segunda-feira, 30 de maio de 2016

Especialistas falam sobre o genocídio de jovens negros no Brasil

Revista Afro
  

Participantes de audiência pública para discutir os resultados do Atlas da Violência 2016, que mostra o Brasil como campeão no número absoluto de homicídios no mundo, apontaram existência de genocídio de jovens negros no Brasil. O estudo, divulgado em março, revelou que o Brasil atingiu a marca recorde de quase 60 mil homicídios em 2014.


Violência


Fonte: Rádio Câmara via Vermelho

Jandira Feghali: Resistir!


Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara
  
A entrada de Temer na presidência como um “golpe branco” nunca foi tão bem revelado após o vazamento de gravações do diálogo entre os senadores Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney com o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado – ex lider do PSDB e atual membro do PMDB e por isso conhece muito bem as entranhas do ninho. Ficou óbvio para a sociedade e o mundo que a derrubada da presidente Dilma Rousseff foi uma tentativa de abafar a operação Lava-Jato e interromper as investigações em curso.

Conversas nada republicanas como essas sinalizam que os golpistas usurparam violentamente o governo e deram de ombros para o povo. Achincalharam nossa História e patrocinaram uma ruptura democrática jamais vista em mais de três décadas. E o pacote de maldades, costurados de forma ilegítima, será entregue à nação sem diálogo algum. Um absurdo sem tamanho.

Os diálogos da alta cúpula golpista revelam também a misteriosa face do presidente tucano, o senador Aécio Neves. O que deixaria este outro golpista tão assustado em relação ao senador Delcidio? E que tipo de esquema estaria por trás de Aécio, dito com tanta veemência por Machado? Perguntas que só a Procuradoria Geral da República pode e deve responder.

Como relator do caso Aécio, o ministro Gilmar Mendes suspendeu as investigações tendendo a abafar o caso do candidato derrotado em 2014. A cumplicidade entre o magistrado e a turma do retrocesso é sem igual.

Tem sido apurado na mídia alternativa que o próprio presidente interino, Michel Temer, teria sido alvo de gravação por Machado. As gravações revelariam verdades inconfessáveis do golpista e poderia por seus planos por água abaixo.

Há um conteúdo que deve ser levado em conta: Dilma é uma mulher honesta e, com ela na presidência, não haveria interrupção das investigações da Lava-Jato. Isso fica claro em conversa gravada por Renan e Machado.

Cabe a nós, democratas e progressistas, exigir a suspensão do afastamento de Dilma. Não há nenhum tipo de legitimidade do governo em curso e não haverá trégua se ele permanecer com tantas provas do golpe à vista.

É com orgulho que vejo os movimentos de ocupação tomando os espaços públicos referentes à Cultura, como resistência ao ato da extinção do MinC. Apesar do retorno da pasta com status de ministério, o simbólico de atraso ainda permanece. Não há possibilidade de avanço algum num mar de retrocessos.

Pés firmes nos asfaltos das ruas para continuar a luta contra essa imoralidade que tem se mostrado o Governo Temer. Uma reunião de pessoas sob suspeição tentando fatiar o Brasil aos interesses estrangeiros, dos rentistas e do capital privado, e na perspectiva ja anunciada de supressão de direitos e programas sociais. É um momento agudo de nossa trajetória, mas não recuaremos um milímetro sequer. Como ensinam os movimentos sociais da Cultura: “ocupar e RESISTIR!”.

Jandira Feghali é médica e deputada federal (PCdoB/RJ)


Fonte: Vermelho

Mulheres protestam contra estupro da democracia diante do STF


Marcha das Flores em BrasíliaMarcha das Flores em Brasília
As manifestantes depositaram flores na estátua da Justiça e ocuparam a frente do STF. Uma frase foi pichada diante do prédio do Supremo: "contra o estupro da democracia". O ato foi organizado pela internet.

Crianças, jovens, adultos e idosos, na maioria mulheres, desceram a Esplanada dos Ministérios. Carregando flores e vestidos de cores claras, cantavam palavras de ordem como "Não tem justificativa", "Abaixo a cultura do estupro" e, ainda, "Ô seu machista, você vai ver, a mulherada não tem medo de você".

Quando chegaram na altura do STF, os manifestantes fizeram uma contagem regressiva a partir do número 30, relacionado ao estupro da jovem, e jogaram flores na direção do edifício.

Abaixo alguns vídeos do protesto, que está sendo acompanhado pela Mídia Ninja:

A marcha:

 



Gritos contra a Globo:


 


Marcha das Flores contra a cultura do estupro em Brasilia



 

Fonte: Brasil 247 via Vermelho

João Amazonas, dirigente e amigo nos temas essenciais e prosaicos


Arquivo
  
Não sei se pela chegada dos anos, torno-me cada vez mais emotivo e sinto falta, para além das coisas essenciais, também das prosaicas, aquilo que aparentemente não tem importância, mas compõe o sal da vida.

Diariamente, tínhamos o hábito de conversar. E entre discussões políticas e ideológicas, proseávamos – para além da política cotidiana, do trabalho prático e da ideologia – sobre literatura e futebol. Festejávamos o último livro de João Ubaldo, lembrávamos as distintas fases da obra de Jorge Amado, comentávamos sobre seu conterrâneo Dalcídio Jurandir, citávamos Graciliano, debatíamos sobre o sentido da obra do albanês Kadaré, falávamos da importância de divulgar a obra de Jack London, e perdíamos horas cogitando se era ou não justo dedicar espaço na seção cultural da Princípios a Zhdanov. A escolha da gravura da capa, se de Fernand Leger, Mark Chagall, Diego Rivera ou Pablo Picasso, ficava sempre pendente da invariavelmente acertada opinião da sua companheira de sempre, a talentosa artista plástica, também saudosa, Edíria Carneiro.

No futebol, nossa unidade era restrita ao Vasco e às acerbas críticas à seleção do “Parreiras”, porquanto estávamos em posições antagônicas em São Paulo – ele palmeirense, eu corintiano – e no Pará, sua terra natal que de alguma maneira se tornou o meu segundo estado – ele remista, eu Paissandu.

Mas voltemos às questões essenciais. Além do preito de saudade, eterna saudade, porque tive no João, além de um dirigente, um amigo, conselheiro e condutor, quero destacar “apenas” o sentido do momento histórico que tinha e sua implacável análise sobre as classes dominantes brasileiras.
Sua experiência e o conhecimento acumulado da leitura do marxismo-leninismo e da história do Brasil deram-lhe a compreensão da encruzilhada histórica em que se encontrava o país nos idos da Nova República (1985-1989), fenômeno que se repetia com conteúdo e formas novos nos diferentes ciclos da vida política brasileira. Em 1930, porque fizéramos uma parcial e insuficiente revolução burguesa, que não enfrentou os problemas de fundo da sociedade de então. Em 1945-1954, porque ao influxo democrático e patriótico da vitória contra o nazi-fascismo sobrepôs-se a ofensiva antinacional e antipopular das classes dominantes e do imperialismo, prelúdio da ditadura militar que se instauraria dez anos depois.

Na Nova República, superada a ditadura militar, tarefas democráticas de novo nível passaram à ordem do dia, a questão social era emergente e a questão nacional, exigência para enfrentar a nova ordem mundial sob a égide do imperialismo. Nenhuma dessas questões foi enfrentada em sério nem a fundo.
Quando o chamado “centrão” sequestrou a Constituinte, a acuidade do João constatou a morte do centro democrático nas condições peculiares daquela conjuntura. Noção que reafirmou diante da vitória eleitoral de Fernando Collor, em 1989, e da ampla frente de direita e centro-direita que garantiu os oito anos de mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos governos mais ruinosos e entreguistas de toda a história republicana.

Perante a encruzilhada histórica, propôs a ruptura revolucionária e – com toda a amplitude e flexibilidade tática – preconizou a radicalidade estratégica, que fundamentou a elaboração do Programa Socialista (8ª Conferência, 1995 e 9º Congresso, 1997).

Nesse Programa, João inscreveu sua sentença sobre a formação social brasileira e as classes dominantes: “O desenvolvimento deformado da economia nacional, o atraso, a subordinação aos monopólios estrangeiros e, em consequência, a crise econômica, política e social cada vez mais profunda são o resultado inevitável da direção e do comando do país pelas classes dominantes conservadoras. Constituídas pelos grandes proprietários de terra, pelos grupos monopolistas da burguesia, pelos banqueiros e especuladores financeiros, pelos que dominam os meios de comunicação de massa, todos eles, em conjunto, são os responsáveis diretos pela grave situação que vive o país. Gradativamente, separam-se da nação e juntam-se aos opressores e espoliadores estrangeiros. As instituições que os representam tornaram-se obsoletas e inservíveis à condução normal da vida política. Elitizam sempre mais o poder, restringindo a atividade democrática das correntes progressistas. A modernização que apregoam não exclui, mas pressupõe, a manutenção do sistema dependente sobre o qual foi construído todo o arcabouço do seu domínio”.

Percebendo que a luta democrática e patriótica pelo desenvolvimento nacional, a soberania nacional, em defesa da nação ameaçada pela voragem neoliberal, era no fundo um aspecto da luta de classes, inseparável da luta pelo socialismo na fase peculiar que o Brasil vivia, Amazonas era taxativo em suas conclusões acerca da evolução desse combate. No mesmo documento, o Programa Socialista, dizia: “Tais classes não podem mudar o quadro da situação do capitalismo dependente e deformado. Sob a direção da burguesia e de seus parceiros, o Brasil não tem possibilidade de construir uma economia própria, de alcançar o progresso político, social e cultural característicos de um país verdadeiramente independente. Na encruzilhada histórica em que se encontra o Brasil, somente o socialismo científico, tendo por base a classe operária, os trabalhadores da cidade e do campo, os setores progressistas da sociedade, pode abrir um novo caminho de independência, liberdade, progresso, cultura e bem-estar para o povo, um futuro promissor à nossa Pátria”.

O enfrentamento a essas classes e ao imperialismo exigem ampla e profunda luta política de massas, estratégia e tática, unidade das forças democráticas e populares e a existência de uma vanguarda consciente e enraizada nos trabalhadores, um partido comunista com tirocínio político e densidade teórica e ideológica. Estes eram os temas que diuturnamente ocupavam a agenda de trabalho do camarada João. Estas são ainda as tarefas dos que o sucedemos.


*José Reinaldo de Carvalho é jornalista, editor de Resistência, secretário de Política e Relações Internacionais do PCdoB


 Fonte: blog Resistência via Vermelho

Paulo Moreira Leite: Dilma deixou a UTI


Dilma RousseffDilma Rousseff
Mostra que Dilma está no jogo e que aliados do governo cometeriam um erro político lamentável caso descartassem a possibilidade de seu retorno à Presidência. As chances são reais, como já escrevi aqui. Os números do Ibope mostram que se tornaram mais verossímeis.

Embora se possa, sempre, colocar em dúvida os acertos em pesquisas de opinião, cabe considerar um dado essencial.

A recuperação da presidente não pode ser descrita como um inesperado raio em céu azul. É um dado coerente com o conjunto da situação política. Há meses que a avaliação de Dilma realizar um movimento de alta, em passos pequenos, mas regulares. Agora, subiu de 18 pontos para 33.

O ponto essencial envolve a atitude da própria Dilma. Rompendo a postura de silêncio olímpico que se impôs desde que as denúncias se aproximaram do Planalto, assumiu a defesa de um mandato legítimo. Abandonou a noção de que poderia manter-se no cargo apoiada exclusivamente no reconhecimento de sua honestidade pessoal para entrar na luta política direta, que obedece a outros critérios e valores, a começar pela relação de forças entre aliados e adversários.

A nova postura trouxe uma novidade fundamental ao debate, reforçando o argumento de que a tentativa de impeachment não envolvia o destino pessoal de uma presidente, nem o futuro do PT, mas ameaçava uma conquista maior, a democracia.

Realizada pelo Congresso, instituição que é vista pelos brasileiros como a mais corrupta entre tantas, me parece difícil negar que os números expressam o reconhecimento do logro, a confirmação do começo de uma desilusão mais do que compreensível, confirmada pelo ministro que, em março, ao pronunciar uma afirmação histórica ("Michel é Cunha") deixou uma gravação que desde a semana passada colocou Michel Temer em estado de fraqueza precoce.

Apoiando-se em Eduardo Cunha, personagem cujo desembaraço a população considera um insulto à sua dignidade, Temer e seus aliados que dirigem o govrno foram além do que seria possível imaginar em decisões erradas e condenáveis.

A brutal intervenção na EBC, afastando um diretor presidente com um mandato legal de quatro anos, mostrou-se reveladora da recusa em aceitar qualquer tipo de debate democrático, mesmo a partir de uma emissora pública, normalmente classificada em último lugar nas pesquisas de audiência. Raríssimas vezes em oito anos de história a EBC recebeu tanta atenção dos grandes veículos de comunicação, num episódio onde o caráter autoritário da intervenção do Planalto contra o jornalismo da TV Brasil dificilmente poderia ser escondido.

Liderando os primeiros protestos contra o presidente interino, o movimento de mulheres expôs o desprezo do governo temporário por direitos obtidos na última década e meia, quando questões de gênero receberam um merecido destaque. Por fim, a equipe econômica mostrou-se incapaz de apontar qualquer perspectiva para tirar o país de uma crise profunda, comprometendo-se com medidas clássicas de austeridade que costumam agravar o sofrimento dos mais pobres e menos protegidos.

Outro aspecto envolve a visão cada vez mais desconfiada de uma instituição que desde o período da ditadura militar muitos brasileiros costumam levar em conta em caso de dúvida -- a imprensa internacional.

Uma verdade me parece óbvia. Se a maioria da população julgasse o afastamento de Dilma como um processo legítimo e transparente, com provas robustas e revelações inquestionáveis, teria aplaudido a decisão dos senadores e só estaria aguardando que fosse confirmada pela sentença final. Em vez de subir, a confiança em Dilma, teria se reduzido, traduzindo a aprovação da população, reconfortada diante do espetáculo de seu afastamento e a posse de Michel Temer.

Neste ambiente, a luta em defesa do mandato de Dilma ocorre em sob novas condições, mais favoráveis.

Não vamos nos iludir com os efeitos das pesquisas de opinião sobre o conjunto da situação política, em particular sobre os movimentos das lideranças que tentam promover uma ruptura institucional para dar posse a um governo sem legitimidade, comprometido com um programa que contraria o voto da maioria do eleitorado nas últimas quatro eleições presidenciais.

É bom recordar. Às vésperas do 31 de março de 1964, o mesmo Ibope possuía uma pesquisa que mostrava o amplo apoio popular a João Goulart. Ponto central da luta política do período, o programa de reformas de base tinha boa aceitação mesmo em regiões do país que não apoiavam o presidente, como São Paulo. Mas isso não impediu que os tanques e e baionetas derrubassem um presidente constitucional, numa época em que os vices eram escolhidos em urna, pelo voto popular.

A questão é que temos um golpe em dois turnos, no qual o afastamento da presidente, pelo Senado, precisa ser confirmado numa decisão, por maioria de 2 terços, que deve ser tomada até agosto. Ao conquistar a confiança de 36% dos brasileiros, patamar tradicional do Partido dos Trabalhadores antes da chegada de Lula ao Planalto, Dilma deu um passo importante para recuperar a autoridade política e derrotar um pesadelo anti-democrático.

A disputa está longe de resolvida. A maioria democrática dos brasileiros ainda não deu sua palavra final.

O Ibope demonstra a crescente dificuldade dos golpistas em impor sua versão ao país. Como sempre acontece, os números devem dar novo ânimo a resistência, em particular dos trabalhadores, dos movimentos sociais e da juventude. Este é o ponto essencial.


Fonte: Brasil 247 via Vermelho

Um pacote de maldades contra o povo para favorecer os ricos

O pacote de maldades de Michel Temer, anunciado nesta semana pelo banqueiro Henrique Meireles, que ocupa o ministério da Fazenda, força o Brasil a andar para trás e voltar aos tempos anteriores a 1985, quando vigiam as regras da economia ditadas pela ditadura militar de 1964.

O pacote anunciado significa um recuo de mais de três décadas em termos de política econômica. Só para recordar, Meirelles anunciou medidas que fazem a felicidade do capital rentista e especulador, e despejam o peso da crise econômica sobre o povo e os trabalhadores.

Direitos que resultaram de décadas de lutas populares e trabalhistas foram simplesmente cancelados, numa penada!

O pacote de maldades é abrangente. Foi acompanhado pela aprovação, na madrugada da terça-feira (25), pelo Congresso, da autorização para que o governo tenha um déficit, este ano, de 170,5 bilhões de reais.

Este é um valor mal explicado, sendo em mais de 50 bilhões de reais superior ao que o próprio ministério da Fazenda admitia na manhã da sexta-feira (20), que chegava a 114 bilhões. Até mesmo o jornal O Estado de S. Paulo, alinhado com o golpe, noticiou esta variação absurda de valores afirmando que o déficit anunciado é um exagero, sendo resultado de especulação.

Especulação terrorista, poderia ter dito. Aquele valor exagerado tem a função de consternar o país e justificar os cortes orçamentários impopulares que o governo ilegítimo pretende impor. As propostas de Emenda Constitucional encaminhadas por Michel Temer reintroduzem uma política neoliberal ainda mais radical do que a praticada por Fernando Henrique Cardoso durante os oito anos em que, à frente do governo federal, infelicitou o país.

As mudanças que Temer pretende impor limitam radicalmente os gastos sociais do governo, entregam o pré-sal às petroleiras estrangeiras, criam condições para privatizar todas as empresas estatais (a Petrobrás entre elas), inviabilizam o BNDES como banco de desenvolvimento, e eliminam o Fundo Soberano, que é a poupança criada em 2008 como instrumento oficial para enfrentar as crises, e que o capital rentista e especulativo nunca aceitou. 

Os limites aos gastos públicos afetam diretamente os programas sociais, de distribuição de renda e de fomento ao desenvolvimento nacional. Pretendem eliminar a obrigação constitucional que reserva recursos para Saúde, Educação, Reforma Agrária, Habitação Popular. Impedem os aumentos reais do salário mínimo. 

Para o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, que foi ministro de Fernando Henrique Cardoso e rompeu com ele, "o objetivo é beneficiar os capitalistas rentistas e financistas - os grandes vitoriosos do momento - para que paguem menos impostos. É reduzir os salários diretos e indiretos". E denuncia a renitente tese neoliberal segundo a qual "a Constituição de 1988 não cabe no PIB”, argumento falso e oportunista, que serve para beneficiar a ganância especulativa e jogar sobre os ombros do povo e dos trabalhadores os custos da crise criada pela própria especulação financeira e seu braço parlamentar através da paralisia legislativa imposta ao país desde o início de 2015.

O economista, João Sicsú reforça este argumento ao dizer que o festival de limites de gastos públicos não afeta o principal deles - os pagamentos de juros da dívida pública. “Aí”, diz ele, “não tem teto, não tem limites, pode se gastar quanto o governo desejar”.

Quem imaginava que o golpe midiático-judiciário-parlamentar contra Dilma Rousseff foi feito para acabar com a corrupção pode avaliar agora a extensão do conto em que caíram. 

O governo ilegítimo e usurpador de Michel Temer revela, nestas medidas, os objetivos principais do golpe. Um deles é deter a Lava Jato, como ficou claro nas conversas, tornadas públicas, entre o ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado, e expoentes do golpe e do governo ilegítimo. 

Mas a principal tarefa do governo ilegítimo de Michel Temer é impor, rapidamente e à margem da lei, mudanças programáticas que representam uma mudança radical de orientação - o abandono de qualquer preocupação social, democrática e com a soberania nacional, e a imposição dos privilégios do capital financeiro e da especulação rentista.


Fonte: Vermelho

Dilma: Medidas tomadas por Meirelles condenam saúde e educação


Presidenta Dilma RousseffPresidenta Dilma Rousseff
Para Dilma, o presidente ilegítimo Michel Temer erra ao não criar impostos e fazer cortes em áreas como saúde e educação, pois quem paga por isso é a população.

"Eu não concordo com essas medidas [anunciadas pelo ministro na semana passada]. Não sei se é dele essa ideia de propor o orçamento base zero [que só cresce de acordo com a inflação do ano anterior]. Mas não é possível num país como o nosso, não ter um investimento pesado em educação. Sem isso, o Brasil não tem futuro, não. Abrir mão de investimento nessa área, sob qualquer circunstância, é colocar o Brasil de volta no passado. É um absurdo", diz a presidenta.

Dilma explica também que, apesar de cortes em seu governo, e por causa de um ano "terrível em 2015", fez todos os esforços para não ter corte em programa social.

"Nós nunca entramos nessa do pato [símbolo criado pela Fiesp para protestar contra aumento de impostos]. Aliás, o pato tá calado, sumido. O pato tá impactado. Nós vamos pagar o pato do pato, é? Porque quem paga o pato, quando não se tem imposto num país, é a população. Vai ter corte na saúde. Já falaram em acabar com o Mais Médicos, já falaram que o SUS não cabe no orçamento. Depois voltaram atrás", diz Dilma.

"Entre fazer isso [cortes em área sociais] e criar um imposto, cria um imposto! Para com essa história de não criar a CPMF. Só não destrói a educação e a saúde. Não tira as crianças da sala de aula. É essa a discussão que precisa ser feita e não uma discussão genérica sobre o pato", sublinha.

Sobre a política econômica adotada depois da eleição, Dilma explica que havia uma política anticíclica e que ela acabou. "A guinada é essa. Agora, isso não significa que não possamos ter errado nisso e naquilo. Porque senão fica assim 'não errei em nada'. Não é isso".


 Do Portal Vermelho, com informações da Folha de S.Paulo