terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Libertação do campo de concentração Auschwitz completa 70 anos

 Nesta terça-feira (27), comemora-se o 70º aniversário da libertação do campo de concentração Auschwitz-Birkenau, na Polônia. Centenas de sobreviventes do campo de extermínio, mantido pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial, participam de eventos que lembram também a morte de milhares de pessoas, especialmente judeus.


Em 27 de janeiro de 1945, as forças do Exército Vermelho, da União Soviético, libertaram os campos de concentração de Auschwitz-Birkenau – um complexo de campos de concentração, onde foram mortos de 1941 a 1945, aproximadamente, um milhão e quatrocentas mil pessoas, das quais um milhão e cem mil judeus. Além disso, poloneses ciganos, prisioneiros de guerra e comunistas também perderam suas vida.

O campo foi construído pelas forças alemãs em 1940 para ser um lugar de encarceramento de cidadãos poloneses. A partir de 1942, o local transformou-se no complexo principal da política de extermínio do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

No momento da libertação, restavam somente 7.600 prisioneiros vivos, dos quais 200 crianças em idade de 6 a 14 anos.

Os nazistas iniciaram o processo de evacuação de Auschwitz em 17 de janeiro de 1945, quando estariam no campo de concentração cerca de 56 mil prisioneiros. Entre 9 mil e 15 mil pessoas morreram durante a evacuação.

Dez dias depois, o complexo de concentração e de extermínio de Auschwitz-Birkenau, no Sul da Polônia (a cerca de 60 quilômetros de Cracóvia), foi libertado pelas forças do Exército Vermelho, da União Soviética.

Estima-se que nas batalhas por Auschwitz-Birkenau morreram entre 234 e 350 soldados e oficiais do Exército Vermelho. As perdas soviéticas ultrapassaram um milhão e cem mil militares, dos quais 260 mil mortos e 860 mil feridos e doentes. Ao todo, foram 26 milhões de pessoas da União Soviética que participaram ativamente das batalhas na Segunda Guerra Mundial.

Chefes de Estado e representantes de cerca de 40 países também participam das homenagens, no local, em virtude da data que ficou conhecida mundialmente como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Entre os países cujos os líderes participam das comemorações estão Alemanha, França, Polônia, Áustria, Ucrânia, Bélgica, Holanda, Vaticano e Estados Unidos.

No entanto, a ausência do presidente russo, Vladimir Putin, é a mais sentida. Apesar da libertação Auschwitz ter ocorrido em virtude da intervenção do Exército soviético, as autoridades da Polônia não consideraram necessária a sua presença.

O Kremlin lamentou que Putin não tenha recebido um “convite oficial” para as cerimônias, mas o governo confirmou, mesmo assim, que a Rússia estará representada pelo chefe da administração presidencial, Serguei Ivanov.

O Museu de Auschwitz-Birkenau foi aberto em 1947 nas instalações do antigo campo de concentração, que foi declarado Patrimônio da Humanidade da Unesco em 1979, passando a ser um dos principais símbolos do Holocausto em todo o mundo. Atualmente, cerca de 1,5 milhão de pessoas visitam anualmente o museu.

Vermelho - Com informações da Voz da Rússia e da Agência Brasil

Centrais cobram direitos trabalhistas em ato unificado nesta quarta

Sindicalistas reuniram-se nesta segunda (26) para fechar os detalhes do ato desta quarta (28) em todo o Brasil
Sindicalistas reuniram-se nesta segunda (26) para fechar
os detalhes do ato desta quarta (28) em todo o Brasil

As centrais sindicais iniciam nesta quarta-feira (28) a primeira de uma série de protestos em defesa dos direitos trabalhistas e do emprego. Os representantes das centrais realizaram uma reunião preparatória nesta segunda-feira (26), em São Paulo, que definiu como serão as manifestações em várias capitais, sendo a principal em São Paulo.

A principal reivindicação dos trabalhadores é a revogação das medidas que alteram a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas, como seguro-desemprego e pensão por morte. Mas os trabalhadores também pedem a mudança no rumo da economia. “Queremos resgatar um compromisso de campanha da presidenta Dilma, de que não seria feito nenhum ajuste sobre o setor produtivo e os direitos sociais”, afirmou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre. “Essa agenda que está sendo implementada é a do Aécio Neves”, acrescentou, referindo-se ao candidato derrotado à Presidência da República pelo PSDB.

O secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, lembrou que o ato de quarta-feira é uma preparação para a marcha prevista para 26 de fevereiro, em São Paulo. "A presidenta Dilma foi eleita com a plataforma e a política referendada inclusive pelas centrais sindicais. Não vamos aceitar calados medidas restritivas, que derrubam o crédito, o financiamento para pequenas e médias empresas. A consequência disso é o desemprego. As centrais apoiaram a política da presidenta, mas quem apoia também cobra, e é o que vamos fazer", afirmou.

Em São Paulo, haverá concentração a partir das 10 horas no vão livre do Masp, na avenida Paulista, seguida de caminhada que passará pelos escritórios locais do Ministério da Fazenda e da Petrobras. Mais cedo, às 7h30, está programada assembleia diante da Scania, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Segundo as centrais, também já foram confirmadas manifestações em Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador. Trabalhadores rurais, sem-terra, sem-teto e estudantes, entre outros movimentos sociais, devem participar.

O secretário de Organização e Política Sindical da UGT, Francisco Pereira de Sousa Filho, o Chiquinho, disse que existe "desconforto" das centrais em relação às primeiras medidas anunciadas por Dilma Rousseff – com quem os dirigentes, inclusive, se reuniriam em 8 de dezembro. “Estivemos com o governo em algumas ocasiões, e a nós foi dito que os trabalhadores não teriam nenhuma surpresa. Acho que a palavra 'traição' é um pouco pesada, mas estamos nos sentindo um pouco assim. Por que só trabalhadores ficaram com a responsabilidade de pagar essa conta? Será que o governo não tem onde cortar?”, critica Chiquinho. “Por que as grandes fortunas não são taxadas?”, questiona o dirigente.

Defesa do emprego

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, que também apoiou a reeleição da presidenta Dilma, os anúncios feitos pelo governo não atingem apenas os trabalhadores. “Temos a certeza de que essas medidas prejudicarão a economia do nosso país”, salientou.

As duas medidas provisórias (664 e 665), que dificultam o acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários, estão sendo analisadas por grupos técnicos do governo e das centrais. A primeira reunião ocorreu na sexta-feira (23). Na terça (3), dirigentes das seis centrais envolvidas na negociação (CTB, CSB, CUT, Força, Nova Central e UGT) voltarão a se reunir com os ministros Rossetto, Nelson Barbosa (Planejamento), Carlos Gabas (Previdência Social) e Manoel Dias (Trabalho e Emprego). O encontro será novamente realizado no escritório da Presidência da República em São Paulo.

"O governo foi capturado pela política derrotada nas urnas", disse o secretário-geral da CSB, Alvaro Egea. “A presidenta tem de vir a público para falar, não é só mandar seus ministros. Na Europa, essa política (de austeridade) também está derrotada, como aconteceu ontem na Grécia”, acrescentou, referindo-se à vitória do Syriza, partido de esquerda, nas eleições legislativas.

Os sindicalistas também criticaram declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que disse considerar "obsoleto" o seguro-desemprego. "Se ele acha isso, então deve apresentar alguma coisa. Não vamos aceitar esse comportamento de empurrar coisas goela abaixo", disse Chiquinho, da UGT. "O Levy agradou mais ao Armínio Fraga”, ironizou Juruna, da Força, citando o coordenador da área econômica na campanha do tucano Aécio.

Para Sérgio Nobre, as medidas, além de empurrar o país para a crise, embutem várias ameaças. "Nosso movimento é em defesa do emprego e dos direitos sociais. Tudo aquilo que conquistamos em 12 anos (os dois mandatos de Lula e o primeiro de Dilma) pode se perder com a crise", observou. O secretário-geral da CUT lembra que a manifestação também será em defesa da Petrobras. "Todos defendemos que as denúncias têm de ser investigadas. Mas a empresa, com seu peso na economia, tem de ser preservada."

Fonte: Rede Brasil Atual via Vermelho

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A luta por mudanças versus o credo do "Davos man"

As declarações ministro da Fazenda Joaquim Levy e as propostas e ações até agora executadas pela equipe econômica por ele chefiada têm causado apreensão entre as forças progressistas do país e os movimentos sindicais e populares que apoiam o governo da presidenta Dilma Rousseff. 

Levy foi encarregado pela mandatária da árdua tarefa de reorganizar as contas do país, o que, por óbvio, exigirá o concurso de todos os setores da sociedade. No campo das forças transformadoras que almejam construir uma nação desenvolvida, progressista e socialmente justa, ninguém em sã consciência, compreendendo a dimensão da crise em que está engolfado o sistema capitalista e os problemas estruturais que o Brasil precisa enfrentar, advoga o desperdício nem formula reivindicações irrealistas. Muito menos agiria de maneira politicamente irresponsável interpondo óbices à governabilidade ou adicionando problemas à presidenta. Para enfrentar a oposição sistemática das forças neoliberais e conservadoras, que fomentam crises, fazem provocações, conspiram, urdem golpes e claramente pretendem derrubar o governo, é necessária a união das forças progressistas e dos movimentos populares em torno da liderança da presidenta Dilma, na defesa das conquistas políticas e sociais alcançadas durante os últimos anos. 

Isto requer persistência na realização do programa de mudanças e reformas que despertou o entusiasmo e a mobilização popular na memorável campanha eleitoral do ano passado e levou Dilma à vitória. Por isso, o ponto de partida para enfrentar as dificuldades econômicas e financeiras é a defesa da economia nacional e popular e não o seu enfraquecimento por meio da estagnação, recessão, corte do gasto público e do investimento. Muito menos o ataque a direitos sociais. 

As primeiras medidas anunciadas pela equipe econômica colheram a oposição dos movimentos sindicais porque objetivamente atingem direitos trabalhistas e previdenciários e sinalizam numa direção contrária às expectativas desses movimentos. 

Igualmente preocuparam as declarações do ministro Levy em Davos de que “vai haver ajustes, sim”, “não vim para fazer remendos, mas reformas”, ou as críticas ao “obsoleto” sistema de seguro-desemprego do país, aplaudidas por banqueiros, a diretora-geral do FMI e a mídia conservadora do Brasil e do mundo, para quem a política de Levy é “coerente e explícita, clara, expressiva e confiável”, o que soa como promessa de que vamos pelo caminho da diminuição do papel do Estado nacional e desenvolvimentista e nos pautaremos pelos mantras do “mercado” financeiro. A tal ponto o ministro da Fazenda exibiu seu credo, que foi festejado nos Alpes suíços com a alcunha de “Davos man”.

A nossa observação nada tem a ver com a crítica da oposição. Esta defende que é necessário cortar mais e mais, diminuir o tamanho do Estado e promover todas as desregulamentações de acordo com o receituário do capital financeiro. O nosso ponto de vista é de defesa do desenvolvimento nacional com distribuição de renda, valorização do trabalho e progresso social.

Não precisamos recorrer ao exemplo europeu, porquanto temos a nossa amarga experiência vivida em governos anteriores e mesmo no período  em que o Ministério da Fazenda e o Banco Central foram dirigidos pela dupla Palocci-Meirelles, para argumentar sobre o quanto pode ser ruinosa para a nação e o povo uma política macroeconômica sob a direção de quadros convictos do valor sacrossanto dos dogmas do mercado financeiro. 

Torna-se, assim, necessário um debate nacional amplo sobre que rumos o país percorrerá na atual etapa. Até agora, o que se vê nas declarações e atitudes do ministro Levy é o uso da sua autoridade, não para infundir ânimo na população e no mundo do trabalho, mas nos banqueiros e nos organismos financeiros internacionais..

Nesse sentido, outro ministro do governo Dilma, Armando Monteiro, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, concordando inteiramente com o que se tem chamado de “ajuste”, bradou que o setor que representa não pode sofrer perdas. O mundo do trabalho poderá?

É preciso formar a convicção de que o que tem de mudar é o modelo, e ter vontade política para tal, mobilizar o povo, os trabalhadores e enfrentar interesses. 

O centro da orientação política das forças progressistas é o apoio político e social ao governo da presidenta Dilma na realização das reformas e mudanças. Tomando esta orientação como referência e divisor de águas, é imperioso prosseguir a luta contra a ofensiva da direita, contribuir para o debate das soluções aos problemas econômicos e financeiros do país e organizar a luta em defesa dos direitos sociais e pelas reformas estruturais democráticas.


Fonte: Vermelho
Desde 1990 que o Bloco Mendigos de Gravata participa da tradicional Lavagem do Beco do Fuxico, ato que outrora abria oficialmente o Carnaval de Itabuna.

A cada ano, o bloco apresenta um tema geralmente de crítica ou sátira política.  Mendigos já bradou pelo “Fora Collor”, “Pela Paz e Contra a Guerra no Golfo”, “Fora FHC”, “Em Defesa dos Bancos Públicos e das Estatais”, “Contra o Arrocho Salarial e o Desemprego”, torceu pela Seleção Brasileira, protestou contra a terceirização e o pedágio na BR 101 e defendeu saúde de qualidade.

 Neste ano, diante das ameaças, acentua: “Em Direitos Não Se Mexe” e exige “Caixa 100% Pública”. Além disso, exclama: “Salve o Rio Cachoeira”.

A participação do Mendigos foi fundamental para a manutenção da Lavagem do Beco do Fuxico. Hoje única manifestação carnavalesca da cidade.

As camisas estarão à venda por R$ 15,00 (quinze reais) na sede do Sindicato dos Bancários a partir do dia 02 de fevereiro.



A festa será organizada pela Prefeitura Municipal de Itabuna e terá início ao meio dia do sábado, 07 de fevereiro, a partir do Sindicato dos Bancários, com apresentação de bandas e o já esperado cortejo de baianas.


Participe!

Promover a regulação econômica da mídia é desafio no Congresso em 2015

 

A pressão dos movimentos sociais trouxe de volta para a pauta do debate do Congresso Nacional a regulação economia da mídia. A presidenta Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral, refirmou o compromisso em promover a regulação, o que foi reafirmada pelo ministro das Comunicações Ricardo Berzoini.


Apesar de ser prevista pela Constituição, a regulação enfrenta a resistência da grande mídia e de seus aliados conservadores. Desde 1988, a maioria das normas constitucionais sobre comunicações não foi regulamentada pelo Congresso. Um exemplo são os princípios para a produção e a programação do serviço de radiodifusão, que deveriam servir de critério para outorga e renovação de concessões.

Os princípios constitucionais que preveem a regionalização da programação e o estímulo ao conteúdo independente na televisão também não foram regulamentados. Um pro9jeto a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que garante a produção regional independente na TV aberta, está em tramitação. Apresentado em 1991, ou seja, há 24 anos, o texto foi aprovado pela Câmara, mas encontra-se parado no Senado.

Outra lacuna é o direito de resposta, que ficou sem regra específica desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a Lei de Imprensa inconstitucional, em 2009. O Projeto de Lei 6446, de 2013, que trata sobre o assunto, foi incluído várias vezes na pauta do Plenário, mas não houve consenso para votá-lo.

Uma das explicações para que tantos projetos de interesse nacional ainda estejam parados é o interesse contrário de alguns parlamentares. O artigo 54 da Constituição proíbe os parlamentares de manter contrato ou exercer cargos, função ou emprego remunerado em empresas concessionárias de serviço público. Apesar disso, um grande número de parlamentares tem ligações diretas com empresas de comunicação de concessão pública, inclusive como donos ou sócios.

A secretária do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli, afirma: “Um obstáculo grave para essa discussão é o fato de termos tantos parlamentares como concessionários de rádio e televisão no Congresso, em razão do processo da década de 1980 e início da década de 1990 para conceder outorgas como moedas de troca em votação de projetos. A gente tem o que se chama de coronelismo eletrônico”.

Com a retomada do debate, alguns parlamentares saíram em defesa do oligopólio da comunicação no Brasil, que é basicamente controlado por seis famílias. O principal argumento utilizado por esses parlamentares é a defesa da “liberdade de imprensa”.

O líder do PMDB e candidato a presidente da Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), já disse que, se eleito, vai colocar “na gaveta” o projeto de regulação da mídia que a presidente Dilma Rousseff pretende elaborar.

“Regulação de mídia jamais. Eu colocaria na gaveta. Não faz parte do meu propósito. Eu sou muito claro, transparente para que todos saibam que eu eleito presidente da Câmara não darei curso a um projeto de regulação de mídia”, afirma Cunha para ganhar o apoio - e holofotes – da grande mídia.

Democratização

“Os defensores da democratização da mídia são, justamente, aqueles que estão à margem do ‘direito de antena’ – o direito de emitir e de receber imagens e sons por meio da radiodifusão. Os setores dominantes da sociedade não têm nenhum interesse em mudar a dinâmica de poder da mídia”, afirmou a deputada Luiza Erundina (PSB), que ressalta a necessidade de fiscalizar as concessões de radiodifusão, que atualmente são válidas por 10 anos para a rádio e 15 para a TV. “Quem detinha uma concessão há 30 ou 40 anos, hoje tem um poder muito maior, calibrado pela tecnologia digital”.

Ela afirma que nem os governos mais progressistas tiveram a coragem de desafiar o poder dos “caciques políticos” e dos grandes conglomerados de imprensas, por meio de regras mais transparentes que coíbam a propriedade cruzada – quando o mesmo grupo de comunicação controla diversos tipos de veículos (TV, rádios e jornais).

Na opinião de Renata Mielli, o monopólio de meios de comunicação inviabiliza a regionalização do conteúdo, previsto na Constituição. De acordo com o FNDC, seis famílias controlam 70% da informação produzida no Brasil. “A afiliadas das emissoras que detêm outorga nacional, como a Rede Globo, são obrigadas a reproduzir o conteúdo nacional da cabeça de rede, que responde por 80 ou 90% da grade”, ressaltou.

Outro ponto em debate é a propriedade cruzada, isto é, quando um grupo econômico possui rádios, TVs e jornais.

Diante da conjuntura, a pressão dos movimentos sociais para garantir que os projetos saiam das gavetas e entrem na pauta de votação do Congresso Nacional será crucial. Além disso, é preciso garantir que os projetos aprovados atendem aos interesses nacionais é ainda mais importante.

Da redação do Portal Vermelho
Com informações da Agência Câmara

As consequências dos 40 anos da legalização do aborto na França

Ato em 1971, ano em que a filósofa Simone de Beauvoir redigiu o manifesto das 343 mulheres que fizeram aborto
Reprodução
Ato em 1971, ano em que a filósofa Simone de Beauvoir redigiu
o manifesto das 343 mulheres que fizeram aborto

Os ecos ainda ressoam na memória e nos trazem uma imagem nítida e esfuziante, porque carregada da emoção de uma mobilização nacional sem precedentes. Dentre as maiores conquistas do pós-68 na França, sem dúvida o direito ao aborto livre e seguro foi das mais extraordinárias e incontestes. Contemplou a todas as mulheres que puderam, assim, romper a solidão e a clandestinidade, o medo e a vergonha, para expressar seu direito individual e inalienável de escolha.

Por Lena Lavinas*, na Carta Capital


Foram muitas as etapas de uma estratégia vitoriosa que ganha força no início dos anos 70, primeiro com a divulgação, em 1971, do Manifesto das 343 pelo Nouvel Observateur, declarando já ter realizado um aborto clandestino, então considerado crime com base na lei de 1920. Naquele mesmo ano, dá-se a criação da organização Choisir, de iniciativa de Gisele Halimi, advogada notável e incansável na sua cruzada em favor da descriminalização do aborto.

Em 1973, surge o MLAC (Movimento pela Liberalização do Aborto e da Contracepção) que reúne à época não apenas feministas, mas também membros da classe médica que passam a praticar aborto seguro, ainda que ilegal e passível de prisão.

Finalmente, o governo Giscard d’Estaing, na pessoa de sua Ministra da Saúde, Mme. Simone Veil, ousa levar ao hemiciclo da Assembléia, em novembro de 1974, um projeto de lei para autorizar o aborto. A Lei Veil será aprovada em 17 de janeiro de 1975, resgatando o que a Ministra denominou “uma convicção de mulher”: o aborto é uma decisão difícil, conflitiva, dolorosa, sempre revestida de um drama individual. Nada, no entanto, justifica manter uma lei repressiva que coloca em risco vidas e a saúde reprodutiva de milhões de mulheres. A interrupção voluntária da gravidez, sob controle médico, revela-se a melhor maneira de celebrar a vida e preservar a integridade física e psicológica das mulheres, dimensão incontornável de toda sociedade democrática.

Após 40 anos, o saldo é dos mais positivos. Segundo estatísticas oficiais, há menos de 1 morte/ano na França em consequência da prática do aborto (0,3 morte por 100.000 IVG). São realizadas anualmente cerca de 220 mil interrupções de gravidez, um número que se mantém praticamente inalterado nas últimas décadas, explicitando o fato de que, apesar dos métodos contraceptivos, estes nem sempre funcionam satisfatoriamente, sem falar nos riscos fora de controle. A título de ilustração, vale assinalar que, segundo a pesquisa Fécond (2013), somente 3% das francesas entre 15 e 49 anos, que nem estavam grávidas, nem tampouco se declararam estéreis, e assumiam relações heterossexuais, afirmaram não empregar nenhum método contraceptivo para evitar uma gravidez indesejada. Logo, não se fica grávida por irresponsabilidade.

Dois métodos de abortamento estão disponíveis, inteiramente gratuitos, até 12 semanas de gravidez. A opção cabe às mulheres, inclusive menores de idade (sem autorização parental). O aborto cirúrgico, realizado na rede hospitalar, tem, ademais, tarifa revalorizada de forma constante pelo poder público, para evitar que sua prática seja questionada. Já o aborto medicamentoso, feito a partir da ingestão de comprimidos (pílula do dia seguinte), demanda apenas algumas horas de observação e pode ser realizado tanto em consultório quanto em hospitais. Este tipo de procedimento já é majoritário (57%) no país.

Em paralelo, porque as mulheres podem fazer escolhas, a França exibe hoje uma das taxas de fecundidade mais altas da Europa (2,03). Atualmente, apenas três países europeus ou proíbem o aborto (Malta, de propriedade do Vaticano) ou restringem seu acesso legal a casos de risco de morte da mãe, estupro ou anencefalia (Irlanda e Polônia). As feministas no continente mobilizam-se para incorporar à Carta Européia dos Direitos Fundamentais a liberdade do aborto. Numa outra frente, lutam para que os cortes no orçamento, impostos pelas políticas ortodoxas notadamente na saúde, não venham sabotar um direito conquistado.

Em 17 de janeiro de 1975, os deputados franceses que aprovaram o direito a um aborto legal e seguro eram majoritariamente homens. Já no Brasil, inúmeros projetos de lei em defesa da legalização do aborto continuam engavetados no Congresso; centenas de brasileiras já declararam publicamente ter abortado; o SUS tem todas as condições de prestar tal serviço, até porque os custos de um aborto medicalizado são infinitamente menores do que aqueles decorrentes de complicações de interrupções clandestinas, muitas vezes em mãos de criminosos, como nos recordam os casos recentes de Jandira Madalena e Elizângela, mortas por falha do Estado brasileiro.

No quesito direito a um aborto seguro e legal, nós brasileiros estamos atrasados, pelo menos 40 anos e, no que depender apenas dos legisladores, ainda com chances pífias de mudança.

*Lena Lavinas é professora de economia do Bem-estar do Instituto de Economia da UFRJ


Fonte: Vermelho

Vitória eleitoral da esquerda na encruzilhada trágica do povo grego

Syriza capitalizou o profundo descontentamento do povo grego. Na imagem abaixo, manifestação do PC grego, mais forte na resistência e na luta dos trabalhadores.
Foto Montagem Syriza capitalizou o profundo descontentamento
 do povo grego.
 Na imagem abaixo, manifestação do PC grego,
mais forte na resistência e na luta dos trabalhadores.

O resultado da eleições legislativas na Grécia, realizadas ontem, domingo (25), constituíram uma forte condenação do povo às políticas de direita do partido conservador Nova Democracia e da social-democracia tradicional, representada pelo Pasok. No governo, esses partidos levaram a efeito uma política antinacional e antipopular que conduziu a Grécia à ruína e o povo ao desespero.

Por José Reinaldo Carvalho*


Sob o tacão da União Europeia e dos organismos financeiros internacionais, especificamente o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, o país tem vivido a longa noite da austeridade, que se traduz em bancarrota econômica e catástrofe social, com a perda de direitos e sistemáticos ataques aos trabalhadores, desemprego em massa e penúria generalizada. As políticas de ajuste e arrocho impostas à Grécia traduziram-se também em alienação da soberania nacional e das riquezas do país.


Esses partidos e essas políticas foram fragorosamente derrotados – este é o principal aspecto a assinalar dos resultados eleitorais.

Saliente-se que as eleições gregas foram realizadas sob pesada chantagem da União Europeia e da mídia conservadora, associando a vitória da esquerda a uma catástrofe ainda maior.

Conhecidos os resultados, aumenta o volume da orquestração pedindo moderação e entendimento. A União Europeia tudo fará para neutralizar a ação do novo governo e impedir a ruptura com suas políticas. Não admite que se arrede um milímetro do sacrossanto memorando que contém as medidas lesivas à soberania nacional e aos direitos do povo Por isso, mesmo antes de constituído o novo governo, a União Europeia advertiu que há “acordos anteriores a cumprir”.

Syriza, a coalizão de esquerda vencedora, capitalizou o profundo descontentamento do povo.. Conquistou 36 por cento dos votos e elegeu 149 deputados, apenas dois a menos que o necessário para constituir a maioria absoluta. Durante a campanha eleitoral, seu líder Alexis Tsipras- que será nomeado primeiro-ministro – comprometeu-se com uma plataforma de mudanças, contrária às políticas impostas pelo capital financeiro e a União Europeia.

O Partido Comunista da Grécia alcançou 5,5% da votação, elegendo 15 deputados. Credencia-se a reforçar a resistência e a luta em defesa dos interesses dos trabalhadores e pelo poder popular.

A vitória eleitoral da "Coalizão da Esquerda Radical" abre uma nova etapa na luta do povo grego que sob os governos da Nova Democracia e do Pasok viu-se diante de uma encruzilhada trágica.

Há momentos na história dos povos e das nações em que as meias medidas, as ambiguidades, as cedências conduzem a mais destruição e fracasso. Nitidez, verticalidade e frontalidade é do que o povo grego necessitará para enfrentar os obstáculos e as condicionalidades que a União Europeia, o sistema imperialista e os organismos econômicos e financeiros internacionais interporão na nova etapa que se abre. Tais obstáculos e condicionalidades vão além dos fatores econômicos. A Grécia é peça importante nos planos estratégicos dos imperialismos estadunidense e europeu e uma base militar do principal instrumento agressivo desses imperialismos – a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Praticar uma política externa em antagonismo a essas forças, contribuir na luta contra o militarismo, o intervencionismo e por uma Europa de paz é um desafio estratégico para as forças progressistas, da mesma magnitude que a ruptura com as políticas econômico-financeiras neoliberais e conservadoras.

Superar a encruzilhada trágica, enfrentar os novos desafios são missões em que o povo grego contará com a solidariedade dos trabalhadores, dos povos e das forças progressistas, entre estas os comunistas, de todo o mundo.


*José Reinaldo é editor do Vermelho


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