terça-feira, 8 de março de 2016

Bancários de Itabuna contra o Mosquito

O Departamento de Saúde do Sindicato dos Bancários de Itabuna com apoio da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e do grupo Pedal Bom lançará companha contra o Aedes Aegytpi, mosquito causador das arboviroses  Dengue, Zika e Chikungunya que vem se alastrando e  apavorando a população. A iniciativa denominada Bancários contra o Mosquito  compreenderá diversas atividades que serão realizadas pela entidade e apoiadores com início na semana que vem.

” Estamos vivendo uma verdadeira epidemia dessas doenças e precisamos atuar no sentido de alertar a categoria bancária e a população sobre os riscos e também envolver os bancários e amigos nessa campanha que o Sindicato está realizando”, afirma Cristiane Brandão, diretora de Saúde da entidade.

Diante da situação a iniciativa Bancários contra o Mosquito terá como desdobramento as campanhas Bancário Doe Sangue e  Bancário Doações para o QG, além de apoiar passeio de conscientização nos bairros de Itabuna organizado pelo grupo Pedal Bom de Itabunadenominado Pedal Mosquito Zero.

“Essa campanha do Sindicato dos Bancários é de grande importância diante do cenário de crescimento das doenças causadas pelo Aedes Aegypti. Visitando o QG da Prefeitura constatamos a necessidade de participarmos efetivamente dessa grande batalha contra o mosquito”, afirma Paulo Eduardo vice-presidente do Sindicato.

Visita ao QG contra o mosquito

O vice-presidente do Sindicato, Paulo Eduardo e os diretores Valter Moraes e Ricardo Carvalho, da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe  estiveram visitando o QG contra o mosquito situado  na avenida do Cinquentenário onde situava a antiga concessionária Indiana Veículos. O espaço conta com laboratório, consultórios médicos, salas de coleta, triagem, hidratação, controle e  farmácia funcionando 24 horas e tem como objetivo permitir o atendimento rápido de pacientes com sintomas de dengue, chikungunya e zika vírus.
Supervisor de Agentes de Endemias, sr. Sandoval Dias Lima, Paulo Eduardo vice presidente do Sindicato e Valter Moraes diretor regional da Federação dos Bancários
Na oportunidade foi informado aos coordenadores do QG sobre a campanha e  atividades que o Sindicato irá realizar junto à categoria bancária. O supervisor de agentes de endemias, Sandoval Santana, informou que uma das carências da estrutura montada pela Prefeitura no local é a falta de pessoal voluntário para suprir as demandas a exemplo de atendimento. Segundo Sandoval,”são tarefas simples que qualquer pessoa pode desempenhar e a necessidade é grande principalmente das 19 às 23 horas, durante a semana e também durante todo o dia dos sábados e domingos”.

Campanha Bancário Doações para o QG

Além da falta de pessoas voluntárias para ajudar na estrutura e no atendimento do QG há falta de materiais básicos para tornar o atendimento eficiente. De acordo com o administrador do local, Sr. Moacir Messias, a lista de material necessita também do apoio e da colaboração do cidadão. “Desde água sanitária, água mineral até termômetro, toda doação nos é de grande importância”, afirmou. Messias salientou também para a necessidade da prevenção e de combate aos criadouros do mosquito nas casas e nas ruas.
Wildes Santana, coordenadora de enfermagem do QG, Paulo Eduardo vice-presidente do Sindicato, Moacir Messias administrador do QG e Valter Moraes, diretor da Federação dos Bancários
O Sindicato se comprometeu a colaborar com doação de água mineral e copos descartáveis e com a mobilização da categoria bancária para as campanhas de doação de sangue e de material para o QG. Além disso, a entidade usará seus veículos de comunicação (sítio na internet, página do Facebook, boletins diários e no blog Língua de Fogo) para divulgação das recomendações do Ministério da Saúde do combate e da prevenção contra o mosquito Aedes Aegypti.

“É uma campanha que todos nós devemos nos engajar, doando água mineral ou copo descartávei. O importante é cada um participar para que sejam reduzidos os efeitos desta terrível epidemia”, alerta Valter Moares, diretor regional da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe

Materiais para doação voluntária

A coordenadora de enfermagem do QG da Prefeitura, Wildes Santana listou os materiais que precisam da colaboração e apoio da comunidade. Segundo Wildes, a iniciativa do Sindicato dos Bancários é muito importante para o momento crítico que estamos vivenciando. “O Sindicato dos Bancários é referência no município e com certeza vai nos ajudar muito nessa guerra contra o mosquito”,  pontuou. A lista dos materiais que o QG necessita consta de água mineral, copo descartável, água sanitária, saco de lixo, termômetro e tensiômetro.


Campanha Bancário Doe Sangue
Em 2012, Jorge Barbosa, presidente do Sindicato participou da campanha de doação de sangue para ajuda aos pacientes da dengue
No próximo dia 10 de março (quinta-feira), o Sindicato lançará para a categoria a campanha Bancário Doe Sangue. O objetivo é mobilizar o máximo de  bancários, bancárias e amigos a participar e colaborar com o Banco de Sangue da Santa Casa de Misericórdia. A campanha continuará por todo este mês.
Segundo a Santa Casa em comunicado oficial, o Banco de Sangue já registrou uma queda de 30% no número de doações, fato relacionado à impossibilidade de doadores que contraíram dengue, zika ou chikungunya realizar doações de sangue por pelo menos 30 dias após o desaparecimento dos sintomas. Em Itabuna só existe essa unidade de coleta de sangue.
“No dia 10 , o Sindicato espera contar com o máximo de bancários e bancárias voluntários na doação de sangue e durante todo mês de março estaremos mobilizando nossa categoria e amigos para que este grande ato de solidariedade humana tenha continuidade”, analisa Jorge Barbosa, presidente do Sindicato.


 Campanha Bancário Pedal Mosquito Zero
O  Pedal Bom de Itabuna é um grupo de ciclismo formado há três anos por amigos que desenvolvem atividades esportivas, recreação, informação, cidadania, solidariedade e cultura, na cidade de Itabuna e região, relacionadas a pratica do ciclismo. Em parceria com o Sindicato o Pedal Bom entrou na campanha Bancários contra o Mosquito e estará organizando dias de passeios pelos bairros de Itabuna com panfletagem e conscientização em relação à prevenção e combate a dengue.
“Queremos envolver os bancários e bancárias ciclistas, além de amigos da categoria nesta campanha que vai destacar  para a população em geral o importante papel de todos no combate e prevenção dessas viroses”, afirma Paulo Eduardo, vice-presidente do Sindicato e  coordenador do Pedal Bom de Itabuna.
As datas dos passeios e os roteiros serão informadas nos próximos boletins do Sindicato.

Ricardo Carvalho – Seeb Itabuna

Marcha das Mulheres em Itabuna denuncia violência

A Frente Brasil Popular (FBP), entidade composta pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), União Brasileira de Mulheres (UBM), União da Juventude Socialista (UJS), Levante Popular da Juventude e Marcha Mundial das Mulheres (MMM), realizou caminhada no centro de Itabuna com panfletagem denunciando a violência contra a mulher, notadamente a violência doméstica e familiar.

Segundo a nota distribuída pela FBP durante a caminhada, No Brasil, os índices de violência contra a mulher ainda assustam e preocupam. Ocupamos a quinta colocação no ranking mundial, de acordo com levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) para medir as taxas de feminicídio. Apesar dos avanços dos últimos anos, as taxas ainda são agravantes.


Segundo pesquisa do DataSenado sobre violência doméstica e familiar (2015), uma em cada cinco mulheres já foram espancadas pelo marido, namorado, companheiro ou ex-marido. Além disso, pesquisas do Instituto DataPopular, de Políticas para Mulheres da Presidência da República e do IPEA, indicam que: 45% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência; 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos;  56% dos homens admitem que já cometeram alguma dessas formas de agressão; 77% das mulheres que relatam viver em situação de violência e sofrem agressões semanais ou diariamente. Em mais de 80% dos casos, a agressão foi cometida por homens com quem as vítimas têm ou tiveram algum vínculo afetivo.


Leci Brandão: A força da mulher na luta contra o racismo

Neste Dia Internacional da Mulher, quero relatar uma experiência que tive há muitos anos quando fui procurar meu primeiro emprego. Era 1966, recém-formada pelo Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Era hora de ter carteira assinada. Desavisada sobre as armadilhas do racismo institucional, bati de porta em porta com um currículo embaixo do braço seguindo os anúncios que exigiam muitos requisitos, inclusive a tal “boa aparência”.

Por Leci Brandão*


  
A carteira assinada só veio depois que relatei a minha busca a uma amiga que me explicou o que a tal “boa aparência” significava. Ela disse que eu nunca preencheria nenhuma vaga se não fosse por meio de uma indicação ou algo parecido.
 
Hoje, não vemos mais anúncios pedindo a “boa aparência”, mas isso não quer dizer que a vida ficou muito mais fácil para as mulheres negras. Hoje, enquanto deputada estadual, recebo denúncias de mulheres que não ascendem em suas carreiras, principalmente no mundo corporativo, por causa de seu cabelo crespo, ou que sofrem assédio para que se adaptem a um padrão estético considerado aceitável.
 
O racismo é uma forma de opressão perversa e cruel. Ele garante a manutenção de estruturas repressivas e autorizam atrocidades como o genocídio da juventude negra e a exploração do nosso trabalho em troca dos salários mais baixos e nas piores condições.
 
Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, data de luta e reflexão, não podemos ignorar a desigualdade racial e de gênero que atinge a mulher negra, pois, se nossa luta por emancipação é internacional, também é certo que ela deve considerar a questão racial. Precisamos, sim, de um feminismo negro. A boa nova é que são evidentes os sinais de crescimento desse feminismo no Brasil. Nas ruas já se fazem notar os cabelos crespos ou trançados e turbantes coloridos. Para os que pensam que essa mudança estética é algo supérfluo, um recado: não se trata apenas de cabelo. Estamos falando de protagonismo, de poder e de política.

Estamos colhendo os frutos de décadas de luta do movimento negro somadas às políticas públicas inclusivas iniciadas em 2002, com a eleição de Lula, como a instituição do ProUni (Programa Universidade para Todos) e das cotas para negros e indígenas nas universidades. Porém, continuamos três degraus abaixo na escada da igualdade racial e de gênero. Para citar apenas um exemplo dessa disparidade, 61,6% das 6,5 milhões de mulheres que exercem o trabalho doméstico remunerado no Brasil são negras, pobres e com baixa escolaridade, a maioria sem vínculo trabalhista formal; por outro lado, na Câmara dos Deputados, as mulheres negras são pouco mais de 2%.
 
O racismo é mantenedor de estruturas de poder e não podemos desconsiderá-lo em nenhum momento.
 
Hoje temos algumas leis que nos amparam e um Estatuto da Igualdade Racial, mas a nossa maior conquista hoje é o nosso fortalecimento coletivo: “Uma sobe e puxa a outra”.
 
É puxando umas às outras que vamos ocupar os espaços de Poder. Não temos como mudar um Congresso reacionário, que ataca as mulheres, principalmente as negras, se não participarmos da política, se não elegermos cada vez mais mulheres que falem e defendam as causas que realmente farão uma diferença positiva em nossas vidas.
 
Estamos vivendo a ameaça de uma democracia sufocada. Reelegemos a Presidenta Dilma e é fundamental que as comemorações deste 8 de Março sejam marcadas pela defesa da democracia e contra o retrocesso. Hoje, esta é a nossa pauta mais urgente. Temos que garantir essa democracia, pois, sem ela nossas lutas não vão avançar.
2016 é ano eleitoral e a pergunta que faço é: quantas mulheres pretendemos eleger nas próximas eleições? Quantas mulheres negras?
 
Eu conheço as dificuldades das mulheres, principalmente, das mulheres das pontas, das favelas, das periferias, das ocupações e dos quilombos. Conheço de perto o machismo e o racismo porque sempre lidei com eles. Por isso mesmo sei que se não estivermos no Poder, de verdade, nossas lutas serão ingratas.
 
Se não colocarmos mais mulheres negras e das periferias nos representando nas Câmaras Municipais, Prefeituras, Governos Estaduais, Assembleias Legislativas, na Câmara Federal e no Senado, não vamos avançar.

Nossa luta por emancipação e mais desenvolvimento continua atual, mas não haverá mudanças se a luta das mulheres também não for pela superação do racismo.

Nenhum direito a menos!

Nenhum passo atrás!

Viva o 8 de Março!
 
 
*Leci Brandão é cantora e compositora e deputada estadual pelo Partido Comunista do Brasil de São Paulo, exercendo atualmente o segundo mandato. É a segunda mulher negra a assumir uma cadeira na história de 180 anos da assembleia legislativa paulista
 

Do Portal Vermelho

As bem-sucedidas políticas para mulheres e os novos desafios

No Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 2016, as brasileiras têm muito a comemorar, mas sem perder a perspectiva de continuar lutando em defesa da democracia com mais mulheres na política e nos espaços de poder e decisão, persistindo para que não haja retrocesso e nenhum direito a menos.

Por Liége Rocha*


Liége RochaLiége Rocha
Foram muitas as conquistas das mulheres nesses últimos anos. Podemos dizer que a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, em 2003, foi um marco para as brasileiras que sempre almejaram ampliar cada vez mais a caminhada em busca da igualdade entre homens e mulheres.
 
Com a realização das Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres ampliou-se o debate em torno das políticas públicas para as mulheres, envolvendo no processo das 3 últimas cerca de 500 mil participantes que contribuíram na elaboração e atualização do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, observando sempre a transversalidade de gênero.

Não podemos deixar de ressaltar os avanços que tivemos no enfrentamento à violência contra a mulher, envolvendo ações de combate, prevenção e assistência às vítimas. Destacamos a Lei Maria da Penha, o Pacto pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, o Programa “Mulher Viver sem Violência” que, entre outras ações, visa implantar a Casa da Mulher Brasileira em todas as capitais e ainda a Lei do Feminicidio que completa 1 ano agora no 9 de março.

No nosso Seminário Nacional realizado, em Salvador, de 19 a 20 de fevereiro ficou claro para mim, após a apresentação de Ana Rocha e dos debates ali ocorridos, que as políticas públicas têm se concentrado no enfrentamento à violência contra a mulher. Entendemos que do ponto de vista da corrente emancipacionista outros aspectos deveriam ser mais observados como a autonomia econômica das mulheres. Não podemos deixar de enfatizar que, com a entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho, acirrando a dupla jornada de trabalho, é fundamental que tenhamos políticas que venham minimizar essa sobrecarga com a implementação dos equipamentos sociais, tais como restaurantes e lavanderias públicas, as creches e escolas de tempo integral.

Com a onda conservadora que hoje enfrentamos, retirando dos Planos nacional, estaduais e municipais de educação a identidade de gênero, fica claro que temos que continuar exigindo uma educação não diferenciada, sem estereótipos, respeitando as diferenças.

Vinte anos após a IV Conferência Nacional sobre a Mulher realizada em Beijing, em 1995, quando se indicou aos países membros da ONU a redução de 50% nos casos de morte materna, não podemos ficar caladas frente aos índices de mortalidade materna que continuam inaceitáveis em nosso país. Precisamos que o programa de atenção integral a saúde da mulher seja de fato implementado e que o SUS seja cada vez mais fortalecido.

Temos destacado que não podemos pensar no fortalecimento da democracia sem enfrentar a sub-representação das mulheres nos espaços de poder e decisão, cujos índices depreciam a participação crescentes das mulheres na vida nacional.

Por tudo isso é que nesse 8 de Março – Dia Internacional da Mulher levantamos nossas vozes em defesa da democracia, por mais direitos e mais mulheres na política.

Viva o 8 de Março!

Viva a Luta das Mulheres!
 
*LIége Rocha é secretária nacional da secretaria da mulher do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) 

do Portal Vermelho 

Senadoras debatem desafios da pauta feminina no Parlamento

No Dia Internacional da Mulher, a TV Senado ouviu senadoras sobre as principais conquistas e os desafios da bancada feminina no Congresso. O aumento da participação nos espaços de tomada de decisões e o combate à violência contra a mulher foram destacados como os pontos mais importantes da pauta de reivindicações no Legislativo.


Agência Senado
O Congresso Nacional promove extensa programação - nesta trça-feira - 8 de Março - e durante todo o mês para discutir as questões relacionadas à luta das mulheres. O Congresso Nacional promove extensa programação - nesta terça-feira - 8 de Março - e durante todo o mês para discutir as questões relacionadas à luta das mulheres. 
A procuradora da Mulher no Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), diz que o Brasil ocupa, em dois mapas, posições diametralmente opostas, em um o país está em primeiro lugar – no número de violência contra a mulher – e no outro, em um dos últimos lugar – na representação da mulher na política.

 
 

Fonte: TV Senado via Vermelho

Violência doméstica mata cinco mulheres por hora

A violência doméstica é responsável pela morte de cinco mulheres por hora no mundo, mostra a organização não governamental (ONG) Action Aid. A informação é resultado de análise do estudo global de crimes das Nações Unidas e indica um número estimado de 119 mulheres assassinadas diariamente por um parceiro ou parente.


Reprodução
O Brasil é o quinto país mais violento contra as mulheres do mundoO Brasil é o quinto país mais violento contra as mulheres do mundo
A ActionAid prevê que mais de 500 mil mulheres serão mortas por seus parceiros ou familiares até 2030. O documento faz um apelo a governos, doadores e à comunidade internacional para que se unam a fim de dar prioridade a ações que preservem os diretos das mulheres. O estudo considera dados levantados em 70 países e revela que, apesar de diversas campanhas pelo mundo, a violência ou a ameaça dela ainda é uma realidade diária para milhões de mulheres.

Segundo dados do Instituto Avon, três em cada cinco mulheres já sofreram violência no relacionamento, no Brasil. Nosso país é o quinto mais violento contra as mulheres.

O relatório considera as diferenças regionais entre os países e, além disso, observa o universo de denúncias subnotificadas, de mulheres que sofrem assédio, estupro ou outros tipos de violência e têm vergonha de denunciar.

“A forma de contar é sempre muito difícil, existe uma cultura de silenciar a violência contra a mulher. É a cultura da naturalização, onde há um investimento social para naturalizar a violência contra a mulher com o que se ouve na música, nas novelas, na rua. Tudo isso é muito banalizado e a mulher se questiona: 'será que o que aconteceu comigo foi uma violência? Será que se eu denunciar vão acreditar em mim?”, explica a assistente do programa de direitos das mulheres da Action Aid Brasil, Jéssica Barbosa

No Brasil, a organização promove a campanha Cidade Segura para as Mulheres, que busca o compromisso do Poder Público com uma cidade justa e igualitária para todos os gêneros.
“Muitas mulheres não conseguem exercer seu direito de ir e vir. A cidade não foi pensada para as mulheres, os becos são muito estreitos e escuros no Brasil. É necessário que haja o empoderamento das mulheres para superar a situação de violência. Por mais que o Estado tenha a obrigação de garantir instrumentos, é preciso que a gente invista na autonomia dessas mulheres”, acrescenta Jéssica.
 

Do Portal Vermelho, com Agência Brasil

8 de março: em defesa dos direitos e da democracia

A agenda atual da Câmara dos Deputados é sinônimo de atraso, intolerância, criminalização e retrocesso. Uma agenda negativa que tem prejudicado mulheres, trabalhadores, indígenas, segmento LGBT e avança sobre o estado democrático. Neste 8 de março, as mulheres estão de prontidão: nas ruas, nos parlamentos, no local de trabalho, nas redes sociais para denunciar o golpe, lutar pelas conquistas da última década e defender a democracia.  

Por Railídia Carvalho


Acervo UNE
Mulheres protestam em São Paulo contra Cunha e em apoio às ocupações das escolas paulistas Mulheres protestam em São Paulo contra Cunha e em apoio às ocupações das escolas paulistas 
A figura do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) personifica o retrocesso na Câmara. Guacira César de Oliveira, integrante do colegiado de gestão do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), afirmou que a atual legislatura da Câmara dos Deputados atua deliberadamente contra os direitos sociais.

Ela classificou a eleição do deputado Eduardo Cunha para a presidência da Câmara  como um marco negativo para os direitos das mulheres. “Tudo o que é favorável aos direitos das mulheres desaparece, não tem prioridade. Tudo o que é contrário às garantias dos direitos das mulheres tem crescido e ganha em velocidade”, observou. 

A Cfemea vem acompanhando os métodos do presidente Cunha que intensificou o conservadorismo existente na Casa. “Ele imprimiu outro ritmo, criou comissões especiais com aliados dele, fazendo com que o projeto passe por única comissão quando passava por duas ou três”, descreveu Guacira.
 
Defender a democracia e os direitos sociais

O autoritarismo do Congresso, “de maioria machista e conservadora”, segundo a União Brasileira de Mulheres (UBM), tem sido denunciado pelo movimento de mulheres. Em 2015, milhares delas foram às ruas do país protestar contra o PL 5069/2013, que altera a legislação sobre o direito ao aborto. 

Em mobilização permanente, a UBM tem convocado a sociedade a se mobilizar contra o retrocesso nos direitos sociais e reafirmado a luta em defesa da democracia e o apoio ao mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff.

“Manteremos firme nossa defesa do projeto de país que começamos a implantar no Brasil a partir de 2003, queremos outra política econômica, que possibilite ao Governo da Presidenta Dilma voltar a investir largamente nos programas sociais e áreas estratégicas como Educação, Moradia, Saúde e Políticas para as Mulheres”, defendeu em nota a entidade.

De acordo com manifestação da secretaria nacional da mulher do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) conservadorismo e machismo andam juntos no congresso nacional. “Age em bloco promovendo retrocessos na legislação no que se refere aos direitos sexuais e direitos reprodutivos e nas políticas públicas que promovem a igualdade de gênero”, divulgou nota da secretaria.

Sub-representação

“É o caso recente da emenda 696/2015. Chegam ao absurdo aprovando na Câmara dos Deputados a retirada da perspectiva de gênero da atribuição do recém-criado Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos”, completou a nota. Na opinião da secretaria é urgente o combate à sub-representação das mulheres identificadas com as lutas sociais nos parlamentos como forma também de equilibrar a disputa nesta esfera.

“Somos uma democracia representativa com uma população de 52% de mulheres, mas essa maioria não se expressa nos espaços legislativos e executivos. Precisamos de mais candidaturas femininas e mais apoio dos partidos políticos durante as campanhas eleitorais para que se amplie o número de prefeitas e vereadoras. A disputa eleitoral é desproporcional, mas saberemos enfrentar com persistência e coragem”.

Alternativas de paridade

Para a vice-diretora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB) e autora de publicações sobre desigualdade de gênero, Flávia Biroli, a baixa presença de mulheres na política é um dos motivos do retrocesso no congresso. 

“Aumentou o número de mulheres que se identificam com as pautas de segmentos religiosos no congresso e ao mesmo tempo estão em menor número as parlamentares que defendem a agenda dos direitos das mulheres”, comparou. 

Na opinião dela em um momento em que as cotas na política não se mostram tão efetivas ela propõe outras estratégias que podem ajudar a combater a sub-representação. “A paridade na direção dos partidos, nos sindicatos. São medidas que estão fora da concorrência eleitoral e que podem ter um efeito enorme”, lembrou Flávia.

Nas ruas e nos parlamentos

Mesmo admitindo as dificuldades para os direitos sociais no congresso nacional, Flávia declarou que há uma parcela de parlamentares que demonstram dúvida na hora de votar contra os direitos.
 
“Se estivesse tudo sob controle, a retirada da perspectiva de gênero não teria tido tantos votos a favor(188 contra 166). Mesmo sendo derrotados, 166 deputados acharam que alguma coisa não estava certa. Da mesma forma, o Eduardo Cunha não se sentiria obrigado a se retratar na Folha de São Paulo e mentir em relação ao projeto dele depois das manifestações de outubro e novembro do ano passado”, destacou Flávia. 

O movimento social, especialmente o das mulheres, tem dado provas da alta capacidade de mobilização.  A instantânea convocação e presença de militantes em atos contra a ação coercitiva ao ex-presidente Lula, na sexta-feira (4), reforçou o caráter  anti-golpista das manifestações de março e o protagonismo do movimento de mulheres. 

“Este momento é de agressão à democracia e a um projeto de conquistas do povo brasileiro. A agressão ao ex-presidente Lula exige de nós posicionamento, presença e estado de alerta junto aos movimentos sociais nas ruas”, convocou Lúcia Rincón, presidenta da UBM. 
 

Do Portal Vermelho