segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Imigrantes no Brasil: Solidariedade e risco de exploração marcam busca por emprego no Brasil
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Lamia Oualalou | Opera Mundi
Haitianos trazem documentação para realizar processo de contratação, realizado na Missão Paz, em São Paulo |
São dez da manhã de uma quinta-feira de primavera quando trinta empresários e profissionais de recursos humanos se acomodam num auditório da Missão de Paz, entidade ligada à Pastoral do Imigrante situada na Igreja Nossa Senhora da Paz, no centro de São Paulo. Convidados para uma palestra, eles não escondem a curiosidade, quando não o medo. Na entrada da igreja, dezenas de estrangeiros, negros em maioria, parecem prontos para topar qualquer emprego.
"É exatamente o que as empresas vêm buscar aqui", informa a assistente social e palestrante Ana Paula Caffeu. "O Brasil está vivendo um momento de falta de mão de obra pouco qualificada, até porque as pessoas estão estudando mais", explica. No entanto, a prioridade para ela é fazer entender à audiência que, apesar da situação precária, os imigrantes devem ser respeitados e vistos como uma oportunidade para a empresa. "No começo, muitos vinham aqui buscar uma pessoa para tomar conta do sítio deles, por exemplo, pagando um salário mínimo. No entanto, não é esta a proposta. Estas são pessoas bastante educadas, querem atingir objetivos e falam até quatro idiomas", acrescenta Ana Paula Caffeu.
Para sensibilizar os responsáveis de recursos humanos, a assistente social começa apelando à história pessoal de cada um deles. "De onde são seus pais? E seus avós?". Eles começam a contar: uma avó italiana, um avô português, um bisavô nascido na Polônia, uma mãe originária da Bolívia. Todos lembram o sofrimento pelo qual passaram estes parentes: pobreza, preconceito, solidão e até fome.
"No Brasil, somos quase todos frutos da imigração, e estas pessoas que chegam agora não são diferentes das que tentaram construir uma nova vida aqui um século atrás", insiste Caffeu, antes de concluir: "tratem-nos como vocês gostariam que fossem tratados seus antepassados aqui no Brasil". Apesar de ser hospedada numa igreja, a Missão de Paz não tem como objetivo contratações incentivadas pela caridade. "Existem duas necessidades: a do empresário, que deve suprir vagas, e a dos imigrantes, que estão passando por um momento difícil, mas que enxergam o trabalho como uma fonte de liberdade e de dignidade", resume a assistente social.
Mesmos formados como engenheiros ou enfermeiros, alguns imigrantes aceitam empregos na construção, no setor têxtil ou em frigoríficos, onde passam dez horas por dia cortando frangos em temperaturas inferiores a dez graus centígrados. A fama de bons trabalhadores chamou a atenção de Gabriela Lana, que coordena a área de recursos humanos em uma padaria industrial em Santa Catarina. "Em Blumenau, várias empresas contrataram estrangeiros e está dando certo. Eles se esforçam bastante e aceitam trabalhos pesados que os brasileiros costumam recusar", conta ela.
Eles também aceitam horários alternativos. É o que procura Reinaldo di Cunto, dono de uma confeitaria na Mooca, bairro da Zona Leste de São Paulo. "O trabalho não é penoso. Os brasileiros, no entanto, não querem mais trabalhar durante o fim de semana, enquanto os estrangeiros concordam sem problema", conta o descendente de italiano, que contratou doze haitianos através da Missão de Paz.
Lealdade ao trabalho
Anos de crise e planos de demissões têm destruído a lealdade dentro das empresas. O Brasil é campeão mundial em rotatividade de funcionários, segundo pesquisa global realizada em 2013 pela empresa de recursos humanos Robert Half. No país, o “turnover” de colaboradores aumentou em 82% desde 2010, mais do que o dobro da média mundial, de 38%.
"As empresas oferecem mais ou menos o mesmo salário, então qualquer pequeno aumento ou benefício suplementar, como acesso a um plano de saúde, é suficiente para que um funcionário deixe sua firma para ir para a concorrência", afirma Sandra Souza, diretora de recursos humanos da JFC, empresa de embalagens em Teresópolis, no Rio de Janeiro.
É esta a razão pela qual ela foi até São Paulo para assistir à palestra na Missão de Paz. Ano passado ela contratou três refugiados congoleses através da ONG Cáritas, no Rio de Janeiro. "A princípio eles me dão mais trabalho porque eu tenho que ajudá-los a se instalar, alugar um apartamento, encontrar um médico ou aprender português. Mas além do fato de que eles trabalham muito bem, eu sei que existe um vínculo emocional muito forte; eles não vão deixar a empresa em poucos meses", acredita.
Processo de contratação
A analista não esconde o desconforto frente a um processo de contratação pouco tradicional. "Não fazemos nenhum dos testes que costumamos fazer com os candidatos brasileiros, até porque não falamos o mesmo idioma", explica. O anúncio das vagas é feito em inglês, francês e creole, uma das línguas faladas no Haiti. Na sequência, dezenas de pessoas se acotovelam para preencher fichas, erguendo as carteiras de trabalho recém-expedidas.
O diálogo que se segue é bem rudimentar. A barreira da língua obriga os recrutadores a fazer uso de gestos e mímicas, colocando as mãos na lombar, por exemplo, para explicar que o futuro contratado deverá transportar cargas pesadas, ou “tremendo” para sugerir trabalho em ambientes refrigerados. "Eu tenho que me basear na aparência física e na primeira impressão, não tem jeito". Uma escolha que, por vezes, lembra a seleção feita em mercados de escravos no país até a abolição da escravidão, em 1888.
Exploração e trabalho precário
Desde o início deste ano, cerca de 500 empresas recrutaram imigrantes através da igreja. A Missão recomenda aos empresários que os contratem pagando ao menos R$ 1 mil mensais, quantia que acreditam ser o mínimo necessário para que os estrangeiros sobrevivam no Brasil e sustentem suas famílias em seus países de origem. "Alguns empresários desistem de contratar através da Missão quando percebem que, segundo a lei, os estrangeiros têm os mesmos direitos trabalhistas que os brasileiros. Eles então tentam fazer contato direto, aproveitando a situação de desespero de alguns", diz o padre Parise, um dos membros da iniciativa.
Assim fez a dona de uma oficina têxtil que produz roupas para a marca As Marias. Ela participou da palestra e foi embora sem contratar ninguém; logo voltou sem informar a Missão e ofereceu emprego a alguns dos imigrantes. Dois meses depois, doze haitianos e dois bolivianos foram resgatados de condições análogas à de escravos em sua oficina, na região central de São Paulo. Eles passavam 15 horas por dia sentados em cadeiras de plástico em frente a máquinas de costura sem receber nenhum salário.
Antes de ser aliciado, o haitiano Daniel (nome fictício) já tinha emprego fixo em um shopping da capital paulista. Ele largou o trabalho ante a promessa de receber um salário menor, mas com benefícios como alimentação e alojamento garantidos pelo empregador. Ele acabou dividindo um quarto com 14 pessoas e tendo acesso a uma alimentação de péssima qualidade.
"O trabalho em condições degradantes e os salários miseráveis não são exclusivos dos estrangeiros; a maioria das vítimas continua sendo brasileira, muitas vindas das regiões Norte e Nordeste", diz Marcel Gomes, secretário-executivo da ONG Repórter Brasil, que atua na luta contra o trabalho escravo no país. No entanto, ele acredita que os haitianos são mais vulneráveis por duas razões: eles falam apenas francês ou creole e pertencem a comunidades ainda pequenas. "Bolivianos e paraguaios se protegem melhor, pois muitas vezes já contam com família e amigos quando chegam ao Brasil", explica.
O episódio da oficina têxtil não é um fato isolado. O principal caso envolvendo a libertação de haitianos no Brasil até hoje culminou no resgate de 172 trabalhadores, dos quais 100 eram do Haiti, em novembro de 2013. O flagrante de escravidão aconteceu em uma obra da mineradora Anglo American no município mineiro de Conceição do Mato Dentro, a 160 km de Belo Horizonte. Diversos funcionários haitianos disseram à fiscalização terem sido informados pela empresa que não poderiam deixar o trabalho antes de três meses, "o que depois, na Justiça, foi rebatido pelo patrão como uma falha de compreensão deles, por conta do idioma", precisa Marcel Gomes.
Políticas públicas: ausências e equívocos
Para o padre Parise, a exploração de imigrantes no Brasil está relacionada com a ausência de políticas públicas adequadas, o que deixa milhares de pessoas em situação vulnerável. O problema da moradia nas grandes cidades é crucial, e acaba incentivando algumas pessoas a aceitar uma vaga de trabalho quando o empregador garante a hospedagem. "O Brasil lhes dá um visto humanitário, o que é ótimo; mas é como se dissesse para o estrangeiro: ‘bem-vindo! Agora, se vira’. O Estado lava as mãos e quem cuida da acolhida é a sociedade civil", lamenta.
Decididas às pressas, as respostas do governo acabam criando outros problemas. Frente ao grande fluxo de haitianos, que representam 65% das pessoas que passam pela Missão, o governo facilitou a entrega das carteiras de trabalho e ofereceu aulas de português gratuitas para imigrantes desta nacionalidade. "E, para nigerianos ou congoleses, nada. Isto criou uma rivalidade entre eles, que dizem que o Brasil não gosta dos africanos, apenas dos haitianos", conclui o padre.
Racismo
A questão do racismo em um país onde pessoas negras têm salários mais baixos, menos qualificações e uma expectativa de vida mais curta é óbvia. "Percebo que os brasileiros ficam com medo quando veem um grupo de jovens negros caminhando juntos", comenta James Orélien, jovem haitiano que trabalha na confeitaria de Reinaldo Di Cunto. Ele ressalta que não se sente alvo de preconceito, mas que este é o caso de muitos de seus amigos instalados no Sul do país, região predominantemente branca. "Enfrentamos problemas desde o início do último surto de ebola. Negros estrangeiros são vistos como um perigo; tivemos que organizar palestras específicas em algumas regiões", lembra Ana Paula Caffeu.
Para Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça, situações de racismo e de xenofobia são esporádicas, "mas não devem ser descuidadas". Ele reconhece, porém, que o Brasil tem ainda muito a fazer para ser chamado de país de imigração. "É urgente mudar o marco legal. O estatuto do estrangeiro data da época da ditadura no Brasil. É só olhar o que vizinhos como Uruguai e Argentina fizeram para simplificar a parte burocrática e facilitar a entrada dos imigrantes", explica. Um novo projeto de lei está em tramitação e o secretário de Justiça acredita que há boas chances de ele ser adotado.
A entrada de imigrantes é vista como uma necessidade econômica para vários setores, mas o governo recusa qualquer política de discriminação favorecendo uma mão de obra mais qualificada, o que iria contra a Constituição brasileira. "É tarefa das empresas, de instituições como universidades ou até dos estados tentar atrair tipos específicos de trabalhadores. O que está claro é que este fluxo faz muito bem para o Brasil do ponto de vista econômico e também cultural, pois contribui para uma sociedade mais cosmopolita". Para o secretário de Justiça, a generosidade em relação aos estrangeiros tem também a ver com solidariedade: "em outras épocas, durante a ditadura ou quando a economia estava parada, éramos nós que precisávamos ser acolhidos. Agora o Brasil pode prestar este serviço a outros povos", conclui.
Por Lamia Oualalou, no Opera Mundi via Vermelho
Os cinco heróis cubanos cantaram a liberdade com Sílvio Rodríguez
Em um ambiente cheio de alegria e irmandade, os cinco heróis cubanos participaram de um show oferecido pelo cantor Sílvio Rodríguez no Estádio Latino-americanao de Havana, em Cuba.
Telesur
O compositor Sílvio Rodríguez dedicou um show inteiro aos cinco heróis cubanos
Um dos antiterroristas, Fernando González, disse estar muito emocionado desde que voltou à liberdade. “Realmente é impressionante a intensidade das emoções que vivemos num momento como este, depois de tantos anos sonhando com o regresso dos companheiros, sobretudo durante os anos que não víamos sequer a possibilidade de ver um concerto de Sílvio Rodríguez. Os cinco juntos em um bairro de Havana, ainda mais sob esta emoção intensa do retorno”, disse em entrevista à Telesur.González agradeceu o gesto dos povos da América Latina e Caribe que protestaram pela liberdade dos cinco antiterroristas e ressaltou o apoio dos presidentes progressistas da região.
“Esta é uma vitória de todos aqueles que lutaram pela liberdade dos meus companheiros. É uma vitória do povo cubano e todos os amigos pelo mundo. Do povo da América Latina, que nos acompanhou por todos estes anos, que confiaram em Cuba e na Revolução Cubana, que além disso tem tido confiança na palavra do comandante chefe Fidel Castro que falou em 2001 'os cinco voltarão', e aqui estamos!”, afirmou.
González também ressaltou o restabelecimento das relações entre Cuba e Estados Unidos, mas afirmou que a autodeterminação do povo cubano deve ser respeitada.
Durante o show, Sívlio Rodríguez dedicou cada uma das canções aos heróis cubanos que aproveitaram a ocasião para interpretar a música El Necio, do compositor.
Antonio Guerrero disse que durante sua inusta reclusão nos Estados Unidos a única recreação que tinham era caminhar em uma cela pouco maior que as normais. “Saímos cada um independente, mas, como eu dizia ao Sílvio, cantar era realmente nossa recreação, a primeira canção que cantávamos pela manhã era La Era”, revelou.
Gerardo Hernández aproveitou a ocasião para agradecer a toda a América Latina o apoio à causa dos cinco e ratificou sua disposição de seguir contribuindo com Cuba. “Meu único propósito tem sido servir à Revolução”, afirmou, sem titubear, ao terminar o show.
Fonte: Telesur via Vermelho
Caso Catarina e Colombiano: assassinos seguem impunes
Por conta das diversas manifestações com pedidos de celeridade e justiça, algumas delas em frenteao Fórum Ruy Barbosa, na capital baiana, o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-BA) chegou a anunciar, em julho deste ano, que os acusados iriam a júri popular – quando pessoas do povo julgam. No entanto, passados cinco meses, o julgamento ainda não foi sequer marcado.
Os empresários e irmãos Claudomiro e Cássio Ferreira Santana foram apontados pelas investigações como mandantes dos assassinatos, que teriam sido cometidos por três funcionários: Adaílton de Jesus, Edilson Araújo e Wagner de Souza. Os irmãos são sócios da MasterMed, empresa do ramo de planos de saúde, que possuía um contrato com o Sindicato dos Rodoviários, onde Colombiano era tesoureiro.
A análise dos contratos do sindicato feita por Colombiano o levou a concluir que a MasterMed havia aplicado uma fraude milionária na entidade de trabalhadores e essa teria sido a motivação do crime, ainda segundo as investigações. Enquanto voltava para casa de carro com a esposa, depois de mais um dia de trabalho, Colombiano foi alvejado por tiros disparados por motoqueiros.
Sob alegação de que as provas são insuficientes, a Justiça excluiu do júri popular Cássio, restando apenas o irmão Claudomiro e os três funcionários. A decisão foi contestada pela família das vítimas, que pretende recorrer.
Sob alegação de que as provas são insuficientes, a Justiça excluiu do júri popular Cássio, restando apenas o irmão Claudomiro e os três funcionários. A decisão foi contestada pela família das vítimas, que pretende recorrer.
Campanhas
Para reforçar as manifestações que já acontecem nas ruas, os familiares e amigos de Catarina e Colombiano organizam também protestos na internet, pedindo a condenação dos assassinos. Uma peça com a foto dos acusados já circula na rede e, dessa vez, os internautas estão sendo mobilizados para, no próximo dia 29 de dezembro (uma segunda-feira, quando completa quatro anos e meio das mortes), cobrar justiça em uma maratona, durante todo o dia, nas redes sociais.
A hashtag "#JustiçaparaColombianoeKate" foi criada para ser utilizada no Twitter e no Facebook, durante os protestos. Os organizadores pedem que, nas postagens, sejam marcados os perfis do TJ-BA.
Facebook: www.facebook.com/TribunalJusticaBA
Twitter: @tjbahia
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Vermelho - Erikson Walla
PCdoB-Bahia aumenta para três o número de deputados federais
A bancada do PCdoB da Bahia no Câmara Federal vai ganhar um reforço. O economista Davidson Magalhães, que na disputa eleitoral de outubro permaneceu na 2ª suplência, vai assumir o mandato de deputado federal, em 2015, com a ida de deputados eleitos da base para o secretariado do novo governador da Bahia, Rui Costa (PT).
O governador eleito anunciou, nesta sexta-feira (19/12), o nome do deputado federal Nelson Pelegrino (PT) para a Secretaria do Turismo (Setur), e já havia anunciado, na terça (16), o nome do também deputado Josias Gomes (PT) para a Secretaria de Relações Institucionais (Serin). A licença dos dois para assumir as pastas é o que possibilitou alçar Davidson ao mandato.
Com a nova composição, a bancada comunista da Bahia passa a ter três parlamentares: além de Davidson Magalhães, os deputados Alice Portugal e Daniel Almeida. O 1º suplente da coligação, que também deve assumir o mandato, é Fernando Torres (PSD).
Com a nova composição, a bancada comunista da Bahia passa a ter três parlamentares: além de Davidson Magalhães, os deputados Alice Portugal e Daniel Almeida. O 1º suplente da coligação, que também deve assumir o mandato, é Fernando Torres (PSD).
Ao receber a notícia da ida de Pelegrino para a Setur, Davidson comemorou e disse que o Partido é quem sai fortalecido, por conseguir resgatar a tradição de ter, pelo menos, três cadeiras na Câmara Federal. “Podemos ter, agora, portanto, uma atuação mais capitalizada na Bahia e, no meu caso, no Sul e Extremo-Sul do Estado. Isso cria condições para que o partido aumente a participação em 2016 nos municípios”.
Nas urnas, Davidson Magalhães recebeu 65.171 votos. Ele também é vice-presidente do PCdoB-Bahia, professor universitário e conselheiro do Corecon-BA (Conselho Regional de Economia do Estado). Esteve à frente da Bahiagás (Companhia de Gás da Bahia), de onde se afastou para concorrer às eleições.
De Salvador - Vermelho - Erikson Walla
Brasileiro passa mais tempo na internet que vendo TV, aponta pesquisa
De acordo com a pesquisa, os brasileiros passam, em média, 4 horas e 59 minutos por dia usando a internet nos dias de semana e 4 horas e 24 minutos/dia nos fins de semana. Já a média de tempo assistindo a TV é de 4 horas e 31 minutos/dia nos dias de semana e 4 horas e 14 minutos aos sábados e domingos.
"A diferença ainda é pequena, mas mostra uma tendência importante e que deve ser analisada. O tempo [de uso das redes] dá um parâmetro de como o brasileiro está migrando de forma consolidada para os meios de comunicação digitais", avaliou o ministro da Secom, Thomas Traumann.
De acordo com a pesquisa, a internet é o terceiro meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros, atrás da TV e do rádio e à frente dos jornais e revistas. O levantamento, que ouviu 18 mil pessoas e traçou um perfil do consumo de informações nas diferentes mídias, apontou que 43% dos brasileiros usam a rede como meio de comunicação.
Entre os usuários da internet no Brasil, 76% acessam a rede todos os dias. O pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana. De acordo com a pesquisa, 67% acessam a rede em busca de informações ou notícias, mesmo percentual dos que dizem entrar na internet para buscar entretenimento (pergunta de múltiplas respostas).
Em relação ao grau de confiança no meio, 27% dizem confiar "sempre ou muitas vezes" nas notícias da internet, ante 58% de confiança nos jornais e 54% na televisão.
A pesquisa da Secom revela que uso da internet é mais influenciado pelas características sociodemográficas que os outros meios de comunicação. "Renda e escolaridade criam um hiato digital entre quem é um cidadão conectado e quem não é. Já os elementos geracionais ou etários mostram que os jovens são usuários mais intensos das novas mídias", disse Traumann.
Entre os jovens com até 25 anos, 63% acessam a internet todos os dias. O percentual cai para 4% na faixa etária de 65 anos ou mais. No recorte por renda, a pesquisa constatou que entre os que têm renda familiar superior a cinco salários-mínimos, 76% acessam a internet pelo menos uma vez por semana. Por outro lado, entre os que têm renda familiar até um salário-mínimo por mês, 20% acessam a internet com a mesma frequência.
O grau de escolaridade também influencia a frequência de acesso à rede: apenas 8% dos entrevistados que estudaram até a 4ª série acessam a internet pelo menos uma vez por semana, percentual que aumenta para 87% entre os que têm ensino superior.
A Secom identificou baixo nível de participação dos internautas em consultas públicas, fóruns, enquetes e outros canais de participação promovidos pelo governo em plataformas online. "É baixo o contato direto entre o cidadão e governos ou instituições públicas. Apenas 25% dos usuários entraram em contato por e-mail, formulários eletrônicos, chats, redes sociais, fóruns de discussão ou de consultas públicas nos últimos 12 meses", de acordo com o levantamento.
A pesquisa também constatou baixos percentuais de grau de conhecimento dos usuários da internet sobre as formas oficiais de comunicação do governo federal na web: o Portal Brasil, o site do Palácio do Planalto e o Blog do Planalto). Na pergunta estimulada, 77% dos entrevistados responderam que não conhecem o Portal Brasil "mesmo que só de ouvir falar" e 81% não conhecem o site do Palácio do Planalto. O Blog do Planalto é ainda mais desconhecido, com 85% de respostas negativas.
Segundo Traumann, o levantamento é a maior pesquisa de mercado sobre o tema e é importante para que o governo defina estratégias de comunicação e publicidade. "Temos obrigação legal e formal de usar os recursos da melhor forma, da forma mais eficiente, isso é fundamental para a nossa estratégia de comunicação". ponderou.
Fonte: Agência Brasil via Contraf
Aspectos da situação internacional em 2014
Não é novidade que o imperialismo tem provocado grandes problemas, de forma sistemática, para muitos países e povos, mas, sem dúvida, em 2014 diversos acontecimentos deixaram ainda mais claro como os interesses políticos e econômicos de poucos podem causar danos devastadores aos povos e nações.
O caso mais emblemático talvez sejam os mais recentes ataques sofridos pelo povo palestino, deflagrados por Israel. As atitudes cotidianas do regime de Tel Aviv já se configuram como imensas violações dos direitos humanos: o bloqueio que dura alguns anos e impede que a população local receba alimentos, remédios e outros produtos de forma adequada; a ampliação dos assentamentos israelenses, em busca de mitigar o território e oprimir a população da Faixa de Gaza ou mesmo o tratamento corriqueiro dispensado aos palestinos, com truculência policial e humilhações.
Mesmo diante de tais ações condenáveis, Israel ainda encontrou espaço para protagonizar um dos maiores massacres da região. A morte de mais de dois mil palestinos, incluídas muitas crianças e mulheres, deixa clara a desfaçatez sionista e o real valor que dão aos seus objetivos expansionistas em detrimento da vida humana. Israel age com o apoio de seus padrinhos norte-americanos, o que permitiu, até então, a total ausência de uma séria investigação sobre as violações dos direitos humanos.
Se por um lado vimos neste ano que se encerra diversos parlamentos europeus (português, britânico e espanhol) e o governo sueco reconhecerem a Palestina como um Estado, por outro, a omissão da União Europeia e a postura de Washington têm permitido as injustiças praticadas contra os palestinos, em nome dos seus interesses nem sempre explicitados.
Em 2014, a África também esteve em destaque na cena internacional. A população do continente, mais uma vez negligenciada, sofre com mais umas das tantas mazelas que atingem a região. Mais de 17 mil pessoas já foram contaminadas pelo vírus ebola, das quais cerca de sete mil faleceram em decorrência das complicações provocadas pela doença. Embora possamos louvar o grande trabalho de ajuda que algumas entidades e países têm feito, como por exemplo as atividades desenvolvidas pelos médicos cubanos, é de estarrecer como os mesmos países que demonstram grande disposição na hora de influenciar ditaduras locais ou explorar recursos naturais, agora fingem não entender a gravidade da situação.
O ebola, embora extremante letal, é uma doença controlável com medidas sanitárias adequadas. A explosão desta epidemia ocorre por conta do colapso de sistemas de saúde sem estrutura, em países com recentes guerras civis, muitas das quais incentivadas por grandes potencias internacionais, interessadas em desestabilizar governos e colocar no poder pessoas que tenham atitudes condizentes com os seus interesses, especialmente os econômicos.
Em 2014 pudemos ver várias outras expressões da postura atroz do imperialismo, como em suas facetas na Ucrânia e Síria. No caso ucraniano, milhares de pessoas perderam suas vidas. Todo o incidente começou em consequência de um golpe de Estado apoiado pelas potências ocidentais, contrárias ao posicionamento de proximidade com a Rússia adotado por Kiev naquele momento.
Na Síria, a pretexto de combater o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI), potências ocidentais, lideradas pelos EUA, têm imposto uma série de bombardeios nos territórios iraquiano e sírio, esquecendo-se, convenientemente, de que o surgimento dos grupos violentos deriva da postura bélica norte-americana durante a invasão no Iraque e do apoio a grupos opositores na Síria, com o intuito de ajudar a derrubar o governo de Bashar al Assad.
Tais acontecimentos ao longo dos últimos doze meses apenas reforçam a necessidade de oposição às atitudes imperialistas das potências ocidentais. A luta e a resistência dos povos, ao lado da ação de organizações como o Conselho Mundial da Paz e o fortalecimento de blocos regionais podem ser alternativas na busca pela diminuição ou quiçá pelo fim do intervencionismo e das agressões que afetam os povos. Não obstante o poderio bélico retratado em alguns dos exemplos supracitados, é importante não obscurecer que as questões econômicas também são utilizadas visando subjugar países aos interesses dos imperialistas.
Fonte: Vermelho
O caso mais emblemático talvez sejam os mais recentes ataques sofridos pelo povo palestino, deflagrados por Israel. As atitudes cotidianas do regime de Tel Aviv já se configuram como imensas violações dos direitos humanos: o bloqueio que dura alguns anos e impede que a população local receba alimentos, remédios e outros produtos de forma adequada; a ampliação dos assentamentos israelenses, em busca de mitigar o território e oprimir a população da Faixa de Gaza ou mesmo o tratamento corriqueiro dispensado aos palestinos, com truculência policial e humilhações.
Mesmo diante de tais ações condenáveis, Israel ainda encontrou espaço para protagonizar um dos maiores massacres da região. A morte de mais de dois mil palestinos, incluídas muitas crianças e mulheres, deixa clara a desfaçatez sionista e o real valor que dão aos seus objetivos expansionistas em detrimento da vida humana. Israel age com o apoio de seus padrinhos norte-americanos, o que permitiu, até então, a total ausência de uma séria investigação sobre as violações dos direitos humanos.
Se por um lado vimos neste ano que se encerra diversos parlamentos europeus (português, britânico e espanhol) e o governo sueco reconhecerem a Palestina como um Estado, por outro, a omissão da União Europeia e a postura de Washington têm permitido as injustiças praticadas contra os palestinos, em nome dos seus interesses nem sempre explicitados.
Em 2014, a África também esteve em destaque na cena internacional. A população do continente, mais uma vez negligenciada, sofre com mais umas das tantas mazelas que atingem a região. Mais de 17 mil pessoas já foram contaminadas pelo vírus ebola, das quais cerca de sete mil faleceram em decorrência das complicações provocadas pela doença. Embora possamos louvar o grande trabalho de ajuda que algumas entidades e países têm feito, como por exemplo as atividades desenvolvidas pelos médicos cubanos, é de estarrecer como os mesmos países que demonstram grande disposição na hora de influenciar ditaduras locais ou explorar recursos naturais, agora fingem não entender a gravidade da situação.
O ebola, embora extremante letal, é uma doença controlável com medidas sanitárias adequadas. A explosão desta epidemia ocorre por conta do colapso de sistemas de saúde sem estrutura, em países com recentes guerras civis, muitas das quais incentivadas por grandes potencias internacionais, interessadas em desestabilizar governos e colocar no poder pessoas que tenham atitudes condizentes com os seus interesses, especialmente os econômicos.
Em 2014 pudemos ver várias outras expressões da postura atroz do imperialismo, como em suas facetas na Ucrânia e Síria. No caso ucraniano, milhares de pessoas perderam suas vidas. Todo o incidente começou em consequência de um golpe de Estado apoiado pelas potências ocidentais, contrárias ao posicionamento de proximidade com a Rússia adotado por Kiev naquele momento.
Na Síria, a pretexto de combater o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI), potências ocidentais, lideradas pelos EUA, têm imposto uma série de bombardeios nos territórios iraquiano e sírio, esquecendo-se, convenientemente, de que o surgimento dos grupos violentos deriva da postura bélica norte-americana durante a invasão no Iraque e do apoio a grupos opositores na Síria, com o intuito de ajudar a derrubar o governo de Bashar al Assad.
Tais acontecimentos ao longo dos últimos doze meses apenas reforçam a necessidade de oposição às atitudes imperialistas das potências ocidentais. A luta e a resistência dos povos, ao lado da ação de organizações como o Conselho Mundial da Paz e o fortalecimento de blocos regionais podem ser alternativas na busca pela diminuição ou quiçá pelo fim do intervencionismo e das agressões que afetam os povos. Não obstante o poderio bélico retratado em alguns dos exemplos supracitados, é importante não obscurecer que as questões econômicas também são utilizadas visando subjugar países aos interesses dos imperialistas.
Fonte: Vermelho
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