terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Rotatividade no mercado de trabalho segue aumentando, revela Dieese

O DIEESE, por meio de parcerias, tem tratado da questão da rotatividade, em diversos estudos, procurando formas de entender melhor e, ao mesmo tempo, encontrar soluções para o problema. Desenvolveu, com o Ministério do Trabalho e Emprego, diversos trabalhos sobre o tema. Também com o movimento sindical explorou a questão em seminários e em um estudo sobre os setores. Os últimos resultados do trabalho desenvolvido em parceria com o MTE foram divulgados em dezembro de 2014. De acordo com os dados, entre 2002 e 2013, cerca de 45% dos vínculos de trabalho (CLT) foram desligados com menos de seis meses de vigência do contrato de trabalho e em aproximadamente 65% dos casos sequer atingiram um ano completo.
Em 2013, a taxa de rotatividade global chegou a 63,7% e a de rotatividade descontada (após a exclusão de quatro motivos: morte, aposentadoria, demissões a pedido, transferências) foi de 43,4% no mesmo ano, no mercado de trabalho celetista. Em determinados setores e segmentos econômicos da produção, a rotatividade chega a 100% ao ano. Agricultura e pecuária e Construção civil são os mais afetados. Na Construção, a taxa global ficou em 115% e a descontada, em 88%, em 2013. Mesmo na indústria, a rotatividade é de pelo menos 30% ao ano. Nos serviços, ficou em cerca de 60% em 2013. Rotatividade e políticas públicas para o mercado de trabalho - livro publicado em 2014, com o MTE. Na primeira parte, analisa a questão que envolve o intenso rodízio de mão de obra no mercado de trabalho, como empregada e desempregada, e o aumento dos gastos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do seguro-desemprego. Depois traz diversas considerações, a partir de contribuições do movimento sindical, para enfrentar o desafio de reduzir as taxas de rotatividade.
Rotatividade e flexibilidade no mercado de trabalho - livro editado em 2011, em convênio com o MTE, realiza um resgate das discussões sobre a rotatividade, situando a questão como parte do debate sobre flexibilidade do mercado de trabalho, além de tratar dos elementos presentes na conceituação do fenômeno e das dificuldades existentes na mensuração do problema. A partir dos registros da Rais, faz uma análise do comportamento do estoque e da movimentação do emprego formal no país com base na observação dos movimentos dos grupos de vínculos empregatícios. Analisa o impacto da flexibilidade contratual no tempo de emprego, compara a situação do Brasil com a de outros países e avalia os tipos de contratos e as causas dos desligamentos. O trabalho concentra-se ainda nos aspectos conceituais do problema e nas implicações da mensuração do fenômeno, além de apresentar os resultados da determinação da taxa para o mercado de trabalho formal e para os setores e subsetores de atividades econômicas em 2001, 2004, 2007, 2008 e 2009.
Movimento sindical e a perspectiva setorial - Em agosto de 2014, em parceria com diversas entidades sindicais e com apoio da FES (Fundação Friedrich Ebert), o DIEESE procurou aprofundar o tema a partir da visão setorial. Intitulado Rotatividade setorial: dados e diretrizes para a ação sindical, o livro foi produzido também a partir de dados da Rais e com as contribuições trazidas por uma série de seminários com dirigentes de entidades sindicais de trabalhadores bancários, da construção, do ramo metalúrgico, do comércio, de alojamento e alimentação (hotelaria) e dos químicos. As atividades tiveram como objetivo debater e investigar o fenômeno da rotatividade a partir da ótica setorial, ou seja, averiguar como o problema se manifesta entre esses trabalhadores e quais as características, diferenças ou semelhanças existentes entre os setores. Além do estudo dos dados, os seminários propiciaram aos dirigentes sindicais a oportunidade de debater e formular uma série de propostas com o objetivo de reduzir as taxas de rotatividade nos respectivos setores.
Fonte: Dieese via Feeb-Ba-Se

CTB lança Posto Avançado em Brasília para ampliar atuação política

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB/Nacional, em parceria com a direção regional do Distrito Federal, lança em Brasília o Posto Avançado de Ação Sindical, Social e Institucional (PASSI). A inauguração do novo espaço está prevista para acontecer em 18 de março e pretende reunir organizações da classe trabalhadora, como Diap, Dieese, além de diversos parlamentares.
Segundo o presidente da CTB, Adilson Araújo, o PASSI é mais um esforço para a estruturação da direção regional em sintonia com o escritório nacional em Brasília, coordenado pelo vice Joílson Cardoso. “O objetivo é garantir, através da CTB-DF, um processo de maior interação e permanente diálogo com o Parlamento e as esferas institucionais”, explica Adilson Araújo.
O novo espaço dará maior dinamismo ao trabalho da Central em Brasília, dentro e fora do Congresso Nacional, e vai possibilitar o acompanhamento permanente da pauta dos trabalhadores e dos temas relacionados ao mundo do trabalho.
“Nossa meta para 2015 é buscar o crescimento da CTB em Brasília e trazer mais sindicatos para nossa central. O apoio político e logístico da CTB é fundamental para a concretização desse projeto no DF”, afirma Aldemir Domício, presidente da CTB-DF. O PASSI fica na área central de Brasília, no Setor de Rádio e TV Sul, e também será um local de apoio para os dirigentes sindicais que estiverem em atividade em Brasília.
Por Daiana Lima, de Brasília via Feeb-Ba-Se

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

“Acordo é uma vergonha”, diz militante histórico da esquerda grega

Manolis Glezos, um veterano guerrilheiro grego de 91 anos, ícone do Syriza, de cujo Comitê Central é membro, criticou duramente o primeiro-ministro Alexis Tsipras, líder do partido, afirmando que “o acordo feito no Eurogrupo é uma vergonha”.


O dirigente afirmou que o governo não está cumprindo as promessas feitas na campanha. “Fizemos promessas e não as estamos mantendo. Peço desculpas ao povo grego. Devemos reagir logo. Entre a liberdade e a opressão, escolho a liberdade”.

A crítica de Glezos atinge em cheio o primeiro-ministro Tsipras, que agora se empenha para conter a raiva que cresce em seu partido devido ao acordo feito na sexta-feira (20) em Bruxelas.

O decano do Syriza representa uma parte importante da história da Grécia. Ele iniciou sua vida política em 1941, quando com apenas 18 anos, escalou a Acrópole durante a madrugada para arrancar a bandeira nazista ali içada pelos invasores do Terceiro Reich, num gesto que deu vida à resistência grega contra os nazistas alemães. Seu carisma é um ponto de referência para a esquerda grega. Entre 2010 e 2014, participou nas manifestações contra a austeridade. Por isso tem impacto a nota que emitiu, conclamando os militantes do Syriza a “reagirem antes que seja tarde”. .

O posicionamento de Glezos é um claro sinal das dificuldades que Tsipras enfrenta no atual momento, pois não se trata de uma voz isolada. Panagiotis Lafazanis, ministro do desenvolvimento econômico e líder da Plataforma de Esquerda, o grupo mais radical no interior do Syriza, afirmou que “a linha vermelha traçada antes das negociações não pode ser superada, ou não se chamaria de vermelha”. Um subsecretário da economia anunciou que está pronto para demitir-se se as propostas de reforma que serão apresentadas em Bruxelas não contiverem as medidas humanitárias apresentadas aos eleitores.

Para o primeiro-ministro Alexis Tsipras ficou claro que foi aberto um conflito interno, que pode ser tão ou mais complicado do que os problemas que deverá enfrentar em Bruxelas.

“Nem carne nem peixe” 


Sob este título, o Partido Comunista Grego, que não integra o governo liderado pelo Syriza, publicou um artigo crítico alertando que como partido de oposição, o Syriza prometera “romper” com os memorandos que os governos anteriores tinham assinado com os credores estrangeiros (a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) e que continham as medidas contrárias aos trabalhadores. Mas, como partido governante, “o Syriza revelou que concorda com 70% das ‘reformas’ previstas nos memorandos e discorda de 30% delas, que descreve como ‘tóxicas’.

Para além disso, prossegue o artigo do Partido Comunista, o governo “declara que não tomará medidas unilaterais mas que procura um novo acordo com os credores que desta vez não se chamará ‘memorando’, mas ‘programa’, ‘acordo’ ou ‘ponte’.

Os comunistas gregos conclamam o povo à luta para “exigir a recuperação das perdas nos seus rendimentos e nos seus direitos”, ressaltando que devem “colocar objetivos de luta no sentido da solução dos problemas dos trabalhadores e do povo de acordo com as suas necessidades contemporâneas; lutar pelo caminho que conduz à esperança: a socialização dos monopólios, romper as amarras com organismos imperialistas como a União Europeia e a Otan”.

Repercussão em Portugal

O Gabinete de Imprensa do Partido Comunista Português emitiu nota sobre o acordo pactuado pelo governo grego no Eurogrupo, assinalando que o partido “denuncia todo o processo de chantagem, pressão e imposição que rodeia o acordo agora anunciado, em que fica bem patente a hipocrisia da União Europeia e dos seus principais responsáveis”.

De acordo com os comunistas portugueses, “independentemente de ulterior análise ao conteúdo e consequências deste acordo, o que sobressai neste processo é que as orientações e limites impostos pela União Europeia e pela União Económica e Monetária constituem inaceitáveis constrangimentos ao desenvolvimento de políticas em favor dos legítimos interesses e aspirações dos povos, respeitadoras da sua vontade e soberania”.

Na nota, o PCP solidariza-se com a luta dos trabalhadores e do povo grego e valoriza a luta dos demais povos da Europa, “na defesa e conquista de direitos e da melhoria das suas condições de vida que, como o acordo agora anunciado vem mais uma vez comprovar, são sistematicamente negados pelos pilares e natureza do processo de integração capitalista na Europa”.

Redação do Vermelho, com agências e página do PCP na internet

A razão pela qual a mídia brasileira teme o governo Kirchner

"Estas jovens democracias latino-americanas precisavam mesmo de uma sacudida de realidade: um Estado colocando sobre a mesa a urgente e imprescindível necessidade de reivindicar seu poder como concessionário das licenças públicas de rádio e televisão
"Estas jovens democracias latino-americanas precisavam mesmo de uma sacudida de realidade:
um Estado colocando sobre a mesa a urgente e imprescindível necessidade
de reivindicar seu poder como concessionário das licenças públicas de rádio e televisão

A mídia brasileira está obcecada pelo caso Nisman. O promotor que apareceu morto um dia antes de apresentar uma grave denúncia contra a presidenta Kirchner por ter encoberto terroristas quw explodiram a embaixada israelense em Buenos Aires em 1994 virou estrela da editoria internacional do noticiário televisivo brasileiro, neste janeiro de seca e escândalo da Petrobras.

Por Daniel Oiticica, para o Diário do Centro do Mundo*


"Estas jovens democracias latino-americanas precisavam mesmo de uma sacudida de realidade: um Estado colocando sobre a mesa a urgente e imprescindível necessidade de reivindicar seu poder como concessionário das licenças públicas de rádio e televisão
A mídia brasileira odeia e teme o governo Kirchner. Deixemos no armário questões ideológicas ou intenções políticas. É uma ojeriza que tem mais a ver com o mercadológico. O casal Kirchner foi, nada mais e nada menos, que uma espécie de pioneiros em coragem (leia-se culhão) de comprar uma briga necessária.

Estas jovens democracias latino-americanas precisavam mesmo de uma sacudida de realidade: um Estado colocando sobre a mesa a urgente e imprescindível necessidade de reivindicar seu poder como concessionário das licenças públicas de rádio e televisão, divididas discricionariamente nos anos de chumbo entre o interesse do poder de fato (leia-se governos ditatoriais) e os interesses privados de empresas de comunicação da época.

Essa é uma realidade histórica que deve sempre ser exposta como pano de fundo de quase todos os movimentos midiáticos que têm divido estas nossas frágeis democracias latino-americanas. E não me venham com que um mea-culpa basta.

O caso do promotor Nisman é emblemático.


A verdade é que a mídia brasileira tem prestado um (des)serviço ao povo brasileiro na cobertura deste caso. Essa constatação não está relacionada a nenhuma ideologia. O que a mídia não conta é que a morte misteriosa – e inaceitável – deste funcionário da Justiça Argentina não modificou em nada o cenário judicial deste “culebron” policial.

A denúncia se tornou pública dois dias depois de sua morte. E basta um pouco de paciência + Google para descobrir que para acusar alguém só se precisa de um promotor e uma denúncia. No caso argentino, promotor não vai faltar. O problema aqui é a denúncia.

Nisman escreveu 300 páginas para fundamentar seu pedido de prisão contra Cristina, seu chanceler e um deputado governista. Neste escrito, um dos principais itens é um suposto pedido do governo argentino ao Irã para o cancelamento de alertas vermelhos da Interpol contra um grupo de cidadãos iranianos, acusados do ataque à embaixada de Israel, há 20 anos.

A própria Interpol já desmentiu oficialmente esta informação. Mas a denúncia (e as suspeitas contra Cristina) continuam aí, utilizadas por um novo fiscal e nas manchetes da obcecada e desinformada mídia brasileira.

*Daniel Oiticica é um jornalista brasileiro radicado na Argentina. Entre outras funções, foi correspondente do site Blue Bus


Fonte: Vermelho

Justiça manda blogueiro pagar multa por críticas à Globo

 O blogueiro Miguel do Rosário, de O Cafezinho,  foi condenado a pagar um multa que chega a quase R$30 mil ao diretor geral de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, por críticas políticas feitas à TV Globo. Para o blogueiro, a decisão juidicial “é uma absurda violência política, e que não afeta somente a mim, mas o coletivo e a própria liberdade de expressão de uma nação continental”. 


Leia abaixo a Carta aberta ao povo brasileiro: liberdade de expressão em risco, escrita por Miguel do Rosário

Dirijo-me ao nobre e valoroso povo brasileiro, na qualidade de um cidadão atingido por uma absurda violência política, e que não afeta somente a mim, mas o coletivo e a própria liberdade de expressão de uma nação continental.

Trata-se de um processo movido contra mim por Ali Kamel, empregado da família mais rica do país.

Mais rica e que controla um dos maiores impérios de mídia do mundo.

Não creio que, em nenhum país democrático (com exceção talvez da Itália, que tem o seu Berlusconi), exista um grupo que reúna tanto poder financeiro e midiático como a Globo.

Pois o empregado deste grupo, e não qualquer empregado, mas o seu diretor-geral de jornalismo, pediu-me, e venceu na justiça, uma indenização de mais de R$ 20 mil, a qual, acrescida pelos custos judiciais, me custarão mais de R$ 30 mil.

O processo já terminou. Ele venceu na segunda instância e não conseguimos chegar ao Supremo Tribunal de Justiça. Não há mais como recorrer.

O juiz mandou executar e terei de pagar o montante em alguns dias.
E qual a razão do processo? Simplesmente porque fiz uma crítica política à empresa para a qual ele trabalha.

Não ataquei sua honra. Não o chamei de ladrão ou corrupto. Não pedi sua demissão.

Apenas disse que ele trabalhava para uma concessão pública que, na minha opinião, merece ser criticada.
Para não faltar com a verdade, os únicos adjetivos que dirigi ao autor da ação, e que poderiam ser considerados pessoalmente ofensivos, foram: sacripanta e reacionário. E me referia a ele enquanto diretor de jornalismo da Globo, a concessão pública líder de audiência no país.
O dia em que todos forem condenados porque chamaram, num artigo político, o diretor de jornalismo da maior concessão pública de um país, de “reacionário” e “sacripanta”, será o último dia de liberdade no Brasil.

Creio se tratar de um desses casos emblemáticos que podem influenciar o país durante muitos anos.

Até porque, neste momento, já são vários blogueiros agredidos judicialmente pelo mesmo personagem, ou pelo mesmo campo político.

É um fato notório o mal que a concentração da mídia faz à democracia, um mal denunciado por inúmeras organizações nacionais e internacionais.

A Repórteres Sem Fronteiras acusou o Brasil de ser o país dos 30 Bersluconis, referindo-se às famílias que dominam a mídia de massa no país.

O relator da ONU para Liberdade de Expressão, Frank de La Rue, veio ao Brasil recentemente e afirmou que a concentração da mídia é a maior ameaça à liberdade de expressão. La Rue se referia, naturalmente, à situação da midia no Brasil.

Essas denúncias foram abafadas por nossa mídia corporativa, cuja estrutura segue muito parecida, e até mais concentrada ainda, em relação aos chamados anos de chumbo.

O surgimento de blogs políticos que fazem um contraponto à grande mídia, devem ser entendidos, portanto, como uma reação biologicamente natural, saudável e necessária, do ambiente democrático.

Se a mídia age como um partido político homogêneo, um verdadeiro cartel ideológico, impondo sempre as mesmas pautas, repetindo as mesmas opiniões e até usando os mesmos colunistas, é natural que emergissem blogs no lado oposto do espectro ideológico.

Se a mídia torna-se dia a dia mais conservadora, os blogs se notabilizam por defender pautas progressistas e trabalhistas.

Não é fácil manter um blog, contudo. Raros são os blogs que são atualizados constantemente, e raríssimos aqueles que conseguiram se profissionalizar.

Entretanto, creio que, neste momento da nossa história, os blogs políticos constituem um respiro democrático no ambiente histérico, reacionário, udenista, muitas vezes flertando com o golpismo, da nossa imprensa corporativa.

Não digo que os blogs sejam perfeitos, nem que a nossa imprensa seja 100% um lixo (digamos que ela seja 75% lixo). Mas representamos um contraponto importante. E ajudamos a concretizar um dos princípios que norteiam a nossa Constituição: a pluralidade política.

Claro, os blogs não resolvem o problema da concentração midiática. Apenas ajudam a enriquecer o debate, a criar uma válvula de escape num ambiente que, sem eles, seria talvez desesperador para muita gente.

A sustentação financeira dos blogs é complicada. Apesar dos adversários nos acusarem de recebermos “apoio do governo”, sabemos que isso não é verdade. Recentemente, os dados referentes a todos os órgãos de governos, incluindo estatais, foram abertos e comprovamos que apenas dois ou três blogs ou sites recebiam apoio oficial (não estou incluído), e mesmo assim, irrisórios se comparados ao custo de manutenção dos mesmos, e ridiculamente ínfimos, se comparados ao que receberam os grandes ou mesmo medianos grupos de mídia tradicionais.

Os blogs políticos, em geral, são sustentados pelo próprio bolso dos autores.
Em alguns casos, como o meu, o blog é sustentado por assinaturas e contribuições dos leitores, uma ou outra publicidade, além do adsense do Google, um esquema randômico de propaganda.

Não posso reclamar de nada, todavia.

A blogosfera, aqui entendida como o conjunto de leitores, sempre foi generosa comigo. Tenho centenas de assinantes pagantes e as contribuições sempre foram generosas por parte de um público idealista.

Não espero matérias elogiosas a meu trabalho em reportagens de TV, em jornais ou revistas de grande circulação.

Ao contrário, sempre que me citam, e são obrigados a fazê-lo de vez em quando, fazem-no tentando me prejudicar.

Entretanto, às vezes recebo doações e assinaturas até mesmo de pessoas de baixa renda, e isso realmente me comove e me faz entender a importância de continuar o meu trabalho.

Digo isso para mostrar a fragilidade financeira dos blogs, por representarem uma coisa nova, ainda não assimilada pelos agentes econômicos, sobretudo num país onde o ambiente publicitário permanece sob o controle dos monopólios corporativos consolidados no regime militar.

Frágeis, mas essenciais!

De qualquer forma, contra tudo e contra todos, estamos crescendo.
Os blogs têm cada vez mais visitas. O Cafezinho tem cada vez mais assinantes.

Adentramos até mesmo o terreno mais custoso do jornalismo: a investigação.

Os blogs hoje também realizam investigações importantes, como eu fiz no caso da sonegação da Globo, do apartamento em Miami de Joaquim Barbosa, e agora, sobre a participação de graúdos das finanças e da política na lista do OffShore Leaks e do HSBC suíço.
Pois bem, diante de tal situação, o que posso fazer diante da ofensiva covarde da Globo contra o meu trabalho?

O dinheiro que ganho serve para pagar meu custo de vida, ao qual tive que acrescentar agora os honorários do meu advogado.

Como posso entrar numa batalha judicial com o diretor de jornalismo da Globo, cujos proprietários têm uma fortuna maior que a de Rupert Murdoch, o magnata australiano dono de um império midiático nos EUA, maior que a de Berlusconi, proprietário de vários canais de TV na Itália e um dos principais expoentes da direita europeia?

O valor imposto, R$ 20 mil mais custos judiciais, equivale ao valor que o Judiciário costuma impor à revista Veja, que pertence também a uma das famílias mais ricas do país. E isso quando a Veja perde na justiça, o que é raro.

Não falta aqui um senso de proporção?

Depois de judicializarem a política, agora partirão para a judicialização da censura?

Qual o objetivo da Globo? Reduzir o já diminuto pluralismo político do país?

E ela ainda quer se vender como defensora da liberdade de expressão?

Ainda quer acusar a esquerda de pretender promover a censura por querer estabelecer uma regulamentação que evite esse tipo de aberração, na qual a grande mídia pode destruir reputações, e a pequena mídia não pode falar nada?

É muito cinismo! Dão golpe e falam que a democracia voltou! Censuram e acusam os outros de censura! Roubam e gritam pega ladrão!

Só blogueiros cubanos serão defendidos por nossa mídia?

O caso do blogueiro saudita, condenado a levar algumas centenas de chibatadas, foi denunciado por nossa “imprensa livre” e aqui o diretor de jornalismo da nossa maior empresa de mídia persegue judicialmente os blogs?

É uma contradição atrás da outra!

Entendo, contudo, perfeitamente, que as pessoas se sintam ofendidas e procurem reparação na justiça.

Se houvesse a lei de imprensa, o ofendido ganharia direito de resposta no blog, que eu publicaria com o maior prazer.

Ali Kamel poderia explicar, a meus leitores, que não pode ser culpabilizado pelos crimes que a Globo cometeu contra a democracia, no passado remoto e recente.

Tudo bem.

Não há mais lei de imprensa, porém. Não há qualquer tipo de regulamentação da mídia, que proteja o cidadão contra ofensas e o jornalista contra abusos do poder econômico e arbítrios da justiça.
Voltamos à lei da selva, à lei do mais forte.

Não tenho pretensão de acertar sempre. Entendo que um blogueiro pode passar dos limites às vezes. O limite entre o sarcasmo, o humor, o chiste, e a ofensa, é frequentemente tênue.

Pode-se publicar por vezes uma denúncia equivocada (o que não é o caso aqui, não “denunciei” nada acerca de Ali Kamel).

O blogueiro costuma caminhar sobre a corda bamba.

Ora, mas então que se aplique uma multa proporcional ao padrão financeiro de um blog!

Um blog político independente não tem R$ 20 ou R$ 30 mil para sair distribuindo para o primeiro que se sentir ofendido!
Se não conseguir pagar este valor, minhas contas serão bloqueadas e, evidentemente, meu trabalho ficará comprometido.

E aí é que não conseguirei pagar nada mesmo!

É uma coisa tão absurdamente injusta, tão ridiculamente sem sentido, que dá vontade de rir.

Os caras mais ricos do país, donos do maior império de mídia da América Latina, tentando matar um blogueiro de fome!

Tudo com apoio de uma justiça sem grande apreço, aparentemente, pela liberdade de expressão (ou que entende que esta liberdade seja propriedade da grande mídia); e a complacência de uma sociedade amedrontada e chantageada por uma mídia doentiamente inchada pelo totalitarismo político.

Vivemos uma ditadura sanguinária, onde a liberdade de expressão é monopólio de meia dúzia de poderosos?

O querelante se aproveita do fato do poder judiciário não estar devidamente atualizado sobre a importância dos blogs para o pluralismo político no Brasil, nem habituado à linguagem às vezes agressiva, própria da blogosfera, sobretudo quando se trata de enfrentar a grande mídia, herdeira da ditadura, símbolo do mainstream e de séculos de opressão e desigualdade social.

Eu fui condenado, aliás, porque escrevi um texto em apoio a um outro blogueiro, também condenado injustamente.

Até isso querem criminalizar, a solidariedade.

Até onde vai essa perseguição política, promovida por um gigante corporativo, através de seu diretor de jornalismo, contra simples blogueiros?

Gostaria de acreditar que vivemos um regime democrático, que vencemos a luta contra a ditadura, e que, portanto, os herdeiros dos anos de chumbo não vencerão esta batalha fundamental.

Serviço:
Aos leitores que quiserem ajudar, podem fazê-lo através deste link. Qualquer dúvida, use o email assinatura@ocafezinho (falar com Mônica Teixeira). Meu email é migueldorosario@gmail.com (que é também meu ID no Paypal).

Do Portal Vermelho 

Solidariedade plena ao povo e ao governo legítimo da Venezuela

A Venezuela está mais uma vez às voltas com uma ameaça de golpe de Estado, fruto da ação das oligarquias locais, representadas por forças que optaram pela violência e a ilegalidade, com o apoio aberto dos Estados Unidos, em mais uma tentativa de ingerência e desestabilização. A ação golpista se desenvolve em meio à guerra econômica e ao terrorismo midiático 

A crise política no país vizinho, alvo do intervencionismo estadunidense, faz soar o sinal de alerta para uma tomada de consciência e a mobilização solidária ao povo e governo bolivarianos por parte de todos os que na vastidão da América Latina e no mundo se alinham com os valores e políticas da revolução democrático-popular e anti-imperialista do governo venezuelano. 

É um momento em que ninguém deve silenciar. As forças anti-imperialistas, os partidos de esquerda, os movimentos sociais, os povos que se beneficiam com o avanço dos governos progressistas da região, devem, em face da gravidade das ações golpistas, levantar a sua voz, denunciar a conspiração golpista, mobilizar-se em ações solidárias, em apoio a uma revolução que tem como uma de suas expressões mais avançadas o internacionalismo e o respaldo às lutas pela emancipação nacional e social de todos os povos do mundo. 

Igualmente importante será o posicionamento dos governos da região, através dos organismos multilaterais – Unasul, Celac, Alba – em defesa da democracia e da paz na nação coirmã, uma das condições indispensáveis para que prossiga com êxito o processo de integração regional, fator de progresso político, econômico e social. 

Como sempre, em casos como este, os meios de comunicação, em mãos de grupos empresariais monopolistas, apoiam os golpistas e atacam o governo legítimo do país. Fazem pressão – que tende a cair no vazio – para que o governo brasileiro se afaste da justa orientação de sua política externa independente e adote a posição que convém aos inimigos da soberania latino-americana.

O presidente venezuelano tem-se dirigido à comunidade internacional reiterando que há contundentes provas da participação de membros da embaixada dos Estados Unidos nas conspirações contra seu país. “Queriam pressionar oficiais das Forças Armadas a aceitar uma proposta de traição à Pátria", disse. O mandatário também desvelou os vínculos do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma com os intentos golpistas.

O alcaide, em cuja folha corrida há notórias ações antidemocráticas e antinacionais, assinou, ao lado de Maria Corina Machado (paparicada pela mídia brasileira e os partidos neoliberais e conservadores PSDB, DEM e PPS) e demais conspiradores, o chamado Acordo Nacional para a Transição, documento que, segundo as autoridades venezuelanas, é o ponto de partida para iniciar um golpe de Estado, que contemplava ataques a ministérios, à sede da televisão Telesur e o Palácio de Miraflores, sede do governo nacional.

Tramitam no Judiciário venezuelano processos contra Ledezma por delitos de conspiração e organização de ações desestabilizadoras contra o governo constitucional de Nicolás Maduro.

No passado, o alcaide da capital participou no massacre que passou à história como o Caracazo, episódio em que no ano de 1989, o governo de Carlos Andrés Perez assassinou mais de 300 manifestantes contrários a um pacote de arrocho ditado pelo Fundo Monetário Internacional. Ledezma também esteve implicado com os golpistas de abril de 2002, que fracassaram em seu intento de derrubar do poder o então presidente Hugo Chávez. 

Doze anos depois, o prefeito voltou a optar pelo caminho da violência insuflando as manifestações do início de 2014, cujo saldo foram 43 mortos e mais de 800 feridos.

Portal Vermelho identifica-se com as ideias libertadoras da Revolução Bolivariana Venezuelana e compreende o papel progressivo que o governo chavista de Nicolás Maduro desempenha na conjuntura latino-americana e internacional. Por isso, reitera sua plena solidariedade ao governo da República Bolivariana da Venezuela e a seu governo legítimo e constitucional. 


Fonte: Vermelho

Maduro: “Na Venezuela vai prevalecer a paz e o socialismo”

Maduro chamou o povo a ficar alerta diante daqueles que pretendem impor na Venezuela os planos preparados pelo império. 
AVN
Maduro chamou o povo a ficar alerta diante daqueles que pretendem
impor na Venezuela os planos preparados pelo império. 

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, manifestou que o governo nacional junto ao povo venezuelano continuará a defesa da pátria diante da agressão e das ações desestabilizadoras da direita.


“É tempo de lealdade, tempo de amor e de combates. Vamos combater no cenário que se apresentar diante de nós para defender o direito à pátria de nossos filhos, de nossos netos e o legado do comandante Hugo Chávez. Na Venezuela vai prevalecer a paz e o socialismo, não vai haver império que nos atemorize e nos encurrale, disse o chefe de Estado em um contato telefônico com o programa
 La Hojilla, conduzido por Mário Silva, na Venezuelana de Televisão.


O presidente Maduro chamou o povo a ficar alerta diante daqueles que, sob a máscara da traição pretendem impor na Venezuela os planos preparados pelo império.

O presidente advertiu que o império aposta na traição para alcançar seus interesses, que não são outros senão dominar e oprimir os povos, e apossar-se das riquezas dos venezuelanos.

Em 12 de fevereiro, o mandatário denunciou que a extrema direita tinha previsto ativar um novo intento de golpe de Estado contra o governo legítimo e o povo da Venezuela, no qual está envolvido um reduzido grupo de oficiais da Força Aérea e civis, com o respaldo do governo dos Estados Unidos, ação que foi totalmente desarticulada.

“O imperialismo aposta na traição para que se imponha a dominação, mas nós rompemos o malefício da traição”, ressaltou.

O chefe de Estado recordou que por trás de cada traição se produziu uma dominação imperial e da oligarquia. “Veio o saque do país, veio a miséria, veio o desprezo ao povo durante décadas e séculos, assinalou”.

Maduro indicou que diante destas ações lideradas pela extrema direita nacional e internacional, só a lealdade manterá o povo vitorioso.

“Só a lealdade, originária e original de nosso comandante (Hugo) Chávez ao projeto bolivariano e de nossa parte para com Chávez, é que nos dará a prosperidade, a felicidade e fará com que a pátria siga seu rumo”.

Encontro com Fidel


A página do jornal cubano Granma na internet, órgão do Partido Comunista, informou na última sexta-feira (20) que o presidente venezuelano esteve em Cuba durante a semana, onde manteve contatos com o líder histórico da revolução, Fidel Castro e o presidente da República, Raúl Castro.

“Estive em Cuba (…) Aproveitei que era terça-feira de carnaval e visitei o comandante Fidel Castro Ruz, que manda uma saudação a todo o povo da Venezuela”, disse Maduro em um comunicado transmitido pela televisão.

Maduro contou que sua conversação com Fidel Castro se concentrou em temas de interesse mundial. “Conversamos sobre o mundo, sobre a paz, sobre a mudança climática, conversamos sobre muitos temas”.

Vermelho - Com Agência Venezuelana de Notícias e Granma