quinta-feira, 14 de maio de 2015

Aluna do Ciência Sem Fronteiras critica matéria da Globo: Tudo mentira

Amanda desmente matéria da Globo em seu Facebook e afirma: "minha experiência não poderia ter sido melhor"

Reprodução

Amanda desmente matéria da Globo em seu Facebook e afirma:
minha experiência não poderia ter sido melhor"

A estudante de Medicina, Amanda Oliveira, foi entrevistada pela Rede Globo em reportagem sobre o programa Ciência Sem Fronteiras, mas alertou que as informações foram deturpadas: “A Globo, além de sensacionalista, ainda não é capaz de pesquisar as coisas direito antes de falar… A minha experiência com o ‘Ciência sem Fronteiras’ não poderia ter sido melhor”.


A estudante mostrou indignação ao ver a reportagem divulgada pela TV Globo, nesta semana, sobre o programa Ciência sem Fronteiras. Na matéria, ela foi apresentada como um dos alunos que decidiram voltar ao Brasil por problemas na liberação de verbas por parte do governo federal.

Em seu perfil no Facebook, a jovem – que passou nove meses nos Estados Unidos custeada pelo programa – fez questão de desmentir as informações, que julgou terem sido deturpadas pelo “sensacionalismo” da emissora.

“Gostaria de dizer que tudo o que foi dito a meu respeito naquela reportagem é MENTIRA! Primeiramente, eu NÃO voltei para o Brasil pela insegurança gerada pela falta do dinheiro. Até porque essa foi a ÚNICA parcela da bolsa que não caiu durante todo o meu intercâmbio. Eu voltei pelo simples motivo que minhas aulas na UFT começariam agora”, explicou.

Leia o relato de Amanda Oliveira na íntegra:

Na manhã de ontem passou na globo uma reportagem sobre o Ciência sem Fronteiras onde eu apareço. Gostaria de dizer que tudo o que foi dito a meu respeito naquela reportagem é mentira!

Primeiramente, eu não voltei para o Brasil pela insegurança gerada pela falta do dinheiro. Até porque essa foi a única parcela da bolsa que não caiu durante todo o meu intercâmbio. Eu voltei pelo simples motivo que minhas aulas na UFT começariam agora e eu julguei não valer a pena perder outro semestre (e isso foi dito inúmeras vezes na minha entrevista. Mas a Globo achou mais interessante omitir isso e inventar um motivo mais atraente).

Segundo, eu não abandonei o programa. A repórter da Globo fez o favor de enfatizar que voltar antes do prazo era quebra de contrato e que nesses casos todo o dinheiro deveria ser devolvido pela capes. Mas a Globo além de sensacionalista ainda não é capaz de pesquisar as coisas direito antes de falar. Eu não voltei antes do prazo. Eu tinha a opção de retornar em maio e a opção de retornar em agosto. Eu optei pela primeira.

Por favor, se você viu a reportagem ou tem algum parente que viu e comentou com você mostre esse post.

A minha experiência com o Ciência sem Fronteiras não poderia ter sido melhor. Teve esse pequeno problema no final, claro, mas nada que justifique o programa ser mal falado dessa maneira.
 
Fonte: Revista Fórum via Vermelho

Redução da maioridade amplia desigualdades sobre população negra

 Na data em que se celebra os 127 anos da abolição da escravatura no Brasil, dia 13 de maio, a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Nilma Lino, disse que a redução da maioridade penal ampliaria a desigualdade enfrentada pelos jovens negros na sociedade brasileira.


A redução da maioridade penal iria se somar a uma situação de desigualdade que já incide sobre a população negra, principalmente sobre os jovens negros, e, com isso, ao invés de construir e propagar mais justiça, na realidade vamos cometer injustiças sérias e não cuidar dos nossos jovens”, disse nesta quarta-feira (13) ao participar do programa
 Bom Dia, Ministro, produzido pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República.


Em 2013, os jovens negros foram 18,4% mais encarcerados e 30,5% mais vítimas de homicídios dos que os jovens brancos, segundo dados da 8ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo a ministra, há uma representação negativa dos jovens negros na sociedade e eles enfrentam situações de desigualdade de acesso a cultura e ao lazer. “Temos uma representação negativa que recai sobre homens e mulheres negras e, principalmente, os jovens negros, que muitas vezes são considerados como sujeitos suspeitos até mesmo pela ação policial e isso é fruto do racismo que ainda temos na nossa sociedade. Superar isso é uma ação importante para que avancemos”, disse.

Nilma Lino defendeu que a discussão sobre a redução da maioridade penal não deve ser analisada levando em conta questões econômicas e sociais. “Essa não é uma questão exclusiva de segurança pública, mas temos que lidar com questões de ordem sócio-econômica, educacionais, sociais. Penso que não é boa a redução da maioridade penal e ela iria somar e acirrar ainda mais as desigualdades no nosso país”, avaliou.

Caravana Pátria Educadora pela Igualdade Racial e Superação do Racismotambém foi tema do Bom Dia, Ministro. A iniciativa prevê uma série de debates e encontros com autoridades estaduais, municipais e representantes da sociedade civil para estabelecer parcerias para a promoção da igualdade racial. A caravana já passou pelo Pará e Maranhão. “Converso com governadores, prefeitos, movimentos sociais, núcleos de estudos afro-brasileiros e temos alguns avanços. No início do programa, tivemos adesões no Maranhão e no Pará.

Fonte: Agência Brasil  via Vermelho

OCIDENTE SE POSICIONA PARA FUTURO MILAGRE CUBANO

Enquanto o 'vai pra Cuba' se transformou num mote pejorativo da direita brasileira, países ocidentais se aproximam da ilha para tentar estreitar laços econômicos com o governo de Raúl Castro; visita de François Hollande, a primeira em 55 anos de um chefe de estado francês, é considerada histórica pela imprensa francesa; ontem, Raúl Castro agradeceu ao papa Francisco seu apoio na reaproximação com os Estados Unidos, de Barack Obama; perspectiva de abertura econômica demonstra acerto da estratégia brasileira incentivada pelo ex-presidente Lula de fazer investimentos em Cuba, como no porto de Mariel

247 - O Ocidente redescobriu Cuba. A visita do presidente da França, François Hollande, que chegou nesse domingo, 10, a Havana para uma visita oficial à ilha está sendo comemorada pela imprensa francesa com um dia histórico. Há 55 anos um chefe de estado francês não aparecia por lá. 
Hollande se reúne nesta segunda-feira, 11, com o presidente Raúl Castro. A viagem também tem caráter econômico. A França quer fomentar o comércio com Cuba, com quem teve no ano passado negócios no valor de US$ 200 milhões, número inferior ao de 2013 e longe dos fluxos que Cuba mantém com outros parceiros europeus como Espanha, Holanda e Itália.
O presidente encerrará um fórum no qual participarão diretores da extensa delegação empresarial que o acompanha, integrada por companhias como a de bebidas Pernod Ricard, a hoteleira Accor, a companhia aérea Air France, o grupo de distribuição Carrefour, o de telecomunicações Orange, e vários bancos.
A visita de um líder de um país europeu a Cuba acontece cinco meses depois da investida do presidente Barack Obama contra o fim do isolamento da ilha, quando anunciou o restabelecimento de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos. O país de Barack Obama também está de olho nas relações comerciais com o país.
O protagonista Francisco 
O Papa Francisco é um personagem importante nos avanços obtidos por Cuba com os Estados Unidos. A intervenção do Vaticano foi fundamental para a retomada histórica em dezembro das relações diplomáticas entre os ex-adversários depois de mais de meio século de antagonismo.
O presidente Raúl Castro esteve nesse domingo com Francisco e agradeceu ao papa pela sua atuação na reaproximação entre Havana e Washington. Ele disse ter ficado tão impressionado com o pontífice que poderia voltar à Igreja, apesar de ser comunista.
Francisco, que deve visitar Cuba e os Estados Unidos em setembro, é membro da ordem religiosa jesuíta. Castro brincou dizendo que "até mesmo eu sou um jesuíta, em certo sentido", já que ele foi educado por jesuítas antes da revolução. "Quando o papa for a Cuba em setembro, eu prometo ir a todas as suas missas e ficarei feliz em fazê-lo", disse.
Brasil apostou antes no fim do isolamento
A movimentação de potências econômicas do Ocidente em direção a Cuba, de olho no potencial comercial do país caribenho, demonstra a vanguarda do governo brasileiro em antever o fim do isolamento econômico. 
O exemplo mais sintomático é o Porto de Mariel, intensamente criticado pela direita brasileira. Inaugurado em 27 de janeiro de 2014 com participação da presidente Dilma Rousseff, o porto foi construído pela empreiteira Odebrecht, e recebeu financiamento de US$ 800 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além do Brasil, o empreendimento recebeu capital de chineses e outros países asiáticos. Situado a menos de 200 quilômetros da Flórida, Mariel é atualmente o porto mais próximo do território norte-americano. 
O empreendimento, alvo de mote pejorativo da direita brasileira, estimulou a ida de uma cadeia de indústrias brasileiras que devem aumentar as relações comerciais entre os dois países. Na última década, as exportações brasileiras para a ilha quadruplicaram a US$ 450 milhões, elevando o Brasil ao terceiro lugar na lista de parceiros da ilha, atrás apenas de Venezuela e China.
O Brasil também pretende aumentar as exportações de alimentos para Cuba, que importa mais de 80% dos alimentos que consome a um custo de de cerca de US$ 2 bilhões por ano.
O "milagre econômico de Cuba" já desperta claramente o interesse do mundo ocidental. Por ter visto e acreditado antes, o Brasil saiu na frente e deve colher seus frutos, apesar da torcida contrária da direita brasileira.
Fonte: Brasil 247

MATANDO DRAGÕES

Jandira  Feghali Por Jandira Feghali*  
A ofensa física que sofri se somou a verbal que, apesar de a mim dirigidas, se transformaram em agressão a todas as mulheres que, fora e dentro do Congresso, matam vários dragões por dia para mostrar seu valor e disputar seu merecido lugar   













Ao ritmo em que cresce a intolerância de todo tipo em nossa sociedade, em fato recente, na Câmara dos Deputados, constatamos que, apesar de ruidosa e ofensiva, ela não é maior que a solidariedade.
À ofensa física que sofri se somou a verbal, com palavras que, apesar de a mim dirigidas, se transformaram em agressão a todas as mulheres que, fora e dentro do Congresso Nacional, matam vários dragões por dia para mostrar seu valor e disputar seu merecido lugar em suas casas, no trabalho, nos espaços de poder.
Desde então, tenho recebido de todos os cantos manifestações de apoio, palavras de afeto e de reconhecimento da minha luta. Uma luta que não é individual, não tem dono, mas destinatários.
Uma avalanche de revolta e indignação me envolveu. Mensagens de apoio, moções de repúdio, comentários nas redes sociais não paravam de chegar. Segundos de um episódio lamentável se converteram numa teia interminável e resistente pela qual sou imensamente grata.
Saímos todos fortalecidos e dispostos a matar quantos mais dragões se puserem no caminho da luta democrática. Eles todos têm nomes: preconceito, intolerância, machismo e fascismo. Se alimentam do sentimento de que os homens podem tudo, enquanto as mulheres devem se contentar com a submissão.
Soltam fogo pelas ventas quando imaginam uma sociedade igualitária, com espaço e oportunidades para todos. Não se conformam com nossa ousadia, com nossa perseverança e obstinação. Pois são essas nossas armas. As características que nos forjaram e nos permitem concretizar nossos sonhos e, dia a dia, abrir caminhos para que, enfim, nos libertemos das amarras que ainda nos são impostas pelo simples fato de sermos mulheres.
Fonte: Brasil 247








JANDIRA FEGHALI

quarta-feira, 13 de maio de 2015

PCdoB cobra Prefeitura por tragédias em Salvador

PCdoB divulga nota em que cobra agilidade da Prefeitura de Salvador

No último domingo (9), deslizamentos de terra voltaram a ocorrer em Salvador, capital da Bahia, em consequências das chuvas verificadas na região. A ocorrência deixou um saldo de mais quatro pessoas mortas na cidade. Na primeira ocasião, no fim de abril, 14 pessoas perderam a vida.Salvador enfrenta deslizamentos de terras devido a fortes chuvas esperadas para o período e por não ter da Prefeitura um planejamento para conter possíveis agravamentos. 


A chuva também espalhou prejuízos por outras regiões da capital. Em 30 dias, entre 9 de abril e o último domingo (9), a Defesa Civil de Salvador (Codesal) registrou número recorde de ocorrências, foram 4.705 chamados.

Diante da paralisia do Prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), a direção do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) da cidade divulgou nota de pesar às famílias das vítimas de “uma tragédia anunciada”, além de cobrar do poder municipal medidas urgentes para atender e proteger a população mais vulnerável.

Nota do PCdoB sobre as tragédias em Salvador 
Em reunião realizada na noite de segunda-feira (11), a Comissão Política Municipal analisou a grave situação que vive a cidade em decorrência das chuvas. Mais quatro moradores perderam as vidas, vítimas de deslizamentos de terra.

Os comunistas manifestam, novamente, sua solidariedade aos familiares dos soteropolitanos mortos em mais uma tragédia anunciada. O PCdoB entende que o atual prefeito tem uma visão elitista de administração, colocando em segundo plano a grande maioria dos habitantes, que mora nos bairros mais populares e pobres, e privilegiando os que menos necessitam. Em que pese as promessas na campanha eleitoral e nos discursos que se repetem em cada período de chuvas, a prefeitura não tomou as medidas necessárias para evitar as tragédias, exatamente por não ter compromissos reais com a população mais sofrida e desamparada.

Para a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), é hora de o prefeito apresentar um consistente planejamento de contenção e começar a liderar as ações de reparação imediatamente. “O período de chuvas recomeçou. O prefeito está no último ano de gestão, e nada foi feito. Esperamos que ele seja ágil. Não podemos ficar mais adiando essas soluções".De acordo com Everaldo Augusto, líder do PCdoB na Câmara, os vereadores já apresentaram inúmeras emendas ao orçamento municipal, sugerindo investimentos nas contenções de encostas, drenagem e macro drenagem. Mas, infelizmente, todas foram desconsideradas pelo Executivo. “As graves consequências da chuva são retrato do abandono. Até hoje a cidade sucumbe em meia hora de chuva forte, com danos irreparáveis que são perdas da vida humana”.

A direção municipal do PCdoB reitera a cobrança ao prefeito de um Plano Diretor de contenção de encostas, drenagem e macro-drenagem para a cidade, como forma de enfrentar o grave problema de maneira planejada e assim assegurar que os filhos da cidade não sejam vítimas de tragédias que poderiam ser evitadas.

Salvador, 11 de Maio de 2015.
 
Do Portal Vermelho

Voto distrital ameaça a democracia e consagra poder econômico

Proposta do senador José Serra (PSDB-SP), alegremente encampada pela mídia empresarial, o voto distrital foi aprovado no final de abril na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e está sendo anunciado que em breve o projeto será discutido na Câmara de Deputados. Pela proposta do senador tucano, o voto distrital seria implementado inicialmente nas eleições municipais em cidades com mais de 200 mil habitantes, como laboratório para a sua futura aplicação integral.

Entre o conservadorismo, o voto distrital é praticamente uma unanimidade e não são poucas as vozes que, aproveitando a discussão da reforma política, defendem a adoção imediata deste modelo.

Os defensores do voto distrital dizem que ele diminuirá os custos de campanha, ao mesmo tempo em que aproximará o candidato do eleitor. A realidade, no entanto, é bem diferente, assim como os objetivos ocultos que movem a proposta.

Caso o Brasil adotasse o voto distrital para a eleição de deputados federais, cálculos preliminares indicam que teríamos 265 mil eleitores em cada um dos 513 distritos em que o país seria dividido, com a eleição de apenas um candidato por distrito.

Áreas geográficas delimitadas e um “público alvo” concentrado é a receita perfeita para que, em cada distrito, o poder econômico (banqueiros e grandes empresários) concentre seus recursos em um único candidato, que contará com uma vantagem avassaladora sobre os demais. É a consagração e a consolidação do poder empresarial nas campanhas eleitorais.

Cada eleição de um deputado federal (ou estadual, ou vereador) seria, portanto, uma eleição majoritária, onde todos os votos dados a qualquer candidato que não o vencedor da eleição no distrito, seriam simplesmente jogados fora. 

Na prática, o voto distrital acaba com a representação das minorias. Digamos que em um distrito, em uma eleição polarizada (como é a tendência neste modelo), um candidato tenha 100 mil votos, outro 90 mil e um terceiro 75 mil. A maioria (165 mil) que não votou no candidato vencedor, teria os votos ignorados, enquanto que no sistema proporcional a minoria tem representação pela soma dos votos dos candidatos de uma legenda.

Com isso e com o consequente fortalecimento da influência do poder econômico, as distorções são gritantes.

Um exemplo concreto temos na recente eleição no Reino Unido, país que é um dos poucos a adotar o voto distrital. O Partido Conservador, que está no poder e continuou, conquistou apenas 36,9% dos votos, mas graças ao sistema distrital obteve 51% das cadeiras no parlamento. Já o Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip, na sigla em inglês), obteve 12,6% dos votos, mas teve direito a apenas 0,15% das cadeiras no parlamento (1 parlamentar).

O voto distrital enfraquece qualquer debate de ideias ou programas, pois a eleição assume um caráter totalmente personalista, colocando em um grau ainda mais elevado o caciquismo local, mal que contamina a política brasileira e que, com o voto distrital, encontrará o ambiente perfeito. Os partidos serão ainda mais debilitados e o cacique do distrito só deverá satisfação ao financiador de sua campanha pois os votos serão “seus”. Imaginar que, em um distrito de quase 300 mil eleitores, o candidato ficará mais próximo do eleitor, é uma grande ilusão, ficará mais próximo, isso sim, dos magnatas que financiarem sua campanha.

Além de sufocar as minorias, o voto distrital acaba também com o voto de opinião. Um professor que queira se candidatar para defender o aumento no investimento em educação será um candidato inviável, pois como o candidato concorre em uma área geográfica específica (distrito), seu discurso terá que ser, necessariamente, generalista, em torno dos temas daquela área, esteja ou não comprometido com eles. Assim, o papel dos chamados “marqueteiros” terá ainda maior influência.

Outro aspecto deletério é que o caráter de federação do Brasil sairá seriamente comprometido. Estados menores serão sub-representados, enquanto os maiores verão suas bancadas aumentarem. São Paulo, por exemplo, vai praticamente dobrar sua representação. Tal efeito significará um grave desequilíbrio em relação à defesa de interesses unitários entre os estados que compõem a República Federativa do Brasil.

A proposta é tão atrasada que tem provocado reações contrárias por todo o Brasil. Para contornar esta rejeição os defensores do voto distrital apresentam a fórmula do distrital misto. Por este modelo, metade das vagas seria preenchida por voto proporcional e a outra metade por voto distrital.

Além de confusa, tal alternativa não modifica o caráter antidemocrático da iniciativa, alterando-se apenas o percentual do prejuízo. Se o modelo distrital puro representa 100% de retrocesso, o modelo distrital misto representa 50%, e o que devemos exigir é 0% de retrocesso.

Resumindo, o voto distrital, seja puro ou misto, fortalece o papel do poder econômico e do caciquismo, enquanto enfraquece os partidos, o caráter federativo da nação e excluí as minorias. Portanto, só tem a ganhar com este sistema a direita, que desde sempre acha que aperfeiçoar a democracia é restringir a democracia. Os democratas devem se unir para barrar esta ameaça. 

Durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (1987-88), pronunciando-se em nome do Partido Comunista do Brasil em audiência pública, o saudoso camarada João Amazonas dizia: “O voto distrital é uma limitação imensa aos aspectos democráticos da vida do povo, o voto distrital, em última instância, seria a institucionalização dos currais eleitorais. (...) O poder econômico pode atuar fortemente em cada distrito, já que ele não necessita enfrentar o todo e atuar em todas as áreas onde se realizam as eleições; ele particulariza a sua influência no único distrito. Na realidade, a representação expressiva da sociedade no Congresso não se deve fazer a partir de distritos eleitorais. Nós precisamos trabalhar com visão ampla de país, os problemas são nacionais, a visão de que se necessita deve ter essa dimensão”. 

Nada mais atual.


Fonte: Vermelho

Senado realiza audiência pública sobre terceirização

Debate será na quinta 14; por conta disso, presidente da Casa resolveu adiar sessão temática sobre o mesmo assunto para a terça 19

São Paulo – Logo após o PL 4330, da terceirização, ser aprovado às pressas pela Câmara, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) prometeu uma tramitação mais lenta naquela casa legislativa, com diversos debates sobre o tema. O primeiro será na quinta 14: uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), a partir das 9h, no auditório Petrônio Portella. Por conta dessa audiência, Calheiros resolveu adiar a sessão temática sobre o PLC 30/2015 (nome com que o PL 4330 tramita no Senado), que também seria no dia 14, para 19 de maio.

> Senado adia sessão sobre terceirização para dia 19
> Veja como PL da Terceirização prejudica os trabalhadores

Da audiência pública, cujo tema é Terceirização: A revogação da lei Áurea e trabalho escravo, foram convidados o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias; o procurador-geral do Trabalho, Luis Antonio Camargo de Melo; o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Paulo Luiz Schmidt; o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis), Nilton Paixão; e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas de Moraes.

Também deverão participar representantes da Universidade de Brasília, da Ordem dos Advogados do Brasil, do Fórum Permanente em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização, do Fórum Sindical dos Trabalhadores e do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho.

Acompanhe – A audiência poderá ser acompanhada pelo site do Senado (clique aqui), do Portal e-Cidadania (clique aqui).

Tramitação – No Senado, o projeto de lei que permite a terceirização em todos os setores de uma empresa, inclusive na sua atividade principal, aguarda designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O texto também foi encaminhado para exame da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

> Comece já a pressionar os senadores sobre o tema

Dia de luta – O PL da terceirização é apontado por juízes, procuradores do Trabalho, acadêmicos e pelo movimento sindical como a maior ameaça dos últimos tempos à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “O projeto não vai beneficiar a vida dos hoje 12,7 milhões de trabalhadores terceirizados no país, mas pretende ampliar a precarização para todo o mercado de trabalho”, critica o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas.

A CUT mantém intensa mobilização contra o projeto e realiza em 29 de junho Dia Nacional de Paralisação contra a terceirização e a retirada de direitos dos trabalhadores, prevista nas medidas provisórias 664 e 665.

Leia mais
> Câmara tem duas MPs do ajuste fiscal para votar


Redação, com informações da Agência Senado –

Fonte: Seeb-SP