quarta-feira, 15 de abril de 2015

Renato Rabelo: PCdoB, contra a terceirização, em defesa do trabalho

Renato Rabelo: PCdoB, contra a terceirização, em defesa do trabalho
Eder Bruno
Renato Rabelo: PCdoB, contra a terceirização, em defesa do trabalho

Com sessão para debater e votar emendas ao PL 4330 que trata da terceirização, nesta terça-feira (14) e quarta (15), os partidos que são contra a matéria vão tentar no Plenário da Câmara alterar um dos pontos mais polêmicos do PL que é a questão da atividade-fim. As centrais e movimentos sociais estão convocando atos em todo o país nesta quarta (15) contra o projeto. Preocupado com o retrocesso nos direitos dos trabalhadores, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, se manifesta em nota.


Leia abaixo a íntegra:

Contra a terceirização, em defesa do trabalho!

A onda reacionária em curso no país, além de empreender uma campanha golpista contra a democracia e o mandato da presidenta Dilma Rousseff, realiza uma investida para tentar cortar direitos históricos dos trabalhadores. É o caso do que aconteceu no último dia 8 na Câmara dos Deputados quando, a toque de caixa, foi aprovado o Projeto de Lei (PL) 4330 que generaliza a terceirização, estendendo-a aos trabalhadores da atividade fim.

Se este projeto for aprovado definitivamente nestes termos, o resultado será a precarização das relações trabalhistas: menos salário, mais horas de trabalho e menor duração do vínculo do empregado com as empresas. Uma punhalada nos direitos dos trabalhadores!

O PCdoB, coerente com sua trajetória resoluta de defesa dos direitos da classe trabalhadora, já em 2004 – quando este projeto foi apresentado – havia firmado posição pública contrária a ele. Posição essa agora reiterada, antes e durante a votação ocorrida no último dia 8, na Câmara. A Liderança de nossa bancada com firmeza denunciou o retrocesso que ele acarretará contra os direitos trabalhistas e o golpe que ele desfere contra a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Porém, a derrota sofrida pelos trabalhadores na Câmara dos Deputados pode ser revertida. A votação do último dia 8 foi apenas uma batalha de uma luta que prossegue. Luta que será travada no Congresso Nacional, nas ruas e através de um amplo e vigoroso debate a ser iniciado em todos os espaços possíveis. Primeiro, resta ainda a votação dos destaques na Câmara dos Deputados, programada para acontecer nesta semana. Depois, o Projeto tramitará no Senado Federal quando o seu teor poderá ser revisado. Importantes juristas e ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) já se proclamaram contrários ao que foi aprovado na Câmara e apresentam sugestões de mudança.

O PCdoB conclama seu coletivo militante e, também, as demais forças progressistas para revigorarmos essa jornada contra a terceirização, em defesa do progresso social e da valorização do trabalho. O Partido deve, entre outras medidas, se empenhar pelo êxito das mobilizações contra o PL 4330, convocadas pelas centrais sindicais verdadeiramente comprometidas com os trabalhadores para o próximo dia 15.

São Paulo, 14 de abril de 2015.
Renato Rabelo
Presidente do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Veja como PL 4330 prejudica os trabalhadores


Em trâmite no Legislativo, o Projeto de Lei 4330, de 2004, é uma grande ameaça aos direitos da classe trabalhadora, especialmente da categoria bancária. Sob o pretexto de regulamentar a terceirização no país, acaba por legalizar a fraude e a precarização do emprego. Isso porque permite que as empresas terceirizem até mesmo sua atividade-fim, aquela que caracteriza o objetivo principal da empresa, seu empreendimento.
Manifeste sua indignação contra o PL 4330 mandando e-mails para os deputados líderes de seus partidos ou para o partido inteiro.
Atualmente, a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) considera ilegal a terceirização na atividade-fim do empregador, permitindo-a apenas nas atividades consideradas meio, ou seja, aquelas que, apesar de necessárias, não são inerentes ao objetivo principal da empresa. Se o PL 4330 foi aprovado pelo Congresso Nacional, o entendimento do TST não mais valerá e cairá a Súmula 331, hoje única defesa contra a terceirização sem limites (leia abaixo carta dos ministros do TST sobre o tema).

Súmula 331 – Hoje os trabalhadores ainda conseguem vitórias na Justiça graças à Súmula 331, que entende a terceirização da atividade-fim como uma maneira de o empregador intermediar mão de obra de forma fraudulenta, visando barateá-la. Muitos terceirizados conseguem, assim, provar que exerciam funções similares aos contratados diretos e os juízes reconhecem seu vínculo com a empresa, determinando o pagamento de direitos, como, no caso dos bancários, os que estão na CCT. Isso não mais ocorrerá se os parlamentares aprovarem o PL 4330.
“Há um forte lobby da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) e da Fenaban (federação dos bancos) para que o PL seja aprovado, porque está de acordo com os interesses da classe empresarial”, ressalta a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira.
No caso dos bancos, isso já acontece em muitos setores, mas se o PL 4330 for aprovado pode se agravar ainda mais. A secretária-geral do Sindicato, Ivone Maria, lembra que na década de 1980 a categoria bancária reunia cerca de 1 milhão de trabalhadores. “Mas ao longo das últimas décadas, foi reduzida pela metade. E isso não aconteceu porque o setor financeiro diminuiu. Ao contrário, as instituições financeiras cresceram, seus lucros cresceram mais de 1.000% em termos reais desde 1994. Além disso, o volume de contas correntes mais que dobrou nos últimos anos, bem como a relação crédito/PIB.”
Qual foi a “mágica” então? “Os banqueiros terceirizaram. Os postos de trabalho bancário diminuíram porque foram ocupados por funcionários de outras empresas que, apesar de realizarem os mesmos serviços, ganham em média 1/3 do salário, têm jornadas bem maiores e não usufruem dos direitos previstos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), como a PLR. Ou seja, muitos que eram bancários são hoje terceirizados e se o PL 4330 for aprovado, outros tantos podem perder seus empregos pois os bancos não terão mais nenhum impedimento legal para contratar terceiros.”

Responsabilidade solidária – Além de liberar a terceirização nas atividades essenciais da empresa, o PL 4330 acaba com a responsabilidade solidária. Isso equivale a dizer que se a terceirizada não arcar com as obrigações trabalhistas, a tomadora de serviços (no nosso caso, o banco) pode não ter qualquer responsabilidade pelos trabalhadores que prestavam serviço a ela e nem ser cobrada na Justiça.
Veja os pontos mais nocivos do projeto
Empresas sem empregados – O projeto autoriza a contratação de serviços terceirizados desde que a empresa seja “especializada”. Assim, acaba por permitir que as empresas terceirizem até suas atividades-fim, o que hoje é proibido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Isso, segundo a CUT, seria o sonho dos empregadores: a possibilidade de uma empresa sem empregados.

Responsabilidade subsidiária – No caso de a terceirizada não pagar suas obrigações trabalhistas, o projeto determina a responsabilidade subsidiária da contratante. Isso significa que ela só poderá ser acionada na Justiça após encerradas todas as possibilidades de cobrança da terceirizada. A CUT defende a responsabilidade solidária, de acordo com a qual, as duas empresas respondem pelas dívidas.
Sem isonomia – O PL 4330 defende isonomia apenas no direito de terceirizados usarem os mesmos banheiros, refeitórios, ambulatórios e creches da empresa contratante. Mas a CUT quer isonomia de salários e direitos entre terceirizados e funcionários diretos.

Quarteirização – O projeto também permite que a prestadora de serviços contrate outra empresa para tal. Isso se chama quarteirização e apresenta ainda mais riscos aos direitos dos trabalhadores.

Correspondentes bancários – Determina que as prestadoras de serviço tenham um objeto social único, mas essa regra não se aplica ao setor financeiro, pois o projeto permite o funcionamento dos correspondentes bancários. Por exemplo, o objeto social de lojas de roupa é vender roupas, mas muitas lojas podem, além disso, realizar operações bancárias.

Queda de qualidade – Com salários baixos, alta rotatividade, jornada extensa e pouco treinamento entre os empregados, os serviços prestados pelas terceirizadas em geral são de baixa qualidade. Com isso perdem também os consumidores.

Mais acidente e adoecimento – De cada dez acidentes de trabalho, oito envolvem funcionários de terceiras. As condições precárias de trabalho vitimam os trabalhadores e resultam em gastos previdenciários e com saúde, ou seja, toda a sociedade paga o preço.
Outras ameaças
PLS 87 – O PL 4330 não é a única ameaça aos direitos dos trabalhadores. Tramita no Senado Federal um projeto similar, que assim como o 4330, libera a terceirização nas atividades-fim. Trata-se  do PLS 87/2010, de autoria do ex-senador tucano Eduardo Azeredo.
Ameaça no STF – Além dos perigos no Congresso, os trabalhadores ainda enfrentam ameaças no Supremos Tribunal Federal (STF), onde tramitam três ações que querem a liberação da terceirização nas atividades-fim: a da Celulose Nipo Brasileira (Cenibra), da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e de empresas de call center. Todas querem que o STF julgue inconstitucional a Súmula 331.

STF vai decidir sobre terceirização

A CUT ingressou com pedido de amicus curiae – recurso pelo qual se manifesta parte interessada e pede para ser ouvida no processo – na ação da Cenibra e prepara intervenção junto à ação da Abag, por serem os casos mais próximos de decisão. Além disso, CUT, Força Sindical, Nova Central e CTB cobram do ministro Luiz Fux, relator da ação da Cenibra, a realização de uma audiência pública para discutir o tema.
Leia íntegra de carta dos ministros do TST

Brasília, 27 de agosto de 2013

Excelentíssimo senhor deputado Décio Lima
Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania

A sociedade civil, por meio de suas instituições, e os órgãos e instituições do Estado, especializados no exame das questões e matérias trabalhistas, foram chamados a opinar sobre o Projeto de Lei nº 4330/2004, que trata da terceirização no Direito brasileiro.

Em vista desse chamamento, os Ministros do Tribunal Superior do Trabalho, infra-assinados, com a experiência de várias décadas na análise de milhares de processos relativos à terceirização trabalhista, vêm, respeitosamente, apresentar suas ponderações acerca do referido Projeto de Lei:

I. O PL autoriza a generalização plena e irrefreável da terceirização na economia e na sociedade brasileiras, no âmbito privado e no âmbito público, podendo atingir quaisquer segmentos econômicos ou profissionais, quaisquer atividades ou funções, desde que a empresa terceirizada seja especializada.

II. O PL negligencia e abandona os limites à terceirização já sedimentados no Direito brasileiro, que consagra a terceirização em quatro hipóteses:
1- Contratação de trabalhadores por empresa de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.06.1974);
2- Contratação de serviços de vigilância (Lei n 7.102, de 20.06.1983);
3- Contratação de serviços de conservação e limpeza;
4- Contratação de serviços especializados ligados a atividades-meio do tomador, desde que inexista a personalidade e a subordinação direta;

III. A diretriz acolhida pelo PL nº 4.330-A/2004, ao permitir a generalização da terceirização para toda a economia e a sociedade, certamente provocará gravíssima lesão social de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários no País, com a potencialidade de provocar a migração massiva de milhões de trabalhadores hoje enquadrados como efetivos das empresas e instituições tomadoras de serviços em direção a um novo enquadramento, como trabalhadores terceirizados, deflagrando impressionante redução de valores, direitos e garantias trabalhistas e sociais.

Neste sentido, o Projeto de Lei esvazia o conceito constitucional e legal de categoria, permitindo transformar a grande maioria de trabalhadores simplesmente em ´prestadores de serviços´ e não mais ´bancários´, ´metalúrgicos´, ´comerciários´ etc.

Como se sabe que os direitos e garantias dos trabalhadores terceirizados são manifestamente inferiores aos dos empregados efetivos, principalmente pelos níveis de remuneração e contratação significativamente mais modestos, o resultado será o profundo e rápido rebaixamento do valor social do trabalho na vida econômica e social brasileira, envolvendo potencialmente milhões de pessoas.

IV. O rebaixamento dramático da remuneração contratual de milhões de concidadãos, além de comprometer o bem estar individual e social de seres humanos e famílias brasileiras, afetará fortemente, de maneira negativa, o mercado interno de trabalho e de consumo, comprometendo um dos principais elementos de destaque no desenvolvimento do País. Com o decréscimo significativo da renda do trabalho ficará comprometida a pujança do mercado interno no Brasil.

V. Essa redução geral e grave da renda do trabalhador brasileiro – injustificável, a todos os títulos – irá provocar também, obviamente, severo problema fiscal para o Estado, ao diminuir, de modo substantivo, a arrecadação previdenciária e tributária no Brasil.

A repercussão fiscal negativa será acentuada pelo fato de o PL provocar o esvaziamento, via terceirização potencializada, das grandes empresas brasileiras, que irão transferir seus antigos empregados para milhares de pequenas e médias empresas – todas especializadas, naturalmente -, que serão as agentes do novo processo de terceirização generalizado.

Esvaziadas de trabalhadores as grandes empresas – responsáveis por parte relevante da arrecadação tributária no Brasil –, o déficit fiscal tornar-se-á também incontrolável e dramático, já que se sabe que as micro, pequenas e médias empresas possuem muito mais proteções e incentivos fiscais do que as grandes empresas. A perda fiscal do Estado brasileiro será, consequentemente, por mais uma razão, também impressionante. Dessa maneira, a política trabalhista extremada proposta pelo PL 4330-A/2004, aprofundando, generalizando e descontrolando a terceirização no País, não apenas reduzirá acentuadamente a renda de dezenas de milhões de trabalhadores brasileiros, como também reduzirá, de maneira inapelável, a arrecadação previdenciária e fiscal da União no País.

VI. A generalização e o aprofundamento da terceirização trabalhista, estimulados pelo Projeto de Lei, provocarão também sobrecarga adicional e significativa ao Sistema Único de Saúde (SUS), já fortemente sobrecarregado. É que os trabalhadores terceirizados são vítimas de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais/profissionais em proporção muito superior aos empregados efetivos das empresas tomadoras de serviços. Com a explosão da terceirização – caso aprovado o PL nº 4330-A/2004 –, automaticamente irão se multiplicar as demandas perante o SUS e o INSS.

São essas as ponderações que apresentamos a Vossa Excelência a respeito do Projeto de Lei nº 4.330-A/2004, que trata da ´Terceirização’

Respeitosamente,

Antonio José de Barros Levenhagen; João Oreste Dalazen; Emmanoel Pereira; Lelio Bentes Corrêas; Aloysio Silva Corrêa da Veiga; Luiz Philippe Vieira de Mello Filho; Alberto Luiz Bresciane de Fontan Pereira; Maria de Assis Calsing; Fernando Eizo Ono; Marcio Eurico Vitral Amaro; Walmir Oliveira da Costa; Maurício Godinho Delgado; Kátia Magalhães Arruda; Augusto Cesar Leite de Carvalho; José Roberto Freire Pimenta; Delaílde Alves Miranda Arantes; Hugo Carlos Sheurmann; Alexandre de Souza Agra Belmonte e Claudio Mascarenhas Brandão.

Fonte: SP Bancários

Guerra contra PL 4330 está longe do final e exige mais mobilização

Crédito: Contraf-CUTContraf-CUTBanner da Contraf-CUT que está bombando nas páginas do Facebook

Apesar da aprovação do texto-base do PL 4330 no plenário da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira 8, a guerra contra o projeto que legaliza a terceirização sem limites no Congresso Nacional está muito longe do final. Por isso, a Contraf-CUT orienta as federações e sindicatos a intensificarem a mobilização e a pressão sobre os deputados federais, especialmente sobre os que votaram a favor do PL, e jogar todo peso na paralisação da quarta-feira 15.

> Clique aqui para ver como votou cada deputado.

"Temos que lutar até o fim e ir para a ofensiva. Além de mandar email para seus gabinetes, precisamos denunciar os parlamentares que votaram a favor do texto-base, com as suas fotos e os seus partidos, nas redes sociais, nos jornais das entidades sindicais e junto à população em cada estado do país, mostrando quem está traindo a classe trabalhadora", afirma o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

"O que está em jogo é o maior roubo de direitos dos trabalhadores em toda a nossa história, com gravíssimos impactos para todos os trabalhadores, rurais e urbanos, públicos e privados, e por consequente desestrutura toda a organização social vigente. É hora de ampliar a mobilização contra esse projeto e pressionar os deputados que votaram a favor do PL 4330 em suas bases eleitorais nos estados, denunciando a perda que estão impondo aos trabalhadores", ressalta o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Miguel Pereira.

O que aconteceu até agora

O que ocorreu nesta quarta-feira na Câmara foi a votação do texto-base do PL 4330, cujo teor foi o relatório do deputado Artur Maia (SD-BA), o mesmo apresentado à CCJC em 2013, com algumas alterações: 

1. Inclusão da mesma representação sindical, somente caso a empresa contratada seja da mesma categoria econômica, o que é raro acontecer; 

2. A necessidade de aviso em 10 dias ao sindicato da categoria principal do processo de terceirização efetuado; e 

3. Assegurar que não haja perdas de receitas tributárias com a terceirização, como pediu o governo, garantindo-se a retenção e o repasse direto pelas contratantes dos valores referentes a INSS e FGTS, além de serem recolhidos 1,5% de IR na fonte ou alíquota menor prevista na legislação tributária; 1% da Contribuição Social sobre o lucro líquido (CSLL), 0,65% do PIS/Pasep e 3% da Cofins.

Os próximos passos

Na próxima terça-feira, dia 14, está prevista a apreciação e votação dos destaques apresentados, que são os pontos mais polêmicos do PL 4330:

1. Impor limites à terceirização no Brasil, alterando o texto original aprovado nesta quarta-feira, que autoriza a terceirização sem nenhuma restrição, inclusive nas atividades-fim das empresas.

2. Garantir direitos iguais entre trabalhadores terceirizados e contratados diretamente, 

3. Definir a responsabilidade solidária, pela qual a empresa contratante deve ser responsável por todas as obrigações trabalhistas, tanto quanto a empresa prestadora de serviços. 

4. No caso específico dos bancários, a deputada Érica Kokay (PT-DF) apresentou emenda excluindo do texto qualquer referência aos correspondentes bancários e postais. O PL 4330, mesmo com o conceito de atividade especializada, a pedido dos banqueiros abre a exceção para "legalizar" os correspondentes.

Da Câmara para o Senado

Encerrada essa fase na Câmara, o projeto de lei vai para tramitação no Senado. E caso haja alguma alteração na votação do texto, ele terá de voltar à Câmara, para nova apreciação. Depois disso, segue para sanção presidencial.

"Portanto, ainda há muito a fazer. Temos de intensificar a mobilização e os debates na sociedade, que não tem a dimensão do tamanho do estrago do PL 4330 nas relações de trabalho e sociais futuras. A Contraf-CUT orienta sindicatos e federações a, junto com as demais categorias, visitarem todos os parlamentares em seus estados de origem, apresentando a verdadeira face da tragédia que seria a aprovação definitiva do projeto, além de colocar faixas nas avenidas como fizemos em 2013", insiste Miguel Pereira.

Além disso, é fundamental organizar o Dia Nacional de Paralisações, convocado pela CUT para o próximo quarta-feira, dia 15.


Fonte: Contraf-CUT

Demanda por voos domésticos alcança seu maior nível em 10 anos

 Nota técnica publicada pela Agência Nacional de Viação Civil (Anac) aponta que a demanda por voos domésticos completou 17 meses consecutivos de crescimento, e alcançou o seu maior nível para o mês nos últimos dez anos. De acordo com a nota, a Anac registrou alta de 4,1% na demanda por transporte aéreo doméstico de passageiros em fevereiro de 2015.


 
Os dados também apontam que a oferta doméstica apresentou o sexto mês consecutivo de crescimento e alcançou 4,7% no mesmo período.

Além disso, a taxa de aproveitamento das aeronaves em voos domésticos operados por empresas brasileiras foi de 80,0%. Não foram feitas estimativas para o mercado internacional devido a não se esperar uma alteração tão significativa nos valores.

Avião supera ônibus


O relatório também apontou que a participação no consumo dos modais aéreo e rodoviário e revelou que no caso do transporte interestadual de passageiros de longa distância o avição superou o ônibus. Para ser ter uma ideia, em 2004, quando o transporte rodoviário era responsável por 69,2% dos passageiros e o modal aéreo por 30,8%. No período de janeiro a setembro de 2014, as empresas aéreas transportaram 62,6% dos passageiros neste mercado e as de transporte rodoviário 37,4%.

Transporte Internacional cresce 31,5%


Em fevereiro de 2015, a demanda do transporte aéreo internacional de passageiros das empresas aéreas brasileiras apresentou crescimento pelo 12º mês consecutivo, com aumento de 31,5% quando comparada com o mesmo mês de 2014.

Já a oferta internacional  registrou o 7º mês consecutivo de crescimento, com relevante alta de 26,9% em comparação a fevereiro de 2014. Tanto a demanda quanto a oferta internacional foram recorde para o mês nos últimos dez anos.

Da Redação do Vermelho
Joanne Mota, com informações da Anac

Emiliano: norte-americanos que regulamentam mídia são bolivarianos?

 
Foto: Fred Vázquez

O 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), que acontece de 10 a 12 de abril, em Belo Horizonte, Minas Gerais, reuniu cerca de 700 pessoas neste sábado (11), entre representantes dos movimentos sociais, sindical, do governo, estudantes, acadêmicos e coletivos que debatem o tema comunicação. A mesa de abertura debateu o cenário internacional e os desafios do Brasil para enfrentar a regulação democrática da mídia e a garantia do direito à comunicação. 


A coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, destacou que o tema se torna ainda mais importante na conjuntura atual, momento em que a classe trabalhadora está tendo seus direitos ameaçados. “A liberdade de expressão nos permitirá fortalecer a democracia, o direito à voz e à diversidade”.


A presidenta da CUT Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, fez referência à cobertura pela imprensa tradicional da votação do Projeto de Lei (PL) 4.330, que amplias as possibilidades de terceirização de atividades: “A crise deve ser transformada em estímulo”, segundo a cobertura da mídia, observa Bia Cerqueira.

O secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Emiliano José, garantiu que o governo irá promover neste ano o debate sobre a regulação da mídia no Brasil. “Todos os setores da sociedade serão chamados a participar dos espaços de discussão e ali poderão responder qual marco regulatório querem para o país”, afirmou. Emiliano fez referência à mídia hegemônica brasileira, também considerando-a como um polo político. “Eu não acredito na auto-regulação da mídia sobre si mesma.” Segundo o secretário, os Estados Unidos têm legislação muito mais rigorosa do que a brasileira. “Por que, então, não são chamados de bolivarianos ou censuradores?”, questionou.

Luta mundial
O consultor da Unesco e diretor-executivo do Centro de Direitos e Democracia, Toby Mendel, destacou que a liberdade de expressão é também o direito de receber e buscar informações. “Na lei de direito internacional, o que protege é o fluxo de informações e ideias. Quando temos uma restrição maior do que o benefício, então ela não é legítima”.

Para Mendel, é preciso existir uma relação de equilíbrio. “O debate público é essencial e se observarmos a democracia em todo o mundo, veremos que todos os lugares têm um órgão ou algum sistema de regulação”, lembra. E cita como exemplo o Canadá: “Se observarmos a regulamentação da transmissão por lá existem três condições essenciais, que são o licenciamento, a regulamentação de conteúdo e a aplicação de regras legislativas ou do país ao transmissor”.

Direitos humanos
Rosane Bertotti ressaltou que a comunicação deve ser vista como um direito humano: “Quando a comunicação é tratada como um direito, o Estado tem de ser garantidor deste direito. E defender direito é defender a democracia”.

O professor e pesquisador Martín Becerra, da Universidade de Buenos Aires e da Universidade Nacional de Quilmes, acrescenta: “A liberdade de comunicação deve ser como direito social e não como um direito dos emissores. Isso supera várias barreiras de caráter coorporativo”. Para ele, esse entendimento é questão chave no debate da regulamentação.

Becerra destacou avanços na Lei de Meios, aplicada em seu país em 2009 durante o governo da presidenta Cristina Kirchner para romper com o oligopólio, no qual o Grupo Clarín era um dos principais representantes. “A articulação da sociedade civil, que sustenta a sociedade, é de extrema importância em todo esse processo. É preciso sempre avaliar se a lei se aplica igualmente a todos os atores sociais”.

Para Rosane, é fundamental que existam instrumentos de comunicação para elevar a voz da sociedade. “Neste sentido nossas rádios comunitárias, TVs comunitárias e a nossa estrutura de comunicação pública não podem ser só retóricas, elas devem ser parte da estratégica na construção da mídia democrática.”

Ao final da mesa, Becerra fez elogios ao envolvimento das organizações no Brasil e observou que a regulação dos meios não se refere somente à lei, ao dispositivo legal. “Mais respeitável do que isso é a consciência social e política que se tem de que os meios não são produzidos com uma concepção imaculada. A imaculada concepção dos meios de comunicação tem sido colocada em crise. E essa crise é muito bem-vinda”, concluiu.

Fonte: Rede Brasil Atual via Vermelho

A América Latina afirma sua soberania perante os Estados Unidos

A luta pela emancipação dos povos e nações das Américas viveu nos últimos dias um fato de transcendência histórica. Realizou-se, nos dias 10 e 11 de abril, na Cidade do Panamá, a 7ª Cúpula das Américas, que se transformou em cenário de uma nova batalha pela afirmação da soberania e a independência nacional dos países da região. 

O ideal do Libertador Simón Bolívar de criar a "grande Pátria Americana", que inspirou inúmeros combates e batalhas pela independência ao longo de dois séculos, esteve presente na reunião do Panamá, tanto no encontro dos movimentos sociais, que mobilizou centenas de ativistas e dirigentes, como na Cúpula dos chefes de Estado e governo. 

O encontro do Panamá foi marcado por dois importantes fatos inéditos. Foi a primeira vez que os 35 países das Américas se sentaram em torno de uma mesma mesa, com o convite formulado a Cuba pelo governo do país anfitrião, depois de muitos anos durante os quais os governos progressistas exigiram a presença da ilha socialista que estava excluída deste tipo de conferência inaugurada em 1994 nos Estados Unidos. Foi também o momento em que os presidentes de Cuba e dos Estados Unidos se encontraram pela primeira vez em mais de cinco décadas, dando curso aos entendimentos para o estabelecimento de relações diplomáticas e para o fim do odioso bloqueio imposto pelo imperialismo estadunidense à maior das Antilhas.

De uma forma peculiar, a Cúpula das Américas ratificou uma tendência inexorável na evolução da luta política na região latino-americana e caribenha – a da afirmação das nações que a integram – como donas de seus destinos. A rigor, esta tendência revelou-se inexorável quando, a dois e três de dezembro de 2011, foi criada a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), em Caracas, o que inaugurou uma nova etapa na história de Nossa América. 

Naquele instante, Fidel e Raúl Castro consideraram ser este o mais importante acontecimento institucional em dois séculos da luta dos povos latino-americanos, tornando-se patente a opção patriótica desses povos pela paz, o desenvolvimento, a integração, a cooperação, a solidariedade, a autodeterminação, a soberania, a independência, a identidade e o direito a escolher os próprios caminhos para soerguer sua vida política e social. 

Na Cúpula do Panamá, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entreve-se, diferentemente da maioria dos seus antecessores, não mais com ditadores ou governantes civis reacionários, fantoches do império, complacentes com as políticas de “canhoneiras”, da “boa vizinhança”, da “Aliança para o Progresso”, do “alinhamento automático” ou da Aliança de Livre Comércio das Américas (Alca). Desta vez, o chefe de turno da Casa Branca houve-se com líderes que dialogam de igual para igual e fazem ouvir a voz altaneira de representantes de povos dignos.

A Cúpula das Américas do Panamá entra para a história como o fórum em que se afirmou a solidariedade com a Venezuela Bolivariana, o rechaço ao intervencionismo e ao golpismo imperialista e oligárquico, aos intentos desestabilizadores e às injustas sanções; o compromisso com a solução pacífica do conflito colombiano, com uma paz democrática e pelo progresso social; o respaldo à luta pela independência de Porto Rico; a denúncia da ofensiva que consiste em tramar e fomentar os chamados “golpes suaves”, novos tipos de intervenção que utilizam os meios de comunicação privados e monopolistas e Organizações não Governamentais (ONGs) que atuam a soldo de potências imperialistas; a ratificação dos caminhos de integração escolhidos pelos governos progressistas, caminhos irreversíveis, que resultam na formação de novo polo geopolítico mundial a favor da paz, do desenvolvimento e do progresso social. 

Neste quadro, ganham relevo as palavras do presidente cubano, Raúl Castro, sobre a nova realidade interamericana: “As relações hemisféricas, em minha opinião, hão de mudar profundamente, em particular nos âmbitos político, econômico e cultural; para que, baseadas no Direito Internacional e no exercício da autodeterminação e da igualdade soberana, se centrem no desenvolvimento de relações mutuamente proveitosas e na cooperação para servir aos interesses de todas as nossas nações e aos objetivos que se proclamam”.

A Cúpula das Américas foi também o cenário em que se reafirmou a opção por um novo caminho de desenvolvimento, em contraste com o modelo neoliberal. O novo paradigma é caracterizado pelo esforço para adotar um modelo nacional de desenvolvimento e implementar políticas centradas na busca da justiça social. Malgrado as dificuldades, este é o rumo que orienta a maioria dos países da região. 

De acordo com a presidenta brasileira Dilma Rousseff, hoje “a América Latina e o Caribe têm menos pobreza, menos fome, menos analfabetismo e menos mortalidade infantil e materna. [...] Mas é preciso mais riqueza, dignidade, educação e é isso o que vamos construir nos próximos anos”, afirmou, mostrando-se, entretanto, atenta à “persistência de desigualdades, que ainda afetam, em diferentes graus, a todos os países do hemisfério”. 

A 7ª Cúpula das Américas foi, em todos os sentidos, um fato alvissareiro, uma ocasião que propiciou avanços na caminhada para construir relações de respeito, cooperação e complementaridade, que assegurem o progresso e preservem a autodeterminação dos povos, assim como a ampla e profunda democracia.

Foi um sinal dos tempos, mais uma comprovação de que os povos da região estão vivendo uma época de mudanças e uma mudança de época.


Fonte: Vermelho

Raúl Castro e Barack Obama se reúnem na Cúpula das Américas

Os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de Cuba e dos Estados Unidos, se reuniram no Panamá durante um intervalo da última jornada da Sétima Cúpula das Américas, um encontro amplamente esperado por todos. 

Os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de Cuba e dos Estados Unidos, se reuniram no Panamá durante um intervalo da última jornada da Sétima Cúpula das Américas, um encontro amplamente esperado por todos.


Foto: Estudio Revolución
Os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de Cuba e dos Estados Unidos, se reuniram no Panamá durante um intervalo da última jornada da Sétima Cúpula das Américas, um encontro amplamente esperado por todos. 
Depois dos discursos pronunciados por cada um e instantes depois de posar para a costumeira foto oficial, os dois mandatários ocuparam uma sala preparada para a reunião no Centro de Convenciones Atlapa.

Raúl disse que o fundamental é que estão dispostos a discutir sobre qualquer tema, inclusive sobre direitos humanos e liberdade de imprensa. Dessas e de outras questões, de Cuba e também dos Estados Unidos.

Penso que se pode discutir sobre tudo, se isto for feito com respeito mútuo, considerou o presidente cubano. “Pode ser que nos convençamos de algumas coisas, mas de outras não”.

Não se deve ter ilusões, advertiu, temos muitas diferenças e uma história complexa, mas estamos dispostos a avançar nas reuniões para estabelecer relações diplomáticas.

Raúl se referiu à abertura das embaixadas, ao aumento das visitas entre os dois povos e a praticar todas as questões próprias de “vizinhos tão próximos”.

Podemos falar de tudo com paciência, mesmo nestes tempos em que a vida avança tão rápido, apontou. Esperamos que nossos mais próximos colaboradores saibam cumprir as instruções dos dois presidentes.

Por sua parte, Obama se referiu a que a história entre os Estados Unidos e Cuba era complicada, pois houve desconfiança durante muito tempo. Depois de 50 anos chegou o momento de algo novo, considerou.

É importante manter o contato entre os governos e povos, opinou. “Estamos no caminho para o futuro, deixaremos para trás as coisas que tornaram o passado complicado”.

Obama disse que ambos os povos apoiaram positivamente as mudanças. Na medida em que haja mais intercâmbio, creio que haverá mais contato direto e maior relação entre nossos povos, expressou.

Seguirão havendo diferenças profundas e significativas, seguiremos tentando “levantar as preocupações sobre democracia e direitos humanos”.

“Como disse Raúl em seu discurso apaixonado, eles também tentam levantar essas preocupações”. Ambos podemos virar a página, entabuando novas relações, agregou em seguida.

Queremos que nossos diplomatas tenham contatos mais cotidianos, disse, até o ponto de abrir as duas embaixadas

“Obrigado a Castro pelo espírito de abertura que demonstrou para conosco”. Podemos seguir construindo nossa relação baseando-nos no respeito mútuo, apontou.

Castro falou em seu discurso sobre a dureza que os cubanos têm tido que suportar, minha política é ajudar a que sejam mais prósperos, “o povo cubano é um povo de pessoas iluminadas, inteligentes e brilhantes”, concluiu.

Pelos Estados Unidos, participaram do encontro, que foi descontraído, Susan Rice, assessora de Segurança Nacional; Roberta Jacobson, secretária assistente de Estado para os Assuntos do Hemisfério Ocidental; Ben Rhodes, vice-assessor de Segurança Nacional e Ricardo Zúñiga, diretor de Assuntos Hemisféricos do Conselho de Segurança Nacional.

Por Cuba, estiveram presentes, o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla; Alejandro Castro Espín e Juan Francisco Arias Fernandez, ambos da Comissão de Defesa e Segurança Nacional e a diretora geral de Estados Unidos do Ministério das Relações Exteriores, Josefina Vidal Ferreiro.


Fonte: Granma; tradução do Portal Vermelho