quarta-feira, 20 de maio de 2015

Dilma recebe Li Keqiang e assina 35 acordos bilaterais com a China

Dilma recebeu o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, no Palácio do Planalto nesta terça (19)O primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang, foi recebido pela presidenta Dilma Rousseff ontem, terça-feira (19), na rampa do Palácio do Planalto, honraria reservada a chefes de Estado que visitam o Brasil. Após os ritos oficiais, Dilma e Li Keqiang seguiram para reunião e assinatura de atos.


Após passar em revista as tropas, Li Keqiang subiu a rampa e recebeu os cumprimentos da presidenta Dilma. Juntos, acompanharam a execução dos hinos dos dois países pelo Batalhão da Guarda Presidencial, seguiram para o Salão Nobre, onde posaram para fotos, e cumprimentaram as delegações dos dois países.


Em seguida, os líderes deram início à assinatura de 35 acordos bilaterais, entre governos e empresas de ambos os países, o que inclui a ampliação do fluxo comercial entre os países e acordos de investimentos em infraestrutura, que totalizam US$ 53 bilhões.

Em pronunciamento à imprensa, Dilma e Li Keqiang reafirmaram que os dois países têm o objetivo de “aperfeiçoar” as relações econômicas e buscar “maior harmonia, respeito e benefícios mútuos”.

“Este encontro reafirma a característica estratégica, a intensidade de nossas relações e dá seguimento aos contatos de alto nível que nossos governos tornaram frequentes nos últimos anos”, salientou a presidenta.

E completa: “Tivemos uma reunião muito produtiva marcada pelo diálogo franco, disposição de avançar e fortalecer as relações bilaterais, que inaugura uma etapa superior em nosso relacionamento e se expressa nos acordos, nos múltiplos acordos governamentais e empresariais firmados, em especial nas áreas de investimentos e comércio”.

O primeiro-ministro chinês, por sua vez, destacou a satisfação de visitar o Brasil e agradeceu a calorosa acolhida. “A China e o Brasil são bons amigos. Entre nós a cooperação abrange um vasto leque de áreas. A presidenta nomeou detalhadamente as iniciativas da nossa cooperação e até pode dizer perfeitamente os nomes das empresas chinesas. Isso reflete que os governos da China e o do Brasil prestam alta importância à cooperação econômica”, destacou Li.

O representante chinês fez questão de salientar o interesse da China em investir em infraestrutura. “Primeiro, vamos reforçar a nossa cooperação de capacidade produtiva e vamos criar um paradigma nessa perspectiva... A China acumulou muita experiência na área de infraestrutura. Temos equipamentos de boa qualidade e gostaríamos de cooperar com o Brasil para reduzir os custos de construção e criar mais empregos para a população local”, disse o primeiro-ministro, referindo-se ao fundo de investimentos.

Ele ressaltou também que a China vai ampliar e fortalecer o comércio bilateral, principalmente no setor de mineração. “A China vai ser um importador de longo prazo dos recursos minerais brasileiros e esperamos que esse relacionamento seja não apenas de longo prazo, mas estável”, enfatizou.

Construção de uma nova ordem global

A presidenta afirmou que, na reunião, ela e Li Keqiang falaram em propor na próxima reunião do G-20 a reforma de instituições financeiras internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, “que não refletem ainda em sua governança o peso dos países emergentes”.

Dilma também destacou que a parceria entre os dois países é importante em 2015, quando as Nações Unidas celebram 70 anos. “Reiterei que ela nos permitirá aprofundar a nossa perspectiva em favor da reforma do Conselho de Segurança da ONU”, disse.

Dilma enalteceu o firmado entre os bancos de Desenvolvimento e de Comércio da China com a Petrobras para garantir crédito de US$ 10 bilhões.

“Além de refletir a confiança internacional que nossa empresa de petróleo possui, em muito contribuirá para o fortalecimento das atividades do pré-sal, onde já contamos com expressiva presença de empresas chinesas”, afirmou Dilma.

Ferrovia Transcontinental: Brasil, Peru e China

Entre os acordos firmados está a cooperação na elaboração de estudos de viabilidade do projeto da Ferrovia Transcontinental. “Um caminho que nos levará diretamente, pelo oceano Pacífico, até os portos do Peru e da China”, afirmou a presidenta Dilma.

“Trata-se da Ferrovia Transcontinental que vai cruzar o nosso país no sentido Leste-Oeste, cortando o continente sul-americano, ligando o oceano Atlântico ao Pacífico. Convidamos as empresas chinesas a participarem dessa grande obra, que sairá de Campinorte, no Tocantins, lá na Ferrovia Norte-Sul, passará por Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, atingirá o Acre e atravessará os Andes até chegar ao porto no Peru”, explicou Dilma.

Segundo ela, a infraestrutura será beneficiada por esse projeto de grande alcance para o Brasil, para a integração sul-americana, via Peru, e para o comércio com a China. A previsão é de que a obra tenha 4,4 mil quilômetros de extensão em território brasileiro.

A presidenta destacou ainda a parceria com o Peru para a realização dessa importante obra. “Nossos três países – Brasil, Peru e China – e gostaria de dirigir minhas saudações ao Presidente Ollanta Humala, iniciam, juntos, estudos de viabilidade para essa conexão ferroviária bioceânica”, enfatizou a presidenta.

Siderúrgica no Maranhão

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), participou da cerimônia e assinou acordo que prevê a construção de um complexo siderúrgico no estado em parceria com empresas chinesas.

A delegação de Li Keqiang, que inclui 150 empresários chineses, também se reuniu com o empresariado brasileiro na Cúpula Empresarial Brasil-China, no Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores.

O Brasil tem a China como principal parceiro comercial. Em 2014, as exportações para o país asiático somaram US$ 40,6 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 37,3 bilhões, resultando em um fluxo comercial de US$ 77,9 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Entre janeiro e abril deste ano, o comércio entre Brasil e China acumulou US$ 21,7 bilhões.

Entre os atos assinados, estão: acordo que prevê cooperação no desenvolvimento de investimentos na área de capacidade produtiva; financiamento para a compra de 40 aeronaves da Embraer pela China; cooperação na área de tecnologia nuclear; e criação do polo automotivo de Jacareí (SP).

Além desses, outros acordos determinam a oferta de treinamento em tecnologia da informação, na China, a bolsistas do programa Ciência Sem Fronteiras; e financiamento de 14 navios de minério de ferro com capacidade para 400 mil toneladas.

Carne

Na cerimônia, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o ministro da Administração Geral e Supervisão de Qualidade da China, Zhi Shuping, assinaram protocolo de requisito de saúde e quarentena sobre a exportação da carne bovina do Brasil.

Com o acordo, o embargo da China à carne bovina brasileira, vigente desde 2012, caiu e oito plantas de produção de carne bovina passarão a exportar carne para o país asiático.

Do Portal Vermelho, com informações do Blog do Planalto

'PSDB, SEU PASSADO TE CONDENA' BOMBA NAS REDES

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Campanha, convocada pelo PT em protesto à propaganda do PSDB e mobilizou as redes sociais com a frase "PSDB, seu passado te condena"; a hashtag foi a mais citada no Twitter no Brasil e ficou em quinto lugar no ranking mundial da plataforma; internautas compartilharam publicações com notícias negativas sobre a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de outras lideranças tucanas, como o senador Aécio Neves (MG)
247 – O PT reagiu à propaganda do PSDB e mobilizou as redes sociais com a frase "PSDB, seu passado te condena". A hashtag foi a mais citada no Twitter no Brasil e ficou em quinto lugar no ranking mundial da plataforma.
A campanha começou pouco antes do programa do PSDB ir ao ar, com publicações com notícias negativas sobre a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de outras lideranças tucanas, como o senador Aécio Neves (MG).
Na peça, Aécio decidiu radicalizar ainda mais o discurso contra o Partido dos Trabalhadores e o governo da presidente Dilma Rousseff: "O Brasil precisa saber definitivamente quem roubou, quem mandou roubar e quem, sabendo de tudo, se calou ou nada fez para impedir", dirá o tucano na TV.
FHC também critica a "roubalheira" na Petrobras e diz que a "raiz da crise" atual está na eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fonte: Brasil 247

RELATÓRIO CONFIRMA VERSÃO DE DILMA SOBRE PASADENA

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Documento elaborado pelo comitê de auditoria da Petrobras sobre a compra da refinaria de Pasadena em 2006 aponta que o ex-diretor Nestor Cerveró omitiu informações relevantes em apresentações à diretoria e ao conselho, que resultaram em "substanciais perdas financeiras para a Petrobras"; ata confirma versão da presidente Dilma Rousseff de que o conselho, que presidia na época, não foi informado sobre as cláusulas "Marlim" e "put option"

247 – Um relatório elaborado pelo comitê de auditoria da Petrobras sobre a compra da refinaria de Pasadena em 2006, confirma a versão da presidente Dilma Rousseff de que o conselho de administração da estatal, que presidia na época, não foi informado sobre as cláusulas "Marlim" e "put option".
O conselho autorizou a compra de 50% da refinaria por US$ 360 milhões. Posteriormente, a estatal foi obrigada a ficar com 100% da unidade, antes compartilhada com a empresa belga, Astra Oil. Acabou desembolsando US$ 1,18 bilhão - cerca R$ 2,76 bilhões.
Segundo o documento divulgado pelo Valor, anexo à ata de reunião do conselho o ex-diretor Nestor Cerveró omitiu informações relevantes em apresentações à diretoria e ao conselho, que resultaram em "substanciais perdas financeiras para a Petrobras" (leia mais).
Fonte: Brasil 247

terça-feira, 19 de maio de 2015

A BANCADA FEMININA NO CONGRESSO E O LEGADO DE PODER PARA AS MULHERES


Por Vanessa Grazziotin*
Mais do que um alerta e um apelo em favor da consciência cidadã, a campanha "Mais Mulheres na Política", lançada pela Bancada Feminina no Congresso Nacional em março, é uma responsabilidade histórica e uma justa reparação do Parlamento brasileiro à metade produtiva da população do nosso país.
Está neste momento nas mãos do Poder Legislativo, especialmente senadoras e deputadas, impulsionar as mulheres politicamente ao lugar que lhes cabe por direito. Para isso a campanha conta com o apoio dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados e está sendo levada a vários estados em busca do apoio da sociedade contra a indigna sub-representação, que segrega a ínfimos 10% a presença da mulher no Parlamento brasileiro.
Devemos lembrar que o primeiro esforço de atuação conjunta de deputadas foi ainda em 1988, quando o trabalho da bancada feminina na Assembleia Nacional Constituinte, com apenas 25 deputadas, 4,6% do total, e nenhuma senadora, conseguiu garantir direitos como a licença maternidade de 120 dias e a posse da terra ao homem e à mulher de forma igualitária.
Desde a década de 1990 as parlamentares definem projetos prioritários de promoção dos direitos das mulheres, apresentam emendas ao Orçamento da União e dialogam com entidades da sociedade civil e órgãos dos Poderes Executivo e Judiciário.
O resultado dessa jornada foi a conquista de leis como a do Planejamento Familiar (nº 9.263/1996); a que reserva 30% das candidaturas para as mulheres nas eleições (nº 9.504/1997); a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006).
Mas os êxitos foram alcançados de forma lenta e não correspondem ao verdadeiro potencial feminino se fosse garantida a circunstância da igualdade de gênero. De acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, apenas 178 mulheres foram eleitas das 1.627 candidatas nas eleições de 2014. Isso mostra que a lei das cotas não se mostra eficiente, uma vez que algumas siglas partidárias conseguem burlar a norma.
Dados da Organização das Nações Unidas mostram que entre 188 países o Brasil ocupa o 124º lugar na representação feminina nos parlamentos, em ordem decrescente de participação. Dentre as 20 nações latino-americanas, somente não estamos em pior situação que o Haiti. As mexicanas, por exemplo, ocupam 37% das vagas em seu parlamento e as argentinas 36%.
Por outro lado, como contraponto, a Bancada Feminina tem o mérito do apoio popular como encorajamento e incentivo à campanha. Pesquisa Ibope/Instituto Patrícia Galvão, com o apoio da ONU Mulheres, realizada em 2013 para levantar a opinião dos brasileiros sobre a presença das mulheres na política do país mostra que 74% apoiam a Reforma Política e 80% consideram que as mulheres, sendo hoje mais da metade da população, deveriam ter acesso a metade dos cargos no Legislativo. Para completar, 85% mostraram-se favoráveis à lista equânime de vagas e 78% entendem que a lei deve mudar.
As 13 senadoras e 51 deputadas atuarão de forma conjunta durante a discussão da Reforma Política pela aprovação de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) de números 23 e 24, subscritas por uma lista de senadores. A primeira é de minha autoria e destina 50% das vagas para cada gênero nos três níveis do Poder Legislativo. A segunda é de autoria da senadora Marta Suplicy (SP) e garante uma vaga para cada gênero quando da renovação de dois terços do Senado Federal.
Portanto, a Bancada Feminina no Congresso tem consciência de seu papel histórico ao propor um novo desenho na representação política em nosso país para garantir às próximas gerações esse legado de poder, no qual o rosto do Parlamento seja o rosto da sociedade, ou seja, meio homem, meio mulher.


Vanessa Grazziotin*VANESSA GRAZZIOTIN É SENADORA PELO PCDOB

Luciano Martins Costa: A virulência na rede digital

 "Ao contrário da crença de Manuel Castells, o Brasil é um país conflagrado politicamente. Mas não se pode culpar a internet ou as redes sociais pela virulência que nasce nas redações".O cruzamento de algumas leituras do fim de semana e de segunda-feira (18) destaca algumas vozes que refletem certa preocupação com os níveis de hostilidade presentes nas relações sociais digitais.

Por Luciano Martins Costa, no Blog do Nassif


Marcos Santos USP Imagens
 "Ao contrário da crença de Manuel Castells, o Brasil é um país conflagrado politicamente. Mas não se pode culpar a internet ou as redes sociais pela virulência que nasce nas redações".
Estado de S. Paulo, citando a organização de defesa de direitos humanos Safernet, informa que em 2014 foram registradas 189,2 mil denúncias de crimes e abusos na rede, segundo levantamento feito com a participação do Ministério Público e da Polícia Federal. Em entrevista àFolha de S. Paulo, o sociólogo Manuel Castells afirma que a internet está expressando um perfil naturalmente agressivo dos brasileiros.

Também pode-se colocar na mesma conta o episódio de que foi vítima o secretário municipal de Saúde de São Paulo e ex-ministro Alexandre Padilha, ocorrido na sexta-feira (15). Padilha almoçava com amigos de infância quando um cliente se levantou e, batendo com o garfo numa taça, pediu atenção aos presentes para avisar que ali estava o homem que havia criado o programa Mais Médicos cuja conta, segundo ele, cairia nas cabeças dos brasileiros. Padilha achou por bem não polemizar na ocasião, e depois usou as redes sociais para comentar o que chamou de “inaceitáveis instantes de intolerância”.

Pode-se encontrar algumas convergências e certa diversidade nas três citações da imprensa. A primeira, que se refere à preocupação de empresas e entidades civis com o aumento da agressividade nas redes sociais, aponta para um fenômeno mundial que tem sua versão brasileira associada a questões comuns como o preconceito de raça e de origem, o posicionamento político ou a preferência em termos futebolísticos. Especialistas citados na reportagem afirmam que tem havido uma redução da virulência, com outros sinais de amadurecimento do comportamento virtual.

Já Manuel Castells, que dos anos 2000 a 2006 esteve no topo das citações entre intelectuais que estudam a comunicação, com sua interpretação marxista da vida digital, faz uma projeção de teses que contrastam com a ideia equivocada do “brasileiro cordial”. A frase que a Folha escolheu para dar o título à sua entrevista reduz bastante o alcance de suas declarações: “A imagem mítica do brasileiro simpático existe só no samba”.

Mas a visão do sociólogo sobre o Brasil atual precisa ser discutida.

A fonte da intolerância


A rigor, o que Castells diz na entrevista é uma repetição de certa obviedade que vem afirmando em suas palestras: o fato de que as pessoas refletem na internet a educação que receberam ou desenvolveram. Se alguém é intolerante na vida social, tende a repetir esse comportamento quando acessa as redes digitais.

Ele acredita que a internet apenas amplifica os conflitos entre os brasileiros, que, na sua opinião, sempre foram agressivos: a internet funciona como um espelho, pondera. “A sociedade brasileira não é simpática – é uma sociedade que se mata”, afirmou, observando que a internet amplia os espaços para a expressão de sentimentos que já estão presentes na vida comum. Portanto, se nas relações virtuais “se articulam formas de violência, racismo, sexismo, é porque isso existe na sociedade”, acrescentou.

Mas Castells não acredita que a rivalidade política esteja mais intensa agora, no Brasil, do que foi antes. É nesse ponto que o sociólogo espanhol parece se distanciar da realidade brasileira: a observação diária autoriza a afirmar que o posicionamento partidário da mídia tradicional estimula radicalismos políticos no campo virtual, que se desdobram em outras formas de intolerância. O incidente que constrangeu o ex-ministro da Saúde é apenas uma das muitas manifestações diárias desse fenômeno, que mostra as classes médias urbanas expondo mais agressivamente seus preconceitos e sua visão de mundo reacionária.

Juntando-se aos dois textos o caso do ex-ministro, fica evidente que a sensação de liberdade do suposto anonimato – ou a possibilidade de uma ação incorpórea – nas redes digitais estimula a manifestação da intolerância que já existia nas camadas mais privilegiadas da sociedade brasileira. E, ao contrário do que diz Manuel Castells, essa rivalidade ideológica, estimulada e amplificada pela imprensa, oferece uma justificativa moral para o comportamento de pessoas como o cidadão que manifestou em voz alta, num restaurante, sua ignorância sobre o programa Mais Médicos.

Ao contrário da crença de Manuel Castells, o Brasil é um país conflagrado politicamente. Mas não se pode culpar a internet ou as redes sociais pela virulência que nasce nas redações.

Colunistas pitbulls e articulistas tendenciosos armam o palanque dos analfabetos políticos que esgrimem suas verdades por aí.
 


Fonte: Vermelho

Daniel Almeida: Projeto de reforma política da Câmara é pior que atual modelo

Deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) é membro da comissão especial que discute a reforma política
Deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) é membro da comissão especial
que discute a reforma política

Em entrevista ao Portal Vermelho, o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), membro da A Comissão Especial da Reforma Política, avalia que o parecer do relator Marcelo de Castro (PMDB-PI) não tem consenso entre os parlamentares e está longe de atender aos anseios da população de uma reforma democratizante. O projeto deve ser votado nesta terça (19) pela comissão.


“Do jeito que o projeto foi apresentado é melhor o modelo atual do que mudar para pior. Estamos discutindo a realização de um movimento de resistência para, se não for possível avançar no caminho positivo, impedir retrocesso”, afirmou o deputado baiano, explicando que para mudar a Constituição é necessário 3/5 dos votos dos parlamentares, o que representa 308 deputados. 


“Não é fácil mudar a Constituição se não tiver o mínimo de consenso. Isso não é muito simples de ser alcançado”, disse Daniel. Segundo o parlamentar, o PCdoB vai trabalhar para impedir o retrocesso e buscar alternativas.

“Vamos trabalhar para instituir alguns mecanismos infraconstitucionais na legislação ordinária para restringir gastos de campanha, doações, prazos de campanhas”, destacou.

O deputado afirma que a proposta que tramita na Câmara dos Deputados vai na contramão do que a sociedade espera de uma reforma política. “Para o PCdoB, a reforma política tem que fortalecer a democracia brasileira, ampliar a participação de segmentos que não têm espaço na vida política, diminuir as diferenças do patamar de disputa, e, portanto, diminuir a interferência do poder econômico criando condições da participação das minorias, dando possibilidade de paridade entre gêneros e mantendo o pluralismo político-partidário. Esse é o sentido geral que nós achamos que é correto para uma reforma política democratizante”, enfatizou o parlamentar.

Financiamento empresarial

Mas a proposta defendida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo ele, é literalmente contrária às reivindicações apresentadas pelos movimentos sociais, como a OAB, CNBB e centrais sindicais, que pedem o fim do financiamento empresarial de campanhas, por exemplo. Segundo Daniel, o texto institucionaliza o financiamento empresarial.

“É absolutamente intolerável. Não é possível que não percebamos que a principal distorção do modelo político hoje é o financiamento empresarial em que meia-dúzia de empresas financiam e interferem nas decisões políticas, produzindo esse ambiente de corrupção que verificamos hoje. É algo condenável e nossa luta é para trabalhar contra isso”, salientou.

Segundo o deputado, 80% das campanhas nas eleições de 2014 foram financiadas por empresas e não mais do que 20 empresas financiaram quase todos esses valores. “Óbvio que não são financiamentos. Na verdade essas empresas estão pensando em investir. Em buscar retorno. Empresa se organiza buscando negócio, caso contrário, não doaria para todos os candidatos. Portanto, é fundamental acabar com o financiamento empresarial, pois seria um grande passo a ser dado na mudança do modelo político prevalecente hoje”.

Assim como os movimentos sociais, a proposta do PCdoB é de que o financiamento de campanha seja público e com a participação da pessoa física, mas com limites. Ele explica: “A democracia tem um preço do ponto de vista econômico e tem consequências. Se não escolhemos bem e de forma adequada qual é o melhor modelo os nossos representantes vão atuar pensando mais nos interesses pessoais e de grupos, do que nos interesses da maioria. Portanto, a política deve ser patrocinada pela sociedade. As campanhas são muito caras e o financiamento empresarial deturpa o ambiente político e quem paga é o contribuinte”, disse.

Distritão

O deputado federal comunista também critica a proposta de mudança do sistema eleitoral que institui o voto majoritário, o chamado distritão. O próprio relator diz que não votará a favor do modelo, em que cada estado será considerado um distrito e os candidatos serão escolhidos por voto majoritário.

“Esse modelo produz uma concentração que só favorece aos grandes partidos. E somado ao financiamento empresarial, só quem é muito rico terá condições de concorrer e ser eleito”, disse Daniel, destacando que o texto ainda estabelece cláusula de barreira em que só os partidos que alcançarem acima de 2% de votos para deputados federal teriam acesso a tempo de televisão e fundo partidário. “Um desrespeito à liberdade e o pluralismo político”, completou.

A proposta também unifica o calendário eleitoral – escolha de vereador a Presidente da República numa mesma eleição - altera o mandato de quatro para cinco anos, sem reeleição e o mandato do senador sobe de 8 para 10 anos.

“A eleição é um momento de exercício da cidadania. É uma festa cívica da democracia. É a possibilidade de encontrar novos caminhos. Fazer a eleição de cinco em cinco, dar mandato a senador de 10 anos é retirar essa possibilidade do exercício do voto ser um instrumento de contestação e mudança de rumos”, destaca Daniel Almeida.
 

Do Portal Vermelho, Dayane Santos

Paralisação dia 29 terá participação dos trabalhadores em transportes

Lideranças realizaram reunião nesta segunda (18) em São Paulo
Fábio Mendes
Lideranças realizaram reunião nesta segunda (18) em São Paulo

O próximo dia 29 as centrais sindicais realizam paralisações, inclusive nos transportes, em todo o país contra o projeto de terceirização, em defesa da democracia e dos direitos trabalhistas. Nesta segunda (18), lideranças da CTB, CUT, CSB, CSP-Conlutas, Intersindical, Nova Central e UGT realizaram reunião e decidiram pela elaboração de uma pauta ampla que inclua os movimentos sociais na agenda de mobilizações.


O secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, afirmou: “Foi uma reunião de grande representatividade em que as centrais reafirmaram a importância da unidade de ação na defesa dos direitos trabalhistas”.


Wagner destacou que os atos no próximo dia 29 não terão uma atividade centralizada. “Em São Paulo, por exemplo, a proposta é que os metroviários façam uma paralisação de uma hora, assim como os motoristas de ônibus, mas as respectivas categorias ainda vão se reunir em assembleia para definir o modo como vão participar”, disse o sindicalista, ressaltando que haverá greves e atos em diversos locais de trabalho. A CTB fará um ato na ponte das Bandeiras. “Haverá mobilizações por toda a cidade, assim como nos demais estados”, completou Wagner.

Ainda está semana, os assessores jurídicos das entidades vão se reunir no Dieese para uma análise técnica do PLC 30, o projeto de lei sobre terceirização, que passou na Câmara (sob o número 4.330) e agora tramita no Senado. O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, que participou da reunião com as centrais, disse que o projeto requer uma "análise jurídica cuidadosa" para subsidiar as centrais durante as discussões no Senado.

“Vamos ter de ver esse texto final palavra por palavra, vírgula por vírgula”, disse Clemente aos representantes das centrais. Segundo ele, o projeto inclui alguns avanços na questão da regulamentação dos terceirizados, mas por outro amplia a possibilidade de terceirização, "que é uma coisa nefasta", afirmou o economista. "O texto não coloca limite, permite que qualquer área da empresa possa ser terceirizada", destacou Clemente.

Wagner destacou que, diferentemente da tramitação feita na Câmara, que classificou como um “trator” contra os trabalhadores, o projeto será debatido em cinco comissões no Senado. “As centrais sindicais vão participar dos debates e precisam estar preparadas, com argumentos bem fundamentados, para disputar o voto dos parlamentares mostrando que a terceirização é um desastre para os trabalhadores”, afirmou Wagner.

A próxima reunião das centrais está agendada para sexta-feira (22), na sede da CUT, com a presença de representantes de movimentos sociais.

Força Sindical decide não participar

Apesar da pressão de diversos sindicatos filiados e de ter participado das reuniões anteriores, a executiva nacional da Força Sindical decidiu na sexta-feira (15) não participar do ato do dia 29. “Eles não vão proibir os sindicatos de participar. Isso já é importante”, comentou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre.

Para o presidente da UGT, Ricardo Patah, o ideal seria a participação de todas as centrais. “Quando não é um trabalho conjunto, a tendência é não ter conquistas maiores”, salientou Patah, que acredita que a atual divergência é pontual. A Força é favorável ao projeto de terceirização, mas diz também ser contra a terceirização na atividade-fim.


Do Portal Vermelho, Dayane Santos, com informações da Rede Brasil Atual