quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Cliente de banco deve ter cuidado com empréstimos


Quando a situação aperta e o banco oferece uma ajudinha fácil e rápida, muitos brasileiros aceitam de imediato. Mas, toda facilidade tem o seu preço e quando se trata de crédito bancário pode sair muito caro. 

De acordo com estudo da Proteste, os juros e taxas sobem conforme o grau de facilidade do empréstimo. No caso dos créditos pessoais, que caem direto na conta depois de alguns cliques, os valores finais podem ser bem mais altos do que os praticados nos acordados na mesa do gerente.

A tomada de crédito direto nos caixas eletrônicos é facilitada já que o cliente não precisa “encarar” o gerente, explicar para que precisa do dinheiro e nem ter nenhum desgaste no caso de uma negação, mas em compensação, pode ser utilizado num impulso, sem planejamento prévio. 

Por isso, no caso de ter uma dívida com um dos bancos, o cliente pode fazer a portabilidade do débito e negociar com a instituição financeira que oferecer melhores condições para o pagamento. 

Fonte: O Bancário

Obama é reeleito nos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai governar o país por mais quatro anos. Ele foi reeleito nesta terça (6) com 303 votos dos 538 nos principais colégios eleitorais. Nos dez estados apontados como decisivos, o republicano Mitt Romney ganhou apenas na Carolina do Norte. Com os lemas de campanha "Four More Years!" (Mais Quatro Anos!) e “Forward” (Adiante), Obama venceu uma disputa apertada em uma campanha política considerada a mais cara dos Estados Unidos.

Passava um pouco das 2h da madrugada quando as redes de televisão projetavam a vitória do democrata, superando os 270 votos necessários no Colégio Eleitoral. Ao saber do resultado das eleições, embora sem a conclusão de alguns estados, Obama fez um discurso de 25 minutos, mais uma vez apelando ao tema da esperança. Ele prometeu que o próximo mandato será mais bem-sucedido que o atual, no qual não conseguiu levar adiante a maioria de sues compromissos de campanha

“Nós sabemos, nos nossos corações, que para os Estados Unidos o melhor ainda está por vir”, disse Obama, que discursou no Centro de Convenções McCormick Place, em Chicago, Illinois. Para uma multidão, o presidente reeleito cumprimentou Romney pela “árdua campanha” e disse que quer "trabalhar com líderes dos dois partidos", pois há muito trabalho a fazer. Segundo Obama, sua meta é “fazer avançar o país”. Acompanhado pela mulher Michelle e pelas filhas Malia e Sasha, ele elogiou a família.

“[Reeleito, estou] mais determinado e mais inspirado do que nunca”, disse, acrescentando que “nunca esteve tão esperançoso em relação à América. E peço a vocês que sustentem essa esperança”. Ele citou como desafios a reforma do sistema de imigração, a redução do déficit e as mudanças no Código Tributário.

No final do discurso, Obama recebeu no palco, ao lado da família, o vice-presidente reeleito, Joe Biden, e vários integrantes de sua equipe de campanha.  Romney telefonou para o presidente reeleito parabenizando-o pela vitória. "Demos tudo nesta campanha", disse o republicano, agradecendo o apoio que recebeu. "A eleição acabou, mas os nossos princípios se mantêm", disse.

O candidato derrotado afirmou que deseja felicidades ao presidente reeleito e que rezará pelo seu sucesso, "em um tempo de grandes desafios para a América".

Pouco depois de uma projeção da CNN, que já apontava Obama como reeleito, partidários do presidente receberam um email de agradecimento. "Isso aconteceu por causa de vocês", dizia a mensagem assinada por Obama. No Facebook, a equipe do líder publicou uma foto dele abraçando a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, com a frase: "Mais quatro anos".

Obama venceu defendendo ao eleitor que merecia mais quatro anos na Casa Branca para terminar o trabalho iniciado em 2009, após conquistar seu primeiro mandato nas eleições de 2008 com uma campanha que mobilizou os EUA e o mundo com o lema de esperança e mudança. Mais do que disputar os 230 milhões de americanos aptos a votar, os dois candidatos travaram na terça-feira uma batalha acirrada por nove swing states (Estados pêndulo), que eram cruciais pelo fato de as pesquisas de intenção de voto indicarem que não tinham um resultado definido.

Indireta, a eleição americana não é decidida pela votação popular nacional, mas por disputas Estado a Estado e seus respectivos votos no Colégio Eleitoral .

Parlamento

As principais previsões sobre os resultados das eleições nos Estados Unidos indicam que o Senado norte-americano terá a maioria de integrantes do Partido Democrata, do presidente reeleito Barack Obama. Porém, a Câmara dos Representantes deverá ficar sob o comando da maioria do Partido Republicano, que faz oposição a Obama.

Um terço dos 100 lugares do Senado estava em disputa nas eleições de ontem (6) e as projeções apontam para 23 nomes como vitoriosos do Partido Democrata e dez para o Partido Republicano.

As previsões mostram ainda que os republicanos devem manter o controle sobre os 435 lugares da Câmara dos Representantes. Na prática, as eleições encerradas ontem (6) nos Estados Unidos não mudam o cenário do Parlamento, conservando o formato anterior: o Senado com os democratas e a Câmara com os republicanos.

Líderes

Após o resultado da disputa presidencial, líderes políticos mundiais parabenizaram Obama pela reeleição. A maioria dos cumprimentos ocorreu em telefonemas e mensagens na internet, por meio da rede social Twitter. Houve também comunicados oficiais na imprensa. A União Europeia divulgou nota parabenizando Obama e dizendo que norte-americanos e europeus trabalharão juntos na busca por soluções para os desafios globais.

A nota foi assinada pelos presidentes da União Europeia, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. O texto menciona a necessidade de a Europa e os Estados Unidos "reforçarem suas relações bilaterais" e "enfrentarem juntos os desafios globais".

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, também enviou mensagem a Obama por intermédio de nota oficial. No texto, Ki-moon diz que os esforços conjuntos devem ser para "acabar com o derramamento de sangue na Síria, voltar a por no caminho o processo de paz no Oriente Médio, promover o desenvolvimento sustentável e fazer face aos desafios colocados pelas alterações climáticas".

O presidente da China, Hu Jintao, e o primeiro-ministro do país, Wen Jiabao, enviaram nesta quarta (7) mensagem conjunta de felicitações a Obama. “Em uma nova era histórica, desejo que as nossas relações bilaterais, baseadas em uma cooperação construtiva, entrem em nova fase”, diz o texto. “[Nos quatro anos do primeiro mandato de Obama] graças aos esforços comuns das duas partes, as relações China-Estados Unidos registraram progressos significativos.”

O governo de Israel, um dos principais parceiros estratégicos dos Estados Unidos, também encaminhou nota de felicitações. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que as relações entre os dois países estão mais fortes do que nunca.

Por intermédio do Twitter, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, chamou Obama de “amigo” e desejou felicidade para os próximos quatro anos. “Calorosas felicitações para o meu amigo @BarackObama”, escreveu Cameron, que hoje (7) visita um campo de refugiados sírios no Norte da Jordânia.

O presidente da França, François Hollande, também parabenizou Obama. "É um momento importante para os Estados Unidos, mas também para o mundo", disse Hollande em comunicado. "A reeleição é escolha clara em favor de uma América aberta, solidária e plenamente empenhada na cena internacional e consciente dos desafios do planeta: a paz, a economia e o ambiente", disse.

Com agências

Imperialismo: Britânicos só não invadiram 22 países

O imperialismo britânicos invadiu de forma direta todos os países do mundo, com exceção de 22 Estados, ao longo da História, indica uma pesquisa acadêmica divulgada recentemente. No total, os britânicos invadiram em diversos momentos quase 90% de todos os países do mundo.

A análise integra o livro All the Countries We've Ever Invaded: And the Few We Never Got Round To, da autoria de Stuart Laycock.

O autor investigou todos os países, por ordem alfabética, analisando a sua história para determinar se, em qualquer altura, sofreram uma invasão militar do Reino Unido.

Para além dos países que integraram o Império britânico, a lista inclui todos os países em que foi estabelecida uma presença militar britânica, quer pela força, pela ameaça ou por negociação.

A lista contabiliza também os territórios que sofreram incursões de piratas britânicos ou exploradores armados, desde que tenham agido com a aprovação do governo.

No total, o investigador analisou os 192 membros das Nações Unidas bem como o Vaticano e o Kossovo, reconhecidos por Londres como Estados independentes.

Fora da presença de tropas do reino Unido ficaram apenas Andorra, Belarus, Bolívia, Burundi, República Centro Africana, Tchade, República do Congo, Guatemala, Costa do Marfim, Quirguistão, Liechtenstein, Luxemburgo, Mali, Ilhas Marshall, Mônaco, Mongólia, Paraguai, São Tomé e Príncipe, Suécia, Tadjiquistão, Uzbequistão e Vaticano.

Com informações da Voz da Rússia

Danos causados pelo bloqueio a Cuba superam US$ 3 bilhões em 2011

A missão permanente de Cuba nas Nações Unidas denunciou os danos ocasionados à economia do país pelo bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha. Apenas em 2011, esses prejuízos chegaram a US$ 3.553.602.645, o que representa um aumento de 15% sobre o registrado no ano anterior, como explicou a diplomacia cubana em um comunicado divulgado nesta terça-feira (6).

"Os prejuízos econômicos calculados a preços correntes superam os US$ 100 bilhões e esse bloqueio é a principal causa dos problemas econômicos de nosso país", afirmou o chanceler Bruno Rodríguez durante apresentação à imprensa, em videoconferência com Nova York, em setembro.

Na semana que vem, a Assembleia Geral considerará, pelo 21º ano consecutivo, um projeto de resolução apresentado por Cuba e que exige o fim do assédio estadunidense.

Durante o recente debate anual de alto nível da Assembleia Geral da ONU, representantes de 45 países exigiram explicitamente o levantamento do bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba.

O Brasil é altamente solidário à causa. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o país “manifestou seu respaldo a Cuba em sua luta contra o bloqueio econômico-comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos”.

O "bloqueio" imposto em fevereiro de 1962 e condenado esmagadoramente a cada ano pela Assembleia Geral da ONU traz "um prejuízo humano incalculável, pois provoca sofrimentos, carências, dificuldades, que atingem cada família cubana", assinalou Rodríguez durante a videoconferência em Nova York.

Impacto na economia

As perdas somente com a compra de alimentos dos Estados Unidos superarão os US$ 105 milhões, como informa o comunicado.

A área esportiva também foi impactada. Várias das equipes esportivas de alto rendimento de Cuba nos últimos Jogos Olímpicos tiveram que prescindir de alguns implementos especializados produzidos por empresas estadunidenses. Em outros casos, o país foi obrigado a recorrer a mercados distantes e adquiri-los a preços muito mais altos.

O impacto negativo do bloqueio estadunidense também prejudicou em US$ 2,3 bilhões o setor do turismo da ilha devido às restrições impostas aos viajantes estadunidenses.

No geral, o montante dos prejuízos com a impossibilidade de utilizar dólar estadunidense nas transações externas de Cuba aumentou 57% em 2011.

Da mesma forma, cresceram os danos resultantes de fundos retidos, ruptura de contratos e litígios, entre outras causas, como aponta o texto distribuído pela representação cubana na ONU.

Esse cerco ocasionou um dano econômico crescente, até dezembro de 2011, a US$ 1,66 trilhão, considerando a depreciação do dólar frente ao ouro no mercado internacional.

Da Redação do Vermelho,
com agências

Os 95 anos da Revolução Soviética


Por Antonio Capistrano*


Neste ano, no dia 7 de novembro, comemoramos os 95 anos da Revolução Soviética de 1917. Fato histórico comparável a outro importante acontecimento da história da humanidade, a Revolução Francesa de 1789. Duas revoluções que transformaram o mundo.


Lenin

Hoje, mais do que nunca, se faz necessária uma profunda reflexão sobre a importância da Revolução Soviética para o mundo contemporâneo.

Em novembro de 1987, na época eu era reitor da UERN, fui convidado e participei de uma confraternização comemorativa aos 70 anos de Revolução de 1917. Confraternização realizada na embaixada da União Soviética em Brasília. Como historiador, comunista e admirador da Revolução Russa de 1917, estar presente na festa dos seus 70 anos, ainda mais na embaixada Soviética, foi um momento mágico para mim. Naquela época já dava os primeiros passos a “famosa” Perestroika comandada por Mikhail Gorbatchev. Era o início do fim da União das Repúblicas Socialista Soviética, como também, o fim dos regimes socialistas do Leste Europeu, momento de incerteza do movimento comunista internacional.

Durante a década de 1990, no auge do neoliberalismo, houve um massacre midiático contra as ideias marxistas, ideário que fundamentou a Revolução de 1917 e transformou a velha Rússia semifeudal no primeiro Estado Socialista do mundo contemporâneo e em uma das grandes potências econômica e militar do planeta.

Com o fim da Rússia Soviética, os ideólogos do mundo capitalista chegaram a preconizar o fim da história, como se isso fosse possível. Segundo eles era a derrocada do marxismo e o triunfo definitivo do neoliberalismo. Aqui no Brasil, no meio acadêmico e intelectual, falar ou defender o marxismo e a Revolução Soviética passou a ser coisa de dinossauro, de gente ultrapassada. Era o consenso midiático impondo os interesses de uma velha ordem que sempre desejou se eternizar como única via econômica e política para todos os países, tendo o neoliberalismo como teoria vitoriosa para sempre. Ledo engano.

Com o fracasso do neoliberalismo e a crise permanente do sistema capitalista mundial, tendo como consequências o desemprego e a perda de conquistas históricas da classe trabalhadora, inclusive nos países desenvolvidos, o marxismo e a Revolução Soviética voltam a ser uma referência nos debates sobre os rumos que a humanidade deve tomar na busca de um mundo econômico e socialmente justo.

Com o aprofundamento da crise europeia e os sobressaltos do capitalismo norte-americano, como também a nova conjuntura política da América Latina, se faz necessária uma reflexão profunda sobre o mundo contemporâneo e os benefícios do marxismo para a humanidade.

A experiência soviética não pode ser esquecida. As conquistas econômicas e sociais trazidas pela Revolução de 1917 voltam a ser relembradas como modelo de transformações sociais e culturais de interesse da classe operária e campesina, em fim, de toda coletividade.

Portando, é importante que os partidos políticos de esquerda, as universidades, os sindicatos da classe trabalhadora, as organizações populares, enfim todos os que têm compromisso com a coletividade e com a convivência pacífica entre as nações, realizem debates, palestras, conferências com o objetivo de resgatar os pontos positivos da Revolução Soviética de 1917 e do marxismo para a humanidade.

Reproduzo um pequeno comentário que li em uma matéria sobre os preparativos de um ciclo de debates que o Jornal Brasil de Fato realiza sobre os 95 anos da Revolução de 1917, comentário no qual o missivista diz: “Parabéns pela iniciativa! Estamos todos, a cada dia mais necessitados de debates que nos ajudem a compreender algumas das profundas transformações (e esperanças) que foram massacradas na última década do século passado e que precisam ser reapropriadas, reinventadas, refundadas nestes novos tempos de profundas desgraças, mas, também, de largas e belas possibilidades”. O sonho de um mundo socialista não morreu.

 
*Antonio Capistrano – foi reitor da Uern é filiado ao PCdoB

Projeto de Lei prejudicial a categoria bancária deve ser arquivado


Diante da eminência da votação do Projeto de Lei 2530-2011, que ameaça o direito de greve da categoria bancária, a Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb) enviou ofício ao deputado federal Assis Melo (PCdoB-RS), agradecendo o pedido de vistas, que acabou adiando a votação, e solicitando empenho da bancada da oposição para que seja arquivado ou retirado da pauta.
O ofício foi enviado com cópia para os deputados do PCdoB, PT, PSB e PDT que participam da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. Para o presidente da Feeb, Emanoel Souza, é preciso dialogar com eles para, ao menos, suspender a votação temporariamente, a fim de dar espaço às entidades sindicais, para que possam demonstrar que o PL representa um retrocesso nas questões trabalhistas.
“Querer enquadrar os bancários como serviço essencial e lhes restringir o direito de greve é destruir um modelo sofisticado de relação trabalhista, construído ao longo de décadas. A aprovação do PL é um retrocesso. Por isso, contamos com a intervenção dos parlamentares comprometidos com os avanços sociais, no sentido de rejeitar tal ataque à categoria bancária”, acrescenta o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Euclides Fagundes.
O documento sugere ainda a realização de audiência pública para a sociedade discutir o assunto. Foi destacada ainda a existência de canais alternativos para a realização de transações, como casas lotéricas, Correios, terminais eletrônicos, internet, entre outros. Além disso, a carta ressalta o risco do incentivo aos idosos sacarem a aposentadoria na “boca do caixa”, como costumam fazer, devido ao crescimento das ocorrências de saidinhas bancárias.

Fonte: O Bancário

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Povo Guarani-kaiowá repudia reportagem da Veja


Lideranças da comunidade indígena Guarani-kaiowá emitiram, na segunda-feira (5), uma nota de repúdio à reportagem publicada na revista Veja sobre a situação dos indígenas no Mato Grosso do Sul. Para eles, a matéria assinada por Leonardo Coutinho é racista e discriminatória.


“Fica evidente que o jornalista Leonardo Coutinho não procura compreender e divulgar a realidade dos Guarani e Kaiowá, faltando com a verdade total consigo mesmo, ou melhor, se desrespeitando e mentindo para todos cidadãos do Brasil”, escreveram as lideranças.

A revista, publicada na sexta-feira (2), teria argumento que ONGs e antropólogos manipulam a luta dos indígenas pela retomada de suas terras. O texto exalta a produtividade do agronegócio no MS e diz, de forma irônica, que índios ameaçam tomar todo o território brasileiro.

“A revista Veja, como sempre, não perdeu a oportunidade de apresentar a imagem dos Guarani e Kaiowá como seres incapazes, como se nós indígenas não fossemos seres humanos pensantes, fomos considerados como selvagens e truculentos”, afirmam os indígenas em nota.

Os Guarani-kaiowá aproveitaram a carta para agradecer aos cidadãos brasileiros que demonstraram apoio a sua causa através das redes sociais.

Confira a carta na íntegra aqui: 

Nota de repúdio da Aty Guasu frente à divulgação de Guarani e Kaiowá na revista 

Esta nota das lideranças de Aty Guasu Guarani e Kaiowá visa destacar a importância das manifestações públicas conscientes de cidadão (ã) do Brasil em defesa da vida Guarani e Kaiowá.

Além disso, pretendemos repudiar reiteradamente a divulgação e posição racista e discriminante de jornalista Leonardo Coutinho da REVISTA VEJA.

Observamos que na última semana, a REVISTA VEJA divulgou os temas: “VISÃO MEDIEVAL DE ANTROPÓLOGOS DEIXA ÍNDIOS NA PENÚRIA” E “NAÇÃO” GUARANI. Autor-jornalista é o Leonardo Coutinho.

A princípio, nós lideranças Guarani e Kaiowá entendemos que os cidadãos (ãs) brasileiros (as) merecem respeito, em geral, esperam de um jornalismo democrático um resultado da investigação justa e séria dos fatos para divulgá-los com ética e responsabilidade, demonstrando fielmente versões das partes envolvidas de modo a que a opinião pública possa construir conhecimento isento a respeito do tema divulgado, não é o que se constata na REVISTA VEJA diante da situação do Guarani e Kaiowá em foco.

Em primeiro lugar, constatamos que na divulgação mencionada de REVISTA VEJA há manifestação de racismo, preconceito e discriminação. Assim, fica evidente que o jornalista Leonardo Coutinho é racista, ele não procura compreender e divulgar a realidade dos Guarani e Kaiowá, faltando com a verdade total consigo mesmo, ou melhor, se desrespeitando e mentindo para todos (as) cidadãos (ãs) do Brasil. Visto que esse jornalista racista da REVISTA VEJA nem se preocupa em fazer o trabalho de jornalista a partir de uma aproximação minimamente científica, mas ele fez e divulgou o tema Guarani e Kaiowá de modo distorcida a partir de corpus de informações sem fundamento, meramente embasado em senso comum e sem valores científicos.

No contexto atual, é importante se observar que diante da manifestação contínua dos cidadãos (ãs) do Brasil em favor da demarcação e devolução de territórios tradicionais aos Guarani e Kaiowá, a imprensa REVISTA VEJA, como sempre, não perdeu a oportunidade de apresentar, mais uma vez, a imagem dos Guarani e Kaiowá como seres incapazes, como nós indígenas não fossemos seres humanos pensantes, fomos considerados como selvagens e truculentos; assim, nesta manchete da REVISTA VEJA há, antes de tudo, incitação ao preconceito, a discriminação e ao ódio o que acaba por colocar em risco total toda a população Guarani e Kaiowá, alimentando violências, racismo, discriminação e estigmas sobre os Guarani e Kaiowá, por isso, nós lideranças da Aty Guasu pedimos as autoridades competentes para realizar uma investigação rigorosa e punição cabível ao autor, Leonardo Coutinho que foi responsável pela divulgação de imagem negativa Guarani e Kaiowá na REVISTA VEJA.

Diante dessa divulgação infundada da REVISTA VEJA a respeito de luta Guarani e Kaiowá, nós lideranças indígenas não acreditamos que a maioria dos cidadãos (ãs) do Mato Grosso do Sul e do Brasil tenha conhecimento sobre Guarani e Kaiowá somente a partir do senso comum a distância, porém compreendemos que todos (as) brasileiros (as) manifestantes são educados e adquirem os seus conhecimentos sobre a situação atual Guarani e Kaiowá a partir de observações diretas da realidade do grupo social que por isso têm fundamentos para refletir e se manifestar como cidadão (ã). De fato, é isso que está ocorrendo no último mês no Brasil, cidadãos (ãs) conscientes se manifestaram e ainda se manifestam, através das redes sociais e em espaços públicos, em favor da vida dos Guarani e Kaiowá, exigindo as efetivações de direitos humanos e indígenas. Porém, o jornalista Leonardo da REVISTA VEJA considera que esses cidadãos (ãs) manifestantes seriam ignorantes e não conheceriam as situações dos Guarani e Kaiowá, os tachando de ignorantes aos cidadãos (ãs) em manifestação. Em nosso entendimento, como indígenas Guarani e Kaiowá, consideramos sim que esses cidadãos (ãs) manifestantes de várias federações do Brasil conhecem muito bem a nossa história e nossa situação atual, por essa razão ampla se manifestam em favor de nossa vida para garantir a nossa sobrevivência. Enquanto o Leonardo Coutinho da REVISTA VEJA tenta colocar os Guarani e Kaiowá em risco total além de ignorar os conhecimentos dos cidadãos (ãs) manifestantes.

Queremos deixar evidentes que nós lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá de modo autônomos e conscientes vimos lutando pela recuperação de nossos territórios antigos, essa luta pelas terras tradicionais é exclusivamente nossa, nós somos protagonistas e autores da luta pelas terras indígenas, nós envolvemos os agentes dos órgãos do Estado Brasileiro, os agentes das ONGs e todos os cidadãos (ãs) do Brasil e de outros países do Mundo.

Finalizando, nós lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá de modo conscientes vamos lutar sem parar pela recuperação de nossas terras antigas, juntamente com cidadãos (ãs) manifestantes do Brasil em destaque, continuremos a lutar contra GENOCÍDIO Guarani e Kaiowá e iremos insistir na necessidade premente do Estado brasileiro se envolver profundamente com o nosso problema Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Sabemos que Governo do Brasil tem seu dever Constitucional assumir e decidir com firmeza e rigor uma dinâmica eficaz para fazer respeitar Direitos Humanos e Indígenas no Mato Grosso do Sul. Entendemos perfeitamente que é dever do Estado brasileiro viabilizar recursos financeiros e humanos, refletir e planejar estratégias que culminem em soluções efetivas aos problemas fundiários dos Guarani e Kaiowá aqui focada. Diferentemente da REVISTA VEJA, temos grande esperança e entendemos que os apoios de manifestantes dos cidadãos (ãs) do Brasil deverão contribuir, no tempo, para melhorar a qualidade de vida dessa grande parcela do nosso povo Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul.

Por fim, prestamos o nosso imenso agradecimento a todos (as) cidadãos (ãs) manifestantes pela compreensão e atenção merecida. A nossa luta continua contra GENOCÍDIO.


Atenciosamente,

Tekoha Guasu Guarani e Kaiowá, 04 de novembro de 2012

Lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá-MS


Fonte: Sul 21 via Vermelho