segunda-feira, 23 de março de 2015

Suécia celebra 40 anos de lei que regulamentou aborto

Jovens em Malmo, cidade no sul da Suécia; há 40 anos, país era como o Brasil hoje, que criminaliza o aborto e condena mulheres à clandestinidade 

Sigfrid Lundberg / Flickr CC
Jovens em Malmo, cidade no sul da Suécia; há 40 anos, país era como
o Brasil hoje, que criminaliza o aborto e condena mulheres à clandestinidade 

Assim como no Brasil de hoje, até 1975 mulheres suecas eram obrigadas a recorrer a clínicas clandestinas e inseguras; desde então, país registra estabilidade tanto na taxa de abortos anuais quanto no crescimento da população. 

Por Fernanda Favaro


1975. Maria descobre que está grávida e, depois de muita angústia e desespero, vividos em total solidão, decide abortar. Conversa com algumas amigas que sabem “o caminho das pedras”: uma clínica de aborto clandestino fora da cidade. Marcado o dia do procedimento, ela pega o trem para o interior sentindo-se uma criminosa fugitiva. Chegando ao local, percebe a inferioridade e insegurança da infraestrutura, mas se entrega à cirurgia entre o arrependimento, a angústia e a culpa. No mesmo dia, volta para casa, tem uma grave hemorragia e é encaminhada à emergência do hospital “legal”. Cercada por olhares julgadores da equipe médica, e pelo preconceito e rejeição da própria família, Maria morre. Fim.


2015. Maria descobre que está grávida e, depois de muito pensar e conversar com seu companheiro, decide abortar. Vai até a clínica de mulheres do hospital da cidade e é recebida pela equipe médica treinada e designada para trabalhar com a temática. Mas Maria ainda está insegura sobre sua decisão, pois se sente culpada e, por isso, pede a ajuda de um psicólogo. A consulta é marcada e o profissional a ajuda a expressar seus sentimentos e conflitos em torno da gravidez e do aborto, sem direcionar sua decisão. Maria sai da clínica e, passados alguns dias, marca o dia do procedimento. No dia, toma o remédio indicado pela clínica e espera o efeito em casa – poderia ficar na clínica, mas achou melhor estar com alguém de seu círculo afetivo. Feito o aborto, novas consultas para controle são marcadas. A ela, é oferecido também acompanhamento psicológico pós-aborto. Fim.

As duas histórias acima são fictícias, mas baseadas em fatos reais. Elas mostram dois momentos distintos da história recente da Suécia: o antes e o depois da legalização do aborto no país. A lei, que devolveu às mulheres suecas o direito de decidir sobre seus próprios corpos, completou 40 anos em janeiro, e foi comemorada como uma das conquistas de direitos humanos e igualdade mais importantes de todos os tempos no país. Até mesmo um grande festival de música, organizado pela organização de direitos sexuais e reprodutivos RSFU (Riksförbundet för sexuell upplysning), foi realizado para comemorar a data. Entre o público havia famílias inteiras com crianças pequenas.

Mas voltemos ao “antes” sueco, assustadoramente semelhante ao “hoje” brasileiro. Também por aqui, salvo em casos excepcionais como estupro, incesto e risco para a vida da mãe, o aborto era crime há 40 anos e, portanto, passível de tribunal. Essa situação levava ao cenário tão conhecido quanto previsível. Até a década de 1970, milhares de mulheres suecas morriam todos os anos em decorrência de procedimentos mal feitos em clínicas ilegais localizadas em pontos escondidos de Estocolmo e no interior, ou em suas próprias casas. Às que sobreviviam, mas tinham sua verdade revelada, o destino era o julgamento, moral e legal.

Em entrevista para a edição de janeiro da revista Situation Stockholm, a “Ocas” sueca, Marc Bygdeman, professor emérito em obstetrícia e ginecologia do Instituto Karolinska e ativista pelo direito ao aborto livre há 50 anos, conta mais detalhes deste tempo. “Existia uma lei de aborto extremamente restritiva, que aprovava somente cerca de 3 mil abortos legais por ano. Enquanto isso, eram registrados cerca de 15 mil abortos ilegais acompanhados de complicações e mortes. Se uma mulher quisesse solicitar aborto em Estocolmo, ela era obrigada a ir até clínica de saúde mental, que cuidava dos pedidos. Qual era a mensagem? Que uma mulher que desejasse abortar era doente mental?”, conta.

A restrição era tamanha que as mulheres suecas passaram a pagar por abortos em países onde o procedimento era legalizado, com destaque para a Polônia comunista. O mercado de abortos no estrangeiro, um verdadeiro escândalo para uma Suécia que se considerava liberal, veio a público em 1965. Em uma operação batizada de “Negócio da Polônia” (livre tradução), a polícia invadiu a casa e prendeu o ativista Hans Nestius, que ajudava mulheres a viajar para o país vizinho. Era o estopim de um intenso debate nacional em torno da legalização do aborto e encabeçado, na época, pelos jornais Expressen e Aftonbladet. Neste mesmo ano, pressionado pela opinião pública, intelectuais e setores da classe médica, o governo arquivou o processo contra Nestius e assumiu os trabalhos em torno de uma eventual liberalização da lei.

Motivados pelos ventos favoráveis demonstrados pela abertura do governo ao debate, estudantes, liberais, socialdemocratas, e o novo movimento organizado de mulheres liderado pelo chamado Grupp 8 — coletivo feminista fundado em 1972 por oito suecas pioneiras — se uniram aos grupos que já vinham lutando pelo direito ao aborto desde a década de 1930: esquerda organizada, RFSU, médicos simpatizantes e intelectuais feministas da “antiga”. Como resultado, entre 1965 e 1974, fase mais intensa do movimento pró-aborto sueco, os diversos grupos realizaram centenas de debates, protestos reunindo milhares de pessoas, publicações em veículos simpatizantes da causa e incursões junto aos partidos com cadeiras no Parlamento. Os novos tempos mostravam que, definitivamente, não havia mais espaço para o questionamento do direito ao aborto. As mulheres exigiam mudanças, e não toleravam mais esperar.

Em primeiro de janeiro de 1975, a lei do “direito ao aborto livre” foi finalmente aprovada. De lá para cá, algumas mudanças foram incluídas na letra original, mas a base continua a mesma: durante o primeiro período da gravidez, ou seja, até a 18° semana, a mulher tem pleno direito de decidir sobre o aborto. Passado esse período, é o serviço social quem recomenda ou não a realização do aborto tardio a partir da análise de cada caso. Estes correspondem a apenas 1% do total de procedimentos – a maioria, 80%, acontece até a nona semana de gravidez (Socialstyrelsen, RFSU). Torun Carrfors, enfermeira, resume o espírito da lei: “Não é nenhum direito humano trabalhar no serviço de saúde da mulher, mas é um direito humano que ela possa decidir sobre seu próprio corpo” (Situation Stockholm, janeiro de 2015).

Para ter seu direito humano atendido nos dias de hoje, basta que a mulher procure o serviço de saúde e manifeste seu desejo – como vimos na historinha da Maria de 2015. Lá, ela terá atendimento médico e psicológico e, caso decida pelo aborto, recebe o medicamento abortivo: duas pílulas que devem ser ingeridas em um período de 36 horas. A primeira é tomada no hospital, e a segunda, em casa, caso seja este o desejo da mulher. Para os casos que passaram das 18 semanas e obtiveram permissão das autoridades, o aborto é realizado de forma cirúrgica. Em qualquer momento do processo, seja via medicinal ou cirúrgica, toda mulher tem o direito a apoio psicológico já que, também por aqui, apesar de legalizado, o aborto ainda é cercado de tabus, mitos e silêncios.

A recente história do aborto na Suécia mostra que a grande diferença entre as duas Marias do começo do texto é a aceitação e acolhimento, na forma da lei, de uma verdade inconveniente: mulheres sempre abortaram e sempre abortarão, não importa o que a família, a igreja e o Estado digam ou façam. Se é assim, o que ganha um país democrático como o Brasil fechando os olhos para isso, ou limitando o debate ao campo moral e religioso? Resposta: apenas o vergonhoso título de um dos lugares do mundo onde mais se mata mulheres em decorrência de abortos ilegais. São um milhão de abortos clandestinos por ano resultando em cerca de 250 mil internações para tratamento de complicações em território nacional. A cada dois dias, uma brasileira morre por aborto inseguro, sendo esta a quinta maior causa de morte materna no país.

Também derruba outro famoso mito propagado em fóruns conservadores e religiosos: a de que o aborto legalizado e protegido funcionaria como um incentivo ao procedimento e uma ameaça aos nascimentos e à “família”. No entanto, a experiência sueca vem mostrando que a legalização não tornou suas mulheres “máquinas de aborto”, muito menos teve influência em sua decisão futura de ter filhos. Desde que os procedimentos passaram a ser oficialmente contabilizados, o país a mantém mais ou menos a mesma proporção de 18 a 21 abortos por mil habitantes – levemente acima da taxa de outros países europeus (Socialstyrelsen, RFSU). Quanto à taxa de nascimentos, o país registra uma estável cifra de cerca de 10 nascimentos por mil habitantes há mais de uma década, além de sucessiva progressão em sua taxa de crescimento demográfico – fato explicado, na realidade, pelas políticas de incentivo à natalidade e à imigração, sem qualquer relação direta com o aborto legal (Index Mundi). Logo, a legalização nada mais fez do que tirar o aborto da clandestinidade assassina e apoiar, com recursos médicos, humanos e científicos, o que já acontecia desde quando as primeiras mulheres suecas descobriram os primeiros métodos abortivos.

Por fim, os 40 anos do aborto legal na Suécia chamam a atenção para a absoluta importância do feminismo. A jornada de país que vergonhosamente exportava mulheres para o exterior para que pudessem abortar sem serem perseguidas, para país que acolhe plenamente este direito, é a jornada de décadas de “Marias” engajadas na luta por respeito e igualdade. Elas são a prova de que o feminismo e as feministas seguem sendo indispensáveis para o processo de evolução da humanidade. Sem suas lutas e duras conquistas, nunca haverá esperança para países que sonham com o carimbo de “desenvolvidos”. E esse recado serve como nunca para o Brasil de 2015, onde ventos ultraconservadores vêm soprando assustadoramente forte desde as últimas eleições.

Fonte: Opera Mundi, artigo originalmente publicado no site Blogueiras Feministas via Vermelho

Pesquisa: 61% dos brasileiros são contra a privatização da Petrobras

 Grande bandeira da direita e dos neoliberiais, a privatização da Petrobras definitivamente não conta com o apoio do povo.  


 
A defesa da privatização da estatal esteve presente nas manifestações da direita no dia 15.

Entretanto, mesmo um instituto de pesquisa ligado ao Grupo Folha (dono do site UOL e do jornal Folha de S. Paulo), conhecido por ser um abnegado propagandista da entrega do patrimônio público, reconhece, em pesquisa divulgada neste domingo (22) que a maioria dos entrevistados, 61%, é contra a privatização da empresa. As reservas quanto à isenção e aos métodos do Datafolha (tipo de pergunta que induz a uma resposta determinada, etc.) permitem, no entanto, supor que este percentual é bem maior.

Os números do Datafolha

A pesquisa Datafolha diz que 61% dos brasileiros são contra a desestatização da Petrobras. Por outro lado, 24% são favoráveis, 5% se dizem indiferentes e 10% não souberam responder. Entre os que se dizem simpatizantes do PT, 67% são contrários à privatização. Já entre os que se identificam com o PSDB, a maioria também é contra, 56%, e 35% são favoráveis. O levantamento foi feito em âmbito nacional, com 2.842 eleitores.

Da redação doVermelho

sexta-feira, 20 de março de 2015

"A batalha está nas mídias sociais", diz Ramonet

 

O renomado jornalista e cientista político franco-espanhol, Ignacio Ramonet, conclamou os governos progressistas a usarem as redes sociais para enfrentar as campanhas midiáticas da oposição. “Hoje a batalha está nas mídias social”, disse.



Depois de esclarecer que é perfeitamente legítimo que a oposição use as novas tecnologias, como WhatsApp, Twitter ou Facebook, para espalhar a sua mensagem e mobilizar seus seguidores, Ramonet considerou que governos progressistas também devem refletir sobre como eles podem usar essas ferramentas.

“Há 15 anos, a batalha foi desenvolver meios de comunicação públicos ao lado da mídia privada”, recordou o comunicador, que disse que a maioria dos líderes de esquerda que chegaram ao poder entre 1999 e 2005 na América Latina foram muito ingênuos com a imprensa.

Segundo Ramonet, nenhum desses líderes tinham uma teoria política de como lidar com os meios de comunicação, nem imaginavam que viriam a se tornar a principal oposição, se envolvendo em golpes de Estado, como foi o caso na Venezuela de 2002.

“A população, como seres humanos dotados de inteligência e livres, saberá resistir manipulação da mídia”, disse ele.

Ele constatou que a reflexão sobre a batalha da mídia tem que ser permanente. Ramonet fará uma palestra, nesta sexta-feira (20), na sede do Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina, no Equador, sobre a "Democracia e os meios de comunicação".

Fonte: Prensa Latina via Vermelho

Se o “Faz a Diferença” tivesse 50 anos quem a Globo teria homenageado?

  

O prêmio “Faz a Diferença”, do jornal O Globo, está em sua 12ª edição e nesta quarta-feira (18) homenageou como “personalidade do ano” o ínclito juiz Sérgio Moro. Mas imaginemos que o prêmio, ao invés de estar na 12ª edição, estivesse na 50ª edição. Quem teria sido homenageado pelo jornal em 1965?


Levando-se em conta que O Globo foi um entusiástico apoiador da ditadura militar instalada em nosso país e que, como pagamento, recebeu dos generais diversos favores que possibilitaram a construção do atual poder do Grupo Globo, fizemos um pequeno exercício de imaginação para supor quem seriam os primeiros homenageados pela Globo caso o prêmio tivesse sua edição número um em 1965. Queremos que a Globo encare esta iniciativa como uma primeira e singela homenagem do Notas Vermelhas pelos 50 anos da TV Globo, fundada em 26 de abril de 1965. Outras homenagens virão. Nossas e do movimento social que já está preparando diversas ações para não deixar passar em branco esta data funesta para a democracia, para os trabalhadores e para a cultura nacional. ONotas Vermelhas está aberto às sugestões dos internautas para os homenageados dos anos posteriores.

1º PRÊMIO FAZ A DIFERENÇA 1965 

Personalidade do ano: General Castelo Branco, primeiro ditador a ostentar o título de presidente depois do Golpe Militar de 1964.

Categoria Brasil: Maria Paula Caetano da Silva, fundadora da União Cívica Feminina, promotora da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que onze dias antes do Golpe, pediu a deposição de João Goulart por conta da ameaça comunista e da corrupção.

O jornal O Globo faria uma matéria sobre a entrega do prêmio, mais ou menos assim:

O tom dos discursos foi de agradecimento ao principal homenageado, presidente Castelo Branco, e à senhora Maria Paula por terem ajudado, com a marcha e a revolução de 1964, a salvar a democracia. Várias personalidades fizeram uso da palavra denunciando o estado de coisas antes da revolução, para a qual a marcha com Deus pela Família foi tão importante, por mostrar que era o povo que exigia a intervenção dos militares para derrotar os comunistas.

RC fala sobre qual era a situação antes da revolução: “uma máfia tomou de assalto o Estado e transformou a coisa pública em ‘cosa nostra’. Fingir que a solução para o problema é ‘mais democracia’, ou ‘mais participação popular’ (...) é um atentado à inteligência dos brasileiros” (1).

Na mesma linha AJ acusava o deposto governo Jango de estar tomado de comunistas, pois havia “demonstrações de bolchevismo arcaico nos arredores do governo” (2).

RR defendeu o fechamento dos partidos: “O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (...)” (3).

Já ZV repudiou a “ridícula hipótese da ação da CIA” em apoio à revolução e exaltou a Marcha Pela Família, que respaldou o movimento militar, ressaltando que “mais importante do que a quantidade, (o melhor) foi o bom comportamento da maioria dos participantes” (4).

RD também prestou sua reverência à marcha, dizendo que a manifestação da União Cívica Feminina e de outras organizações, não foi “encarnada pelo falso vermelho, e (sim) marcada pelo verde-amarelo. O verde-esperança e o ouro sem mácula que pintam o coração de milhares de brasileiros” (5).

Para RA, agora que a Revolução militar triunfou está na hora de a “imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar” (6).

Em seu discurso, o homenageado, o grande estadista presidente Castelo Branco, justificou todas as esperanças depositadas no movimento por ele liderado. Relembrou o presidente, sob constantes aplausos da seleta plateia de empresários, jornalistas e convidados, que em seu primeiro ano mandou 400 pms invadirem a Universidade de Brasília (reduto de comunistas), cassou os direitos políticos do ex-presidente Juscelino Kubitschek, criou o SNI, implantou a lei de greve que na prática impede as greves, prorrogou o próprio mandato, e o que ele pessoalmente considera o mais relevante, extinguiu o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), as Ligas Camponesas, a UNE e a UBEs. Neste instante, a plateia presente ao 1º Prêmio Faz a Diferença levantou-se para aplaudir de pé o general. Notava-se que os olhos de RC, AJ, ZV, RD e RA estavam marejados d’água, pela contagiante emoção do momento. O único incidente constrangedor aconteceu quando um jornalista que, depois verificou-se, conseguiu entrar sem ser convidado, abordou o general com uma absurda pergunta sobre rumores de que o regime estava torturando e matando opositores. O general respondeu que isso “era uma calúnia”. O Globo se desculpa com o presidente e denuncia que o jornalista trabalha em um “jornal sujo”, súcia de militantes comunistas. Castelo Branco respondeu que em breve tal jornal será fechado. A nação respira aliviada. 

Os textos dos fictícios depoimentos foram trechos verdadeiros extraídos de artigos dos seguintes articulistas: 

  1. Rodrigo Constantino (24/2/2015).
  2. Arnaldo Jabor (19/4/2011). 
  3. Roberto Romano (2/3/2010). 
  4. Zuenir Ventura (18/3/2015). 
  5. Roberto Damatta (18/3/2015). 
  6. Reinaldo Azevedo (2/3/2010).
Aliás...

Os trechos em que Zuenir Ventura e Roberto Damatta elogiam a marcha neofascista do último dia 15 de março foram utilizados (assim como os outros trechos selecionados) para mostrar como a mídia hegemônica e seus articulistas a soldo não mudaram o discurso, pois em 1964 a marcha com Deus pela família também usava o pretexto da luta contra a corrupção e em defesa da constituição mas pregava, na prática, o golpe e a quebra da ordem institucional, em favor dos ricos. Também na época, articulistas convenientemente “ingênuos”, acreditavam nas bandeiras “oficiais” da manifestação enquanto as oficiosas é que davam o tom. Vejam este outro trecho do artigo de Roberto Damatta, onde ele se refere assim aos participantes da marcha do dia 15 (a do dia 13 era composta por pessoas que não deveriam existir e por isso o antropólogo não perde tempo com elas): “Esses cidadãos comuns. Essa gente miúda. Esse povinho sem ideologia ou utopia, mas com a moralidade, apesar de tudo, intacta!” Leram direitinho? Agora reparem na foto ao lado. O cidadão que estava na rua contra a corrupção, segurando o cartaz “Fora Dilma”, é o lobista Luiz Abi, primo do tucano Beto Richa, governador do Paraná. Menos de 24 horas depois de participar do protesto, Luiz Abi foi preso por corrupção pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Poderiamos ter posto também a foto de uma herdeira do Itaú participando dos protestos, pois ela é legítima representante do que o Damatta chama de “essa gente miúda” que protestou no dia 15. Só não colocamos (apesar de a foto estar circulando por toda a internet) já que ela não cometeu qualquer crime além daquele de que fala Bertold Brecht: “O que é roubar um banco comparado a fundar um?”.

Aliás... (2)

Depois de tantas citações o Notas Vermelhas encerra com mais uma, só que desta vez extraído de um texto de Guilherme Boulos de julho de 2014: “Impressiona o baixo nível intelectual dos representantes da direita no debate público nacional. Não elaboram, não buscam teoria nem referências. Não fazem qualquer esforço para interpretar seriamente a realidade. Apenas atiram chavões, destilando preconceitos de senso comum e ódio de classe”.

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br

Vitória da direita em Israel é tragédia para o povo palestino

A vitória do partido de extrema-direita Likud (“Consolidação”) nas eleições desta terça-feira (17) em Israel foi uma surpresa amarga para os que enxergavam uma chance de remover o racista primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do trono. Ao perder posições na reta final para a União Sionista, coligação entre o HaAvoda (“Trabalhista”) e o Hatnuah (“Movimento”), Netanyahu declarou abertamente que não aceitará o estabelecimento do Estado da Palestina, alegando que a “entrega de territórios” (ou seja, a desocupação dos territórios palestinos) abriria as portas para “ataques de islamitas radicais contra Israel”. 

A vitória da direita israelense é mais uma tragédia para o já martirizado povo palestino.

A “segurança” fundamenta a retórica diante dos mais horrendos massacres do povo palestino em sua contínua história de genocídio, na colonização da Palestina pelos sionistas. Esta visão racista e opressora nascida na Europa, no impulso de dominação do Oriente Médio, investiu na religião para apresentar-se como profecia messiânica. Pior, Netanyahu angariou apoio para vencer as eleições na debandada da sociedade israelense, visivelmente intoxicada, para o extremismo, tornando fundamental o investimento na questão das colônias. O premiê teve recordes na construção de mais casas em verdadeiras cidades ilegais na Cisjordânia palestina, mesmo durante as fajutas negociações de paz, “mediadas” por seu maior aliado, patrocinador e cúmplice na matança dos palestinos, o imperialismo estadunidense. 

A enfermidade da sociedade israelense não é uma conclusão apenas do Portal Vermelho, resoluto em sua solidariedade à causa palestina pela liberdade e pela paz. Inúmeras vozes críticas em Israel, como a de Gideon Levy, colunista de um dos principais diários locais, concluíam após o resultado eleitoral que “Netanyahu merece o povo israelense, e eles merecem Netanyahu.” Em entrevista aoVermelho durante os 51 dias de bombardeios criminosos contra a Faixa de Gaza, em 2014, o colunista contou que tinha guarda-costas por receber ameaças de seus próprios leitores, ao criticar a chacina dos palestinos. “Algo está partido [em Israel], talvez sem chance de conserto,” escreveu, nesta quarta (18). Os ocupantes foram às urnas enquanto os ocupados esperavam por sua sentença – os quase cinco milhões de palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupadas não podem votar, obviamente. Esta encenação de democracia e liberdade em Israel, entretanto, assenta-se na opressão de um povo inteiro e, por isso mesmo, está fadada ao precipício. 

Não nos enganemos: a vitória da União Sionista não seria a luz no fim do túnel. Além do nome, de fidelidade à colonização, o Partido Trabalhista e Tzipi Livni, à frente do novo Hatnuah, têm seus históricos no massacre contínuo dos palestinos. Livni foi chanceler durante a “operação Chumbo Fundido” (2008-2009), que matou 1.400 palestinos em 22 dias, e ministra da Justiça na “Margem Protetora” (julho e agosto de 2014), que matou 2.200 pessoas, na Faixa de Gaza. Em ambas, a porcentagem de civis assassinados era assombrosa, assim como a devastação do território sitiado há oito anos. Foram três grandes ofensivas em cinco anos, o que evidencia a sistematicidade das “operações militares” e do que a ONU condena como “punição coletiva” dos palestinos pelo regime sionista, que alega sua defesa contra a resistência armada. 

A composição da coalizão de governo é a próxima fase na turbulência israelense. Com o Likud e a União Sionista em primeiro e segundo lugares, ambos enfrentarão o desafio e as negociatas para determinar a configuração do novo Parlamento. Em terceiro, uma alvissareira novidade, está a Lista Conjunta, composta por partidos árabes e o árabe-judeu Hadash (acrônimo de Frente Democrática pela Paz e a Igualdade). Mas em seguida vêm mais partidos de extrema-direita e ultraortodoxos que defenderão as colônias e a repressão dos palestinos a ferro e fogo. 
Aos palestinos resta contar com a crescente solidariedade internacional e com a possibilidade de extinguir, finalmente, a impunidade das lideranças sionistas. Acuado, o governo israelense reage agressivamente à condenação mundial, punindo os palestinos pela deterioração da sua imagem, embora ainda conte com a cumplicidade basilar do imperialismo dos EUA. 

Continua sendo um dever dos movimentos sociais solidários exigir o cumprimento de uma dívida histórica pela libertação do povo palestino e o estabelecimento do seu Estado independente e soberano, assim como a responsabilização por mais de um século de genocídio na Palestina.


Fonte: Vermelho

Nesta sexta, acontece tuitaço mundial em solidariedade à Venezuela

 Está convocado para esta sexta-feira (20) um tuitaço mundial em apoio à campanha “Obama derrube o decreto já!” para exigir a anulação de uma ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama contra a Venezuela.



Reprodução
A medida declara à nação sul-americana como uma ameaça "incomum e extraordinária" à segurança e política exterior dos Estados Unidos, e ordena estado de emergência nacional.

O tuitaço se realizará em dois blocos, o primeiro às 11:00 da manhã e o segundo às 18:00 horas com a hashtag #ObamaDerogaYa.

Milhares de usuários das redes sociais expressaram, na quinta-feira (19) sua solidariedade com a Venezuela, colocando as hashtags #ObamaDerogaElDecretoYa e #TuFirmaXLaPatria no Twitter e no Instagram como trending topics.

Tais iniciativas fazem parte da campanha que prevê a coleta de 10 milhões de assinaturas em apoio ao direito dos venezuelanos à autodeterminação e à paz.

Para o processo de coleta de assinaturas foram montados quase 14 mil pontos nas praças de toda a Venezuela e as pessoas também podem participar pela internet no site wwww.obamaderogaeldecretoya.org.ve.

A assinatura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, está no topo do documento que pretendem entregar ao mandatário estadunidense durante a 8ª Cúpula das Américas, que se realizará no Panamá, nos dias 10 e 11 de abril.


Fonte: Prensa Latina via Vermelho

Maduro: A Revolução Bolivariana é a garantia de proteção da democracia

 
AVN

A revolução bolivariana, cujas bases estão fundadas nos princípios da solidariedade e da igualdade social, sem exceção, é a garantia da proteção da democracia e da paz, conforme a Constituição Bolivariana da Venezuela, declarou nesta quinta-feira (19), o presidente da República, Nicolás Maduro.

“A maior garantia de proteção para vocês mesmos (referindo-se à oposição), para a democracia, é que nós sigamos a marcha e o curso desta revolução”, que tem sido referendada pelo povo em 18 das 19 eleições realizadas nos últimos 15 anos.

Neste sentido, o chefe de estado pediu a todo o povo venezuelano que lute em defesa da paz, da soberania, independência e autodeterminação da pátria.

“Chamo ao despertar da consciência a todos os que amam a paz e a pátria”, conclamou o presidente, reconhecendo a postura firme e patriota do deputado opositor Ricardo Sánchez, que assinou, no ponto de coleta da Praça Bolívar, em Caracas, o manifesto da campanha denominada “Venezuela não é uma ameaça, somos uma esperança”.

“É a hora do despertar da consciência nacional, da união nacional, de todos os que amamos a Venezuela”, realçou Maduro.

As assinaturas coletadas acompanharão o documento dirigido ao Governo dos Estados Unidos, em que se exige a revogação do decreto presidencial em que se qualifica a Venezuela como uma “ameaça inusual e extraordinária” à segurança nacional daquele país.

O processo de recolhimento das assinaturas se realizará até os primeiros dias de abril, tendo a meta de alcançar 10 milhões de apoios antes da VII Cúpula das Américas, prevista para os dias 10 e 11 de abril.

Através de um decreto, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou a Venezuela como uma “ameaça extraordinária e inusual”, com o objetivo de justificar sanções contra o povo venezuelano. Esta agressão se soma as ações com que Washington, há 15 anos, pretende quebrar a soberania e a autodeterminação da Venezuela.

Os pontos de recolhimento de assinaturas, atividade que também toma a forma de uma campanha mundial, denominada “Venezuela não é uma ameaça, somos uma esperança”, estarão localizados nas praças de cada um dos municípios do país e ativarão para isto uma rede de “esquinas quentes”, espaços de debate e reflexão. No caso da capital e do Estado de Vargas, haverá um ponto de recolhimento por bairro.

Participarão desta tarefa as Unidades de Batalha Bolívar-Chaves (Ubch), os Círculos de Luta Popular (CLP), e as demais organizações de base do grande polo patriótico, com o objetivo de que cada uma das organizações político-sociais recolha ao menos 700 assinaturas em respaldo à campanha para exigir a revogação do decreto do imperialismo estadunidense contra a Venezuela.

A campanha também se realizará em todas as áreas industriais do país.
Igualmente se criará um sistema de informação, através das redes sociais, para que o povo se expresse ante a nova agressão imperialista. A conta @Obamaderovya, Obama Revoque Já e #ObamaDerogaya, foram criadas e ativadas no Twitter, Facebook e Instagram, respectivamente.

Fonte: Agência Venezuelana de Notícias via Vermelho