sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Federação dos Bancários reúne diretoria ampliada em seminário de avaliação

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Avaliar as ações de 2016 e preparar a luta para o próximo ano, estes serão os principais objetivos do seminário que a Federação dos Bancários dos Estados da Bahia e Sergipe realiza nos dias 26 e 27 de novembro, no Hotel Portobello, em Salvador. O evento é voltado para os diretores, conselheiros e os integrantes da Comissão de Juventude da Feebbase, presidentes dos sindicatos e responsáveis pela área de saúde em cada entidade.
Na pauta do seminário, o debate sobre conjuntura política, com o deputado federal Davidson Magalhães (PCdoB-BA); uma exposição sobre os impactos das novas tecnologias no mundo do trabalho, com a técnica do Dieese Viviam Machado, além de uma atualização sobre o adoecimento na categoria bancária, que será feita pelo diretor de Saúde da Feebbase, Fernando Dantas.
A campanha salarial terá espaço de destaque no evento. O presidente da Feebbase, Emanoel Souza, fará um balanço de todo o processo e o vice-presidente da entidade e dirigente nacional da CTB Bancários, Eduardo Navarro, fala sobre os impactos do acordo de 2 anos na luta dos bancários.
Programação:
Sábado – 26 de novembro de 2016
9h –
Análise de Conjuntura
Expositor: Davidson Magalhães (deputado federal)
Balanço da Campanha Salarial.
Expositor: Emanoel Souza (presidente da Feebbase)
14h –
Os impactos das novas tecnologias no mundo do trabalho
Expositora: Vivian Machado (Dieese)
O adoecimento na categoria bancária
Expositor: Fernando Dantas (diretor Saúde da Feebbase)
Domingo – 27 de novembro de 2016
9h-
Os impactos da Campanha de 2 anos na luta dos bancários
Expositor: Eduardo Navarro ( vice-presidente da FEEB BA/SE e dirigente da CTB Nacional).
Fonte: FEEBBASE

Crise interrompeu avanços na inserção do negro no mercado de trabalho

A recente crise econômica interrompeu alguns avanços na redução da disparidade entre negros e brancos no mercado de trabalho da região metropolitana de São Paulo, aponta boletim divulgado hoje (17) pela Fundação Seade e pelo Dieese. A diferença nas taxas de desemprego, por exemplo, que em 2014 foi de 1,9 ponto percentual, a menor desde 1985, cresceu para 2,9 pontos no ano passado: a taxa foi de 14,9% entre os negros (16,3% no caso das mulheres) e de 12% entre os não negros.
"Apesar de representarem cerca de um terço da população paulista (34,6%, segundo Censo Demográfico 2010), os negros possuem um legado histórico de discriminação que se reflete em uma inserção no mercado de trabalho pior do que a dos não negros", afirmam Seade e Dieese. "Embora a participação de negros no total de ocupados tenha se ampliado de 37,9%, em 2014, para 40% em 2015, cresceu com mais intensidade sua participação no total de desempregados no mercado de trabalho (de 42,6% para 46,3%)."
Já o rendimento médio dos não negros caiu mais que o dos não negros: -8% e -2,2%, respectivamente. Com isso, caiu também a diferença entre os dois – no ano passado, o rendimento dos negros (R$ 9,39/hora) correspondeu a 67,7% dos não negros (R$ 13,88/hora), ante 63,7% em 2014. Essa proporção era de 54,6% em 2002.
Em todas as atividades, o rendimento/hora dos não negros é superior que o dos negros: R$ 14,27 x R$ 10 na indústria de transformação, R$ 15,10 x R$ 9,61 nos serviços, R$ 13,13 x R$ 10,50 na construção e R$ 9,97 x R$ 7,67 no comércio. Os valores praticamente se equivalem no emprego doméstico – R$ 8,53 para não negros e R$ 8,38 para negros. Entre os assalariados com carteira assinada, os rendimentos médios são de R$ 12,95 e R$ 9,04, respectivamente.
Entre os setores, o de serviços reunia, no ano passado, 56,8% dos ocupados negros e 58,8% dos não negros. Na indústria estavam 15,5% dos negros e 16,2% dos brancos. No comércio, eram 17,2% e 18,2%, respectivamente. Os negros tinham mais representatividade na construção civil: 9,3%, ante 5,6% dos não negros.

Crescimento e políticas

"Na perspectiva de garantias trabalhistas e previdenciárias", como definem Seade e Dieese, os não negros tinham situação um pouco melhor que a dos negros: 63,4%, ante 62,3% dos ocupados, respectivamente, estavam inseridos em atividades regulamentadas (assalariados no setor privado com carteira e no setor público). "Isso ocorre porque, no âmbito do assalariamento privado, os negros inserem-se mais em ocupações com carteira assinada (55,7%) do que os não negros (54,4%), mas, no setor público, os primeiros têm participação menor (6,6% contra 9,0% dos não negros).
Entre ocupações não regulamentadas e de rendimento geralmente menor, cresce a representação dos negros. Dos empregados domésticos na região metropolitana, estavam 8,7%, ante 4,7% dos não negros. E 16,5% dos negros concentravam-se entre os autônomos (15,4%), e 8,3% eram assalariados sem carteira (7,6%).
"O mercado de trabalho, entre 2014 e 2015, reflete a crise econômica pela piora de vários indicadores. Para os negros, esse desempenho desfavorável é observado no aumento da taxa de desemprego, mais intenso do que o dos não negros, fazendo com que a distância entre os dois segmentos voltasse a se alargar", afirmam a Fundação Seade e o Dieese. "A inserção de negros em ocupações com menor acesso aos direitos trabalhistas e previdenciários (assalariamento sem carteira de trabalho assinada, trabalho autônomo e doméstico) continua sendo maior do que entre os não negros. Esse fato, combinado à sua menor presença em segmentos econômicos dependentes de uma mão de obra mais especializada, ajuda a explicar os menores rendimentos recebidos."
"Apenas com longos períodos de crescimento econômico em conjunto com ações de políticas afirmativas, especialmente as voltadas à educação, é possível diminuir as desigualdades no mercado de trabalho e melhorar as oportunidades de inserção para a população negra", concluem as entidades. "O que se depreende das informações apresentadas, no entanto, é que o ritmo de melhora é muito mais lento comparado à rápida resposta negativa do mercado de trabalho em períodos de crise econômica."
Rede Brasil Atual via Feebbase

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Trabalhadores reforçam unidade e confirmam atos para o dia 25


portal CTB
  
A proposta das centrais é que os trabalhadores brasileiros paralisem por uma hora as atividades no dia 25. O protesto tem endereço certo, que é atingir os principais objetivos do governo Temer: a reforma da previdência e a PEC 55.

Para Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a adesão aos atos mostra que o trabalhador começa a perceber os prejuízos que as medidas do atual governo podem trazer às conquistas sociais e trabalhistas.

Protestos unitários

Além da PEC 55, a pauta dos protestos inclui a denúncia da reforma trabalhista que pretende tirar direitos do trabalhador e a luta em defesa do emprego. A consequência da crise política e econômica é a perda de postos de trabalho, que somam no país 12 milhões de desempregados.
 
“O que une as centrais é a pauta trabalhista. É fundamental trilhar no caminho da unidade e da construção de uma agenda unitária de lutas. Vamos dar uma grande sacudida já que o dia 11 foi de alguma forma surpreendente diante da abrangência de categorias que aderiram aos protestos naquela ocasião”, afirmou Adilson.

Segundo o dirigente, o momento atual exige maturidade das centrais. “A unidade foi determinante para a conquista da política de valorização do salário mínimo.  As marchas e caravanas que realizamos em Brasília não foram em vão. E foi compreendendo o papel da unidade das centrais sindicais que os trabalhadores conseguiram mudanças substanciais por mais de uma década”, exemplificou Adilson.

Nas costas do trabalhador

O objetivo dos atos do dia 25 é o diálogo com o trabalhador no próprio local de trabalho, no chão de fábrica. Após as paralisações pela manhã, as centrais realizarão um ato político em frente à sede do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), no viaduto Santa Ifigênia, no centro de São Paulo. Os dirigentes também trabalham com o fortalecimento dos atos visando uma futura greve geral.
 
Para João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, o momento é de vigilância. “O que interessa é ganhar os trabalhadores em sua base para o debate sobre a reforma trabalhista e previdenciária. Temos que estar vigilantes para não perder direitos.”

De acordo com Juruna, a mobilização do dia 25 é a continuidade de várias mobilizações que têm sido realizadas por diversos segmentos de trabalhadores. Ele citou a paralisação dos metalúrgicos em setembro e também a série de atos pela redução dos juros. Assim como Adilson, ele ressaltou ainda a boa participação dos trabalhadores nos protestos do dia 11.

“Se há que ter reforma nós temos certeza e é uma reforma para acabar com privilégio de juízes, desembargadores e daqueles que acabam usufruindo da contribuição que os trabalhadores dão no dia a dia para a Previdência”, defendeu o sindicalista da Força.

Mídia à serviço da precarização

Nesta terça-feira (15), a União Geral dos Trabalhadores (UGT) reafirmou em nota o compromisso exclusivo com as causas dos trabalhadores. “Nunca praticou e nunca praticará o governismo. Nossa luta é pela ampliação e manutenção dos direitos e garantias dos trabalhadores e da cidadania em geral”, informou nota assinada pelo presidente da entidade, Ricardo Patah.
 
Matéria veiculada no jornal O Estado de S. Paulo noticiou que o governo Temer tentou através da destinação de verbas e cargos governamentais dividir o movimento sindical e a resistência às reformas da previdência e trabalhista.

Adilson Araújo afirmou que as centrais saíram fortalecidas desse episódio e vem demonstrando maturidade. Na semana anterior, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, mencionou que a imprensa estava “louquinha” para que os atos do dia 11 tivessem fracassado. 

Sob a ótica da imprensa do monopólio que defende a precarização de direitos, os atos do dia 11 foram narrados sob a interpretação da criminalização do movimento sindical. De outro lado, o balanço feito pelo movimento sindical e social foi positivo e, como afirmou Adilson, surpreendente. 

“A expectativa é muito boa para acumular forças na perspectiva de construir uma greve geral. A imprensa tem agido como um partido e quer jogar na divisão do movimento. A gente precisa formar junto para combater essas ações que tentam fragilizar o movimento sindical e a unidade das centrais”, ressaltou o presidente da CTB.

Participaram da reunião representantes da CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CTB, Intersindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil e CSP-Conlutas.

Leia também:
Do Portal Vermelho

FUP: Gestão da Petrobras deprecia ativos para vender barato


Foto: Stéferson Faria / Ag. Petrobras
  
Em texto publicado em seu site, a FUP denuncia que "os principais ativos depreciados são justamente os que estão na linha de corte para serem privatizados: campos de produção, termelétricas, Complexo Petroquímico de Suape, Araucária Fertilizantes, Usina de Biodiesel de Quixadá, Comperj, entre outros".

Confira abaixo a íntegra do texto:

Black Friday na Petrobrás: gestores depreciam ativos pra vender barato

Pela terceira vez consecutiva, a direção da Petrobrás reduziu os valores de diversos ativos, os chamados “Impairments”, impactando negativamente o balanço da companhia, que registrou prejuízos de R$ 16,5 bilhões no terceiro trimestre, contrariando todas as estimativas do mercado. Uma vergonhosa manobra contábil que tem por objetivo jogar pra baixo os preços dos ativos para acelerar a privatização da empresa.

Mesmo no atual cenário de crise internacional, nenhuma outra petrolífera no mundo fez ajustes dessa natureza, de forma recorrente como fez a Petrobras, com base em premissas tão voláteis, como preço do barril do petróleo, variação cambial e taxas de juros. Para se ter uma ideia, os seguidos impairments feitos pela empresa já reduziram em R$ 112,3 bilhões o preço dos ativos nos últimos três anos. Isso significou uma perda de 60% em seu valor de mercado.

Do ponto de vista contábil, não faz sentido algum a companhia reavaliar ativos, se já fez isso esse ano, em 2015 e em 2014. Mas, se olharmos de forma detalhada o balanço, verificaremos que os principais ativos depreciados são justamente os que estão na linha de corte para serem privatizados: campos de produção, termelétricas, Complexo Petroquímico de Suape, Araucária Fertilizantes, Usina de Biodiesel de Quixadá, Comperj, entre outros, que custarão R$ 15,7 bilhões a menos.



O Complexo Petroquímico de Suape, por exemplo, que em 2015 valia R$ 4,5 bilhões, agora, com as baixas contábeis feitas pela Petrobrás, está avaliado em apenas R$ 1,6 bilhão. Estamos falando de uma economia de R$ 2,9 bilhões para os interessados em adquirir um ativo estratégico, que um ano atrás valia 64% a mais.

Não foi à toa, que Pedro Parente alertou os investidores estrangeiros para que aproveitassem a liquidação promovida por ele. “Aproveitem essa oportunidade, porque não vai existir no mundo outra tão boa quanto essa no setor de óleo e gás”, declarou recentemente na palestra de encerramento da Rio Oil & Gas.

O desmonte que o governo Temer vem fazendo no Sistema Petrobras está explícito em diversos outros pontos do balanço da empresa. Os investimentos, por exemplo, despencaram 31% nos últimos nove meses, comprometendo o PIB do país e contribuindo para o desemprego em massa que afeta os brasileiros. A começar pela própria companhia, que, só neste último trimestre, fechou 5.461 postos de trabalho diretos. Isso quer dizer que, a cada dia, 60 petroleiros deixaram a empresa, entre julho e setembro.

Apesar de todos esses ataques, os principais indicadores operacionais da Petrobrás não foram afetados. A empresa continua batendo recordes e mais recordes de produção, que teve um aumento de 2,3% no terceiro trimestre, atingindo 2,87 milhões de barris de petróleo. Além disso, o custo de extração por barril caiu de 12 dólares para 10,40 dólares, sendo que no Pré-Sal já está abaixo de oito dólares, o que acentua ainda mais o crime que foi abrir para as multinacionais a operação destas reservas.

Se não forem contidos, Pedro Parente e Michel Temer continuarão agindo para enfraquecer a Petrobrás, em um caminho sem volta para a privatização. A cada dia, a petrolífera se distancia mais do papel de empresa pública e de principal indutora do desenvolvimento nacional.

Corremos até mesmo o risco da companhia ter o seu controle estatal diluído entre os acionistas privados. Isso porque, segundo a Lei das S.A., se não houver distribuição de dividendos durante três exercícios consecutivos, a União teria que converter parte de suas ações preferenciais em ordinárias, o que significaria a perda do controle de voto. Ou seja, os rumos da Petrobrás estariam de vez nas mãos do mercado.

É tudo o que Pedro Parente gostaria. Já passou da hora do petroleiro acordar pra luta.
 

Fonte: FUP via Vermelho

UNE mobiliza caravana rumo à Brasília para dizer não à PEC 55


Reprodução
  
Nesta segunda (14) e terça-feira (15) diretores da UNE, Ubes e ANPG presentes em uma reunião aberta na Universidade de Brasília (UnB) com representantes de ocupações estudantis de todo o Brasil aprovaram uma resolução de Conjuntura que decidiu como data central de lutas o próximo dia 29 de setembro.

No próximo dia 25 de novembro haverá mobilizações nas capitais, em conjunto com centrais sindicais e movimentos sociais.

Carina Vitral, presidente da UNE, comenta sobre a importância da data. "Depois de mil escolas ocupadas e 220 universidades, é hora de dar o recado ao Congresso Nacional para não passar a PEC 55, vamos ocupar Brasília", anuncia a estudante.

A UNE está convidando estudantes de todo o país que queiram participar da marcha contra a PEC 55 e somar ao ato do dia 29. Os interessados devem entrar neste  link e se inscrever.

Os estudantes, que ocupam mais de 200 universidades contra a PEC 55, denunciam que a medida pretende estrangular os investimentos em educação nos próximos 20 anos e encerrará um ciclo de expansão e acesso ao qual universidades públicas foram submetidas nos últimos 10 anos, encarando, dessa forma, um quadro semelhante ou pior que a educação pública enfrentou no anos 90. 


Do Portal Vermelho, Laís Gouveia, com informações da UNE 

Paulo Kliass: Temer, PIB e estelionato golpeachmental


PR
  
O financismo consegue realizar façanhas capazes de deixar qualquer outro setor de nossa economia com profundo sentimento de impotência. Para além de sua impressionante capacidade de influenciar os tomadores de decisões no âmbito da política econômica para favorecer seus próprios interesses, a elite da finança tem o inegável dom de moldar a cabeça dos dirigentes políticos em nosso País.

Ao longo do presente ano, toda a agenda da política nacional esteve dominada pela sanha golpista. Os tempos e as análises dos principais órgãos da grande imprensa alternavam-se entre as denúncias seletivas da Operação Lava Jato e as interpretações forçadas a respeito das chamadas pedaladas fiscais. O objetivo explícito e não disfarçado era promover o afastamento da Presidenta Dilma, abrindo espaço para que o programa que havia sido derrotado nas eleições de outubro de 2014 pudesse, finalmente, se transformar em política de governo.

Para tanto, contribui sobremaneira o processo crescente de perda de popularidade do governo eleito, em razão do bombardeio denuncista cotidiano e da piora significativa nas condições de vida da grande maioria de nosso povo. Ao se render às pressões do establishment ainda no final de seu primeiro mandato, Dilma acabou por abraçar a estratégia do austericídio como se fora sua própria forma de governar e enfrentar a crise, que já começava então a apresentar seus primeiros sinais.

O golpe e as falsas promessas

Isso significava trazer para dentro do Palácio do Planalto as propostas de impor severos ajustes na política fiscal, ao mesmo tempo em que se recusava a por em marcha a tão necessária flexibilização da política monetária. A economia brasileira já começava a reduzir de forma significativa seu ritmo de crescimento. E para piorar tudo, Dilma rompe com a última esperança proporcionada pelo amplo leque de forças políticas se formou em torno de sua reeleição, quando a candidata de “coração valente” prometia mudanças na direção da recuperação da via do desenvolvimento com redução de desigualdades e com a inclusão social.

A gota d’água da traição foi o convite encaminhado a um representante digno do financismo para comandar a economia. Diante da recusa do Presidente do Bradesco (Trabucco), Dilma aceitou o nome de seu segundinho - o diretor daquele banco privado, Joaquim Levy. O governo cedia em tudo e não conseguia, nem exigia, nada em troca. A partir de então, os mais exaltados do golpismo perceberam que não haveria tanto obstáculo assim ao seu intento maior. As votações do impedimento na Câmara dos Deputados e no Senado Federal revelaram a incrível facilidade com que se podia afastar um governo legitimamente eleito, mas que perdera toda a capacidade de rearticular sua base social popular de apoio..

A cereja do bolo foi o convencimento generalizado de que todos os males que o País padecia deveriam ser atribuídos à suposta incompetência da equipe econômica de Dilma. Não haveria razões para muita preocupação, pois a solução seria simples. Isso é o que asseguravam os analistas e colunistas que mais tramavam abertamente pelo golpe. Bastaria substituir Dilma por Temer que tudo se resolveria às mil maravilhas. A chegada de Henrique Meirelles ao Ministério da Fazenda com as devidas honras de salvador da Pátria mal escondia a realidade dos fatos Afinal, o ex-presidente internacional do Bank of Boston havia sido o preferido de Lula para o posto desde 2015, além de ter ocupado o todo poderoso comando da política monetária durante os 2 mandatos do ex-presidente à frente do Banco Central.

A queda de Dilma e o ingresso no paraíso

“Primeiro a gente tira a Dilma, depois tudo se acerta” era o mantra que percorria os encontros de nossa elite. E assim foi seguido à risca o roteiro do golpe midiático-jurídico. Temer recupera as orientações gerais do programa “Ponte para o futuro” do PMDB e incorpora a nata do financismo para dentro de sua equipe. Meirelles no Ministério da Fazenda e Ilan Goldfajn no Banco Central representavam tudo o que desejavam os representantes da banca privada. Era a ante sala da redenção brasileira.

A promessa do golpeachment, no entanto, aos poucos começa a se transformar em uma “estória mal contada”. A implementação ainda mais radical da receita do austericídio só fazia aumentar os efeitos negativos da recessão e do desemprego. A manutenção da SELIC nas alturas e a obsessão por cortes radicais nas despesas sociais do orçamento só aprofundaram a gravidade do quadro. E a ingênua ideia de que a economia voltaria a crescer apenas por obra e graça dos belos olhos da duplinha dinâmica no comando da economia vai se derretendo com o passar dos meses.

A verdade é que os apoiadores da mudança sentem-se agora como vítimas de um verdadeiro estelionato golpeachmental. Num paradoxal contexto do avesso do avesso da ruptura programática praticada por Dilma depois de sua reeleição, agora parcela dos setores que se aventuraram no impedimento flagrantemente inconstitucional se dizem enganados. Afinal, a eles havia sido prometido que bastaria substituir o ocupante do Palácio da Alvorada e os dirigentes da política econômica. E que isso promoveria uma profunda reversão das expectativas dos agentes econômicos e blá blá blá. Em síntese, o discurso que se consolidava de forma hegemônica por todos os cantos era de que os investimentos paralisados seriam rapidamente retomados e que o PIB voltaria rapidamente a crescer. Simples no último!

Retomada do crescimento exige o oposto do austericídio
O problema é que o fenômeno econômico costuma se apresentar como um pouquinho mais complexo do que supõem os modelitos dos economistas que pensam com a cabeça de planilha. Os empresários não retomam seus investimentos apenas em função de um passe de mágica de promessas de mudanças. As tais das expectativas, tão amplamente alardeadas ao longo dos últimos meses, não dizem respeito apenas à entrada em cena de novos ocupantes de cargos no governo federal. O elemento fundamental para a libertação do chamado “espírito animal” dos capitalistas diz respeito às expectativas de retornos econômico-financeiros futuros associados à decisão de investimento no momento presente.

E no nosso caso atual há dois fatores essenciais que interferem negativamente para a retomada dos investimentos na economia produtiva real. De um lado, atua o elevadíssimo patamar da capacidade ociosa da economia brasileira – para aumentar a produção não é necessário nem investir mais. De outro lado, vemos os estratosféricos ganhos financeiros assegurados ao capital parasita na esfera da especulação financeira. Assim, ambos somam-se à recessão e ao desemprego, que reforçam negativamente as expectativas de consumo futuro. Afinal, com a economia paralisada, a renda média geral também cai e o elevado grau de endividamento dos governos, das empresas e das famílias não estimula em nada estimativas de acréscimos no ritmo de consumo já tão reduzido.

Os meios de comunicação bem que se esmeram na tarefa de blindar o novo governo em seus sucessivos escândalos e vem buscando amplificar de forma insistente o clima do “já ganhou” e do “agora vai”. Porém, todo esse esforço tem se revelado em vão. Os meses vão se passando desde a primeira votação do impeachment na Câmara dos Deputados em 17 de abril. E o próprio Temer acaba se mostrando inquieto com a ausência de boas novidades no horizonte econômico. Afinal, essa foi a promessa que lhe fizeram ao pé do ouvido. Algo na linha do “cuide da política, que nós nos ocupamos aqui da economia”. E viva a competência da equipe Fazenda/Banco Central!

“Expectativas frustradas”


Ocorre que a realidade é chata, insistente e não deixa de ser retratada nas estatísticas oficiais. Agora parece que os grandes jornais e as redes de comunicação finalmente despertaram e não conseguem mais esconder os números apurados pelo próprio governo. Até o jornal Valor Econômico estampa em matéria de capa no feriado de 15 de novembro:

“As expectativas de recuperação da atividade econômica a partir deste fim de ano estão sendo frustradas. Depois dos maus resultados da indústria e do comércio no terceiro trimestre, alguns indicadores econômicos de outubro reforçaram a avaliação de que a economia vai encolher também nos últimos três meses do ano.” (GN)

Temer pode até argumentar - ele também - que se sentiu ludibriado pelos espertalhões da seara financeira. Afinal, o único setor da economia que continua a apresentar lucros bilionários em seus balanços são os bancos. Insistir na armadilha de obtenção de superávit primário e arrochar as despesas orçamentárias excetuadas os gastos com pagamento de juros tem-se revelado como um verdadeiro tiro no pé. Todo mundo se encontra em falência ou em extrema dificuldade, enquanto as instituições financeiras vão surfando nos resultados que deveriam causar sentimento de vergonha nacional.

Os empresários se iludiram com as supostas maravilhas que seriam obtidas a partir da campanha do golpe. Assim, demonstravam expectativas positivas com o cenário futuro, quando indagados nas pesquisas. No entanto, quando perguntados se tinham intenções de aumentar os investimentos em seus próprios empreendimentos, a resposta era sistematicamente negativa. Ora, parece óbvio que essa conta não iria fechar nunca. Quais seriam essas tais “expectativas positivas” gerais que não se transformavam em aumento da capacidade instalada e não promoviam acréscimos em seus próprios investimentos?

A aposta na aprovação da PEC 55 e a continuidade desse desmonte assassino de nossa estrutura de direitos sociais básicos por longos 20 anos só deverá aprofundar esse caos. A tendência é de se virem aumentadas ainda mais as necessidades de apoio de políticas públicas como previdência, assistência, saúde, educação e demais. Mas o engessamento da Constituição com o tal “Novo Regime Fiscal” introduz no próprio texto a orientação da prioridade para o dispêndio orçamentário com elementos do financeiro e a redução relativa dos demais gastos sociais e com investimentos. O cenário aponta para a inescapável radicalização da luta social.

Quem apostou no golpe sonhando com harmonia social e crescimento econômico deve estar profundamente arrependido da ilusão em que caiu. A ruptura institucional e a insistência cega no austericídio só tem provocado elevação da temperatura nos conflitos por todos os cantos na Nação. A opção de Temer por introduzir na agenda política o tema da reforma previdenciária redutora de direitos só deverá colocar ainda mais lenha na fogueira. O perigoso endurecimento do regime em direção a uma forma particular de autoritarismo institucionalizado é fonte de preocupação até em esferas internacionais de direito.

Estelionato golpeachmental: a culpa é do Trump!

O recurso ao contorcionismo retórico é amplo e universal. Temer pode até ser convencido de que a “herança maldita” era maior do que sua equipe imaginava e que os efeitos inimagináveis da vitória de Trump nas eleições norte-americanas contribuíram para o fraco desempenho de nossa economia. A blindagem midiática continuará e outros eventos de jornalismo vergonhoso como a recente entrevista bajuladora da TV Cultura no programa Roda Viva poderão ser anunciados.

Mas o fato concreto é que houve um estelionato golpeachmental. Prometeram e não cumpriram. Lançaram mão de propaganda enganosa e não entregaram o prometido. A economia continua rateando e estamos mesmo na maior recessão de nossa história. Aliás, já tem banco grande aí fazendo as contas meio às escondidas e concluindo que talvez o crescimento do PIB não ocorra nem mesmo em 2017. A julgar pelas informações existentes, o fundo do poço ainda não foi encontrado.

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
 

Fonte: Carta Maior via Vermelho

Mulheres negras apontam desafios do combate à intolerância religiosa

Agência Brasil
  

Como se isso não bastasse, na última terça-feira (8), foi a vez da Umbanda entrar para a lista de patrimônios imateriais do Rio de Janeiro. Com isso a religião de matriz africana passa a ser reconhecida como patrimônio cultural. Sem dúvidas, uma grande conquista nesses tempos de intolerância.

Religião

Fonte: Agência Brasil via Vermelho