terça-feira, 28 de outubro de 2014

Adilson Araújo: Uma grande vitória da classe trabalhadora no Brasil


Adilson Araújo*, no portal da CTB


Ao nosso êxito correspondeu, do outro lado, uma clara derrota das frações hegemônicas da classe dominante: a grande burguesia e sua mídia golpista, os banqueiros, os especuladores, os velhos e novos latifundiários e o imperialismo, representados pela candidatura tucana e neoliberal de Aécio Neves.

Não restam dúvidas de que foi um dos pleitos mais disputados e polarizados da história brasileira, com uma desesperada iniciativa golpista de última hora protagonizada pela revista “Veja” e respaldada pelo “Estadão”, a “Globo” e outros monopólios da comunicação. Uma vez mais o povo não se deixou enganar, soube discernir o joio do trigo, tendo identificado e derrotado seus verdadeiros inimigos, abrindo caminho para concretizar as mudanças mais profundas que o povo e a nação reclamam.

Diante do risco de derrota para o candidato da direita sinalizado pelos institutos de pesquisa (bem como pelo posicionamento de Marina e da cúpula do PSB), a militância dos movimentos sociais e partidos políticos progressistas se uniu e ganhou as ruas durante o segundo turno, disputando voto a voto. Este movimento dos militantes foi essencial para reverter a onda conservadora que já havia se revelado na nova composição do Congresso Nacional e virar o jogo a favor de Dilma Rousseff. 

A vitória evitou que o país caminhasse para trás. Aécio seria o retrocesso em toda linha, começando pelo ajuste fiscal anunciado por Armínio Fraga, acompanhado de demissões em massa e recessão econômica; o fim da política de valorização do trabalho e dos salários; a flexibilização da legislação trabalhista; a perseguição e criminalização das lutas sociais; a privatização do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras; o esvaziamento do Mercosul; a subordinação do Brasil ao projeto imperialista dos EUA.

As batalhas eleitorais deste outubro não deixaram apenas saldos positivos. A composição social e política do Congresso Nacional, que já não era lá grande coisa, sofreu um notório revés. Tornou-se ainda mais conservadora, hostil aos projetos oriundos da classe trabalhadora e favorável à agenda regressiva apresentada pelos porta-vozes do patronato. O crescimento da direita também se refletiu no resultado final da eleição presidencial.

A leitura classista da conjuntura indica que é indispensável avançar nas mudanças para consolidar o que foi conquistado ao longo dos últimos 11 anos, evitar futuros retrocessos e viabilizar a agenda da classe trabalhadora por um novo projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, soberania e democracia.

O caminho das mudanças passa pela realização de reformas democráticas estruturais, começando pela reforma política e da mídia, bem como pelo atendimento de demandas históricas do nosso povo e das centrais traduzidas na pauta trabalhista, como mais investimentos no SUS, bem como em educação e transporte público; fim do fator previdenciário (com o qual a presidenta Dilma se comprometeu); reforma agrária; redução da jornada de trabalho; rejeição do PL 4330 (que escancara a terceirização) e a ratificação das convenções 151 e 158 da OIT, entre outras.

Alcançar tudo isto não será nada fácil, especialmente diante da correlação de forças na Câmara Federal e Senado. Mas é plenamente possível. O fator chave, que constitui o desafio número 1 da CTB, bem como do conjunto dos movimentos sociais, do governo federal e forças progressistas do país, é elevar o grau de consciência e mobilização da classe trabalhadora e do povo brasileiro, pois só como (muito) povo nas ruas lograremos as transformações que o Brasil reclama.

São Paulo, 27 de outubro de 2014

*É presidente da CTB 

Renato Rabelo: Elogio à militância que não foge à luta

A reeleição da presidenta Dilma Rousseff é fruto de um conjunto de fatores, entre os quais se ressalta o papel destacado da militância dos partidos e dos movimentos sociais. A direção nacional do PCdoB enaltece com estima e louvor esse coletivo de milhares e milhares que – com entusiasmo, dedicação e criatividade – ocuparam as ruas e as redes sociais para que o povo conquistasse esta histórica quarta vitória consecutiva.

Em especial, nosso Partido aplaude sua militância, seus quadros e nossa rede de amigos e amigas que se empenharam de modo redobrado neste segundo turno, enfrentando o poderio do consórcio oposicionista, dando, assim, sua efetiva contribuição ao triunfo alcançado.
Para conter e vencer a investida reacionária, o povo se levantou e junto com ele a militância de esquerda, popular e patriótica. Os trabalhadores, através da maioria das centrais sindicais que os representam – entre elas, a CTB, a CUT – apoiaram Dilma com suas bandeiras e mobilizações. Do mesmo modo, as mulheres tendo por canal um elenco de entidades nas quais se destaca a União Brasileira de Mulheres (UBM); assim como os ativistas do movimento comunitário entre os quais os que atuam na Confederação Nacional de Associações de Moradores (CONAM); também os que batalham por uma sociedade sem racismo e preconceitos como os companheiros da União de Negros pela Igualdade (Unegro) e os ativistas dos movimentos LGBT.

Merece especial destaque pela garra e a criatividade, por sua atuação intrépida em todo o país, a atuação valiosa da União da Juventude Socialista (UJS). O trabalho da UJS contribuiu para que a mensagem da campanha da presidenta Dilma Rousseff chegasse a amplas camadas da juventude, principalmente nas universidades e escolas nas quais a UNE e a Ubes tiveram papel muito significativo. A campanha também se estendeu aos jovens da periferia, com o movimento Hip Hop. “Renovar a esperança” foi a bandeira de campanha da UJS, e além disso a entidade criou slogans, imagens, mensagens, que se disseminaram nas ruas e nas redes sociais, tais como: “no meu país, eu boto fé, porque ele é governado por uma mulher”; “Para o Brasil seguir em frente, eu vou com Dilma, coração valente”.

No final deste segundo turno, a direita e a grande mídia sentiram o cheiro da derrota e radicalizaram suas ações golpistas. No âmbito desse desespero tentaram, via distorção e manipulação de fatos, criminalizar a UJS; atitude, aliás, corriqueira deles contra os movimentos sociais. Tentativa que será inócua pela seriedade, pelo valor da UJS, amplamente reconhecido, enquanto entidade que mobiliza os jovens pelos seus direitos e que os forma para a luta política e social transformadora.

Uma vez mais nosso aplauso, nosso elogio à militância comunista que suou a camisa, que, armada de argumentos e entusiasmo, se irmanou com o povo e, efetivamente, deu importante contribuição para a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Para realizar as mudanças e as reformas estruturais com as quais está compromissada nesse novo mandato, a presidenta precisará do apoio impulsionador dessa militância “que não foge à luta”.

São Paulo, 27 de outubro de 2014

Renato Rabelo
Presidente do Partido Comunista do Brasil – PCdoB


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Para economista da Unicamp, reeleição representa derrota neoliberal



A reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) representa acima de tudo a derrota do projeto neoliberal, proposto pelo tucano, Aécio Neves. A avaliação é do professor Pedro Rossi, economista da Universidade de Campinas (Unicamp). "Essa foi uma das causas da derrota de Aécio, ele deixou explícito a diferença entre os dois projetos", disse nesta segunda-feira (27) à Rádio Brasil Atual.

O professor da Unicamp ressalta que o "grande desafio" do governo é contrapor os interesses dos mercado com os programas sociais. "Eu acho que a mensagem das urnas é clara, a gente precisa de um modelo econômico mais social, e isso precisa ser implementado", afirma.

A valorização do salário mínimo e os programas sociais garantiram, no últimos 12 anos, um ciclo de crescimento da economia brasileira. Para a continuidade da expansão econômica, Rossi explica que o governo deverá investir em infraestrutura na produção industrial, e, flexibilizar a política fiscal.

Com relação à nova equipe econômica, o especialista aponta que o futuro ministro da Fazenda deve ter um perfil mais político, que possibilite o diálogo com as diversas frentes.

Fonte: Rede Brasil Atual


A verdade venceu a mídia


Por Osvaldo Bertolino*


A campanha que levou à reeleição da presidenta Dilma Rousseff se desenvolveu em dois campos: o da política propriamente dita — o debate partidário — e o do terreno marrom da mídia. O primeiro é legítimo e, com todas as restrições necessárias, democrático. O segundo é obsceno e não pode ser debitado ao acaso. Visto por um amador, esse papel da mídia é aceitável; mas um olhar com lentes argutas revela o quanto esse terreno tem de matreirisse. O poderio totalitário da mídia chega a influenciar, abertamente, poderes da República, como manifestaram, neste domingo (26), representantes da Justiça Eleitoral.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, disse, logo após deixar a cabine de votação, que a “imprensa” teve um papel importante nas eleições e ajudou a Justiça Eleitoral. Já o ministro-corregedor geral do TSE, João Otávio de Noronha, afirmou que onde havia “preocupações da mídia” com as urnas biométricas as providências haviam sido devidamente tomadas (as preocupações não deveriam ser da Justiça Eleitoral e dos eleitores?).

Período ditadura-neoliberalismo
Nesse processo eleitoral, o que estava em questão, no fundo, era a luta do passado com o contemporâneo e o futuro, a negação do progresso originada no golpe militar de 1964 contra a nova clareira aberta com a eleição de Luis Inácio Lula da Silva em 2002. Como observou Miguel Arraes — ex-governandor do Estado de Pernambuco e ex-preidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) —, os governos neoliberais de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso (FHC) completaram a obra da ditadura militar. A reeleição da presidenta, portanto, significa um passo gigantesco para a superação daquela herança maldita, um novo ato para o próximo passo do progresso. Como dizia Nelson Werneck Sodré, quando o processo histórico dá um passo atrás, necessita, depois, dar pelo menos dois adiante.

A mídia, umbilicalmente ligada ao período ditadura-neoliberalismo, é o maior ente político da direita nessa disputa. No ciclo Lula-Dilma, não foram poucas as vezes que os grupos midiáticos anunciaram crises apocalípticas. Velhos coveiros da democracia, eles se especializaram em criar factoides para projetá-los em manchetes estrepitosas. No entanto, a maioria das acusações, convenientemente, já foi sepultada em cova rasa — sem nenhuma investigação a mais, sem nenhuma satisfação ao público, sem nenhuma retratação. Simplesmente, a história sumiu.

Política de rancor
Desde o princípio, essas denúncias contra Lula e Dilma — sustentadas em fontes que se revelariam frágeis como a convicção de um cínico — esbarraram em uma questão de lógica básica. As suposições só podem ser dadas como notícias definitivas quando elas forem fatos. Do contrário, são boatos e servem unicamente a interesses politiqueiros. Ao interferir na soberania do voto, a mídia ignorou o tempo todo o fato elementar de que seriam os eleitores brasileiros, e ninguém mais, que dariam ou negariam mais quatro anos para a presidenta Dilma. Para esses meios de comunicação, o que importava, unicamente, era promover seu candidato, marqueteá-lo e vender suas diatribes.

O resultado foi a construção de uma política do rancor. O atual governo foi apresentado como o pior que já surgiu na história depois de Calígula. Dilma foi comparado a Hitler, sua campanha descrita como oportunista, seu governo classificado como mais nocivo que a ditadura militar do AI-5 — e por aí afora, numa sucessão de disparates que seria cômica se não fosse reveladora da intolerância e do fanatismo que esse tipo de noticiário colocou no coração da política brasileira. Muitas vezes, a opinião publicada prevaleceu sobre a opinião pública. A mídia entrou na disputa como camisa-de-força neoliberal. Via chantagem política, ela tentou cassar o direito do eleitor de decidir soberanamente.

Devoto daquilo que o cineasta Billy Wilder chamou de "Big Carnival" (Grande Carnaval) — filme que no Brasil recebeu o nome de "A Montanha dos Sete Abutres" e que retrata o caso de um repórter especialista na arte da trapaça —, esse tipo nefasto de noticiário atingiu o auge das previsões tétricas. A mídia anunciou o tempo toda uma iminente catástrofe econômica, lançou mão de todo tipo de invectivas sobre “corrupção” e culpou o governo por tudo. Ela deu guarida a todos os que, munido de verdadeiras fanfarronadas, tinham algo a dizer contra Dilma.

Pregação monolítica
Esse comportamento não é, absolutamente, irrelevante, porque inclui a mentira e não deve ser subestimado. Trata-se de um noticiário que cumpre papel bem definido no jogo político que se estabeleceu no país. Ele serve aos velhos coronéis que usam os meios de comunicação como arma principal na luta política. São os sucessores dos poderosos senhores de engenho ou do café, que controlavam tudo, do crédito na venda aos votos colocados na urna a cada eleição. Esse Brasil, no entanto, foi reduzido, ficou geograficamente menor.

Essa característica brasileira parece não existir para aqueles setores que se dedicam a criar e vender falsas imagens de ordem, progresso e moralidade. A pregação monolítica desses extratos sociais representandos pela mídia pretende, à força da repetição, condicionar atitudes, formar hábitos e conter os anseios populares em limites por eles estabelecidos. Uma complexa engrenagem publicitária se encarrega de fazer campanhas dessa natureza, mostrando um país com ares de gente rica, que compra mais carros e mais eletrodomésticos, que viaja mais, que festeja mais, graças a suas doutrinas e aos seus mandamentos.

Comunistas e os filo-comunistas
Os métodos desses arautos da mentira, que vivem de jogadas financeiras e de notórias negociatas, nada ficam a dever ao nazi-fascismo. Tenho sempre presente na memória esse fato porque as fórmulas da direita invariavelmente recorrem a tais práticas. Para documentar-me, procuro estudar o que foi aquela experiência, tão bem retratada em obras como Diário — últimas anotações, 1945, de Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Adolf Hitler;Ascensão e queda do Terceiro Reich, de William Shirer; e Por Dentro do Terceiro Reich, de Albert Speer. Nelas é fácil verificar, em inúmeras passagens, como se produzem ondas de mentiras ou de meias-verdades.

Hitler e Goebbels puseram a culpa dos seus atos de loucura nos “judeus internacionais” e nos “comunistas”. Os porta-vozes do conservadorismo brasileiro repetem monotonamente que os comunistas e os filo-comunistas são os culpados por não termos um país sustentado em bases morais ditadas por eles. Trata-se, sabemos muito bem, de espetacular hipocrisia. O que eles não toleram mesmo é a luta por uma vida melhor, mais justa e mais digna para o povo. Isso fica evidente nos ataques à vida política brasileira. Não se conhece outra forma para fazer o país avançar sem a ampliação da democracia, com partidos organizados e representativos, com vida regular das instituições e com amplo direito à informação.

O sistema partidário brasileiro, desde a política regional das oligarquias, tem sido caracterizado por organizações político-eleitorais de representação, predominantemente, das classes dominantes. Em poucos interregnos sobressaíram, como forças dominantes, partidos de raízes populares. As arenas decisórias sempre ofereceram alternativas que não ameaçavam o status quo. Nas poucas ocasiões em que as forças progressistas se apresentaram com condições reais de assumir as rédeas do processo histórico brasileiro, essas representações dominantes reagiram com violência. Foi assim em 1937, com o golpe do Estado Novo após a insurreição de 1935; foi assim na década de 1940 com a densidade eleitoral do Partido Comunista do Brasil (então PCB); foi assim com a efervescência das massas no início da década de 1960; está sendo assim agora.

Atitude de Juscelino Kubitschek
Essa condensação tem como fio condutor, que perpassa e une essas etapas golpistas, o que a etimologia define como mass media, “meios (de comunicação) de massas”, instrumento mediador, elemento intermédio. Ou por outra: aquilo que medeia uma ideologia. No Brasil, essa ideologia, que já foi chamada de “pensamento único”, expressa o propósito político e os usos e costumes dos conservadores — a elite brasileira.

Conferir credibilidade ao seu projeto equivale a fundar, hoje, um partido a favor do colonialismo. A ideologia conservadora guerreia com o Brasil em transformação pelo menos desde o início da década de 1940 do século XX, quando as forças populares começaram a deixar de ser marginais para tornarem-se capazes de influir no grande jogo político do país. Um exemplo disso foi a atitude de Juscelino Kubitschek que, por conta do sentimento patriótico entre o povo desenvolvido pelos setores progressistas da sociedade, em sua campanha eleitoral para a Presidência da República foi forçado a reformular a sua proposta de governo sobre o petróleo, conforme ele mesmo disse.

Por não expressar os anseios do povo, as organizações partidárias da ideologia conservadora sempre foram efêmeras, no mais das vezes formadas para disputar eleições. O que tem dado sustentação ao seu programa de governo, desde tempos remotos, é exatamente a mídia. Em torno dela se organizam movimentos que, por não ter nada a oferecer ao povo em termos de futuro, apelam para a hipocrisia, para as campanhas difamatórias, para os falsos moralismos. Numa palavra: para o golpismo. Nessa trajetória golpista, há uma data determinada para se ter uma referência da mídia que existe hoje no Brasil — 1º de abril de 1964, quando os conservadores consolidaram o golpe que tentavam há muito tempo.

História da imprensa no Brasil
Os golpistas promoveram substanciais reformas legislativas com a outorga dos Atos Institucionais (AIs) que submeteram a mídia ao completo domínio da ideologia conservadora. O AI-2, de 27 de outubro de 1965, dizia que não seria “tolerada propaganda de guerra, de subversão da ordem ou de preconceitos de raça e de classes”. Para o regime, “subversão”, conceito não definido na legislação, era tudo aquilo que as forças progressistas defendiam. A Constituição de 1967 consolidou todos os atos discricionários anteriormente preparados. O AI-5, de 13 de dezembro de 1968, reforçou ainda mais o controle do regime sobre a liberdade de expressão.
A mídia tratou de se adequar rapidamente ao novo sistema. Nelson Werneck Sodré, em sua obra História da imprensa no Brasil, publicada em 1966, insinua — possivelmente para fugir da censura e da repressão — que o jornalismo conservador se integrou facilmente às novas regras. “O desenvolvimento da imprensa no Brasil foi condicionado, como não podia deixar de ser, ao desenvolvimento do país. Há, entretanto, algo de universal, que pode aparecer mesmo em áreas diferentes daquelas em que surgem por força de condições originais: técnicas de imprensa, por exemplo, no que diz respeito à forma de divulgar, ligadas à apresentação da notícia”, escreveu.

Segundo ele, o jornalismo americano criou o lead, cujos princípios se fundaram na regra dos cinco W e um H; qualquer foca americano sabe que a notícia deve conter, obrigatoriamente, os seguintes elementos: Who, que; When, quando; Where, onde; Why, por quê; e How, como. “Qualquer jornalista sabe, por outro lado, estabelecer a distinção entre o que é a notícia e o que não interessa, dentro daquela malícia de Charles Dana que, para ensinar a alguém essa diferença elementar, contou: ‘Se um homem vai andando pela rua e um cão o morde, isso não é notícia, a não ser que esse homem tenha projeção política, social, financeira, notoriedade por qualquer motivo; mas se um homem morde um cão, isso é notícia’”, afirmou.

Orientação empresarial
Sempre se referindo ao jornalismo americano, Nelson Werneck Sodré escreveu que o “foca” (jornalista principiante), utilizando aplicadamente a técnica do lead, “transforma qualquer sinal de um problema social constante em fatos isolados que se repetem diariamente e cujas raízes reais ficam apagadas sob os detalhes específicos de cada história”. É o que se vê na mídia, um veículo repetindo o outro, todos divulgando as mesmas coisas, com a mesma conotação. A criminalidade, os efeitos da pobreza, a corrupção, os problemas ambientais e o que mais for de relevância para a sociedade se perdem entre doses diárias maciças de propaganda ideológica conservadora.

A informação fragmentada, sem mostrar a relação de um acontecimento e sua causa, na verdade é uma técnica de encobrir os interesses e as relações econômicas dos grupos monopolistas que controlam a mídia na estrutura da sociedade de classes. O golpe de 1964 moldou essa configuração de maneira mais sólida, mas ela vinha sendo ensaiada desde quando o movimento nacionalista no Brasil começou a ganhar projeção com o objetivo de combatê-lo.

Na ditadura militar, além da conhecida negociata envolvendo a Editora Abril e a Rede Globo, outras negociatas favoreceram os grupos que hoje dominam a mídia — como O Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo, a Editora Abril, que também deram amplo respaldo ao regime de 1964 e foram devidamente recompensados pelos golpistas. O rompimento de Júlio de Mesquita Filho, do grupo O Estado de S. Paulo, com a ditadura, por exemplo, começou quando Castelo Branco não contemplou todos os seus interesses na formação do ministério. Quem conta a história é ninguém menos do que Armando Falcão, homem das entranhas do regime, no livroTudo a declarar. O grupo de Júlio Mesquita Filho continuou apoiando o regime, mas a relação com o governo começou a se deteriorar, explica Armando Falcão.

Opinião desinformada
No dia 1º de abril de 1964, O Estado de S. Paulo saudou o golpe com um editorial intitulado “São Paulo repete 32” — uma alusão à chamada “revolução constitucionalista”, da qual o principal líder civil era o então dono do jornal, Júlio de Mesquita Filho, para quem “o império da lei e da justiça” só poderia ser restabelecido no dia em que São Paulo voltasse “à sua condição de líder insubstituível da nação''. Era o pensamento da direita brasileira, insatisfeita com a Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas, já manifestado por Hipólito da Costa em 1808 quando surgiu o primeiro jornal brasileiro, o Correio Brasiliense — mesmo ano da criação da imprensa no Brasil. “Ninguém deseja mais do que nós as reformas úteis, mas ninguém se aborrece mais do que nós que essas reformas sejam feitas pelo povo”, disse ele.

Quando se aproximava o período mais duro da ditadura, em 11 de junho de 1968, O Estado de S. Paulo defendeu, em editorial, a censura a peças teatrais. "Foi uma oportuna manifestação a que se registrou recentemente na Assembleia Legislativa, pela palavra do deputado Aurélio Campos, sobre os excessos que se tem verificado em representações teatrais no terreno do desrespeito aos mais comezinhos preceitos morais. O mundo teatral — tanto os atores e atrizes como os autores — vêm movendo uma campanha sistemática contra a censura, e como esta nem sempre é exercida por autoridades à altura de tão graves e, às vezes, tão delicadas questões, a tendência de muitos é cerrar fileiras entre os que combatem”, disse o jornal.

Nesse ambiente que premia sistematicamente a indignação, pouco importando se ela se baseia ou não em fatos, tornou-se regra conferir respeitabilidade à opinião desinformada. Ser contra tudo é igualar tudo, o melhor e o pior, o mais limpo e o mais corrupto dos governantes. FHC, para ficar apenas num caso exemplar, não tem moral para ser igualado a Lula e a Dilma. Ao vencer essa onda fascista, portanto, Dilma está dizendo a todo o país, numa palavra, o seguinte: a tarefa número 1, número 2 e número 3 agora é a luta para governar. E isso quer dizer, entre outras coisas, democratizar a comunicação.

*Osvaldo Bertolino é jornalista, editor do Portal Grabois e colaborador da revista Princípios.


Dilma: "Quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora"


O primeiro pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff depois que as urnas deram a ela o segundo mandato foi realizado às 21h30 em um hotel em Brasília-DF com a presença de presidentes dos partidos da base aliada, autoridades políticas e militantes.


“Eu queria cumprimentar e agradecer a cada um de vocês. Começo saudando o ex-presidente Lula. Dirijo meu agradecimento ao vice-presidente da República, Michel Temer.” Dilma cumprimentou ainda o presidente do PT, Rui Falcão, o presidente do PDT, Carlos Lupi, e o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, além dos ministros, deputados, senadores, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, “que me honram com a sua presença”, disse. 

Bastante rouca, a presidenta pediu por várias vezes silêncio para o público que, entusiasmado, aclamava seu nome. “Chegamos ao final de uma disputa eleitoral que mobilizou todas as forças do nosso país, da nação. Como vencedora eu tenho palavras de agradecimentos”, disse Dilma.

A presidenta agradeceu ainda à sua militância dizendo que eles sustentaram a aliança e foram decisivos para a vitória. “Agradeço a cada um e a cada uma dos militantes combativos, que foi a alma e que foi a força que nos levou à vitória. Agradeço sem exceção a todos os brasileiros e brasileiros. Eu faço o agradecimento ao militante número um, das causas do povo e do Brasil, o presidente Lula.” 

“Conclamo sem exceção a todas as brasileiras e a todos os brasileiros para nos unirmos em favor do futuro de nossa pátria, de nosso país e de nosso povo. Não acredito sinceramente que essas eleições tenham dividido o país ao meio, entendo que elas mobilizaram ideias e emoções em sentimento comum em busca por um futuro melhor para o país.” 

Dilma fez ainda um chamamento à base e a união e disse que o seu primeiro compromisso do segundo mandato, será o diálogo. “Quando uma reeleição se consuma tem que ser entendida como um voto de esperança dado pelo povo na melhoria do governo. É um voto de esperança, muito especialmente na melhoria dos atos realizados até então. Eu sei o que o povo diz nas urnas, por isso, quero ser uma presidenta muito melhor do que foi até agora. Quero ser uma pessoa melhor. Quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora. Esse sentimento de superação deve não apenas impulsionar o governo, mas toda a nação.” 

A presidenta disse ainda que entendeu que uma das palavras mais comentadas nesta campanha foi a mudança e o tema mais amplamente enfocado foi a reforma. Ela disse que vai fazer as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige. “Podem ter certeza estou pronta a responder essa convocação.” 

Dilma falou ainda do poder de liderar as grandes causas populares e disse que assim o fará. “A minha disposição mais profunda é de liderar da forma mais pacífica e democrática. Estou disposta a abrir um grande diálogo em todos os setores da sociedade para encontrar soluções mais rápidas.” 

Reforma Política
“Meu compromisso como ficou claro é deflagrar esta reforma que é responsabilidade do Congresso e que deve mobilizar a sociedade através de um plebiscito, como instrumento dessa consulta nós vamos encontrar a legitimidade exigida à reforma política. Quero discutir este tema profundamente com o Congresso e a população, tenho a convicção de todas as forças ativas na nossa sociedade para abrir a discussão e encaminhar. Quero discutir com todos os movimentos sociais e todas as forças da sociedade civil, quando cito a reforma política a importância das demais reformas que temos também a obrigação de promover. Terei um compromisso com o combate à corrupção, fortalecendo as instituições de controle e propondo mudanças. Anunciei medidas muito importantes para que o país como um todo enfrente a corrupção e acabe com a impunidade.” 

Dilma falou ainda da retomada do crescimento da economia, da garantia dos altos índices de emprego, da parceria dos setores produtivos e financeiros, do combate à inflação e “o estímulo do diálogo com todas as forças produtivas antes mesmo do inicio do meu próximo governo eu prosseguirei nessa tarefa”. 

“É hora de cada um confiar no Brasil.” Dilma falou do privilégio de pertencer cada vez mais a uma sociedade próspera e mais justa. “O Brasil, este nosso querido país, saiu maior dessa disputa e eu sei da responsabilidade que pesa sobre os meus ombros.” A presidenta falou ainda do “país ser mais inclusivo, mais moderno, o país da solidariedade. Um Brasil que valoriza o trabalho e a energia empreendedora, com um olhar especial para as mulheres, os negros e os jovens, um Brasil voltado para a educação, cultura, ciência e inovação”.

A presidenta reeleita chamou a sociedade a se dar as mãos e avançar nessa caminhada e construir o presente e o futuro. “O carinho e o afeto e o apoio que recebi me dão energia para seguir em frente com muito mais dedicação. Estou mais forte, mais serena e mais madura”, disse.

“Brasil, esta filha tua mais uma vez não fugirá da luta. Viva o Brasil, Viva o povo Brasileiro!”, finalizou.


Da Redação do Vermelho,Eliz Brandão

Dilma e Aécio agradecem aos eleitores nas redes sociais


No Twitter, Dilma tem 6,3 mil curtidas e 11 compartilhamentos. No Facebook, foram 174 mil curtidas e 103,5 mil compartilhamentos. A publicação foi feita quando o resultado foi oficializado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Com 99,52% das urnas apuradas, Dilma tem 51,59% dos votos válidos e Aécio Neves, do PSDB, 48,41%.

Aécio também agradeceu aos eleitores. Publicou no Facebook uma foto com os braços abertos com a mensagem: "Obrigado!". A publicação, feita há poucos minutos, teve 24 mil curtidas e 1,6 mil compartilhamentos.

No Twitter, a equipe do candidato publicou techos do discurso feito por Aécio. "Muito obrigado. Eu serei eternamente grato aos brasileiros que me receberam tão bem"; "Aécio diz que que já ligou e cumprimentou à presidente reeleita"; e "Aécio afirmou ainda que fez uma campanha honrada para unir o Brasil".

Fonte: Agência Brasil

Carta Aberta aos Trabalhadores dos Bancos Públicos Federais

Minhas caras e meus caros trabalhadores dos Bancos Públicos Federais, 

É com satisfação, carinho e confiança que me dirijo a vocês. Satisfação por termos cumprido, desde o primeiro dia de governo do Presidente Lula e em todo meu governo, nosso compromisso com o fortalecimento dos bancos públicos. Recuperamos a capacidade do Banco do Brasil, da Caixa, do BNDES, do BNB e do BASA de atuar em favor do Brasil.
 
O primeiro e fundamental passo foi a valorização dos bancários, recuperando o valor dos salários com aumentos reais, aumentando o valor da PLR, preservando o emprego e aumentando o quadro de funcionários, restabelecendo direitos que foram retirados dos trabalhadores por governos anteriores e incorporando reivindicações do movimento sindical.
 
Tenho um carinho especial pelos bancos públicos que, nos últimos 12 anos, encontraram um caminho de agentes de políticas públicas, em que se combinaram a atuação no mercado e o seu papel social.
 
O comportamento dos bancos públicos na crise em 2009 foi exemplar, quando, por orientação do Governo Federal, forneceram crédito em grande volume para que a sociedade brasileira mantivesse a atividade econômica e o nível de emprego.
 
Enquanto os bancos privados reduziam o crédito e encareciam seu custo, os bancos federais aumentaram os recursos disponíveis e permitiram a continuidade da geração de emprego e renda.
 
O protagonismo dos bancos públicos é inegável e os avanços da economia brasileira nos últimos 12 anos tiveram nestas instituições um grande suporte financeiro.
 
É esse o modelo que defendemos, ao contrário do modelo tucano que relegou os bancos públicos a meros coadjuvantes do sistema financeiro privado, deixando a atividade produtiva à mercê de extorsivas taxas de juros. Sabemos onde vai dar esse caminho equivocado: demissão, arrocho e, por fim, privatização, como ocorreu com os bancos estaduais no passado.

Acreditamos que há espaço para todos, dentro de uma concorrência saudável e com papéis complementares.
 
Mas o Brasil não pode abdicar do potencial indutor da economia que têm os bancos públicos. O que seria do crédito agrícola sem o Banco do Brasil? Como poderíamos incentivar a construção civil e a construção de moradias sem a Caixa? Como financiaríamos obras de infra-estrutura, de suprimento de energia e em apoio aos investimentos das indústrias sem o BNDES? Como incentivaríamos o desenvolvimento regional sem o BASA e o BNB?
 
Programas como o Minha Casa Minha Vida, Pronaf, FIES, Bolsa Família, o desenvolvimento regional sustentável, a inclusão digital, os investimentos em infraestrutura como os VLTs, BRTs, aeroportos, hidrelétricas, energia eólica, somente têm sucesso com o apoio operacional e o financiamento dos bancos públicos.
 
Tenho confiança de que estamos no caminho certo em nosso compromisso com o fortalecimento dos bancos públicos, que são indispensáveis para a economia brasileira e um patrimônio da sociedade.
 
Juntos, bancos públicos, seus funcionários e o Governo Federal, fizemos muito, e faremos muito mais.
 


Dilma Rousseff