quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

“Mercantilização” do ensino avança no Congresso Nacional


Foto: Mídia Ninja
  
Com votação concluída na Câmara dos Deputados, a Medida Provisória (MP 746/16) aprofunda desigualdades educacionais no país, em especial, as raciais, de renda, regionais e entre o campo e a cidade. Essa é a avaliação da Bancada do PCdoB.

Foram aprovadas em Plenário, ainda, as medidas de segmentação do ensino por áreas do conhecimento; a implementação do ensino integral com apoio financeiro da União ao setor público. Esta última não traz a especificação da fonte de financiamento e o formato de incentivo.

A possibilidade de convênio e parcerias com entidades privadas nacionais ou estrangeiras também foi mantida no texto, abrindo caminho para a mercantilização da educação. Essa proposta foi criticada pela deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).

“É aqui que estão legislando para estimular parcerias público-privadas com organizações estrangeiras para o ensino à distância no Ensino Médio. Hoje, aniversário do AI-5, o governo está reformando o Ensino Médio para uma visão autoritária, atrasada, tecnicista e privatizante. Só com a saída de Temer podemos resgatar os absurdos cometidos pelo golpe”, afirmou.

De acordo com a parlamentar baiana, o Ensino Médio regular possui natureza presencial e pode inclusive ter uma articulação com novas tecnologias e com plataformas diferenciadas. “Não podemos abrir mão da natureza curricular unificada no território nacional, sob risco de termos escolas de primeira, de segunda ou até de quinta categoria”, alertou Alice Portugal.

No projeto de lei de conversão do senador Pedro Chaves (PSC-MS), o currículo do Ensino Médio será composto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pela formação em áreas do conhecimento: linguagem e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas; e formação técnica e profissional. Cada sistema de ensino organizará essas áreas e as respectivas competências e habilidades esperadas do aluno segundo seus próprios critérios. Poderá haver uma integração de componentes curriculares da base comum com disciplinas dessas áreas e, após a conclusão de um itinerário formativo, os alunos poderão cursar outro, se houver vaga.

Todas as regras valerão para as redes de ensino público e privado, mas o cronograma terá de ser elaborado no primeiro ano letivo seguinte à data de publicação da BNCC. A efetivação da reforma do Ensino Médio, entretanto, ocorrerá no segundo ano letivo depois da homologação dessa base curricular.

A base comum não necessariamente fixará a oferta de artes, educação física, sociologia e filosofia nos três anos do Ensino Médio. As disciplinas de Português e Matemática serão obrigatórias nos três anos do Ensino Médio. Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), a garantia das disciplinas, como sociologia e filosofia no currículo do Ensino Médio, é fundamental para a formação cidadã. “A formação crítica amplia a capacidade de conhecer o Brasil, oferece ferramentas para que a nossa juventude possa pensar com a sua própria cabeça. Matérias como essas foram retiradas do currículo escolar no tempo das sombras, quando não se queriam debate, discussão nem construção da democracia”, disse.

A redação aprovada também propõe alteração quanto à formação mínima exigida para lecionar no Ensino Médio. Na prática, não será exigida do docente a formação acadêmica específica na área, bastando apenas uma complementação pedagógica para lecionar.

Segundo a deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP), que integrou a Comissão Especial, “os parlamentares governistas se mostraram insensíveis ao não ouvir educadores e estudantes, envolvidos na matéria. A questão do ‘notório saber’, por exemplo, coloca em risco a qualidade do ensino, fragilizando cada vez mais o processo de aprendizado dos jovens na etapa final da educação básica. Esta MP não atende os anseios dos nossos alunos e professores”.

O texto agora segue para o Senado Federal.

Entenda a proposta


Carga horária
A carga horária mínima anual será de 800 horas para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, a ser ampliada de forma progressiva, no Ensino Médio, para 1.400 horas, devendo os sistemas de ensino oferecer, no prazo máximo de cinco anos, pelo menos 1.000 horas anuais de carga horária, a partir da publicação da lei.
Quanto ao ensino noturno propõe-se que os sistemas de ensino disporão sobre a oferta de educação de jovens e adultos (EJA) e de ensino noturno regular, adequando às condições do educando.

Currículo do Ensino Médio


A Base Nacional Comum Curricular definirá direitos e objetivos de aprendizagem do ensino médio, conforme diretrizes do Conselho Nacional de Educação e por itinerários formativos correspondentes a essas áreas do conhecimento: linguagem e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas; e formação técnica e profissional.

Cada sistema de ensino organizará essas áreas e as respectivas competências e habilidades. A critério dos sistemas de ensino, poderá ser composto itinerário formativo integrado, que se traduz na composição de componentes curriculares da BNCC e dos itinerários formativos.

Disciplinas


Artes e educação física constituíram componentes curriculares obrigatórios da educação básica. Filosofia e Sociologia continuam de fora do currículo obrigatório. A Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio incluirá obrigatoriamente estudos e práticas de educação física, arte, sociologia e filosofia. O texto aprovado prevê as disciplinas como estudos e práticas e a BNCC não necessariamente fixará a oferta delas nos três anos do Ensino Médio. As disciplinas de Português e Matemática serão obrigatórias nos três anos do ensino médio, assegurado, às comunidades indígenas, o ensino de línguas maternas.

Inclusão de módulos, com a adoção do sistema de créditos


O Ensino Médio poderá ser organizado em módulos e adotar os sistemas de créditos com terminalidade específica.

Educação a distância

Os sistemas de ensino para efeito de cumprimento das exigências curriculares do Ensino Médio poderão reconhecer competências e firmar convênios com instituições de educação à distância, mediante as seguintes formas: demonstração prática, experiência de trabalho supervisionado, atividades de educação técnica, cursos oferecidos por centros ou programas ocupacionais, estudos realizados em instituições de ensino nacionais ou estrangerias e cursos realizados por meio da educação à distância ou educação presencial mediada por tecnologias.

Ampliação de 50% para 60% da Base Nacional Comum Curricular


A carga horária destinada ao cumprimento de BNCC não poderá ser superior a 60% do total da carga horária do Ensino Médio, conforme a definição dos sistemas de ensino.
Os 40% restantes serão destinados aos itinerários formativos que o estudante poderá escolher: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.

Formação docente


O texto manteve a permissão para contratação de profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino, para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação ou experiência profissional, para atender ao ensino técnico e profissional.
A redação aprovada também propõe alteração quanto à formação mínima exigida para lecionar no Ensino Médio. Pela proposta, profissionais graduados sem formação acadêmica específica na área que lecionam poderão atuar no magistério se fizerem um curso de complementação pedagógica.

Cursos de formação de docentes


Os currículos dos cursos de formação de docentes terão por referência a Base Nacional Comum Curricular e deverá ser implementado no prazo de dois anos, contado da publicação da Base Nacional Comum Curricular.

Mudança no art. 318 da Consolidação das Leis Trabalhistas


O professor poderá lecionar num mesmo estabelecimento por mais de um turno, desde que não ultrapasse a jornada de trabalho semanal estabelecida legalmente, assegurado e não computado o intervalo para refeição.

Prazo de dez anos para repasse de recursos federais aos estados que ampliarem a carga horária
O prazo para o repasse será contado da data de início da implementação do Ensino Médio integral na respectiva escola, conforme termo de compromisso a ser formalizado entre as partes, que deverá conter, no mínimo: identificação e delimitação das ações a serem financiadas; metas quantitativas; cronogramas de execução físico-financeira e previsão de início e fim de execução das ações e da conclusão das etapas ou fases programadas.

A transferência de recursos será realizada com base no número de matrículas cadastradas pelos Estados e pelo Distrito Federal no Censo Escolar da Educação Básica. E será realizada anualmente, a partir de valor único por aluno, respeitada a disponibilidade orçamentária para atendimento, a ser definida por ato do Ministro de Estado da Educação.

Entrada em vigor

Os sistemas de ensino deverão estabelecer cronograma de implementação das alterações propostas. Este cronograma terá de ser elaborado no primeiro ano letivo seguinte à data da publicação da BNCC. Já a implantação do cronograma ocorrerá no segundo ano letivo, depois da homologação dessa base curricular.

O que significa

O texto aprovado representa um retrocesso em relação às políticas educacionais em vigor (LDB, DCNEM, PNE e Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores). Pode-se afirmar que estas propostas se encontram na contramão da luta pela conquista de uma educação pública, obrigatória e de qualidade.


Fonte: PCdoB na Câmara (Edição: Marciele Brum)
Relatório da  Assessoria Técnica da Liderança do PCdoB.

Centrais querem evitar “tratoraço” da reforma da Previdência


  
Em entrevista à Agência Sindical, o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) afirmou que o governo passou o trator na Câmara e no Senado. “Mas vai ser diferente nas reformas da Previdência e trabalhista. Não vai haver tratoraço, pois esses ataques a direitos fundamentais só aumentam a indignação do povo, que ficará mais forte nos embates que virão”, assegurou Patah.

Desmando

O vice-presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana, ressaltou que a rejeição à reforma da Previdência é maior. Na opinião dele, a aprovação da PEC foi um golpe nas condições de vida do trabalhador. “O repúdio ao governo Temer será mais forte na reforma da Previdência, que atinge diretamente os trabalhadores. Nós precisamos aproveitar essa proximidade do tema com a população, para barrar outro desmando desse governo ilegítimo”, disse.

Pesquisa da Central Única dos Trabalhadores e Vox Populi de outubro mostrou que 79% da população rejeita a Reforma da Previdência que, naquele período, sinalizava a idade mínima de 65 anos. Encaminhada ao Congresso no dia 5 de dezembro, a proposta de reforma da Previdência teve parecer favorável do relator na CCJ da Câmara em tempo recorde. 

Aprovação em tempo recorde teve a PEC 55, que em dois meses foi aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado. Ou seja, em 60 dias o Congresso Nacional aprovou a alteração na Constituição Federal de 88.

Derrotar reforma e defender Constituição

Na avaliação de Edson Carneiro Índio, secretário-geral da Intersindical, a aprovação da PEC 55 já era esperada e demonstra o conluio que há entre o governo e o Congresso, ambos em profundo isolamento na sociedade devido às denúncias recorrentes de corrupção.
 
“A PEC 55 não vai se sustentar ante as reais necessidades da população. Ela depende da aprovação de outras medidas, como a reforma da Previdência. E é esse nosso foco agora: derrotar a reforma da Previdência e defender a própria Constituição, que esse governo impopular tem se empenhado em destruir”, ressaltou Índio.

A proposta de Temer para a Previdência é repudiada pelas centrais. O texto estabelece a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de todos os trabalhadores sejam homens, mulheres, trabalhadores do campo e da cidade, sem exceções. Será estabelecida uma contribuição obrigatória para o trabalhador do campo. A contribuição atual desconta da produção do agricultor familiar, por exemplo. O texto de Temer também aumenta o tempo mínimo de contribuição de 15 para 25 anos e desvincula os benefícios da aposentadoria do salário mínimo.

Ás ruas para garantir o futuro

O consultor sindical João Guilherme Vargas Neto avaliou a PEC 55 na quinta-feira (8) em entrevista ao programa Repórter Sindical na Web: “O que é essa PEC da limitação dos gastos? Essa PEC aprovada decreta que o Brasil não pode crescer durante os próximos 20 anos. Por quê? As famílias não consomem, os trabalhadores diminuem seus salários, o desemprego é muito forte e permanente e o Estado não pode investir; não pode gastar para privilegiar o rentista. Então, o Brasil vai ficar travado 20 anos. É uma geração submetida a um programa recessivo muito duro”.
 
O presidente da CUT, Vágner Freitas, condenou ao portal da entidade o que chamou de “inabilidade do golpista Temer” que intensifica a crise no Brasil que terá como os principais prejudicados os trabalhadores e os mais pobres. “(e prejudica também) aos brasileiros que mais precisam de políticas públicas para sobreviver com o mínimo de dignidade. Não nos resta outra alternativa a não ser sair às ruas para barrar esse retrocesso”, disse o dirigente.
 
  
Do Portal Vermelho, com informações de agências

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Grupo Se Toque proporcionou mais de seis mil atendimentos em 2016

Em 2016 o Grupo Se Toque cumpriu mais uma vez seu objetivo principal que é amenizar os impactos do diagnóstico de câncer em pacientes de Itabuna e cidades circunvizinhas. Através do voluntariado e da cooperação entre seus membros foi possível encaminhar este ano 200 pacientes para realização de mamografia gratuita, orientar 1200 pessoas sobre autoexame e beneficiar 2.640 pessoas com o Café com Amor, realizado semanalmente entre pacientes e acompanhantes.

O grupo, que realiza um trabalho de apoio aos pacientes, unido pelo sentimento de amor fraterno proporcionou ainda, durante a campanha Outubro Rosa 2016, atividades de orientação para pacientes, palestras, rodas de conversa, oficinas da mama e de nutrição. O objetivo é sensibilizar para a importância da detecção precoce e tratamento do câncer de mama. O grupo reforçou o trabalho em escolas, unidades de saúde, empresas, igrejas, priorizando espaços onde há menor acesso à informação.

Por meio de parcerias o Se Toque garantiu que pacientes com baixa renda tivessem acesso a diversos serviços de saúde a exemplo de: aferição de pressão arterial - 150 pessoas; teste de glicemia - 155 pessoas; oficina da mama - 300 pessoas; rodas de conversa - 150 pessoas; palestras - 700 pessoas; oficina de autoestima - 35 pessoas. Ainda realizaram auxílio Fraterno, que este ano garantiu 30 visitas a pacientes acamados, 305 pacientes atendidas com amparo emocional, 80 pacientes com apoio nutricional e 15 com suporte em medicamentos.

Para abordar o tema da campanha Outubro Rosa 2016, “Vida Saudável”, foram consideradas as diversas dimensões que envolvem o assunto: amor, alimentação, atividade física, paz, trabalho, saneamento, educação, transporte, segurança e lazer. Numa perspectiva do relacionamento com Deus, com si próprio, com o outro e com o mundo.

Nesse sentido, foram realizadas palestras sobre voluntariado, autoestima, objeto perdido, perda auditiva em pacientes oncológicos e câncer de mama. Além disso, o grupo esteve presente em eventos como: Mutirão de Saúde da Mulher, no Bairro Santo Antônio; 12ª Semana de Enfermagem da Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC; I Mutirão de Serviços e Bem Estar, do Dia da Responsabilidade Social da FTC; e Feira de Saúde do curso de Enfermagem da FTC. Também participou da Audiência Pública da Mulher Outubro Rosa/Novembro Azul, do Núcleo Regional de Saúde Sul.

O trabalho é extenso, mas o Grupo Se Toque não dispõe de recursos próprios e suas atividades dependem sempre do voluntariado, doações e do auxílio de pessoas e empresas. “Pessoas anônimas, simples, tornam possíveis muitas de nossas ações”, afirma a coordenadora do grupo Sueli Dias. Eles realizam suas reuniões semanalmente para pacientes, acompanhantes e voluntários, sempre às sextas-feiras.

Para 2017, Sueli espera agregar novos voluntários, sensibilizar corações para ampliar a assistência a pacientes, além de manter o trabalho de conscientização da população sobre a adoção de hábitos saudáveis de vida. Ela afirma que “a palavra mais forte para o ‘Se Toque’ é ‘esperança’. Cremos que sempre há uma possibilidade, um caminho. Que a união, a compaixão, a fé podem transformar o olhar e promover novas atitudes. Que o amor constrói pontes e abre portas e janelas”, comentou como um desejo para o ano que chega.


Sueli completa “é preciso vencer a falta de conhecimento, o medo e a falta de recursos, entraves para uma maior chance de cura no tratamento do câncer. A campanha Outubro Rosa termina, mas o trabalho continua”, concluiu. Quem quiser ajudar o Grupo Se Toque pode entrar em contato com Sueli Dias, pelo telefone (73) 98819-1344.

Pequim: Se Trump quer jogar duro, a China não vai correr do jogo


Estados Unidos x ChinaEstados Unidos x China
É talvez o texto mais forte que a potência socialista enviou aos EUA nas últimas décadas e teve como estopim as declarações do Presidente eleito estadunidense (embora com menos votos, na estranha “democracia” americana) Donald Trump, que no último domingo voltou a tocar no assunto Taiwan, ameaçando romper com o princípio de “uma só China”.

Disse Trump, ao canal Fox “Não entendo por que temos que estar atados a essa política, a menos que consigamos um acordo com a China sobre outros temas, incluindo o comércio”.

Leia abaixo a íntegra do editorial do Global Times, publicado em português pelo site Tijolaço:
Trump superestima a capacidade americana de dominar o mundo

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, no domingo, sugeriu publicamente que a política de Uma China Única pode ser usada como uma moeda de troca para fazer com que Pequim se comprometa com Washington em áreas como acordos comerciais. O empresário calculista pode se sentir esperto tentando empurrar garganta abaixo o destino da China através da questão de Taiwan. No entanto, a verdade é que este inexperiente presidente eleito provavelmente não tem conhecimento do que está falando. Ele superestimou a capacidade dos EUA de dominar o mundo e não consegue entender a limitação dos poderes dos EUA na era atual.

A China tornou-se um país com força substancial entre os países no Oceano Pacífico Oeste. Nunca expandiu sua frente de batalha e, portanto, acumulou poder suficiente para lidar com qualquer desafio estratégico em suas áreas periféricas. Especialmente no Estreito de Taiwan, a China agora está bastante segura para lutar com os EUA.

Uma série de observações ultrajantes de Trump refletem que ele despreza a China estrategicamente. O orgulho aparece antes de uma queda. Mesmo antes de entrar na Casa Branca, ele deu mostras de querer chantagear a China. Após a cartada na política de Uma China Única, a maior parte de sua iniciativa estratégica tem sido usada em excesso.

A China precisa ser respeitada pela equipe de Trump, caso contrário, será difícil interagir com Washington nos próximos quatro anos. Fantasiar sobre uma política de apaziguamento não é uma opção. Uma nova rodada entre os dois países será necessária para testar o respeito que os dois devem ter um com o outro com base em suas forças.

Ao longo de décadas de desenvolvimento, os interesses fundamentais da China pouco foram ampliados, mas sua capacidade de controlar os riscos no Estreito de Taiwan e no Mar da China Meridional tem sido muito ampliada. Temos toda uma série de ferramentas para lutar contra as ameaças econômicas e comerciais de Trump. Será uma batalha decisiva para Pequim para salvaguardar seus interesses fundamentais. Se Trump quer jogar duro, a China não vai correr do jogo.

Pequim deve começar a punir severamente as forças de independência de Taiwan, explorando a possibilidade de disciplinar essas forças por meios não pacíficos e tornar o uso da força militar uma opção real para realizar a reunificação.

Enfrentando Trump, que é sempre imprevisível, a China precisa de mais imaginação em suas políticas externas. Deve se atrever a fazer movimentos-surpresa e criar um novo padrão sobre o relacionamento com os EUA – enquanto você joga o seu jogo, eu jogo o meu.

Pequim nunca vai aceitar chantagem e recolher-se a uma existência ignóbil. A diferença de força entre a China e os EUA é, atualmente, a menor da história. Que razão então temos para aceitar um acordo injusto e humilhante de Trump?


Fonte: Resistência via Vermelho

Altamiro Borges: Previdência privada aplaude a “reforma”


Ilustração: Bira Dantas
 Ilustração: Bira Dantas Ilustração: Bira Dantas
E o [site] Kibeloco: ‘A reforma é simples: se você não é militar, não vai se aposentar’. A Reforma da Previdência é simples: você não vai se aposentar! Pronto! E adorei a charge do ATorres com uns véinhos numa mesa branca: ‘Seu Astrodo, o senhor está entre nós? Já saiu sua aposentadoria, seu Astrodo’”.

Deixando as brincadeiras de lado, a contrarreforma do covil golpista representará, se for aprovada, um dos mais duros ataques aos direitos dos trabalhadores na história do país. Mas tem um setor que está rindo à toa – e não é piadinha. Os poderosos empresários dos planos de previdência privada vão ganhar fortunas com a medida. Eles apoiaram o “golpe dos corruptos” que alçou Michel Temer ao poder e serão regiamente recompensados. Apenas com o anúncio das principais regressões da “reforma” da Previdência milhares de brasileiros já estão procurando estes fundos para garantir a sua aposentadoria. Parte deles é controlada pelos banqueiros, que estão excitadíssimos!

Reportagem publicada na Folha nesta segunda-feira (12) informa que “de janeiro a outubro, a captação líquida dos fundos, descontando os resgates das novas aplicações, cresceu 20% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Fenaprevi, entidade que reúne as empresas que vendem planos de previdência... Para o presidente da entidade, Edson Franco, os números mostram que o segmento resistiu à crise econômica e pode ter lucrado com a discussão sobre a reforma da Previdência... Especialistas afirmam que guardar dinheiro para complementar a renda na aposentadoria será a único caminho para manter o padrão de vida”.

Ou seja: o trabalhador vai se ferrar de verde e amarelo. A idade mínima para aposentadoria será de 65 anos e ele precisará comprovar 49 anos de contribuição para receber 100% do benefício. No desespero, milhares depositarão seus parcos recursos nos fundos de previdência privada, que abocanharão ainda mais grana dos brasileiros. Até os “midiotas” mais tacanhos que foram às ruas para rosnar pelo “Fora Dilma” já devem estar percebendo que foram usados como massa de manobra dos mesquinhos empresários. “‘Seu Astrodo, o senhor está entre nós? Já saiu sua aposentadoria, seu Astrodo”!
 

*Altamiro Borges é presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e membro do Comitê Central do PCdoB
Fonte: Vermelho

Laurindo Lalo Leal Filho: O apoio midiático à PEC da morte


OxDoPoema
O apoio midiático à PEC da MorteO apoio midiático à PEC da Morte
A PEC 55 limitando os gastos públicos por 20 anos é um dos pilares do golpe de Estado perpetrado em 31 de agosto deste ano contra o governo da presidenta Dilma Rousseff.

Dois outros são a entrega do pré-sal às multinacionais do petróleo e a criminosa reforma da Previdência.

A ação golpista não estancou na destituição da governante eleita pelo voto popular.

Constituiu-se na atual legislatura uma maioria parlamentar capaz de aprovar qualquer medida antipopular e antinacionalista que seja apresentada.

Com isso, uma composição eventual de parlamentares ganha força para golpear conquistas históricas consagradas na Constituição de 1988.

Os que votam representam, em sua grande maioria, os setores econômicos diretamente interessados na obtenção dos dividendos a serem obtidos com as chamadas reformas. Basta ver quais são os financiadores de suas campanhas eleitorais.

Nesta data o alvo é o desmonte dos serviços públicos de saúde e de educação, através da “PEC da Morte”, com profundo interesse dos setores empresariais dessas áreas.

Num mesmo dia 13 de dezembro, há 48 anos, uma sexta-feira, o ministro da Justiça do governo militar, Luiz Antonio Gama e Silva, ex-reitor da USP, aparecia na TV para introduzir um rol de decisões tomadas horas antes pelo Conselho de Segurança Nacional e lidas, em seguida, pelo locutor Alberto Curi, da Agência Nacional.

Disse ele que o presidente da República, a partir daquele momento e à revelia do Legislativo e do Judiciário, poderia decretar o recesso do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e câmaras municipais, intervir nos estados e municípios, suspender os direitos políticos por dez anos de qualquer cidadão, cassar os mandatos de parlamentares e impor o estado de sítio.

Era o Ato Institucional número 5 suspendendo o habeas corpus para crimes contra a segurança nacional, a ordem econômica e a economia popular e decretando o fim da vitaliciedade, inamovibilidade e estabilidade nas funções públicas. Em seguida o locutor leu o texto do Ato Complementar número 38, decretando o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado.

Jornais que quatro anos antes impulsionaram o golpe de Estado e o saudaram efusivamente passaram a ser recolhidos nas bancas antes do sábado clarear. A censura instalou-se nas redações.

Quase meio século depois, numa coincidência simbólica de datas, a mídia volta a apoiar um novo golpe, ainda que sob o disfarce de uma legalidade de ocasião. Faz isso no noticiário do dia a dia, naturalizando as medidas impopulares como se não houvesse alternativas. Espaços generosos são abertos para os defensores dos “ajustes” fiscais, num martelar impiedoso sobre uma população privada de análises contraditórias.

Em alguns momentos, essa mídia vai além, sai da rotina e escancara sua visão de país expondo os mecanismos para alcançar tais objetivos. Exemplo emblemático é o editorial da Folha de S. Paulo, publicado na primeira página da edição de 13 de setembro de 2015, com a pretensão de ser um ultimato à presidenta Dilma Rousseff.

Sob o título golpista de “Última chance” a Folha não perdoa. Esquecendo a importância dos investimentos públicos para o reaquecimento da economia insiste na contenção de despesas que, segundo o jornal, “deve se concentrar em benefícios perdulários da Previdência, cujas regras estão em descompasso não só com a conjuntura mas também com a evolução demográfica nacional. Deve mirar ainda subsídios a setores específicos da economia e desembolsos para parte dos programas sociais”.

E vai além afirmando que “as circunstâncias dramáticas também demandam uma desobrigação parcial e temporária de gastos compulsórios em saúde e educação, que se acompanharia de criteriosa revisão desses dispêndios no futuro”.

Reivindicação atendida pela PEC 55. Resta saber agora até quando a mídia conseguirá camuflar seus efeitos deletérios dourando a pílula de uma realidade que se avizinha trágica.
 

*Laurindo Lalo Leal Filho é sociólogo, jornalista e professor de Jornalismo da ECA-USP 
Fonte: Vermelho

Aprovação da PEC 55 é marcada por repressão em Brasília


  
Num esquema de segurança rigoroso, a Polícia Militar do Distrito Federal bloqueou, nesta terça-feira (13) toda a área da Esplanada dos Ministérios. Os policiais também exigiram dos manifestantes vistoria em todos os seus instrumentos e bolsas e proibiram desde paus de bandeiras a produtos como vinagre, bolas de gude e máscaras, entre outros, com a justificativa de que o objetivo da ação é fazer com que os atos públicos programados aconteçam de forma pacífica. Mesmo assim, não conseguiram impedir a ida das pessoas ao local, que prometem ficar até a noite, portando faixas e cartazes contra o governo Temer.

“Acham que vão nos intimidar, depois do que aconteceu no último dia 29, mas estamos aqui para dizer o que pensamos, protestar contra esse governo formado por envolvidos na Lava Jato e reivindicar nosso direito de livre expressão”, disse o estudante de arquitetura Tiago Ornellas, integrante da União Nacional dos Estudantes (UNE). Ele se referiu às manifestações realizadas durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 em primeiro turno no Senado, duas semanas atrás – que foram marcadas por repressão policial, com bombas de efeito moral e spray de pimenta usados contra a população.


Mais de cinco mil manifestantes, em sua maior parte estudantes, professores, sindicalistas e funcionários públicos, que estão realizando atos em todo o país, protestam contra o governo Michel Temer, contra a PEC 55, que congela os gastos públicos – aprovada no início da tarde pelo Senado Federal –, a reforma da Previdência e a reforma do ensino médio.

Muitos deles também portam faixas onde está inscrito “Diretas Já”, como forma de pressionar os parlamentares pela votação de proposta que trata do tema, no Congresso.

Detenções

Informações da secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal são de que em meio às abordagens e revistas realizadas em todos que entraram na Esplanada, foram feitas três detenções, por conta do porte de alguns instrumentos tidos como mais violentos, mas essas pessoas foram conduzidas à delegacia e liberadas logo em seguida.

“Sabemos dos danos dessa PEC e que os estragos vêm por aí, mas não podemos perder a esperança, porque temos consciência do nosso poder de luta. Os movimentos estão articulados e temos de fazer isso mesmo, vir para a rua mostrar nossa indignação. Queremos a saída de Temer e a convocação de eleições diretas no país”, afirmou a professora Edilza Rocha.





Fonte: Rede Brasil Atual (RBA) via Vermelho
Vídeo: Mídia Ninja