quinta-feira, 2 de abril de 2015

Venezuela recebe contundente apoio internacional na ONU

 Organizações regionais e mundiais, que reúnem a maioria dos países, manifestaram nesta quinta-feira (2), na ONU, seu apoio à Venezuela ante a agressividade dos Estados Unidos.


 
Em uma sessão chamada Dia de solidariedade com o Povo e Governo venezuelanos, diplomatas de várias nações que intervieram no Conselho de Administração Fiduciária, em nome de blocos de integração, exigiram que Washington dialogue com Caracas, para abordar e resolver suas diferenças.

Após o discurso inaugural do embaixador da Venezuela, Rafael Ramírez, fixaram postura a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (Alba-TCP), a Unasul, o Grupo dos 77 mais China (G-77) e o Movimento de Países não Alinhados (Mnoal).

Foi contundente o repúdio ao decreto executivo do presidente estadunidense Barack Obama, de 9 de março, que qualifica a nação sul-americana como uma ameaça incomum e extraordinária para a maior potência militar e econômica da história. Diplomatas latino-americanos e caribenhos destacaram o esforço dos países dessa região geográfica até declarar-se uma zona de paz e de solução pacífica de controvérsias, cenário ameaçado pela agressividade da Casa Branca.

“A região já mudou e agora está repleta de soberania e dignidade”, afirmou o representante permanente do Equador ante a ONU, Xavier Lasso, em nome da Celac.

Por sua vez, o embaixador de Cuba, Rodolfo Reyes, destacou a firme posição da Alba-TCP de condenação ao decreto de Obama, e as reivindicações a Washington de respeito à autodeterminação dos povos e a não ingerência em seus assuntos internos.

O máximo representante uruguaio, Gonzalo Koncke, também reiterou a postura da Unasul, enquanto o encarregado de Negócios iraniano, Hossein Dehghani, expôs a solidariedade do Mnoal, movimento de 120 estados do sul.

No foro, manifestou também seu respaldo à Venezuela o G-77, bloco de 134 países presidido em 2015 pela África do Sul.

Os diplomatas leram no encontro os diferentes comunicados emitidos por essas organizações no mês passado, em apoio a Caracas e condenação às ações unilaterais de Washington.

Individualmente, países como: Síria, Rússia, Nicarágua, Irã, Zimbábue, Sudão, Palestina, Cuba, Bolívia, Argentina e San Vicente e Granadinas expressaram sua solidariedade com a Venezuela.

Fonte: Prensa Latina via Vermelho

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O faroeste onde só tem bandido e o tiroteio entre Caiado e Demóstenes

  

O redator do Notas Vermelhas confessa ser um fã dos filmes de faroeste do diretor Sérgio Leone. Uma das virtudes do genial diretor italiano foi romper com o esquematismo do bandido e mocinho muito bem definidos. Nos seus faroestes nem sempre esta demarcação é clara e o espectador fica com a impressão de que a trama só tem bandido. E realmente, em alguns faroestes não existem mocinhos. 


Mudando de assunto, o leitor já deve ter tomado conhecimento do intenso tiroteio verbal entre os probos Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado (senador, DEM-GO). A pesada troca de acusações entre um ícone do conservadorismo caído em desgraça, Demóstenes, e um antigo campeão do conservadorismo, latifundiário e anticomunista, Caiado, chama a atenção. Convenientemente, entretanto, a mídia hegemônica dá pouca repercussão ao que, pelos padrões vigentes do jornalismo que pratica, devia ser notícia destinada a espaço nobre do noticiário, pois envolve um atual e um ex-membro do Senado da República. Ambos, até há pouco tempo, aliados inseparáveis na luta “contra a corrupção no governo do PT”. Ambos elevados pela mídia ao altar destinado aos santos de pau oco, que enganam fiéis coxinhas e analfabetos políticos de toda ordem, brandindo a bandeira da “ética”. Demóstenes atacou Caiado por sentir-se abandonado e traído, e escreveu um artigo publicado nesta terça-feira (31) no jornal Diário da Manhã, intitulado “Ronaldo Caiado, uma voz à procura de um cérebro”. O senador respondeu no mesmo dia com uma nota intitulada “Apenas mais um bandido que enfrento”.

Demóstenes ataca Caiado – Melhores momentos

Lista de adjetivos que Demóstenes usa para se referir ao que foi, durante muito tempo, um dos seus principais parceiros políticos, o senador Ronaldo Caiado: “Judas, mitômano (patologia em que a pessoa mente a todo momento), dúbio, tíbio, dissimulado, oportunista, profissional de lupanar (lupanar = casa de prostituição), caráter de Fouché (sem caráter), quadrúpede, oportunista, bravateiro, verme”. O ex-senador do DEM acusa o atual senador do DEM de fazer parte da “rede de amigos” do bicheiro Carlos Cachoeira, e diz que é fácil comprovar a ligação entre os dois: “peguem as contas de seus gastos gráficos, aéreos e de pessoal, notadamente nas campanhas de 2002, 2006 e 2010, que qualquer um verá as impressões digitais do anjo caído. Siga o dinheiro”. Diz ainda que Caiado pediu a interferência dele (Demóstenes) junto a Carlos Cachoeira para ampliar a atividade de um amigo no jogo ilícito. E em um dos últimos insultos, Demóstenes Torres afirmou que o impoluto ruralista Ronaldo Caiado, senador pelo DEM/GO, ativista da passeata do dia 15 de março, “rouba, mente e trai”.

Caiado ataca Demóstenes – Melhores momentos

Lista de adjetivos que Caiado usa para se referir ao que foi, durante muito tempo, um dos seus principais parceiros políticos, o ex-senador Demóstenes Torres: “bandido, corrupto, mau caráter, sem credibilidade, canalha e bicheiro”. O atual senador do DEM, acusa o ex-senador do DEM, de “de montar dossiês, de perseguir e ameaçar as pessoas, até como fonte de manutenção de seus gastos faraônicos”. Respondendo a uma das muitas acusações de Demóstenes (que trataremos na nota abaixo) Ronaldo Caiado faz uma menção um tanto nebulosa: “de Detran quem entende é Demóstenes e sua turma”. Nota-se, apesar de tudo isso, que a raiva do Demóstenes contra o Caiado parece ser maior do que a raiva do Caiado contra o Demóstenes. E particularmente um fato chama a atenção: Demóstenes, em seu longo artigo, afirma que Caiado só “não está na sarjeta porque eu não tenho vocação para delator” e acusa seu desafeto de ter forjado um documento que teria contribuído para a sua (dele, Demóstenes) cassação. Pois não é que Caiado, mesmo no meio de um mar de impropérios, se preocupa em garantir ao seu acusador que não tem ligação com o episódio do documento forjado: “Demóstenes não precisa criar essas ilações. Não sou homem de fazer este jogo. Sempre joguei limpo”. Será isso uma pequena brecha para um futuro entendimento? Uma mão estendida ao diálogo fraterno, em meio a tanto ódio? Fica nossa torcida neste sentido, afinal, uma amizade tão bonita não pode morrer assim.

Sobrou até pro Agripino Maia

A troca de tiros entre Demóstenes e Caiado teve até bala perdida, como é comum em tiroteios. A vítima foi o também senador do DEM, Agripino Maia. Agripino, mais um entusiasta da passeata do dia 15 de março, já responde a inquérito por corrupção passiva na Operação Sinal Fechado. Agora é acusado por Demóstenes Torres de ter se beneficiado, com “seus companheiros de chapa em 2010”, do “esquema goiano”, que teria financiado o projeto político de Agripino no Rio Grande do Norte, “com intermediação de Ronaldo Caiado”. Aliás, sobre Agripino, Demóstenes diz que se trata de uma “figura pouquíssimo republicana”.

Demóstenes – Um sujeito distraído

Na carta em que o ex-senador do DEM, Demóstenes Torres, acusa o atual senador do DEM, Ronaldo Caiado, Demóstenes admite ser amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Admite uma tal proximidade que, como vimos em nota anterior, diz que Caiado o procurou para interceder junto ao contraventor para ajudar um amigo a ampliar a participação na máfia dos caça-níqueis. A defesa de Demóstenes é que “simplesmente, disse a ele (ao Caiado), como era verdade, que desconhecia a prática de ilicitudes por parte de Cachoeira”. Este pacato redator do Notas Vermelhas, em defesa de Demóstenes, relata o caso de um conhecido que durante muitos anos foi amigo do Fernandinho Beira-Mar desconhecendo totalmente “a prática de ilicitudes”, por parte do confrade. Quando finalmente Beira-Mar foi preso, desconfiado, indaguei a este meu conhecido: “Como você não sabia nada sobre o Beira-Mar se é de conhecimento público que ele é um grande traficante de armas e drogas? Ninguém ignora este fato”, ele respondeu simplesmente: “pois é, não sei explicar isso, eu o achava tão gente boa, que nunca suspeitei”. Acabei me convencendo que este meu conhecido era um sujeito muito distraído, igualzinho ao Demóstenes.

Duelo na praça ao meio dia

Um dos trechos mais interessantes da carta em que o ex-senador do DEM, Demóstenes Torres, ataca o atual senador do DEM, Ronaldo Caiado, é quando ele narra que em certa ocasião Ronaldo Caiado mandou um recado, desafiando o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para resolver uma divergência “no braço, na faca, no revólver”. Demóstenes não titubeou: “Pois agora, Ronaldo Caiado, quero ver se você é homem mesmo. Nos mesmos termos que você mandou oferecer ao frouxo Marconi Perillo, eu me exponho”. Já pensou na cena o amigo leitor? Um duelo na praça ao meio dia, opondo dois titãs da moralidade pública, cada qual tendo em uma das mãos um revólver, na outra a bandeira da ética? Para ficar perfeito, só faltava o Sérgio Leone filmando tudo.

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br

Há 13 anos, Vermelho é voz que não se cala a serviço da verdade

Foi no dia 25 de março de 2002 que o Portal Vermelho começou sua trajetória. 

Iniciativa então pioneira na esquerda brasileira, que mal dava os primeiros passos no uso da internet como ferramenta da luta de ideias, o Vermelho nasceu com o compromisso de ser porta-voz dos sonhos generosos de justiça social, igualdade e democracia. 

Em seu documento inaugural, o Manifesto Vermelho, o novo veículo definia assim sua missão: “Vermelho nasce num planeta imerso na crise e na guerra. Num continente sob ameaça de recolonização em nome do ‘livre comércio’. Num Brasil entregue aos Silvério dos Reis contemporâneos. E num ambiente, a internet, que é o fiel espelho virtual desta realidade. Também aqui reinam o neoliberalismo com o imperialismo norte-americano à frente, a hipermercantilização e a concentração da riqueza, a crise e o desemprego, o banditismo e o lixo cultural - em especial o made in US (...) No entanto, combatendo a treva há também a luz (...)Vermelho engaja-se neste combate”. 

Vivíamos então a véspera de uma nova experiência política, pois no fim daquele ano o líder metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, iria ser eleito presidente da República. O Vermelho travou de fato o bom combate em defesa da eleição do líder operário, sendo, na ocasião, o principal porta-voz da esquerda no campo virtual. 

Desde então, no curso destes treze anos, foram milhares de reportagens, artigos e colunas de opinião que constituem um precioso patrimônio da esquerda em nosso país. Não houve tema relevante da conjuntura nacional e internacional que não tenha sido abordado pelo Vermelho.

Hoje, o Portal Vermelho é respeitado e prestigiado por todas as forças do campo popular e democrático e segue em trajetória ascendente. Neste mês de março, por exemplo, já podemos asseverar que até o dia 31 atingiremos cerca de 1 milhão e 200 mil visitas únicas e mais de dez milhões de páginas visualizadas. 

Sem ter sequer um décimo da estrutura dos sites da mídia hegemônica, o Vermelho busca suprir suas lacunas com o empenho de uma equipe pequena mas abnegada. Mas estamos longe da autossatisfação. Ainda há muito a melhorar e muito a crescer. A voz do Portal Vermelho tem que soar cada vez mais alta e atingir cada vez mais pessoas. 

Para isso contamos com a solidariedade dos amigos do Portal, que reconhecem seu papel e contribuem de forma militante para seu fortalecimento, colaborando com a campanha Amigo do Vermelho, lançada há poucas semanas. Este ano também criamos a coluna Notas Vermelhas, visando a intensificar nossa presença no debate sobre a inadiável democratização da comunicação no Brasil e estamos já estudando uma remodelação do Portal, que tornará a leitura mais fácil e dinâmica. 

O dia escolhido para a inauguração do novo veículo (25/3/2002) marcava também os 80 anos de fundação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e não foi por acaso. O Vermelho é um portal amplo, que tem diversos colaboradores que não são filiados a qualquer partido, mas não escondemos, ao contrário, fazemos questão de ressaltar que o nosso caráter é o de um veículo de informação comprometido com os ideais comunistas e revolucionários, que são o combustível principal a nos mover na peleja cotidiana e desigual contra as toneladas de mentiras e falsificações da mídia hegemônica. No Vermelho trabalhamos tendo em mente a frase de Lênin: “A verdade é sempre revolucionária”.

Momento é de articulação e rearticulação, diz Vannuchi

Paulo Vannuchi foi ministro da Secretaria de Direitos Humanos durante o governo Lula
Paulo Vannuchi foi ministro da Secretaria de Direitos Humanos durante o governo Lula

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Paulo Vannuchi, afirma que o momento atual é de "articulação e rearticulação" das forças políticas que apoiam o projeto liderado por Lula, e continuado por Dilma, que garantiu "grandes avanços", apesar dos problemas conjunturais.


"A aposta é articular. Articular em uma equação política que não é nem um pouco fácil", afirma Vannuchi. Como uma das iniciativas da rearticulação de forças no campo progressista, ele destaca, o ato do Dia Nacional de Mobilização, cujo slogan é “Democracia sempre mais, ditadura nunca mais”, que acontece nesta terça (31), na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem Vannuchi qualifica como "grande polo articulador", capaz de "unificar posições" dentro do campo progressista.


Ele classificou como lamentável a campanha daqueles que pedem intervenção militar. "Péssima ideia que alguns segmentos que vão para as ruas protestar contra Dilma não têm vergonha de propor e pedir; não quer dizer que todos os manifestantes de oposição a Dilma queiram a ditadura, mas há uma parte muito estridente que realmente comete o desplante, a indecência, de pedir por ódio, repressão, ditadura, censura, assassinatos, que são os ingredientes necessários de qualquer ditadura".

Vannuchi enfatiza que a esquação não é simples por conta dos ajuste econômicos aplicados pelo governo. A militância, segundo ele, tem que "fazer duas coisas praticamente opostas, ao mesmo tempo: defender a democracia, defender Dilma, defender o voto popular contra as tentações golpistas, e, ao mesmo tempo, questionar duramente os equívocos de atuação."

"A classe trabalhadora e o pensamento verdadeiramente democrático sabe que a democracia está sob risco, ameaçada por articulações pró-impeachment etc", pontuou.

Novos ministros

Vannuchi comemora a indicação do filósofo Renato Janine Ribeiro para o Ministério da Educação, a quem classifica como "um dos grandes teóricos brasileiros sobre a democracia e os direitos humanos, sobretudo a ética na política", e de Edinho Silva para a secretaria de Comunicação da Presidência. Para ele, a Secom tem a importante missão de reordenar as verbas publicitárias do governo, privilegiando veículos de comunicação de menor porte, de âmbito local, e a blogosfera, em detrimento dos grandes grupos tradicionais, visando a fortalecer a liberdade de imprensa, o exercício do contraditório e pelo fim do pensamento único.

Para ele, o acerto na indicação desses nomes pode sugerir que o governo está "se tornando mais sensível" e "começando a entender a necessidade de diálogo". Vannuchi destaca, ainda, que deverão ser retomadas as conferências temáticas nas áreas de saúde, educação, direitos humanos, direitos das mulheres, igualdade racial, dentre outras, que tiveram o seu apogeu durante o governo Lula e "desaqueceram" posteriormente.

Fonte: Rede Brasil Atual via Vermelho

Redução da maioridade penal, entidades seguirão lutando para impedir

 
Agência Câmara

Entidades lamentam a aprovação da admissibilidade da proposta de emenda à Constituição (PEC) 171/93 que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Os grupos dizem que seguirão atuando junto aos parlamentares e sociedade para tentar impedir a tramitação da PEC, que consideram retrocesso histórico.


"A gente lamenta profundamenta esse retrocesso histórico que a CCJ promoveu, e espera que seja revertido no âmbito do Parlamento. Tem longo caminho na Câmara e, se for o caso, no Senado", diz o secretário executivo da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced), Vitor Alencar.


Não houve, segundo Alencar, um debate racional dos impactos da PEC e nem zelo pela constitucionalidade da matéria. A questão, segundo ele, tornou-se uma disputa partidária entre governo e oposição. Além disso, prevaleceu o viés da vingança e a lógica punitiva.

"A causa da violência e da criminalidade não passa pela idade como fator determinante. Todas as estatísticas de crimes mostram que o percentual de crimes graves cometidos por adolescentes, de 16 a 18 anos, é muito pequeno em relação ao número total", defende a presidenta do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Mariza Borges.

Nota técnica da Fundação Abrinq, que atua na promoção dos direitos de crianças e adolescentes, que compila dados sobre a questão, mostra que a população de adolescentes restritos e privados de liberdade representa 3,8% do total de presos no país. Em 2011, 38,1% dos atos infracionais cometidos por adolescentes privados de liberdade referiam-se a roubos, seguido pelo tráfico de drogas (26,6%). Os atos infracionais que atentam contra a vida representam 11,4%, somando a esse total os casos de tentativa de homicídio.

Segundo Mariza, "todas as evidências científicas existentes demonstram que essa medida nao resolve a questão da criminalidade. Estudos e trabalhos apontam para outros caminhos".

Alencar explica que a PEC é inconstitucional, por ferir um direito fundamental. Em seu Artigo 228, a Constituição prevê que menores de 18 anos sejam sujeitos a legislação especial, o que foi definido pelo próprio Parlamento no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê medidas sócio-educativas.

"É preciso olhar a Constituição a partir de uma perspectiva ampla, em todo o seu texto. O constitucionalista optou pelo parâmetro de 18 anos também para outras questões, como o voto obrigatório, o serviço militar obrigatório, determinados tipos de trabalho e a inimputabilidade", acrescenta.

A Anced ainda discutirá os próximos passos da entidade, que poderá buscar apoio junto a parlamentares para que entrem com mandado de segurança para impedir a tramitação da PEC. O CFP diz que vai continuar agindo na consientização da população e parlamentares.

Nesta terça-feira (31), às 19h30, o CFP promove debate online com a presença da Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, Angélica Moura Goulart. A transmissão poderá ser acessada pelo YouTube ou pelo portal do CFP.

Fonte: Agência Brasil via Vermelho

Mídia burguesa mina qualquer possibilidade de avanço da democracia

Em seu comentário semanal, o jornalista Paulo Henrique Amorim mostra como a mídia burguesa interfere no avanço político e social do país e mina qualquer possibilidade de progresso em questões centrais como a taxação de grandes fortunas e a regulamentação da comunicação.


    “Precisamos defender a legalidade do mandato de Dilma”, diz Lula

    O presidente do PCdoB, Renato Rabelo; o dirigente nacional da CTB, Adilson Araújo; a presidenta da UNE, Virgínia Barros e a deputada Leci Brandão foram algumas das lideranças presentes no ato
    Ricardo Stuckert/Instituto Lula
    O presidente do PCdoB, Renato Rabelo; o dirigente nacional da CTB,
    Adilson Araújo; a presidenta da UNE, Virgínia Barros e
    a deputada Leci Brandão foram algumas das lideranças presentes no ato

    Uma grande festa de bandeiras vermelhas tomou conta da capital paulista ontem, terça-feira (31) durante uma plenária dos movimentos sociais com o ex-presidente Lula. O dirigente dos trabalhadores afirmou repetidas vezes que defender a legalidade do mandato da presidenta Dilma Rousseff significa defender a soberania da escolha do povo brasileiro celebrada nas urnas durante as eleições presidenciais em outubro passado. 

    Por Mariana Serafini, do Vermelho


    O ex-presidente Lula, que chegou ao evento acompanhado dos dirigentes sindicais Adilson Araújo da CTB e Wagner Freitas da CUT, aproveitou a oportunidade para enviar uma mensagem a Dilma: “Quem está aqui [na plenária dos movimentos sociais] é seu parceiro nos bons e nos maus momentos, não queremos ser convidados só para a festa”, afirmou. E neste sentido deixou claro que o povo brasileiro não vai aceitar ter suas conquistas garantidas com lutas históricas prejudicadas em função dos interesses das elites.
     


    A palavra de ordem é defender a legalidade do governo Dilma e lutar para aprofundar mudanças e conquistar mais direitos. “Quando eles [a oposição e a elite] atacam a Dilma, estão atacando toda a classe trabalhadora, todas as nossas conquistas, tudo que foi feito até agora, e isso nós não vamos permitir”, disse Lula.

    A orientação de Lula é que os movimentos sociais ocupem as ruas cada vez com mais força e determinação para defender, além da legalidade do mandato de Dilma, as conquistas já obtidas, a Petrobras, a indústria e o desenvolvimento nacional, ao mesmo tempo que devem rechaçar as investidas de golpe e os ataques infundados que alegam corrupção.

    “Ninguém até hoje teve a coragem e a ousadia de investigar os crimes de corrupção deste país que a Dilma tem agora, não podemos baixar a cabeça e deixar que qualquer corrupto aí na esquina nos xingue por usarmos camisa vermelha”, afirmou Lula.

    Não é de hoje que a bandeira de combate à corrupção pertence ao campo da esquerda, porém, com um grau de hipocrisia e cinismo elevados a direita se apropriou desta pauta para criminalizar não só o PT, mas todos os partidos de esquerda e os movimentos sociais. O governo Dilma tem dado autonomia para que as investigações dos casos de corrupção sejam feitas e os culpados punidos. De acordo com Lula, durante o primeiro mandato Dilma dobrou o número de agentes da Polícia Federal e aumentou os recursos dos serviços de inteligência.

    “Agora eles tentam mostrar a Petrobras como corrupta, mas esquecem de dizer que esta é uma empresa de alta governança e quem teve coragem de enganar o povo vai ser investigado e pagará o preço da desonestidade”, garantiu Lula. Também entrou em defesa dos trabalhadores da petroleira que, por meio da generalização e dos ataques da imprensa hegemônica têm sido alvo.“Nenhum funcionário deve ter vergonha de usar a camiseta amarela [uniforme] desta que hoje é uma das maiores empresas de petróleo do mundo”.

    O papel de partido político desempenhado pela mídia hegemônica foi fortemente condenado pelo ex-presidente, e para mostrar que as investidas golpistas para desestabilizar o governo popular não são manchetes recentes, Lula levou impressas algumas capas de jornais que estampavam críticas muito parecidas com as atuais em seu primeiro e segundo mandatos. “Em 2007 quando eu fui reeleito a Folha dizia que o meu governo tinha acabado, e estava só começando, eles estão fazendo o mesmo agora com a Dilma, porém com muito mais violência”. E completou: “não precisa mais de juiz, a imprensa já condenou [quem está sendo investigado por corrupção]! As pessoas estão sendo hostilizadas no avião, em restaurantes”, disse ao apresentar casos de militantes e integrantes do governo que sofreram ataques verbais em espaços públicos.


    A plenária contou com a participação de milhares de militantes do movimento social | Foto: Renan Alencar
     
    Com relação aos ajustes fiscais anunciados já no início deste segundo mandato de Dilma, Lula relembrou que, quando presidente, também precisou tomar medidas muito parecidas e alertou que a crise econômica mundial está muito mais forte agora do que em 2008, quando começou e tem afetado diretamente o Brasil. “Está acontecendo muita coisa que atinge o trabalhador, mas nem tudo está sob o poder da Dilma, eu tenho certeza de que quando as coisas melhorarem ela vai fazer de tudo para melhorar ainda mais a vida do povo”, explicou.

    E defendeu a legitimidade dos movimentos sociais em protestar pelos direitos dos trabalhadores. “Vocês tem que ir lá conversar com a Dilma, mas tenham certeza de que se fossem os tucanos no governo, nem em Brasília vocês chegariam, isso mostra que nós evoluímos”.

    “Nos momentos mais difíceis do meu governo quem esteve comigo e me estendeu a mão foi a classe trabalhadora e o governo de Dilma é um resultado da escolha de vocês, é por isso que precisamos defender a escolha do povo”. Lula instiga a militância a encarar o debate político “de cabeça erguida” e apresentar argumentos capazes de provar as conquistas obtidas nos últimos doze anos.

    O evento contou com a participação de todas entidades e movimentos sociais que assinaram o manifesto em defesa da democracia, de mais direitos e pelo combate à corrupção,entre eles a CTB, UNE, MST, CUT, UBM, UJS, Fora do Eixo, ANPG, Barão de Itararé e outros. Milhares de trabalhadores e estudantes participaram do ato. Contou também com a participação dos presidentes Renato Rabelo, do PCdoB,e Rui Falcão, do PT.

    A mobilização aconteceu em todo o país, em outras capitais foram realizadas atividades cujo objetivo é fortalecer o debate com a militância. 


    Fonte: Vermelho