quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Dilma reage e Aécio não sabe se vai a ato golpista que convocou

 A contraofensiva da presidenta Dilma Rousseff surtiu efeito, pois parafraseando o velho ditado: Aécio surta, mas não rasga dinheiro. O senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), candidato derrotado nas urnas, disse nesta terça-feira que está “amadurecendo”, ainda, a ideia de ir aos atos convocados pelos grupos golpistas para este domingo (16).


A afirmação não é nenhuma novidade já que desde a derrota nas urnas após o fim do segundo turno em 2014, Aécio convoca os atos golpistas, mas não comparece. “É uma decisão que estou amadurecendo. Tenho, já disse, vontade pessoal de participar como cidadão, mas carrego comigo uma institucionalidade”, disse ele, admitindo o caráter golpista do ato.

O fato novo dessa história é que os tucanos decidiram assumir oficialmente a campanha golpista e estão convocando para o ato de domingo. Desta vez, parecia que Aécio estava decidido a comparecer e, empolgado, chegou a mandar recado por meio do deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), anunciando o lançamento de sua candidatura para as "eleições de 2015", conforme reportagem publicada no Portal Vermelho desta terça (11).

Mas o bravateiro não contava com a reação da presidenta Dilma, que rebateu a política tucana do “quanto pior, melhor”, afirmando que quem aposta nesse caminho está contra o Brasil. A demonstração disso está na declaração de Aécio quando questionado sobre a divisão interna dos caciques tucanos sobre a governabilidade e o impeachment. “Essas divergências em relação ao que pensa o Alckmin, até Serra [senador José Serra] e Aécio, vejo na imprensa, não nas nossas conversas. Não cabe ao PSDB se essa ou aquela é a melhor saída. Cabe ao PSDB dizer quais são as alternativas possíveis, inclusive a da própria permanência da presidente”.

Mas acrescentou: “Se ela readquirir as condições de governabilidade – muitos dos seus aliados acham que isso não é mais possível – existem saídas via parlamento, a partir de decisão do TCU e via TSE. Todas elas dentro da ordem constitucional”.

Insuflando o golpismo

Sobre a adesão oficial do PSDB aos protestos, já que antes dizia que era uma posição individual dos tucanos e não da legenda, Aécio declarou que "a nossa manifestação é de solidariedade, é de apoio, como não podia deixar de ser".

Uma das formas de “apoio” está sob a fachada de “campanha de filiação ao partido”. Os tucanos vão colocar pessoas nas ruas nesta sexta (14) para divulgar o ato de domingo. A informação foi confirmada pelo próprio Aécio, que vai participar de “evento” de filiação em Maceió (AL), na sexta, com transmissão por teleconferência para os demais atos espalhados pelo país.
 

Do Portal Vermelho, Dayane Santos, com informações de agências

Trabalhadores do campo foram vítimas de grilagem na ditadura

Trabalhadores rurais do interior do Rio de Janeiro foram vítimas de grilagem, especulação imobiliária e perseguição política

Reprodução
Trabalhadores rurais do interior do Rio de Janeiro foram vítimas de grilagem,
especulação imobiliária e perseguição política

Trabalhadores rurais do interior do Rio de Janeiro foram vítimas de grilagem, especulação imobiliária e perseguição política durante a ditadura militar e nos anos que a antecederam. Com o golpe de 1964, a organização das associações trabalhistas desmoronou, dando origem a movimentos locais e sem articulação.


É o que revela estudo apresentado na terça-feira (11) pela pesquisadora Leonilde Medeiros, durante o seminário Construindo a Verdade: Pesquisas sobre a a Ditadura de 1964 no Brasil, organizado pela Comissão da Verdade do Rio de Janeiro. Com o título Conflitos de terra e repressão no campo no Estado do Rio de Janeiro (1946-1988), o trabalho ainda está em andamento e deve ser concluído no ano que vem.
 


A pesquisa registrou 219 conflitos no campo – no período de 1964 até 1988 – sendo a maior parte (94) na região metropolitana do Rio. Os conflitos resultaram em 54 assassinatos, 38 deles no entorno da capital, principalmente em municípios como Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Cachoeira de Macacu. Houve também o registro de seis desaparecimentos, 18 episódios de tortura e 184 prisões.

"Havia a ideia de que estava sendo montado um foco de guerrilha rural no cinturão do Rio de Janeiro. A repressão sobre as pessoas comuns foi muito pesada", disse Leonilde, que é professora do curso de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CDPA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

A pesquisadora chama a atenção para o caráter militar e privado da repressão, feita tanto por agentes oficiais como pelo poder privado. "Eram jagunços e pistoleiros que agiam com absoluta omissão do poder estatal, a mando de grileiros que usavam táticas como a falsificação de documentos de posse e a assinatura forçada de papéis em branco". Segundo Leonilde, os jagunços expulsavam as famílias de suas terras. "As coisas se resolviam nas relações de força, e não legalmente", afirmou.

No período anterior ao golpe de 1964, havia uma articulação de associações trabalhistas no campo com sindicatos da cidade, que foram intensamente reprimidas com a chegada dos militares ao poder. "Em 1º de abril, começam as invasões às casas de camponeses e prisões", disse, revelando que militares arrombavam casas e reviravam cômodos, em busca de armas.

Para fazer o trabalho, Leonilde se baseou em documentos oficiais de órgãos públicos e sindicatos, e 72 entrevistas feitas desde a década de 80, que revelaram que trabalhadores do campo enfrentaram a repressão de forças privadas na região metropolitana do Rio, frequentemente associadas à especulação imobiliária nos municípios. "Um traço característico é que os camponeses não se enfrentavam com grandes fazendeiros, mas com a especulação imobiliária, cujo objetivo era a transformação de terras agrícolas em loteamentos urbanos".

De acordo com a pesquisadora, a construção da rodovia Rio-Santos desencadeou conflitos em Paraty e Angra dos Reis, levando à favelização nesses municípios. O investimento turístico no litoral do estado fez com que empreendedores privados e camponeses entrassem em conflito. "A omissão do Estado faz parte do processo de repressão e, em alguns casos, foi mais que omissão, foi colaboração".

O trabalho deverá servir de subsídio para o relatório final da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, que será entregue em dezembro. O mandato da comissão termina em 13 de novembro deste ano.
 

Fonte: Agência Brasil via Vermelho

Emir Sader: Por que os tucanos se tornaram golpistas

Por que os tucanos se tornaram golpistas

Foto: André Dusek/ Estadão Conteúdo
Por que os tucanos se tornaram golpistas

Dividem-se entre os que concentram o fogo na Dilma – liderados por Aécio – e os que apostam nas tentativas de tirar Lula da jogada via tapetão, para não ter que enfrentar nova derrota diante dele em 2018. Depois de defender plataformas neoliberais e até possibilidade de ser melhor continuação de Lula, tucanos ja não têm nada a propor.

Por Emir Sader


FHC sempre se sentiu filiado à social-democracia europeia, antes de tudo à francesa, de Mitterrand, depois à espanhola, de Felipe González. Os tucanos estavam dentro do PMDB, disputando espaço em São Paulo com o Quércia. Tentaram lançar a candidatura do Antonio Ermírio ao governo do Estado. Perderam, se deram conta que não tinham condições de disputar o partido com Quércia e saíram.


O grupo, basicamente paulista, tinha Montoro, Covas, FHC, Serjão, Serra, além do Tasso Jereissati e um que outro perdido pelo Brasil. O Montoro se sentia democrata-cristão, mas não se opôs a assumir a social-democracia como nome. Era um vinculo ideológico, sem nenhuma outra característica dos partidos social-democratas, com significativa presença no movimento sindical. Era um grupo de políticos à busca de uma reinserção melhor no sistema politico. Seu cacife era a imagem de alguns desses políticos.

A candidatura de Mario Covas à presidência, em 1989, foi um fracasso, chegou em quarto. Mas revelava uma tendência que iria se consolidar depois, no seu lema central da campanha: “Um choque de capitalismo”.

O governo Collor foi um rito de passagem pros tucanos na direção do neoliberalismo. Um grupo de avançada entrou diretamente ao governo, entre eles Celso Lafer e Sérgio Rouanet. Era a preparação do terreno para que todos ingressassem, caminho em que estava comprometido FHC, mas que foi brecado por Mario Covas.

O governo Itamar finalmente foi a grande chance de abertura do caminho dos tucanos. Itamar não tinha equipe própria, tinha saído do PMDB e assumido como candidato a vice do Collor. Quando a presidência caiu no seu colo, chamou FHC primeiro pro Itamaraty e, logo, para o Ministério da Economia. Collor já havia conseguido mudar a agenda nacional, centrando-a nos temas preferidos do neoliberalismo: desqualificação do Estado, abertura do mercado interno, privatizações.

Os tucanos se espelharam na virada de Mitterrand para o neoliberalismo e, particularmente, no governo de Felipe González, para assumir esse novo modelo. FHC assumiu a virada definitiva para a cara atual do PSDB, ao retomar o projeto neoliberal interrompido do Collor e montar as alianças correspondentes. Chamou o então PFL de ACM para constituir um novo bloco de forças no governo e colocou em prática um projeto globalmente neoliberal, com todos os seus ingredientes: privatizações, Estado mínimo, abertura do mercado, precarização das relações de trabalho, associado a um discurso de desmoralização da empregados públicos, dos professores, da esquerda e dos movimentos sociais. Montoro e Covas ficaram marginalizados ate sua morte em 2001, com FHC dando a cara nova do partido.

O sonho de FHC era que Collor tivesse feito o trabalho sujo do neoliberalismo, para que ele aparecesse como a versão da terceira via – de Bill Clinton e de Tony Blair, que sucederam a Ronald Reagan e a Margaret Thatcher. Mas como Collor fracassou, ele teve que assumir a agenda suja, pesada, do neoliberalismo, a começar pelas privatizações. Teve o sucesso imediato que tiveram todos os governos neoliberais, conforme controlaram a inflação ou a camuflaram – no caso do FHC, multiplicando por dez a dívida publica, no caso do Menem, fazendo a mágica da paridade com o dólar, que explodiu depois espetacularmente –, conseguiu se reeleger com isso e depois se esgotou. Não houve nem retomada do desenvolvimento, aumentou e não diminui a concentração de renda e a própria inflação retornou.

Os tucanos não conseguiram eleger o sucessor de FHC e nunca mais triunfaram, perdendo sucessivamente diante do sucesso incomparavelmente maior do Lula, na política interna e internacional. No começo, os tucanos apontavam no fracasso imediato do Lula, por sua suposta “incompetência”, “populismo”, “estatismo”. Depois, apostaram que o “mensalão” o derrubaria, não se atreveram a apelar para o impeachment, com medo da reação popular, preferiram sangrá-lo até as eleições de 2006. Mas as políticas sociais estenderem o apoio do Lula, que derrotou o candidato tucano e se reelegeu.

Em 2010, o candidato tucano saiu amplamente na frente nas pesquisas, davam como seguro que o Lula não elegeria “um poste”, mas perderam de novo. Em 2014, já foram para sua última parada. Tentaram com Aécio e com Marina e perderam. A partir daí se deram conta que, mesmo contando com a ativa participação política do monopólio privado da mídia, não ganhariam no voto.

A partir desse momento, restou-lhes – de forma muito similar à UDN diante do Getúlio – apelar para soluções golpistas. Se dividem entre os que concentram o fogo na Dilma – liderados pelo Aécio –, com a ilusão de nova eleição, e os que se concentram nas tentativas de tirar o Lula da jogada via tapetão, para não terem que enfrentar nova derrota diante dele em 2018.

Depois de defender plataformas neoliberais e até mesmo uma inviabilizada possibilidade de ser a melhor continuação do Lula – com o Serra na primeira parte da campanha em 2010 –, os tucanos já não têm nada a propor. Seu golpismo se reflete também em que só se interessam por tirar o PT do governo e da disputa eleitoral de 2018, sem o que não têm nenhuma possibilidade de voltar ao governo. Se tornaram um partido velho, superado pela própria realidade concreta, com os mesmos candidatos e as mesmas direções. Viraram uma UDN do século 21.
 

Fonte: Rede Brasil Atual via Vermelho

Fidel completa 89 e cidades brasileiras preparam homenagens

 O líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, comemora, nesta quinta-feira (12), 89 anos de idade. Para homenagear sua trajetória de lutas, diversas atividades serão realizadas em São Paulo.


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Às 18 horas, na Câmara do Vereadores da capital paulista, haverá um evento comemorativo. Também na cidade de São Paulo, o Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba promoverá a exibição do filme “Looking For Fidel”, do diretor estadunidense Oliver Stone. A Atividade ocorrerá no Memorial da América Latina.

No Rio de Janeiro, na Cinelândia, as comemorações também começarm no mesmo horário. Na cidade de Santos, no litoral paulista, a Associação Cultural José Martí organizará uma festa, no dia 15 de agosto, com comidas, bebidas e músicas típicas cubanas.

Fidel Castro foi o líder do movimento que deu um caráter socialista a Cuba, derrubando em 1959 a ditadura de Fulgêncio Batista. Após comandar a maior das Antilhas por vários anos, seu legado pode ser observado nas estruturas presentes no país, mas também na influência que possibilitou o surgimento de diversos movimentos progressistas na América Latina.

Mesmo sob o bloqueio econômico imposto pelos estadunidenses, ele conseguiu garantir saúde e educação universais aos cubanos e exportou o conceito para outros países, permitindo que profissionais médicos, altamente qualificados, ajudassem também outras nações, como no caso da Operação Milagre.


Do Portal Vermelho

Dilma na Marcha das Margaridas: Não permitirei retrocessos

 O encerramento da 5ª Marcha das Margaridas, realizada ontem, quarta-feira (12), no estádio Mané Garrincha, em Brasília, se transformou num grande ato em defesa da democracia e em apoio ao governo da presidenta Dilma Rousseff, presente no evento.


 
“Não vai ter golpe”, foi o coro entoado pelas mais de 70 mil mulheres trabalhadoras do campo. “A Marcha das Margaridas se soma aos vários movimentos de diversas categorias para dizer não ao retrocesso e garantir a democracia em nosso pais. Nós estamos nas ruas para garantir que não vai haver retrocesso a direitos da classe trabalhadora. Estamos nas ruas defendendo a democracia de nosso pais”, afirmou a secretária de mulheres da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e coordenadora da marcha, Alessandra Lunas.

E acrescentou: “Estamos juntas, sim, com a presidente Dilma porque este governo nos representa. A ameaça que nós vemos está no Congresso Nacional, que não ouve as vozes do povo desse pais”.

A afirmação de Alessandra foi acompanhada por diversos coros entoados pela multidão que lotou o estádio, como “Fora Cunha!” e “Teve Copa, e teve tudo, só não vai ter terceiro turno”.

O presidente da Contag, Alberto Broch, foi o primeiro a discursar. Ele destacou a importância de se aceitar a decisão das urnas e respeitar a democracia. “Nós somos contra aqueles que querem o regresso desse país. Reafirmamos a democracia para que nosso país seja cada vez mais justo. Que o campo seja cada mais justo, mais igualitário, para que possamos produzir alimento, produzir cultura e produzir a vida”, defendeu.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, qualificou Dilma como uma mulher valente que “soube enfrentar o regime de repressão”.

“Esta é uma marcha de mulheres resistentes. A mulher que está no palco enfrenta resistências e soube enfrentar regime de repressão. A resistência de quem não se dobra a vozes autoritárias que visam ao enfraquecimento da democracia e não respeita a vontade soberana do povo. Esta mulher, forte e resistente de coração valente, recebe aqui milhares de mulheres igualmente resistentes”, afirmou.

Margarida coração valente

Acompanhada por vários ministros, como Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário), Renato Janine (Educação), Carlos Gabas (Previdência), e Nilma Lino Gomes (Igualdade Racial), Dilma foi aplaudida de pé pelo estádio ao ser anunciada como "Margarida de coração valente".

Em seu discurso, Dilma reafirmou seu compromisso em garantir os avanços das conquistas sociais. “Tenham certeza absoluta, que eu, sua presidenta, continuarei trabalhando incansavelmente para honrar e realizar os sonhos que vocês depositaram em mim e em meu governo. Esta é uma garantia que faz parte da razão do meu governo. Nós não permitiremos que haja retrocessos... Não permitirei que ocorra qualquer retrocesso nas conquistas sociais, nas conquistas democráticas de nosso pais. Juntas continuaremos honrando a memória de Margarida Alves e de todas as margaridas deste país”, garantiu a presidenta sob os aplausos do estádio.

"Quero mais uma vez reafirmar a nossa parceria e me somar a vocês nessa mobilização por justiça, por autonomia, por igualdade, liberdade, democracia e não ao retrocesso", enfatizou Dilma.

A presidenta destacou os avanços conquistado nos últimos anos, como a política agroecológica que, segundo ela, foi implantada graças a demanda apresentada pelas trabalhadoras. Ela se comprometeu também em atender demandas atuais como medidas de combate à violência e atendimento a grávidas. “Em parceria com vocês, mulheres de todo o Brasil, o governo federal irá implementar as patrulhas rurais Maria da Penha. Faremos parcerias com as forças policiais que atuam em nível local pra que a mulher vítima de violência seja assistida de maneira correta e haja de fato prevenção da violência”, garantiu.

Ao encerrar, Dilma citou trecho da música de Lenine, "Envergo mas não quebro". "Em noite, eu vou traduzir 'em tarde', assim como esta: ‘Eu cantando numa festa, ergo o meu copo e celebro os bons momentos da vida. E nos maus tempos da lida, eu envergo, mas não quebro’. Nós podemos envergar, Margaridas, mas nós não quebramos. Nós seguimos em frente".
 

Do Portal Vermelho, Dayane Santos, com informações da NBR

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Governo federal fortalece autonomia das mulheres no campo e na cidade

Agricultora beneficiada pelo programa de implantação de cisternas no Semiárido
Sergio Amaral/MDS
Agricultora beneficiada pelo programa de implantação de cisternas no Semiárido

Nos últimos 12 anos, o governo federal investiu em políticas públicas para garantir o protagonismo das mulheres no campo e na cidade. Programas como o Bolsa Família, Cisternas, de Aquisição de Alimentos (PAA) e Fomento às Atividades Produtivas Rurais transformaram a realidade das famílias chefiadas por mulheres.


No campo, uma das maiores transformações ocorreu no Semiárido. Antes, as mulheres sertanejas tinham que percorrer, diariamente, quilômetros em busca de água de má qualidade, carregando uma lata na cabeça. A alimentação da família ficava comprometida e a desnutrição de crianças e adultos era dada como certa.

Desde 2003, o governo federal ampliou o acesso à água de qualidade para beber, cozinhar, para a produção de alimentos e a criação de animais. Foram entregues 1,2 milhão de cisternas no Semiárido. Deste total, 73% foram para famílias chefiadas por mulheres. A cisterna é uma tecnologia social de baixo custo que armazena água da chuva e garante a convivência com a seca. Com isso, é possível que uma família de até cinco pessoas possa ter água para beber e cozinhar por oito meses.

Além das cisternas, foram entregues cerca de 125 mil tecnologias sociais que garantem água para produção de alimentos e na criação de animais. Destas, 93% foram para famílias chefiadas por mulheres. Com água de qualidade, elas começaram a produzir mesmo durante a estiagem.

Outra estratégia que as mulheres do campo tiveram acesso foi a assistência técnica, para apoiar que as agricultoras pudessem planejar sua produção e aumentar a renda. Das 358 mil famílias que receberam assistência, 88% são chefiadas por mulheres. Além disso, 137,8 mil das famílias lideradas por mulheres com projetos produtivos apoiados com assistência técnica já estão recebendo recursos de fomento para implantá-los.

O fortalecimento e a ampliação da produção de alimentos é um dos temas da 5ª Marcha das Margaridas, que começa nesta quarta-feira (12), em Brasília. As margaridas são mulheres do campo, da floresta e das águas que lutam pelo avanço no combate à pobreza e pelo desenvolvimento sustentável com o fortalecimento da agricultura familiar e soberania alimentar e nutricional.

Segurança alimentar 
Além de promover o acesso à água e fomento, o governo federal ampliou os canais de comercialização por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). As mulheres representam a metade dos agricultores que vendem para o programa. A estratégia integra as ações para o fortalecimento da agricultura familiar, reconhecendo seu importante papel na oferta de alimentos frescos e saudáveis para a população e na promoção da segurança alimentar e nutricional.

“Além da pauta da alimentação saudável, outra questão importante é a redução das desigualdades e da superação da pobreza, que atinge principalmente mulheres e crianças. São prioridades que estão no centro da nossa agenda”, destaca a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

Mais conquistas
Não foi só no campo que as políticas públicas transformaram a realidade de milhões de mulheres. Na cidade, o governo federal também investiu em programas e ações para garantir o protagonismo feminino. Das 22 milhões de pessoas que superaram a pobreza extrema nos últimos quatro anos, 12 milhões são do sexo feminino.

Mães com crianças pequenas representavam a face mais dramática da pobreza no país. As mulheres puderam contar com a complementação de renda do Bolsa Família e, sobretudo, com melhores condições de saúde e educação para seus filhos, além de oportunidades de inclusão produtiva. Em 93% das 14 milhões de famílias que recebem a transferência de renda, as mulheres são as responsáveis pela retirada do dinheiro. Dessas, 68% são mulheres negras.

O governo federal também reforçou políticas públicas para que as mulheres conquistassem mais qualificação profissional e espaço no mundo do trabalho, seja por meio do trabalho assalariado, autônomo ou associado. Hoje, elas representam 67% das mais de 1,7 milhão de vagas do Pronatec, na modalidade voltada à população mais pobre. Com a qualificação, as mulheres ocupam postos que, anteriormente, eram exclusivamente masculinos, como a construção civil.

Além do Pronatec, as mulheres também tiveram a oportunidade de se formalizar como Microempreendedores Individuais (MEI). Dos 525,4 mil Meis beneficiários do Bolsa Família, 55% são do sexo feminino.
 
Fonte: MDS via Vermelho

Estudante é atacada após discurso em cerimônia do Mais Médicos

Depois de ser ofendida por médicos e colegas, Ana Luiza recebe apoio de médicos populares
Reprodução/NBR
Depois de ser ofendida por médicos e colegas, Ana Luiza recebe apoio de médicos populares

A estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), denunciou, em seu perfil no Facebook, as ofensas sofridas após discurso realizado durante a cerimônia de dois anos do Programa Mais Médicos, em Brasília. Luiza falou sobre as transformações que a educação provocou na sua vida, a partir da oportunidade de estudar medicina por políticas públicas do governo Dilma Rousseff.


“Vadia”, “ignorante” e “médica vagabunda pobre” foram alguns dos adjetivos usados por médicos e estudantes para ofendê-la. “Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por médicos e futuros médicos, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara”, escreveu Luiza. A Rede Nacional de Médicas e Médicas Populares divulgou nota nesta terça-feira (11) em solidariedade à jovem.


Confira a nota da Rede na íntegra:

Nota de Desagravo da Rede de Médicas e Médicos Populares à Ana Luiza Lima

A onda de ódio não passará!

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares vem, através desta nota, prestar solidariedade à estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ana Luiza Lima, que recentemente comoveu todo o país com seu discurso na comemoração dos dois anos do Programa Mais Médicos. Seu discurso emocionado, por meio do qual agradece as recentes políticas educacionais que permitiram “a neta de um agricultor sonhar em ser doutora” (nas próprias palavras dela) inspirou milhões, mas provocou a ira de um setor reacionário e conservador, que encontra em parte da nossa categoria uma das suas mais perversas formas de expressão.

A onda conservadora dentro da categoria mostrou sua face logo após o anúncio da vinda de médicas e médicos cubanos para atender áreas de difícil provimento destes profissionais por parte do governo federal. Erigiu funerais da Presidenta Dilma e do Ministro Alexandre Padilha e perpassou por cenas nefastas como o “corredor polonês” contra os médicos cubanos no Ceará, com direito a ovos arremessados e xingamentos que não merecem mais ser repetidos. Vários colegas foram perseguidos pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs) Brasil afora por se posicionarem favoráveis ao Programa Mais Médicos e não se alinharem com o discurso corporativista, permanecendo as ameaças dos CRMs sobre os médicos que contribuem com o programa (supervisores e tutores) até hoje.

Agora a vítima é uma estudante de Medicina que cometeu o pecado de falar a verdade. Uma estudante oriunda de família humilde que ousou entender que seu sucesso hoje foi fruto de uma política pública e ousou agradecer à presidenta Dilma pelo esforço de manter políticas voltadas aos mais pobres deste país. O ódio contra Ana Luiza manifestou-se não apenas sob a forma de machismo – numa das regiões do país onde as mulheres mais sofrem com violência e onde o patriarcado se mantém firme e forte – mas, fundamentalmente, como ódio de classe, ódio ao que representou o seu discurso, ódio ao agradecimento à Presidenta, ódio de quem não suporta ver seus privilégios ameaçados.

Por tudo isto e muito mais, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares denuncia a ofensiva conservadora que se materializa no ódio à Ana Luiza e presta irrestrita solidariedade à nossa futura colega. Saiba, Ana Luiza, que assim como você, existem médicas e médicos que se preocupam com o povo brasileiro, que respeitam sua diversidade étnica, sexual, religiosa e ideológica, que se preocupam com a conformação do SUS como sistema de direitos sociais, público, gratuito, integral e de qualidade. Assim como você, existem médicas e médicos que sonham e que fundamentalmente lutam por um futuro onde este tipo de agressão a você fique num passado distante.

Todo apoio à Ana Luiza Lima

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares


Fonte: Pragmatismo Político via Vermelho