sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Juros altos: danos para indústria, trabalhadores e cofres públicos

Na quarta (25), o Copom manteve a Selic em 14,25%. A decisão não foi unânime. Dois membros defenderam elevação de 0,50 ponto percentual. Economistas avaliam que a divisão amplia as chances de o Banco Central retomar a trajetória de alta na próxima reunião, em janeiro – o que só traria mais danos a uma economia em crise. “Não vamos conseguir evitar que o país entre em recessão profunda se continuarmos fazendo coro com o rentismo”, alerta o sindicalista Adílson Araújo.

Por Joana Rozowykwiat


  
Outro indicativo de que o Banco Central pode voltar a aumentar a taxa de básica de juros é o fato de o Copom ter retirado do comunicado desta quarta a avaliação – divulgada em outubro deste ano – de que a manutenção dos juros no patamar atual por um “período suficientemente prolongado” seria necessária para a “convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária”.

Presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adílson Araújo avalia que aumentar ainda mais uma taxa de juros que já é mais alta do mundo não faz nenhum sentido. “Isso contraria a lógica, por que os sinais são de retração. A indústria está em queda, perto de índices que se aproximam dos verificados na década de 1940. A indústria já teve participação no PIB da ordem de 30%. Agora caminha para cair aos 10%”, lamenta, em entrevista ao Portal Vermelho.

De acordo com ele, só quem se beneficia com uma Selic tão elevada são os banqueiros. Os trabalhadores pagam com desemprego e a indústria nacional sofre, perdendo competitividade. Para o sindicalista, a política monetária em curso ainda por cima contraria a expectativa de uma agenda de crescimento sustentado.

“Esse é um ingrediente amargo para a classe trabalhadora, que almeja ver o Brasil em um patamar de desenvolvimento necessário para elevar sua autoestima, garantir a produção de empregos e desatar os gargalos estruturais, sobretudo as grandes obras de infraestrutura, que hoje estão cercadas pelo uso político da Operação Lava Jato. Porque há um impacto direto na indústria do petróleo, do gás, naval e da construção, que dá sinais de paralisação. E não podemos levar o país ao caos”, afirma.

Adilson reitera o impacto perverso das estratosféricas taxas de juros, que acentuam o processo de desindustrialização. “Se você tem taxa de 14,25%, é mais rentável comprar títulos do governo do que ficar fabricando equipamento. Tá entendendo? Ninguém vai querer investir, vai para o mercado financeiro. Aperta o calo da indústria e só os bancos ganham mais. Porque os bancos continuam batendo recorde de lucratividade? Esse spread bancário é absurdo”, critica. Spread é diferença entre o que o banco paga ao tomar um empréstimo e o que ele cobra ao conceder um empréstimo.

Segundo o presidente da CTB, além de prejudicial ao desenvolvimento, a política monetária vigente não é sequer eficaz. “Porque a tese da equipe econômica é de que os juros altos são para controlar a inflação. Balela! Não vai enganar a torcida, porque está claro que o governo continua a aumentar os juros e a inflação continua a subir”.

É o que mostram dados reunidos pelo economista Márcio Pochmann. De acordo com ele, entre abril de 2013 e setembro de 2015, a taxa anual de juros subiu de 7,25% para 14,25%. Já a taxa de inflação acumulada em 12 meses passou de 6,6% em março de 2013 para 9,5% em setembro de 2015.

O também economista Lécio Morais reforça que “elevar a taxa de juros até agora não teve nenhum resultado. A inflação continua alta e até se elevando. Não há razão para que isso se mantenha”, opina.

Classificando uma eventual alta na Selic em janeiro como algo “muito ruim”, Morais acrescenta que isso só pioraria as expectativas em relação à crise, e, após um efeito em cadeia sobre a economia, “haveria grande probabilidade de as expectativas se transformarem em realidade”.

Além disso, uma alta na Selic tem ainda efeito imediato sobre a dívida pública, lembra Morais. Pochman, por exemplo, calcula que a cada 1% de ampliação na taxa de juros, o custo da dívida pública cresce em quase R$ 14 bilhões ao ano.

É diante desse cenário que Adilson defende que o movimento social precisa fazer pressão para o governo corrigir esta distorção. “O país tem maior taxa de juros do planeta. Há uma pressão sobre o governo para que ele fique numa posição de rendição aos apelos do mercado. Temos que combater isso”, declara Araújo.

“Ou muda a política ou teremos um entrave que conduzirá o país à recessão profunda, que pode ser um caminho sem volta e um prato cheio para essa direita que aposta na instabilidade e no fracasso do governo”, conclui o sindicalista.


Do Portal Vermelho

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Show NatuZem com o cantor Zenrique amanhã

Venda das mesas no Sindicato dos Bancários - (73) 3613-3232


Caixa fecha 2.416 postos de trabalho

A Caixa fechou 2.416 postos de trabalho em 12 meses, concluídos em setembro. O corte aumenta ainda mais a sobrecarga de trabalho e a espera nas agências, sobretudo com o aumento da carteira de correntistas em 5,3 milhões, totalizando 82,4 milhões de clientes, elevação de 6,8%.
 
O problema, no entanto, pode ser resolvido. Basta boa vontade da direção da empresa. Mais de 30 mil aprovados no concurso público aguardam a convocação, mas até agora nada. Inclusive, terminou ontem, quarta-feira (25/11), o prazo dado pelo Ministério Público do Trabalho para que o banco apresente o cronograma de contratações.
 
Condições para ampliar o quadro de empregados a instituição financeira tem. De janeiro a setembro de 2015, o lucro líquido bateu na casa dos R$ 6,5 bilhões, crescimento de 23,3% em 12 meses. Somente no terceiro trimestre, o ganho foi de R$ 3 bilhões. 

Fonte: O Bancário

Bancários do BNB da Bahia e Sergipe realizaram Dia Nacional de Luta

Para reivindicar a antecipação da parcela do PLR da Fenaban, os sindicatos dos bancários da Bahia e Sergipe promoveram ontem, quarta-feira (25), o Dia Nacional de Luta no BNB. Foram realizadas manifestações nas agências na base da Bahia, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Itabuna, Irecê, Jacobina, Juazeiro, Sergipe e Barreiras.
Esta mobilização foi definida na reunião dos presidentes das entidades sindicais na semana passada, no auditório do Sindicato da Bahia, em Salvador. Os funcionários do BNB protestam contra o baixo valor pago a título de antecipação de PLR, que não atende ao acordo geral da Fenaban.
No último dia 13 de novembro, o BNB creditou apenas R$ 680,78, um valor extremamente baixo após divulgar um lucro líquido de R$ 158,4 milhões no primeiro semestre de 2015. Os dados divulgados dão conta de que o lucro líquido este ano foi menor que do ano passado. Em contrapartida, a instituição elevou consideravelmente a Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), de R$ 204,1 milhões no ano passado para R$ 541,9 milhões em 2015. Ou seja, na realidade o lucro foi bem maior do que o publicado.
Salvador - Na capital baiana, os empregados do BNB realizaram, junto com o Sindicato da Bahia, manifestação na agência do Comércio.
BNB Protesto Comercio MP Diretores
Feira de Santana - O Sindicato paralisou por uma hora e retardou a abertura da agência.
Vitória da Conquista - Manifestações nas agências da região.
Irecê - Com o tema "BNB, respeite seus funcionários. Acordo é pra ser cumprido! Antecipação da PLR/FENABAN já!", o Sindicato de Irecê e Região promoveu pela manhã um ato de mobilização em frente à agência do Banco do Nordeste. A direção do Sindicato fez questão de esclarecer aos bancários qual é a situação das reivindicações no BNB e conclamou os empregados a permanecerem mobilizados para busca da solução de mais uma pendência da instituição.
Itabuna - O Sindicato realizou pela manhã uma manifestação em frente ao Banco do Nordeste, na Avenida Cinquentenário, Centro.
Jacobina - A entidade sindical promoveu uma manifestação defronte da agência do BNB.
Jequié - A agência do BNB teve o atendimento retardado.
  Juazeiro - Manifestações nas agências da região.
Aracaju - O Sindicato dos Bancários de Sergipe realizou ontem (24) uma manifestação na agência do BNB, localizada na rua Itabaianinha. Após o ato, o superintendente regional do banco, Saumínio Nascimento, recebeu a presidenta do SEEB/SE, Ivânia Pereira.
Em Barreiras, os bancários protestaram contra a falta de pagamento da PLR no BNB. 
PLR BNB Barreiras

Precarização segue a galope nos bancos

bancario caixa
A política de demissão e precarização do trabalho no setor bancário continua a todo vapor. De janeiro a outubro de 2015, os bancos que operam no Brasil fecharam 6.319 postos de trabalho, resultado da diferença entre os 33.822 desligamentos e as 27.503 admissões no período.
A Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), feita pelo Dieese, com base nos números do Ministério do Trabalho e Emprego, revela também que o salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.507,23, contra R$ 6.246,41 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 56,1% menor que a remuneração dos dispensados.
Além da diminuição do número de trabalhadores e dos salários, os dados revelam também a grande rotatividade no setor, o que gera insegurança e adoecimento no local de trabalho. “Sabendo que podem ser substituído a qualquer momento, muitos bancários acabam se submetendo à vontade dos bancos, exercendo longas jornadas e trabalhando em condições insalubres. Muitos adoecem e escondem o problema por medo de ser demitido”, ressaltou o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase) , Emanoel Souza.
A garantia de emprego e a melhoria nas condições de trabalho foram duas das principais pautas da campanha salarial da categoria. Durante todas as negociações, a representação dos bancários tentou fazer com que os bancos assumissem um compromisso de preservar os empregos, mas os bancos não aceitaram.
No final, após 18 dias de greve, os cinco maiores bancos se comprometeram apenas em assinar um termo de compromisso para a adoção de políticas contra o adoecimento no local do trabalho. O documento será assinado no dia 10 de dezembro, em São Paulo, e a Feebbase vai cobrar veementemente o seu cumprimento.   
Fonte: Feebbase 

Projeto quer acabar com uso de verba público para salvar bancos

Chegou ao Ministério da Fazenda o anteprojeto de lei que pretende acabar com a possibilidade do usar dinheiro público para salvar instituições financeiras à beira do colapso. Depois de passar por análises em secretarias do ministério, a proposta deve partir para a Casa Civil. A expectativa é de que isso ocorra na virada do ano. Em seguida, o texto irá para apreciação no Congresso.


Reprodução
  
Matéria de O Estado de São Paulo diz que o projeto transformará correntistas e investidores de grande porte em elemento fundamental para o equilíbrio do sistema financeiro, em casos de ameaça de quebra. Com isso, os serviços essenciais para o funcionamento da instituição continuam a operar sem necessidade de salvar bancos ou banqueiros.

A intenção, de acordo com o jornal, é que haja um arcabouço legal para evitar o uso de dinheiro público nesses casos, como ocorreu nos anos 90, com o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro (Proer).

Criado por Fernando Henrique Cardoso em 1995, o Proer, destinou, em títulos de longo prazo, cerca de R$ 30 bilhões aos bancos brasileiros, aproximadamente 2,5% do PIB, segundo informações do próprio ex-presidente. Apesar disso, grandes bancos socorridos pela iniciativa decretaram falência, como o Nacional, o Econômico, o Banorte, o Mercantil de Pernambuco e o Bamerindus.

Ironicamente chamado de “cesta básica para os banqueiros”, o Proer foi um dos programas mais polêmicos e um dos principais alvos de crítica do governo Fernando Henrique. Posteriormente, foi criada inclusive a CPI do Proer na Câmara dos Deputados, a fim de investigar as relações do Banco Central com o Sistema Financeiro Nacional.

Pelo anteprojeto de lei que está na Fazenda, um investidor que tenha títulos com cláusula de conversão torna-se compulsoriamente acionista da instituição que entrar em liquidação e seus recursos passam a ser usados para trazer o banco de volta à solvência, o que não é possível hoje. Essa cláusula estará expressa em contrato. Se o processo evoluir satisfatoriamente e o banco voltar à operação normal, o investidor pode negociar livremente as ações que recebeu.

Basicamente, o anteprojeto descreve a atuação que devem apresentar as próprias instituições financeiras para saírem de circulação sem causarem um efeito dominó negativo e abalar o Sistema Financeiro Nacional (SFN). O projeto é um alinhamento das leis locais ao que se passa no resto do mundo. Signatário do G-20, o país se comprometeu a aperfeiçoar seu arcabouço legal até janeiro de 2019.


 Do Portal Vermelho, com O Estado de S.Paulo

Estudantes paulistas: Somos a geração da esperança

Texto escrito por estudantes de São Paulo que participaram de um oficina promovida pelo Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé. O objetivo foi apontar os motivos das ocupações das escolas estaduais e denunciar a omissão e manipulação da informação feita pela grande mídia. "Essa omissão nos leva a crer que a mídia está querendo favorecer um lado - que não é o nosso". Segue abaixo:


Nas ocupações estão ocorrendo oficinas sobre diversos temas.Nas ocupações estão ocorrendo oficinas sobre diversos temas.
Somos a geração da esperança
Decidimos escrever esse texto para esclarecer alguns pontos sobre as ocupações das escolas públicas que não são mostrados pela mídia.

Somos estudantes e estamos ocupados nas nossas escolas. Nossa bandeira é a clara: a qualidade da educação pública.

Não estamos ocupando as escolas por não ter o que fazer, por sermos desocupados, como já chegamos a ler em revistas. Alguns de nós já trabalham como jovem aprendiz, entregando pizza aos finais de semana ou no comércio de nossas comunidades.

Temos irmãs, irmãos, primos e até os nossos pais que estão sendo afetados pelo fechamento das escolas. Sem falar dos nossos professores, que muitas vezes passam mais tempo com a gente do que a nossa própria família.

Sim, ocupar é o verbo mais adequado para usar nas matérias e é muito diferente de invadir. Ultimamente lemos nos jornais que são sinônimos, mas sabemos muito bem que não têm o mesmo significado. É uma ocupação porque estamos nos apoderando do que é nosso, um patrimônio público que devia ser lugar do saber.

Outra coisa que não é mostrado são os porquês de seremos contra o fechamento das escolas. Essa omissão nos leva a crer que a mídia está querendo favorecer um lado - que não é o nosso.

Somos contra o fechamento das escolas porque vai gerar ainda mais salas superlotadas.

Também somos contrários ao ensino desestimulador que nos é dado. Nosso ensino vai de mal a pior e por isso, a nossa ocupação também pede uma educação de qualidade. Muitos de nós só aprenderam a fazer uma conta de dividir no segundo ano do ensino médio. E o mais absurdo é que muitos estudantes descobrem fora da escola o quanto é bom estudar.

Queremos uma escola que nos ensine para os desafios que vamos encontrar na vida e não para o mercado ou para fazer um vestibular.

Para nós, a grade escolar poderia estimular as coisas boas que existem nos estudantes. Com as ocupações nós descobrimos o potencial de nossas colegas que estão dando aulas de artes, esportes, origami, kung fu. Por que a escola não descobriu isso antes?

Na nossa ocupação a bandeira contra a precarização da escola também está presente. O ambiente escolar não poder ser sujo, quebrado, cheio de grades.
Senhor Governador, você já utilizou algum banheiro de escola pública? Com certeza não, senão já teria feito algo para melhorar a estrutura escolar, não é?

Mas essas reivindicações não constam nas matérias que tentam retratar as ocupações. Muito menos a repressão que estamos enfrentando, que não é só da Polícia Militar com seu spray de pimenta, mas de pessoas que não esperávamos.
Em muitas escolas, as diretoras e vice- diretoras estão agindo com violência e ódio, chegando a jogar carros em cima dos estudantes, ligar para os pais para dizer a orientação sexual de estudantes e assim incentivar a intolerância nas famílias. Isso a mídia não mostra. Por quê?

De acordo com as matérias, quem está protagonizando as ocupações são os partidos políticos, o MTST, a Apeoesp, as entidades estudantis gerais. Não é verdade.

O nosso movimento é de dentro para fora e isso não quer dizer que não queremos o apoio dessas entidades, pelo contrário, queremos o apoio delas e de toda a sociedade porque a nossa causa é justa e sabemos que não é só nossa.

Temos consciência de que não podemos voltar atrás. Se uma, apenas uma escola desistir ou o Governador Geraldo Alckmin conseguir a reintegração de posse o impacto será em todas as outras, por isso, mesmo estando separados dentro de cada escola, a nossa luta é uma só: a educação pública.

Não vamos desistir, não vamos desocupar até que seja revogada a decisão de fechar as escolas. Não somos melhores que ninguém, mas somos a geração da esperança, que sonha, se organiza e luta por uma educação de qualidade e pública para todos.

Por:
Alicia Esteves, 16 anos
Antônio de Assis Soares, 15 anos
Clara Esteves, 16 anos
Érica dos Santos Teixeira, 16 anos
Evelyn Ferreira Lima, 16 anos
Gabriela Callis, 17 anos
Guilherme França, 19 anos
Júlia Gabriela Costa e silva, 16 anos
Leonardo Botellho Pires, 17 anos
Luana Dias Farias, 18 anos
Mickaely P. Goes, 16 anos
Ricardo Almeida dos Santos, 15 anos
Stanley Sousa, 16 anos
Thais Milena, 16 anos
 

Do Portal Vermelho