quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Um retrato da situação dos haitianos no Brasil

Reprodução
  

Cinco mil imigrantes vindos do Haiti vivem hoje em Belo Horizonte e Região Metropolitana da capital mineira, segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos do estado. Quem são esses novos moradores? A questão motivou uma pesquisa realizada pela PUC-Minas e financiada pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).


O trabalho é uma das principais referências sobre o assunto no país, com o relato de cerca de 370 haitianos de ambos os sexos, que chegaram às cidade de Belo Horizonte, Curitiba, Manaus, Porto Velho e São Paulo.

Na primeira reportagem da série especial sobre os haitianos no Brasil, você vai ouvir de pesquisadores as explicações para o fenômeno migratório, além de depoimentos de pessoas que deixaram a terra natal em busca de oportunidades.


Haiti


Fonte: Agência Brasil via Vermelho

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O trabalho doméstico e a segunda abolição da escravatura

Recentemente, a presidente Dilma sancionou sete dos novos direitos das trabalhadoras domésticas. São eles: adicional noturno; obrigatoriedade do recolhimento do FGTS por parte do empregador; seguro-desemprego; salário-família; auxílio-creche e pré-escola; seguro contra acidentes de trabalho; e indenização em caso de despedida sem justa causa.

Por Juliane Furno


  
No entanto, ainda resta um conjunto de direitos para que – finalmente – as trabalhadoras domésticas possam usufruir das conquistas trabalhistas em iguais condições aos demais trabalhadores formais brasileiros.

A primeira abolição da escravatura foi realizada em 1888, e a segunda parece ter sido agora, porque anteriormente a esse conjunto – ainda que limitado de direitos – as trabalhadoras domésticas permaneciam em amplas condições de vulnerabilidade e instabilidade social.

A carteira de trabalho ainda é um elemento importante para gozar dos benefícios sociais e trabalhistas e, no entanto, ainda não é uma realidade para muito mais da metade das que se dedicam a esse trabalho.

O trabalho doméstico seguiu carregando características similares às vivenciadas na escravidão colonial, prioritariamente a sua característica servil. Segundo o sociólogo Jessé Souza, a trabalhadora doméstica – componente da categoria social da ralé brasileira – mantém sua posição de “agregada” social. Dessa forma, passa de uma situação de trabalhadora formalmente livre para substancialmente dependente.

A quantidade demasiada de mulheres – especialmente negras – no exercício do trabalho doméstico também é resultado da nossa singular formação histórica que construiu um exército de mão de obra “sobrante”, pela impossibilidade de o mercado de trabalho absorver o trabalhador livre.

Desse excedente de mão de obra restou às mulheres o caminho da inserção no mercado mediante a manutenção dos hábitos de nobreza das elites aculturadas brasileiras. Além disso, a presença significativa de trabalhadores à margem do mercado pressionou os salários para baixo, sendo possível a elite dispor de um verdadeiro exército de serviçais a um custo inexpressivo.

É notória a correlação positiva entre crescimento econômico e diminuição da oferta de serviços domésticos. Em 2009, o trabalho doméstico representava 6,4% dos postos de trabalho, no ano de 1999 era 7,4%.

Dessa forma, os governos petistas lograram uma estratégia de desenvolvimento econômico que, embora muito recuada, aliou crescimento econômico com políticas sociais. Bastou uma mudança singela no custo do trabalho doméstico para que as “Madames” saíssem às ruas erguendo cartazes que diziam que agora as empregas domésticas estavam muito abusadas e cobrando muito caro.

No entanto, segundo o professor Marcio Pochmann, no Brasil o pagamento do trabalho doméstico representa escassos 1,6% do total das despesas das famílias brasileiras, parcela relativamente menor que as despesas com energia elétrica (2,2%), telefone (2,4%) e remédios (2,2%).

Em que pese o alarde social, cálculos simples indicam que salários de até R$ 1.247,00 são tributados com uma alíquota de INSS de 8%. Isso representa acréscimo de apenas 172,80, sendo que o gasto com o FGTS mantém-se na casa dos R$ 80,00. São valores baixos e que não justificam a “comoção social e midiática” que apregoa a possibilidade de aumento generalizado de desemprego. Entretanto, para as trabalhadoras, esse valor representa a conquista de segurança futura.

Ainda para o professor Marcio Pochmann, mesmo representando menos de um terço do total das ocupações do país, esse segmento responde por um a cada dois postos de trabalho assalariado sem carteira assinada, além de absorver 30,5% das vagas de autônomos, que geralmente funcionam sem proteção social e trabalhista no Brasil.

Entre 1979 e 2009, o emprego com carteira assinada dos trabalhadores domésticos cresceu míseros 0,8%, em média, pois passou de 21,9% para 27,9%. Seguindo esse ritmo vamos ter que aguardar mais 120 anos.
 

 Fonte: Carta Maior via Vermelho

Bancários assinam acordo coletivo e destacam papel da CTB

O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) assinaram na tarde de terça-feira (3), em São Paulo, a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e os acordos aditivos específicos com as direções do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, além do Programa Complementar de Remuneração no Itaú e da gratificação de R$ 3 mil conquistada pelos bancários do HSBC.


  
Participaram da solenidade de assinatura Emanoel Souza, presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e membro do Comando Nacional, Ivânia Pereira, presidenta do Sindicato de Sergipe, Augusto Vasconcelos, presidente do Sindicato da Bahia, e Olivan Faustino, secretário-geral do Seeb-BA.

Com assinatura do acordo, começa a contar o prazo para a compensação dos dias parados e também os 10 dias para que depositem a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Salários e demais verbas têm de ser pagas retroativas a 1º de setembro.

Após 21 dias de greve, os bancários conquistaram reajuste de 10% para salários, piso, PLR e outras verbas e de 14% para vales alimentação, refeição e a 13ª cesta-alimentação. Além disso, ficou garantida a assinatura de um termo de entendimento entre os seis maiores bancos e as entidades sindicais para tratar das condições de trabalho nos bancos, com o objetivo de reduzir as causas de adoecimento.

“Apesar de não ser a maior força, a CTB teve um papel protagonista nessa campanha. Participamos ativamente das mesas e desempenhamos um papel importante para alcançarmos esse resultado. Foi uma das maiores greves dos últimos tempos que começou grande e terminou com cerca de 13 mil agências paralisadas em todo país”, lembrou Ivânia Pereira.

Ao fazer um balanço da campanha Emanoel Souza ressaltou que esta se deu numa conjuntura muito difícil, num momento de crise econômica, e na defensiva da maioria das categorias. “Os banqueiros tentaram impor aos trabalhadores uma derrota com a retomada da política de arrocho salarial compensada por abonos. Uma política que ao longo dos anos 1990 provocou a redução de salário da categoria. A categoria conseguiu quebrar essa lógica”, afirmou o sindicalista.

Nesse sentido, para Emanoel Souza, a CTB teve um papel muito importante. “Desde o início da campanha o Fórum dos presidentes da Bahia e Sergipe aprovou o lema sem aumento real não tem acordo. Proposta aprovada no comando e encampada nos sindicatos, ou seja, desde o início sinalizamos que não sairíamos da greve sem a garantia de aumento real, que acabou conquistado, ainda que pequeno (0,2%). A lógica se manteve”, reforçou Souza.

Opinião compartilhada por Augusto Vasconcelos. “A greve foi extremamente importante, pois demonstrou a força da categoria. Com nossa unidade foi possível fazer com que os bancos elevassem sua proposta original, que era de 5,5%. No geral, consideramos que diante do lucro obtido pelo setor seria possível avançar. Por isso a CTB desde o início votou pela rejeição da proposta mas, consideramos que mesmo essa proposta acordada pode ser considerada uma vitória política tendo em vista que derrotamos a estratégia dos bancos de tentar impor um aumento abaixo da inflação com uma política de abono. Isso sem dúvida representa um passo importante para nossa categoria”, avaliou Vasconcellos.

Acordos aditivos


A mobilização dos bancários também foi responsável por avanços importantes nos acordos aditivos. No BB, foram assegurados avanços no que se refere à isonomia dos egressos de bancos incorporados (como a antiga Nossa Caixa), para atendentes do Serviço de Apoio ao Cliente (SAC) e da Central de Atendimento (CABB), além da manutenção da distribuição semestral da PLR. O banco confirmou o crédito da primeira parcela da PLR nesta terça.

Os empregados da Caixa conseguiram barrar a implantação da terceira etapa do plano Gestão de Desempenho Pessoal (GDP) e mantiveram a promoção por mérito e a PLR Social.

No Itaú, também será renovado acordo referente à bolsa de estudos e ao Programa Complementar de Remuneração (PCR), que prevê pagamento de R$ 2.285 sem desconto na PLR da categoria. Já no HSBC, os bancários conseguiram um acordo que garante uma gratificação de R$ 3 mil para todos os funcionários.

A assinatura do acordo específico com o Banco do Nordeste acontece na próxima quinta-feira, 5 de novembro, às 15h, na sede do Banco, em Fortaleza (CE). Nesta terça, a direção do banco assinará apenas o termo de comprometimento em cumprir a Convenção Coletiva dos Bancários.

“Num balanço geral consideramos a proposta insuficiente porque não conseguimos avançar nas questões especificas como na discussão das contratações, na manutenção do emprego, questões relacionadas ao dia a dia das condições de trabalho, enfrentamento às metas, vai ser criado um grupo de trabalho nos seis maiores bancos para estruturar melhorias no ambiente de trabalho. Consideramos isso importante, no entanto insuficiente. Mesmo assim diante das dificuldades de mobilização de pressão e ameaças, tentativas de judicialização da greve com interditos proibitórios, acreditamos que mesmo assim os trabalhadores demonstraram uma grande força, uma vitalidade na luta com assembleias massivas. Apesar de que acreditamos que é preciso ampliar o grau de mobilização porque a greve depende de uma presença e participação constante”, frisou o líder sindical.

Bancários nas redes Sociais

Outra inovação da campanha salarial deste ano foi o uso da rede social. Os bancários utilizaram as ferramentas virtuais para denunciar o descaso dos bancos com trabalhadores e clientes.

“A CTB também teve um papel protagonista ao propor a utilização das redes sociais. Com a #exploracaonaotemperdao denunciamos à população as taxas de juros exorbitantes cobradas no cheque especial, o aumento de 162% na receita de tarifas, os altos lucros derivados dos juros astronômicos cobrados pelos bancos. Precisamos aumentar nossa atuação nas redes sociais, mas já foi um passo importante. E a CTB, mesmo sendo minoritária, cumpriu um papel fundamental nessa campanha”, finalizou o presidente da Federação da Bahia e Sergipe.
 

Fonte: CTB via Vermelho

Dez anos depois da Alca: os novos desafios da América Latina

Há dez anos a América Latina vencia uma de suas maiores batalhas contra a dominação imperialista no continente ao derrubar a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). O processo se deu com grandes mobilizações dos movimentos sociais e partidos de esquerda e foi consolidado durante a 4ª Cúpula das Américas, realizada entre os dias 4 e 5 de novembro de 2005 em Mar del Plata, na Argentina, quando os presidentes Lula, Hugo Chávez e Néstor Kirchner decretaram o fim da Alca.

Por Mariana Serafini


Wikicommons
Hugo Chávez, Néstor Kirchner e Lula quando decretaram o fim da Alca, durante a Cúpula das AméricasHugo Chávez, Néstor Kirchner e Lula quando decretaram o fim da Alca, durante a Cúpula das Américas
Na época a América Latina dava os primeiros passos rumo à soberania do continente. O então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, havia sido eleito quase dez anos antes, e inaugurou uma nova fase política que trouxe uma leva de governos progressistas, entre eles Lula e Néstor, além de Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador e Daniel Ortega na Nicarágua.

O fim da Alca representou um novo período para o povo latino-americano. Mecanismos de integração política e social foram fortalecidos e criados, entre eles o Mercosul, que mais tarde foi expandido com o ingresso da Venezuela; a Alba (Aliança Bolivariana Para os Povos da Nossa América), a Unasul (União das Nações Sul Americanas) e a Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

Enquanto a Alca representava a consolidação dos poderes econômico dos grandes grupos multinacionais e a transformação do continente em um mercado sem regulações; a Alba vai na contramão da proposta norte-americana e fomenta a liberdade dos povos, a redistribuição de renda, a ampliação do acesso dos mais pobres, a redução das desigualdades e a mudança do modelo econômico produtivo a fim de promover a inclusão social dos “invisíveis” citados por Hugo Chávez.

A Alba, criada em 2004 com o impulso de Cuba e da Venezuela, abriu caminho para uma nova forma de intercâmbio regional cujo foco é a liberdade dos povos, a soberania e a igualdade. Durante este novo período a América Latina logrou feitos importantes, como a retirada de 70 milhões de pessoas da extrema pobreza, destas, mais da metade é composta por brasileiros.


Néstor Kirchner, Evo Morales, Lula e Chávez durante a Cúpula das Américas em 2008 | Foto: AP
 
Os governos progressistas de Lula, Evo, Néstor, Chávez, Correa e Ortega foram fundamentais para tirar o continente do rumo neoliberal que afundou a economia de muitos países durante os anos 1990, entre eles o Brasil e a Argentina.

Se Fernando Henrique no Brasil e Carlos Menem na Argentina privatizaram estatais e quebraram a economia de seus países, recorrendo diversas vezes aos empréstimos do FMI, Lula e Néstor saíram deste eixo, fortaleceram a soberania nacional e pagaram as dívidas externas. No país vizinho o governo conseguiu ainda renacionalizar empresas importantes como a YPF, de petróleo, e as Aerolineas Argentinas, entre outras.

A criação do Banco da Alba, em 2008, foi mais um passo importante para consolidar a soberania e a independência financeira dos países membros. Ações como esta permitiram que mais de dois milhões de latino-americanos e caribenhos hoje tenham acesso à saúde e educação públicas.
Os programas de alfabetização desenvolvidos no continente fizeram com que a Unesco declarasse Cuba, Venezuela, Bolívia e Nicarágua territórios livres do analfabetismo. Ao passo que o projeto educacional desenvolvido na ilha comunista, Yo Sí Puedo, já alfabetizou mais de 10 milhões de pessoas, um terço destas nos países latinos e caribenhos.

Desafios para continuar no rumo do desenvolvimento social
Passados dez anos, a postura dos países latinos frente à geopolítica mundial é outra, hoje com mais peso e importância. As relações comerciais com a China e países do Oriente Médio foram fortalecidas, ao passo que se reduziu a dependência econômica dos Estados Unidos e da União Europeia. Não à toa a crise econômica que atingiu os países do Norte em 2008 e hoje já traz efeitos desastrosos, chegou com menos intensidade no continente latino-americano.

No entanto, a contraofensiva da direita é constante e cada vez mais intensa. A Venezuela resiste a duras penas às tentativas de desestabilização promovidas pela elite local com apoio norte-americano. O interesse do mercado estrangeiro no petróleo do país é nítido, o mesmo acontece na Argentina, que sofre ainda com a questão dos fundos abutres, bravamente enfrentada pela presidenta Cristina Kirchner.


Dilma, Maduro e Cristina representam a continuidade dos governos progressistas | Foto: AFP
 
No Equador a tentativa de golpe foi aos “moldes dos anos 60”, quando em 2010 o presidente Rafael Correa sofreu um atentado seguido de tentativa de assassinato e sequestro. Recentemente a onda desestabilizadora atingiu também o Brasil e vem tentando derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff, desde que o povo brasileiro conquistou a quarta vitória popular nas urnas, em outubro do ano passado.

O desafio destes países é garantir a constitucionalidade governamental sem sair do rumo do desenvolvimento e da inclusão social. A “Pátria Grande” sonhada por Simón Bolívar é o norte dos países do Sul e a alavanca que fomenta a luta por soberania e independência iniciada em meados dos anos 1990 por Hugo Chávez. As ameaças golpistas e fortalecimento dos partidos da direita representam o retorno do neoliberalismo que deixou marcas profundas de atraso e retrocesso no continente.
 


Fonte: Vermelho

Centrais sindicais defendem empregos contra uso político da Lava Jato

As centrais sindicais se reuniram nesta terça-feira (3) com o ministro do Trabalho e Previdência, Miguel Rossetto. O encontro faz parte da agenda do Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social, criado pelo governo com o objetivo de discutir propostas de melhorias das políticas públicas.


CTB
“O uso político da Lava Jato não pode paralisar a economia do país”, afirma Adilson Araújo, presidente da CTB“O uso político da Lava Jato não pode paralisar a economia do país”, afirma Adilson Araújo, presidente da CTB
Inicialmente, a pauta da reunião trataria da Previdência Social, mas os representantes dos trabalhadores enfatizaram que o atual momento exige que a prioridade seja a recuperação da economia. Eles defenderam a mudança da pauta e que as discussões da reforma da Previdência fiquem em segundo plano, neste momento.

Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), defendeu que um dos principais pontos para garantir a retomada do crescimento é a garantia dos empregos, a começar pelas empresas que atuam no setor da Petrobras. O sindicalista destaca que a paralisação das obras por conta das investigações da Operação Lava Jato tem gerado demissões em massa no setor, afetando toda a cadeia produtiva.

“Temos total interesse em dialogar, inclusive com empresários. Precisamos desatar os nós na Petrobras, na indústria, construção civil. A gente sabe que o ambiente hoje não é favorável a acordos, mas precisamos construir caminhos”, afirmou Adilson.

E completa: "O uso político da Lava Jato não pode paralisar a economia do país. É preciso manter as obras da construção, da Petrobras, do pré-sal”.

Números do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) confirmam a denúncia dos sindicalistas. De acordo com o Instituto, a crise do emprego começa com a desorganização da cadeia de petróleo e gás, que tem impacto muito importante sobre a construção civil. Isso porque a maior parte dos negócios está paralisada por conta da falta de acesso ao crédito e às licitações, resultado das investigações da Lava Jato.

As 23 grandes empresas que estão diretamente envolvidas no caso respondem por 13% do PIB. Além disso, outras 50 mil empresas prestadoras e fornecedoras de produtos e serviços respondem por quase 500 mil empregos.

Diante desses números, o secretário de Previdência, Aposentados e Pensionistas da CTB, Pascoal Carneiro, enfatiza que é preciso conciliar o combate à corrupção com a manutenção da atividade econômica.

“É preciso destravar a Lava Jato. As investigações devem continuar e os diretores de empresas culpados devem ser punidos, mas os trabalhadores não podem ser prejudicados. As investigações têm interrompido a atividade econômica gerando milhares de desempregados”, disse Pascoal.

Acordo de leniência

Ele enfatizou que as centrais sindicais foram unânimes em defender a adoção da política de leniência. “Além de punir os que praticam a corrupção, é preciso garantir os empregos. O país não pode parar. Portanto, é indispensável neste momento definir uma estratégia que garanta o desenvolvimento do país, os empregos e, ao mesmo tempo, puna os culpados”, salientou Pascoal.

Sérgio Nobre, dirigente da CUT, enfatizou que o acordo de leniência é a alternativa viável e que as centrais estão dispostas a atuar junto aos empresários para avançar nessa direção. Ele também destaca que o acordo de leniência é uma medida prática em diversos países do mundo.

“Os trabalhadores não têm quer pagar por um erro de diretores das empresas. E o acordo de leniência garante que o processo de punição continue e os culpados respondam pelos seus crimes, sem que isso prejudique os empregos", ressalta.

Previdência

Sobre a agenda da Previdência, Pascoal Carneiro, da CTB, frisou que a proposta deve sair da mesa de negociação com os trabalhadores e criticou a postura dúbia do governo, em que a equipe econômica diz uma coisa e o ministério diz outra.

“A CTB reafirmou na reunião que é totalmente contrária à proposta apresentada pelo ministro Joaquim Levy, de desvincular a aposentadoria do salário mínimo. Isso acabaria, por exemplo, com os trabalhadores rurais e com os municípios que muitas vezes dependem da renda desses trabalhadores”, salientou.
 

Do Portal Vermelho, com informações da CTB

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Itaú lucra R$ 6,1 bi só em três meses

Não há crise capaz de abalar os bancos em atividade no Brasil. Enquanto os funcionários sofrem ameaça de demissão, o Itaú continua enchendo os cofres. Em apenas três meses, o lucro líquido da empresa bateu na casa dos R$ 6,117 bilhões.
 
Os dados, entre julho e setembro deste ano, representam aumento de 12,1% ante o mesmo período de 2014. A bonança não para por aí. No acumulado do ano, o ganho do Itaú sobe para R$ 17,827 bilhões. É dinheiro a perder de vista.
 
A carteira de crédito do banco chegou a R$ 552,342 bilhões, elevação de 3,9% em relação ao trimestre anterior e 9,7% aos últimos 12 meses. A inadimplência segue estável, em 3,3%.
 
Apesar de o índice de devedores não crescer, a provisão para perdas com as dívidas cresce e atingiu os R$ 4,653 bilhões no terceiro trimestre. O montante é 6,1% superior ao segundo trimestre deste ano e 39,2% acima do terceiro trimestre em 2014. O que fica claro que o lucro poderia ser bem maior. 

Fonte: O Bancário

Há 11 anos: Mensalão tucano não tem prisões, delações nem sentença

Quando juristas e lideranças de outros setores da sociedade apontam o uso da Operação Lava Jato e outras investigações como um instrumento do golpismo, a direita conservadora esperneia. Mas existem fatos que comprovam essa afirmação, como o caso do chamado “mensalão”.


Julgamento que envolve o ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, do PSDB, continua se arrastando sem soluçãoJulgamento que envolve o ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, do PSDB, continua se arrastando sem solução
Depois de ficar 11 anos praticamente parada no Supremo Tribunal Federal, a ação judicial que trata dos fatos relacionados ao mensalão tucano de Minas Gerais começou a tramitar no mês passado na Justiça em Minas Gerais, mas não saiu disso. A informação foi publicada no jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira (3).

Enquanto a grande mídia seletivamente acusa, julga e sentencia, na maioria das vezes com base em ilações e factoides, e juízes posam como “heróis” paladinos da Justiça, nenhuma peça se move no julgamento que envolve o tucano e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), que foi o primeiro a utilizar os serviços do publicitário Marcos Valério de Souza, condenado na Ação Penal 470, para financiar campanhas políticas.

A “celeridade da Justiça” em investigar, negociar delações premiadas e prender parece não existir quando se trata de tucanos. A ação foi ajuizada em dezembro de 2003 – quatro anos antes da denúncia criminal – no Supremo. Saiu pronta para o julgamento e há sete meses aguarda a sentença da juíza Melissa Pinheiro Costa Lage, da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte.

Segundo o Ministério Público, o governo do tucano Azeredo foi responsável por um esquema de desvio de R$ 14 milhões, em valores corrigidos, de empresas públicas mineiras para financiar a sua campanha de reeleição, em 1998. O pagamento seria para a agência SMPB, de Marcos Valério, com o objetivo de patrocinar o evento esportivo Enduro da Independência.

Só para comparar, a empresa de marketing esportivo do filho do ex-presidente Lula, Luis Cláudio Lula da Silva, teve a sua empresa devassada por uma ação da Polícia Federal por ter recebido pagamento de uma das investigadas. O detalhe dessa ação é que não há qualquer indício de irregularidade.

Já no caso de Azeredo, o promotor Leonardo Duque Barbabella aponta que há provas irrefutáveis. Em entrevista recente, ele criticou a demora da tramitação. “É um descrédito para o Ministério Público, é um descrédito para o Judiciário”, afirmou. “Já há provas mais do que suficientes. A vantagem é que na área cível não prescreve”, frisou.

Hoje, pouco se fala de Azeredo, que na época do escândalo era deputado federal e renunciou ao cargo para fugir do processo no STF. Especula-se que o objetivo do tucano é arrastar o processo utilizando os recursos de apelação até completar 70 anos, em 2018, quando as acusações prescreverão e ficarão impunes. Pelo andar da carruagem isso é bem possível.

De acordo com a Folha, a assessoria do Tribunal de Justiça mineiro informou que a juíza tem frisado a extensão da ação, que tem 52 volumes. E enfatizou ainda que a decisão será tomada após a leitura de cada um. A publicação, no entanto, salienta que a Ação Penal 470, chamada de “mensalão”, cujo julgamento aconteceu em 2012, tinha 147 volumes.

Outro parlamentar que renunciou foi o empresário Clésio Andrade (PMDB), ex-senador que é réu no mensalão tucano. O processo dele também está na 9ª Vara e anda a passos de tartaruga.
 

Do Portal Vermelho, Dayane Santos com informações de agências