescimento que tiveram as economias nacionais não se traduziu em uma diminuição correspondente da vulnerabilidade a que está exposta uma parte importante da população da área, assinala a investigação

De acordo com o Oficial Principal de Políticas do Escritório Regional da FAO, Adoniram Sánches, mesmo sendo a América Latina e o Caribe as regiões onde mais se avançou na redução da fome a nível mundial, nos últimos anos a tendência de redução desacelerou, o que resulta das crises econômicas.

Em sua opinião, a erradicação da fome deve ser a principal prioridade regional, já que é uma precondição absoluta para o desenvolvimento e o bem-estar dos povos.

Cerca de 8% da população do subcontinente não ingere as calorias diárias necessárias para levar uma vida saudável. A fome a nível regional diminuiu continuamente, mas de 2007 a 2009, e de 2010 a 2012, só um milhão de pessoas deixaram de padecer a falta de alimentos.

Nove dos 33 países contam com uma taxa de prevalência de fome inferior a 5%, entre eles Cuba, Venezuela, Argentina, México, Uruguai e Chile. Em 16 nações da área, a taxa é superior a 10%.
Entre os países mais afetados pela a fome na América Latina e no Caribe encontram-se Haiti (com prevalência de 44,5%), Guatemala (30,4%) e Paraguai (25,5%).

Uma análise realizada pela Cepal de 1997 a 2010 determinou que enquanto são maiores os males que afetam às populações, entre eles a desigualdade, também é maior a percepção da cidadania sobre esses desequilíbrios, e portanto o crescimento da consciência social.

Resultado disso é, entre outros sintomas, o aumento da desconfiança nas instituições, especialmente nos poderes legislativo e judicial, e nos partidos políticos.

Fonte: Prensa Latina

George Monbiot: O custo oculto dos presentes de natal

Não há nada de que precisem, nada que já não possuam, nada até que eles queiram. Então você compra para eles uma rainha acenando, movida a energia solar; uma escova para o umbigo, um suporte prateado de sorvete para a banheira; um “hilário” andador inflável; um produto de plástico com funções eletrônicas chamada Terry, a tartaruga que xinga; ou – e de alguma forma eu acho isso relevante – um mapa-mundi de parede para eliminar os países já visitados.

Por George Monbiot*

Eles parecem divertidos no primeiro dia de Natal, idiotas no segundo e vergonhosos no terceiro. Até o décimo segundo eles estão no aterro. Por trinta segundos de entretenimento duvidoso, ou um estímulo hedonista que não dura mais do que um trago de nicotina, comissionamos o uso de materiais cujos impactos vão ser sentidos por gerações.

Fazendo pesquisa para seu filme “A História das Coisas”, Annie Leonard descobriu que dos materiais que circulam na economia de consumo, apenas 1% permanece em uso seis meses após a venda. Mesmo os bens que poderíamos ter esperado manter, logo são condenados à destruição, seja por obsolescência programada (quebrando rapidamente) ou obsolescência percebida (se tornando fora de moda).

Mas muitos dos produtos que compramos, especialmente para o Natal, não podem se tornar obsoletos. O termo implica uma perda de utilidade, mas eles não tinham utilidade desde o início. Uma camisa eletrônica que simula sons de bateria, um cofrinho falante do Darth Vader; uma capa de iPhone em forma de orelha, uma latinha que resfria embalagens individuais de cerveja, um decantador de vinho eletrônico, uma chave de fenda sônica que também é controle remoto; creme dental de bacon; um cão dançante: não se espera que ninguém os use ou mesmo olhe para eles após o dia de Natal. Eles são projetados para provocar agradecimentos, talvez um risinho ou dois, e depois serem jogados fora.


Por James Provost, via Flickr (Creative Commons)

A fatuidade dos produtos é acompanhada pela profundidade dos impactos. Materiais raros, eletrônicos complexos, a energia necessária para a fabricação e transporte é extraída e refinada e combinada em compostos de inutilidade total. Quando você leva em conta os combustíveis fósseis cujo uso comissionamos em outros países, a fabricação e o consumo são responsáveis por mais da metade de nossa produção de dióxido de carbono. Estamos ferrando o planeta para fazer termômetros de banho movidos a energia solar e enfeites de mesa de bonequinhos golfistas.

As pessoas no leste do Congo são massacradas para facilitar atualizações de smartphones de utilidade marginal sempre decrescente. Florestas são derrubadas para fazer “tábuas de queijo personalizadas em forma de coração”. Rios são envenenados para a produção de peixes falantes. Este é o consumo patológico: uma loucura coletiva epidêmica que consome o mundo, tornada tão normal pela publicidade e pelos meios de comunicação que mal percebemos o que aconteceu conosco.

Em 2007, segundo o jornalista Adam Welz registra, 13 rinocerontes foram mortos por caçadores ilegais na África do Sul. Este ano, até agora, 585 rinocerontes foram baleados. Ninguém está inteiramente certo por quê. Mas uma resposta é que pessoas muito ricas no Vietnã estão agora espalhando chifres de rinocerontes em sua comida ou cheirando-os como se fossem cocaína, para exibir sua riqueza. É grotesco, mas pouco difere do que quase todos nos países industrializados estão fazendo: destruindo o mundo vivo através do consumo inútil.

Esse boom não aconteceu por acidente. Nossas vidas foram encurraladas e moldadas a fim de incentivá-lo. As regras do comércio mundial forçam os países a participar do festival de lixo. Governos cortam impostos, desregulam negócios e manipulam as taxas de juros para estimular o consumo. Mas raramente os engenheiros dessas políticas param e perguntam “gastar em quê?”.

Quando cada desejo e necessidade concebíveis forem cumpridos (entre aqueles que têm dinheiro disponível), o crescimento depende da venda daquilo que é totalmente inútil. A solenidade do Estado, o seu poder e majestade, são aproveitados para a tarefa de entregar Terry, a tartaruga que xinga, em nossas portas.

Homens e mulheres adultos dedicam suas vidas à fabricação e comercialização deste lixo, e sacaneiam a ideia de viver sem ela. “Eu sempre tricoto os meus presentes”, diz uma mulher em um anúncio de televisão para uma loja de eletrônicos. “Bem, você não deveria”, responde o narrador. Um anúncio para o mais recente tablet do Google mostra pai e filho acampando na floresta. Sua fruição depende das características especiais do Nexus 7. As melhores coisas da vida são de graça, mas nós encontramos uma maneira de vendê-las para você.

O crescimento da desigualdade que tem acompanhado o boom de consumo garante que a maré econômica ascendente não levante todos os barcos. Nos EUA, em 2010, notáveis 93% do crescimento nos rendimentos foram acumulados para o 1% mais rico da população. A velha desculpa, que temos que destruir o planeta para ajudar os pobres, simplesmente não cola. Para algumas décadas a mais de enriquecimento para aqueles que já possuem mais dinheiro do que sabem como gastar, as perspectivas de todos os outros que viverão nesta terra são diminuídas.

Quando o mundo enlouquece, aqueles que resistem são denunciados como loucos. Asse um bolo, escreva um poema, dê um beijo, conte uma piada, mas pelo amor de Deus, pare de destruir o planeta para dizer a alguém que você se importa. Tudo o que você mostra é que não se importa.

* George Monbiot é jornalista, escritor, acadêmico e ambientalista do Reino Unido. Texto traduzido de sua página oficial www.monbiot.com