terça-feira, 18 de agosto de 2015

20 de Agosto - Eu vou!


Protestos murcham, ódio cresce

Manifestação deste domingo em Brasília (DF).

Antonio Cruz/Agência Brasil
Manifestação deste domingo em Brasília (DF).

O plano da oposição golpista de realizar protestos cada vez mais massivos que forçassem a derrubada do governo fracassou. Números confiáveis ainda não estão disponíveis, mas em todas as capitais do país, visivelmente, as manifestações do domingo (16) foram muito menores do que as ocorridas em abril.


Em alguns lugares, como na manifestação de Belo Horizonte, que contou com a presença do tucano Aécio Neves, os números foram vexatórios: 6 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar.
 


O fracasso é mais significativo se considerarmos que dessa vez o PSDB usou suas inserções de rádio e televisão para convocar a manifestação. O chamado dos tucanos não surtiu o efeito desejado, o que mostra que a crise não resulta necessariamente em um fortalecimento significativo do prestígio da oposição.

Os cardeais oposicionistas decidiram ser testemunhas oculares do fracasso da estratégia das manifestações crescentes: Aécio Neves, José Serra e Aloísio Nunes, para ficarmos em alguns exemplos, comparecem aos atos. Lá puderam assistir in loco ao crescimento do espírito de ódio e violência.

Isso porque, se os protestos foram menores, o ódio e a intolerância parecem ter crescido em relação às ocorridas no mês de abril. Fora os já tradicionais apelos a um golpe militar, novas palavras de ordem de incitação ao crime, algumas delas clamando pelo uso de violência contra a mandatária do país, se multiplicaram.

O plano oposicionista de realizar uma escalada de protestos cada vez mais massivos foi derrotado, mas os atos permanecem reunindo um número representativo de pessoas, o que preocupa lideranças dos movimentos sociais.

Segundo a presidenta da UNE, Carina Vitral: “Os protestos foram bem menores, mas ainda significativos. Isso faz com que tenhamos que ampliar a mobilização para a próxima quinta-feira (20), para dar uma resposta firme aos intentos antidemocráticos”.

Veja abaixo alguns dos cartazes que se multiplicaram nos protestos: 










Do Portal Vermelho

71% dos eleitores acreditam que oposição age com oportunismo

Aécio causou surpresa ao comparecer pela primeira vez em ato que convoca

Aécio causou surpresa ao comparecer pela primeira vez em ato que convoca

A oposição tentou surfar na insatisfação popular usando a crise econômica como gancho para o golpismo, mas não colou. Pesquisa feita pelo Instituto Data Popular mostrou que 71% dos eleitores brasileiros avaliam que os partidos de oposição à presidenta Dilma Rousseff “agem por interesse próprio, não pelo bem do país”.


A própria presidenta Dilma, em várias ocasiões nos últimos dias, denunciou a política do “quanto pior, melhor” adotada pela oposição, que só traz prejuízos ao país e, principalmente, a população.


Ainda de acordo com o levantamento do Data Popular, oposicionistas e descontentes não são a mesma coisa. Os primeiros são eleitores que não votaram na Dilma para presidenta, rejeitam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avaliam o atual governo como “ruim ou péssimo” e querem o impeachment. Esses também são contra o Bolsa Família, a política de cotas, o Prouni. De acordo com a pesquisa, 36% dos entrevistados se enquadram nessa categoria. Já os descontentes – que são 44% – não acreditam que a oposição resolveria a atual crise.

Apesar da convocação feita pela grande mídia e a oposição tucana usando seu horário de rádio e TV, o resultado dos protestos não atingiu a expectativa e frustraram os golpistas. A cobertura da Rede Globo não conseguiu esconder essa frustração, mas tentou justificar constatando outro fato: saíram mais pessoas as ruas em março, do que nesta manifestação de domingo, mas o número ainda foi superior a realizada em abril.

Eles esperavam mais, tanto é que o senador tucano Aécio Neves, candidato derrotado nas urnas, deu o ar de sua graça, já que em nenhum dos atos anteriores ele compareceu.

A realidade é que o movimento murchou e, assim como nos protestos anteriores, as manifestações deste domingo reafirmaram o seu caráter antidemocrático e conservador, tendo como palavras de ordem pedidos de “intervenção militar” e o “Fora PT” e cartazes pedindo o impeachment e até a morte da presidenta.

Intolerância

Em entrevista coletiva após reunião da coordenação política com a presidenta Dilma, nesta segunda-feira (17), o líder do governo na Câmara, o deputado federal José Guimarães (PT-CE), enfatizou: “Este espírito de intolerância é manipulado em parte pela oposição, que semeia o ódio, um antídoto da democracia, forjada e construída nas lutas pelas Diretas Já e contra o regime militar. Essa intolerância não é saudável, ela interdita o diálogo, o contraditório e o valor fundamental que tem de estar sempre na democracia: a divergência. Agora, ainda bem que quem faz isso é uma minoria”.

Para o ministro da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, o governo está empenhado em combater à política de "intolerância” e o “pessimismo”.

"É um momento difícil da vida brasileira, que temos de trabalhar para que a gente possa desfazer esse ambiente de intolerância, porque o Brasil sempre foi, historicamente, um país com diversidade religiosa, cultural, regional e política. Então, temos que combater esse ambiente que está sendo criado para que o Brasil volte àquilo que sempre foi sua tradição: convivência democrática com a diversidade de pensamento e de expressão, de opções", enfatizou Edinho.

Perfil

Bem distante das manifestações de julho de 2013, os protestos deste domingo tinham a presença massiva de um setor privilegiado da população. Segundo pesquisa do DataFolha, 25,17% dos que estavam na avenida Paulista durante ato deste domingo ganham de R$ 7.881 a R$ 15.760. Em seguida, a faixa de renda por família que mais apareceu, com 25,09%, foi a de R$ 3.940 a R$ 7.880. Em terceiro lugar, com 14,39%, foi a renda de R$ 15.760 a R$ 39.400.

Esse mesmo setor, sem fundamento jurídico, quer um impeachment porque o seu candidato foi derrotado por uma margem próxima de diferença. Não criticam a corrupção. Não cobram melhores condições de trabalho, aumento de salários e renda. Não são contra a redução da maioridade penal, muito menos contra o financiamento de campanhas eleitorais por empresas. São tão somente contra os adversários políticos de seus candidatos.

Um exemplo disso, foi o relato de Julio César Mendes. Ele foi à Avenida Paulista, em São Paulo neste domingo (16), com um cartaz relembrando as vítimas da chacina em Osasco, em que 18 pessoas foram assassinadas e outras seis ficaram feridas, e foi “convidado a se retirar” do protesto.

“Vim aqui pacífico só lembrar da chacina em Osasco, que todo mundo quer esquecer. O povo me hostilizou”, afirmou Julio em entrevista ao Brasil de Fato. “Hoje era para todo mundo estar de preto, em respeito às vidas que foram tiradas. Mas eu sei de uma coisa: aqui na Paulista não tem disparo acidental. Na periferia tem, todo dia. E o que acontece com o policial que causou isso? Nada”, acrescentou.

A direita tirou a elite das varandas gourmets e passa a ocupar as ruas – ainda que em forma de micareta com cordão e tudo –, mas levou 120 mil pessoas as ruas de São Paulo. Mas o que essa direita quer está bem longe dos anseios da população de combate à corrupção e da melhoria das condições de vida. Querem de volta a Casa Grande e a Senzala.
 

Do Portal Vermelho, com informações da Rede Brasil Atual e Brasil de Fato

PCdoB: Defender a democracia, superar a crise e retomar o crescimento

PCdoB: Defender a democracia, superar a crise e retomar o crescimento

Fotomontagem/Vermelho
PCdoB: Defender a democracia,
superar a crise e retomar o crescimento

Os membros do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), reunidos entre sexta-feira (14) e domingo (16), na capital paulista, debateram a quadra política do país e fizeram uma análise das linhas de construção partidária. Em sua resolução, o PCdoB destaca a superação da crise política e econômica para a retomada do crescimento e avanço das conquistas sociais. Do mesmo modo, os comunistas ressaltaram que a intenta antidemocrática e golpista pode e deve ser derrotada.


Segue abaixo a íntegra da resolução aprovada na 6ª reunião do Comitê Central:
 


Não ao golpe! Superar a crise com a defesa da democracia e a retomada do crescimento
A situação do país prossegue grave. A democracia, reconquistada à custa de muita luta e muitas vidas, corre riscos. Golpistas tramam abertamente derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita. A economia nacional, engolfada pela crise mundial do capitalismo, sem saída e sem fim à vista, atravessa um difícil período de recessão.

Setores da oposição sacam de um embuste grosseiro e pregam o golpe aos gritos de “novas eleições”. Sim, haverá novas eleições presidenciais. Elas já foram marcadas pela Constituição. Serão realizadas em 2018. Qualquer proposta fora disto não tem outro nome senão conspiração contra o Estado Democrático de Direito.

Esse cenário de guerra política, de campanha de ódio e intolerância, empreendido pela direita, ameaça o projeto nacional e preocupa o povo, pois rouba-lhe as conquistas, como o emprego e o poder aquisitivo dos salários. A tática de conduzir o país à instabilidade, à ingovernabilidade, de aprofundar a crise econômica – como meio de os tucanos serem reconduzidos ao governo – passou a se chocar com os interesses de grupos financeiros e empresariais que, publicamente, já expressam sua discordância em relação a essa conduta.

De fato, movido pela ambição de reaver o poder a qualquer preço, o agrupamento mais retrógrado da oposição não hesita em fazer “terra arrasada”, de agir para empurrar o Brasil para o buraco. Na Câmara dos Deputados – aproveitando-se de que o governo está com sua base de apoio dispersa – um conluio conservador lidera a aprovação, de forma irresponsável, das chamadas “pautas-bomba”, elevando os gastos públicos às alturas. Sabota as medidas do governo Dilma que visam a retomar o crescimento e proteger as empresas e os empregos do país, adota a ignominiosa conduta de atuar para prejudicar a economia nacional e suas principais empresas, a começar pela Petrobras.

Além da tentativa de fechar o cerco contra o mandato legítimo da presidenta Dilma, outro sintoma da gravidade da crise, de que o país é palco de práticas típicas de um Estado de exceção, se revela por um fato escandaloso: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maior liderança popular do país – estadista respeitado no mundo e contra o qual não há nada –, estaria, segundo reportagens, “no radar” de investigações. Investigações sem fundamento e viciadas por motivações políticas. Para completar o absurdo, essa ameaça foi alardeada pela grande mídia, no mesmo período em que a sede do Instituto Lula, local de trabalho do ex-presidente, foi alvo de um atentado terrorista com a explosão de uma bomba caseira.

A essa altura, fica nítido — conforme têm alertado o PCdoB, outras forças progressistas, renomados juristas e vozes de instituições democráticas — que a Operação Lava Jato cada vez mais é usada politicamente. O necessário combate à corrupção que a sociedade exige, que o PCdoB e as forças democráticas apoiam, é lastimavelmente, como outras vezes na história, instrumentalizado por conspiratas contra a democracia. Nesta temática, a direita revela hipocrisia quando se opõe — e vota contra — ao fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais, verdadeira raiz de grande parte dos escândalos que afetam a vida política do país.

A escalada antidemocrática pode e será derrotada
A renitente ofensiva das forças reacionárias, pode sim ser contida e derrotada. O próprio extremismo dessas forças, de tão nocivo ao país, tem contribuído para isolá-las. E nos últimos dois meses, foram dados passos rumo à constituição tanto de uma frente ampla quanto de um bloco de esquerda, duas vertentes de uma só tarefa, a principal da atualidade: construir a unidade de ação de amplas forças políticas e sociais para defender a democracia, a economia nacional, a retomada do crescimento com progresso social. E, do mesmo modo, empreender a defesa dos direitos sociais, civis e trabalhistas, alvos de uma agenda reacionária da qual fazem parte a terceirização, a redução da maioridade penal e mesmo a tentativa de criminalizar os movimentos sociais.

Não há base jurídica que sustente um processo de impeachment. Nada, absolutamente nada, consta na Justiça contra a presidenta Dilma Rousseff, como já proclamaram a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal. Nada consta porque a presidenta em toda a sua vida pública provou ser honrada, honesta e corajosa defensora do patrimônio público. Portanto, o impeachment que a oposição brada é uma aberração jurídica, política e moral.

Cientes de que não há base legal para o impeachment, a oposição neoliberal e a grande mídia há meses tentam envolver o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Tribunal Superior Eleitoral na sua teia antidemocrática.

A matéria em exame no TCU, das chamadas “pedaladas fiscais”, foi devidamente esclarecida pelo governo, além do fato de ser um expediente ao qual recorreram outros governos e nenhum deles sofreu qualquer condenação por isto. No caso do TSE, o mérito da questão lá em foco já foi esclarecido: todas as doações eleitorais de empresas à campanha da presidenta foram efetivadas de acordo com as leis do país.

Na inexistência de um “crime” que seja pretexto para um processo de impeachment, a direita neoliberal agora tentará dar sequência à sua escalada se agarrando nas manifestações realizadas em 16 de agosto. Mas nada se sobrepõe aos 54 milhões de votos de brasileiros e brasileiras que votaram na presidenta Dilma, nada se sobrepõe à soberania popular. Além do que, as manifestações que se multiplicam em apoio à democracia e à presidenta – como aconteceu na Marcha das Margaridas e como ocorrerá nas manifestações do próximo dia 20, pela democracia, contra o golpe e por mais direitos – não autorizam os golpistas a afirmarem que têm o “aval” das ruas para tentarem promover um retrocesso democrático no país.

As forças conservadoras têm como objetivo central sepultar o ciclo progressista iniciado em 2003. Todavia, o consórcio oposicionista apresenta divisões e rachaduras quanto à conduta tática, que vai do golpe imediato ao desgaste sistemático e continuado da presidenta Dilma.

A presidenta Dilma vai à luta
Coerente com sua biografia, a presidenta Dilma se movimenta, vai à luta para defender o seu mandato, e entende isso como uma tarefa suprema derivada do voto que o povo lhe consagrou: “O voto é a fonte da minha legitimidade, e ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu”.

Desde o último mês de julho, Dilma se empenha para costurar um amplo pacto pela superação da crise, reunindo-se com todos os governadores, com prefeitos, parlamentares e representantes do empresariado. Também viaja pelo país, inaugurando obras de seu governo, em contato com o povo, a exemplo do Maranhão, onde foi recepcionada calorosamente por um ato com milhares de pessoas e ouviu apoio decidido do governador do estado, Flávio Dino. Ao mesmo tempo, a presidenta se aproxima e se apoia na mobilização popular, tal como se destaca na sua participação na Marcha das Margaridas, e no seu encontro, no Palácio do Planalto, com centenas de lideranças dos movimentos sociais e das centrais sindicais.

Na esfera internacional, a presidenta cumpriu importante agenda no México, nos Estados Unidos da América e na Rússia, na reunião de Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Essas três iniciativas resultaram em ganhos políticos e econômicos para o país. E a esses êxitos se somam os investimentos de cerca de US$53 bilhões da China, já anunciados em maio, na visita do primeiro-ministro chinês Li Keqiang.

Internamente, para enfrentar e superar progressivamente a recessão e alavancar a retomada do crescimento – questões vitais para se vencer a presente crise política e assegurar continuidade do ciclo progressista –, destaca-se positivamente, por parte do governo, um conjunto de grandes iniciativas: lançamento do Programa Minha Casa Minha Vida 3, que pretende somar 3 milhões de casas populares construídas até 2018; Plano Safra da ordem de R$ 224,4 bilhões, sendo R$ 187,7 bilhões para a agropecuária empresarial, R$ 28,9 bilhões para a agricultura familiar (Pronaf), e R$ 7,8 bilhões para o programa “Mais Alimentos”; Plano de Exportações para estimular o setor produtivo e abrir espaço no mercado mundial; Plano de Concessões do governo federal que visa nos próximos anos a atrair mais de R$ 190 bilhões em investimentos privados, sobretudo nos setores de infraestrutura e logística; e Aumento de 15% para 20% da alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido recolhido por instituições financeiras e repatriação de recursos mantidos no exterior.

Saídas para a crise têm como vértice o mandato constitucional da presidenta Dilma
O PCdoB incentiva e apoia a conduta da presidenta Dilma de liderar o enfrentamento da crise, buscando a sua superação, pois isto é o que ordena o mandato constitucional. Do mesmo modo o Partido apoia o vice-presidente Michel Temer no papel de articulador político do governo, missão que lhe foi atribuída pela presidenta.

O desafio da presidenta Dilma, agora e já, é persistir na construção de um pacto que resguarde a democracia, instaure a normalidade política e garanta a estabilidade institucional. À medida que este acordo avance, as forças democráticas terão melhores condições para desmascarar e derrotar o setor mais reacionário da oposição, aquele que persiste na investida golpista.

É hora de rearranjar a base política de apoio no Congresso e de pactuar compromissos mútuos com os demais poderes em benefício do país, da economia e dos interesses do povo. Neste sentido, é promissor o diálogo institucional que se desencadeou entre o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, e a presidenta Dilma e seus ministros, tendo como base a Agenda Brasil. É claro que negociar uma agenda sobre o desenvolvimento nacional exige separar o joio do trigo, resguardando sempre os interesses da Nação e do povo.

É urgente que o governo lidere um acordo nacional em torno de uma pauta que impulsione a retomada do crescimento econômico com progresso social, proteção ao emprego e preservação de direitos trabalhistas. Para isto, impõe-se deixar para trás a agenda contracionista do ajuste fiscal e no seu lugar acentuar a retomada do crescimento. É preciso dar nitidez a essa perspectiva, indicar ao povo para onde vão o governo e o país. Somente com uma agenda positiva – o horizonte de dias melhores –, uma nova arrancada de desenvolvimento pode reacender a esperança.

Assim, o Partido reitera sua posição contrária ao crescente aumento da taxa básica de juros, uma vez que essa linha ascendente da Selic está na contramão da grande meta do governo da presidenta Dilma de fazer o Brasil voltar a crescer, pois eleva a dívida pública, anula o esforço fiscal e desloca o capital para as aplicações financeiras, inibindo o investimento privado. E mais uma vez o PCdoB ressalta a necessidade de o governo tomar a iniciativa para que sejam taxadas as grandes fortunas e grandes heranças, como passo para a realização de uma reforma tributária progressiva.

O PCdoB considera que na necessária e indispensável luta contra a corrupção e a impunidade, nenhum segmento da Justiça e do Ministério Público pode se prestar à exploração político-partidária e atuar à margem do Estado democrático de direito, nem tampouco contribuir para levar à falência as empresas da engenharia nacional, fundamentais ao desenvolvimento do país.

É fundamental também que o governo recomponha e amplie sua base social, esclarecendo e dialogando com suas bases fundamentais de sustentação para fortalecer a resistência.

Manifestações variadas, amplas e combativas precisam se dar como forma de esclarecer os setores populares a respeito do que está em jogo neste confronto. Superar a crise demanda protagonismo político dos movimentos sociais, das centrais dos trabalhadores, exige mobilizar povo, exige presença na batalha das ruas. Requer, também, busca de caminhos, intensa luta de ideias nas redes sociais, inúmeros debates e conferências.

O PCdoB considera que é preciso sustentar o combate. As crescentes convergências em torno de temas de interesse democrático, nacional e popular podem mobilizar amplas forças. O Partido saúda o coletivo militante por procurar assumir a linha de frente da resistência, a atuação corajosa da bancada parlamentar, do governador Flávio Dino do Maranhão e do ministro Aldo Rebelo, entre outras lideranças. Em especial se destaca a atuação dos comunistas nos movimentos sociais e na frente sindical, a combatividade e sobretudo a sua contribuição para que as ações, as mobilizações tenham o foco político certeiro de defesa da democracia e do mandato da presidenta Dilma.

O Partido está confiante na superação da crise, mas alerta que o confronto poderá ser longo e a conjuntura política tende a seguir instável e perigosa. O PCdoB convoca o coletivo militante a reforçar ainda mais o engajamento na luta e conclama que essa mesma conduta seja adotada pelo conjunto das forças políticas e sociais democráticas e progressistas.


São Paulo, 16 de agosto de 2015
O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
Fonte: Vermelho

A quebra ilegal do sigilo bancário de Lula e a artimanha do Tinhoso


  

A Revista Veja publicou, em sua última edição, dados bancários do ex-presidente Lula. Todo cidadão tem assegurado por lei o sigilo de sua movimentação bancária, que só pode ser quebrado por ordem judicial. No entanto, segundo a revista, as informações foram obtidas a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 


A polícia federal anunciou a abertura de um inquérito para apurar o vazamento. Com certeza será um inquérito “rigoroso”, pois todos sabem que nossa polícia federal é imparcial e rigorosamente republicana. Só não é tão imparcial quanto nossa mídia hegemônica, que reagiu duramente à quebra do sigilo. Alguns exemplos.

Editorial de O Globo (1)

“A quebra ilegal do sigilo bancário de um cidadão não pode ser esquecida. Pela gravidade do delito em si, cometido contra um dos direitos civis básicos, a privacidade, o caso precisa ser esclarecido em detalhes e todos os culpados, punidos. É óbvio, mas deve-se frisar. O crime também não pode ser esquecido porque representa a ação ilegal de um braço do Estado”.

Editorial da Folha de S. Paulo

“Que outra concepção de estado senão a totalitária, pode gestar tamanha afronta a uma Constituição Democrática. Em momentos como esse, em que um Poder exorbita de suas prerrogativas, as demais esferas da República precisam agir no interesse do reequilíbrio institucional. O Congresso, o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público e a burocracia do executivo devem reagir e colocar um freio à sanha autoritária que atropela as garantias básicas do cidadão”.
Editorial de O Globo (2)

“A escandalosa devassa ultrapassou as medidas”

Editorial de O Globo (3)

“A quebra ilegal do sigilo bancário é tão repulsiva quanto pedagógica. De gravidade indiscutível, por invadir, sem ordem judicial, a privacidade de um cidadão, a obtenção criminosa do extrato da conta também revela de maneira cristalina o risco que corre a sociedade quando o Estado passa a atender a interesses de grupos políticos”.

Demétrio Magnoli em O Globo

“O poder que faz isso não conhece limites. Seu horizonte utópico é o estado policial: a administração pública convertida em aparelho de intimidação permanente dos cidadãos, por meio da invasão da privacidade”.

Como o atento leitor e a não menos perspicaz leitora já devem ter desconfiado, nos exemplos acima os jornais reclamavam era sobre a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, em 2006. Na época, levado por parlamentares tucanos, o caseiro foi uma das peças de acusação contra o então ministro da Fazenda de Lula, Antonio Palocci. Dias depois se descobriu que Francenildo, com renda declarada de 510 reais por mês, recebera, a partir de 6 de janeiro daquele ano, três depósitos mensais, nos seguintes valores sucessivos: 10 mil reais, 9.990 reais e 5 mil reais. O último no dia 6 de março de 2006, quatro dias antes de contar sua história à imprensa.

A artimanha do Tinhoso

A possibilidade de um depoimento “comprado” (o que Francenildo sempre negou) não foi sequer considerada, pois o escândalo ficou centrado na quebra ilegal, pelo Coaf, do sigilo bancário do caseiro. Como vimos só O Globo abordou o tema em três editoriais distintos. Atualmente, quando se quebra ilegalmente o sigilo bancário do ex-presidente Lula, nada se diz, pois afinal, o que se trata não é de democracia, de combate à corrupção, ou da defesa do bem público, o que se trata é de luta política e para a mídia hegemônica nessa luta, vale tudo e mais um pouco. A indignação seletiva e hipócrita é apenas uma das muitas armas desta mídia venal, que sempre foi cúmplice da corrupção, mas engana muita gente posando de defensora da ética, pois como já dizia Shakespeare “o diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém”.


Editorial de O Globo (1) – Edição de 02/04/2006

Editorial da Folha de S. Paulo – Edição de 28/03/2006

Editorial de O Globo (2) – Edição de 08/06/2011

Editorial de O Globo (3) – Edição de 22/03/2006

Demétrio Magnoli em O Globo – Edição de 03/09/2009

 
 

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br

Ataques a Lula atingem democracia e conquistas

Sob a manchete “Muitos Lulas” o jornal Movimento descreveu, em 14 de maio de 1979, a pronta reação dos trabalhadores em greve, em São Bernardo do Campo, à prisão do então sindicalista Luíz Inácio da Silva.

Isso ocorreu há 36 anos e os trabalhadores, que exigiam melhores salários, lutavam contra da ditadura militar e o arbítrio policial.

Aquele foi um episódio de grande visibilidade da luta de classes que se desenvolvia. E o preso pela repressão ia além da figura do líder sindical importante em que Lula se transformara. Ele era também a imagem da exigência de transformação que pulsava na mente dos trabalhadores e do povo, sentimento que aquela manchete foi feliz em traduzir. 

Nestas quase quatro décadas o Brasil mudou, com grande participação de Lula e dos trabalhadores. A ditadura militar foi derrotada e a disputa pela presidência da República deu lugar a embates decisivos, sobretudo desde 1989, quando Lula foi candidato pela primeira vez. Um fantasma passou a rondar o imaginário das classes dominantes brasileiras: o medo das mudanças e da democratização efetiva, simbolizados na figura de Lula. Fantasma que se traduziu desde então, em todas as campanhas presidenciais, na busca desenfreada pelo anti-Lula que socorresse a elite em seus devaneios continuístas. 

Foi um quadro de luta feroz, acentuado em 2002 quando, finalmente Lula e as forças progressistas representadas na Frente Brasil Popular venceram a eleição presidencial e puderam iniciar os governos que promoveram as mudanças em curso no Brasil desde então. 

Lula permanece no alvo da direita justamente porque representa esse conjunto de forças e o sentimento de mudanças que o Brasil exige. 

Hoje, o anti-Lula se transformou na tentativa de destruir a imagem do próprio ex-presidente, no esforço de diluir suas chances eleitorais em 2018. 

O fantasma que assusta da direita é o da continuidade do projeto de mudanças que anima o país e pode se aprofundar. O presidente eleito em 2018 - e Lula é talvez o mais forte pré-candidato - iniciará o quinto mandato das forças democráticas, patrióticas e progressistas; será o presidente que dirigirá, em 2022, a comemoração dos 200 anos da Independência do Brasil e, com certeza, consolidará as transformações iniciadas em 2003 no rumo de uma sociedade mais democrática, igualitária e desenvolvida. 

Por isso, a direita precisa destruir a imagem de Lula - e, com ela, derrotar os anseios pela mudança profunda. Precisa passar, para o país a imagem de que a esquerda e as forças progressistas são incapazes de dirigir a nação e resguardar os direitos sociais, democráticos e patrióticos. 

A imagem dos “Muitos Lulas”, de 1979, é atual como nunca. Atual neste momento em que setores conservadores do judiciário, a direita e sua mídia amestrada, acenam com imaginárias irregularidades para, eventualmente, levar o ex-presidente aos tribunais e à prisão. A ditadura militar de 1964 tentou o mesmo caminho, em 1979 - mas a prisão de Lula fortaleceu o sentimento de mudanças que ele representava. E ainda representa. Daí porque se impõe com urgência o mesmo sentimento. Mexeu com Lula, mexeu comigo! Mexeu com Lula, mexeu com os brasileiros e com a exigência de mudanças mais profundas no país!


Fonte: Vermelho

Dilma lidera agenda para retomar crescimento

 

Chama atenção a intensa movimentação da presidenta Dilma Rousseff, que vem protagonizando uma série de ações visando superar a crise.

Por Wevergton Brito 


 
Estas movimentações já começam a gerar seus primeiros frutos e o ambiente político, ainda carregado de ameaças à democracia, principia, no entanto, a desanuviar lentamente.

Tem sido fundamental, neste sentido, a correta compreensão da presidenta sobre a necessidade de ampliar sua base de apoio político.

Não tem outro significado as constantes reuniões de Dilma com governadores, prefeitos e parlamentares. Nesta segunda-feira (17) mais uma vez a presidenta estará reunida com representantes da Câmara.

Vai crescendo a percepção, até entre os setores conservadores, que um golpe, mesmo travestido de uma capa de legalidade, traria consequências nefastas e o cenário de instabilidade poderia fugir ao controle do consórcio oposicionista, que reúne mídia empresarial, mercado financeiro e partidos de direita.

Isto está ligado, porém, à ampliação da atividade política que a partir da presidência, vem contribuindo para isolar o discurso golpista, inclusive externamente.

O encontro com o primeiro-ministro chinês Li Keqiang, quando se anunciaram importantes parcerias econômicas, a viagem da presidenta a Washington, México e para a o encontro de cúpula do Brics, na Rússia, mostram um governo que goza de prestígio e influência internacional, o que torna ainda mais difícil viabilizar o golpe.

Internamente, a presença ativa do vice-presidente Michel Temer na pasta da articulação política, e a recente apresentação de uma agenda, chamada “agenda Brasil”, iniciativa do presidente do Senado, Renan Calheiros, são sinais positivos que permitem vislumbrar a superação da crise que, em dado momento, muitos analistas consideravam irreversível.

Em ação

Desmentindo, na prática, o discurso catastrofista que pretendia irresponsavelmente transformar a crise econômica em colapso, o governo vem dando provas de capacidade de reação, como foi o caso dos lançamentos do Programa Minha Casa Minha Vida 3, que fará 3 milhões de casas populares até 2018; do Plano Safra da ordem de R$ 224,4 bilhões; do Plano de Exportações e do Plano de Concessões do governo federal que visa nos próximos anos atrair mais de R$ 190 bilhões em investimentos privados, sobretudo nos setores de infraestrutura e logística.

Outra medida relevante foi o aumento de 15% para 20% da alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido recolhido por instituições financeiras e repatriação de recursos mantidos no exterior.

“Nunca mudei de lado”

A presidenta também vem empreendendo um grande esforço para se aproximar diretamente da população. Assim, Dilma tem viajado pelo país e tem sido recebida com carinho pelo povo. Recentemente o governo lançou o programa “Dialoga Brasil”, que oferece à população a oportunidade de apresentar ao executivo, através de uma plataforma digital, propostas e críticas. Apenas nos primeiros quinze dias foram mais de um milhão de visitas e oito mil propostas apresentadas. Dilma também tem se reunido com o movimento social, como aconteceu na última quinta-feira (13).

Tudo isso mostra que a época da inação passou, e apesar da persistência da crise, que pode sempre ganhar novos e inesperados elementos, o que se vislumbra é uma positiva retomada da iniciativa política, que tem sido alvissareira.

A continuidade e o fortalecimento desta contraofensiva são fundamentais para que o país retome o caminho do desenvolvimento com distribuição de renda, derrotando a pauta conservadora, o que só será possível com apoio popular e esta é uma importante dimensão das manifestações do próximo dia 20.

Como afirmou a presidenta, na reunião com os movimentos sociais: “Eu sei de que lado estou. Eu costumo dizer que na minha vida eu mudei muito. A gente erra, aprende e vai mudando. Melhorei, mudei e alguns podem falar: ela piorou. Mas uma coisa eu afirmo: eu nunca mudei de lado”.


Do Portal Vermelho