quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Um em cada cinco jovens brasileiros não trabalha nem estuda

Um em cada cinco jovens brasileiros entre 15 anos e 29 anos (20,3%) não estudava nem trabalhava em 2013. O dado é da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o instituto, a faixa etária que mais concentra os chamados nem nem é a de 18 anos a 24 anos, em que 24% da população não estão nas escolas nem no mercado de trabalho.
adolescentes
Entre os de 25 anos a 29 anos, a proporção dessas pessoas é 21,8%. De acordo com os dados do IBGE, os nem nem são proporcionalmente mais numerosos entre as mulheres e as pessoas com até o ensino fundamental incompleto localizadas na Região Nordeste. Também estão mais concentrados nos domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo.
A média de escolaridade dos jovens nem nem é 8,6 anos, enquanto a média da faixa etária chega aos 9,4 anos. Enquanto a média de jovens com filhos é 35%, entre aqueles que não estudam nem trabalham ultrapassa os 57%. Um em cada quatro desses jovens (26,3%) até chega a procurar emprego, mas não encontra, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE.
O estudo comparou o mercado de trabalho de 2013 com o de 2004. Segundo a análise, no período, a população de 16 anos ou mais aumentou 18,7%, mas a população economicamente ativa, ou seja, aquela que trabalha ou procura emprego, cresceu apenas 13,6%. A maior parte dessa população acabou se deslocando para a população não economicamente ativa que não trabalha nem procura emprego, gerando um percentual de 30,6%.
"O crescimento da população não economicamente ativa pode ser explicada, por exemplo, por um prolongamento dos estudos [dos jovens]. Como você tem o mercado de trabalho exigindo mais qualificação, você tem a possibilidade hoje, pela ampliação da oferta de vagas no ensino superior, do não trabalho para permanecer estudando", disse a coordenadora da Síntese, Barbara Cobo.
Mesmo assim, entre as pessoas não economicamente ativas, 22,2% eram jovens de 16 anos a 24 anos. Quarenta por cento deles tampouco estavam estudando. "É uma questão preocupante para as políticas públicas. Esse é o momento essencial para saber se esses jovens estão estudando e se qualificando, porque eles serão a força de trabalho dos próximos anos", disse a pesquisadora do IBGE Cristiane Soares.
A pesquisa do IBGE revelou que a população total desocupada, em todas as faixas etárias, teve um crescimento maior (17,2%) do que a população ocupada (16,5%) no período. O emprego formal cresceu mais (47,8%) do que o informal (10,1%), mas o rendimento teve um crescimento mais expressivo nos trabalhos sem carteira assinada (51,8%) do que nos formais (26,7%).
As mulheres tiveram um desempenho melhor do que os homens no mercado de trabalho, com crescimento de 18,1% na população ocupada e 56% no emprego formal. Entre os homens, os índices de crescimento foram 15,3% e 42,4%, respectivamente.
A proporção de pessoas empregadas em trabalhos formais cresceu de 45,7% em 2004 para 58% em 2013. O crescimento ocorreu em todas as regiões do país, mas o Norte e o Nordeste apresentaram, em 2013, proporções de trabalhadores formais de 40,2% e 39,7%, respectivamente – índices inferiores à média nacional de nove anos antes. "O país está avançando, mas há um crescimento diferenciado [entre as regiões]", apontou Cristiane.
Agência Brasil via Feeb-Ba/Se

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Decisão histórica: Cuba e Estados Unidos retomam relações diplomáticas

Presidente barack Obama e Raúl Castro se cumprimentam durante cerimônia de despedida de Nelson Mandela.
EFE
Presidente barack Obama e Raúl Castro se cumprimentam durante cerimônia
de despedida de Nelson Mandela.

O presidente cubano, Raúl Castro, se pronunciou nesta quarta-feira (17) em rede nacional para anunciar mudanças históricas nas relações diplomáticas entre a ilha caribenha e os Estados Unidos. Desde 1962, o governo norte-americano mantém um bloqueio econômico, comercial e financeiro a Cuba. Ao mesmo tempo, Barack Obama declarou publicamente que irá começar “um novo capítulo na relação com Cuba”. 


Segundo o chefe de Estado cubano, ele e Obama sustentaram uma “conversa telefônica do mais alto nível" na última terça-feira (16): "Concordamos com a retomada das relações diplomáticas, mas isso não significa que o principal foi resolvido, o bloqueio que causa tantos danos deve cessar", afirmou Raúl Castro.



O cerco tornou-se um problema da atual administração estadunidense e acabou recebendo duras críticas por resultar no isolamento dos EUA. O bloqueio foi amplamente rechaçado durante todo o ano de 2014, não só no âmbito da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), mas também nos grupos regionais de organização mundial. Até mesmo o New York Times, um dos maiores veículos de comunicação do país, dedicou seis editoriais sugerindo a suspensão das políticas de austeridade e aconselhando o governo norte-americano a promover a “aproximação diplomática” com Cuba.

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Os três últimos heróis cubanos foram libertados
Em sua alocução, Raúl Castro afirmou que os países devem “aprender a arte de conviver com nossas diferenças”. Para isso, o chefe de Estado cubano propôs que sejam tomadas "medidas mútuas para melhorar o clima bilateral e avançar à normalização das relações entre os nossos países".

Obama, por sua vez, disse que "não podemos continuar fazendo a mesma coisa sempre e esperar o mesmo resultado. Não podemos permitir que sanções aumentem o peso sobre cidadãos cubanos que queremos ajudar". O presidente norte-americano prometeu ainda que irá “discutir com o Congresso a possibilidade de levantar o embargo".

O emblemático gesto de aproximação

As autoridades cubanas anunciaram a libertação do prisioneiro americano Alan Gross, que cumpriu 5 de uma pena de 15 anos de prisão por "ameaças à segurança de Estado". Cuba expressou em diversas oportunidades sua disposição de discutir o caso de Gross em um contexto que incluísse a situação de três agentes antiterroristas cubanos (que forma parte do grupo conhecido como “Cinco Cubanos”) que cumpriam pesadas penas de prisão nos Estados Unidos. Por fim, nesta quarta-feira (17), as partes chegaram a um acordo que permitiu a troca de seus respectivos cidadãos.

Raúl Castro afirmou que a decisão de Obama de libertar os três antiterroristas merece respeito e reconhecimento do povo cubano. “Decidimos libertar um espião de origem cubana e, por razões humanitárias, libertamos também o cidadão americano Alan Gross”, afirmou.

Théa Rodrigues, da redação do Portal Vermelho

Manuela D´Ávila: "Comunismo" de boutique

Manuela: Quem somos nós se não somos os comunistas de boutique? Somos os que acreditam que podemos viver num mundo muito melhor do que vivemos.
Manuela: Quem somos nós se não somos os comunistas de boutique?
 Somos os que acreditam que podemos viver num mundo muito melhor do que vivemos.

Nessas eleições, vimos um pouco de tudo. Em nenhum outro momento vivi clima tão intenso nas ruas e nas redes sociais. Nessas, víamos de um lado cidadãos e cidadãs participando da vida política nacional, de forma apaixonada, nesse grande microfone democrático que são as redes. De outro, criminosos comuns (sim, incitar ódio e violência é crime, racismo é crime, segundo a Lei 9459/97) usando esse mesmo microfone para questionar nosso povo e suas decisões. 

Por Manuela D´Ávila*
 


A intolerância ao pensamento divergente é, para mim, ainda consequência dos mais de 20 anos de ditadura militar. Vivemos, afinal, o maior ciclo democrático da história brasileira nos nossos dias. Somos ainda jovens criados por pais que tiveram sua educação nos anos de chumbo. 


Mas escrevo aqui, pois creio que é urgente falarmos sobre os setores ultraconservadores brasileiros que tentaram durante as eleições se valer de justas indignações do povo brasileiro pra crescer e se organizar. Disfarçados de defensores da liberdade de expressão foram os porta-vozes de todo tipo de preconceito e autoritarismo. Eram eles que tentavam calar com respostas rasas os diferentes. Com o justo debate sobre a corrupção no poder público brasileiro, deram vazão ao machismo, anticomunismo, homofobia, racismo.

Claro que debater corrupção e formas de mudarmos a política no Brasil é urgente! Os partidos comprometidos com a democracia devem fazê-lo. Esse sistema político é superado, ultrapassado e não acompanha o desenvolvimento econômico e social no Brasil.

Mas a campanha de ódio e de intolerância completa, com os divergentes, fez aparecer alguns termos em minhas redes. Sistematizei alguns verbetes para falar com essa gente, que nos rotula usando critérios que só fazem sentido para eles próprios.

• Comunista de iPhone
Nunca entendi qual contradição que veem entre alguém ser comunista e ter um celular. Creio que muitos desconhecem que, quando existia, a União Soviética sempre desenvolveu muitas tecnologias. O fato é que o socialismo não defende a negação da tecnologia. Ao contrário, defendemos justamente que, pela humanidade estar tão desenvolvida tecnologicamente, podemos viver um mundo muito mais justo para todos. De qualquer forma, realmente não gosto de ter iPhone por não ter tecnologia livre. Deveria ser criticada não pelo aparelho, mas por seu sistema operacional! Sim! Luto pelo software livre e uso um iPhone.

•Patricinha Comunista/ Comunista de boutique
O machismo em nossa sociedade é mesmo avassalador. Não sei qual a origem de um padrão estético para as mulheres de esquerda. Digo para as mulheres, pois nunca ouvi: mauricinho comunista. Pelo que escuto e leio, devem nos confundir com as mulheres do movimento hippie que, embora contestador e libertário, nunca foi de esquerda. E cuidar de si, da própria saúde, do bem-estar nunca foi negado por ninguém. Ao contrário. Claro! No Brasil, as mulheres e homens, que resistiam à ditadura e viviam na clandestinidade, não iam perder tempo e nem se expor fazendo as mãos. Além disso, fico pensando na relação com as roupas: deveríamos andar pelados? Eis que toda a roupa produzida e vendida em grandes redes inclui exploração de trabalho de alguém. A diferença é que no Brasil defendemos que quem costura a nossa roupa tenha direitos garantidos. Ao contrário dos setores conservadores, que acham isso tudo uma grande besteira.

•"Esquerda caviar"
Esse termo usado por alguns conservadores tem origem no termo francês Gauche caviar. Como diria Zeca Pagodinho, "eu não vi, não comi, eu só ouço falar". Na década de 90, nos chamavam de "esquerda festiva". Poderiam ser criativos e nos chamarem de "esquerda sashimi", já que a comida japonesa é super atual no Brasil. Mas não. Em síntese, somos "caviar" porque gostamos do bom. Não entendem que, justamente, queremos que todos tenham acesso à riqueza da humanidade? Acho que eles nos confundem com os franciscanos que fazem voto de pobreza. Meus votos são para lutar pela diminuição de desigualdade social e justiça social.

•Comunistas são ateus
É verdade que Marx escreveu "a religião é o ópio do povo". Sim. Em qual contexto? Ele era de uma família de rabinos e o pai teve que negar a religião para poder advogar. Então, essa frase foi vinculada ao ateísmo, quando deveria ser a marca da defesa do estado laico que, justamente, garante a liberdade religiosa. No Brasil (meu país), a tradição da esquerda é de profunda relação com a Igreja Católica. O meu próprio partido é presidido por um ex-dirigente da Ação Popular, que tem origem na Juventude Católica. Além disso, a emenda que garantiu a liberdade religiosa foi de Jorge Amado, deputado Constituinte em 1946. Ou seja, se hoje existem evangélicos organizados e respeitados pelo estado brasileiro (e não apenas católicos) é porque sim, os comunistas estavam lá defendo a liberdade religiosa e o estado laico.

•O comunismo matou milhões
Infelizmente, vivemos num mundo em que milhões ainda são mortos. Apenas as guerras do Afeganistão e Iraque mataram na última década mais de 170 mil pessoas .
Esse mundo que eu vivo não é comunista. Ao contrário, ele é capitalista. Não vi os países que se reivindicam comunistas proporem guerras no presente. Aliás, a China tem feito seu esforço para barrar algumas ocupações. Mas, mesmo no passado, quando a União Soviética foi estratégica para vencer o avanço de Hitler, as guerras e regimes fizeram milhares de mortos. Foram assim as ditaduras latino-americanas (todas capitalistas e ajudadas pelos EUA). Era um outro tempo. E os comunistas? Ah! Também erraram. Espero que a gente construa um mundo em que a economia da guerra (U$ 552 bilhões dólares orçamento ministério defesa dos EUA) não seja o centro de nenhum país. O mundo que eu luto para viver tem paz e coloca o ser humano em primeiro lugar.

• "Vai pra Cuba!"
Sim. Talvez de férias. Ou pra qualquer outro país do mundo. Adoro viajar. Mas sou BRASILEIRA e não ameaço deixar meu país em hipótese alguma. Não sou dessa turma que fecha as malas e diz: "Vou pra Miami". Vou viver aqui pra construir as melhorias que desejo e sonho. Sobre Cuba, poderia escrever um tratado. Por hora, me basta dizer que quem aplica um bloqueio econômico, a um povo inteiro lhe fazendo viver inúmeros desafios cotidianos, não são os comunistas, mas os capitalistas de Washington. Ou seja, quem pensa diferente de nós: bloqueio. Super Democrático. Mas o fundamental é saber que para os comunistas - desde antes da queda do muro de Berlim - não existe modelo de socialismo. Sou brasileira, não cubana. Como os brasileiros de direita também não são da Arábia Saudita. Aquele aliado americano que não deixa as mulheres dirigirem.

• "Vamos virar a Venezuela" ou qualquer coisa relacionada ao "bolivarianismo".
Realmente nossa direita está cada vez mais parecida com a de lá. Raivosa e golpista. Porque, caso não saibam, os presidentes de esquerda foram eleitos na Venezuela. Já a direita apoiou um golpe militar. Mas, como já disse acima, nós somos apaixonados pelo Brasil. Não queremos que a gente vire a Venezuela, nem Cuba. Mas também não queremos Miami. Queremos um Brasil desenvolvido. Bem que a turma dos rótulos poderia parar com esse papo de impeacheament, de não deixar a presidente governar. Isso realmente me lembra a direita Venezuelana.

Mas então afinal, quem somos nós se não somos a esquerda caviar, os comunistas de boutique, os ateus? Somos os que acreditam na humanidade o suficiente pra sonhar que podemos viver num mundo muito melhor do que vivemos. Os que acreditam que não precisamos nos conformar com guerras e crianças morrendo de fome. Que o ser humano, esse animal absolutamente contraditório, que constrói maravilhas tecnológicas pode ter governos mais humanistas e solidários. Que a nossa espécie não precisa eternamente ser subjugada por governos que acham razoável destruir países para proteger os seus.

Acreditamos que, antes de debatermos o tamanho da estrutura do estado, temos que debater a quem ele serve. E hoje, serve a poucos. Apesar dos avanços.
Acreditamos na liberdade individual plena. Para todos. Alias, é nossa a frase: De cada um segundo suas possibilidades, a cada um segundo suas necessidades.
Acreditamos que ser, vale mais do que ter.

Quanto a mim, nasci numa família de classe média, estudei em escola particular e sempre acreditei que era injusto eu ter acesso a coisas tão elementares e os outros não. Aliás, a isso, os clássicos chamavam de "pequena burguesia". Mas tudo bem, não estamos debatendo os clássicos.

Estamos apenas debatendo clichês e frases prontas que constroem para nós. Apenas rótulos para tentar conter nossa discussão mais profunda: Vocês são felizes com o mundo que vivem?
Acham razoável estarmos no ápice do processo de desenvolvimento tecnológico e 2,5 bilhões de pessoas não terem saneamento básico, segundo a ONU?

Acham razoável que milhares sejam calados por terem uma religião diferente da tua?
Acham racional a guerra movimentar a economia?
Guerras para defender a liberdade?
Golpes para defender a liberdade?
Por que o capitalismo não consegue construir a paz?

Não tivemos capacidade de construir soluções para equacionar liberdade e igualdade. Não conseguimos ainda encontrar soluções para muitos dilemas da humanidade. Apenas gostaria que olhassem ao redor. Se te indignas com tanta desigualdade caminhamos juntos.

*É deputada federal pelo PCdoB do Rio de Grande do Sul e deputada estadual eleita no último pleito


Fonte: Vermelho

Manuela D´Ávila se despede da Câmara: a luta continua no RS

Manuela foi, mais uma vez, este ano, eleita a deputada mais votada; desta vez para a Assembléia Legislativa.
Flick Manuela D´Ávila
Manuela foi, mais uma vez, este ano, eleita a deputada mais votada; desta vez para a Assembléia Legislativa.

A deputada Manuela D´Ávila (PCdoB-RS) fez discurso de despedida da Câmara dos Deputados, ontem, terça-feira (16). Após oito anos de mandato, ela gradeceu o povo do Rio grande do Sul, “que me fez a deputada mais votada no estado e novamente, este ano (eleita como deputada estadual); agradeceu Partido, “que me permitiu atuar e refletir sobre meu papel dentro da política nacional”; e prometeu continuar a contribuir, “desta vez mais próxima ao povo do Rio Grande do Sul.”
 





  Fonte: Parlatube via Vermelho

Matar mulher pode virar crime hediondo

“O movimento feminista acompanha essa votação na certeza de que sua aprovação pode colaborar com a mudança da cultura dos brasileiros que só respeitam as leis que promovem punições severas”
Carlos Latuff
“O movimento feminista acompanha essa votação na certeza de que sua aprovação
 pode colaborar com a mudança da cultura dos brasileiros que só respeitam
 as leis que promovem punições severas”

A bancada feminina do Senado trabalha para aprovar uma alteração ao Código Penal que torna o assassinato de mulheres por questões de gênero (feminicídio) crime hediondo. “O movimento feminista acompanha essa votação na certeza de que sua aprovação pode colaborar com a mudança da cultura dos brasileiros que só respeitam as leis que promovem punições severas”, defende Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

Por Marcos Aurélio Ruy*, no portal da CTB


Para ela, “tornar o feminicídio crime hediondo é muito importante para combater a cultura machista que trata a mulher como propriedade privada, como objeto e, assim, passível de sofrer agressões e até ser assassinada”.


Já a procuradora da Mulher no Senado, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), afirma que “precisamos retirar o crime da invisibilidade, além de reduzir a impunidade, estimular a implementação de políticas públicas e programas de proteção à mulher, entre outros benefícios”.

No levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2014 consta que 4.580 mulheres foram assassinadas no Brasil no ano passado por motivos torpes. “Leis como essas são fundamentais para se criar condições de a erradicação da violência contra as mulheres.

Justamente porque apesar de a legislação brasileira ter avançado nos últimos anos, os assassinatos e os estupros têm crescido muito nos últimos anos e isso tem que acabar”, assevera Ivânia. Para ela, o substitutivo acrescenta à Lei Maria da Penha (11.340/2006) o poder de defender as mulheres.

Essa alteração ao Código foi sugerida pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher. “O Brasil não pode mais conviver com tamanho desprezo aos direitos humanos de mais da metade da população do país”, afirma Ivânia. Ela se revolta porque muitas vezes as próprias famílias justificam os assassinatos dizendo que “ah ela fez isso ou aquilo e assim as vítimas dessa barbárie se tornam rés. Atitudes como essas acabam favorecendo a opressão às mulheres e justificam a violência”.

O PL prevê pena de 12 a 30 anos para quem assassinar uma mulher por questões de gênero. “Tornar o feminicídio crime hediondo representa um grande avanço da legislação brasileira para inibir essa prática. Somente assim, as mulheres podem ter os respeito aos direitos humanos e à vida assegurados”, reforça a sindicalista. "O importante é garantir que as brasileiras possam viver e sonhar, sem medo".


*Marcos Aurélio Ruy é jornalista


Fonte: Vermelho

A história esquecida do capitão Bolsonaro

 Na barulhenta cobertura da mídia sobre as declarações racistas e homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao programa CQC, da Rede Bandeirantes, ficou esquecido, no fundo de um arquivo qualquer, um episódio de 24 anos atrás, também protagonizado pelo agora deputado federal, e que tocou em um dos fundamentos da atividade jornalística.

Por Luiz Egypto, publicado em 2011 no Observatório da Imprensa


Oual seja, as declarações off the records, isto é, aquelas informações utilizadas pelo jornalista sob o compromisso de resguardar o anonimato de sua fonte.


A história é a seguinte. No segundo semestre de 1987, finda a ditadura e já sob o governo civil de José Sarney, a economia estava combalida em razão do fracasso do Plano Cruzado. A inflação era alta, tendendo a índices estratosféricos, e grassava forte insatisfação nos quartéis devido à política de reajustes dos soldos dos militares – além, é claro, do incômodo, sobretudo entre a oficialidade média, pela perda do poder político que gozaram por 21 anos seguidos.

Jair Bolsonaro era então capitão do Exército, da ativa, cursava a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e morava na Vila Militar, na Zona Norte do Rio. Em setembro de 1986, ele assinara um artigo na revista Veja no qual protestava contra os baixos vencimentos dos militares. Por isso ele foi preso e, na época, sua punição provocou protestos de mulheres de oficiais da ativa – que, ao contrário dos maridos, podiam sair em passeata sem correr o risco de serem presas.

"Só para assustar"

Bolsonaro tornou-se fonte da revista. Em meados de outubro 1987, a prisão de outro militar, capitão Saldon Pereira Filho, pelo mesmo motivo, levou à Vila Militar a repórter Cassia Maria, de Veja, destacada para repercutir o ocorrido. Ali ela conversou com Jair Bolsonaro, que estava acompanhado de outro capitão e da mulher deste.

Sob condição de sigilo, a mulher do militar contou à repórter – e depois Bolsonaro e seu colega confirmaram – que estava sendo preparado um plano batizado de "Beco sem saída". O objetivo era explodir bombas de baixa potência em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende (RJ), e em alguns quartéis. A intenção era não machucar ninguém, mas deixar clara a insatisfação da oficialidade com o índice de reajuste salarial que seria anunciado dali a poucos dias. E com a política para a tropa do então ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves – que teria sua autoridade seriamente arranhada com os atentados.

"Serão apenas explosões pequenas, para assustar o ministro. Só o suficiente para o presidente José Sarney entender que o Leônidas não exerce nenhum controle sobre a tropa", ouviu a repórter de Ligia, mulher do colega de Bolsonaro, identificado com o codinome de "Xerife".

Frase isolada

A repórter havia apurado uma bomba, no sentido literal e no figurado. Veja não respeitou o off – no que fez muito bem, neste caso, pois do contrário estaria acobertando atos terroristas – e quebrou o pacto de sigilo com a fonte. A história toda foi contada nas páginas 40 e 41 da edição 999 (de 27/10/1987) da revista. A repórter Cassia Maria anotou em seu relato:

"‘Temos um ministro incompetente e até racista’, disse Bolsonaro a certa altura. ‘Ele disse em Manaus que os militares são a classe de vagabundos mais bem remunerada que existe no país. Só concordamos em que ele está realmente criando vagabundos, pois hoje em dia o soldado fica o ano inteiro pintando de branco o meio-fio dos quartéis, esperando a visita dos generais, fazendo faxina ou dando plantão’. Perguntei, então, se eles pretendiam realizar alguma operação maior nos quartéis. ‘Só a explosão de algumas espoletas’, brincou Bolsonaro. Depois, sérios, confirmaram a operação que Lígia chamara de Beco sem Saída. ‘Falamos, falamos, e eles não resolvem nada’, disseram. ‘Agora o pessoal está pensando em explorar alguns pontos sensíveis.’

Sem o menor constrangimento, o capitão Bolsonaro deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio. O explosivo seria o trinitrotolueno, o TNT, a popular dinamite. O plano dos oficiais foi feito para que não houvesse vítimas. A intenção era demonstrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro Leônidas.

(...)

Nervoso, Bolsonaro advertiu-me mais uma vez para não publicar nada sobre nossas conversas. ‘Você sabe em que terreno está entrando, não sabe?’, perguntou. E eu respondi: ‘Você não pode esquecer que sou uma profissional’."

Com esses antecedentes, não deixa de ser curioso que agora, quando o personagem volta à baila, a cobertura da edição (nº 2211, com data de capa de 6/4/2011) desta semana de Veja sobre o explosivo episódio de racismo, que suscitou tanta repercussão, resuma-se a uma mísera frase de Bolsonaro reproduzida na seção "Veja Essa".

Faltou um curioso da rRedação para examinar o arquivo digital da revista. Faria um gol.

Artigo foi recentemente publicado no Jornal GGN


Fonte: Vermelho

Bolsonaro será julgado por quebra de decoro parlamentar

Presente à reunião do colegiado nesta terça-feira, Bolsonaro (o 1º  à esq. de costas)  disse que sua fala em Plenário foi “um ato reflexo”.  
Agência Câmara
Presente à reunião do colegiado nesta terça-feira, Bolsonaro
(o 1º à esq. de costas) disse que sua fala em Plenário foi “um ato reflexo”.  

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara instaurou nesta terça-feira (16) processo por quebra de decoro contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Bolsonaro afirmou, na tribuna do Plenário, que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia.


O relator do processo será escolhido posteriormente de uma lista tríplice sorteada nesta tarde, que inclui a deputada Rosane Ferreira (PV-PR), Marcos Rogério (PDT-RO) e Ronaldo Benedet (PMDB-SC).


Esta é a ultima reunião do ano do Conselho de Ética. O presidente do colegiado, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), admitiu que ainda há muitas dúvidas em relação à sequência desse processo: ele poderá ser arquivado ao final desta legislatura e ser reaberto na próxima, mas a palavra final ainda depende de uma consulta feita à Mesa Diretora da Câmara.

Após a reunião do Conselho de Ética, a deputada Maria do Rosário, acompanhada de parlamentares da bancada feminina no Congresso, de lideranças políticas e de representantes de movimentos sociais ligados aos direitos humanos, foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) protocolar queixa-crime por injúria e calúnia contra Bolsonaro.

A ação por quebra de decoro parlamentar foi apresentada na semana passada pelo PT, PCdoB, PSB e PSol e pede a cassação do seu mandato. O parlamentar já protagonizou, ao longo de sua carreira parlamentar, diversos casos de agressões e ofensas, principalmente contra os comunistas, em defesa da ditadura militar, e contras as minorias – gays, mulheres e negros.

Ao contrário das ofensas anteriores, desta vez até mesmo setores conservadores da sociedade e da imprensa estão pedindo a cassação de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, o PSDB, o DEM e os demais partidos que não se manifestaram após a ameaça de estupro também estão sendo cobrados e criticados.

Presente à reunião do colegiado nesta terça-feira, Bolsonaro já apresentou sua defesa prévia. Ele argumentou que sua fala em Plenário foi “um ato reflexo” a uma acusação que Maria do Rosário fez a ele em 2003.

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Da Redação do Vermelho em Brasília
Com agências