terça-feira, 17 de março de 2015

Davidson Magalhães repercute preocupação dos trabalhadores

O deputado defende “um ajuste mais suave, a custa dos ricos e não da classe trabalhadora.”  O deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA) manifestou apoio às bandeiras de luta definidas pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil na Bahia – CTB Bahia, que registra preocupações com projeto em tramitação na Câmara que ameaça direitos e conquistas dos trabalhadores. 


O deputado defende “um ajuste mais suave, a custa dos ricos e não da classe trabalhadora.”  
O parlamentar enumerou as sugestões da entidade para ampliar o superávit na economia com quatro medidas, sendo elas a instituição de impostos sobre grandes fortunas; taxação das remessas de lucros e dividendos ao exterior; revisão da desoneração e redução de juros.

“Desta forma, um ajuste mais suave, a custa dos ricos e não da classe trabalhadora”, destacou o deputado, manifestando solidariedade as questões dos trabalhadores defendidas pela CTB. Segundo ele, “o caminho do desenvolvimento do Brasil tem que estar calçado na melhoria de vida dos trabalhadores, que representam a verdadeira força produtiva.”

A CTB Bahia, segundo o parlamentar, critica o Projeto de Lei 4330, que amplia a terceirização, e as Medidas provisórias 664 e 665, do Governo Federal, que reduzem direitos referentes ao seguro-desemprego, abono salarial (PIS-Pasep), seguro-defeso, auxílio-reclusão, pensões, auxílio-doença e, estabelece a terceirização da perícia médica para o âmbito das empresas privadas.

O conteúdo das MPs prejudicam os trabalhadores ao dificultar o acesso ao seguro-desemprego com exigência de 18 meses de trabalho nos 24 meses anteriores à dispensa, o que não condiz com a realidade de um país com uma massa de trabalhadores extremamente jovem e com a alta rotatividade de ocupação dos postos de trabalho, avalia o parlamentar.

Segundo ele ainda, as novas exigências para pensão por morte penalizam os trabalhadores, restringindo o valor do beneficio em 50% para famílias de baixa renda.

Do Portal Vermelho
De Brasília, Márcia Xavier 

Classe trabalhadora segue mobilizada em março, veja o calendário

Adilson Araújo, presidente nacional da CTB
Mariana Serafini
Adilson Araújo, presidente nacional da CTB

A CTB e as demais centrais sindicais convocam trabalhadores e trabalhadoras a enfrentar a onda golpista, ocupar as ruas, praças e avenidas de todo o país em defesa da nação, da soberania, da Petrobras e do emprego. E também se posicionar veementemente contra as medidas 664 e 665 que colocam em risco conquistas trabalhistas históricas.


O mês de março marcará um momento político de forte pressão popular contra mudanças nas garantias trabalhistas e também como expressão de ampla defesa das instituições democráticas e contra o golpismo insinuado por setores da direita.


Confira e acompanhe as atividades que acontecerão nos próximos dias:

  • Dias 16 a 19 - Semana de mobilizações no Congresso Nacional, no Distrito Federal
  • Dia 18 - Inauguração do Passi (Posto Avançado de Ação Sindical, Social e Institucional) da CTB em Brasília
  • Dia 18 - Dia de Luta no Congresso Nacional
  • Dias 20 a 29 - Semana de Mobilizações e Coleta de Assinaturas pela Reforma Política
  • Dias 8 e 9 de abril - Seminário Nacional da CTB - Desafios e Dilemas da Classe Trabalhadora - SP
Fonte: CTB via Vermelho

Lucas Galindo: O terceiro turno que ofusca debate político

Os trabalhadores devem ir às ruas defender seus direitos e rechaçar o movimento golpista
Mariana Serafini
Os trabalhadores devem ir às ruas defender seus direitos
e rechaçar o movimento golpista

A movimentação que objetiva reverter no tapetão o resultado da eleição presidencial de 2014 se expressa através de um ódio refratário ao debate de ideias. O que prepondera são xingamentos machistas à presidenta Dilma, enquanto os verdadeiros temas de interesse nacional não são levados em conta.


Por Lucas Galindo*, especial para o Portal Vermelho


Vamos a eles:
 


1) Corrupção - sobre este assunto temos muito o que comemorar - isso mesmo! - afinal, devido ao fortalecimento contínuo das instituições democráticas, aqueles que se beneficiam de antigos esquemas não só vem sendo exemplarmente punidos, como os recursos desviados estão sendo devolvidos em quantias jamais verificadas.

Tal qual um câncer, esse problema não será resolvido num passe de mágica. Ele é sistêmico, está entranhado na maior parte das organizações das esferas pública e privada.

Compreender sua complexidade não é obstáculo à sua superação, pois se parece impossível fechar todas as torneiras de uma vez, o certo é desligar o registro. Neste caso, combater o mal pela raiz significar implantar uma reforma política que acabe definitivamente com o financiamento de campanhas por empresas, origem de toda a corrupção.

Alerta: Enquanto propaga uma improvável deposição da presidenta reeleita (não há qualquer fundamento jurídico que sustente tal tese), a mídia mercenária "esquece" de informar a população de que o projeto de reforma política que circula no Congresso Nacional não prevê o fim do patrocínio empresarial a candidatos, tampouco assegura a paridade entre homens e mulheres na ocupação dos cargos eletivos;

2) Crise conjuntural - o capitalismo vive de crises, e essa que se arrasta desde 2008 e é a mais grave desde 1929, após ser minimizada pela acertada política econômica anticíclica, agora atinge o Brasil mais profundamente, impondo dificuldades concretas.

É importante reconhecer o cenário adverso, mas ao mesmo tempo discordar do governo quanto à maneira de superá-lo. Se concordarmos com a necessidade de ajustes fiscais, nós trabalhadores não aceitaremos pagar a conta sozinhos. É mais justo tributar as grandes fortunas, heranças e remessas de lucros ao exterior, que seguem livres de qualquer contribuição significativa. Ou ainda, fazer com que o IPVA incida sobre jatinhos, helicópteros e lanchas, atualmente com alíquota 0%.

Com essas medidas poderia se obter um incremento de mais R$100 bilhões no orçamento, enquanto as indigestas Medidas Provisórias 664 e 665, que diminuem direitos trabalhistas e previdenciários, representariam não mais que R$18 bilhões de acréscimo. Em suma, o momento é delicado e refuta conclusões precipitadas.

É fundamental aos trabalhadores valorizar os direitos conquistados, seguir lutando por ainda mais melhorias nas condições de vida, conscientes de que o projeto político que orquestra a tomada da presidência de assalto representa retrocesso às vitórias obtidas. "Pior do que tá não fica" foi o lema que elegeu Tiririca, e na situação atual soluções mirabolantes não favorecem.
Impeachment pode ser um alívio emocional para alguns, mas não tem nenhuma conexão com a recuperação do desenvolvimento do país, menos ainda com o combate à corrupção - pelo contrário, é desvio de foco!

Travestidos de ofensas covardes à figura de Dilma, os ataques que temos visto são na verdade direcionados à solidez da democracia brasileira, que após 30 anos sem sofrer interrupções, possibilitou um vasto conjunto de avanços aos trabalhadores. Estes, além de ter clareza dos interesses em disputa, precisam se posicionar em consonância com os seus próprios. Abaixo o golpismo, viva a democracia!

Lucas Galindo - militante da União da Juventude Socialista e diretor de juventude da Federação dos Bancários Bahia e Sergipe]


Fonte: Vermelho

O surto midiático de domingo 15, idos de março

  

Um surto midiático (esforço concentrado de grandes TVs, rádios, jornais, institutos de pesquisa e internet, em torno de um objetivo) costuma produzir grande impacto, num primeiro momento, mas, na maioria das vezes, tende a esvanecer com o passar do tempo. Quando, porém, coincide com um clima de exaltação, pode tanto propiciar uma manifestação-monstro, como uma eleição ou deposição de um presidente ou mesmo uma guerra civil.

Por FC Leite Filho, Blog Café na Política
 


O surto deste domingo, 15 de março, o aziago idos de março, como retratado na célebre peça Júlio César, de Shakespeare, pode ter levado a convicção aos mais incautos de que o governo Dilma, contra o qual assestou suas baterias, foi golpeado de morte.

Esta foi também a impressão à primeira vista da arremetida midiática conduzida pelo jornal Clarín (O Globo e a Globo de lá) contra a presidenta Cristina Kirchner, com a “marcha do silêncio” de 18 de fevereiro: uma multidão de um milhão pessoas inundou as ruas de Buenos Aires, Mar del Plata, Rosário e foi acompanhada de alguns adeptos que se reuniram em Nova York, Paris, Londres e até na Austrália. Alguma semelhança com o “Fora Dilma” de ontem?

A Casa Branca, dizia O Globo brasileiro, “monitorava a marcha” e manifestava preocupação com o destino das instituições platinas. Dez dias depois, em primeiro de março, 400 mil pessoas foram ouvir a mensagem anual da presidenta ao Congresso. Cristina tinha acabado de ser inocentada pela Justiça da acusação irresponsável de um procurador vinculado ao Clarín e à embaixada americana, Alberto Nisman. Nisman, encontrado morto em circunstâncias misteriosas, em 18 de janeiro, era o homenageado da manifestação anti-Cristina. Os inspiradores da marcha, promotores e procuradores, colegas de Nisman, foram depois desmascarados como envolvidos em processos de obstrução da justiça e acobertamento de crimes, inclusive do atentado à AMIA, instituição hebraica,no qual morreram 85 pessoas, no distante ano de 1994. Quanto à Cristina, retomou seu prestígio e poderá fazer sucessor na eleição de 20 de outubro.

Mas antes que examinemos outros quadros trágicos causados por essas ofensivas midiáticas, não esqueçamos de outro surto que fez retumbar a candidatura de Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, no bojo da comoção causada pela morte do outro candidato, Eduardo Campos, do PSB, em agosto de 2014. Os mesmos crédulos das mistificações da mídia acreditavam na “vitória inescapável” de Marina sobre Dilma, do PT, a presidenta que se candidatava à reeleição.

Menos de um mês depois, o vertiginoso prestígio de Marina, não resistiu às denúncias de irregularidades em suas contas bancárias e vinculação com o capital estrangeiro, marteladas sobretudo nas redes sociais (Era a primeira vez que a internet conseguia fazer face a um massacre da mídia), a candidata com jeito de santa, como dizia a Veja, entrava em parafuso. Chegada a eleição de primeiro turno, Marina foi fragorosamente derrotada, alcançando o terceiro lugar. Como o segundo lugar ficou com Aécio Neves, do PSDB, outro candidato afável aos barões da imprensa, a mídia comandou um outro arranco para fazer do ex-governador mineiro, como o candidato que arrasaria com Dilma e o PT. Dilma ganhou e o surto midiático dissolveu-se como gelo.

Agora, a grande imprensa, acolitada pelo capital estrangeiro, o mesmo que acicata Cristina, Maduro e Rafael Correa, lança-se a uma nova ofensiva para, sem rebuços, derrocar o governo brasileiro legitimamente eleito e apenas com dois meses de um mandato de quatro anos, através de uma série de manifestações, inicialmente pacíficas, mas que podem degenerar em violência ou mesmo em golpe de Estado, congressual, judicial ou militar. Eles já viram que não podem com Cristina nem com Maduro, mas encontram um flanco aberto em Dilma, que até aqui não se preocupou em construir uma militância orgânica e uma mídia própria.

O blogueiro Plínio Zúnica, do blog Descolonizadores, a meu ver o observador mais arguto da manifestação do domingo, advertiu: “É um erro grande da Esquerda achar que esse é um movimento feito só por grupos de elite. A ideologia é da elite, os interesses são da elite, o dinheiro é da elite, os porta-vozes são da pior das elites, mas essa ideologia é ardilosa o suficiente pra infectar as mentes de todas as camadas sociais”.

Zúnica ainda assinala :”É uma ideologia baseada em medo, ódio e ignorância, e infelizmente esses elementos têm uma força de mobilização muito poderosa, mais do que a razão e a solidariedade. Não fosse assim, teria sido o movimento hippie a dominar o mundo, e não ideologias fascistas, imperialistas, colonialistas, eugenistas e elitistas. Não subestimem o poder do ódio, do medo e da ignorância. Não faltam exemplos do estrago que eles são capazes de fazer nas pessoas mais bem intencionadas”.

A conclusão do blogueiro, de quem emprestamos a foto que ilustra esta análise, é muito ilustrativa: “Eu tive dezenas de conversas com gente de todo o tipo nos últimos meses, e o ponto em comum é que a maioria das pessoas não faz ideia do que reclamar. Falam de uma corrupção que não sabem o que é, não sabem diferenciar o que é uma presidenta da Republica do que é uma rainha absolutista, não fazem ideia do que são as atribuições de cada esfera do governo. Gente que não conhece história, que não sabe o que foi o Collor,que não sabe o que foi a ditadura, que não sabe o que foi a era FHC, que não entende os programas mais simples e básicos do governo do PT. Gente botando a culpa até dos serviços de telefone nas costas da Dilma”, diz ele.

Sem dúvida, Zúnica se referia às tragédias produzidas, inclusive devido à desinformação, pelos surtos midiáticos do passado, como a deposição dos presidentes constitucionais do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, a partir de 1964, seguida da instauração de 20 anos de ditaduras responsáveis por milhares de mortes e o desmantelo do parque industrial e tecnológico da maioria dos países latino-americanos.

É verdade que, nessa época, nosso país e nossos vizinhos estavam desarticulados. Viviam de costas uns para os outros, enquanto os Estados Unidos os encabrestavam na imponente sede da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, e ordenavam seguir as receitas recessivas do FMI, expulsar Cuba do organismo, instalar ditaduras, e perseguir a dissidência, através de seus centros de tortura e laboratórios ideológicos.

Hoje, temos a Unasul (União das Nações Sul Americanas), com sede em Quito, no Equador, e livre da participação dos Estados Unidos (e do Canadá). Ela já impediu pelo menos dois golpes de Estado, suave ou brutal, na Bolívia (2009) e no Equador (2010). Agora, no último sábado, por exemplo, a instituição, idealizada por Hugo Chávez, os Kirchner e Lula, acaba de declarar solidariedade ao presidente Nicolás Maduro, cujo país, a Venezuela, está ameaçado de invasão militar pelos Estados Unidos.

Mas nem a Unasul será capaz de livrar Dilma de um golpe, se o governo e seu partido, o PT, não providenciarem urgentemente uma articulação comunicacional para defender-se. Daqui para a frente, os surtos midiáticos, fiel a seu histórico, tendem a endurecer e a fazer não mais manifestações pacíficas, mas sangrentas, com seus atiradores de elite apontando para a multidão e culpando o governo pelos crimes, como aconteceu no Chile de Allende, em 1973, na Venezuela de Chávez, em 2014, e na Venezuela de Maduro, agora mesmo em 2014.


Fonte: Vermelho

Dia 15: o que a mídia não mostrou ou as trevas em 34 fotos e 1 vídeo

  

O amigo leitor talvez possa ter achado exagerada a chamada desta segunda-feira do Notas Vermelhas? Afinal, “trevas” é um termo pesado, que remete às ideias obscurantistas, ao medievalismo, à intolerância e ao fascismo e quem protestou contra o governo Dilma era, principalmente “gente bem”, como se dizia antigamente.


Aliás, para quem quer entender o tipo de manifestante que compôs a marcha de domingo, principalmente a da avenida paulista, é obrigatória a excelente reportagem do jornalista Eduardo Nunomura, do blog Farofafá. Voltando à questão do título do Notas Vermelhas de hoje, convido o leitor que eventualmente achou o termo “trevas” exagerado, a dar uma olhada nas fotos e no vídeo selecionados pela jornalista Mariana Serafini. Algumas fotos são divertidas, outras chegam a ser inacreditáveis. O vídeo, a partir do minuto 1’20’’, mostra manifestantes idolatrando o famigerado torturador e assassino Carlinhos Metralha, agente do DOPs que aparece orgulhoso de sua “atuação” durante a ditadura e cercado por “admiradores”. Tudo desmente o que a mídia hegemônica brasileira tenta vender sobre o que aconteceu no domingo. A verdade é uma só: a passeata “pacífica” destilou ódio por todos os lados.

 



Vamos ver quem advinha

Selecionamos algumas avaliações sobre as manifestações de domingo e convidamos o leitor a tentar adivinhar as fontes. 1) Um jornal afirmou que “as manifestações da direita” aglutinaram “um grupo mais velho, mais branco e mais rico, reunidos após uma grande cobertura antecipada da grande mídia”. 2) Uma revista classificou as manifestações como um “festival do ódio”. 3) Uma rede de TV viu a “classe média branca” como protagonista dos protestos. 4) Um jornal destaca que apenas o deputado federal Paulinho da Força (SD-SP) foi “o único que levou grande número de manifestantes que não são nem brancos nem ricos para a manifestação” e registra o mesmo jornal que ele foi hostilizado.

Vamos agora ao teste:

1) A primeira matéria era do jornal:
A) A Classe Operária
B) Brasil de Fato
C) Jornal Bolivariano, comunista e ateu
D) The Guardian
 
2) A revista que classificou as manifestações como “festival do ódio” foi:
A) Revista Princípios.
B) Carta Capital
C) Caros Amigos
D) Revista Bolivariana, comunista e ateia
E) Forbes
 
3) A Rede de TV em questão foi:
A) TV Vermelho
B) TVT
C) TV Bolivariana, comunista e ateia
D) BBC
4) O jornal que falou sobre o “Paulinho da Força” foi:
A) A Classe Operária
B) Brasil de Fato
C) Jornal Bolivariano, comunista e ateu.
D) Clarin


Acertou quem marcou D (The Guardian, Inglaterra), E (Forbes, EUA), D (BBC, Inglaterra) e D (Clarin, Argentina). A mídia hegemônica nativa é tão reacionária e manipuladora que consegue superar mesmo a mídia empresarial estrangeira que tenta pelo menos ser minimamente fiel a alguns fatos básicos.

Quando a PM erra para mais

Os eleitores do candidato derrotado, Aécio Neves, bradam aos quatro ventos contra o “aparelhamento do estado pelo PT”. Deve ser luta para preservar uma espécie de reserva de mercado, pois ninguém aparelha mais e tão completamente o estado do que a direita. Basta ver a PM subordinada ao governo tucano. A multidão que na sexta-feira (13) compareceu à Av. Paulista para protestar contra o golpe foi estimada pela PM tucana em 9 mil e depois 12 mil pessoas. Mesmo um jornal completamente comprometido com os tucanos (Folha de S. Paulo) reconheceu que, pelos cálculos do seu instituto de pesquisa, havia mais de 40 mil pessoas. Agora, na passeata golpista, a PM tucana “estimou” em 1 milhão o número de manifestantes. A mesma e insuspeita Folha de S. Pauloachou exagero e, segundo seu instituto de pesquisa (Datafolha), foram às ruas 240 mil. Ou seja, a se acreditar no Datafolha (o que é sempre temerário) uma “insignificante” diferença de mais de 700 mil pessoas. Quando a passeata é do campo popular a PM tucana erra para menos, quando é dos golpistas erra para mais. Imagine o que os tucanos não fizeram nas privatizações? E Furnas? Mas isso a lobotomizada classe média não quer nem ouvir falar, afinal, quem inventou a corrupção foi o PT.

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br

Novos desafios do conflito político e social

As manifestações de rua realizadas no último fim de semana , na sexta-feira (13) e no domingo (15), abrem uma nova etapa e trazem o conflito político e social a patamar mais elevado.

O condomínio oposicionista – formado por partidos neoliberais e conservadores liderados pelo PSDB e a mídia golpista - apoiado em grupos de agitação organizados nas redes sociais – encontrou um modus operandi, para intensificar a contestação ao governo da presidenta Dilma e incrementar planos desestabilizadores. Conjugam agora ação parlamentar, governamental (nos poderes locais), o denuncismo através dos meios de comunicação e as manifestações de rua.

Em junho de 2013, foi feito o primeiro ensaio, com a instrumentalização dos protestos por reivindicações sociais difusas. Agora, sob o pretexto de “combater a corrupção”, fomentaram mobilizações em que foram levantadas bandeiras francamente reacionárias, pregaram o golpe, o retorno à ditadura militar e a intervenção estrangeira no país. Desenterraram das catacumbas o discurso anticomunista, agitaram à exaustão o ódio ao principal partido no governo, o Partido dos Trabalhadores, com o que se pretende estigmatizar toda a esquerda, ofenderam a honra de uma estadista de conduta ilibada e querida pelo povo, reeleita há menos de cinco meses. 

É necessário assinalar entre parênteses a contradição em termos entre o combate à corrupção e o pedido de retorno ao regime militar, bem assim o antagonismo entre este suposto combate e o governo tucano do ex-presidente FHC, porquanto se houve dois períodos em que a corrupção mais grassou na história republicana brasileira, foram exatamente de 1964 a 1985, quando vigorou a ditadura dos generais, e de 1995 a 2002, durante os dois mandatos do ex-professor da Sorbonne. 

A marcha golpista deste domingo só foi possível pela desfaçatez com que a mídia golpista exerce o monopólio dos meios de comunicação. A convocação sistemática das manifestações, a criação de um ambiente propício ao golpe desmascaram estes veículos como instrumentos dos mais escusos interesses antinacionais e antidemocráticos. Prepararam a marcha golpista deste domingo como se fora um ato cívico, pacífico, familiar e patriótico, convergindo para uma palavra de ordem central: “Fora, Dilma! Fora, PT! 

A palavra de ordem “Fora, Dilma!” é a expressão do revanchismo das forças derrotadas nas eleições presidenciais de 2014. Algo desprovido de sentido, uma vez que o segundo mandato mal começou. 

Não fosse a cortina de desinformação e intoxicação da opinião pública, pelas quais é responsável a usina de mentiras da mídia golpista, a população brasileira estaria melhor conscientizada de que Dilma Rousseff tem planos de governo consoantes os compromissos que assumiu durante a campanha eleitoral, metas factíveis a atingir, organiza sua governança, elabora programas administrativos, dispõe-se ao diálogo com a sua ampla base de sustentação política-parlamentar e os setores organizados da sociedade, e está combatendo firmemente a corrupção em harmonia republicana com os órgãos investigativos e o Poder Judiciário. 

A palavra de ordem não faz sentido, a não ser como expressão de uma luta política que assume caráter francamente golpista por parte do condomínio oposicionista. Um desvario, uma aventura, um tiro na água, que não leva em conta a correlação real de forças, a capacidade política e administrativa do governo, a base política e popular, o valor que tem para a esmagadora maioria do povo brasileiro na imensidão do território nacional que tem apego aos programas sociais do governo e, logicamente, apreço à mandatária.

Do ponto de vista jurídico, o pedido de impeachment é de um absurdo ainda maior, denota a ignorância de quem o faz e promove. A menos que rasguem a Constituição, o que só seria possível por um golpe de força, Dilma Rousseff não é vulnerável ao impeachment porque não cometeu nem cometerá crime de responsabilidade. Politicamente, seu governo tem todas as condições para construir a aliança necessária para rechaçar nas casas legislativas qualquer iniciativa nessa direção. 

As primeiras reações da mídia e das lideranças políticas da aliança PSDB-DEM-PPS após as manifestações do último domingo mostram que o conflito político aberto entre dois campos nitidamente opostos veio para ficar e tende a intensificar-se. Pretende-se que uma vez “nas cordas”, a presidenta não teria outro caminho para sobreviver como mandatária senão “ouvir as ruas” (do dia 15), o que significaria governar para os adversários da democracia, da soberania nacional e do progresso social. 

Nada disso deveria surpreender. A rigor, o conflito em curso é o prolongamento da peleja política-eleitoral do ano passado e o corolário lógico de uma luta de fundo que se desenvolve ininterruptamente há longo tempo na sociedade brasileira. A elevação do nível do conflito político também não deve causar temor. O que se espera das forças consequentemente de esquerda e progressista é que compreendam a natureza e o sentido dos acontecimentos, marchem e se coloquem à altura dos desafios, com nitidez programática e adequados métodos de luta, o que pressupõe conhecer a natureza do inimigo e a convicção de que está descartada a conciliação com este.

A encruzilhada diante da qual se depara o povo brasileiro implica a opção de avançar na realização de mudanças estruturais - o que significa adotar um programa patriótico, democrático e popular correspondente às verdadeiras necessidades da nação e aspirações do povo - ou ceder às classes dominantes e seus aliados imperialistas internacionais. Cair no defensivismo ou render-se a uma agenda contraditória com o programa vencedor nas eleições seria uma atitude inconsequente. Como afirmou o presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em declarações ao Portal Vermelho logo após as manifestações do domingo, “tal como no segundo turno das eleições de 2014, agora com mais desassombro é preciso unir todas as forças possíveis interessadas em continuar o avanço das conquistas sociais e em defesa do Brasil; cabe ao governo Dilma aplicar mais ainda o projeto de governo por meio de constante diálogo que una e amplie a base social que a elegeu e reforce a perspectiva de novas conquistas”.

Nesse sentido, “ouvir a voz das ruas” é principalmente tomar em consideração a mensagem das urnas e a vontade popular que se expressou nas manifestações da sexta-feira passada, que associaram o apoio ao mandato da presidenta à luta em defesa dos direitos sociais e pela realização de reformas. 

O desafio deve ser respondido com novas manifestações com caráter progressista e em apoio ao governo democrático-popular liderado pela presidenta Dilma, com a batalha das ideias e com inflexões da agenda política para a esquerda, aumentando a capacidade de unir formas democráticas, patrióticas e populares.


Fonte: Vermelho

Dilma: 'Brasil está mais forte do que nunca"

Para presidenta, atos a fizeram perceber que valeu a pena lutar pela democracia. Governo vai lançar pacote de medidas de combate à corrupção

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff não esperou muito para se pronunciar em público sobre as manifestações. Embora sua equipe ministerial tivesse avisado que ela falaria até o final da semana, Dilma externou sua posição na segunda 16, durante a sanção do novo Código de Processo Civil, durante solenidade no Palácio do Planalto. Disse que o Brasil está mais forte do que nunca. “Tenham a certeza de que quando eu vi os cidadãos se manifestando, percebi que valeu a pena lutar pela liberdade e pela democracia”, afirmou, em tom emocionado e repetindo várias vezes que está aberta a todo tipo de diálogo.

“Quando falo em diálogo, é tanto com a população que foi às manifestações, como também com a que não foi, tanto quem votou em mim, como quem não votou. Ouvimos e ouviremos todas as reivindicações”, acrescentou. A presidenta, mesmo sem falar propriamente em impeachment, deu um recado aos que pediram sua saída do governo, ao destacar que “na democracia, deve-se respeitar as urnas, as ruas e ouvir com atenção todas as vozes. Ouvir é a palavra, dialogar é a ação”.

Dilma reiterou as informações já dadas pelos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Eduardo Braga (Minas e Energia) de que apresentará um pacote de medidas para combate à corrupção no país. Ela também destacou a importância de ser dada continuidade ao processo de reforma política no país – que se encontra em discussão –, mas disse que o local adequado para fazer a reforma é o Congresso Nacional.

E sobre as críticas feitas nesta manhã pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que disse que a corrupção não está no Legislativo e sim no Executivo, embora sem citar o nome de Cunha, a presidenta foi veemente: “Essa discussão não leva a nada. A corrupção não nasceu hoje neste país, assim como não poupa ninguém, nem o setor privado. Temos que tratá-la com vigilância, com legislação e com instituições fortes para impedir que ocorra. Não vamos achar que um determinado setor é acima de qualquer suspeita”, salientou.

Instituições - A presidenta também destacou a importância das instituições brasileiras serem cada vez mais aprimoradas, como forma de se fortalecer o país como um todo “sem amarras, sem ameaças, nem desrespeito às liberdades civis”. “Um país amparado na harmonia dos poderes e na democracia representativa se tornando cada vez mais forte em detrimento da ignorância, de agressões, atitudes de golpismo e retrocesso.”

De acordo com Dilma, as manifestações mostraram temas de convergência e de divergência com o governo. Como convergência, citou a necessidade do combate à corrupção e o programa que lançará nos próximos dias, que consiste em um conjunto de medidas já anunciadas no período de campanha. E como ponto de divergência mencionou a necessidade de ajuste.

Medidas anticíclicas - Segundo a presidenta, a economia brasileira encontra-se da forma como está porque as medidas anticíclicas adotadas pelo governo nos últimos anos, como desoneração de impostos e subsídios, não registrou o resultado esperado. E, agora, os ajustes precisam ser feitos e ela pretende ser firme na condução desses ajustes. A presidenta destacou, entretanto, que os programas existentes vão todos continuar, embora com alíquotas menores.

Embora sem citar expressamente a oposição, a presidenta também deu uma alfinetada nos políticos que não apoiam o seu governo ao falar no que considera “falta de lucidez política”. “Meu compromisso é governar para os 203 milhões de brasileiros que votaram ou não em mim. Em democracia, o diálogo é essencial. Não quero consenso, quero o diálogo, porque entendo que temos de aceitar e entender que as vozes são diferentes num país complexo como o Brasil. Mas é preciso haver responsabilidade nas instituições. É uma temeridade acreditar que alguém ganhará com isso, é uma falta de lucidez política”, acentuou.

Hylda Cavalcanti, da Rede Brasil Atual
Fonte: Seeb-SP