sexta-feira, 11 de setembro de 2015

É a Globo que dá ao Brasil uma nota de mau pagador

Entre todas as patifarias ideológicas vomitadas pela Grande Mídia, sobretudo pela TV Globo, relativamente às decisões das chamadas agências de risco, a mais sórdida é a que define a nota emitida por elas como um atestado de bom ou mau pagador. Ora, como se pode dar atestado de mau pagador antes que se saiba que a empresa ou país pagaram suas obrigações?

Por J. Carlos de Assis*


Fotomontagem/Vermelho
  
Seria um atestado de não pagamento futuro? Se é assim, é melhor para o país que não pague agora; assim, ficará com algum dinheiro em caixa para eventualidades!

É claro que isso tudo é um absoluto nonsense. Não há a mais remota possibilidade de o Brasil suspender o pagamento de suas dívidas em função do que dizem as agências de risco. Temos reservas internacionais de quase 400 bilhões de dólares. É verdade que, sobretudo por erros acumulados na política cambial do passado, e sobretudo por causa da estúpida taxa de juros, temos também muitas dívidas externas de curto prazo. Contudo, o balanço nos é ainda favorável. E não precisamos, para isso, de nota de bom pagador de agências de risco.

O mais repugnante, porém, não é o conceito em si de mau pagador que se atribui ao país por causa da agência mas o fato extraordinário de que não é a agência, em si, que usa essa terminologia – ela libera apenas uma nota -, mas a forma como a TV Globo, por sua conta e risco, “explica” a nota. São os jornalistas da Globo, como Bonner, que dizem que a nota é um “atestado de mau pagador”. Como consequência, caindo a nota, perdemos o status de bom pagador mesmo que nada nos tenha sido cobrado e a economia funcione como antes.

A embromação não para aí. A nota das agências é um expediente tremendamente arbitrário. Se tivesse um mínimo de cientificidade não teria havido o desastre de 2008, no qual todas as agências de risco – rigorosamente, todas – haviam dado nota de “bom pagador” AAA a empresas, bancos e títulos que, por suas fraudes, quase destruíram o sistema financeiro mundial. Sob aperto do Congresso para explicar o que, afinal, havia acontecido, todas combinaram a mesma resposta: O que fizemos foi dar nossa opinião, mais nada.

Então qual é a razão para a Grade Imprensa dar tanta atenção às agências? Simplesmente porque elas funcionam como a vanguarda dos interesses financeiros, e são os interesses financeiros que dão suporte à Grande Imprensa. No caso atual, a agência está dando um sinal para que o Governo brasileiro mantenha taxas de juros básicas extorsivas e estrangule o orçamento público para tapar o déficit primário, irrisório em relação ao orçamento como um todo, o qual, caso mantido, não traria qualquer consequência negativa para a economia real.


*Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, ed. Textonovo, SP. Pode ser adquirido pela Internet.
Fonte: Vermelho

Alice Portugal: Mídia leva em consideração empresa processada por fraude

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) deu declarações nesta quinta-feira (10), indignada com o alarde da oposição e da grande mídia em relação ao rebaixamento da Nota Brasil dada pela agência de risco Standard & Poor’s.


Segundo a deputada, a oposição e a grande mídia irresponsavelmente tentam criar todos os dias um factoide para instabilizar o Brasil. Dessa vez, diz ela, levam em consideração “uma empresa processada por fraude na bolsa [norte-] americana” que colaborou com a crise financeira mundial.

Para a deputada, a oposição não tolera os avanços do povo, conquistados nos últimos anos com os governos progressistas. “O Brasil vem ganhando muito nos últimos anos e temos que avançar. Golpe não! Vamos seguir com as mudanças.”





Do Portal Vermelho, Eliz Brandão

Das vaias à ovação: médicos cubanos ganham preferência no Brasil

Uma recente pesquisa revelou que 87% das pessoas que são atendidas pelos médicos cubanos elogiaram a atenção e a qualidade do atendimento; Na média, a nota recebida pelos profissionais estrangeiros foi 9.



Unidade de Saúde da Família de Cajazeiras XI, manhã da última segunda-feira de agosto. Uma escada estreita leva ao pouco iluminado 1º andar, onde está um dos cômodos mais procurados no local: o consultório de número 5. A porta branca da sala, fechada até 2013, é aberta, desde então, muitas vezes ao dia. Observa-se, porém, um intervalo de tempo significativo entre um girar de maçaneta e outro. Neste ínterim de abre-fecha-abre-fecha, com quase nenhuma variação, a cena se repete: após a saída de um paciente, um homem pardo e de meia idade surge, sorridente, de prontuário na mão, para um sonoro anúncio de quem é que será o próximo a entrar. O nome de quem anuncia está em uma placa fixada na frente da porta: “Dr. Rafael – Médico”.

A fila, do lado de fora da sala, é grande. À espera está a vendedora Eurides Silva, de 26 anos, que soube da boa fama do médico e resolveu tentar uma consulta com ele. Queria falar do seu problema na tireoide. Como não havia marcado previamente, esperou todos terminarem para ir pedir um atendimento extra a Rafael. E conseguiu. O médico parecia não se importar com os poucos minutos que faltavam para a hora do almoço. Com o mesmo sorriso, abriu a porta para Eurides e para, pelo menos, mais três outras pessoas que, certamente, não arredariam dali sem conseguir falar com ele. “Normalmente, eu tenho que ‘brecar’ e pedir às pessoas pra voltar depois”, afirma Elzanete Mangueira, gerente da unidade de saúde.

Elza, como é mais conhecida, não diz com um tom autoritário. A intromissão nos atendimentos do médico é cordial e é uma maneira de tentar poupá-lo de uma excessiva carga de trabalho, até porque, na unidade, há mais outros três médicos. “Aqui, temos uma cota para determinados atendimentos. Dr. Rafael, por exemplo, deveria atender por dia 14 pacientes e mais três ou quatro emergências, mas, se deixar, ele atende muito mais. Ele não atende pela agenda, mas pela necessidade do paciente. Ele não quer deixar voltar, mas a gente sabe que isso nem sempre é possível porque é humanamente impossível um médico atender a 20 ou 30 pessoas em um dia. Se deixar, ele atende”, completa a gerente.
O que justifica a fama e a grande procura pelo médico não são os atendimentos extras, mas o que acontece lá dentro da sala, quando a porta se fecha. Com a cadeira do paciente posta ao lado da mesa, Rafael cria um clima favorável à proximidade e à intimidade com quem o procura. Durante a consulta, ouve mais do que fala. Quer saber dos pacientes como é a alimentação, qual o histórico médico da família, qual o modo de vida que leva. Pega na mão, toca o rosto, examina minuciosamente. Na vez de Eurides, pegou um bloco de papel e uma caneta e desenhou a glândula da tireoide para mostrar à vendedora. Ele queria que ela entendesse o funcionamento do sistema endócrino e como o problema na tireoide se desenvolveu. Eurides entendeu direitinho e saiu encantada. “Os outros [médicos] nunca fizeram como ele”, declarou.

Dr. Rafael, de sobrenome Villa, é cubano. Chegou ao Brasil em 2013, junto à primeira turma que partiu de Cuba para a missão de integrar a etapa inicial do programa ‘Mais Médicos’, do Governo Federal brasileiro. A iniciativa surgiu diante do grande déficit de profissionais de medicina no país, com o objetivo de ampliar emergencialmente o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente nos rincões do Brasil, e investir na formação de novos profissionais. Naquele período, o Ministério da Saúde (MS) revelou que faltavam 54 mil médicos no Brasil. A média era de 1,8 profissionais para cada grupo de mil habitantes. Para efeitos comparativos, a média da Inglaterra era de 2,7 para mil, segundo o MS.

A recepção não foi boa. Rafael e os conterrâneos chegaram sob vaias e protestos, principalmente vindos de colegas, médicos brasileiros. Um dos episódios mais tensos aconteceu na chegada a Fortaleza (CE), quando um grupo dos profissionais locais chamou os cubanos de ‘escravos’ e ‘traidores’. Em Salvador (BA), onde Rafael desembarcou, a recepção foi calorosa, houve até um grupo de apoio, mas as notícias do que acontecia em outras cidades chegavam aos ouvidos de todos. “Foi algo muito ruim. Somos tão médicos como eles e não viemos aqui para tomar postos de trabalho. Viemos ajudar a todos, em função da precariedade da saúde brasileira, que está muito necessitada”, contou o cubano, ao lembrar da chegada.

A necessidade a que Rafael se refere era real na Unidade de Saúde da Família de Cajazeiras XI, localizada em uma das áreas mais carentes da capital baiana. Cajazeiras XI é um dos setores do bairro de Cajazeiras, que possui dimensões de uma cidade e é, por isso, considerado o maior conjunto habitacional da América Latina (AL). Em 2010, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) contou 60 mil habitantes – 100 mil quando se considera os 40 mil moradores dos setores de Fazenda Grande, que, quase sempre, são incluídos no conjunto de Cajazeiras. Pela grande população e pela distância do Centro de Salvador, a impressão que se tem é que a localidade possui uma vida independente em relação ao município. Era esquecida, dizem os moradores, ao lembrar que, até 2013, não existia médico nas unidades de saúde.

A cerca de 70km dali, uma outra comunidade tem uma história parecida para contar. São Sebastião do Passé é um município da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Lá, vivem 45 mil pessoas, segundo a última contagem do IBGE. Antes do ‘Mais Médicos’, a Unidade de Saúde da Família Péricles Rodrigues, na sede, funcionava sem atendimento médico. A mudança só aconteceu com a chegada de quatro médicos cubanos, enviados ao município para suprir a carência. São três homens e uma mulher. A única mulher do grupo é Yadira Giraudy, uma negra de cabelos ondulados e sorriso fácil, escalada para o trabalho da sede. Na comunidade, que é menor do que o bairro de Cajazeiras, a médica se tornou, ao longo desses dois anos, uma rainha.
Quem faz acreditar no título de majestade são os pacientes, que se derretem ao falar da médica cubana. Uma delas é Dona Maria Ionice Cerqueira, aposentada de 61 anos. Fez questão de falar à reportagem sobre a ‘doutora’, para quem não economiza nos elogios, mesmo recebendo ‘broncas’ dela, de vez em quando. É que Dona Maria Ionice às vezes descuida dos muitos problemas que possui: doença de chagas, osteoporose, colesterol alto, diabetes e quase-cegueira. “Sou acompanhada por ela e toda terça-feira eu estou aqui. Ela é muito boa, se preocupa muito com os pacientes. Além de examinar, ela escuta. Por causa do meu problema nas vistas, ela não deixa eu vir sozinha e nem quer que eu fique na rua sozinha. Só a preocupação dela...”, conta a aposentada, que teve a última frase interrompida pela própria emoção. Os depoimentos positivos sobre a médica se repetem na fila da unidade de saúde.

Mas o início não foi fácil para Yadira e Rafael. Além da tentativa de parte dos médicos brasileiros de criar uma imagem negativa dos profissionais estrangeiros junto à sociedade, os cubanos esbarraram, também, no português, pois a língua oficial de Cuba é o espanhol. “Quando cheguei, ninguém entendia nada. Tinha que falar muito devagar e muitos queixavam de que não entendiam a médica, mas, pouco a pouco, fui ganhando a confiança deles e melhorou muito. Hoje, me sinto muito bem com eles”, conta, aliviada, Yadira. No caso de Rafael, muitas vezes ele chegou a chamar os enfermeiros para que pudessem auxiliar na comunicação. Como português e espanhol são línguas parecidas, os dois médicos logo conseguiram desenvolver o ‘portunhol’ e os percalços com os diálogos diminuíram radicalmente.

Superadas as dificuldades iniciais, Yadira tratou de apresentar à população e à equipe da unidade de saúde algumas das características da medicina cubana que poria em prática: prevenção, humanismo e acompanhamento do paciente. De todas, a última surpreendeu mais. Duas das primeiras perguntas que a enfermeira brasileira Maria Juliete de Oliveira ouviu da médica foram: “Como são as visitas? Vamos fazer para todos os pacientes?” De queixo caído, a enfermeira tentou explicar que existiriam dificuldades pela grande quantidade de pacientes. Mas com a facilidade
 de estar e morar em uma comunidade menor – Rafael mora em um bairro diferente do que trabalha -, a médica insistiu e passou a fazer visitas às casas para conhecer e orientar os hábitos dos moradores, principalmente em relação à alimentação. Não dá para fazer visitar toda a comunidade, mas ela vai a todos aos grupos considerados prioritários pela equipe.

Preferência nacional

As histórias de Rafael e Yadira, marcadas pela transformação das vaias iniciais em ovações, na Bahia, não são as únicas. Pelo menos é o que revelou uma recente pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre a relação dos brasileiros com os profissionais do ‘Mais Médicos’, em que os cubanos são a grande maioria (são 11.429 dos 14.462 médicos participantes do programa). Feito em 700 municípios, entre novembro e dezembro do ano passado, o levantamento ouviu 14 mil pessoas, que deram, na média, a nota 9 ao atendimento oferecido pelos cubanos nas unidades públicas de saúde (55% dos entrevistados deram a nota 10). Outros 87% elogiaram a atenção e a qualidade do atendimento; 77% garantiram que tiveram uma boa comunicação com os profissionais estrangeiros.

Na Bahia, são cerca de 1.363 médicos em atuação pelo programa federal. Um relatório inédito da Secretaria Estadual de Saúde, a Sesab, apontou uma relação entre o aumento do número de médicos no estado, através do ‘Mais Médicos’, e uma melhora significativa dos índices de qualidade de vida dos baianos. Segundo o documento, de 2013 para 2014, houve uma redução da taxa de mortalidade infantil (de 16,35% para 15,39), de internações motivadas por condições relativas à atenção básica (de 42,02% para 40,90%), por Acidente Vascular Cerebral, o AVC, em pacientes de 30 a 59 anos (de 6,93% para 5,29%) e por diabetes e suas complicações (de 7,0% para 6,0%). Houve, ainda, um amento do número de bebês nascidos vivos de mães que fizeram sete ou mais consultas de pré-natal, durante a gravidez (de 46,97% para 50,83%).

Os profissionais do ‘Mais Médicos’ estão, segundo o MS, em 4058 dos 5570 municípios brasileiros, o que representa uma cobertura de 73% do território nacional. Entre os locais de atuação, estão 34 distritos indígenas. A estimativa é de que, hoje, 134 milhões de pessoas estejam sendo atendidas por médicos do programa. A presença de médicos fixos nas comunidades é estratégica, segundo o Ministério, porque, como a atenção básica é a porta de entrada dos que procuram atendimento médico, 80% dos casos que chegam às unidades são resolvidos no próprio local, sem que seja preciso o deslocamento e sem que haja a superlotação de unidades de atendimentos mais complexos.

“Antes [do ‘Mais Médicos’], não tínhamos a possibilidade de garantir a cerca de 63 milhões de brasileiros o acesso à atenção primária na saúde. Com o Mais Médicos, que conta com a cooperação da OPAs [Organização Pan-Americana da Saúde], nós temos efetivamente garantido a cada brasileiro o direito de uma atenção primária qualificada. Por meio do Programa, conseguimos levar profissionais onde vivem as pessoas com maior vulnerabilidade, nas periferias das grandes cidades brasileiras, nos quilombolas, assentamentos rurais, aldeias indígenas, na floresta amazônica, onde os brasileiros precisam de médicos”, disse o ministro Arthur Chioro, através da página do Ministério da Saúde na internet.

As principais vozes contrárias ao programa ‘Mais Médicos’ são das entidades que representam a classe médica. Desde 2013, elas têm defendido que a iniciativa não iria resolver o profundo problema da saúde no Brasil. Na Bahia, o presidente do Sindicato dos Médicos (Sindmed), Francisco Magalhães, foi procurado para comentar a pesquisa divulgada pela UFMG. Magalhães disse que estava sendo informado da pesquisa pela reportagem, mas que, mesmo sem um conhecimento prévio, refutava a metodologia e os resultados obtidos pelo levantamento da Universidade mineira.

“Nós estamos vivendo, no país, um quadro em que se verifica que as condições de trabalho dos profissionais de saúde estão piores. Estamos com problemas diversos”, defendeu o presidente do Sindmed-BA. Durante as visitas às unidades de saúde, a reclamação identificada pela reportagem em relação às condições dos locais foi sobre o irregular recebimento de medicamentos. Yadira, por exemplo, contou que em São Sebastião do Passé chega a faltar remédios para doenças crônicas [como hipertensão e diabetes], em alguns períodos. A médica alerta para os riscos que a irregularidade causa porque o uso dos medicamentos não pode ser interrompido e grande parte dos pacientes, segundo ela, não pode comprar.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que “a maior parte dos medicamentos destinados ao tratamento de hipertensão de diabetes é de responsabilidade do próprio município. A Secretaria Municipal de Saúde é quem faz a aquisição”. A Secretaria de Saúde de São Sebastião do Passé foi contatada, mas, até o fechamento da reportagem, não apresentou um posicionamento. Sobre as críticas do presidente do Sindmed, a Sesab não se posicionou.

Missões cubanas

Os cubanos chamam as emissões de médicos para outros países de missões. A cônsul de Cuba no Nordeste do Brasil, Laura Pujol, explica que a iniciativa é antiga e consegue traduzir o espírito da ilha localizada na América Central. “Não é uma questão recente, mas algo que se estende na História. Desde os anos de 1960 nós enviamos para onde precisa da nossa ajuda solidária. Isso tem a ver com princípios e com a formação que nós temos, de entender que a solidariedade é uma pedra fundamental de nossa cultura. Para nós, não é dar o que sobra, mas compartilhar o que se tem”, afirmou a cônsul. Mais de 128 países já receberam médicos de Cuba e, atualmente, há mais de 68 mil médicos prestando serviços pelo mundo. Além do Brasil, outros países que receberam grandes missões cubanas foram Afeganistão, Venezuela e diversos países do continente africano, segundo o consulado. Antes de virem para o Brasil, Rafael e Yadira participaram de outras missões. Os dois estiveram na Venezuela e em Honduras.

O Consulado Regional de Cuba está instalado em Salvador e realiza um trabalho de acompanhamento das condições de vida e trabalho dos médicos em toda a região Nordeste do Brasil. De acordo com Laura, são feitas de 15 a 20 visitas por mês aos municípios pelos próprios cônsules – além dela, há mais dois. Como a demanda é grande e a equipe não consegue estar em todas as localidades, o consulado resolveu promover, além das visitas, encontros dos médicos que atuam nas mesmas regiões. Nas ocasiões, que são celebrações com elementos da cultura cubana, os cônsules aproveitam para fazer os levantamentos sobre a vida nos municípios. “Queremos que eles sintam que o nosso governo está preocupado e está ali para qualquer situação que eles precisarem”, explicou Laura.

Para viabilizar o ‘Mais Médicos’, o Governo federal conta com parcerias dos estados e municípios. Ao município, cabe garantir a permanência dos médicos instalados nas comunidades, oferecendo, por exemplo, moradia, alimentação e transporte. Durante as entrevistas, Rafael e Yadira não reclamaram das condições oferecidas pelas prefeituras, mas foi possível observar que elas poderiam ser melhores. Maria Juliete, a enfermeira da unidade São Sebastião do Passé, contou que Yadira já reclamou de ter que dividir uma pequena casa com os outros três médicos conterrâneos. A casa alugada para Rafael pela Prefeitura de Salvador fica em Itapuã, um bairro distante de onde ele trabalha. Ele mora com a esposa, Gaya, também médica de Cuba, que trabalha na mesma unidade – e, assim como ele, é bastante concorrida. O casal vai e volta de ônibus, enfrentando engarrafamentos no trajeto, que chega a ser feito em até 1 hora. Se morassem na própria Cajazeiras XI, a qualidade de vida, certamente, seria outra.

A permanência dos médicos estrangeiros no programa é, em média, de três anos. Como já estão no Brasil desde o início, há mais de dois anos, a partida já está se aproximando. Rafael e Yadira, embora se sintam bem acolhidos, não veem a hora de matar a saudade da família que ficou em Cuba – ambos possuem filhos. A equipe de saúde das unidades em que eles trabalham preveem que a falta será grande, proporcional ao legado que os cubanos deixarão. As equipes garantem que vão seguir com os ensinamentos recebidos, principalmente os relacionados à prevenção. Difícil será, certamente, a partida dos médicos para as comunidades. Quando questionados sobre isso, os pacientes preferem nem pensar. Foram cativados e esse pode ter sido o grande erro dos cubanos durante a missão. Como ensina a história do ‘Pequeno Príncipe’, mundialmente conhecida: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
 
Agradecimentos a Lázaro Guerreiro, Antônio Barreto e Cida Meira.


De Salvador, Erikson Walla - Vermelho

Latifundiários do Mato Grosso do Sul se armam para dizimar índios

O Portal CTB conversou com exclusividade com a índia Naine Terena, mestra em artes pela Universidade de Brasília e doutora em educação pela PUC-SP. Ela relata a grave situação dos conflitos pela posse de terras indígenas no Mato Grosso do Sul, estado onde ocorrem as maiores violências contra os índios no país.
Somente no ano passado foram assassinados 25 índios no estado, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). “Essa matança sempre ocorreu, agora está mais visível porque no regime democrático fica mais difícil esconder”, diz Naine.
Ela tem esperança de que seja encontrada uma solução que contemple todos os lados da disputa. A insegurança dos povos indígenas no estado está tão periclitante que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, esteve reunido com lideranças locais para que a matança de índios cesse.
Segundo Naine, os índios querem a demarcação de suas terras. “Faz tempo que não se demarca mais terras indígenas e o nosso povo não é nada sem a terra”, afirma.
Naine também acusa a mídia de ser comprometida com a causa dos fazendeiros. "A mídia ataca os indígenas inclusive com mentiras. Tem fazendeiro espalhando que somos paraguaios, outros nos tratam como vagabundos, bêbados e invasores", diz ela, e acrescenta: "Somos tão brasileiros quanto todos os 200 milhões que nasceram aqui. Só queremos nossos direitos respeitados. Queremos nossa terra para produzir alimento e trabalhar pelo nosso povo e familiares como todo mundo”.
naine terena
"Estão matando inclusive nossas crianças. Não podemos ficar parados", denuncia. A representante indígena defende uma negociação entre os povos indígenas e os fazendeiros com intermediação do governo para se encontrar um ponto em comum e impedir a continuidade da violação de seus direitos. Além da homologação e demarcação das terras indígenas, Naine destaca a necessidade de “políticas públicas de verdade", afirma referindo-se a políticas eficazes, que promovam condições de sobrevivência digna ao seu povo.
"Os índios estão esperando há anos por uma solução negociada, mas essa solução não chega e as condições de vida se tornam mais e mais degradantes", afirma Matias Benno, do Conselho Indigenista. Já Naine critica a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que pretende tirar do Poder Executivo a prerrogativa para a demarcação de terras, e a PEC 71/2011, que visa indenização a todos os possuidores de títulos de terras, independente da situação legal. “Essas PECs podem piorar a nossa situação, pois com esse Congresso com grande número de ruralistas ficaria impossível termos nossas terras homologadas”, reforça.
O governo federal promete atuar para solucionar a questão em Mato Grosso do Sul o mais rápido possível. Até porque existe a acusação de que os latifundiários do estado com seus aliados na mídia, na política local e no Congresso estão criando milícias particulares fortemente armadas para atacar os acampamentos indígenas.
Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Brasil supera média mundial e reduz 73% da mortalidade infantil

Apesar do número de mortes de crianças com menos de cinco anos ter caído de 12,7 milhões por ano em 1990 para 5,9 milhões em 2015, desde 1990 até 2015 o mundo perdeu 236 milhões de vidas nesta faixa etária, mais do que toda a população brasileira. Entretanto, o Brasil é um dos poucos países que tem o que comemorar: reduziu 73% das mortes. 


Foto: Sérgio Amaral/MDS
Brasil está acima da média mundial na redução da mortalidade infantilBrasil está acima da média mundial na redução da mortalidade infantil
Segundo o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o país conseguiu alcançar a meta estipulada pela ONU por meio dos Objetivos do Milênio e, em 25 anos, o Brasil conseguiu reduzir em mais de um terço as mortes de crianças, uma queda de 73% da mortalidade na infância. Em 1990 eram registradas 61 mortes para cada mil crianças menores de cinco anos. O número caiu para 16 mortes (a cada cem mil) após esse período.

O governo federal já havia adiantado os números no ano passado, quando foi divulgado o 5º Relatório Nacional de Acompanhamento. Isso quer dizer que a meta foi atingida antes do prazo estipulado pela ONU.

Estratégias de combate à mortalidade
De acordo com o relatório, uma combinação de estratégias governamentais contribuiu para combater de forma efetiva a mortalidade infantil. Além do Bolsa Família, foram citados o Sistema Único de Saúde (SUS) com foco na atenção primária de saúde, a melhoria no atendimento materno e ao recém-nascido e esforços para prestar assistência à saúde no nível comunitário.

“Há duas razões principais para a redução da mortalidade na infância no Brasil: a expansão do acesso à saúde primária e o Bolsa Família, maior programa de transferência de renda do mundo”, afirma o coordenador de saúde infantil do Ministério da Saúde brasileiro, Paulo Vicente Bonilha de Almeida. “O Programa Nacional de Imunização aumentou as taxas de vacinação entre as crianças brasileiras e o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno mais do que quadruplicou a amamentação.”

Já no início do governo Lula, o então presidente afirmou que todo brasileiro tinha direito a no mínimo três refeições por dia, e implantou um grande programa de transferência de renda que hoje é reconhecido mundialmente. O governo Dilma ampliou o Bolsa Família que já beneficiou 14 milhões de famílias (50 milhões de pessoas). O Bolsa Família promove a inclusão e a cidadania das pessoas mais carentes e, principalmente, é um programa social que combate a fome e a mortalidade infantil, contribuindo com a redução dessas mortes.

Em setembro do ano passado, ao abrir a 69ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a presidenta Dilma Rousseff apresentou ao mundo as ações afirmativas promovidas pelo Brasil na redução da desigualdade e comemorou a retirada do país do “mapa da fome”, conforme anunciado, naquele ano, pela FAO, braço da ONU para Alimentação e Agricultura. “Essa mudança foi resultado de uma política econômica que criou 21 milhões empregos, valorizou o salário básico, aumentando em 71% seu poder de compra. Com isso, reduziu a desigualdade. Trinta e seis milhões de brasileiros deixaram a miséria desde 2003; 22 milhões somente em meu governo. Para esse resultado contribuíram também políticas sociais e de transferência de renda reunidas no Plano Brasil Sem Miséria”, disse Dilma.

Mortalidade mundial
Apesar do índice de mortalidade infantil apresentar quedas contínuas desde 1990, o mundo ainda não está fazendo o suficiente para prevenir novas mortes e até mesmo alcançar a meta. Um número alarmante de dezesseis mil crianças com menos de cinco anos de cidade morre todos os dias no mundo.

A principal causa da morte é a pobreza extrema, caracterizada pela falta de alimentos, de ingestão de vitaminas, minerais e nutrientes. Essa ausência de comida debilita o sistema imunológico e leva à morte.

Os conflitos também são responsáveis pelo enorme índice de mortalidade infantil. Os refugiados estão expostos a uma maior ameaça de insegurança alimentar, desnutrição e doenças.

No Brasil
Segundo o relatório da ONU, na esfera regional, o quadro brasileiro é ainda insatisfatório. O relatório aponta que em 32 municípios o índice de mortes infantis supera 80 para cada 1.000 crianças nascidas. Além disso, destacou que, comparado a outros bebês brasileiros, as crianças indígenas no país têm o dobro de chances de morrer antes do seu primeiro ano de vida.

Recém-nascidos 
O relatório destaca que o grande desafio continua sendo o período do nascimento. Em torno a 45% das mortes infantis ocorrem no período neonatal, ou seja, casos ocorrem antes que a criança complete um mês de vida. As mortes das crianças menores de cinco anos geralmente são causadas por pneumonia, diarreia, sepse e malária. Mas cerca de metade é associada à desnutrição.


Do Portal Vermelho, com ONU

Kirchner defende América Latina unida contra exploração neoliberal

A presidenta da Argentina, Cristina Kirshner, defendeu o aprofundamento da integração latino-americana como melhor forma de garantir a soberania dos países do Sul, durante um evento de inauguração de uma unidade de pronto atendimento na região de Buenos Aires, nesta quarta-feira (9). O ex-presidente Lula, que dá o nome ao novo hospital, participou da cerimônia.

Por Mariana Serafini


Telám
Presidenta destacou que ao contrário da União Europeia, países da América Latina não deixam os imigrantes "morrer na praia"Presidenta destacou que ao contrário da União Europeia, países da América Latina não deixam os imigrantes "morrer na praia"
Cristina denunciou os interesses imperialistas em manter os países latino-americanos “separados”, a fim de fortalecer a exploração no continente. “Lula e Néstor [Kirchner] inauguraram uma etapa inédita na história das relações entre Brasil e Argentina. Sempre nos enfrentávamos, e isso não era casualidade, era mais interessante ter estes países divididos para mantê-los subordinados, por isso devemos aprofundar a integração latino-americana porque este é nosso destino”, afirmou.

Para a presidenta, o caminho da integração é o fortalecimento de blocos como o Brics, neste sentindo, pediu a Lula que seja embaixador ante os integrantes para defender o ingresso da Argentina. “Que não seja mais Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e sim Bricsa!”.

Ao contrário dos Estados Unidos e União Europeia, o princípio dos países latinos deve ser a solidariedade, defendeu a presidenta, ao afirmar não aceitar, em hipótese alguma, que a Argentina tome de exemplo ou seja comparada “a alguns países do Norte”. “Não queremos parecer com países que expulsam imigrantes e deixam crianças morrer na praia”, disse ao criticar a postura dos países europeus que têm fechado suas fronteiras e abandonados milhares de imigrantes e refugiados à própria sorte.

Garantia de direitos para o povo argentino

Assim como no Brasil, a direita argentina também costuma fazer chacota de populares que se manifestam em defesa dos governos progressistas. O equivalente ao “sanduiche de mortadela”, utilizado aqui como forma pejorativa de dizer que os manifestantes não se mobilizam por vontade própria, lá e o “choripán”, espécie de sanduiche de chouriço. A presidenta ironizou essa crítica ao dizer “hoje não temos choripán porque está chovendo, não há como fazer. O povo está aqui porque voltou a crer quando havia sido abandonado e nós chegamos e os fizemos se sentir parte da pátria, como todos os argentinos”.


Nova UPA na região de Buenos Aires leva o nome do ex-presidente Lula | Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
 
Na Argentina também o governo se preocupou, na última década, em garantir direitos e ampliar o acesso da população mais pobre. Cristina denunciou a onda hostil impulsionada pela direita contra os beneficiados e pediu para o povo guardar na memória como a vida era em 2003 e como é agora, não para agradecer, mas para nunca mais permitir que os direitos sejam retirados novamente. “Os que nos insultam, o fazem porque antes tinham os choripáns mais caros da história. Era necessário um governo que reconhecesse os direitos do povo”.

Fortalecimento do Mercosul

Homenageado com o nome em um hospital importante para a garantia de direitos básicos de saúde do povo argentino, Lula destacou que no Brasil também foram construídos milhares de centros de atendimento durante os anos de governo progressista. Lembrou que o impulso para esta mudança de postura dos países do Sul aconteceu quando ele, junto a Nestor Kirshner, Evo Morales, Hugo Chávez e Rafael Correa se reuniram em Mar del Plata, na Argentina, para “enterrar a Alca, fortalecer o Mercosul”. Ressaltou também a criação da Unasul e da Celac.

“O Brasil e a Argentina construíram a mais importante relação política e comercial da história destes dois países e se continuarem unidos, tenho certeza de que a América Latina continuará unida”, afirmou Lula.
 


Fonte: Vermelho

Unidade em defesa do salário, do emprego e da democracia

No dia 2 de setembro passado foi instalado o Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda. Nesse Fórum participam o Governo, autor da iniciativa, as centrais sindicais de trabalhadores e as confederações patronais, com o objetivo de construir alternativas para as dificuldades da atual conjuntura política e econômica.

Por Nivaldo Santana*


CTB na luta por emprego.CTB na luta por emprego.
Cinco centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, UGT e Nova Central) aprovaram um documento com as propostas dos trabalhadores: defesa do emprego e salário, combate à inflação, redução dos juros, mais investimentos em infraestrutura econômica e social, educação e ciência e tecnologia, etc.

Para os trabalhadores, é essencial neste momento a continuidade de políticas que assegurem o emprego e a renda, hoje ameaçadas pela retração econômica e pelo aumento da inflação. Um indicador importante para os trabalhadores foi o balanço das campanhas salariais do primeiro semestre deste ano.

O Dieese analisou 302 negociações salariais e chegou a conclusões preocupantes. Por esse estudo, o primeiro semestre deste ano foi o pior desde 2008. Houve diminuição dos aumentos reais e aumento dos reajustes abaixo da inflação. Além disso, o valor médio de aumento real (0,51%), foi o menor dos últimos oito anos.

Segundo o Dieese, em certa medida existe uma correlação entre inflação mais alta e menores aumentos reais de salários nas negociações. Esse quadro é agravado pela diminuição do PIB, aumento do desemprego e perspectivas futuras nebulosas.

É sempre bom lembrar que de 2002 até 2015, o salário mínimo obteve um aumento real de 73,54%, beneficiando diretamente 46,8 milhões de pessoas. Essa valorização do salário mínimo e os altos índices de emprego são os principais fatores de mobilidade social e distribuição de renda no Brasil, atestado por estudos do IPEA.

O aumento real do salário mínimo repercute positivamente nas outras faixas salariais. Com esses aumentos e os elevados índices de emprego no país, ampliou-se bastante o que se convencionou chamar de mercado interno de massas, uma importante âncora para o crescimento do país.

Como a fórmula de reajuste do salário mínimo leva em conta a inflação do período somada ao crescimento do PIB de dois anos anteriores, projeta-se para os próximos anos, dada a retração econômica, um período sem aumentos reais desse salário.

Esse quadro complexo leva o movimento sindical a trabalhar com uma agenda de resistência, priorizando, em certas situações, a defesa do emprego, sem perder de vista que as atuais turbulências políticas interferem diretamente na luta sindical.

Por isso, o movimento sindical classista precisa combinar a defesa dos seus direitos com a luta pela manutenção da democracia, premissa para se enfrentar e superar os obstáculos ao crescimento econômico do país.


*Nivaldo Santana é secretário Sindical do PCdoB, vice-presidente da CTB e é membro do Comitê Central.
Fonte: Vermelho