quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

EUA vive “love affair” com o socialismo

Enquanto no Brasil a direita segue repetindo platitudes sobre o socialismo (assim como faz a direita norte-americana mais apatetada), o termo está em alta no país-símbolo do capitalismo.


  
Tudo se deve ao senador Bernie Sanders, o pré-candidato democrata à presidência que conseguiu roubar os holofotes da rival Hillary Clinton. Auto-denominado “socialista democrático”, Sanders, ao contrário de muita gente que se diz de esquerda por aqui, não economiza no uso da palavra. E faz bem, porque pesquisas recentes mostram que boa parte do eleitorado democrata hoje se define como socialista. Não é incrível?

“Socialism” foi escolhida “a palavra do ano” em 2015 pelo dicionário online Merriam-Webster. É atualmente a 7ª palavra mais buscada em todos os tempos no dicionário e a pesquisa por seu significado aumentou 169% no ano passado. “O fato de um candidato à presidência de um partido majoritário abraçar o socialismo mostra que o termo superou as definições do tempo da guerra fria”, publicou o Merriam-Webster em seu site. O verbete que o dicionário norte-americano dedica ao socialismo também se modernizou: o conceito aparece mais identificado com a social-democracia europeia, com a regulação da economia pelo Estado e as políticas sociais aplicados em países como a Suécia e a Dinamarca do que com (como repetem sem parar os bolsomitômanos) o totalitarismo da finada União Soviética ou da Coreia do Norte.

Desde que Bernie começou a ameaçar Hillary, pipocam por toda parte artigos perguntando se “a América estará finalmente pronta para o socialismo”.

Ora, a História mostra que foi preciso muito sangue derramado para conter os ímpetos socialistas na terra do tio Sam. Existiu um socialismo cristão por lá desde o século 19, anterior portanto à revolução russa. Nos primeiros anos do século 20, um forte movimento sindical de cunho socialista e anarquista foi reprimido com tortura, prisões, pena de morte e deportações. Durante o macartismo, a partir da década de 1950, comunistas passaram a ser acusados de “espionagem” em favor da URSS e executados na cadeira elétrica. Mas, nos anos 1960, ativistas dos direitos civis como os Panteras Negras continuavam a se identificar como comunistas ou socialistas.

Se o socialismo, mesmo perseguido, nunca morreu inteiramente nos EUA, pode-se dizer que nos últimos meses resolveu sair do armário. Já há inclusive quem fale que a América vive um novo love affair com o socialismo… Um facilitador para esta redescoberta é que agora não existe um inimigo da pátria que “represente” o socialismo. Ou seja, o socialismo voltou a ser o que é em sua essência, uma forma de ver o mundo. E o socialista deixou de ser o “traidor da pátria”. Não existe mais razão para perseguir pessoas que pensem desta maneira, ainda mais em um país onde a liberdade de pensamento é o artigo número um da Constituição.

Uma pesquisa do instituto Gallup de junho de 2015 revelou, de forma surpreendente, que 47% dos norte-americanos disseram que poderiam votar num candidato que se intitula “socialista”. Entre os democratas, o número dos que votariam em um socialista para a presidência sobe para 59%. O mais impressionante é que até entre os republicanos há gente que não veria problema em votar em alguém que se denominasse assim: 26% deles disseram que também poderiam votar num político dito socialista.

Outra pesquisa, feita entre os eleitores democratas no estado do Iowa neste mês, mostra que 43% deles usariam a palavra “socialista” para descrever a si mesmos. Um número maior do que os que disseram ser “capitalistas”: 38%. Uma terceira sondagem, patrocinada pelo jornal The New York Times em conjunto com a cadeia de TV CBS em novembro de 2015, revelou que também os apoiadores de Hillary Clinton possuem uma imagem positiva do socialismo. 56% dos eleitores aptos a votar nas primárias do partido Democrata disseram ver de forma positiva um governo identificado com o socialismo, contra 29% que têm uma visão negativa. O número é ainda maior entre os jovens (63%) e afro-descendentes (70%). O interesse no socialismo tem tudo a ver com a crescente desigualdade no país: 88% dos eleitores democratas ouvidos pela pesquisa disseram que o abismo entre pobres e ricos é um assunto urgente a ser enfrentado.

Apesar de não se furtar de falar de socialismo ou de posar para fotos com o punho erguido, célebre símbolo comunista, Bernie Sanders tem se mostrado disposto a esclarecer que o mundo de hoje é diferente e que a esquerda evoluiu. “Da próxima vez que me atacarem como socialista, lembrem-se que eu não defendo que o governo deva confiscar a mercearia da esquina ou deter os meios de produção”, disse ele. “O que eu acredito é que a classe média e os trabalhadores deste país, que produzem a riqueza, merecem um padrão de vida decente e seus ganhos devem subir, não baixar.” Não à toa, enquanto Hillary conta com o suporte financeiro de bancos e emissoras de TV, os principais doadores de Bernie são sindicatos e entidades ligadas aos trabalhadores.

Em uma entrevista ao humorista Seth Mayers, Bernie explica por que o socialismo não é um palavrão. Ele cita países como a Noruega, em que a saúde é um direito de todas as pessoas, como aliás quase toda a Europa, diferentemente do que acontece nos EUA, onde quem não tem dinheiro para custear um plano de saúde privado morre na rua (assista ao documentário Sicko, de Michael Moore, sobre o tema). Ou países em que a educação é pública e gratuita e todo jovem pode ir à universidade, não apenas quem pode pagá-la, ao contrário dos EUA. E em que os governos trabalham para as classes menos favorecidas e não para os bilionários.

“Para mim, socialismo democrático significa que nós podemos criar uma economia que funcione para todos, não apenas para os muito ricos. Socialismo democrático significa que nós podemos reformar um sistema político que hoje não é só absolutamente injusto como é, em muitos aspectos, corrupto”, disse Bernie em um discurso na Universidade de Georgetown em novembro, desmontando a falácia da “terra das oportunidades iguais para todos” e da “meritocracia”. Aonde quer que ele vá, arrasta multidões. Esta semana, milhares de simpatizantes de sua candidatura marcharam em 35 cidades dos EUA.

E pensar que diziam que o socialismo estava na pior, hein? Mesmo que Bernie Sanders não saia candidato à presidência, a sementinha está plantada. Sempre que os EUA enfrentarem crises econômicas, que o fosso entre os pobres e ricos aumentar e que mais gente estiver morando nas ruas, uma palavra vibrará nos ouvidos dos norte-americanos: por que não tentamos o socialismo?
 

Fonte: Blog Socialista Morena via Vermelho

É hora de ir para as ruas em defesa do Brasil e da legalidade

Fevereiro está chegando. É o mês que sinaliza dois grandes eventos no Brasil. Um deles é o carnaval que, este ano, ocorrerá logo no início do mês. O outro é a reabertura das atividades políticas no Congresso Nacional com o fim do recesso de final de ano. 
 
Todos se lembram da conjuntura que o país vivia em dezembro, quando a oposição de direita viveu importantes derrotas em sua tentativa de golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. 
 
O cenário de uma delas foi o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), que barrou a tentativa de golpe “paraguaio” da oposição neoliberal liderada pelo tucano Aécio Neves e pelo hoje principal partido da direita, o PSDB. 
 
A outra derrota importante aconteceu nas ruas, ocupadas em 16 de dezembro pelo povo organizado em defesa da democracia e da legalidade. 
 
Aquelas derrotas fizeram refluir o ímpeto golpista da direita, e muita gente voltou a defender o mandato legítimo de Dilma Rousseff e a denunciar as intenções antidemocráticas e ditatoriais em curso. 
 
O ano político recomeça em fevereiro justamente neste diapasão – o golpismo na defensiva, mas não derrotado; o governo retomando a inciativa; e o povo, vigilante e mobilizado, de olho na conjuntura.
 
Em pouco mais de um mês de recesso algumas mudanças importantes ocorreram. Cresce a rejeição ao nome de Eduardo Cunha, envolvido em denúncias de corrupção e tramoias para se manter à frente da Presidência da Câmara. 
 
Outro fato que merece registro foi o recuo do vice-presidente Michel Temer e o aumento das chances de reorganização da base aliada no Congresso, em torno dos parlamentares do PT, seus aliados à esquerda (com destaque para o PCdoB) e parte significativa do PMDB.
 
É neste quadro que a presidenta Dilma Rousseff realiza, na quinta-feira (28), a reunião do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), com representantes de empresários (entre eles alguns pesos pesados do PIB brasileiro), trabalhadores, governo e sociedade civil, entre os quais os presidentes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, e da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral. 
 
A mídia conservadora faz caretas, mas os conselheiros vão debater algo fundamental para deixar a crise para trás – a luta contra a inflação, a retomada do desenvolvimento e o crescimento sustentável. 
 
São movimentações importantes. Mesmo porque, embora o golpismo esteja esmaecido, suas vivandeiras e pregoeiros estão em alvoroço, no Congresso e na mídia conservadora. Farão de tudo para criar obstáculos ao governo das forças democráticas e progressistas. Alguns insistem no delírio golpista, como Aécio Neves. Outros nem tanto, mas procurarão derrotar a esquerda e os democratas na eleição municipal deste ano (com destaque para São Paulo) e em 2018. 
 
O objetivo da direita é inviabilizar qualquer candidatura do campo popular e democrático que dê continuidade à série de governos progressistas iniciada em 2003 e que está mudando em profundidade o Brasil. 
 
A tentativa de envolver o presidente Lula em crimes imaginários é permanente – a mídia conservadora (com destaque para o panfleto da famíglia Civita – Veja – e O Estado de S. Paulo), setores conservadores do Ministério Público e da Polícia Federal, junto com a oposição de direita, sonham com uma imagem de Lula preso, para poderem, com acusações forjadas, reduzir suas chances de candidatar-se em 2018. 
 
O golpismo tem objetivos imediatos (o afastamento de Dilma Rousseff) e de médio prazo (2018). A única garantia contra ele é a vigilância permanente dos democratas, dos progressistas e das forças de esquerda.

E do governo. Dilma Rousseff precisa dirigir a resistência democrática; cabe a ela articular o apoio ao governo no Congresso Nacional. E também ir para as ruas. Como bem disse o ex-presidente Lula, durante a entrevista com blogueiros (no dia 20), enquanto a grande mídia tenta pautar o governo, a presidenta precisa viajar pelo país para explicar ao povo as medidas que pretende adotar, e construir junto com ele a pauta de governo. Quem quiser bater panela que bata, afinal serão mais panelas vendidas e mais produção para o país! 
 
Fonte: Vermelho

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Dilma: Brasil não parou nem vai parar

O Brasil passa por um período de "transição econômica" e "dificuldades temporárias", mas não está paralisado. Esta é a avaliação feita pela presidenta Dilma Rousseff em entrevista, neste domingo (24), ao jornal 'El Comercio', do Equador. Ela viaja ao país nesta terça (26), para participar de cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). 


Agência Brasil
  
"O Brasil está passando por um momento de transição econômica. Estamos fazendo um grande esforço para nos adaptarmos à nova realidade global, que está tomando forma com o fim do super ciclo das commodities", disse Dilma, ao jornal.

Segundo a presidenta, garantir a estabilidade e o crescimento económico é essencial para o Brasil. "Para isso, estamos a fazer um ajuste fiscal severo. (...) Essa recuperação do equilíbrio fiscal permitirá a retomada da atividade econômica em bases mais sólidas e sustentável. Simultaneamente a esse esforço fiscal, lançamos programas para fazer avançar o investimento, particularmente em conjunto com o setor privado", afirmou.

De acordo com Dilma, isso tudo tem sido feito sem descuidar dos direitos trabalhistas e sociais e tendo em vista a preservação dos ganhos dos últimos 13 anos. "Confio em que a economia brasileira vai superar esses desafios e emergir ainda mais forte e mais competitiva", declarou.

"Não vamos retroceder em políticas exitosas de inclusão social e não vamos nos descuidar daqueles que mais necessitam. Mesmo em um contexto de ajuste, mantivemos os programas sociais e os principais investimentos", defendeu.

A presdienta destacou que , nos últimos anos, enquanto o mundo enfrentou graves problemas económicos e sociais, o Brasil foi capaz de "sustentar o crescimento com baixa inflação e com os mais baixos níveis de desemprego de sua história".

"Em que pesem as dificuldades temporárias, o Brasil não parou nem vai parar. Não retrocederemos na inclusão social ou nos investimentos sociais", garantiu.

Sem base jurídica


Na entrevista, Dilma voltou a dizer que não há respaldo jurídico para o pedido de abertura de processo de impeachment contra ela, e que a melhor saída quando há "divergência de ideias" é o debate. "Não é aceitável, em uma sociedade democrática e participativa, tirar um presidente apenas por divergência política, sem nenhum respaldo jurídico."

A presidenta também destacou que "implacável contra a corrupção" desde seu primeiro mandato, e garantiu que em seu governo a Polícia Federal e o Ministério Público têm total autonomia de investigação.

"Não transigirei no combate a qualquer tipo de ação criminosa cometida por qualquer pessoa. O povo brasileiro é honesto e trabalhador e jamais aceitarei que pequenos grupos tentem se beneficiar do dinheiro público em proveito próprio", afirmou.

Relações internacionais

Segundo a presidenta, é em momento de maiores dificuldades que os blocos como a Celac se tornam mais importantes. Ela defendeu a relevância de ter posições comuns e de buscar em conjunto soluções para ps problemas.

Indagada sobre mudanças no rumo político em países região, a presidente afirmou ver com "naturalidade a alternância de poder". Ela também minimizou eventuais impactos nas relações do Brasil com países como a Argentina e Venezuela, diante da eleição de Maurício Macri e da vitória da oposição nas eleições legislativas, respectivamente..

"As relações do Brasil com seus vizinhos sul-americanos são, antes de tudo, relações entre Estados, fundamentadas em interesses compartilhados e projetos muito concretos de integração."

Dilma foi incisiva ao responder a pergunta sobre a postura brasileira diante da crise política e econômica na Venezuela. "Tivemos de tudo, menos silêncio por parte do Brasil em relação à Venezuela.Acompanhamos com muita atenção os acontecimentos no nosso vizinho do norte, país irmão com o qual mantemos excelentes e sólidas relações. E estamos muito presentes e atuantes, de forma individual ou em conjunto com os demais membros da Unasul (União das Nações Sul-Americanas)", argumentou a presidente, citando os "princípios básicos de não ingerência e autodeterminação dos povos".

Na entrevista, Dilma reconheceu que a Venezuela passa por momentos difíceis.. "Com a instalação da nova Assembleia Nacional venezuelana temos a expectativa de que todos os atores políticos mantenham e aperfeiçoem o diálogo e a boa convivência, que devem ser a marca por excelência das sociedades democráticas", afirmou.

"Não há lugar na América do Sul do século 21 para soluções políticas a margem da institucionalidade e do mais absoluto respeito à democracia e ao Estado de Direito", disse.


Do Portal Vermelho, com agências 

TST lança novo vídeo para combater o trabalho infantil


TST
  

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) está veiculando o sexto vídeo da campanha de combate ao Trabalho Infantil. Com o título "Toda criança merece ser criança", a peça aborda a questão do desenvolvimento infantil seguro e pleno, em um ambiente feliz e harmonioso. Como forma de conscientização, o vídeo faz uma crítica ao número alarmante de crianças que trabalham no Brasil e vivem uma "adultização precoce", prejudicando seu desenvolvimento. 


Pela Declaração Universal dos Direitos das Crianças, da Organização das Nações Unidas (ONU), ratificada no Brasil em 1990, as crianças, para o pleno e harmonioso desenvolvimento de sua personalidade, devem crescer no seio da família, em um ambiente de felicidade, amor e compreensão, devem estar plenamente preparadas para uma vida independente na sociedade e devem ser educadas de acordo com os ideais proclamados na Carta das Nações Unidas, especialmente com espírito de paz, dignidade, tolerância, liberdade, igualdade e solidariedade.

Todas as crianças são credoras destes direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, condição social ou nacionalidade, quer sua ou de sua família. Esse é o tema do sexto e último vídeo da campanha de combate ao Trabalho Infantil do TST, que está sendo veiculado em rede nacional.

Além do Decreto 99710/1990, o Brasil tem ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante às crianças e aos adolescentes brasileiros todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, garantindo-lhes proteção integral e todas as oportunidades e facilidades que permitam seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

Carga de responsabilidade


"É muito importante para uma criança poder ser criança e ter seu desenvolvimento social e psicológico no tempo considerado adequado", destaca a ministra do TST Kátia Magalhães Arruda, uma das gestoras da campanha de combate ao trabalho infantil. "O trabalho traz uma carga de responsabilidade não condizente com o desenvolvimento emocional de uma criança".

As crianças precisam ter tempo para estudar, descansar e, principalmente, brincar. A educadora Adriana Friedmann, uma das fundadoras do grupo Aliança pela Infância, e autora dos livros "A Arte de Brincar" e "Desenvolvimento da Criança através do Brincar", explica que o "brincar" deve ter lugar prioritário na vida da criança. "Brincar é fundamental na infância por ser uma das linguagens expressivas do ser humano. Proporciona a comunicação, a descoberta do mundo, a socialização e o desenvolvimento integral", afirma.

A especialista alerta que participar de atividades com outras crianças permitem que elas façam parte do mundo da criança, que se identifiquem e construam suas personalidades com iguais. Com isso, a criança se desenvolve dentro do seu tempo, acompanhando colegas, enfrentando dificuldades e superando-as no seu ritmo natural.

Assista o vídeo:


 

De Brasília, com informações do TST via Vermelho

Para Globo, trabalhador pouco se preocupa com desemprego

A CNI-Confederação Nacional da Indústria e a Rede Globo, dois grandes guardiães da honestidade pátria, apuraram que o brasileiro se preocupa mais com a corrupção que com o desemprego.

Por J. Carlos de Assis*, no Jornal GGN


  
A Rede Globo foi adiante. Para ilustrar a reportagem sobre o assunto, na noite de segunda-feira, reuniu um grupo de trabalhadores aparentemente no intervalo de refeição, todos gordos e efetivamente empregados, para pedir sua opinião sobre o que lhes vem a cabeça quando se fala em corrupção. “A família”, disseram vários deles, sugerindo que a corrupção lhes afetasse diretamente as famílias.

Gostaria muito de saber qual seria a resposta se os trabalhadores reunidos pela Globo fossem desempregados. A principal preocupação seria realmente a corrupção, ou a necessidade absoluta de conseguir um emprego para alimentar os filhos? Estamos diante de uma tragédia nacional desencadeada por uma luta equívoca, escandalosa e ditada pela vaidade chamada Lava Jato, e a CNI, atuando claramente como uma comparsa do sistema Globo, tenta manipular a opinião pública com o fim óbvio de comprar a simpatia do Judiciário de exceção de Curitiba, talvez para encobrir os próprios crimes fiscais.

Cada vez fica mais claro para os trabalhadores que a Lava Jato se tornou uma assassina de empregos. Dizer que isso é um efeito colateral da luta contra a corrupção é um engodo. Uma investigação competente, mais discreta, respeitadora de princípios basilares do Estado de Direito poderia ter levado aos mesmos resultados em matéria criminal, porém sem as terríveis repercussões que teve e continua tendo na economia e no emprego. Esse tipo de luta vaidosa contra a corrupção equivale a jogar o bebê pela janela junto com a água da bacia. No fim, quem paga a conta é o povo na forma de uma taxa crescente de desemprego.

Manipular a opinião pública no sentido de convencer a sociedade de focar problemas morais que se limitam a uma fração dela é um crime social. Afirmar que a maioria da população brasileira está mais preocupada com a corrupção que com o desemprego é desconhecer que, no caso da Petrobrás, o que realmente se tem provado, até o momento, é a confissão de cinco bandidos que pertenceram à alta direção da empresa. É possível que lá existam outros corruptos, mas, por enquanto, a Lava Jato não teve competência para identificá-los. Quanto aos empresários, foram simplesmente achacados pelos cinco bandidos.

A Globo joga a auto-estima da sociedade para baixo quando seleciona casos específicos de corrupção e os coloca em escala nacional no vídeo, independentemente de onde vem. A empresa se especializou em reportagens de polícia. A maior parte do noticiário se ocupa de episódios muitas vezes insignificantes que só assumem importância porque são apresenados na tela. Não que casos de corrupção não devam ser noticiados. Mas falta um sentido de proporção. Sem ela, o que existe é a intenção deliberada de criar uma atmosfera negativa para o Governo, mesmo quando o Governo nada tem a ver com a situação.
 

*J. Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ e autor de “Os sete mandamentos do jornalismo investigativo”
Fonte: Vermelho

EUA vive “love affair” com o socialismo

Enquanto no Brasil a direita segue repetindo platitudes sobre o socialismo (assim como faz a direita norte-americana mais apatetada), o termo está em alta no país-símbolo do capitalismo.


  
Tudo se deve ao senador Bernie Sanders, o pré-candidato democrata à presidência que conseguiu roubar os holofotes da rival Hillary Clinton. Auto-denominado “socialista democrático”, Sanders, ao contrário de muita gente que se diz de esquerda por aqui, não economiza no uso da palavra. E faz bem, porque pesquisas recentes mostram que boa parte do eleitorado democrata hoje se define como socialista. Não é incrível?

“Socialism” foi escolhida “a palavra do ano” em 2015 pelo dicionário online Merriam-Webster. É atualmente a 7ª palavra mais buscada em todos os tempos no dicionário e a pesquisa por seu significado aumentou 169% no ano passado. “O fato de um candidato à presidência de um partido majoritário abraçar o socialismo mostra que o termo superou as definições do tempo da guerra fria”, publicou o Merriam-Webster em seu site. O verbete que o dicionário norte-americano dedica ao socialismo também se modernizou: o conceito aparece mais identificado com a social-democracia europeia, com a regulação da economia pelo Estado e as políticas sociais aplicados em países como a Suécia e a Dinamarca do que com (como repetem sem parar os bolsomitômanos) o totalitarismo da finada União Soviética ou da Coreia do Norte.

Desde que Bernie começou a ameaçar Hillary, pipocam por toda parte artigos perguntando se “a América estará finalmente pronta para o socialismo”.

Ora, a História mostra que foi preciso muito sangue derramado para conter os ímpetos socialistas na terra do tio Sam. Existiu um socialismo cristão por lá desde o século 19, anterior portanto à revolução russa. Nos primeiros anos do século 20, um forte movimento sindical de cunho socialista e anarquista foi reprimido com tortura, prisões, pena de morte e deportações. Durante o macartismo, a partir da década de 1950, comunistas passaram a ser acusados de “espionagem” em favor da URSS e executados na cadeira elétrica. Mas, nos anos 1960, ativistas dos direitos civis como os Panteras Negras continuavam a se identificar como comunistas ou socialistas.

Se o socialismo, mesmo perseguido, nunca morreu inteiramente nos EUA, pode-se dizer que nos últimos meses resolveu sair do armário. Já há inclusive quem fale que a América vive um novo love affair com o socialismo… Um facilitador para esta redescoberta é que agora não existe um inimigo da pátria que “represente” o socialismo. Ou seja, o socialismo voltou a ser o que é em sua essência, uma forma de ver o mundo. E o socialista deixou de ser o “traidor da pátria”. Não existe mais razão para perseguir pessoas que pensem desta maneira, ainda mais em um país onde a liberdade de pensamento é o artigo número um da Constituição.

Uma pesquisa do instituto Gallup de junho de 2015 revelou, de forma surpreendente, que 47% dos norte-americanos disseram que poderiam votar num candidato que se intitula “socialista”. Entre os democratas, o número dos que votariam em um socialista para a presidência sobe para 59%. O mais impressionante é que até entre os republicanos há gente que não veria problema em votar em alguém que se denominasse assim: 26% deles disseram que também poderiam votar num político dito socialista.

Outra pesquisa, feita entre os eleitores democratas no estado do Iowa neste mês, mostra que 43% deles usariam a palavra “socialista” para descrever a si mesmos. Um número maior do que os que disseram ser “capitalistas”: 38%. Uma terceira sondagem, patrocinada pelo jornal The New York Times em conjunto com a cadeia de TV CBS em novembro de 2015, revelou que também os apoiadores de Hillary Clinton possuem uma imagem positiva do socialismo. 56% dos eleitores aptos a votar nas primárias do partido Democrata disseram ver de forma positiva um governo identificado com o socialismo, contra 29% que têm uma visão negativa. O número é ainda maior entre os jovens (63%) e afro-descendentes (70%). O interesse no socialismo tem tudo a ver com a crescente desigualdade no país: 88% dos eleitores democratas ouvidos pela pesquisa disseram que o abismo entre pobres e ricos é um assunto urgente a ser enfrentado.

Apesar de não se furtar de falar de socialismo ou de posar para fotos com o punho erguido, célebre símbolo comunista, Bernie Sanders tem se mostrado disposto a esclarecer que o mundo de hoje é diferente e que a esquerda evoluiu. “Da próxima vez que me atacarem como socialista, lembrem-se que eu não defendo que o governo deva confiscar a mercearia da esquina ou deter os meios de produção”, disse ele. “O que eu acredito é que a classe média e os trabalhadores deste país, que produzem a riqueza, merecem um padrão de vida decente e seus ganhos devem subir, não baixar.” Não à toa, enquanto Hillary conta com o suporte financeiro de bancos e emissoras de TV, os principais doadores de Bernie são sindicatos e entidades ligadas aos trabalhadores.

Em uma entrevista ao humorista Seth Mayers, Bernie explica por que o socialismo não é um palavrão. Ele cita países como a Noruega, em que a saúde é um direito de todas as pessoas, como aliás quase toda a Europa, diferentemente do que acontece nos EUA, onde quem não tem dinheiro para custear um plano de saúde privado morre na rua (assista ao documentário Sicko, de Michael Moore, sobre o tema). Ou países em que a educação é pública e gratuita e todo jovem pode ir à universidade, não apenas quem pode pagá-la, ao contrário dos EUA. E em que os governos trabalham para as classes menos favorecidas e não para os bilionários.

“Para mim, socialismo democrático significa que nós podemos criar uma economia que funcione para todos, não apenas para os muito ricos. Socialismo democrático significa que nós podemos reformar um sistema político que hoje não é só absolutamente injusto como é, em muitos aspectos, corrupto”, disse Bernie em um discurso na Universidade de Georgetown em novembro, desmontando a falácia da “terra das oportunidades iguais para todos” e da “meritocracia”. Aonde quer que ele vá, arrasta multidões. Esta semana, milhares de simpatizantes de sua candidatura marcharam em 35 cidades dos EUA.

E pensar que diziam que o socialismo estava na pior, hein? Mesmo que Bernie Sanders não saia candidato à presidência, a sementinha está plantada. Sempre que os EUA enfrentarem crises econômicas, que o fosso entre os pobres e ricos aumentar e que mais gente estiver morando nas ruas, uma palavra vibrará nos ouvidos dos norte-americanos: por que não tentamos o socialismo?
 

Fonte: Blog Socialista Morena via Vermelho

Venezuela: A “maldição do petróleo” está cobrando um preço muito alto

A “maldição do petróleo” está cobrando seu preço e é altíssimo. Ou se combate a secular dependência do “ouro negro” e todas as agudas distorções econômicas que provoca ou o conflito irremediavelmente chegará ao proscênio.

Por Max Altman*, na Opera Mundi


Divulgação / PDVSA
O preço do barril de petróelo despencou de 45 para 20 dólares e agravou a crise econômica no paísO preço do barril de petróelo despencou de 45 para 20 dólares e agravou a crise econômica no país
A Venezuela importa 70% dos bens que consome, muitos de primeira necessidade como alimentos, medicamentos, matérias primas industriais e agrícolas. O orçamento nacional para 2015 tinha levado em conta o preço do barril a 45 dólares. Despencou para perto de 20 dólares. Noventa por cento dos ingressos derivados da exportação do petróleo são investidos nos programas sociais em andamento, destacando-se entre eles o programa de habitação popular. As reservas cambiais já não são suficientes para importar tudo o que se necessita. Não há recursos públicos suficientes para atender a outros setores importantes como a saúde, educação e segurança. Há atrasos nos pagamentos a fornecedores estrangeiros. Em decorrência, sobram filas para a compra dos produtos essenciais e cresce o desabastecimento. Somado a este dramático cenário, há uma evidente sabotagem econômica promovida pelos meios empresariais com açambarcamento de bens, contrabando de produtos para o exterior, “bachaqueos”, ou seja, grupos comprando em grande quantidade produtos importados subsidiados pelo governo e revendendo ao público por preços muito superiores. Outros intrincados problemas econômicos, como o cambial, sem contar a má administração e a persistência da corrupção em vários escalões, levaram a uma inflação galopante.

Se não bastasse, a criminalidade continua em níveis atemorizantes e está ocorrendo uma prolongada estiagem a irritar a população.

Esse emaranhado de angústias levou o eleitorado a votar maciçamente na oposição nas eleições legislativas de 6 de dezembro. Voto de castigo que superou, por ora, o forte apoio popular do chavismo.
Enfim, a Venezuela entrou numa verdadeira emergência nacional, numa crise que ameaça gravemente a integridade do país, as conquistas sociais e a estabilidade política.

Diante de todo esse quadro, o governo Maduro emitiu o Decreto de Emergência Econômica. Aprovada a sua constitucionalidade pelo Tribunal Supremo, seguiu para a Assembleia Nacional para análise e discussão. Delas pode resultar aprovação, aprovação com emendas ou simples rejeição, todas com alto preço a pagar. Estaria disposta a oposição a abandonar seu desiderato de apear do poder a Maduro em 6 meses e dar aval a uma política econômica oposta a que defende e que poderá, ao fim e a cabo, fortalecê-lo? Como o governo Maduro e as forças revolucionárias bolivarianas receberiam a cabal rejeição que poderia resultar numa crise profunda e anular as conquistas sociais e políticas de todo o período chavista? A terceira possibilidade, difícil de se concretizar, exigiria duras concessões de ambos os lados. E o desenlace dessa contenda tem de ocorrer em curto lapso diante do agravamento da crise.

Vamos às etapas. O vice-presidente de Economia Produtiva, Luis Salas, afirmou que o governo está criando as condições para as transformações estruturais necessárias para avançar em matéria econômica, que permitirá normalizar o abastecimento de produtos, acabar com a especulação e gerar preços justos. Ressaltou que o Conselho Nacional de Economia Produtiva, instalado pelo presidente Maduro, composto por personalidades de distintos campos políticos, poderá oferecer propostas para melhorar as condições econômicas do país. Considerou que a guerra econômica e a especulação afeta a princípio os trabalhadores que têm um salário fixo, mas também aos comerciantes pela queda das vendas.

“Creio que é hora de se chegar a um entendimento com relação a essas matérias, e o mais importante, que permitamos estabelecer uma estabilidade, normalidade no cotidiano das pessoas, eliminar o tema das filas e normalizar o abastecimento. Nesse sentido, criar as condições para uma mudança estrutural definitiva na economia venezuelana, altamente rentista.” Os 9 motores do Plano de Emergência e Recuperação são: energia, petroquímico, agroalimentar, mineração, telecomunicações e informática, construção, indústria, indústria militar e turismo.

Apesar das diferenças políticas, Salas disse que a grande maioria dos empresários privados e conselhos comunais estão de acordo que se deve atender principalmente os temas do abastecimento de produtos de primeira necessidade, as filas nos supermercados e preços justos.

“Todos queremos um país em que possamos exercer nossos direitos, entre eles os sócio-econômicos, que tenhamos acesso aos bens, aos serviços, que sejam de qualidade, que sejam preços justos, que possam se dedicar as suas atividades econômicas e lhes permita viver com dignidade. Creio que todos em linhas gerais estamos de acordo”, indicou Salas.

Nicolás Maduro reiterou seu apelo à Assembleia Nacional para que aprove o Decreto de Estado de Emergência Econômica com o fim de fazer a economia voltar a crescer. “É necessário que a maioria opositora entenda que o tema da economia não é para fazer politicagem nem demagogia nem show”. Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional, por sua vez, declarou em entrevista que o decreto será rejeitado.
 

*Max Altman é jornalista
Fonte: Vermelho