quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Remuneração das mulheres continua mais baixa que a dos homens

Nos últimos anos, assistiu-se à redução da desigualdade de renda atrelada sobretudo à melhora nos indicadores do mercado de trabalho. Mas diversas análises mostraram a persistência de desigualdades de rendimentos quanto ao gênero no mercado de trabalho brasileiro.
Nota Técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra, ao analisar o mercado de trabalho formal no Brasil a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (Rais - MTE), que é persistente a desigualdade de remuneração média por sexo: em 2013, as mulheres tiveram rendimentos em média 17,7% menores que os dos homens, patamar semelhante ao dos anos anteriores.
Os patamares da desigualdade de rendimentos nos empregos formais estão nas regiões Sudeste e Sul, como mostram o gráfico, tendo, inclusive, crescido no Sudeste.
Quanto a diferentes setores, em 2013, uma trabalhadora da Indústria de Transformação recebia, em média, 34,6% menos do que um trabalhador do sexo masculino no mesmo setor, e, na Administração Pública, 24,8% menos. Nos Serviços, a diferença foi de 21,4%, na Indústria Extrativa Mineral de 2,9% e negativa no caso da Construção Civil (-5,2%), setor com pouca presença feminina.
O quadro se agrava se observamos os dados para o mercado de trabalho informal: indicadores do mercado de trabalho a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), entre os anos 2003-2013, mostram que o rendimento médio das mulheres ocupadas, considerando o mercado de trabalho em geral e não só o formal, é menor em comparação ao dos homens ocupados: se em 2002 o rendimento das mulheres ocupadas correspondia a 63% do rendimento dos homens, em 2012 esse valor já era de 70%, o que mostra a diminuição da desigualdade, mas a persistência de um patamar alto.
Assim, percebe-se que a desigualdade de rendimento para o gênero no mercado de trabalho formal é menor que no mercado de trabalho em geral. Apesar de alguns indicadores mostrarem ligeira melhora, continua grande o abismo entre a remuneração de homens e mulheres no mercado de trabalho.
Fonte: Brasil Debate via Feeb-Ba-Se

Bahia é o 2º estado mais letal para jovens; Itabuna lidera entre cidades

Ranking foi anunciado em coletiva no Rio
(Foto: Janaína Carvalho/G1) 

Índice de Homicídios na Adolescência foi divulgado na quarta-feira (28). Dentre as 20 cidades com maior índice de mortes, cinco são da Bahia.


A 5ª edição do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), que foi divulgada à imprensa nesta quarta-feira (28), no Rio de Janeiro, aponta que a Bahia é o segundo estado do país com a maior concentração de assassinatos entre jovens de 12 anos a 18 anos.
Os dados da pesquisa ainda indicam que o município de Itabuna, no sul da Bahia, lidera em número de homicídios nesta faixa etária entre as cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes. Dentre as capitais, Salvadordesponta como a terceira com maior risco de morte para adolescentes.
O levantamento foi elaborado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ) e leva em conta dados coletados no ano de 2012.
A pesquisa mostra que, dentre os cinco estados brasileiros mais letais para jovens de 12 a 18 anos, quatro ficam na região Nordeste. O estado de Alagoas lidera o ranking com um Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) de 8,82. A Bahia vem logo atrás com índice de 8,59, seguido pelo Ceará, com 7,74. Em quarto lugar aparece o estado do Espírito Santo, na região Sudeste, com índice de 7,15. Logo após, aparece a Paraíba - também no Nordeste -, com índice de 6,04.
A pesquisa coloca o município baiano de Itabuna, no sul da Bahia, com IHA de 17,11 - o maior dentre todas as cidades brasileiras com população superior a 200 mil habitantes.
Dentre as 20 cidades mais letais para jovens, cinco estão na Bahia. Além de Itabuna, a lista traz Camaçari em quinto lugar com IHA de 9,82;Vitória da Conquista em oitavo com 8,50; Salvador em nono com 8,32; e Feira de Santanaem 13º com índice de 6,79.
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP) afirma que o número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) no município baiano de Itabuna teve redução de 23,6% em 2013 (133), numa comparação com o ano de 2012 (174). O decréscimo, segundo a pasta, foi resultado de operações no combate aos homicídios e ao tráfico de drogas na região, a exemplo da transferência de seis líderes de organizações criminosas, detidos no Conjunto Penal de Itabuna, para presídios federais, em março de 2013.
Ainda por meio da nota, a SSP destaca que no bairro de Monte Cristo já funciona uma Base Comunitária de Segurança (BCS) com ações de prevenção a violência voltada para crianças e jovens, além da inauguração do Centro Integrado de Comunicação (Cicom), que teria otimizado o trabalho da polícia na região.
Nordeste
De acordo com os dados, a região Nordeste apresenta a maior incidência de violência letal contra adolescentes, com um índice igual a 5,97. Em contrapartida, o Sudeste possui o menor valor, com uma perda de 2,25 jovens em cada mil.
O estudo ainda revela que a possibilidade de jovens negros serem assassinados é 2,96 vezes maior do que os brancos. Os adolescentes homens apresentam um risco 11,92 vezes superior de morte quando comparado a jovens do sexo feminino. Conforme levantamento, a arma de fogo é o principal meio utilizado nos assassinatos na faixa etária de 12 a 18 anos.
Em relação a todo o país, o estudo mostra que os homicídios representam 36,5% das causas de morte dos adolescentes no país, enquanto para a população total correspondem a 4,8%.
Para a elaboração do IHA, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República afirma que foram analisados 288 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. O levantamento tem como base os dados dos Censos 2000 e 2010, do IBGE, e do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.
O IHA faz parte das ações do Programa de Redução da Violência Letal Contra Adolescentes e Jovens (PRVL), criado em 2007. A pesquisa na íntegra está disponível online.
Fonte: http://g1.globo.com/bahia

O povo grego manda seu recado

Divanilton Pereira*
O continente europeu continua como expressão maior dos nefastos efeitos da crise capitalista entre os centros mais desenvolvidos. Sob a batuta da troika – Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu – tentam transformar as nações integrantes em meros condôminos dos interesses rentistas e, em particular, dos alemães. Nessa diretriz usurpam suas soberanias e põem em seus comandos políticos aristocratas ligados diretamente aos grandes conglomerados financeiros.
A direita e seus aliados impõem no continente uma agenda que pode ocasionar a maior regressão laboral e civilizacional dos últimos tempos. Pacotes antinacionais e antitrabalhos fazem recair sobre a classe trabalhadora, mais uma vez, o ônus dessa crise.

O resultado dessas medidas é o aprofundamento do colapso econômico e da dramática situação social, com destaque para os elevados índices de desemprego. Esses efeitos têm atingido em cheio os países mais frágeis da anexação promovida pela União Europeia.
A Grécia é uma das expressões dessa realidade. A “austeridade” aplicada naquele país – que alguns tentam emplacar novamente no Brasil – gerou uma contração no PIB de 25% nos últimos quatro anos, elevou a dívida pública para 170% do PIB, a taxa de desemprego antes em 8% ultrapassou os 25% e, entre os jovens até 35 anos, alcança 50%.
Contra essa calamidade social as trabalhadoras e os trabalhadores, destacadamente organizados pela PAME (central sindical grega), travaram fortes embates políticos. Grandes marchas nacionais e greves gerais foram as marcas da resistência social desse período.

Comprovando o fracasso dessa política liberalizante e direitista, o governo do então Primeiro-ministro Andonis Samarás, do partido Nova Democracia, oficializou seu fim e antecipou as eleições no país.
No último domingo (25) o partido oposicionista Syriza – fundado em 2004 e que tem em seu interior uma frente de organizações – conseguiu capitalizar a insatisfação popular e fez história com sua marcante vitória eleitoral. O Partido Comunista da Grécia (KKE) teve uma boa performance e elegeu 15 deputados.
Esse resultado é uma expressão institucional do acúmulo político gerado por todas as lutas empreendidas pelo seu povo, particularmente, de sua classe trabalhadora. Uma forte resposta contra o cataclismo econômico e social promovido pela União Europeia contra aquela nação.
Por essa natureza essa vitória tem uma dimensão que extrapola o território grego e pode impulsionar ainda mais as lutas contra a onda liberal e direitista que ameaça o velho continente.
Não me atrevo a especular quanto as possibilidades do novo governo ou sobre o programa do Syriza. Prefiro limitar-me a realçar uma vitória eleitoral oposicionista ocorrida dentro de uma região que, há anos, os trabalhadores vivem sob uma férrea e brutal agressão civilizacional e num preocupante crescimento da influência xenófobo e fascista.
Nesse contexto, reiteramos a nossa solidariedade ao povo grego, único capaz de conquistar e descortinar seus próprios caminhos para sua efetiva libertação.
*Divanilton Pereira é  secretário de Relações Internacionais da CTB

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

Protesto dos trabalhadores toma o Centro de Salvador

ato centrais salvadorTrabalhadores e trabalhadoras da Bahia lotam o centro de Salvador no Dia Nacional de Luta
Os trabalhadores baianos mostraram a disposição para lutar contra qualquer retirada de direitos em uma grande manifestação, realizada na manhã desta quarta-feira (28/01), em Salvador. Portando faixas e bandeiras, lideranças da CTB, CUT, UGT, Força, Nova Central, CSB e Conlutas tomaram uma das principais avenidas do centro da cidade, em protesto pela edição das Medidas Provisórias 664 e 665, que ameaçam conquistas, como o seguro desemprego, o auxílio doença e a pensão por morte.
A concentração começou cedo no Sindicato dos Bancários, de onde a marcha saiu em direção à Superintendência Regional do Trabalho – SRTE. Lá, além de realizarem um ato político, os representantes das centrais foram recebidos pela superintendente do Trabalho na Bahia, Isa Simões. Eles entregaram um documento, as ser encaminhado ao Ministério do Trabalho, no qual pedem a imediata revogação das MPs, apontando outras formas de ajuste fiscal, sem penalizar os trabalhadores.
aurino ctb baPresidente da CTB-BA, Aurino Pedreira defende nenhum direito a menos, nem que a vaca tussa!
Isa Simões prometeu encaminhar a carta ao ministro do Trabalho, Manoel Dias, enfatizando a disposição da SRTE de ser um espaço de mediação para as lutas dos trabalhadores. "As entidades sindicais são muito importantes para a democracia do país, pois representam a grande massa da população. Eu me coloco a disposição para uma discussão maior sobre as questões que estiveram na minha alçada, como as discussões sobre demandas locais. Vocês estão abrindo um canal de negociação, mas só a mobilização vai garantir avanços em algumas questões", disse a superintendente.
Todos na rua
Muito antes da entrega do documento, lideranças sindicais de diversas categorias se revezaram ao microfone do carro de som para alertar a sociedade sobre o alcance das mudanças propostas pelo governo. bancários, comerciários, trabalhadores da construção civil, da hotelaria e da indústria têxtil, servidores da saúde e da educação, vigilantes, rodoviários e aposentados mostraram seus motivos para recusar as medidas provisórias. "2015 será um ano de muita luta e mobilização. Isso requer uma unidade ainda maior do movimento sindical. As MPs 664 e 665 são uma afronta aos brasileiros, pois pretende retirar recursos dos trabalhadores e da produção para fazer superávit primário. Isto é um absurdo", argumentou o presidente da CTB-BA, Aurino Pedreira.
Para Pedreira, será preciso uma grande mobilização dos trabalhadores para mudar os rumos propostos pela equipe econômica do governo. "Nós não vamos conseguir esta mudança se não formos para as ruas disputar este projeto. Mas, a luta não pode se restringir às manifestações de rua, ela precisa ser feita dentro dos locais de trabalho, por cada sindicato em suas bases. Só assim manteremos a nossa força e capacidade de mudar os rumos do país", acrescentou.
Em sua fala, o presidente da CUT-BA, Cedro Silva, lembrou a importância de defender os avanços conquistados nos últimos anos pela classe trabalhadora, lutando contra esta ameaça de retrocesso e também por novas conquistas, como o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho. Silva conclamou os trabalhadores a encamparem também a luta em defesa da Petrobras, evitando sua entrega ao capital estrangeiro.
Magno Lavinge, presidente da UGT, defendeu atenção redobrada em relação ás medidas. "A impressão que temos é de que as mudanças agora propostas foram feitas para testar o nossa reação. Caso aceitemos, outras muitas piores virão. Mas não vamos aceitar nenhum tipo de retrocesso".
A manifestação é parte do Dia Nacional de Lutas e Mobilizações por empregos e direitos, organizado pelas principais centrais sindicais do Brasil. Na Bahia, o ato foi marcado pela pluralidade de representações e de demandas, que incluiu também a luta contra abertura de capital da Caixa Econômica, a elevação das taxas de juros e dos impostos; em defesa da Petrobras, da correção da tabela do imposto de renda e a inclusão da produção local na indústria nova, além de pautas locais.
Fonte: CTB-BA

O tripé e o retrocesso

No artigo "O Manifesto do retrocesso" (19/11), Pedro Ferreira e Renato Fragelli criticam o "Manifesto dos economistas pelo desenvolvimento e inclusão social". Embora o manifesto critique a austeridade, nossos críticos mal justificam sua opção pela austeridade e atacam o manifesto pelo que não faz: a defesa do governo Dilma.
O manifesto rejeita sim as críticas ortodoxas feitas ao governo, que são reiteradas pelos articulistas. O governo Lula teve êxito na operação anticíclica (criticada pelos neoliberais) que defendeu o emprego e a inclusão social em 2009. A economia recuperou-se com o aumento do investimento público e incentivos ao gasto privado, e a recuperação melhorou em seguida o resultado fiscal.
Nosso dilema começa quando Henrique Meirelles, então presidente do Banco Central, pouco fez para limitar a apreciação cambial em 2010. Embora a depreciação de 2008 mal tivesse impacto inflacionário e tenha compensado apenas parte da apreciação desde 2003, foi revertida com os fluxos financeiros atraídos pelo diferencial de juros oferecido por Meirelles.
Precisamos de alternativas ao tripé do retrocesso, com plano de recuperação dos investimentos públicos
A crise global também explica a liquidez que apreciou o real, o baixo crescimento mundial e o acirramento da competição internacional. Países desenvolvidos tentam recuperar-se via exportações e exportadores asiáticos buscam novos mercados. O saldo comercial brasileiro inverteu-se em relação às economias sede das filiais na indústria enquanto exportações asiáticas tomaram parcela do mercado industrial no Brasil e na América do Sul.
Conjugada ao excesso de capacidade global, a apreciação cambial induziu uma avalanche de importações. A produção da indústria de transformação encolheu, em termos reais, 6,5% desde o terceiro trimestre de 2008 e o coeficiente de penetração de importações aumentou quase 30%. No acumulado até setembro, o comércio setorial passou de superávit de US$ 22,4 bilhões em 2005 para déficit de US$ 49,2 bilhões em 2014.
Essa avalanche iniciou-se na vigência do tripé "metas de inflação-superávit primário-apreciação cambial" e trouxe o risco do tripé do retrocesso das reformas neoliberais da década de 1990: desindustrialização, rentismo e déficit crescente de transações correntes, resultando no baixo crescimento.
Ademais, a tendência de depreciação cambial resultante desses desequilíbrios traria grande pressão inflacionária. Começávamos a voltar aonde hoje estamos: na armadilha do baixo crescimento, com pressões inflacionárias latentes e sob risco de perda do grau de investimento como no final dos 1990.
A gestão de Alexandre Tombini continuou o ciclo de elevação de juros de Henrique Meirelles e o complementou com iniciativas macroprudenciais. A economia já desacelerara no fim de 2010, quando a avalanche de importações coincidiu com a maturação de investimentos decididos antes da crise e a saturação gradual da demanda de bens de consumo duráveis que se acirrou em 2014.
Não obstante a desaceleração, o governo Dilma Rousseff ouviu o clamor ortodoxo em 2011 e deu início à contração fiscal que afetou o investimento da administração direta que, excluindo subsídios, teve queda real de 12% em 2011 e, em relação ao PIB, não deve recuperar em 2014 o nível de 2010.
Em agosto de 2011, o Banco Central iniciou redução da Selic, mas a contração fiscal era forte sinal para o recuo do investimento privado. Quando abandonou a contração em 2012, o governo não reverteu a queda do investimento público e sim apoiou o investimento privado com a redução de custos de produção, sem conter a desaceleração cíclica da demanda e seu vazamento para importações.
A crítica neoliberal ao relaxamento monetário e fiscal é que seria a causa de pressões inflacionárias e do baixo crescimento. O argumento contrafactual e injustificado é que se o governo insistisse na contração, em meio à crise europeia, o gasto privado reagiria a maiores juros e superávit primário expandindo-se...
Em 2013, a pressão inflacionária não resultou de sobreaquecimento e sim da correção cambial e de outros choques de custo, como preços agrícolas e fretes. É por isso que controlar a inflação envolve desindexar contratos, formar estoques reguladores e ampliar a oferta de bens públicos e infraestrutura.
A expansão fiscal que se iniciou em 2012 não pode ser responsabilizada pela resistência da inflação, como acusam os neoliberais. Afinal, envolveu desonerações fiscais e controle de preços administrados para reduzir custos de produção e restaurar a competitividade, mas esteve longe de levar a sobreaquecimento.
O problema é que esse tipo de "expansão fiscal" não reverte a desaceleração nem a desconfiança em relação a um futuro de receitas incertas. A correção cambial tampouco foi suficiente para reverter a apreciação herdada da gestão Meirelles e muito menos a tendência de desindustrialização, mas pressionou a inflação.
Hoje, o governo Dilma dobra a aposta em um modelo de crescimento empurrado pelo investimento privado. Como seus críticos ortodoxos, parece acreditar que a austeridade liberará espaço para o setor privado, em vez de puxá-lo para a recessão.
Consideramos, ao contrário, que atender ao clamor ortodoxo e apostar na austeridade, como em 2011, traz sério risco de reforçar a desaceleração observada em todos os itens de demanda privada e nos atirar em uma recessão.
Embora resulte das recomendações de economistas ortodoxos desinteressados e de porta-vozes dos mercados financeiros, uma recessão não deve ser bem recebida nem pelos mercados nem pelas agências de classificação de risco. Tampouco será boa para a governabilidade, sobretudo se jogar as ruas contra o governo. É por isso que precisamos de alternativas ao tripé do retrocesso, com a ampliação de investimentos públicos articulados a um plano sistemático de recuperação dos investimentos privados.
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos e Carlos Aguiar de Medeiros são, respectivamente, professor associado (livre docente) da Unicamp e professor titular da UFRJ.
Fonte: Portal CTB

Não vamos abrir mão dos nossos direitos e conquistas

Reunido em São Paulo na tarde de quarta-feira, 28, o Conselho Político da CTB debateu a conjuntura nacional e aprovou a seguinte resolução:
1-      O Dia Nacional de Lutas contra as MPs 664 e 665 e em defesa dos direitos da classe trabalhadora mobilizou unitariamente todas as centrais sindicais brasileiras e reuniu dezenas de milhares de pessoas em todas as regiões do país no dia 28 de janeiro, superando as expectativas dos organizadores e revelando à sociedade a rejeição do povo às referidas MPs;
2-      As medidas impostas pela nova equipe econômica, sob o comando de Joaquim Levy, não só subtraem direitos dos trabalhadores e trabalhadoras como jogam água na fogueira da estagnação e recessão econômica ao deprimir o consumo, o crédito e o mercado interno. Esta é uma razão a mais para que sejam revogadas;
3-      O caminho que defendemos é outro. Supõe a mudança da política econômica, o fim do tripé do retrocesso (composto por juros altos, superávit primário e câmbio flutuante), a realização de reformas estruturais (agrária, política, tributária, urbana, da educação, da mídia e do Judiciário), o desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, soberania e democracia;
4-      A experiência histórica mostra que os interesses da classe trabalhadora estão em harmonia com os interesses nacionais e promovem desenvolvimento, como sugerem os resultados da política de valorização do salário mínimo no Brasil. Em contraposição, os interesses dos rentistas, que hoje infelizmente influenciam fortemente a política econômica, conduzem à estagnação, à recessão e ao retrocesso social, conforme se vê hoje na Europa;
5-      Jamais admitiremos que ajustes vendidos pelo pensamento dominante como inevitáveis sejam feitos à custa da classe trabalhadora, enquanto se preservam os interesses dos grandes capitalistas. Caso seja mesmo indispensável equilibrar as contas públicas, pressionadas pelas escandalosas despesas financeiras (pagamentos dos juros), que se busquem outros meios. As centrais propõem a instituição do imposto sobre as grandes fortunas, a taxação das remessas de lucros, a revisão das desonerações, a redução dos juros. Compreendemos que o pano de fundo desta realidade é a crise sistêmica do capitalismo, mas são os ricos, e não mais os pobres, que devem arcar com seu ônus;
6-      A CTB apoiou Dilma no segundo turno e considera que o povo brasileiro obteve uma grande vitória ao garantir sua reeleição, barrando a ameaça de retrocesso neoliberal que seria inevitável com Aécio Neves. Ao mesmo tempo em que critica com energia as medidas de ajuste fiscal, e luta para revogá-las e mudar a política econômica, procura se diferenciar e demarcar claramente o campo com a oposição ao governo que é liderada pela direita neoliberal e tem por programa o retrocesso social, a recessão econômica, o arrocho dos salários, o desemprego em massa e a restrição ou quem sabe até a supressão das liberdades democráticas;
7-      Lutamos não só para preservar os direitos e conquistas do nosso povo como também para ampliá-las, evitando o retrocesso e avançando na direção de transformações sociais mais profundas no leito de um novo projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho que deve abrir caminho para a superação do decadente sistema capitalista e construção de uma nova sociedade socialista.
São Paulo, 28 de janeiro de 2015
Conselho Político da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Centrais realizam manifestações simultâneas pelo Brasil nesta quarta

Trabalhadores pedem a revogação das medidas que alteram a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas
CTB
Trabalhadores pedem a revogação das medidas
que alteram a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas

Em defesa do emprego e dos direitos trabalhistas, as centrais sindicais CTB, CUT, CSB, Força Sindical, NCST e UGT realizam nesta quarta-feira (28), o Dia Nacional de Luta, com marchas, paralisações e atos em todo o Brasil.


A principal reivindicação das centrais é a revogação das medidas que alteram a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas, lançadas por Medida Provisória pelo governo no final de dezembro. Mas os trabalhadores também pedem a mudança no rumo da economia.

“A ênfase numa política econômica conservadora, ditada pelo sistema financeiro, está levando o governo a uma perigosa rota de colisão com os movimentos sociais, que tiveram papel decisivo na reeleição de Dilma. Não podemos abrir mão da luta por mudanças e por medidas que resultem na efetiva redução dos juros, controle do câmbio e fim da política de superavit primário, bem como a taxação das grandes fortunas e das remessas de lucros ao exterior”, afirma o presidente da CTB, Adílson Araújo.

Concentração no Masp

Em São Paulo, a concentração do Dia Nacional de Luta será no vão do Masp, na avenida Paulista, a partir das 10 horas. Em marcha, os trabalhadores passarão pela sede da Petrobrás e pelo Ministério da Fazenda.

Onofre Gonçalves, presidente da CTB São Paulo, revela que as centrais farão a entrega de um documento, tanto na Petrobras quanto no Ministério da Fazenda, com as reivindicações dos trabalhadores, que inclui a revogação das MPs que retiram os direitos. “Queremos a manutenção do diálogo com o governo. Para isto, as medidas devem ser retiradas ou revistas”, salientou.

As manifestações acontecerão simultaneamente em Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Belém (PA), Salvador(BA), Manaus(AM), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Fortaleza (CE) e Rio de Janeiro (RJ).

Na terça (3), dirigentes das seis centrais voltam a se reunir com os ministros Rossetto, Nelson Barbosa (Planejamento), Carlos Gabas (Previdência Social) e Manoel Dias (Trabalho e Emprego). O encontro será novamente realizado no escritório da Presidência da República em São Paulo.

Confira a agenda pelos estados:

Alagoas
Concentração às 9 horas, em frente à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, no calçadão do comércio, em Maceió

Bahia
Em Salvador, a manifestação será no Centro da cidade, com concentração ás 8 horas, em frente ao Sindicato dos Bancários e caminhada até a Superintendência Regional do Trabalho – SRTE, onde acontece um ato político.

Ceará
Concentração às 8 horas, Na Secretaria Regional do Trabalho e Emprego, na Rua 24 de Maio, 78, centro de Fortaleza.

Distrito Federal
Concentração às 14 horas, em frente ao Ministério da Fazenda, em Brasília.

Goiás
Concentração às 8 horas, na Praça do Bandeirante, centro de Goiânia.

Maranhão
Ato às 8 horas, em Frente à Delegacia Regional do Trabalho, centro de São Luiz.

Mato GrossoAto às 9h30, em frente ao INSS, na Avenida Getúlio Vargas, em Cuiabá.
Mato Grosso do Sul

Ato em frente ao Ministério do Trabalho, na Rua 13 de Maio, a partir das 7 horas. Em seguida, os manifestantes seguem para ato em frente à Caixa Econômica Federal, na mesma rua, a partir das 9 horas.

Minas GeraisOs mineiros realizam um ato na Praça Sete, centro da capital, para dialogar com a população. Durante o ato, que começará às 15 horas, as centrais sindicais distribuirão nota conjunta alertando sobre os ataques aos benefícios como seguro-desemprego, auxílio pensão e abono salarial, entre outros.

Pará
Concentração às 10 horas, na escadinha, no Boulevard Castilho França, em Belém.

Paraíba
Haverá panfletagem na CBTU e na Lagoa Parque Sólon de Lucena, em João Pessoa, durante todo o dia.

ParanáConcentração às 10 horas, na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba.

Pernambuco
Concentração às 8 horas, em frente à Superintendência Regional do Trabalho (SRT), na Avenida Governador Agamenon Magalhães, no bairro do Espinheiro, em Recife.

Piauí
Panfletagem a partir das 7 horas na Praça João Luis Ferreira, no centro de Teresina.

Rio Grande do NorteO ato acontecerá no calçadão da Rua João Pessoa com a Princesa Isabel, às 16 horas.

Rio de JaneiroConcentração às 14 horas, na Central do Brasil, na capital.

Rio Grande do SulHaverá vigília em frente da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, localizada na Av. Mauá, nº 1013, centro de Porto Alegre, a partir das 10 horas.

São PauloConcentração às 10 horas, no vão do Masp, na avenida Paulista. A manifestação passará pela Petrobrás e pelo Ministério da Fazenda.

Sergipe
Ato às 8 horas, em frente ao INSS, na Avenida Ivo do Prado, em Aracaju.

Fonte: Portal CTB via Vermelho