quarta-feira, 15 de julho de 2015

Notas Vermelhas nos bastidores de O Globo


  

Além de portar licença especial para roubar impunemente, o PSDB, partido líder do consórcio oposicionista, tem uma blindagem da mídia que tudo lhe garante e em tudo lhe favorece. Assim, sem precisar se defender de nada nas páginas amigas de jornais como O Globo(antigo jornal golpista que apoiou a ditadura militar de 1964), os políticos tucanos têm direito de resposta praticamente instantâneo até em relação a artigos de opinião, nas raras vezes em que são contestados. 


Foi assim que nesta segunda-feira (13) o jornal O Globo publicou um artigo de opinião do líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado, sobre o projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que favorece multinacionais em detrimento da Petrobras e já no dia seguinte O Globo trazia uma réplica raivosa ao artigo de opinião. Usaremos, para contar a história de como isto aconteceu, da mesma “técnica” que jornalistas de O Globo, Folha de S. Paulo e outros gloriosos símbolos da nossa imprensa utilizam para descrever os “bastidores” de reuniões privadas de membros do governo. Lembrem-se que recentemente Ricardo Noblat chegou a descrever uma “guerra de cabides” entre Dilma e uma camareira do Planalto, tudo com base em fontes anônimas “próximas ao governo”. Mas nós também temos as nossas fontes.

O que as nossas fontes revelaram

Fontes próximas à direção de O Globo garantem que os três irmãos Marinhos (proprietários do sistema Globo) assim que viram o artigo de Sibá, ligaram praticamente ao mesmo tempo aos berros para o diretor nacional do jornalismo global, Ali Kamel, autor do best seller, “Não somos racistas”, e reclamaram veementemente. Kamel, com a voz trêmula – garantem nossas fontes que nestes momentos ele sua frio e gagueja – balbuciou que isso faz parte da estratégia de dar um ar de pluralidade apenas para salvar as aparências, etc. “Não interessa!”, berraram os irmãos Marinho em uníssono. Um deles ordenou: “Manda o ‘esquisito’ publicar uma nota dando um pau neste petista”. Kamel imediatamente acionou o “esquisito” e lhe enviou uma nota, escrita por ele mesmo. Segundo nossas fontes próximas aos irmãos Marinho, “esquisito” é o codinome desrespeitoso que os mandachuvas da empresa do Jardim Botânico usam, sabe-se lá por que, para se referir ao colunista amestrado Ancelmo Gois. Assim, nesta quarta-feira (15), os leitores de O Globo puderam ler o seguinte texto na coluna do esqu.. quer dizer, do Ancelmo Gois: “De José Serra sobre o artigo do deputado Sibá Machado, ontem, no Globo (...) – O PT mente tanto que certos petistas acabam acreditando nas próprias mentiras”. Isso é que é prestígio. Um direito de resposta instantâneo em relação a uma coluna de opinião. Nossas fontes garantem ainda que José Serra tomou conhecimento de suas “declarações” apenas quando as leu no jornal e ligou imediatamente ao Ali Kamel para agradecer. A mesmas fontes informam que Serra estava docemente constrangido.

Mídia comemora acordo da Grécia

A rendição do governo grego às chantagens da troika, motivo de tristeza para a humanidade progressista, é efusivamente comemorada pela mídia hegemônica, porta voz do mercado financeiro. Nas edições desta quarta-feira (15) as manchetes trazem o escárnio do vencedor sobre todo um povo. Fiquemos apenas com o editorial de O Globo (o que já basta para nausear qualquer um). Os irmãos Marinhos exultam: “Grécia de Tsipras tem encontro com a realidade”. Tsipras “cedeu às exigências de austeridade e (a Troika) apresentou uma proposta praticamente com os mesmos termos que haviam sido rejeitados no plebiscito de julho”. “A realização do plebiscito foi um erro estratégico”. “A Grécia terá que se submeter à dura realidade”. “O acordo é um passo importante para manter a Grécia no Euro e evitar riscos econômicos e geopolíticos”. Para estes abutres e seus vassalos, que pensam que a luta do povo grego se resume ao Syriza ou a Tsipras, repetimos o poeta: “Não cante vitória muito cedo, não / Nem leve flores para a cova do inimigo / que as lágrimas do jovem / são fortes como um segredo: podem fazer renascer um mal antigo”*.

O controle do que vemos, ouvimos e lemos

Recomendamos fortemente a leitura do artigo com o título acima, publicado de forma inédita em língua portuguesa pelo Portal Vermelho. Os autores, dois cubanos, Raúl Antonio Capote e Salvador Capote, falam do processo de formação de monopólios na comunicação estadunidense e suas consequências, mas em certos trechos parece até que estão se referindo ao Brasil.

* Não Leve Flores (Belchior)
 
 

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br 
Fonte: Vermelho

Ato político em Brasília anuncia luta contra “tentativa golpista da direita”

Representantes dos movimentos sociais e parlamentares do PT, PCdoB, PDT, PSol, que defendem a democracia e a Petrobras, se reuniram em um ato político, na manhã desta terça-feira (14), na Câmara dos Deputados. Entre discursos e palavras de ordem, parlamentares e ativistas denunciaram as tentativas de golpe da direita brasileira e manifestaram unidade e disposição para a luta em favor do segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff e contra a intenção da elite de privatizar a Petrobras. 


Agência Câmara
Para a presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE), “nós estamos aqui reunidos para enfrentar esse consórcio oposicionista que tem expressão partidária no PSDB e no DEM,"  Para a presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE), “nós estamos aqui reunidos para enfrentar esse consórcio oposicionista que tem expressão partidária no PSDB e no DEM,"  
“Nós vamos fazer o enfrentamento em todas as instâncias, não na força, mas no debate de ideias e no convencimento”, discursou a presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE), que discursou no evento.

Para o deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras, que coordenou o evento, “esse é um ato de protesto contra o golpe, em respeito as urnas e ao povo brasileiro e em defesa da democracia.”

Para ele, defender a Petrobras, ameaçada por projeto de quebra do regime de partilha na exploração do pré-sal, proposto pelo senador tucano José Serra (SP), é defender o projeto de desenvolvimento nacional inaugurado pelo ex-presidente Lula e seguido pela presidenta Dilma.

Ao final dos discursos, os estudantes, representados na mesa pelas presidentas da UNE, Carina Vitral; e Ubes, Bárbara Melo, gritavam palavras de ordem: “Sou juventude/ Cara-pintada/ a Petrobras não vai ser privatizada.”

Resposta dura

O coordenador da Frente Única da Petrobras (FUP), José Maria, destacou, em sua fala, que “o plenário lotado – o auditório Nereu Ramos é o maior da Câmara dos Deputados – é demonstração clara de que os setores que estão tramando o golpe terão resposta dura se levarem adiante essa tentativa.”

E, dirigindo-se aos parlamentares, declarou: “Contem conosco, usem os movimentos sindicais e sociais que estão em defesa da democracia do país, custe o que custar, porque tudo o que conseguimos é fruto de muita luta. O projeto popular e democrático vai seguir adiante. Não vamos deixar que aconteça aqui o que a direita fez no Paraguai”, assegurou, em referência ao golpe que destituiu o presidente paraguaio Fernando Lugo em 2012.

Ele, a exemplo dos parlamentares, lembrou que a Petrobras tornou-se, nos últimos 12 anos, a partir do governo do ex-presidente Lula, uma das maiores empresas do mundo, com um projeto ousado de construção de navios e plataformas no Brasil, produzindo petróleo no pré-sal e criando um milhão e meio de emprego dentro de sua cadeia produtiva.

Segundo Zé Maria, a tentativa da direita de enfraquecer a Petrobras serve para o enfraquecimento do projeto nacional de desenvolvimento do Brasil, destacando que o projeto de Serra tira os recursos do pré-sal que estão destinados a saúde e educação e retira o conteúdo nacional da produção da Petrobras.

Consórcio oposicionista

De acordo com a deputada Luciana Santos, “estamos aqui reunidos para enfrentar esse consórcio oposicionista que tem expressão partidária no PSDB e no DEM”, indagando repetidamente onde estava a elite brasileira nos últimos 60 anos, desde a campanha do “Petróleo é Nosso”, que culminou com a criação da Petrobras, até a década de 1980 e 1990, conhecida como a “Década Perdida”, em que eles estava no governo impondo ao povo brasileiro uma inflação galopante, desemprego em massa e privatização do patrimônio brasileiro, com a tentativa de transformar a Petrobras em Petrobrax para entregar o petróleo brasileiro às multinacionais.

Segundo a líder comunista, “nós conseguimos construir um círculo virtuoso, tirando milhões de pessoas da pobreza e colocando milhares nas escolas, enquanto eles estava colocando ‘gosto ruim’; e agora, em pleno regime democrático, querem nós impor um regime de exceção.” E acrescentou que eles não podem empunhar a bandeira do combate à corrupção porque foram quem mais corromperam o país.

Wagner Freitas, da CUT, em seu discurso, acrescentou uma fala à da presidenta nacional do PCdoB: “Se querem acabar com a corrupção, acabem com o financiamento empresarial da campanha eleitoral”, arrancando aplausos e novas palavras de ordem da plateia que seguia atenta aos discursos: “Da Petrobras não abro mão/ Quero o petróleo cem por cento prá nação.”

O representante da CTB, Aldemir de Carvalho Caetano, anunciou que as centrais sindicais e os movimentos sociais pregam a democracia e a legalidade e querem manter as conquistas de luta do povo brasileiro, anunciando que não aceitarão que o governo eleito pelo voto popular sofra desestabilização.

Desafio a Serra

O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (PT-AC) avaliou que “o ato marca o momento simbólico da luta do povo do Brasil em defesa de duas coisas caras – democracia e as riquezas nacionais nas mãos do povo brasileiro.” E desafiou o senador José Serra a explicar ao povo brasileiro o que ganha o país entregando a riqueza do pré-sal às empresas multinacionais.

Já a líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), destacou que “a maior defesa da Petrobras é defender o mandato constitucional da presidenta Dilma. Nós não usamos truques e manobras contra a democracia, a nossa resposta é essa, mobilizamos a sociedade contra a escalada golpista articulada com as estruturas de poder”, denunciou, em referência as pressões ao Tribunal de Contas da União (TCU) para atuar como tribunal político na avaliação das contas do governo da presidenta Dilma.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que é membro da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras, também discursou no ato político e, a exemplo dos demais oradores, elogiou a unidade dos movimentos sociais e parlamentares na luta pela manutenção da ordem democrática, contra qualquer tentativa de golpe pela direita brasileira, que não se conforma com a derrota eleitoral, destacou.


Do Portal Vermelho
De Brasília, Márcia Xavier 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O papel da UNE na defesa da democracia brasileira

Neste momento de tanta tensão na política e tentativas golpistas de atacar à democracia, escrevo este texto para contribuir nas discussões. Valorizando o debate com base em ideias e argumentação e considerando a fundamental importância da consciência histórica.

Por Iago Montalvão*


  
Tem se tornado cada vez mais nítido que vivemos um momento turbulento na política de nosso país. Para os jovens da nossa geração, que nasceram ou cresceram já envoltos por uma democracia, que apesar de nova teve na última década sinais de uma sólida ascensão, o cenário atual pode parecer inédito, e ainda, pela confiança que se criou diante do desenvolvimento das relações democráticas, as conjecturas que apontam uma séria preocupação com os próximos episódios da política brasileira podem também, na mentalidade de muitos, soar como uma mera ilusão ou exagero.

Pois bem, uma das funções fundamentais que a história exerce para o indivíduo que vive em sociedade é a de, refletindo sobre seu passado, esse sujeito tenha condições de orientar-se no presente, compreender como as relações sociais se formaram, e como chegaram a ser o que são hoje. No mundo material nada é estático, eterno ou "a-histórico". Somos, portanto, frutos de processos, de acúmulos, de experiências, que no desenrolar do tempo constroem, e continuam a construir a cada momento, as nossas relações materiais, econômicas, sociais e também políticas. E nesse sentido, torna-se impossível a avaliação de qualquer fenômeno presente (que é por si só é tempo contínuo) ou mesmo de um passado mais recente, sem antes considerarmos os seus antecedentes.

Os constantes ataques e tentativas de desestabilização da democracia e de um governo legal e constitucionalmente estabelecido que vemos hoje no Brasil não são novidade, tampouco surgiram espontaneamente num momento recente. O exemplo mais simbólico disso, e é uma lástima que um número ainda insuficiente de brasileiros tenha o conhecimento desses fatos, é o Golpe Militar de 1964, que através do protagonismo das forças militares colocou abaixo o estado democrático de direito e instalou uma terrível e sangrenta ditadura por duas décadas. Mas eu poderia também citar os eventos que precederam e levaram ao suicídio de Getúlio Vargas em 1954, pressionado por oposicionistas que articulavam um golpe para derrubá-lo.

De lá pra cá outros momentos geraram instabilidade na política brasileira, seja através de crises econômicas ou articulações golpistas de setores oposicionistas e com apoio midiático. Mas um dos elementos que cria uma intrínseca relação entre esses fatídicos episódios é, ao mesmo tempo, por um lado a defesa irrefutável que entidades históricas dos movimentos sociais fazem da democracia, e por outro a tentativa dos setores golpistas ou de seus sustentadores de enfraquecê-las ou deslegitimá-las. Não atoa recentemente quem ocupa um dos mais importantes postos de poder da democracia brasileira tem proferido ataques infundados e ameaças à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma das organizações da sociedade civil que mais tem páginas em seu currículo quando se trata de defesa do povo e da democracia brasileira.

Assim, quero aqui me deter a avaliação de uma outra entidade, que nesse mesmo sentido não poderia escapar das pechas e ataques de golpistas, porque também apresenta uma história de comprometimento com a luta do povo e a defesa da democracia em nosso país. A União Nacional dos Estudantes, que completa nesse ano 78 anos desde sua fundação, esteve, nesse tempo, presente em períodos importantes da história do Brasil sob as marcas da organização e da luta dos estudantes e da juventude, categorias que estarão sempre, e inevitavelmente, nos fronts das batalhas políticas em qualquer lugar do mundo, e a UNE é justamente uma prova disso.

Em qualquer momento, em que minimamente tentassem questionar a importância da democracia e da soberania nacional, lá estava a UNE, munida de seu caráter jovial e seu espírito revolucionário a defender nossa nação, com convicção e sem nenhum receio. É este o fim que lhe importa. Dessa maneira, lancemos nossos olhares ao inicio da década de 1960, quando João Goulart tornara-se Presidente da República, numa difícil e turbulenta conjuntura que o amaldiçoaria por todo seu - incompleto - mandato. Seria impossível fazer referência ao desenrolar dos acontecimentos que marcaram esse processo sem falar na União Nacional dos Estudantes, em todo seu conjunto - suas bases e entidades, bem como os estudantes que a compunham - e em nome de dois presidentes que acompanharam com mais proximidade os abalos que a democracia brasileira sofreria nesses anos, Aldo Arantes e José Serra.

Ambos continuam sendo personagens importantes na política nacional dos dias presentes em suas respectivas atribuições, ainda que sob matizes ideológicos e posturas bem diferentes. Ambos escreveram recentemente auto-biografias¹ onde contam, dentre outros passos de suas trajetórias, o momento ao qual me reservo aqui comentar: o governo de João Goulart e o pré-golpe. Apesar das diferenças, o que se nota é que em qualquer uma das duas descrições fica evidente o repúdio ao golpismo naquele momento e a articulação com participação fundamental da União Nacional dos Estudantes na tentativa de impedir que aquela tragédia se consolidasse. Aldo participou da cadeia da legalidade, ao lado de Brizola percorreu o Brasil para enfrentar a pecha golpista e dar suporte às políticas progressistas defendidas por Jango. Serra, já mais próximo ao golpe militar em vias de fato, esteve também em inúmeras situações ao lado do presidente constitucionalmente eleito, de Brizola, de outras figuras políticas de esquerda, da CGT e outros movimentos sociais.

Aldo Arantes durante sua gestão como presidente (1961-62)
 Ainda que a UNE tivesse a simpatia e o apoio irrestrito de muitas figuras políticas notórias e movimentos sociais, inclusive do Presidente da República, não escapou dos ataques fascistas advindo sobretudo de grupos reacionários e conservadores da política brasileira e dos militares, mas também de um sentimento anti-esquerdista que havia se disseminado pelas massas - em especial da classe média - através do senso comum. Não por coincidência a UNE teve vários de seus congressos invadidos por militares, muitos de seus diretores ameaçados e logo no primeiro dia do golpe teve sua sede incendiada, numa ação que também contava com apoio de civis.
 
Na história da humanidade nada se repete de maneira idêntica, entretanto, nada pode ser completamente inédito, porque o tempo presente carrega em si o pesado fardo das experiências passadas. No mesmo sentido, pode se dizer que os homens e mulheres, apesar de construírem sua própria história, não a fazem como querem, senão dentro das determinações históricas. Essas são reflexões necessárias para se traçar qualquer comparação que se pretenda fazer com os dias atuais, afinal é no mínimo intrigante quando colocamos entrepostos o desenrolar da conjuntura política, econômica, social dos anos pré-golpe militar e o que acompanhamos hoje no Brasil. Mas que tenhamos claras as distinções das propriedades e particularidades de cada tempo.

Dentro desses aspectos devemos considerar que o que está acontecendo na política brasileira é: 1°- fruto de outras esferas determinantes da sociedade que são também, dialeticamente, influenciadas pela política, como a economia e a disseminação de certos valores morais; 2°- resultado de processos históricos que constituem o desenvolvimento da nação brasileira em suas várias faces, logo, tanto não pode ser inédito, como se assemelha a outros momentos de sua história por estar imerso em contextos globais com alguns elementos parecidos.

Em outras palavras, o que vivemos hoje no Brasil está muito próximo daquilo que viveram no inicio da década de 1960, ainda que o desfecho não seja o mesmo, posto que inúmeras outras condições interpõem essa possibilidade, como o próprio avanço da tecnologia, uma democracia mais sólida, forças armadas mais respeitosas. Todas essas condições porém, ainda assim não tiram por completo a demarcação golpista feita pelos setores conservadores e reacionários, que insistem em se opor à um projeto progressista, aliado aos consórcio de uma imprensa também golpista, que dissemina a desinformação, cria factoides e constrói acusações seletivas, além de alimentar os discursos de ódio e o senso comum que também embebem a população de um forte sentimento anti-esquerdista , embasados por anedotas e argumentações infundadas que não fazem o mínimo de sentido.

A União Nacional dos Estudantes, assim como em toda sua trajetória e no inicio da década de 1960, continua em defesa da democracia e da soberania nacional. Infelizmente temos que levantar hoje bandeiras que já eram erguidas há 50 anos, mas talvez isso se faça ainda mais necessário. Como os estudantes defenderam o monopólio da exploração do petróleo pela Petrobras, lutaremos contra as tentativas de sua privatização; como quando Aldo Arantes percorreu o Brasil em defesa do mandato de Jango, diremos que a presidenta Dilma Rousseff foi eleita nas urnas e tem seu mandato garantido legal e constitucionalmente; ou como quando José Serra falou à milhares sobre a importância das Reformas de Base dentro dos marcos da democracia, iremos às ruas lutar pela Reforma Política, pela Democratização da Mídia, pela Reforma Tributária, e tantas outras. A UNE como sempre, e talvez ainda mais do que nunca, tem um papel fundamental para nosso país, e segue a risca honrando sua tradição, não abaixaremos a cabeça jamais, nem para os golpistas e nem para os oportunistas, com convicção seguiremos defendendo nosso povo e nossa nação.


*Iago Montalvão é estudante de História e diretor da UNE.
Fonte: Vermelho

Boff: Eduardo Cunha é um bandido político

A ofensiva conservadora atualmente em curso no Brasil faz parte de um processo mundial de rearticulação da direita e representa um perigo real para a democracia e os direitos. No caso brasileiro, essa rearticulação conservadora também é uma reação das classes dominantes que não se conformam com a centralidade que a agenda social adquiriu nos últimos anos e com a ascensão social de cerca de 40 milhões de pessoas. 


Sobre Eduardo Cunha, presidente da Câmara, o religioso diz que "é alguém que não tem nenhum respeito à Constituição e atropela normas do Congresso como bem entende."  Sobre Eduardo Cunha, presidente da Câmara, o religioso diz que "é alguém que não tem nenhum respeito à Constituição e atropela normas do Congresso como bem entende."  
Um dos principais expoentes dessa ofensiva, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é um bandido político que não respeita a Constituição e tem como objetivo, no final de seu mandato, propor a instauração do parlamentarismo e virar primeiro-ministro. A avaliação é do teólogo e escritor Leonardo Boff, quando esteve em Porto Alegre (RS), na última semana, para ministrar uma aula pública sobre direitos humanos.

Após a aula intitulada "Expressões sobre Direitos Humanos: Mais Amor, Mais Democracia", Leonardo Boff conversou com o Sul21, no Hotel Everest, sobre a atual conjuntura política do país e defendeu que, diante da ofensiva conservadora no curso, é preciso travar, em primeiro lugar, uma batalha ideológica sobre que tipo de Brasil queremos.

"Um Brasil como um agregado subalterno de um projeto imperial, ou um Brasil que tem condições de ter um projeto nacional sustentável próprio. Temos um grande embate a travar em torno dessa ideia. Acho que esse será também o tema central das próximas eleições", diz Boff.

A seguir, um resumo dos principais momentos da conversa de Leonardo Boff com o Sul21:

Ofensiva conservadora em nível mundial
“Vejo esse quadro com preocupação, pois é um quadro sistêmico. Ocorre também nos Estados Unidos, na Europa, em toda a América Latina. Acabo de vir de um congresso que contou com a presença de representantes das esquerdas de toda a América Latina e todos foram unânimes em dizer que essa etapa das democracias novas, de cunho popular e republicano, que surgiram depois das ditaduras, estão recebendo os impactos dessa ofensiva da direta, organizada e financiada também a partir do Pentágono. Essa direita está se organizando em nível mundial. Isso é perigoso. A história já mostrou que, depois que a direita se organiza, surgem fenômenos de caráter fascista e nazista, surgem regimes autoritários que buscam impor ordem e disciplina”.

“Eu não tenho muito medo no caso do Brasil. Acho que aqui nós conseguimos uma ampla base social de movimentos organizados e um núcleo de pensamento analítico político que resiste vigorosamente, mas enfrenta a resistência da grande mídia que, de forma sistemática sustenta teses conservadoras e reacionárias, em consonância com a estratégia traçada pelo Pentágono em nível mundial. O objetivo central dessa estratégia é: um mundo, um império. Todos têm que se alinhar aos ditames desse império, que não tolera a existência de alguma força capaz de enfrentá-lo. O grande medo dos Estados Unidos é com a China, que está cercada por três grandes porta-aviões, cada um deles com um poder de fogo equivalente ao utilizado em toda a Segunda Guerra Mundial, com ogivas nucleares e submarinos atômicos de apoio, entre outras coisas. Isso nos mete medo, pois pode levar a um enfrentamento, senão global, de guerras regionais, com grande potencial de devastação”.

“No que nos diz respeito mais direito mais diretamente o grande problema é que os Estados Unidos não toleram a existência de uma grande nação no Atlântico Sul, com soberania e um projeto autônomo de desenvolvimento, que às vezes pode ser conflitivo com os interesses de Washington. O Brasil está mantendo essa atitude soberana e isso causa preocupação a eles, pois a economia futura será baseada naqueles países que têm abundância de bens e serviços naturais, como água, sementes, produção de alimentos, energias renováveis. Neste contexto, o Brasil aparece como uma potência primordial, pois tem uma grande riqueza desses bens e serviços essenciais para toda a humanidade”.

Agenda conservadora no Congresso Nacional

“De modo geral, a sociedade brasileira é conservadora, mas nos últimos anos, especialmente com a resistência à ditadura militar e com o retorno à democracia, se criou um sentido de democracia participaria e republicana, onde o social ganha centralidade e não simplesmente o Estado e o desenvolvimento material e econômico. Incluir aqueles que estiveram sempre excluídos passou a ser um tema central. Isso foi um elemento de progresso e avanço que assustou as classes privilegiadas que perceberam que esses 40 milhões de pessoas estão ocupando um espaço que era exclusivo deles e começam a ameaçar seus privilégios. Os representantes dessas classes não querem que o Estado se defina por políticas sociais, mas sim pelas políticas que, historicamente, sempre beneficiaram as classes dominantes.

Eles conseguiram uma articulação com grandes empresas, com grupos do agronegócio e outros setores para construir uma representação parlamentar. O que vemos hoje é que os sindicatos praticamente não estão representados, os indígenas e negros não estão, o pensamento de esquerda não está. O que temos, na maioria dos casos, são deputados medíocres que representam interesses de grandes corporações nacionais e internacionais, que tem pouca ou nenhuma ligação com um projeto de nação”.

“Diante desse quadro, nós precisamos, em primeiro lugar, travar uma batalha ideológica e debater que tipo de Brasil nós queremos, um Brasil como um agregado subalterno de um projeto imperial, ou um Brasil que tem condições de ter um projeto nacional sustentável próprio. Temos um grande embate a travar em torno dessa ideia. Acho que esse será também o tema central das próximas eleições. O povo não quer perder aquilo que conquistou de benefícios sociais nestes últimos doze anos e quer ampliá-los. Essas conquistas são de Estado, não são mais de governos. Esse embate será muito difícil, mas acho que há um equilíbrio de forças que vai permitir, pelo menos, governos de centro-esquerda, não totalmente de esquerda, pois creio que não há condições para isso hoje”.

Sobre Eduardo Cunha, presidente da Câmara

“Em primeiro ligar, acho que é um bandido político. Sempre foi conhecido assim no Rio. Um jornalista do Globo fala dele como “a coisa má”. É um homem extremamente sedutor, não respeita lei nenhuma, tem dezenas de processos de corrupção contra ele, mas consegue manipular de tal maneira os poderes que sempre consegue prolongar sua vida. É alguém que não tem nenhum respeito à Constituição e atropela normas do Congresso como bem entende. Creio que a pretensão dele, no final dessa legislatura, é propor o parlamentarismo para ele ser o primeiro ministro, já que não poderá ser presidente pela via eleitoral. É uma pessoa extremamente ambiciosa, manipuladora, inescrupulosa, sem qualquer sentido ético e um fundamentalista religioso conservador e de direita”.

Crescimento do fundamentalismo religioso

“Acho que essas bancadas evangélicas fundamentalistas que se espalham pelo país são formações em si legítimas, uma vez que são eleitas, mas ilegítimas na medida em que não se inscrevem dentro do quadro democrático. Querem impor a sua visão sobre a família, a ética individual e pública para toda a sociedade brasileira. O correto seria eles terem o direito de apresentar a própria opinião para ser debatida e confrontada com outras opiniões, respeitando as decisões coletivas. Mas eles querem impor a opinião deles como a única verdadeira e difamar e combater pelos púlpitos qualquer outra alternativa. Acho que devemos atacá-los pelo lado da Constituição e da democracia e enquadrá-los dentro da democracia, pois são pessoas autoritárias e destruidoras de qualquer tipo de consenso que nasce do diálogo”.

Sobre o governo Dilma

“Acho que a campanha da Dilma foi mal conduzida. Tudo aquilo que ela combatia, que seriam medidas neoliberais, a primeira coisa que fez, sem discutir com o povo brasileiro, com os sindicatos e sua base de apoio, foi aplicá-las diretamente. Neste sentido, ela decepcionou a todos nós que apoiamos a sua candidatura e o povo é suficientemente inteligente para perceber que houve um engodo. Por outro lado, cabe reconhecer que há uma crise que não é só brasileira, mas mundial, que afeta gravemente países como Grécia, Itália, Portugal e Espanha, com níveis de desemprego e de dissolução social muito mais graves do que os nossos”.

“Então, estamos diante de um problema sistêmico, não só brasileiro, mas aqui ele ganhou conotações muito específicas porque o PT tinha um projeto progressista de centro-esquerda, de apoio aos movimentos sociais, comprometido a não tocar em direitos dos trabalhadores e pensionistas. E o governo acabou tomando medidas que considero injustas, pois colocou a carga principal da crise sobre os ombros os trabalhadores e pensionistas, e não em cima dos grandes capitais, das grandes heranças e do sistema financeiro dos bancos. Estes setores foram poupadas e isso eu acho uma injustiça e uma indignidade”.

“Então, o povo, com justiça, fica desolado. A gente sabe que a Dilma é ética e não cometeu malfeitos, mas tomou medidas na direção contrária do que pregava. Então é uma contradição visível que não requer muita análise para mostrar. Ela dizia que nem que a vaca tussa iria mexer em direitos, e a primeira coisa que fez foi mexer no seguro desemprego e nas pensões. Houve uma quebra da confiança e, em política, o que conta de verdade é a confiança. Agora, se ela tiver algum sucesso e conseguir não penalizar o país demasiadamente em termos de desemprego e retrocesso no processo produtivo, ela poderá voltar a ganhar confiança, mas é uma conquista muito difícil.”

Fonte: Brasil Sul 247  via Vermelho

Mike Whitney: Pentágono só tem uma versão do futuro – a guerra

A nova estratégia militar dos EUA, segundo um jornalista americano, é um guia sobre a forma de governar o mundo usando a força militar.


Neptun Bajko
  
Segundo Mike Whitney, o Pentágono não vê outro futuro para o seu país além da agressão a fim de proteger a segurança nacional. Enquanto isso, as principais "ameaças à ordem mundial" — a Rússia e a China — estão planejando estabelecer uma zona de livre comércio.

Em 1 de julho a Secretaria da Defesa dos EUA publicou a sua nova estratégia militar, que o jornalista chamou, no seu artigo na publicação Counter Punch, de “guia de 24 páginas sobre a forma de governar o mundo usando a força militar”.

A principal mensagem da nova estratégia, de acordo com o jornalista, é alcançar os objetivos usando quaisquer meios e, em muitos casos, é a estratégia de perseguir os seus interesses usando a violência.

Whitney sublinha que o documento “Estratégia Militar Nacional para 2015” dá a sensação de que os EUA não têm qualquer remorso por todas as mortes e destruições que Washington provocou com suas operações em outros países.

A única justificativa para uma política destas, destaca o jornalista, é como sempre "a segurança nacional". O autor ironicamente escreveu que os EUA não começam a agressão contra países inocentes com vastos recursos naturais. Eles protegem "os interesses da segurança nacional."

Mike Whitney sublinhou:

“Guerra, guerra e ainda mais guerra. Esta é o único futuro que o Pentágono vê. Essa visão difere da russa e chinesa, em uma altura em que os dois países estão planejando uma área de livre comércio, que poderá aumentar o nível de emprego, melhorar a infraestrutura e elevar o padrão de vida, enquanto os EUA têm à frente apenas a morte e destruição.”

Entre os inimigos principais dos EUA são indicados o Irã, a Rússia e a China. E apesar do fato de que nenhum dos países mostra desejo de iniciar um confronto militar aberto, Washington vê-los como a grave ameaça para a segurança de toda a comunidade mundial. O jornalista também comentou a situação na Ucrânia:

“Um dos temas principais da nova estratégia militar dos EUA é a Rússia, que teve a audácia de defender os seus interesses nacionais, após o Departamento de Estado dos EUA ter realizado um golpe de Estado na Ucrânia."

Whitney opina que o Pentágono mais uma vez apresentou aos seus cidadãos a Doutrina Bush, suavizando um pouco a retórica. Não há necessidade de assustar as pessoas gritando sobre uma agressão não provocada, desrespeito do direito internacional. Todo o mundo sabe que os EUA farão tudo o que querem e a nova estratégia militar só confirma este fato triste, resumiu Mike Whitney.
 

Fonte: Sputnik News via Vermelho

Conciliação com oposição conservadora levaria a retrocesso

Tal como já ocorrera em vezes anteriores quando subiu a temperatura da crise política, de novo surgem alquimistas da pequena política propondo o “entendimento entre o PT e o PSDB” como saída aos problemas nacionais.

Se fosse apenas um raciocínio simplista, passaria, por inócuo, despercebido ou no máximo se tornaria alvo de piadas e gozações próprias do folclore político. Ganharia charges nos jornais e memes nas redes sociais, para logo cair no esquecimento. 

A trajetória e o alinhamento político do formulador da proposta, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) – um ex-petista que se alojou numa sigla governista (o PDT), mas faz oposição sistemática ao governo desde que foi demitido do ministério por Lula, ainda durante o primeiro mandato do ex-presidente – encarregam-se de revelar o simplismo da proposta, que não corresponde à complexidade do espectro de forças políticas do país. 

Se bem que PT e PSDB sejam as forças estruturantes dos campos do governo e da oposição, o quadro político brasileiro é bem mais variado e complexo. A disjuntiva que condiciona o desenvolvimento da luta política no Brasil está no confronto entre as forças progressistas, democráticas, patrióticas, populares e de esquerda, por um lado, e as da oposição neoliberal e conservadora, antidemocráticas e entreguistas, por outro, aquelas mesmas que quando estiveram no governo – a última vez foi durante os dois mandatos do ex-presidente FHC – venderam o patrimônio nacional na bacia das almas e intentaram implantar a “ditadura dos punhos de renda”, na feliz expressão do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello. 

Mas a proposição, para além de ser simplista, encerra em seu conteúdo uma tendência para o retrocesso. Ao partir do pressuposto de que a crise é motivada pela recusa da presidenta da República ao diálogo e à autocrítica, situa no governo e nas forças que compõem sua base de sustentação a causa e a origem da crise. Por conseguinte, a solução subjacente seria a capitulação do governo e das forças progressistas às teses da oposição – derrotadas nas urnas – na prática, a entrega do comando político e administrativo do país a essa oposição. 

O governo, os partidos da sua base de apoio e os movimentos populares não podem ser reféns das chantagens das forças oposicionistas nem se apresentar com fragilidade na luta política ao ponto de se deixar embair pela ilusão de uma conciliação com os inimigos da democracia e da soberania nacional. Seria trágico, porquanto isto representaria a reversão de um desenvolvimento político que, embora sinuoso e marcado por contradições, vacilações, retrocesso e erros, tem um sentido geral progressista.

O processo político do país chegou a um ponto de maturação que somente encontrará soluções virtuosas por meio do confronto – conduzido de maneira ampla e consequente – contra as teses e ações retrógradas da oposição, o que implica a afirmação e a audácia na aplicação do programa de reformas estruturais democráticas, a mobilização popular e a ampla união de forças em torno de uma frente democrática e patriótica, que deve abarcar todos os que sinceramente queiram encontrar soluções justas para os graves problemas nacionais, entre eles os que, por equívoco, formulam a falsa tese do entendimento com a oposição conservadora. 


Fonte: Vermelho

17ª Conferência Interestadual dos Bancários da Bahia e Sergipe defende aumento real de 10%

Foi aprovada por unanimidade a minuta unificada da Bahia e Sergipe para a próxima campanha salarial 2015. O índice de aumento real aceito foi de 10%, mais a inflação em torno de 8 a 8,5%, o que mostra uma proposta avançada dos bancários.
 
Para Augusto Vasconcelos, presidente do Sindicato da Bahia, a expectativa é boa porque a decisão do índice foi feita de forma unificada. “A pauta aprovada por unanimidade reflete o alto grau de unidade e a qualidade dos debates realizados nesta Conferência apontam para uma pauta avançada tanto nas questões de emprego e plano de carreiras como nas questões de condições de trabalho, saúde e segurança”, analisou.
 
Além do reajuste, outras demandas foram aceitas. PLR (Participação dos Lucros e Resultados)  de 25% do lucro líquido linear,  piso igual ao Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), reposição das perdas salariais, valorização dos dirigentes sindicais e demais cláusulas de segurança e saúde. Fim das metas e assédio moral também foram bastante lembradas pelos funcionários da base. O rumo agora é a defesa da pauta na Conferência Nacional.
 
Delegados
Outra definição do encontro envolveu a escolha dos delegados para o debate nacional. Um total de 29 vagas foram disponibilizadas para a região. Destes, nove serão da base do Sindicato da Bahia e cinco para o Sindicato de Sergipe. Das demais vagas, Vitória da Conquista ficou com três, Feira de Santana com três, Itabuna com duas e Irecê, Barreiras, Camaçari, Ilhéus, Jequié, Juazeiro, Jacobina com um representante cada.

Fonte: Seeb-Ba