quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Atentados terroristas em Paris: desequilíbrio na cobertura midiática

Polícia bloqueia as ruas próximas à redação da revista Charly Hebdo, onde homens armados mataram 12 pessoas

EBC
Polícia bloqueia as ruas próximas à redação da revista Charly Hebdo,
onde homens armados mataram 12 pessoas

O atroz ataque contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo, que provocou 12 mortes e mais de uma dezena de feridos, comoveu a opinião pública mundial, mas evidenciou um tratamento assimétrico ao tema do terrorismo internacional.


Esta ação repudiável evidenciou que existe um desequilíbrio em relação às reações e ao que se publica sobre fatos terroristas tão atrozes como esse e inclusive de maior magnitude em outras regiões do mundo, como é o caso dos assassinatos coletivos do grupo extremista Boko Haram, para somente citar um exemplo.

Essa organização provocou nos dias recentes centenas de mortos na Nigéria, onde o número de vítimas fatais, segundo as Nações Unidas, pode ser elevado a mais de duas mil. Mas neste caso as declarações de condenação têm sido tímidas.

No entanto, a marcha multitudinária em Paris, neste domingo (11), contra o terrorismo, contou com a participação de mais de um milhão de pessoas, lideradas pelo presidente Francois Hollande, e indignadas pelos assassinatos.

Entre os presidentes estrangeiros que participaram da marcha esteve o primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu, responsável por vários massacres qualificados de terrorismo de Estado, o mais recente em 2014, no qual morreram cerca de 2 mil e 200 civis palestinos.

Os ataques extremistas em Paris, qualificados por alguns como um novo 11 de setembro, levantaram o alerta em Washington e em seus principais aliados, cujas figuras políticas aproveitaram o fato para destacar a necessidade de dedicar mais recursos à luta contra este flagelo.

No caso dos Estados Unidos, setores conservadores tomam os referidos atentados como bandeira para defender no Congresso contra as legislações que tentam deter as escandalosas atividades de espionagem doméstica da Agência de Segurança Nacional (NSA).

Além disso, meios de imprensa no país do norte repetem opiniões de alguns políticos que chamam inclusive a reiniciar uma luta global contra o terrorismo, ao estilo da qual começou em 2001 o então presidente George W. Bush.

Neste contexto, porta-vozes de setores conservadores aproveitaram a conjuntura para dizer que os fatos em Paris mostram a necessidade de manter aberta a prisão estadunidense na base naval de Guantánamo.

Em janeiro de 2002, a Casa Branca abriu um centro de internação para estrangeiros acusados de terroristas, nessa instalação militar que Washington mantém em território cubano contra a vontade do povo e do governo da ilha.

Ao se somar a esta campanha, a senadora republicana Kelly Ayotte e outros de seus colegas se manifestaram contra o propósito do presidente Barack Obama de fechar a penitenciária, uma promessa que não pôde cumprir devido à oposição do partido vermelho e de outros setores da extrema-direita.

Os ataques terroristas também parecem ter impacto político na atual luta dos republicanos no Congresso estadunidense para deixar sem fundos as iniciativas de Obama sobre imigração.

Porta-vozes dos democratas advertiram do perigo que significam as intenções dos republicanos de bloquear o financiamento para uma parte do Departamento de Segurança Interior para neutralizar as iniciativas migratórias do chefe da Casa Branca.

De todas as formas, os repudiáveis atentados em Paris marcam uma virada nas prioridades dos Estados Unidos e seus aliados na luta contra o extremismo islâmico e lhes dá "oportunos" elementos para convencer a opinião pública de que qualquer esforço é pouco nesta contenda, inclusive possíveis ações de terrorismo de Estado.

Mas sobretudo, os ataques já são uma ocasião favorável para que os serviços de espionagem aumentem o controle sobre seus respectivos cidadãos, sob o pretexto da defesa dos valores ocidentais e, sobretudo, para vigiar mais de perto sua liberdade de expressão.

Fonte: Prensa Latina via Vermelho

Diálogo e mobilização por ajustes que ampliem conquistas

As centrais sindicais vão se reunir com o ministro da Casa Civil, Aloisio Mercadante, ainda este mês. Será o primeiro encontro das centrais com o governo neste segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff.

O aumento da renda e do emprego durante os últimos anos, mesmo em situação de crise internacional, reforçou a campanha da presidenta Dilma, que contou com o forte apoio das centrais.

Agora, esse importante fiador da reeleição traz em si o compromisso assumido na campanha e reafirmado no discurso de posse, em 1º de janeiro, de que medidas serão tomadas “sem revogar direitos conquistados” para o diálogo com o governo.

As lideranças sindicais reconhecem que o momento exige medidas que possam equilibrar as contas para retomar o desenvolvimento econômico, mas enfatizam que os “ajustes” não podem representar um retrocesso das conquistas trabalhistas e sociais das quais não abrem mão.

As recentes medidas lançadas pelo governo no final de dezembro com mudanças no acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários causaram mal-estar entre os sindicalistas. Apesar disso, as lideranças sindicais manifestaram a confiança em que o diálogo permanente poderá dirimir dúvidas. 

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) disse que o melhor caminho “é fazer com que o diálogo seja possível e que o entendimento seja o melhor para o trabalhador”. Segundo ele, o primeiro grande teste de força de Dilma “é não romper com os movimentos sociais”.

A presidenta demonstra disposição para promover esse entendimento. O movimento sindical também. Mas isso não é suficiente para garantir as conquistas na prática. O movimento sindical, que é o setor mais organizado da sociedade, tem papel crucial para assegurar que o governo esteja cada vez mais próximo dos anseios da população por meio das mobilizações.

O novo Congresso Nacional, que inicia os trabalhos a partir de 1º de fevereiro, se instalará sob a ameaça de imposição da agenda conservadora, em face do menor espaço das forças do trabalho nas casas legislativas. Portanto, para estabelecer uma pauta de avanços trabalhistas e sociais é preciso derrotar a pauta conservadora com pressão democrática e mobilização nas ruas.

Durante os últimos 12 anos, as centrais sindicais atuaram de forma unificada buscando uma plataforma comum a partir da qual mobilizaram os trabalhadores em grandes marchas em todo o país. Essa atuação garantiu, entre outras conquistas, a política de valorização do salário mínimo, com ganho real de 72%.

Não há dúvidas de que o momento reforça a necessidade de manutenção dessa estratégia para o avanço das reformas democráticas estruturais. Igualmente, a unidade e a mobilização dos trabalhadores também darão ao governo Dilma o respaldo necessário para enfrentar a pressão do sistema financeiro, da mídia golpista e da oposição conservadora.

O movimento sindical e as organizações populares devem ocupar o seu espaço nas ruas para cobrar e apoiar o governo da presidenta Dilma no empenho em cumprir a tarefa de avançar nas conquistas e mudar mais o Brasil.


Fonte: Vermelho

Direitos do trabalhador doméstico ainda aguarda votação

Muitos dos direitos aprovados na PEC das Domésticas ainda estão à espera da regulamentação para começar a valer.  

Logo que for iniciado o ano legislativo, em 1º de fevereiro próximo, os parlamentares terão pela frente o desafio de votar matérias que ficaram pendentes do ano anterior. É o caso da regulamentação da Proposta de Emenda à Constituição que ficou conhecida como PEC das Domésticas e estendeu ao empregado doméstico direitos assegurados aos demais trabalhadores. 




Aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2013, a Emenda Constitucional garante pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), indenização por demissões sem justa causa e o adicional por trabalho noturno. Muitos desses direitos ainda estão à espera da regulamentação para começar a valer. Também não foram regulamentados o seguro-desemprego, o salário-família, o auxílio-creche e o seguro contra acidente de trabalho.

Em abril de 2013, a Comissão Mista de Consolidação da Legislação e Regulamentação de Dispositivos da Constituição formulou um projeto de lei para regulamentar esses direitos das domésticas que ainda estão em aberto. O projeto foi aprovado pelo Senado e emendado pela Câmara. Mas a comissão mista rejeitou as mais de 50 emendas apresentadas pelos deputados e, agora, a proposta aguarda nova votação pelo Plenário da Câmara.

O projeto prevê, por exemplo, a obrigatoriedade de recolhimento do FGTS, que vai fazer parte do chamado Supersimples doméstico: uma alíquota única de 20%, que inclui 8% para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 8% para o FGTS, 0,8% para o seguro-acidente de trabalho e 3,2% para compor um fundo para pagamento da indenização no caso de demissões sem justa causa.

Atualmente, a categoria dos empregados domésticos não tem direito ao FGTS e a contribuição para a Previdência Social é dividida entre o patrão, que paga 12%, e o empregado, que contribui com 8% a 11%, de acordo com o salário que recebe.

Dívidas com o INSS

O projeto em análise ainda cria o Programa de Recuperação Previdenciária dos Empregados Domésticos (Redom), para regularização de quem está em dívida com o INSS de seus empregados. O programa parcela a dívida em 120 meses, isenta os devedores de multas e garante desconto de 60% nos juros relativos ao tempo em que ficou sem recolher.

“Existe um universo de mais de cinco milhões de pessoas que não pagaram o INSS de seus empregados domésticos por muitos anos; e a regulamentação vai resolver isso”, explicou o presidente da Comissão Mista de Consolidação, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). “Com a proposta, ganha o empregado, o empregador e a União, que recebe um dinheiro que dificilmente iria receber”, complementou.

Em vigor

A principal conquista imediata da categoria foi a regulamentação da jornada de trabalho, que até então dependia apenas de acordos entre patrões e empregados. Com a promulgação da emenda, nenhum empregado doméstico pode trabalhar mais do que oito horas por dia, e acima de 44 horas por semana. O que passar disso deve ser pago como hora extra.

A emenda manteve, ainda, a garantia de que os profissionais tenham a carteira assinada e o direito de receber, pelo menos, um salário mínimo. Um outro projeto aprovado em abril de 2014 previu prazo de quatro meses para que os patrões fizessem a regularização contratual. Desde agosto, patrões que não tiverem regularizado a situação dos empregados domésticos estão sujeitos a multa de R$805,06.

Da Redação do Vermelho em Brasília
Com Agência Câmara

Centrais anunciam agenda de lutas, governo reafirma diálogo

Representantes das centrais se reuniram em São Paulo nesta terça (13).
Jaélcio Santana
Representantes das centrais se reuniram em São Paulo nesta terça (13).

Após reunião ontem, terça-feira (13), as centrais CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CSB anunciaram que farão duas grandes mobilizações unificadas em defesa da pauta trabalhista e pela revogação das medidas que alteram a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas. O governo, por sua vez, manifestou disposição de diálogo com os trabalhadores.


A primeira mobilização das centrais será o Dia Nacional de Lutas, em 28 de janeiro, pela defesa dos empregos, direitos e pela revogação das medidas anunciadas no final do ano. O segundo ato será a Marcha da Classe Trabalhadora, que ocorrerá no dia 26 de fevereiro, em São Paulo, com concentração na Praça da Sé. 


Antes das manifestações, os representantes sindicais devem se reunir com o governo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rosseto, disse também nesta terça (13) que o governo quer dialogar com as centrais e vai marcar uma reunião para a próxima semana, entre os dias 19 ou 20, em São Paulo. Além de Rossetto, os ministros Carlos Gabas (Previdência), Manoel Dias (Trabalho) e Nelson Barbosa (Planejamento) devem participar do encontro.

Sinal positivo

“As centrais valorizam o diálogo reafirmado pelo governo. Nós sempre defendemos que participação e diálogo são os instrumentos para encontrar o melhor caminho para que o trabalhador não seja penalizado como já foi ao longo da história”, disse o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adílson Araújo, que lamentou que isso não tenha sido feito antes do anúncio das medidas.

“Por unanimidade, as centrais consideram as medidas anunciadas um retrocesso porque criam dificuldades para o trabalhador. O movimento sindical vai exercer a pressão sobre o governo para que dê continuidade ao ciclo mudancista, pois esse é o projeto político que nós apoiamos e que saiu vencedor na batalha eleitoral”, ressaltou o líder cetebista.

Resposta nas ruas

A presidenta em exercício da CUT, Carmen Foro, também criticou as medidas do governo e apontou a necessidade de dar uma resposta nas ruas a essas ações. “O governo tende a fazer o ajuste na economia à custa dos trabalhadores e não vamos permitir nenhum direito a menos, como disse a presidenta Dilma no discurso de posse. Queremos que esse discurso agora se viabilize”, alertou.

Ela também manifestou que a sinalização do diálogo pelo governo foi positiva, mas disse que esse diálogo deve resultar “na construção de uma mesa permanente de negociação” para impedir a generalização de um cenário de demissões por todo o país.

Já o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, enfatizou a necessidade de unificar as ações das centrais. “As atividades que estamos desenvolvendo são a favor do emprego e da inclusão social”, disse ele.

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), a aprovação da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que impede a demissão imotivada, é cada vez mais necessária para impedir demissões como estão ocorrendo no setor automotivo. “Essa deve ser uma das medidas de contrapartida do governo”, salientou Juruna. Ele lembra que cada trabalhador desempregado no setor automotivo representa 18 na cadeia produtiva do país.

Miguel Rosseto, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Governo quer dialogar

O ministro Rosseto, por sua vez, disse que o governo não vai reduzir direitos dos trabalhadores, mas reafirmou que está aberto ao diálogo. “Vamos escutar os dirigentes e estamos abertos às manifestações das centrais”, disse o ministro.

As medidas provisórias foram anunciadas dia 29 de dezembro do ano passado. As alterações nas regras torna mais rígida a concessão de benefícios como abono salarial, seguro-desemprego, pensão por morte e auxílio-doença. A justificativa é uma economia de quase R$ 18 bilhões por ano com as medidas.

“Vamos apresentar uma a uma as propostas, e vamos escutar os dirigentes”, garantiu Rossetto, destacando que seu mandato será pautado pela construção de uma agenda permanente de diálogo com a sociedade civil. De acordo com ele, com esse subsídio, serão construídas todas as agendas de mudança e reforma do governo da presidenta Dilma.

“É minha responsabilidade tomar iniciativa e estimular, incentivar o amplo e permanente e verdadeiro processo de discussão política com a sociedade civil. É melhor quando nós construímos e atualizamos nossas políticas públicas a partir de um diálogo com a sociedade. Isso significa que nós reconhecemos uma enorme vitalidade política, vigor, inteligência da sociedade brasileira que irá encontrar no governo espaços reais de participação e voz ativa”, afirmou.

Da Redação do Portal Vermelho, Dayane Santos
Com informações de agências

A Cultura é um vetor central para o avanço das reformas, diz ministro

 

“O Brasil é hoje um país com muito mais orgulho de si, que está decidido a promover mais mudanças e avançar nas reformas estruturais”, declarou Juca Ferreira, ministro da Cultura, em coletiva à imprensa após seu discurso de posse no último dia 12 de janeiro. Na oportunidade, o ministro destacou: “A cultura está no cerne da luta pelo avanço das reformas estruturais”.

Da Rádio Vermelho, em São Paulo


Ele lembrou que “a reeleição da presidenta Dilma Rousseff é a confirmação de que este desejo permanece vivo, pulsando no coração dos brasileiros. De um país que hoje é muito mais orgulhoso de si, decidido a promover mais mudanças e a avançar criativamente na agenda de suas reformas estruturais”.

Projeto de nação

Na oportunidade Juca Ferreira fez balanço dos governos Lula e Dilma e reafirmou que o projeto coletivo de nação já superou barreiras históricas.  “Estamos vencendo a fome, reduzimos drasticamente a extrema pobreza e reconquistamos o direito de sonhar. Promovemos uma das maiores mobilidades sociais que se tem notícia na história. Nos tornamos referência mundial na redução das desigualdades.”

Segundo ele, as mudanças assistidas até aqui não vão parar. E declarou: “É preciso avançar com firmeza e determinação também na redistribuição do poder simbólico e político no Brasil com a democratização da produção e do acesso ao conhecimento e à cultura”. E emendou: “São muitos os fantasmas culturais que ainda assombram as nações democráticas. Todos eles estão a nos exigir uma revolução cultural, mudança de comportamento, sensibilidade e visão de mundo”.


Cultura contra o fascismo

Juca Ferreira aponta que, a atual conjuntura, posiciona a cultura como “um dos elementos constitutivos da própria democracia. É ela quem qualifica e dá sentido à experiência humana, ao estabelecer os laços da vida social. Somente a cultura pode agregar valor ao desenvolvimento e abrir caminho para a inovação no seio da sociedade. Entendida deste modo, a cultura se coloca na centralidade da agenda pública contemporânea, permeando todos os campos da vida social, todas as áreas do conhecimento, como algo inerente ao próprio ser humano”.

E destacou: “Não existe educação democrática e libertadora sem o que a cultura pode oferecer. A produção e fruição cultural se qualificam a partir de práticas educacionais abrangentes e inovadoras”.

Na luta pela cultura

Durante sua posse, Juca Ferreira citou o papel de diversas frentes e lideranças que, incansavelmente, lutam pelo fortalecimento da cultura no Brasil. Entre eles, ele destacou o papel da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ). “Queria saudar também a deputada Jandira Feghali, que é um bastião da cultura dentro do parlamento.”

Ainda no mês de dezembro de 2014, em conta no Twitter, a deputada federal Luciana Santos ((PCdoB/PE) também externou seu contentamento com a indicação de Juca Ferreira para o Ministério da Cultura.


Acompanhe a íntegra do programa na Rádio Vermelho:


Juca Ferreira: Cultura é vetor central para o desenvolvimento...

Davidson Magalhães: “Serei um reforço para o PCdoB no Congresso”

Nas eleições de outubro, o economista e vice-presidente do PCdoB-Bahia Davidson Magalhães disputou uma vaga na Câmara Federal e chegou bem perto de ser eleito. Com os 65.171 votos que obteve, permaneceu na 2ª suplência, um lugar confortável. Bastava mexer duas das 39 peças do tabuleiro – a bancada baiana possui 39 deputados federais – para a sorte no jogo mudar para Davidson. E ela mudou muito rápido.


Na composição do secretariado, anunciada ainda em dezembro do ano passado, o novo governador da Bahia, Rui Costa, incluiu os nomes dos deputados federais eleitos Nelson Pelegrino (Turismo) e Josias Gomes (Relações Institucionais), ambos do PT. A saída dos dois abriu o espaço para Davidson, que vai ter a chance de participar da cerimônia de posse, em fevereiro, junto com toda a bancada baiana e começar o mandato do início.

Agora, Davidson Magalhães se junta aos deputados Daniel Almeida e Alice Portugal e o PCdoB-BA retoma as três cadeiras que já teve, na Câmara. Nesta entrevista, o novo parlamentar fala do signifcado do mandato e dos desafios que enfrentará pela frente, a partir de fevereiro. Ele afirma que será um reforço para a promoção dos debates do PCdoB no Congresso, nesse que é, segundo ele, um momento de muito enfrentamento. Confira os principais trechos.

Mandato

Conseguir mais um mandato para o PCdoB recuperar essa cadeira que nós tínhamos ganho na penúltima eleição foi muito importante. Corresponde à força e à penetração que o Partido tem no Estado da Bahia e reforça, ainda mais, a distribuição geográfica da presença do PCdoB, principalmente porque a minha atuação política e a grande votação que obtive foi no Sul e no Extremo-Sul da Bahia.

Representação

Ao lado disso, a consolidação da representação de algumas áreas na Câmara Federal, como a luta da agricultura familiar, dos trabalhadores rurais. Isso também é decisivo para consolidar a nossa atuação, não só no conjunto do Estado, mas, também, em determinadas categorias específicas onde a gente tem presença.

Reforço no Congresso

É um reforço dos quadros do Partido no Congresso Nacional, exatamente em um momento onde o debate vai ser intenso, em relação ao nosso Projeto de Desenvolvimento Nacional. Nós precisamos ganhar mais vozes no Congresso que defendam esse projeto, que corte definitivamente as últimas linhas que ainda nos ligam a uma visão neoliberal da política macroeconômica. É um processo de aprofundamento das transformações sociais que o Brasil precisa.

Experiência e desafio

É um desafio importante pra mim, que vim de mais de 16 anos de atuação na área do Executivo, na ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis], no Conselho Fiscal da Coelba, no Conselho Fiscal da Neoenergia, Bahiagás [Companhia de Gás da Bahia] por sete anos, secretaria do município de Itabuna e, agora, retomando, a atuação no Legislativo. Fui vereador por oito anos em Itabuna. Esperamos cumprir a expectativa dessa grande militância que nos levou à Câmara Federal.

Legislativo federal

Agora, muda a dimensão. Deixar de discutir temas localizados para discutir temas mais nacionais, em um momento de grande enfrentamento. Portanto, a profundidade da atuação vai para uma escala superior, não só do nível, mas da articulação com outras regiões do Estado. Hoje, eu não posso representar apenas uma cidade. Represento principalmente uma região, tenho um peso político na região, mas represento todo um projeto estadual, do Partido estadual e nacional.

De Salvador - Vermelho
Erikson Walla

Blogueira do Globo esculacha pobres em artigo espantoso

A colunista de O Globo Silvia Pilz (reprodução)

Silvia Pilz, colunista de O Globo, resolveu externar todo o seu nojo contra pobres em um texto que viralizou na internet e causou manifestações de repulsa nas redes sociais. Conteúdo é espantoso

Em artigo publicado na sua coluna de O Globo, a jornalista Silvia Pilz revela todo o seu nojo contra os pobres. Nele, Silvia descreve a relação entre pobres e saúde. Para a colunista, o pobre que frequenta consultórios médicos finge estar doente para se sentir em um cenário de novela. “O pobre quer ter uma doença” – como tireoide, é quase chique”, diz. Silva afirma ainda que o principal objetivo do pobre é “procriar”. Nas redes sociais, o texto provocou manifestações de repúdio. Confira abaixo a íntegra do texto:

O plano cobre

Todo pobre tem problema de pressão. Seja real ou imaginário. É uma coisa impressionante. E todos têm fascinação por aferir [verificar] a pressão constantemente. Pobre desmaia em velório, tem queda ou pico de pressão. Em churrascos, não. Atualmente, com as facilidades que os planos de saúde oferecem, fazer exames tornou-se um programa sofisticado. Hemograma completo, chapa do pulmão, ressonância magnética e etc. Acontece que o pobre – normalmente – alega que se não tomar café da manhã tem queda de pressão.
Como o hemograma completo exige jejum de 8 ou 12 horas, o pobre, sempre bem arrumado, chega bem cedo no laboratório, pega sua senha, já suando de emoção [uma mistura de medo e prazer, como se estivesse entrando pela primeira vez em um avião] e fica obcecado pelo lanchinho que o laboratório oferece gratuitamente depois da coleta. Deve ser o ambiente. Piso brilhante de porcelanato, ar condicionado, TV ligada na Globo, pessoas uniformizadas. O pobre provavelmente se sente em um cenário de novela.
Normalmente, se arruma para ir a consultas médicas e aos laboratórios. É comum ver crianças e bebês com laçarotes enormes na cabeça e tênis da GAP sentados no colo de suas mães de cabelos lisos [porque atualmente, no Brasil, não existem mais pessoas de cabelos cacheados] e barriga marcada na camiseta agarrada.
O pobre quer ter uma doença. Problema na tireoide, por exemplo, está na moda. É quase chique. Outro dia assisti um programa da Globo, chamado Bem-Estar. Interessantíssimo. Parece um programa infantil. A apresentadora cola coisas em um painel, separando o que faz bem e o que faz mal dependendo do caso que esteja sendo discutido. O caso normalmente é a dúvida de algum pobre. Coisas do tipo “tenho cisto no ovário e quero saber se posso engravidar”. Porque a grande preocupação do pobre é procriar. O programa é educativo, chega a ser divertido.
Voltando ao exame de sangue, vale lembrar que todo pobre fica tonto depois de tirar o sangue. Evita trabalhar naquele dia. Faz drama, fica de cama.
Eu acho que o sonho de muitos pobres é ter nódulos. O avanço da medicina – que me amedronta a cada dia porque eu não quero viver 120 anos – conquistou o coração dos financeiramente prejudicados. É uma espécie de glamourização da doença. Faz o exame, espera o resultado, reza para que o nódulo não seja cancerígeno. Conta para a família inteira, mostra a cicatriz da cirurgia.
Acho que não conheço nenhuma empregada doméstica que esteja sempre com atacada da ciática [leia-se nervo ciático inflamado]. Ah! Eles também têm colesterol [leia-se colesterol alto] e alegam “estar com o sistema nervoso” quando o médico se atreve a dizer que o problema pode ser emocional.
O que me fascina é que o interesse deles é o diagnóstico.
O tratamento é secundário, apesar deles também apresentarem certo fascínio pelos genéricos.
Mesmo “com colesterol” continuam comendo pastel de camarão com catupiry [não existe um pobre na face da terra que não seja fascinado por camarão] e, no final de semana, todo mundo enche a cara no churrasco ao som de “deixar a vida me levar, vida leva eu” debaixo de um calor de 48 graus.
Pressão: 12 por 8
Como são felizes. Babo de inveja.
Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/