terça-feira, 15 de setembro de 2015

PL pode transformar Caixa em Sociedade Anônima

Adicionar legenda
Proposta já foi avalizada por comissão mista e segue para votação no Senado. “Abrir a gestão das estatais para o capital é equivocado”, critica diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo

São Paulo – O Projeto de Lei do Senado 555 de 2015 que quer transformar empresas públicas e de economia mista em sociedades anônimas ameaça o caráter público da Caixa Federal.  “Abrir a gestão das estatais para o capital é equivocado, pois os acionistas priorizarão o lucro e jamais o papel social da Caixa e sua importância para o desenvolvimento do país”, critica Dionísio Reis, diretor do Sindicato.

A proposta dispõe sobre o estatuto jurídico, regime societário e a função social das empresas públicas e das sociedades de economia mista, em relação às licitações, aos contratos e às formas de fiscalização do Estado e da sociedade, e deverá ser votada pelos senadores nos próximos dias.

O dirigente explica que sob o pretexto de transparência na condução das empresas, o projeto facilita a possibilidade de abertura de capital da Caixa. “Defendemos a Caixa 100% pública pelo bem do Brasil. Os conselhos das estatais seriam melhores com mais participação do povo e não com mais participação do capital privado”.

> Caixa continuará 100% pública

Além de transformá-las em sociedades anônimas, o PLS define que os conselhos de administração das estatais deverão contar com a presença mínima de 20% de membros independentes e seus integrantes serão impedidos de manter relações sindicais, partidárias ou de parentesco com pessoas no comando do Poder Executivo ou da própria empresa. Essa regra e o percentual mínimo de 20% de membros independentes também prevalecerão para os comitês de auditoria, de indicação e de avaliação.

“É absurdo que as estatais saiam do controle do governo, que é eleito pela população, e passem a ser controladas pelo capital”, reforça Dionísio.

O dirigente destaca outro ponto negativo do projeto: no caso de empresas com capital social acima de R$ 1 bilhão, a indicação dos conselheiros deixaria de ser prerrogativa do Executivo e passaria a ser do Senado. “Isso seria uma agressão constitucional”, diz.

“Defendemos um banco 100% público, que continue ofertando crédito, financiando moradia e ajudando o país a crescer", enfatiza a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, reforçando que, além dos empregados do banco, a frente parlamentar em defesa da Caixa 100% pública será mobilizada contra o “projeto privatista” dos senadores.

Um primeiro passo já foi dado nesse sentido: representantes da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa) e a bancária eleita para o Conselho de Administração do banco, Maria Rita Serrano, reuniram-se com o senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, na quinta-feira 10, em Brasília, e manifestaram suas preocupações com o PLS. O senador assumiu o compromisso de promover audiências públicas sobre o Estatuto das Estatais, com o objetivo de fomentar o mais amplo e democrático debate sobre o tema por todo o país.

A Contraf mandou ofício na segunda 14 para todos os senadores se opondo à urgência na votação do PLS 555.

Os autores – O texto nasceu como substitutivo aos projetos de lei do Senado 167/2015, de Tasso Jereissati (PSDB-CE), e 343/2015, de Aécio Neves (PSDB-MG); e ainda ao anteprojeto apresentado pelos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). De autoria do deputado Arthur Maia (SD-BA), o relatório preliminar do projeto foi aprovado no dia 19 de agosto em Comissão Mista formada por deputados e senadores.

Fonte: SP Bancários

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Sindicato de Itabuna realiza Mutirão do Cliente nas agências bancárias

Denominado Mutirão do Cliente, diretores do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região e da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe estiveram visitando as unidades na cidade distribuindo boletim de notícias específicas para os clientes e usuários dos serviços dos bancos. Na oportunidade foi comunicado à clientela a respeito da campanha salarial e das negociações em andamento e da perspectiva da greve da categoria por tempo indeterminado caso as negociações na avancem na segunda quinzena deste mês.
Assuntos como tarifas caras, juros altos, taxas de cartão e crédito rotativo nas alturas, longa espera nas filas e como denunciá-las foram objeto do boletim ofertado à clientela. Foi divulgado também para todos o número 145  canal de recebimento de denúncias do Banco Central. Além disso, matérias sobre demissões nos bancos, segurança e o famigerado projeto da terceirização (PL 30/15) que ora tramita no Senado Federal foram denunciados no mutirão.
“Estamos já alertando a população em geral sobre a possível greve nos bancos e orientando os clientes sobre como fazer prevalecer seus direitos nos casos do abusos praticados pelos bancos”, alerta Jorge Barbosa, presidente do Sindicato.
Fonte: SEEB-Itabuna

Milhares de manifestantes na Europa pedem generosidade com refugiados

Paris, Londres e Lisboa foram algumas das cidades que realizaram no sábado (12) manifestações pedindo mais generosidade no tratamento com os milhares de refugiados que chegam à Europa nos últimos meses. Os atos ocorreram pacíficamente. Milhares de pessoas defenderam, no Dia Europeu de Ação pelo Refugiado, e um melhor tratamento no acolhimento dos 430 mil migrantes que, segundo a Orgnização Internacional para as Migrações, chegaram aos países da União Europeia desde o início de 2015. 


JONATHAN NACKSTRAND / AFP
Manifestação em Estocolmo.Manifestação em Estocolmo.
Em Lisboa, houve também uma manifestação do Partido Nacional Renovador (PNR) contra os migrantes. Na capital portuguesa, cerca de 200 pessoas juntaram-se para defender o acolhimento dos migrantes e seguiram pela Avenida da Liberdade até o Terreiro do Paço, num cortejo acompanhado pelos simpatizantes do PNR e pela polícia, que separou os dois grupos.

Em Londres, os manifestantes exigiam que o governo conservador de David Cameron aumente a generosidade no acolhimento aos refugiados que procuram asilo na União Europeia, em um ato que contou com a presença do novo líder trabalhista, Jeremy Corbon. Cameron anunciou, recentemente, a decisão de acolher mais 20 mil refugiados nos próximos cinco anos, um volume que os manifestantes classificaram de "patético".

Na Dinamarca, cerca de 30 mil as pessoas saíram às ruas na capital e outras centenas se manifestaram em várias cidades do país, que está empenhado em reforçar as leis de imigração e onde, nesta semana, foi suspensa a ligação ferroviária para impedir a passagem dos refugiados.

Na França, o governo, que se comprometeu a acolher 24 mil refugiados no próximo ano, anunciou também a criação de novos campos de alojamento, deixando a divulgação do número exato para um anúncio do primeiro-ministro, Manuel Valls. O governo francês anunciou também um reforço da contribuição para as agências francesas das Nações Unidas envolvendo milhões de refugiados nos países vizinhos da Síria.

A Alemanha já acolheu 450 mil refugiados desde o início do ano. Neste sábado, a cidade alemã de Munique recebeu "pelo menos 10 mil refugiados", segundo informaram as autoridades municipais.

A chanceler Angela Merkel enviou uma mensagem de apoio às mulheres refugiadas que chegam à Alemanha, apelando para que se valorizem, aprendam a língua, não se isolem na família e aproveitem as oportunidades de acolhimento no país.

Portugal receberá 3.074 refugiados, e o primeiro grupo deve chegar em outubro.

Mais de 4 mil migrantes chegaram à Hungria

No total, entraram no país cerca de 4,3 mil pessoas, um número que coloca o dia de sábado como recorde de entrada de migrantes até agora.

Os refugiados que na sua maioria oriundos da Síria, Iraque e Afeganistão, entraram por meio da fronteira de Röszke, onde o Governo hungaro tinha uma barreira de arame farpado e que reforçará com um muro de 4 metros de altura que será concluído brevemente.

Na estação ferroviária de Keleti, na capital hungara, milhares de pessoas continuam à espera para embarcar e seguir até perto da fronteira com a Áustria, país onde os migrantes entram a pé para depois seguir viagem até à Alemanha, o destino preferido da maioria.

Em Nickelsdorf, do lado austríaco da fronteira, chegaram no sábado 6,6 mil pessoas, mas durante a madrugada de hoje a situação foi mais tranquila: Esta manhã havia apenas 40 pessoas à espera para seguir para Viena ou outras cidades austríacas, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

Nesta semana, a imagem da cinegrafista húngara Petra Laszlo chutando refugiados no campo de acolhimento de Roszke, gerou repercussão em todo o mundo e alertou para o crescente clima de xenofobia na Europa. A cinegrafista foi demitida e disse não entender o motivo que levou a cometer o ato vergonhoso de violência. 


Do Portal Vermelho com Agência Brasil 

Walter Sorrentino: O tempo é agora

Esta semana promete repor com centralidade o impeachment na cena política. Haveria um roteiro traçado, segundo o qual o presidente da Câmara não lhe daria provimento mas, mediante recurso, seria votado em plenário. Eduardo Cunha nega a cronologia.

Por Walter Sorrentino*


  
Não será tão simples quanto querem fazer crer levar adiante o processo. Seus autores misturam um “conjunto da obra” para apresentar o impeachment, mas contornam o principal: o eventual crime de responsabilidade caracterizado na função presidencial.

Ademais, não se fala ainda do que poriam no lugar, seja em termos de agenda palatável na sociedade para enfrentar a crise fiscal e econômica, seja na pactuação do “futuro” governo.

A ala mais radicaloide da oposição busca retomar a ofensiva quanto ao impeachment e “naturalizá-lo” perante a sociedade. Mas o processo seria relativamente prolongado e agravaria a situação do país. Pior para todos. Aliás, esse roteiro pode ser encontrado na mídia nativa desde novembro-dezembro do ano passado, no período pós-eleitoral que a oposição insistiu em transformar num terceiro turno.

Ao mesmo tempo, isso não deixa de indicar que o tempo político para uma ação mais incisiva da presidenta Dilma está se esgotando. Não há alternativas boas, apenas possíveis. Há que fazer uma opção e pagar o preço para manter o país na estabilidade institucional e retomar a normalidade política. Quer dizer, superando o impasse que vive o governo e posturas erráticas.

O preço será apresentar uma agenda consistente, dura e crível para indicar o caminho de retomar condições fiscais, para o país não retroceder às condições fragilizadas da década de 90.

É algo como uma carta aos brasileiros. Reconhecer a gravidade da crise político-econômica. Admitir a imprevidência no monitoramento da crise internacional e os erros de voluntarismo quanto às condições do Estado nacional fazer-lhe frente. Chamar, assim, a crise à responsabilidade do governo. Afirmar que será responsável com o país e com a história, em indicar os sacrifícios que serão necessários para toda a sociedade.

Os sacrifícios não devem nem podem ser simétricos. A crise fiscal econômica precisa levar o Estado e o governo a um novo tamanho. Cortes orçamentários se tornam inevitáveis, mas devem afetar o mínimo possível os gastos sociais e os direitos dos trabalhadores. Mas haverá sacrifícios temporários também aí.

Extraordinariamente, até mesmo os gastos obrigatórios, redimensionados temporariamente poderão ocorrer.

O governo já deveria ter realizado uma força tarefa para aumentar a arrecadação – afinal o principal esporte nacional não é apenas o viciado sistema político, mas a sonegação de impostos.

Com isso se tem uma moratória para elevar a arrecadação e, tão logo possível, retomar crédito e aumentar o consumo para estimular a economia.

Taxação de grandes fortunas, de heranças, de lucros e dividendos, contribuirão assimetricamente para isso, arcando com o maior peso. Também utilizando a CIDE, envolvendo combustíveis. Nova fonte tributária ainda, principalmente se partilhada com Estados e municípios – porque não um sucedâneo da CPMF?

Numa crise dessas inevitavelmente a carga tributária vai aumentar e o percentual da dívida pública como fração do PIB. Corintianos e palmeirenses fariam exatamente isso. Então melhor fazê-lo com consciência e pactuação.

Ministérios e cargos de confiança precisam ser redimensionados. Aliás, uma agenda desse tipo, parte inevitavelmente de uma nova conformação política do governo e da base de sustentação.

Grandes disputas se darão. Também muita dispersão e desconfiança. Mas isso significará um chamamento às forças políticas e sociais para uma convergência de esforços. Mesmo a refregas para encontrar o termo médio – afinal é de luta de interesses de classe que se fala -, dá perspectiva.

O fundamental é chamar à responsabilidade comum a Câmara e o Senado. Amanhã, reunir o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para a convergência. Ao mesmo tempo, pacientemente negociar com as forças sociais, as centrais de trabalhadores em primeiro lugar. Todos precisarão se defrontar com as disjuntivas da situação.

Dilma e Temer precisam encabeçar essa opção. E reformular o governo à imagem e semelhança dessa convergência. Se necessário cortar na carne, pois a crise e a responsabilidade com o país é maior que qualquer partido e seus interesses.

Os partidos da base precisariam ser realinhados em função dessa agenda, com o que podem fechar questão em suas bancadas no voto contra o impeachment, se este vier a transitar.

O mandamento primeiro dessa espécie de carta aos brasileiros será, ainda e uma vez mais, a democracia. Porque tudo isso é preciso conduzir dentro de um ambiente democrático e em respeito à Constituição. O mandamento fundamental é o respeito ao mandato constitucional da presidenta Dilma. A Operação Lava a Jato, nesse sentido, não é problema do governo, mas da Justiça.
Nesse sentido, um ativo fundamental para essa carta aos brasileiros é a reconhecida integridade da presidenta Dilma. Nenhuma alternativa que pudesse surgir a superaria nesse quesito.

Uma agenda desse tipo é a que seria aplicada em qualquer circunstância, com Dilma ou sem Dilma. Antes com Dilma, porque garantia de compromisso com o projeto nacional soberano e com as parcelas mais necessitadas da sociedade brasileira. Ela mantém seu lado.

A crise passará, com sacrifícios certamente. A retomada ocorrerá e as medidas extraordinárias poderão ser revertidas. A agenda pós ajuste já existe embrionariamente e poderá ser reforçada com os primeiros sinais de recuperação econômica. O Brasil seguirá adiante. Na verdade, os novos rumos que serão necessários ao crescimento econômico dependem do tipo de desfecho da atual crise.

Tsipras, em condições graves, alcançou 61% na consulta ao povo grego sobre os caminhos para enfrentar a crise, mas quarenta e oito horas depois estava rendido perante a troika europeia. Ele teve a opção de renunciar ao governo e convocar novas eleições, dado o regime parlamentarista. No Brasil, não.

Que ninguém do lado de cá se iluda quanto às consequências de qualquer outro caminho senão o de manter o respeito ao mandato presidencial. Desde que a própria presidenta dê um rumo e aposte nele com coerência, firmeza e habilidade.


*Walter Sorrentino, é médico, membro do Comitê Central do PCdoB desde 1988. Eleito vice-presidente do PCdoB em 2015.

J. Carlos de Assis: O convite da Folha para uma guerra civil no Brasil

O editorial pornográfico da Folha de S. Paulo divulgado no domingo (13), propondo entre outras aberrações cortes nos gastos orçamentários compulsórios com Previdência Social, Educação e Saúde, ultrapassa qualquer limite em termos de chantagem contra a Nação jamais praticada em nome das classes dominantes brasileiras e de seus associados internacionais.


  
De fato, o objetivo oculto por trás da obsessão do orçamento equilibrado é atender aos interesses do setor bancário e financeiro à custa do suor e do sangue dos brasileiros.

A Folha na realidade está construindo as condições para a guerra civil no país. Ela prega a ruptura não só da Constituição mas do que resta do pacto solidário construído no Brasil desde a Era Vargas, e que resistiu inclusive à ditadura militar, tendo sido consideravelmente ampliado na democracia. O editorial é o mais descarado apelo ao retrocesso que as classes dominantes brasileiras jamais tiveram a ousadia de propor. Não tem qualquer compromisso com os interesses reais da população brasileira. É o enxovalhamento do povo.

Em grave crise financeira, a Folha chutou o pau da barrada: perdido por um, pedido por mil. Talvez acredite que um novo governo, qualquer que seja, trate financeiramente a Grande Imprensa ainda melhor do que tem feito o atual. No seu nível de irresponsabilidade, empurra milhões de pessoas para uma revolta contra as instituições, mediante a sonegação de direitos básicos que pareciam irreversíveis. Sabemos perfeitamente que uma guerra civil não começa como guerra civil. Começa com um estado de pré-convulsão social, do tipo instigado pela Folha, vai para a convulsão, depois para os atentados, depois para a guerrilha. Só depois vem a guerra. E é quando os militares entram para por ordem na casa, a seu modo!
Diante desse ataque da direita radical empreendido pela Folha, e em face do derretimento das instituições do Estado que ela expõe, o desafio que se coloca às forças progressistas é buscar formas concretas de fortalecer o estado solidário na base da sociedade, juntando as forças do empresariado industrial autêntico, não picareta, com as forças organizadas dos trabalhadores. O grande lance é a construção de pacto social negociado diretamente entre essas classes, e cujas proposições concretas sejam levadas ao Governo para aplicação em alternativa ao sistema vigente de total subserviência ao rentismo não produtivo.

Em termos teóricos, nosso desafio é fazer a revolução burguesa-industrial e a revolução social simultaneamente. A revolução burguesa, sim, porque o sistema atual coloca a indústria como escrava de um sistema financeiro de agiotagem que estrangula a capacidade de investimento, inovação e expansão do setor industrial privado. A revolução social porque, se voltarmos ao crescimento econômico, o que é perfeitamente possível, podemos não só defender como expandir o estado de bem estar social como base da estabilidade social e política do país.

O editorial da Folha é um acinte porque coloca a perspectiva de uma tragédia quando temos alternativas promissoras à mão. É uma estupidez econômica achar que temos de fazer superávit primário ou evitar níveis mesmo baixos de déficit. As economias norte-americana, inglesa e japonesa vivem de déficits desde 2008. A norte-americana teve déficits gigantescos de 2009 ao ano passado (até 10% do PIB), do que resultou uma firme retomada do crescimento. Nós reduzimos o superávit primário em 2009 e 2010, e tivemos crescimento especular de 7,5% em 2010.
Não é esse déficit insignificante de 30 bilhões de reais, usado pela Folha para chantagear o país e forçar o abandono do projeto social brasileiro, que constitui um desarranjo da economia. O problema da economia é a ausência de um programa de investimento público, mesmo que deficitário. O déficit público de hoje, quando bem operado para investimentos em infraestrutura, torna-se crescimento do PIB e da receita amanhã. Em outras palavras, ele se paga por si mesmo como ensina há 80 anos a boa doutrina keynesiana.

Se não conseguirmos construir um grande pacto social para superarmos a crise econômica e política, e se em lugar disso, intimidado pela Folha, o Governo implementar um programa regressivo do tipo proposto por ela, já sabemos o endereço aonde os doentes sem cobertura de saúde, os idosos e aposentados despojados de direitos previdenciários, os estudantes pobres sem condições de pagar faculdades, a turma do Bolsa Família e os sem casa e tantos outros pobres devem procurar ajuda: vão todos para a porta da Folha, esperando que ela os reenvie para a proteção do sistema bancário!


*José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo, SP.

Mídia esconde, mas delatores da Andrade citam Serra, Aécio e Aloysio

Enquanto a grande mídia e outros setores da direita tentam blindar os tucanos, dois executivos da construtora mineira Andrade Gutierrez, uma das integrantes do cartel de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, apontam o envolvimento direto das principais lideranças do PSDB.


  
A informação foi divulgada pela coluna de Cláudio Humberto, no Diário do Poder. Segundo ele, dois executivos da construtora Andrade Gutierrez, ouvidos no processo da Lava Jato, afirmaram em acordo de delação premiada que os senadores José Serra (SP), Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes Ferreira (SP) estariam envolvidos no esquema de corrupção.

A Andrade Gutierrez, que teve seu presidente, Otávio Azevedo, preso em junho, foi a maior doadora de recursos na campanha de Aécio à presidência em 2014. Foram 322 doações, que somaram mais de R$ 20 milhões, de acordo com dados do TSE.

Cemig

Outra relação da companhia com o PSDB de Aécio Neves ocorreu em Minas Gerais, onde a Andrade Gutierrez recebeu, de bandeja, a gestão da Cemig, que lhe foi entregue pelos tucanos em um acordo de acionistas. A estatal mineira é apontada como uma das empresas usadas no esquema de corrupção que alimentou o esquema do doleiro Alberto Youssef.

Vale lembrar que o tucano Aloysio Nunes já foi indicado pelo Procurador-Geral, Rodrigo Janot, como um dos alvos da investigação, após declarações do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, de que Nunes teria recebido R$ 200 mil de caixa dois para sua campanha ao Senado. Aécio, por sua vez, foi citado em vários depoimentos do doleiro Alberto Youssef por ter supostamente recebido dinheiro de Furnas.

Outros citados

Outras lideranças da oposição também são apontadas como integrantes do esquema continuam sendo ignoradas pela mídia. Segundo o doleiro Alberto Youssef, em acareação com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, ele teria feito pagamentos para a campanha de Álvaro Dias (DEM-PR) em 1998.

Após questionamento do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), sobre o uso de um jato alugado pela prefeitura de Maringá para políticos, Youssef respondeu: “Na época eu fiz a campanha do senador Alvaro Dias e parte destas horas voadas foram pagas pelo Paolicchi, que foi secretário de fazenda da Prefeitura de Maringá. E parte foram doações mesmo que eu fiz das horas voadas”.

Em 1998, houve uma investigação na Prefeitura de Maringá por conta de possíveis desvios de recursos para o pagamento de jatos que foram supostamente usados por Álvaro Dias.

Resultado, a Justiça Estadual condenou por improbidade administrativa o ex-prefeito Jairo Morais Gianoto, eleito pelo PSDB para o mandato de 1997 a 2000, que recorreu da condenação e vive em uma fazenda em Mato Grosso, e o ex-secretário de fazenda de Maringá, Luiz Antônio Paolicchi, que morreu em 2011, mas na época da investigação chegou a ser preso pela Polícia Federal.

Em depoimento, ele confirmou o envolvimento. “O prefeito chamou o Alberto Yossef e pediu para deixar um avião à disposição do senador [Álvaro Dias]”, aponta reportagem da Rede Brasil Atual publicada neste domingo (13).

Os envolvidos, incluindo Youssef, foram condenados a devolver aos cofres públicos de Maringá “o valor desviado que, corrigido, corresponde a cerca de R$ 1 bilhão”. 
 

Do Portal Vermelho, com informações do Diário do Poder e Rede Brasil Atual

Dilma: “Nosso país é democrático e não vamos aceitar a intolerância”

Em visita ao Piauí na sexta-feira (11), Dilma Rousseff visitou as obras da Transnordestina e participou da sexta edição do programa Dialoga Brasil. A presidenta afirmou que a participação social é o exercício da capacidade do povo de agir para a transformação do país. A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, também participou do encontro e reforçou a importância das políticas inclusivas para o desenvolvimento do Nordeste. 


Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma: Por meio do Dialoga Brasil, povo brasileiro mostra capacidade de transformar a realidade do paísDilma: Por meio do Dialoga Brasil, povo brasileiro mostra capacidade de transformar a realidade do país
Diante do público de mil pessoas em Teresina, Dilma destacou que as políticas públicas discutidas na plataforma criam oportunidades iguais para todos os brasileiros, e que com isso o governo, em parceria com a sociedade, pode transformar o país.

“Qual é o papel do governo? O papel do governo é criar condições e oportunidades. Qual é o papel dos jovens e de todos aqueles que vão encarar a oportunidade? É o esforço. E das famílias? É o apoio. Então, quando todos agimos em conjunto, somos capazes de transformar o país”, disse.

O Dialoga Brasil, lançado em julho, é uma plataforma de participação social do governo na internet. Nela, o cidadão pode propor políticas públicas, compartilhar sua proposta nas mídias sociais, votar ou apoiar ideias para ações do governo federal, além de conhecer os principais programas do governo. O encontro no Piauí é o sexto realizado pelo governo para divulgar a plataforma, sendo o quinto no Nordeste.

A plataforma Dialoga Brasil apresenta 14 temas e 80 programas prioritários do governo federal para que a população proponha
melhorias nas políticas públicas e na vida dos brasileiros e brasileiras.

Cidania e democracia 

“Cidadania é também o direito da população indígena, é o direito da população negra, os quilombolas, e é também o direito das mulheres viverem sem violência, e o LGBT também. Nós somos pessoas democráticas. Esse país é um país democrático. Nós não podemos aceitar e nunca aceitamos nesse país a intolerância. Nós somos capazes de viver aqui de forma a gente respeite”, afirmou.

A presidenta, em seu discurso, elogiou o desenvolvimento econômico e social do Piauí citando o investimento em parque eólicos. “Eu tenho certeza que o desenvolvimento do Piauí vai dar muito orgulho para todos os brasileiros. Daí porque eu saúdo essa iniciativa de se construir parques eólicos, considerando que aqui temos ventos muito bons. Antes os ventos não traziam grandes coisas e levavam muita coisa. Agora, os ventos estão trazendo dinheiro”, conclui.

Tereza Campello destaca a importância das políticas sociais no Nordeste no combate à seca e a fome

“Hoje o Brasil é outro país porque o governo construiu políticas públicas que permitem que a população consiga conviver com a seca”, afirmou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, que também participou da sexta edição do Dialoga Brasil, no Piauí.

Para a ministra, políticas como o Bolsa Família, o programa de cisternas e o seguro Safra têm permitido que o povo nordestino resista e não abandone suas terras em direção às grandes cidades do país – como fazia no passado – apesar da forte seca que atinge o Nordeste nos últimos anos.

“Muita gente dizia que a pobreza do Nordeste tinha a ver com a seca. Hoje nós estamos vivendo uma seca muito intensa aqui no estado (Piauí), que atinge uma parte grande da área rural e nós não temos aquelas cenas que a gente tinha antes: os retirantes, o povo em saques, desesperado, abandonando sua terra. Hoje o Brasil é outro apesar da seca. Porque nós estamos conseguindo, não combater a seca – que é um fenômeno da natureza – mas construir políticas públicas que garantam que a gente conviva com o Semiárido e garanta que a população do meio rural fique na sua terra e que as populações nas cidades tenham sua pobreza aliviada”, defendeu.

E nesse sentido, citou números como o das 17 milhões de crianças de 6 a 17 anos, beneficiadas pelo Bolsa Família e que hoje não estão no trabalho infantil para estar na escola – 500 mil delas só no Piauí – recebendo, inclusive, assistência médica.

Obras da Transnordestina
Em visita às obras da Transnordestina durante a manhã desta sexta-feira (11), no município de Paulistana, que também contou com a presença do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, a presidenta destacou a importância da conclusão da ferrovia. “Quero voltar ao Piauí para entregar esse trecho até 2016”, disse Dilma após percorrer cerca de um quilômetro no canteiro de obras e acompanhar os operários fazendo a colocação de dormentes nos trilhos.


Dilma visita obras da Transnordestina (Foto: G1)
Encontro com empresários
No último compromisso de sua agenda no Piauí, a presidenta Dilma se reuniu com empresários piauienses. No encontro, o governo apresenta programas do setor que beneficiam o setor produtivo nas áreas de infraestrutura, logística e produção agrícola. 


Do Portal Vermelho com Blog do Planalto