segunda-feira, 11 de maio de 2015

"Jandira engrandece a luta das mulheres na política", afirma Dilma

 A presidenta Dilma Rousseff usou as redes sociais para manifestar seu apoio e solidariedade a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que foi alvo de agressões dos também deputados federais Alberto Fraga (DEM-DF) e Roberto Freire (PPS-SP), durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados.


"A política fica menor – com p minúsculo – quando é praticada com base no sexismo e no machismo. Minha solidariedade à deputada Jandira Feghali, ameaçada no plenário da Câmara, na noite de quarta-feira, por expor suas ideias. Jandira Feghali, você só engrandece a luta das mulheres na política brasileira. Avante, com força e fé. #JandiraMeRepresenta", publicou a presidenta Dilma nesta quinta-feira (7).




Na quarta (6), Alberto Fraga disse à Jandira Feghali que “a mulher que participa da política como homem e fala como homem, também tem que apanhar como homem”.


Fonte: Brasil 247 via Vermelho

Urariano Mota: A Mulher que não se cala diante de patadas verbais

Com indignação e repúdio ao conservadorismo que tomou conta do Congresso Nacional, nesta sexta-feira (8), Urariano Mota, colunista da Rádio Vermelho, externou sua opinião sobre a agressão sofrida pela deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), nesta quarta-feira (6). E salientou: "Uma deputada dessas não se cala com patadas verbais ou segurando o seu braço. A civilização brasileira está junto a você, nobre deputada".

Da Rádio Vermelho

"Ela foi agredida física e moralmente. Na primeira delas, numa agressão que foi ao mesmo tempo moral, o deputado Roberto Freire agarrou com força o braço da corajosa deputada e o empurrou para trás do corpo de Jandira. Na segunda, um coronel da polícia reformado, com fama de matador, falou no microfone, em aparte de apoio a Roberto Freire, gritando que mulher tinha mesmo que apanhar como homem", narrou o Urariano.

Com ironia que questinou o silência da mídia burguesa e disparou: "Até agora, os jornais, a imprensa não deu o merecido destaque, como se fosse de pouca ou nenhuma importância, à agressão sofrida pela deputada Jandira Feghali, na quarta-feira 6 de maio. Ela foi agredida física e moralmente. Na primeira delas, numa agressão que foi ao mesmo tempo moral, o deputado Roberto Freire agarrou com força o braço da corajosa deputada e o empurrou para trás do corpo de Jandira. Na segunda, um coronel da polícia reformado, com fama de matador, falou no microfone, em aparte de apoio a Roberto Freire, gritando que mulher tinha mesmo que apanhar como homem".

Para o jornalista pernambucano, "fosse outra imprensa, essa dupla agressão a Jandira, em fração de minutos, daria o maior escândalo".


A agressão de Roberto Freire:




A agressão verbal do Dem Alberto Fraga:




Ouça íntegra da coluna na Rádio Vermelho

'Confissão' de Lula a Mujica é mais um crime da imprensa

 
Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O jornal O Globo cometeu na sexta-feira (8) mais um crime de imprensa contra o ex-presidente Lula, que foi alvo, no fim de semana, de uma reportagem de capa comprovadamente mentirosa da revista Época, do mesmo grupo. De acordo com matéria do jornal, intitulada "Mujica, em livro, relata confissão de Lula sobre mensalão", o ex-presidente brasileiro teria dito ao ex-presidente uruguaio, sobre o escândalo, que "essa era a única forma de governar o Brasil".


A associação ao caso do 'mensalão', no entanto, foi negada pelo jornalista Andrés Danza, um dos autores do livro-reportagem "Uma ovelha negra no poder", que relata os cinco anos de governo de Pepe Mujica. Segundo ele, Lula não se referia a esse caso específico quando declarou a Mujica já ter lidado com "muitas coisas morais" e "chantagens" e que "essa era a única forma de governar o Brasil".


"Não, Lula estava falando sobre as 'coisas imorais' e não sobre o mensalão. O que Lula transmitiu ao Mujica foi que é dificil governar o Brasil sem conviver com chantagens e 'coisas imorais'", escreveu Danza, por e-mail, em resposta ao portal G1, do mesmo grupo do jornal. De acordo com a reportagem, o Instituto Lula informou que não iria se manifestar sobre o livro. No livro, que será lançado no Brasil "em poucos dias", de acordo com Danza, Mujica elogia Lula, dizendo que ele não era corrupto.

Fonte: Brasil 247 via Vermelho

Em 9 de maio, os 70 anos da gloriosa vitória de um ideal

Corria a madrugada do dia 9 de maio pelo horário de Moscou, ainda dia 08 de maio em Berlim e na maior parte da Europa. 

A capital da Alemanha estava em destroços. No prédio da administração militar soviética em Berlim, encontravam-se reunidos representantes franceses, americanos e o Marechal do Exército Vermelho Gueorgui Konstantinovitch Jukov. 

Diante deles, o Marechal-de-Campo Wilhelm Keitel, o Almirante Hans-Georg von Friedeburg e o General Hans-Jürgen Stumpff, representando o alto comando alemão (OKW), assinaram o instrumento definitivo da rendição nazista que assinalou o desfecho da 2ª Grande Guerra Mundial na Europa.

A derrota alemã significou na prática o fim do conflito, pois embora a capitulação japonesa só tenha acontecido quase quatro meses depois (2 de setembro) a guerra já estava vencida pelos aliados.

O 9 de maio representa a derrocada da ideologia mais reacionária, terrorista e criminosa que o capitalismo produziu, o nazi-fascismo, e o triunfo de todos os democratas que resistiram em nome da salvação da Humanidade.

Marca também uma retumbante vitória dos povos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e do movimento comunista internacional, indubitavelmente os principais protagonistas da luta antifascista.

A simbologia transcendental do 9 de Maio é alvo de intensa disputa ideológica com a máquina de propaganda burguesa, que tenta desvirtuar a verdadeira história, não só da guerra, como do próprio fascismo.

O nazi-fascismo surge no final da primeira década do século 20, como contraponto ao movimento comunista que empolgava trabalhadores de todo o mundo, entusiasmados com a existência da primeira pátria proletária, a URSS.

Em 1922 Benedito Mussolini, com apoio do exército e do governo, alcança o poder na Itália. Em 1933 Hitler é nomeado chanceler na Alemanha.

Os dois eram fanaticamente anticomunistas. Dizia Mussolini: “Somente um país inferior, ordinário, insignificante, pode ser democrático. Um povo forte e heroico tende para a aristocracia”. No livro onde expõe sua visão de mundo, “Minha Luta” (Mein Kampf), Hitler em nenhum momento usa de meias palavras para descrever seus principais inimigos, o marxismo e o judaísmo, que para a sua mente doentia estavam conjurados. “A essência e o objetivo do bolchevismo é a eliminação das camadas da humanidade que até aqui garantiram a liderança, e a sua substituição pela judiaria mundial”, escrevia. 

A burguesia via com simpatia a ascensão nazifascista, com a esperança de que este movimento servisse de contenção à gesta revolucionária.

Norman Montagu, presidente do Banco da Inglaterra (o banco central inglês), declarou, durante uma conferência em Nova Iorque em 1934: “Hitler e Schacht (presidente do Reichsbank e ministro da Economia de Hitler) são na Alemanha bastiões da civilização. São os únicos amigos que temos naquele país. Defendem o nosso tipo de ordem social contra o comunismo. Se eles fracassarem, os comunistas chegarão ao poder na Alemanha e, nesse caso, tudo será possível na Europa”.

Outro inglês, Winston Churchill, que mais tarde viria a integrar a frente antifascista, visitou Mussolini em 1927 e era pródigo em elogios ao Duce: “Se fosse italiano, estou seguro de que estaria de todo o coração ao vosso lado, desde o início até ao fim, na vossa luta triunfante contra os apetites e paixões animalescas do Leninismo”.

Já no campo do movimento comunista, o 7º Congresso da Internacional Comunista, em 1935, quatro anos antes de a Alemanha invadir a Polônia, afirmava que o “fascismo era a guerra” e que a luta pela paz estava diretamente ligada à derrota do fascismo, propondo a formação de uma frente única contra a ameaça nazi. Georgi Dimitrov, no encerramento do Congresso, pronuncia vigoroso discurso onde caracteriza o fascismo como a face terrorista do capital financeiro contra a classe operária, quando o setor mais reacionário da burguesia rompe com a democracia burguesa e o parlamentarismo e instaura o poder por meio do terror.

Na arena internacional, Stálin tentou incansavelmente estabelecer alianças militares contra o nazismo, especialmente com a Inglaterra e a França, sempre recusadas, pois havia o desejo secreto de que Hitler derrotasse os comunistas soviéticos.

A inação da Inglaterra e da França diante dos progressos dos fascistas revela bem as verdadeiras esperanças destes países.

Em 1931 o Japão imperial, que mais tarde faria parte do eixo, ocupa a Manchúria chinesa.

Em 1935 a Itália ocupa a Etiópia, único país da África que se manteve independente durante o período colonial.

A Etiópia recorre então à Liga das Nações, antecessora da ONU. A URSS e outros pequenos Estados são os únicos que a apoiam. EUA, Inglaterra e França abandonam o país africano.

A guerra civil espanhola (1936/1939) serviu de laboratório para a Luftwaff alemã, que ajudava o fascista Francisco Franco a derrubar um governo legitimamente eleito.

A Liga das Nações não só não interveio, como o governo francês dificultava de todas as formas o envio de armas da URSS para a República Espanhola, enquanto deixava os aviões de Goering cruzarem seu espaço aéreo para atacar os republicanos.

Em 1937 o Japão, aliado desde 1936 à Alemanha nazista e à Itália fascista no “Pacto Anti-Comintern” volta a invadir territórios chineses.

Em 1938 Hitler anexa a Áustria.

Em seguida reivindica a Tchecoslováquia, com a qual a França tinha um acordo de defesa mútua. Os governos francês e britânico, entretanto, mais uma vez traem um aliado. Em um vergonhoso encontro onde a maior interessada (a Tchecoslováquia) não foi convidada – Conferência de Munique – aceitam retalhar o país em favor de Hitler.

Neste cenário a URSS encontrava-se isolada. Sabia perfeitamente que os estrategistas da França, Inglaterra e EUA sonhavam com uma invasão da Alemanha no Leste Europeu em busca do que ele, Hitler, considerava o “espaço vital da raça ariana”.

Hitler, porém, tinha outros planos. Seu alvo agora era a Polônia, a mesma Polônia dirigida por uma aristocracia ultrarreacionária, que não só apoiou a partilha da Tchecoslováquia, como também a invadiu aproveitando o embalo Alemão. O ditador polaco Pilsudski era simpatizante do nazismo e abertamente antissoviético. 

Hitler sabia que a invasão da Polônia seria inaceitável para a França e para a Inglaterra e, diante disto, visando preservar-se ainda de uma guerra em duas frentes, propôs um pacto de não agressão com a URSS, que representou a única saída para os soviéticos, que necessitavam desesperadamente de tempo visando a se preparar para o que consideravam inevitável: a guerra com a Alemanha.

Um político burguês, o gaullista De La Gorce, comenta assim o pacto Molotov-Ribbentrop: “Não há qualquer dúvida de que os acordos de Munique convenceram (os soviéticos) de que a França e a Grã-Bretanha, perante o risco de uma guerra geral, preferiam um compromisso com Hitler e excluíam, em qualquer caso, a opção de lhe resistir com a ajuda da União Soviética. Não há qualquer dúvida de que eles foram sensíveis a todos os indícios que sugeriam que elas deixariam a Hitler as mãos livres no Leste e que a União Soviética deveria então enfrentar, sozinha, as ações alemãs, com o risco de ver Londres e Paris intervirem mais tarde, quando a Alemanha e a Rússia se tivessem mutuamente destruído.(...) Não é correto, como fizeram mais tarde os países ocidentais, invocar qualquer semelhança entre a URSS e a Alemanha para ver nisso o verdadeiro fundamento do pacto germano-soviético. A hostilidade feroz para com o comunismo e a vontade de destruí-lo sob todas as suas formas estavam na própria raiz dos movimentos fascistas. (...) Foi o partido comunista alemão que (Hitler) proibiu e esmagou em primeiro lugar”.

Em 1º de setembro de 1939 Hitler invade a Polônia. Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha. A URSS, no dia 17 de setembro, visando estender sua fronteira com a Alemanha a uma distância maior também invade o território polonês, recuperando antigos territórios que haviam sido seus, chegando até à linha de armistício proposta na guerra polonesa-soviética em 1920 pelo então Ministro do Exterior Inglês, Lord Curzon, linha que até hoje demarca a fronteira da Polônia.

Mesmo com a guerra declarada, as hostilidades, durante sete meses, simplesmente não existiam, criando o que os historiadores chamam de “falsa guerra”.

Em abril de 1940 Hitler invade a Dinamarca e a Noruega. Em maio é a vez de Bélgica, Holanda, Luxemburgo e França. Só então começam a acontecer, por parte de tropas anglo-francesas, operações militares de vulto contra a Alemanha.

Em junho de 1941 Hitler inicia o que seria, para o nazi-fascismo, a realização de um sonho, a destruição da pátria fundada por Lênin, o país do socialismo. Era o princípio da maior ofensiva militar da história.

Para invadir a URSS Hitler deslocou nada menos do que 178 divisões para a frente Leste. Para se ter uma ideia, os britânicos lutavam contra quatro no Norte da África.

Em outubro, os nazistas já haviam cercado Leningrado e estavam às portas de Moscou.

Nos anos de 1941/1942, as tropas alemãs penetraram em território soviético entre 850 e 1200 km, ocupando uma superfície de quase 2 milhões de km2 onde vivia cerca de 42% da população e que abrigava um terço da produção industrial.

No entanto, acostumado às vitórias relâmpagos (blitzkrieg), o exército alemão desta vez se deparava inesperadamente com outro tipo de resistência.

Como aceitar que a maior máquina de guerra até então conhecida, que facilmente derrotara a França, de tantas tradições guerreiras, fosse encontrar dificuldades para derrotar um país novo, que enfrentara desde seu surgimento invasões e bloqueios comerciais visando fazer ruir a experiência socialista?

A explicação que desagrada os historiadores burgueses, mas da qual eles simplesmente não conseguem fugir, é que os alemães se deparavam com um povo firmemente decidido a preservar sua pátria socialista.

O jornalista estadunidense William Lawrence Shirer, autor do livro “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, era anticomunista. Mesmo assim registrou que os generais alemães da frente russa escreviam relatórios espantados onde diziam nunca ter enfrentado este tipo de resistência.

Um soldado alemão, William Hoffman, combatente em Stalingrando, escreveu em seu diário em 23 de junho de 1941: “Temos uma ótima notícia: nossas tropas chegaram ao Volga e tomaram parte da cidade. Os russos têm apenas duas opções: recuar ao longo do rio Volga ou se render. Na verdade, verificamos algo incompreensível. Enquanto nossas tropas do Norte tomaram a cidade e chegaram ao Volga, as divisões russas no Sul continuam resistindo duramente. Eles são fanáticos...”

A fibra do povo soviético contou com a liderança firme e abnegada do Partido Comunista. Os comunistas eram os primeiros na linha de frente e o partido perdeu boa parte dos seus melhores quadros.

Stálin destacou-se nesta época dramática pela firmeza e clarividência. As constantes calúnias da propaganda burguesa nunca apagarão este fato.

No dia 7 de novembro de 1941, quando as tropas nazistas estavam a poucos quilômetros de Moscou, alguns comunistas insistiram para que as comemorações da revolução de 25 de outubro (pelo calendário juliano, 7 de novembro pelo calendário gregoriano que usamos) fossem suspensas. Stálin defendeu o contrário. Era importante manter o moral elevado e a comemoração era um sinal de confiança na vitória. Mesmo em uma situação dramática, Stálin faz um discurso sem arroubos de retórica, calmo, argumentando com lógica e plena convicção de que estava no caminho certo, embora nos círculos nazistas e ao redor do mundo a derrota soviética fosse em geral tida como certa. Muitos veteranos soviéticos atribuem a este discurso importância capital. 

A liderança soviética, durante a retirada, coordenou uma épica desmontagem e transferência para regiões do Leste (Urais, Sibéria, Ásia Central) de nada menos do que 1.523 empresas, entre elas 1.360 grandes fábricas, a maioria de material de guerra. Resultado, em 1942 a URSS já conseguia produzir mais do que a Alemanha em praticamente todas as categorias de armamento. Neste mesmo ano aconteceram as primeiras contraofensivas.

No dia 16 de janeiro de 1943 os sete exércitos que cercavam Stalingrado (três exércitos alemães, dois romenos, um húngaro e um italiano) capitulam totalmente. É a virada da guerra e o início de uma gigantesca ofensiva que só iria parar em Berlim.

O desembarque da Normandia, apresentado pelo esforço de propaganda burguês como crucial para o rumo da guerra, só acontece em junho de 1944, ou seja, após todas as grandes batalhas que decidiram, na Frente Leste, o curso do conflito.

A URSS viu perecer na 2ª Guerra quase 15% de sua população, cerca de 27 milhões de pessoas. Apenas na batalha de Stalingrado o Exército Vermelho perdeu 1 milhão e 100 mil soldados. O exército dos EUA, em toda a guerra, perdeu 300 mil.

Na França, Grécia, Itália e em todos os países ocupados pelos fascistas foram os comunistas a vanguarda das resistências.

A vitória sobre o nazi-fascismo foi a vitória dos aliados, mas sobretudo venceu o movimento comunista, portador de uma ideologia capaz de mobilizar tal força moral que, contra toda a adversidade, enfrentou e derrotou a barbárie e a infâmia, sob a liderança da URSS, que nunca será ovildada na lembrança dos povos, como diz Jorge Amado no “Canto à URSS”.

“Ontem nos defendentes a todos, nos salvaste a todos sem exceção, mesmo aos que hoje se voltam contra ti, pequenos assassinos. / Quando a noite nos cobriu de ignomínia, de medo e de rancor, de prantos e de luto, tu trouxeste a luz do dia livre, amassada pelo sangue dos teus filhos, redimida pela luta que travaste, pela guerra que venceste. / Ontem nos salvaste a todos, sem exceção. Se vivos somos, é a ti que devemos; se comemos, esta comida nos foi dada pelas vidas que deste em sacrifício; se bebemos, essa água é água tua de uma fonte que abriste com fuzis. / Foram teus filhos, teus soldados, que nos deram esse dia de hoje que vivemos, e que nos dão a certeza de vivermos esse dia de amanhã com que sonhamos. / Ontem nos salvaste a todos, sem exceção, União Soviética, mãe, irmã, amada minha”.


Fonte: Vermelho

Lucro dos bancos alimentado pela terceirização

Bancos aumentam seus ganhos enquanto reduzem postos de trabalho e ampliam o número de prestadores de serviços

São Paulo - O anúncio do lucro trimestral de três dos maiores bancos no Brasil reforça um padrão: ganhar com demissões. Itaú, Bradesco e Santander viram seus resultados crescerem vertiginosamente em dois anos, entre o primeiro trimestre de 2013 e o mesmo período de 2015: de R$ 7,9 bi para R$ 11,7 bi, aumento de 46,9%. No mesmo período, o número de empregados nas três instituições foi reduzido em mais de 15 mil.

Esse padrão vem se repetindo ao longo dos últimos anos e poderia levar a crer que os bancos demitem por falta de demanda de serviços. Não é verdade. O número de contas correntes só cresce e faz com que a sobrecarga de trabalho seja uma marca registrada do setor financeiro.

Como componente importante do lucro, também sobe todo ano o que os maiores bancos brasileiros (BB, Caixa, Itaú, Bradesco, Santander, Safra e HSBC) arrecadam com tarifas: saltou de R$ 97,1 bi em 2013 para R$ 107,5 bi em 2014, variação de 10,8%. Isso comprova que essas empresas conseguem pagar todos os seus funcionários, com sobras, somente com o que arrecadam com a receita de prestação de serviços e tarifas. Em 2013, essa relação foi de 125,3% e em 2014 chegou a 128,8%. Ou seja, o que os clientes pagaram aos bancos em forma de tarifas, serviu para pagar todo mundo e ainda sobrou mais 25,3% em 2013 e 28,8% em 2014.

“Milagre” da terceirização – O que os bancos fazem não é o milagre da multiplicação do dinheiro, mas sim o da subtração de empregos. Desde os anos 1990, serviços realizados por milhares de bancários – que já foram um milhão em todo o Brasil e hoje são cerca de 500 mil – passaram para terceirizados ou correspondentes bancários. Se no início, nos idos de 1980, a terceirização estava circunscrita a setores como limpeza e segurança, paulatinamente foi avançando: primeiro foi a compensação de cheques, depois as áreas de cobrança, análise de crédito, abertura de contas, numerário. Sem falar nos correspondentes bancários que operam, muitas vezes, ao lado dos bancos e já somam mais de 338 mil em todo o país.

Se levarmos em conta somente os maiores bancos privados, as despesas com terceiros de Itaú, Bradesco e Santander subiram 112% (variação relativa) entre 2008 e 2014. Os correspondentes bancários dessas três instituições saltaram assustadores 135,5% nesses quatro anos, enquanto que o quadro de funcionários permaneceu praticamente estagnado, somente 0,3% maior – sendo que no Itaú caiu 20,2% e no Santander 7%.

“Está claro que os bancos ganham muito com a terceirização e estão entre os principais interessados na aprovação do PL 4330 (que agora está no Senado como PLC 30/2015)”, afirma a secretária-geral do Sindicato, Ivone Maria da Silva. “São constantemente acionados na Justiça por terceirizados que prestam serviço bancário e perdem todas, porque esses trabalhadores fazem atividade-fim dos bancos. Se o PL da terceirização passar, as instituições financeiras não terão mais o que temer, sequer as ações judiciais. Seremos todos terceirizados”, afirma a dirigente que é bancária do Itaú.

Veja seu futuro se o projeto passar
> Como o PL da Terceirização prejudica

Faça sua parte – Defenda seus direitos participando dos protestos promovidos pelo Sindicato. Nesta quinta, a partir das 10h, haverá ato na Paulista para denunciar os deputados que traíram a classe trabalhadora e votaram a favor do PL da terceirização. Você também pode enviar mensagem aos parlamentares contra a proposta.

> Pressione os senadores (clique aqui)
Deputados contra os trabalhadores

Diga não à terceirização: participe da enquete promovida pelo Senado, onde o PL 4330 já aparece com seu novo nome na Casa: PLC 30/2015. Para votar basta clicar aqui e cadastrar o nome completo e e-mail. Logo depois, você receberá um e-mail para que confirme seu voto.

Fonte: Seeb-SP

Empresas devem à União mais que o ajuste fiscal

Segundo levantamento, 780 maiores dívidas com a Receita somam R$ 357 bi, seis vezes mais do que o governo diz precisar para equilibrar seu orçamento; sonegação é investigada pela PF na Operação Zelotes

São Paulo – Só com as multas e dívidas de empresas paradas no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) o governo federal conseguiria fazer o ajuste fiscal que pretende e ainda sobrariam recursos. É o que mostra levantamento feito pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), com base em dados do próprio Carf, de fevereiro deste ano. O órgão, responsável por julgar recursos contra multas aplicadas pela Receita a contribuintes suspeitos de tentar enganar o fisco, está sendo investigado pela Polícia Federal por suposto esquema de fraude para sonegação, na chamada Operação Zelotes, deflagrada no final de março.

> MPF cria força-tarefa sobre Operação Zelotes
> Sonegação de quase meio trilhão em um ano

Segundo o levantamento, as 780 maiores dívidas (acima de R$ 100 milhões) de empresas com a Receita Federal somam R$ 357 bilhões. Enquanto que o ajuste fiscal pretendido pelo governo este ano é de pelo menos R$ 60 bilhões. Ou seja, o montante parado em processos no Carf  é quase seis vezes maior do que a economia que o Estado pretende fazer com cortes de gastos públicos, incluindo aí a restrição a benefícios trabalhistas pretendidas nas MPs 664 e 665.

> Câmara aprova novo ataque a trabalhadores

“Esses dados só comprovam o que o Sindicato e a CUT defendem: há outras formas de o governo economizar sem ter de mexer com os direitos dos trabalhadores. Uma delas é melhorar os mecanismos de combate à sonegação, praticada principalmente por grandes empresas, como bancos, por exemplo, citados na Operação Zelotes. Outra forma seria estabelecer o imposto sobre grandes fortunas. Temos de acabar com essa lógica de sempre penalizar a classe trabalhadora enquanto os grandes milionários do país continuam sonegando e, proporcionalmente, pagando menos impostos”, diz a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira.

> Bancos são suspeitos em esquema de sonegação

Grandes devedores – Os números do Carf indicam que apenas 1% de 111.963 recursos movidos por empresas devedoras concentram 67% do total de dívidas paradas no Carf, que chegam a R$ 536 bilhões.

Ainda conforme a análise dos dados do órgão, 4.295 processos de dívidas inferiores a R$ 100 milhões somam R$ 125 bilhões; os 13 mil de dívidas menores que R$ 10 milhões alcançam R$ 43 bilhões; e os 93 mil processos inferiores a R$ 100 mil, R$ 9 bilhões.

Segundo a investigação da PF, além de as empresas pagarem para ter multas anuladas, o esquema também englobava propinas menores para que conselheiros pedissem vistas (tempo para analisar um processo) e mantivessem o recurso parado.


Redação, com informações do portal R7
Fonte: Seeb-SP

Jovens negros são mais vulneráveis à violência no Brasil

Dados do relatório Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014 mostram que a população negra entre 12 anos e 29 anos é a principal vítima da violência. O estudo, divulgado nesta quinta-feira (7/5), mostra que os estados onde o jovem negro corre mais risco de exposição à violência estão na Região Nordeste. Alagoas tem o maior coeficiente do Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) – Violência e Desigualdade Racial, medido numa escala de 0 a 1.
Em seguida, Paraíba, Pernambuco e Ceará são classificados como tendo muito alta vulnerabilidade, de acordo com o levantamento feito pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Ministério da Justiça e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil. Entre as unidades da Federação com coeficientes abaixo de 0,3 estão São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais e o Distrito Federal.
O indicador inédito incorpora na dimensão da violência a desigualdade racial e mostra que a cor da pele e o risco de exposição à violência estão relacionados. O índice será usado pelo Plano Juventude Viva, que tem o objetivo de reduzir a vulnerabilidade de jovens negros, para orientar políticas públicas.
O secretário nacional de Juventude, Gabriel Medina, disse que a violência em Alagoas já havia sido diagnosticada, o que levou o governo federal a iniciar, pelo estado, a implantação do Juventude Viva. Para ele, a vulnerabilidade da população negra está ligada a uma questão histórica e, apesar dos avanços alcançados, a desigualdade ainda é estrutural. “Essas melhoras não foram suficientes ainda para que a gente criasse uma igualdade entre brancos e negros. Ainda são os negros que ganham menos no mercado de trabalho, que têm menos acesso às políticas públicas e estão sujeitos a maiores dificuldades sociais encaradas no país.”
O relatório traz ainda comparativos específicos sobre as taxas de homicídio de negros e brancos. “Os jovens negros no Brasil são duas vezes e meia mais vítimas de homicídio do que o jovem branco”, alerta a diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno. Em algumas localidades, a proporção chega a 13 vezes, como é o caso da Paraíba. “[Isso] revela um quadro agudo e extremamente grave”, acrescenta. Em segundo lugar em relação aos homicídios de jovens negros está Pernambuco, onde o risco é de 11,57 vezes maior, seguido de Alagoas com um coeficiente de 8,75. O Paraná é o único estado onde a vulnerabilidade relacionada ao homicídio é maior para os brancos, 71,2.
Para mudar esse cenário, o secretário nacional de Juventude defende medidas de combate ao preconceito racial. “Temos estados em que a situação é mais grave, portanto [há] a demanda de apresentação de uma política, não só de uma política que chegue ao território, mas uma política que consiga também ter um enfoque de combate ao racismo.”
Outro índice apresentado no relatório é o IVJ – Violência, que existe desde 2008 e também é medido numa escala de 0 a 1. Para esta edição, foram analisados 288 municípios com mais de 100 mil habitantes. Os índices mais altos estão, mais uma vez, no Nordeste onde, entre os 59 locais analisados, mais de 20 têm coeficientes altos. Para Samira, um conjunto de fatores leva a este resultado. “São as condições socioeconômicas dessa população. São normalmente territórios com Índice de Desenvolvimento Humano mais baixo, com problemas de evasão escolar, renda per capta extremamente baixa. São territórios que, em geral, concentram uma série de indicadores socioeconômicos piores que o da média brasileira.”
A região com mais localidades analisadas foi a Sudeste, onde os coeficientes foram os mais baixos. No total, 139 municípios foram avaliados, dos quais 19 foram classificados de "muito alta vulnerabilidade à violência entre jovens".
Com relação à efetivação das ações do Juventude Viva, o secretário nacional de Juventude admite que existem dificuldades no monitoramento, pois o pacto é feito com os estados e depois com municípios. Segundo ele, uma nova fase do programa está sendo elaborada e a ideia é que, ao contrário do que ocorre hoje, o governo federal tenha mais participação nas diretrizes de segurança pública, atribuídas atualmente, aos estados.
“Essa fase prevê uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição] da Segurança Pública que atribui à Federação mais responsabilidades em organizar um sistema nacional que englobe toda uma estrutura nacional que corresponsabiliza o governo federal com os estados e municípios pelo enfrentamento da violência e pela discussão de segurança pública”, destacou.
Para Gabriel Medina, a elaboração de indicadores como o IVJ são essenciais para aprimorar o trabalho da secretaria. “Precisamos ter índices e indicadores para que a gente possa enfrentar. Se a gente não trabalha com eles, muitas vezes, nós não conseguimos aferir resultados nos programas e iniciativas do governo.”
Fonte: Agência Brasil via Feeb-Ba-Se