segunda-feira, 23 de março de 2015

A televisão que assistimos e os políticos que elegemos

Os telejornais, novelas, programas de humor e outros são campeões em disseminar gostos, modas, preconceitos, posições políticas em seus conteúdos,  

Os telejornais, novelas, programas de humor e outros são campeões em disseminar
gostos, modas, preconceitos, posições políticas em seus conteúdos,  

Cresce a cada dia o número de pessoas que reconhece o poder da mídia, sua influência na vida das pessoas, muitas vezes moldando comportamentos, formando opiniões, direcionando o voto. A internet é um elemento bastante favorável a esta tomada de consciência. Porém, há ainda muito que avançar, pois ainda há também uma enorme parcela da população que sequer questiona este papel poderoso dos meios de comunicação de massa, com forte destaque para a televisão.

Por Érica Daiane Costa* 


Os telejornais, novelas, programas de humor e outros “entretenimentos” são campeões em disseminar gostos, modas, preconceitos, posições políticas, seja de forma explícita ou embutida em seus conteúdos, sempre tão atrativos para o público que mantém fiel a audiência. Mesmo acessando internet, realizando tarefas domésticas, comendo em casa ou em um restaurante, conversando na sala em família ou com visitas, paralelamente a isso sempre mantemos o aparelho de TV ligado.
 


Não é novidade que no Brasil a maior parte desta audiência vai para a Rede Globo de Televisão, grande aliada da ditadura militar. Sim, pois havia um objetivo em comum entre o regime militar e as empresas de comunicação: instigar o crescimento do sistema capitalista no Brasil. Para isso, era estratégico o aumento do consumo, de produtos e de ideias.

Para o governo militar, a TV, principalmente, seria um meio para se criar uma desejada integração nacional, inclusive em combate a quem quisesse “desagregar” a sociedade com ideologias diferentes das do regime militar e do capitalismo. Isso vem junto com a expansão da energia elétrica nas zonas urbanas e rurais e com o aumento da produção dos aparelhos de televisão.

Sem interesse na mídia educativa

Isso explica o porquê de até hoje ser tão comum a falta de pluralidade da televisão brasileira. Apesar do capítulo V da Constituição Federal de 1988 (Art. 220 a 224) tratar da obrigatoriedade dos meios de comunicação darem preferência aos conteúdos educativos, artísticos, culturais, regionalizar a produção jornalística, divulgar a produção independente etc., o que se vê é a imposição da ideologia de poucas famílias ou grupos empresariais que violam mais um item da Carta Magna e formam os monopólios e oligopólios da comunicação no Brasil.

E o que nosso voto tem a ver com isso? Tudo. Dois fatos me chamaram atenção. Li uma matéria acerca da postura do deputado baiano Adolfo Menezes (PSD), que fez um pronunciamento na Assembleia Legislativa indignado com uma cena da novela global Império. Segundo ele, saiu da sala constrangido com a cena de um beijo entre dois homens em um dos capítulos da última semana da novela e ainda disse que já viajou ao lado de um casal homossexual em um avião e precisou tomar calmante para dormir. Mas vendo partes do último capítulo de Império, me veio uma inquietação: será que o deputado fará pronunciamento sobre as cenas de violência da novela? No último dia houve sequestro, assassinato e, ao longo de toda a trama, houve inúmeras situações de violência.

Falso moralismo. Infelizmente é essa a postura de muitos políticos com mandato e de muitos/as telespectadores/as. Não apenas com relação à homossexualidade, mas a outros tipos de desrespeito aos direitos humanos, à diversidade, às liberdades. E a reforma da mídia, será que o nobre deputado Adolfo Menezes sabe o que é? Qual será a posição dele? São poucos as/os parlamentares que levantam esta bandeira. Hoje se fala em reforma na comunicação no Brasil, mas não é motivo pra gente se animar – não sem antes mudar nossas decisões nas urnas.

Hoje, a maior parte da Câmara dos Deputados e do Senado é cria da Rede Globo, da ditadura militar e de outras estruturas de poder que não têm interesse algum numa mídia educativa, progressista, comprometida com a diversidade brasileira e pluralidade de ideias de todas e todos que fazem esta nação.

Sigamos persistindo e ajudando a descortinar olhares e estimular atitudes de mudança.

*É jornalista

Fonte: Observatório da Imprensa  via Vermelho

A manchete que você não vai ler: PSDB pediu 10 milhões para abafar CPI

  

Um vídeo foi divulgado nesta quinta-feira (19). Nele o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores da Operação Lava a Jato, aparece dizendo que em 2010 o falecido ex-senador e presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, pediu pessoalmente R$ 10 milhões para abafar uma CPI que tinha como alvo a Petrobras. O dinheiro foi entregue e Costa declara: "serviço realizado. E a CPI não foi feita". 


Notas Vermelhas não defende que o debate político seja feito com base em uma luta na lama. Lama pra cá e lama pra lá: “quem roubou foi você, não você é o ladrão”. Isso só ajuda a reforçar o discurso de ódio à política, caminho para o fascismo. Mas o que buscamos ressaltar com a presente nota é outra coisa. Apesar de a notícia deste depoimento de Paulo Costa sobre o PSDB não ser nova, pois em meados do ano passado já se sabia que ele tinha envolvido o ex-presidente dos tucanos em sua delação, só agora se tem a imagem em vídeo onde o delator fala com pormenores sobre o ocorrido, como o nome do hotel em que se reuniram, etc. No entanto, depois de na prática esconderem o vídeo onde o doleiro Youssef dá detalhes da “mesada” de Furnas entregue a Aécio Neves, nesta sexta-feira (20) os jornais Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo escondem também a notícia sobre a divulgação do vídeo sobre o PSDB. Em nenhuma das capas destes jornais o assunto sequer é mencionado. Vamos agora imaginar que em vez do ex-presidente do PSDB, o personagem fosse o ex-presidente do PT. É difícil adivinhar quais seriam as manchetes?

Avante! - O imperialismo joga forte na desestabilização do Brasil

O jornal Avante!, órgão central do Partido Comunista Português (PCP) publicou em sua última edição uma matéria sobre o Brasil intitulada: “Brasil na encruzilhada”. Na visão dos comunistas portugueses: “A barragem de desinformação em torno do Brasil regressou ao apogeu nestes dias. Escassos meses após a reeleição de Dilma Rousseff, a grande burguesia brasileira intensifica a campanha frenética contra a presidente legítima e as forças da esquerda consequente. Tripudiando demagogicamente sobre o fenômeno da corrupção, a direita derrotada nas urnas embarcou no grande golpe do ‘terceiro turno’, aventando já abertamente o ‘impeachment’ de Dilma. As marchas reacionárias de domingo em diversas cidades do Brasil, desmascarando o ódio visceral e agenda antidemocrática das classes abastadas, chegaram ao ponto de clamar pelo retorno da ditadura e até por uma intervenção militar estrangeira. Afirmar que o colosso sul-americano se encontra literalmente na mira e que se passou a uma nova fase da contra-ofensiva levada a cabo pelo imperialismo norte-americano no conjunto da América Latina constitui uma verdade.”

Zuenir Ventura e Ancelmo Gois fecharam a CIA

Em uma de suas recentes colunas no Tijolaço, o jornalista Fernando Brito contou que Leonel Brizola costumava às vezes perguntar “onde está a CIA, fecharam a CIA?”. Recentemente, o líder do PT na Câmara, Sibá Machado, advertiu que a agência de informação estadunidense estava agindo na desestabilização dos governos progressistas da América Latina e inclusive no caso do Brasil. Pra quê? O mundo caiu sobre a cabeça do deputado petista. Ancelmo Gois, colunista de O Globo, chamou o parlamentar de “folclórico”. Zuenir Ventura, também de O Globo, considerou ridícula “a hipótese da ação da CIA” que “não foi levada a sério por ninguém”. Se você tiver intimidade com alguém do corpo diplomático de qualquer país e, no meio de uma conversa regada a chope, comentar que a atuação da CIA nos países é uma fantasia, das duas uma: ou o diplomata seu amigo vai rir de estourar, ou vai permanecer sério mas pensando em o quanto você é um sujeito inocente e pouco perspicaz. A CIA continua mais ativa do que nunca, sua atuação envolve todos os continentes e a maior parte dos países. A agência tem agentes no Brasil, coisa que só não se sabe na rua Irineu Marinho, onde fica a redação do diário da famiglia Marinho. E só não sabem porque não querem. Afinal, é só perguntar para o William Waack, parece que ele conhece um pessoal na embaixada dos EUA.

E não é que a CIA continua funcionando? Instrumento real

A presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP) e do Centro Brasileiro em defesa da Paz e de Solidariedade aos Povos (Cebrapaz), a ex-deputada federal Socorro Gomes, ouvida pelo Notas Vermelhas, lembra que a CIA é um instrumento real a serviço da política de estado americano: “todos os governos dos EUA, estejam à frente republicanos ou democratas, sempre foram vorazes em relação à América Latina e ao Caribe, não tendo compromisso nem com a democracia nem com a soberania destes países”. Para a dirigente internacionalista, negar a atuação da CIA “ou é ingenuidade ou é esperteza”. Em entrevista publicada nesta terça-feira (17) pela revista Carta Maior, o cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira concordou com a afirmação de Sibá e “denunciou que os Estados Unidos, por meio de órgãos como CIA, NSA (Agência Nacional de Segurança) e ONGs a eles vinculadas, continuam na tentativa de desestabilizar governos de esquerda e progressistas da América Latina, como os da Venezuela, Argentina e Brasil”. Declarou o cientista político: “as demonstrações de 2013 e as últimas, contra a eleição da presidente Dilma Russeff, não foram evidentemente espontâneas". Responderão em coro os colunistas amestrados: “mas estes dois são evidentemente uns esquerdistas”. Vamos então a alguns outros depoimentos.

E não é que a CIA continua funcionando? E não foi o Sibá que afirmou

“Documentos obtidos provam que a agência de espionagem atua clandestinamente no Brasil. Delegados da PF afirmam que até FHC foi bisbilhotado por equipamentos da CIA (...) Nos filmes de Hollywood, os agentes da CIA, a poderosa Agência Central de Inteligência do governo americano, podem tudo. Espionam, compram informação, roubam documentos, matam, derrubam governos. As leis dos outros países, principalmente as dos subdesenvolvidos, não são levadas em consideração. Na vida real, é mais ou menos a mesma coisa. (...) Os agentes americanos atuam com desembaraço, tomam conhecimento de investigações confidenciais e têm acesso a informações de segurança nacional”. Não, Ancelmo Gois, não foi o deputado Sibá quem escreveu estas linhas, que fazem parte de uma reportagem da Isto É de 2002. Se a CIA espionava um governo como o de FHC, em tudo e por tudo, pró-EUA, o que não está fazendo hoje?

E não é que a CIA continua funcionando? Quem garante não é bolivariano

“O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que revelou os documentos secretos obtidos por Edward Snowden, disse em entrevista por telefone que o Brasil é o maior alvo das tentativas de espionagem dos Estados Unidos. ‘Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos’, disse o jornalista”. Não, Zuenir Ventura, isto não é obra de um jornal bolivariano. É trecho de uma reportagem da UOL (grupo Folha) em 2013. A dupla de colunistas globais, se ainda tem dúvida da existência da CIA, podia perguntar para o seu colega de empresa, William Waack.

E não é que a CIA continua funcionando? WikiLeaks

Nos documentos secretos do governo americano divulgados pelo WikiLeaks em 2011, o nome de Waack aparece três vezes. Nas três foi “conversar” com autoridades americanas, na embaixada dos EUA, sobre o cenário político brasileiro. Waack processou quem o chamou de espião. E ele tem razão. Realmente, convenhamos, espião é um nome forte. Ele é, isso sim, muito querido pelos funcionários da embaixada americana, que o convidam sistematicamente para o chá com torradas e ele, um cavalheiro (qualquer dia a Globo consegue a entrada de WW na ABL), sente-se mal em recusar. Sendo assim, quem sabe, pela intimidade que Waack tem com o pessoal da embaixada ianque, ele possa informar ao Ancelmo e ao Zuenir se a CIA funciona ou não no Brasil. Se bem que WW (não parece código de agente secreto?) deve, por um compromisso básico, negar que a CIA atue no Brasil. Não pelo motivo maldoso que, percebi, entrou pela mente do leitor: “Um espião não pode se revelar”. Nada disso, já repelimos esta difamação. Ele não é espião. A razão que o Waack teria para negar a existência da CIA é de ordem mais elevada: um convidado não fala sobre as intimidades do anfitrião para qualquer um. Mesmo que o chá esteja frio e a torrada um tanto pastosa. Afinal, amizade é tudo. Mas não tem problema se Waack negar. O próprio senado dos EUA admite que a CIA funciona.

E não é que a CIA continua funcionando? Senado americano tomado pelos vermelhos

Relatório do comitê de Inteligência do senado dos EUA, divulgado no dia 9 de dezembro de 2014, tratou da atuação da CIA. O senado dos EUA, como se sabe, é um antro de subversivos vermelhos, doidos para instalar o bolchevismo no continente. Sobre a atuação da CIA depois do 11 de setembro, dizem os senadores vermelhos que “a CIA enganou os americanos sobre o que estava fazendo”. Que os suspeitos de atividade antiamericana eram “interrogados usando métodos como ‘waterboarding’ (simulação de afogamento, que causava convulsões e vômitos), humilhação, esbofeteamento, exposição ao frio e privação de sono por até 180 horas”. Vamos combinar então assim, caros Zuenir e Ancelmo, a CIA existe, certo? Só não faz o que se pensa, ainda mais depois do pito que tomou do senado estadunidense. Na verdade, agora a CIA organiza festas infantis, bingos de caridade, coisas deste tipo. Sabotagem contra governos não alinhados, espionagem até de estadistas amigos, financiamento de grupos terroristas ou neonazistas para derrubar governos na Sérvia, no Afeganistão, na Líbia, na Síria, na Ucrânia, tudo isto é fantasia. Folclórico, não?

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br  

PCdoB 93 anos: presente na história, construindo o futuro

Já faz parte da história a famosa cena. Dois alfaiates (Joaquim Barbosa e Manuel Cendón), um advogado (Cristiano Cordeiro), um barbeiro (Abílio de Nequete), um eletricista (Hermogêneo Fernandes da Silva), um gráfico (João da Costa Pimenta), um jornalista (Astrojildo Pereira), um pedreiro (Elias da Silva) e um vassoureiro (Luís Pérez), estão em uma casa na Rua Visconde de Rio Branco, em Niterói, Rio de Janeiro. Em determinado momento levantam-se, sérios e solenes, e cantam baixinho, para não atrair a atenção da repressão, o hino A Internacional. Está fundado o Partido Comunista do Brasil, em 25 de março de 1922. 

Herdeiro e conseqüência de todas as lutas por justiça e liberdade de que já era rica a história do povo brasileiro, o Partido nasce inspirado pela Revolução Soviética na Rússia. A heróica ousadia dos bolcheviques ao estabelecerem, pela vez primeira, um poder estatal autenticamente operário e estável, que já durava há quase cinco anos, empolgava os proletários de todo o mundo, e também os brasileiros. 

O Partido inicialmente adotou a sigla PC-SBIC, (Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista), que foi trocada pouco tempo depois por PCB e, finalmente em 1962, PCdoB, tendo durante todo este tempo permanecido com o mesmo nome da fundação: Partido Comunista do Brasil.

O PCdoB representou para os trabalhadores um salto gigantesco à frente em sua organização e capacidade de articulação política. Ideias ousadas e avançadas, que viviam em estado germinativo, começam a ganhar nova força e uma voz mais potente. Circulam, com incômoda insistência, enunciados que horrorizam a burguesia: os trabalhadores eram os verdadeiros donos de todas as riquezas, os burgueses e latifundiários, os culpados e promotores da miséria, apenas um novo regime, o socialismo, seria capaz de acabar com este estado de coisas. 

Muitas características do Partido eram repudiadas pela “sociedade” tradicional. Por exemplo, as mulheres, no Partido Comunista, desempenhavam tarefas políticas antes reservadas aos homens, afinal mulheres nem podiam votar, como era isso de abandonarem as tarefas do lar?

Os comunistas então eram acusados de “promiscuidade” e de quererem destruir a família. 

Em 1930, o Partido lança um operário negro, Minervino de Oliveira, como candidato a presidente da República. Mais uma afronta à elite brasileira, majoritariamente rural e de um reacionarismo feroz o que, como vemos hoje, deixou fortes raízes. Minervino e Octavio Brandão (dirigente nacional do Partido) foram os primeiros parlamentares do PCdoB, eleitos para o cargo de intendente (vereador) em 1928 no município do Rio de Janeiro.

O Jornal A Classe Operária, órgão oficial do Partido, fundado em 1925, noticiou assim o acontecimento: “Vitória! Vitória! Pela primeira vez na história do Brasil, após 428 anos de luta, os trabalhadores abrem uma brecha nas formidáveis muralhas do legislativo e penetram na cidadela inimiga para iniciar uma política de classe independente”. 

A nova organização era constantemente perseguida e ilegalizada. Seus militantes não raro eram presos, sofriam torturas e muitos foram assassinados sem que, no entanto, o Partido jamais deixasse de funcionar e exercer sua atividade revolucionária.

O PCdoB foi então atraindo cada vez mais proletários, estudantes, intelectuais e artistas. No século 20, a partir da década de 30, a maioria dos protagonistas do que havia de melhor na produção artística e intelectual da nação foi militante ou simpatizante do Partido Comunista do Brasil.

O país, em todos os momentos de ditadura e de ameaça às liberdades, contou sempre com o PCdoB na vanguarda da resistência democrática. 

Neste março de 2015, é pedagógico recordar a saga dos comunistas, de braços dados com todos os demais patriotas e democratas, na luta pela criação da Petrobras e pela exigência de que o governo Vargas declarasse guerra aos fascistas, o que ocasionou a formação da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutou contra os nazistas alemães na Itália. 

Assim, a comemoração dos 93 anos do PCdoB não é uma festa restrita às fronteiras partidárias. Todos os que amam o Brasil, a democracia e a justiça social, comemoram com os comunistas.

Costuma-se dizer que se mede o grau de democracia no Brasil pela existência legal do Partido Comunista. De fato, o Brasil vive sua fase de maior democracia, e não por acaso o Partido também comemora em março deste ano, três décadas de legalidade, o mais longo período de atuação legal da trajetória dos comunistas.

O Portal Vermelho, que tem profunda ligação com o ideal comunista e revolucionário, saúda o PCdoB e reverencia a memória de todos os homens e mulheres, proletários, estudantes e intelectuais que abnegadamente deram suas vidas para que a bandeira vermelha da foice e do martelo chegasse altiva aos dias de hoje.

Seria fugir aos limites deste editorial, que representa apenas uma singela homenagem ao PCdoB, fazer um apanhado da rica gama de lutas que marcaram os 93 anos ou uma lista dos heróis e mártires desta longa e gloriosa história, mas registramos, entre tantos que poderiam e mereceriam ter seus nomes citados, alguns personagens simbólicos que abarcam uma geração decisiva para o caráter e a formação do Partido: João Amazonas, Maurício Grabois, Luis Carlos Prestes, Olga Benário Prestes, Carlos Marighella, Diógenes Arruda, Pedro Pomar e Elza Monerrat. 

O Partido comemora seu aniversário em um momento de ofensiva da direita. Porém, a experiência acumulada por esta organização proletária, de Astrojildo Pereira, o primeiro secretário-geral, até Renato Rabelo, atual presidente, mostra que o Partido se agiganta nas crises. O PCdoB, ao mesmo tempo em que é um patrimônio inelutável da história brasileira, também encarna, hoje, as esperanças do futuro. As esperanças de um porvir socialista, rumo ao comunismo, repousam principalmente, sobre o Partido Comunista do Brasil. O comunismo é a juventude do mundo e, aos 93 anos, o PCdoB é a juventude do Brasil. 


Fonte: Vermelho

Combate à violência de gênero ainda precisa vencer muitas barreiras

Dados divulgados pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM) indicam que o assassinato de mulheres por razões de gênero é um fenômeno global, com proporções alarmantes. O Brasil ocupa a sétima posição, em um ranking de 84 nações, em violência contra a mulher. 

Segundo o Mapa da Violência (2012), o Brasil ocupa o 7º lugar (de 84 países) com a maior taxa de mortes de mulheres. Dos relatos de violência feitos à Central de Atendimento à mulher - ligue 180, 33% afirmam existir uma situação de risco à vida da vítima.

Das mortes de mulheres, 68,8% aconteceram na residência, ou seja, é no âmbito doméstico, nas relações privadas e mais íntimas, onde são praticadas com mais intensidade e barbárie. Esses assassinatos são cometidos, via de regra, por pessoas com quem a Mulher mantem ou mantinha algum tipo de relação de afeto, como cônjuges e/ou namorados ou os respectivos ex.

Ouça também:

Para combater esse quadro, agora, o assassinato de mulheres decorrentes de violência doméstica e questões de gênero passa a ser considerado homicídio hediondo. Confira a reportagem com as deputadas Jô Moraes (PCdoB-MG) e Luciana Santos (PCdoB-PE).
 




Da Redação do Portal Vermelho
Com informações do PCdoB na Câmara

Dia mundial da água: segundo Unesco, mundo precisará mudar consumo

 A ONU instituiu o dia 22 de março como o dia mundial da água. A data é celebrada desde 1993. Consumo de água nas últimas décadas cresceu duas vezes mais do que a população. Estimativa é que a demanda cresça ainda 55% até 2050. 


 
Segundo o documento, a crise global de água é de governança, muito mais do que de disponibilidade do recurso, e um padrão de consumo mundial sustentável ainda está distante.

De acordo com a organização, nas últimas décadas, o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população e a estimativa é que a demanda cresça ainda 55% até 2050.

Mantendo os atuais padrões de consumo, em 2030, o mundo enfrentará um déficit no abastecimento de água de 40%.

Os dados estão no Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos 2015 – Água para um Mundo Sustentável.

O relatório atribui a vários fatores a possível falta de água, entre eles, a intensa urbanização, as práticas agrícolas inadequadas e a poluição, que prejudica a oferta de água limpa no mundo. A organização estima que 20% dos aquíferos estejam explorados acima de sua capacidade.

Os aquíferos, que concentram água no subterrâneo e abastecem nascentes e rios, são responsáveis atualmente por fornecer água potável à metade da população mundial e é de onde provêm 43% da água usada na irrigação.

Os desafios futuros serão muitos. O crescimento da população está estimado em 80 milhões de pessoas por ano, com estimativa de chegar a 9,1 bilhões em 2050, sendo 6,3 bilhões em áreas urbanas.

A agricultura deverá produzir 60% a mais no mundo e 100% a mais nos países em desenvolvimento até 2050. A demanda por água na indústria manufatureira deverá quadruplicar no período de 2000 a 2050.

Segundo a oficial de Ciências Naturais da Unesco na Itália, Angela Ortigara, integrante do Programa Mundial de Avaliação da Água (cuja sigla em inglês é WWAP) e que participou da elaboração do relatório, a intenção do documento é alertar os governos para que incentivem o consumo sustentável e evitem uma grave crise de abastecimento no futuro. “Uma das questões que os países já estão se esforçando para melhorar é a governança da água. É importante melhorar a transparência nas decisões e também tomar medidas de maneira integrada com os diferentes setores que utilizam a água. A população deve sentir que faz parte da solução.”

Cada país enfrenta uma situação específica. De maneira geral, a Unesco recomenda mudanças na administração pública, no investimento em infraestrutura e em educação. "Grande parte dos problemas que os países enfrentam, além de passar por governança e infraestrutura, passa por padrões de consumo, que só a longo prazo conseguiremos mudar, e a educação é a ferramenta para isso", diz o coordenador de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão.

No Brasil, a preocupação com a falta de água ganhou destaque com a crise hídrica no Sudeste. Antes disso, o País já enfrentava problemas de abastecimento, por exemplo no Nordetste.

Ary Mergulhão diz que o Brasil tem reserva de água importante, mas deve investir em um diagnóstico para saber como está em termos de política de consumo, atenção à população e planejamento. "É um trabalho contínuo. Não quer dizer que o país que tem mais ou menos recursos pode relaxar. Todos têm que se preocupar com a situação."

O relatório foi escrito pelo WWAP e produzido em colaboração com as 31 agências do sistema das Nações Unidas e 37 parceiros internacionais da ONU-Água.

A intenção é que a questão hídrica seja um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que vêm sendo discutidos desde 2013, seguindo orientação da Conferência Rio+20 e que deverão nortear as atividades de cooperação internacional nos próximos 15 anos.

Fonte: Agência Brasil via Vermelho

Suécia celebra 40 anos de lei que regulamentou aborto

Jovens em Malmo, cidade no sul da Suécia; há 40 anos, país era como o Brasil hoje, que criminaliza o aborto e condena mulheres à clandestinidade 

Sigfrid Lundberg / Flickr CC
Jovens em Malmo, cidade no sul da Suécia; há 40 anos, país era como
o Brasil hoje, que criminaliza o aborto e condena mulheres à clandestinidade 

Assim como no Brasil de hoje, até 1975 mulheres suecas eram obrigadas a recorrer a clínicas clandestinas e inseguras; desde então, país registra estabilidade tanto na taxa de abortos anuais quanto no crescimento da população. 

Por Fernanda Favaro


1975. Maria descobre que está grávida e, depois de muita angústia e desespero, vividos em total solidão, decide abortar. Conversa com algumas amigas que sabem “o caminho das pedras”: uma clínica de aborto clandestino fora da cidade. Marcado o dia do procedimento, ela pega o trem para o interior sentindo-se uma criminosa fugitiva. Chegando ao local, percebe a inferioridade e insegurança da infraestrutura, mas se entrega à cirurgia entre o arrependimento, a angústia e a culpa. No mesmo dia, volta para casa, tem uma grave hemorragia e é encaminhada à emergência do hospital “legal”. Cercada por olhares julgadores da equipe médica, e pelo preconceito e rejeição da própria família, Maria morre. Fim.


2015. Maria descobre que está grávida e, depois de muito pensar e conversar com seu companheiro, decide abortar. Vai até a clínica de mulheres do hospital da cidade e é recebida pela equipe médica treinada e designada para trabalhar com a temática. Mas Maria ainda está insegura sobre sua decisão, pois se sente culpada e, por isso, pede a ajuda de um psicólogo. A consulta é marcada e o profissional a ajuda a expressar seus sentimentos e conflitos em torno da gravidez e do aborto, sem direcionar sua decisão. Maria sai da clínica e, passados alguns dias, marca o dia do procedimento. No dia, toma o remédio indicado pela clínica e espera o efeito em casa – poderia ficar na clínica, mas achou melhor estar com alguém de seu círculo afetivo. Feito o aborto, novas consultas para controle são marcadas. A ela, é oferecido também acompanhamento psicológico pós-aborto. Fim.

As duas histórias acima são fictícias, mas baseadas em fatos reais. Elas mostram dois momentos distintos da história recente da Suécia: o antes e o depois da legalização do aborto no país. A lei, que devolveu às mulheres suecas o direito de decidir sobre seus próprios corpos, completou 40 anos em janeiro, e foi comemorada como uma das conquistas de direitos humanos e igualdade mais importantes de todos os tempos no país. Até mesmo um grande festival de música, organizado pela organização de direitos sexuais e reprodutivos RSFU (Riksförbundet för sexuell upplysning), foi realizado para comemorar a data. Entre o público havia famílias inteiras com crianças pequenas.

Mas voltemos ao “antes” sueco, assustadoramente semelhante ao “hoje” brasileiro. Também por aqui, salvo em casos excepcionais como estupro, incesto e risco para a vida da mãe, o aborto era crime há 40 anos e, portanto, passível de tribunal. Essa situação levava ao cenário tão conhecido quanto previsível. Até a década de 1970, milhares de mulheres suecas morriam todos os anos em decorrência de procedimentos mal feitos em clínicas ilegais localizadas em pontos escondidos de Estocolmo e no interior, ou em suas próprias casas. Às que sobreviviam, mas tinham sua verdade revelada, o destino era o julgamento, moral e legal.

Em entrevista para a edição de janeiro da revista Situation Stockholm, a “Ocas” sueca, Marc Bygdeman, professor emérito em obstetrícia e ginecologia do Instituto Karolinska e ativista pelo direito ao aborto livre há 50 anos, conta mais detalhes deste tempo. “Existia uma lei de aborto extremamente restritiva, que aprovava somente cerca de 3 mil abortos legais por ano. Enquanto isso, eram registrados cerca de 15 mil abortos ilegais acompanhados de complicações e mortes. Se uma mulher quisesse solicitar aborto em Estocolmo, ela era obrigada a ir até clínica de saúde mental, que cuidava dos pedidos. Qual era a mensagem? Que uma mulher que desejasse abortar era doente mental?”, conta.

A restrição era tamanha que as mulheres suecas passaram a pagar por abortos em países onde o procedimento era legalizado, com destaque para a Polônia comunista. O mercado de abortos no estrangeiro, um verdadeiro escândalo para uma Suécia que se considerava liberal, veio a público em 1965. Em uma operação batizada de “Negócio da Polônia” (livre tradução), a polícia invadiu a casa e prendeu o ativista Hans Nestius, que ajudava mulheres a viajar para o país vizinho. Era o estopim de um intenso debate nacional em torno da legalização do aborto e encabeçado, na época, pelos jornais Expressen e Aftonbladet. Neste mesmo ano, pressionado pela opinião pública, intelectuais e setores da classe médica, o governo arquivou o processo contra Nestius e assumiu os trabalhos em torno de uma eventual liberalização da lei.

Motivados pelos ventos favoráveis demonstrados pela abertura do governo ao debate, estudantes, liberais, socialdemocratas, e o novo movimento organizado de mulheres liderado pelo chamado Grupp 8 — coletivo feminista fundado em 1972 por oito suecas pioneiras — se uniram aos grupos que já vinham lutando pelo direito ao aborto desde a década de 1930: esquerda organizada, RFSU, médicos simpatizantes e intelectuais feministas da “antiga”. Como resultado, entre 1965 e 1974, fase mais intensa do movimento pró-aborto sueco, os diversos grupos realizaram centenas de debates, protestos reunindo milhares de pessoas, publicações em veículos simpatizantes da causa e incursões junto aos partidos com cadeiras no Parlamento. Os novos tempos mostravam que, definitivamente, não havia mais espaço para o questionamento do direito ao aborto. As mulheres exigiam mudanças, e não toleravam mais esperar.

Em primeiro de janeiro de 1975, a lei do “direito ao aborto livre” foi finalmente aprovada. De lá para cá, algumas mudanças foram incluídas na letra original, mas a base continua a mesma: durante o primeiro período da gravidez, ou seja, até a 18° semana, a mulher tem pleno direito de decidir sobre o aborto. Passado esse período, é o serviço social quem recomenda ou não a realização do aborto tardio a partir da análise de cada caso. Estes correspondem a apenas 1% do total de procedimentos – a maioria, 80%, acontece até a nona semana de gravidez (Socialstyrelsen, RFSU). Torun Carrfors, enfermeira, resume o espírito da lei: “Não é nenhum direito humano trabalhar no serviço de saúde da mulher, mas é um direito humano que ela possa decidir sobre seu próprio corpo” (Situation Stockholm, janeiro de 2015).

Para ter seu direito humano atendido nos dias de hoje, basta que a mulher procure o serviço de saúde e manifeste seu desejo – como vimos na historinha da Maria de 2015. Lá, ela terá atendimento médico e psicológico e, caso decida pelo aborto, recebe o medicamento abortivo: duas pílulas que devem ser ingeridas em um período de 36 horas. A primeira é tomada no hospital, e a segunda, em casa, caso seja este o desejo da mulher. Para os casos que passaram das 18 semanas e obtiveram permissão das autoridades, o aborto é realizado de forma cirúrgica. Em qualquer momento do processo, seja via medicinal ou cirúrgica, toda mulher tem o direito a apoio psicológico já que, também por aqui, apesar de legalizado, o aborto ainda é cercado de tabus, mitos e silêncios.

A recente história do aborto na Suécia mostra que a grande diferença entre as duas Marias do começo do texto é a aceitação e acolhimento, na forma da lei, de uma verdade inconveniente: mulheres sempre abortaram e sempre abortarão, não importa o que a família, a igreja e o Estado digam ou façam. Se é assim, o que ganha um país democrático como o Brasil fechando os olhos para isso, ou limitando o debate ao campo moral e religioso? Resposta: apenas o vergonhoso título de um dos lugares do mundo onde mais se mata mulheres em decorrência de abortos ilegais. São um milhão de abortos clandestinos por ano resultando em cerca de 250 mil internações para tratamento de complicações em território nacional. A cada dois dias, uma brasileira morre por aborto inseguro, sendo esta a quinta maior causa de morte materna no país.

Também derruba outro famoso mito propagado em fóruns conservadores e religiosos: a de que o aborto legalizado e protegido funcionaria como um incentivo ao procedimento e uma ameaça aos nascimentos e à “família”. No entanto, a experiência sueca vem mostrando que a legalização não tornou suas mulheres “máquinas de aborto”, muito menos teve influência em sua decisão futura de ter filhos. Desde que os procedimentos passaram a ser oficialmente contabilizados, o país a mantém mais ou menos a mesma proporção de 18 a 21 abortos por mil habitantes – levemente acima da taxa de outros países europeus (Socialstyrelsen, RFSU). Quanto à taxa de nascimentos, o país registra uma estável cifra de cerca de 10 nascimentos por mil habitantes há mais de uma década, além de sucessiva progressão em sua taxa de crescimento demográfico – fato explicado, na realidade, pelas políticas de incentivo à natalidade e à imigração, sem qualquer relação direta com o aborto legal (Index Mundi). Logo, a legalização nada mais fez do que tirar o aborto da clandestinidade assassina e apoiar, com recursos médicos, humanos e científicos, o que já acontecia desde quando as primeiras mulheres suecas descobriram os primeiros métodos abortivos.

Por fim, os 40 anos do aborto legal na Suécia chamam a atenção para a absoluta importância do feminismo. A jornada de país que vergonhosamente exportava mulheres para o exterior para que pudessem abortar sem serem perseguidas, para país que acolhe plenamente este direito, é a jornada de décadas de “Marias” engajadas na luta por respeito e igualdade. Elas são a prova de que o feminismo e as feministas seguem sendo indispensáveis para o processo de evolução da humanidade. Sem suas lutas e duras conquistas, nunca haverá esperança para países que sonham com o carimbo de “desenvolvidos”. E esse recado serve como nunca para o Brasil de 2015, onde ventos ultraconservadores vêm soprando assustadoramente forte desde as últimas eleições.

Fonte: Opera Mundi, artigo originalmente publicado no site Blogueiras Feministas via Vermelho

Pesquisa: 61% dos brasileiros são contra a privatização da Petrobras

 Grande bandeira da direita e dos neoliberiais, a privatização da Petrobras definitivamente não conta com o apoio do povo.  


 
A defesa da privatização da estatal esteve presente nas manifestações da direita no dia 15.

Entretanto, mesmo um instituto de pesquisa ligado ao Grupo Folha (dono do site UOL e do jornal Folha de S. Paulo), conhecido por ser um abnegado propagandista da entrega do patrimônio público, reconhece, em pesquisa divulgada neste domingo (22) que a maioria dos entrevistados, 61%, é contra a privatização da empresa. As reservas quanto à isenção e aos métodos do Datafolha (tipo de pergunta que induz a uma resposta determinada, etc.) permitem, no entanto, supor que este percentual é bem maior.

Os números do Datafolha

A pesquisa Datafolha diz que 61% dos brasileiros são contra a desestatização da Petrobras. Por outro lado, 24% são favoráveis, 5% se dizem indiferentes e 10% não souberam responder. Entre os que se dizem simpatizantes do PT, 67% são contrários à privatização. Já entre os que se identificam com o PSDB, a maioria também é contra, 56%, e 35% são favoráveis. O levantamento foi feito em âmbito nacional, com 2.842 eleitores.

Da redação doVermelho