terça-feira, 21 de outubro de 2014
Lula: Quando os tucanos governaram o Nordeste era tratado a pão e água
Em entrevista a Rádio Jornal, no programa de Geraldo Freire, de Recife (Pernambuco), na segunda-feira (20), o ex-presidente Lula enfatizou que os tucanos nunca olharam para o Norte e Nordeste do Brasil.
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
"Queremos apenas que o Nordeste recupere tudo que perdeu no século XX”, enfatizou Lula
“Houve um tempo em que essa gente governou o Brasil e o Nordeste era tratado a pão e água. Tudo era pensado para a região mais desenvolvida do país e pouquíssimo para as regiões menos desenvolvidas”, pontuou Lula.O ex-presidente lembrou que durante seu governo, quando reunia esforços para levar a Fiat e outras empresas para a região, “Aécio chegou a propor medida provisória” no Congresso para impedir a ida da empresa. “Esse tipo de gente que nunca contribuiu para o desenvolvimento do Norte e Nordeste sempre achou que essas regiões deveriam aparecer na imprensa como campeãs da seca, campeãs do analfabetismo, do desemprego. Nós resolvemos mudar isso”, afirmou.
Lula destacou que, assim como ele, a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição, tem compromisso com o desenvolvimento regional. “Não queremos tirar nada de nenhum estado brasileiro, mas queremos apenas que o Nordeste recupere tudo que perdeu no século XX”, ressaltou. E completa: “É por isso que eu tenho a certeza que a companheira Dilma jamais vai negar algum recurso para as regiões Nordeste e Norte desse País”.
O ex-presidente frisou que a importância das conquistas dos últimos 12 anos e como tem mudado a vida do povo nordestino. “A coisa que mais me dá orgulho é levar universidades no Nordeste. Pra gente colocar os nordestinos nas páginas dos jornais como sinônimo de desenvolvimento. O povo nordestino não deve nada para mim, nem para a Dilma. Nós é que devemos a eles”.
Governamos para o povo
Na entrevista, Lula foi questionado sobre como ficará a relação com governador eleito Paulo Câmara (PSB), caso a presidenta vença o segundo turno. Isso por conta do apoio de Câmara ao Aécio neste segundo turno. “Nós demos uma demonstração de uma forma republicana de governar. Se o governador tem uma boa relação, melhor, mas se não tem a gente não rejeita. A gente governa é para o povo não para os governos”, disse ele resgatando como Miguel Arraes era tratado por Fernando Henrique no governo federal e como foi o governo da Jarbas Vasconcelos durante o seu governo.
Dilma faz aeroporto para o povo. Aécio para o tio
Sobre as promessas do candidato tucano Aécio Neves (PSDB), Lula destacou: “Acabei de ouvir falar de uma tal de ‘farmácia do trabalhador’. É engraçado que depois de 12 anos governando Minas não exista nenhuma lá. Nem a Farmácia Popular ou o Aqui Tem Farmácia, programas do governo federal, não foram estimuladas por ele”.
Lula argumentou que enquanto Aécio promete o que ele não fez em Minas Gerais, quando governou, Dilma mostra o que já fez e propõe avançar. “Dilma tem que propor coisas para o futuro a partir do que ela fez hoje, ontem, antes de ontem. E o Nordeste é testemunha”, enfatizou Lula, citando as reformas nos aeroportos de todo o Brasil. “O aeroporto de Recife foi remodelado para o povo. O aeroporto de Brasília foi mudado para o povo. O de São Paulo para readequando para o povo. Do Rio de Janeiro a mesma coisa. O único que Aécio fez foi para o tio”.
A reeleição também foi abordada na entrevista. “Eu era contra, mas descobri que um mandato de quatro anos não permite que o presidente faça nenhuma obra reestruturante. E uma reeleição permite que comece uma obra e termine... Tenho consciência de que meu segundo mandato foi muito melhor do que o primeiro”, destacou ele, lembrando que foram os tucanos que aprovaram a reeleição.
Lula finalizou a entrevista dizendo: “O problema dos tucanos é que eles têm voo curto e não conseguem sair do Centro-Sul e Sudeste. Não sabem governar para o Nordeste. Não tem voo. Só tem pico. São predadores”.
Fonte: Rádio Jornal de Pernambuco via Vermelho
O que será feito do ódio e de sua linguagem?
Venicio A. de Lima *
Em abril de 2014, depois de visitar várias regiões do país lançando seu premiado romance K, o escritor e jornalista Bernardo Kucinski recuperou a palavra “politicídio” para descrever o que antecipou como “uma mobilização em marcha para exterminar o PT da sociedade brasileira, a começar pela sua presença no imaginário da população”.
Saul Leblon comentou na Carta Maior:
“A aspiração não é nova nas fileiras conservadoras. Em 2005, já se preconizava livrar o país ‘dessa raça pelos próximos trinta anos’. Jorge Bornhausen, autor da frase, reúne credenciais e determinação para levar adiante seu intento. (...) A verdadeira novidade é a forma passiva como um pedaço da própria intelectualidade progressista passou a reagir diante dessa renovada determinação de exterminar o PT da vida política nacional” (íntegra aqui).
Nos meses que antecederam à realização da Copa do Mundo de Futebol presenciamos a uma intensa e uniforme campanha de descrédito que celebrava o fracasso antecipado em expressões do tipo “Não vai ter Copa”. Fracasso antecipado pela incapacidade brasileira – mas, sobretudo, do governo brasileiro – de realizar um evento dessa magnitude.
Superada a Copa do Mundo, iniciou-se o ciclo eleitoral propriamente dito e recrudesceu a indisfarçável partidarização da grande mídia em níveis desconhecidos até aqui. Hegemoniza-se rapidamente, não só na grande mídia, mas também nas redes sociais, uma assustadora “linguagem do ódio” – incluindo a edição deliberada de imagens – contra os governos liderados pelo PT nos diferentes níveis da administração pública e contra petistas que os apoiam.
Talvez a característica mais forte dessa “linguagem do ódio” seja a utilização dos verbos “acabar”, “varrer”, “eliminar”, “exterminar”, “expulsar”, “aniquilar” que contamina e, em muitos, casos transita de um para outro lado da disputa, como se estivéssemos numa guerra civil em que o lado derrotado devesse ser “banido” da face da terra.
E o pós-eleições?
Há alguns anos tenho escrito sobre processos de intolerância que vêm sendo construídos e estimulados por uma grande mídia cada vez mais partidarizada e, de fato, sem compromisso verdadeiro com o processo democrático. A menos de uma semana do segundo turno da eleição para Presidência da República e para governadores de 14 estados da Federação, não é possível ignorar o nível de irracionalidade e polarização a que se chegou à disputa eleitoral.
A questão incontornável é o que será feito do ódio e de sua linguagem que vêm sendo construídos e estimulados com a participação ativa da grande mídia ao longo dos últimos muitos meses, independentemente dos resultados das urnas. Como se comportarão os oligopólios da mídia partidarizada, derrotados ou vitoriosos, depois das omissões e distorções evidentes em favor de uma das posições políticas em disputa?
Infelizmente – inclusive, levando-se em conta o comportamento da grande mídia nos estados onde haverá segundo turno também para governador – não há indícios de que a linguagem do ódio desaparecerá com a realização do segundo turno. Ao contrário.
O que é possível fazer para que se restabeleçam as condições mínimas de tolerância necessárias à convivência democrática?
A ver.
Ao fazer um balanço crítico do ano que chegava ao fim, na perspectiva da atuação da mídia brasileira, escrevi neste Observatório, em dezembro de 2013:
“O que de mais importante aconteceu no nosso país de 2005 para cá – vale dizer, ao longo dos últimos oito anos – e se consolidou em 2013 com as várias semanas de julgamento televisionado, ao vivo, no Supremo Tribunal Federal – foi a formação de uma linguagem nova, seletiva e específica, com a participação determinante da grande mídia, dentro da qual parcela dos brasileiros passou a ‘ver’ os réus da Ação Penal nº 470, em particular aqueles ligados ao Partido dos Trabalhadores. (...) Nos últimos anos ‘mensalão’ passou a ser ‘um esquema de corrupção’ e tornou-se ‘mensalão do PT’, enquanto situações idênticas e anteriores, raramente mencionadas, foram identificadas pela geografia e não pelo partido político (‘mensalão mineiro’). Como resultado foi se construindo sistematicamente uma associação generalizada, seletiva e deliberada entre corrupção e os governos Lula e o PT, ou melhor, seus filiados e/ou simpatizantes. (...) A generalização seletiva tornou-se a prática deliberada e rotineira da grande mídia e, aos poucos, as palavras ‘petista’ – designação de filiado ao Partido dos Trabalhadores – e ‘mensaleiro’ se transformaram em palavrões equivalentes a ‘comunista’, ‘subversivo’ ou ‘terrorista’ na época da ditadura militar (1964-1985). ‘Petista’ e ‘mensaleiro’ tornaram-se, implicitamente, inimigos públicos e sinônimos de corruptos e desonestos” (ver “A linguagem seletiva do ‘mensalão’“).Em abril de 2014, depois de visitar várias regiões do país lançando seu premiado romance K, o escritor e jornalista Bernardo Kucinski recuperou a palavra “politicídio” para descrever o que antecipou como “uma mobilização em marcha para exterminar o PT da sociedade brasileira, a começar pela sua presença no imaginário da população”.
Saul Leblon comentou na Carta Maior:
“A aspiração não é nova nas fileiras conservadoras. Em 2005, já se preconizava livrar o país ‘dessa raça pelos próximos trinta anos’. Jorge Bornhausen, autor da frase, reúne credenciais e determinação para levar adiante seu intento. (...) A verdadeira novidade é a forma passiva como um pedaço da própria intelectualidade progressista passou a reagir diante dessa renovada determinação de exterminar o PT da vida política nacional” (íntegra aqui).
Nos meses que antecederam à realização da Copa do Mundo de Futebol presenciamos a uma intensa e uniforme campanha de descrédito que celebrava o fracasso antecipado em expressões do tipo “Não vai ter Copa”. Fracasso antecipado pela incapacidade brasileira – mas, sobretudo, do governo brasileiro – de realizar um evento dessa magnitude.
Superada a Copa do Mundo, iniciou-se o ciclo eleitoral propriamente dito e recrudesceu a indisfarçável partidarização da grande mídia em níveis desconhecidos até aqui. Hegemoniza-se rapidamente, não só na grande mídia, mas também nas redes sociais, uma assustadora “linguagem do ódio” – incluindo a edição deliberada de imagens – contra os governos liderados pelo PT nos diferentes níveis da administração pública e contra petistas que os apoiam.
Talvez a característica mais forte dessa “linguagem do ódio” seja a utilização dos verbos “acabar”, “varrer”, “eliminar”, “exterminar”, “expulsar”, “aniquilar” que contamina e, em muitos, casos transita de um para outro lado da disputa, como se estivéssemos numa guerra civil em que o lado derrotado devesse ser “banido” da face da terra.
E o pós-eleições?
Há alguns anos tenho escrito sobre processos de intolerância que vêm sendo construídos e estimulados por uma grande mídia cada vez mais partidarizada e, de fato, sem compromisso verdadeiro com o processo democrático. A menos de uma semana do segundo turno da eleição para Presidência da República e para governadores de 14 estados da Federação, não é possível ignorar o nível de irracionalidade e polarização a que se chegou à disputa eleitoral.
A questão incontornável é o que será feito do ódio e de sua linguagem que vêm sendo construídos e estimulados com a participação ativa da grande mídia ao longo dos últimos muitos meses, independentemente dos resultados das urnas. Como se comportarão os oligopólios da mídia partidarizada, derrotados ou vitoriosos, depois das omissões e distorções evidentes em favor de uma das posições políticas em disputa?
Infelizmente – inclusive, levando-se em conta o comportamento da grande mídia nos estados onde haverá segundo turno também para governador – não há indícios de que a linguagem do ódio desaparecerá com a realização do segundo turno. Ao contrário.
O que é possível fazer para que se restabeleçam as condições mínimas de tolerância necessárias à convivência democrática?
A ver.
* é professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
Dilma é a união do Brasil democrático e popular por mais mudanças
Durante a semana passada, o candidato neoliberal e conservador à Presidência da República, Aécio Neves, tentou vender a imagem de que lidera um “grande movimento de transformação e alianças”. Chegou a dizer que a vida política brasileira passa por “novo alinhamento” e invocou a figura de Tancredo Neves, um dos líderes políticos da luta contra a ditadura.
Nada mais falso. Como tudo o que o candidato do PSDB tem dito e proposto ao longo da campanha eleitoral, é mais uma tese que não tem correspondência com os fatos. No caso em tela, mais uma falsificação da História.
Tancredo Neves, político tradicional que representava setores democráticos das classes dominantes, tinha como característica principal a moderação e movia-se pelo propósito de promover a conciliação nacional. Embora esta fosse irrealizável em face dos antagonismos sociais do país, o projeto de Tancredo era em essência generoso e progressista e teve a virtude de contribuir para a união dos brasileiros para superar a ditadura militar. Eleito presidente da República na última eleição indireta, em 15 de janeiro de 1985, tendo por vice José Sarney, Tancredo não assumiu o posto por uma fatalidade que comoveu a nação. Deixou, porém, uma mensagem que calou fundo nos corações e mentes do povo brasileiro, fonte de inspiração para a obra que hoje é realizada sob a liderança das forças progressistas: “Não vamos nos dispersar”!
Nisto consiste a diferença essencial, no conteúdo e na forma, entre a mensagem do presidente Tancredo e a do seu neto, Aécio Neves. O velho liberal-democrata queria unir o Brasil para livrar o país da crise e de todas as mazelas deixadas por 21 anos de ditadura militar. Unir os brasileiros para varrer para sempre a ditadura militar, nisso estava a sabedoria e o valor da mensagem do velho Tancredo.
Que propõe Aécio hoje? Unir os neoliberais, conservadores, reacionários, falsos socialistas, ecologistas de fachada para ... derrotar o PT, varrer o PT, acabar com a “raça” do PT. Não se trata da união de forças democráticas, que inclui as de centro, para dar um passo histórico à frente, mas da formação de um condomínio de forças retrógradas para fazer a roda da História girar para trás.
Sob a liderança de Lula e Dilma, o governo das forças progressistas foi capaz de constituir um sistema de alianças que vai da esquerda, nucleada pelo PT, o PCdoB e o PDT, até o centrista PMDB de Michel Temer e José Sarney. Uma aliança que contém elementos contraditórios e implica limitações na realização de reformas e mudanças, mas que corresponde objetivamente à correlação de forças da luta política e social do Brasil contemporâneo. É esta aliança que tem criado as condições para a vigência do Brasil democrático e popular, a união das forças vivas e emergentes da nação para assegurar o rumo progressista do governo.
No quadro atual, as transformações políticas e sociais mais profundas estão relacionadas com a acumulação de forças para a criação de uma nova unidade do povo brasileiro, a fim de enfrentar inimigos poderosos – as classes dominantes retrógradas e o imperialismo. Como dizia o antigo líder histórico dos comunistas brasileiros, João Amazonas, “a unidade é a bandeira da esperança”.
O Brasil vive há 12 anos uma nova etapa política. Depois de três mandatos presidenciais, que mudaram o país, o cenário atual exige como tarefa prioritária a “renovação da esperança”, como adequadamente assinala o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, para o que é indispensável a unidade de todas as forças suscetíveis de serem unidas e que querem mudar o Brasil no sentido do aprofundamento da democracia, do reforço da soberania nacional e da conquista do progresso social.
No novo alinhamento de forças que emergirá das urnas de 26 de outubro, será necessário lutar pela constituição de uma frente de afinidades de esquerda, que não será apenas eleitoral, mas abrangerá partidos políticos, organizações e movimentos populares, sindicais, juvenis, femininos, culturais, com toda a diversidade de bandeiras e enfoques, assim como personalidades independentes. É algo indispensável para uma inflexão à esquerda e mais ofensividade na luta por reformas estruturais democráticas.
O primeiro passo é reeleger Dilma presidenta da República, a líder capaz de assegurar mais mudanças, consolidar a democracia, a soberania nacional e promover um consistente progresso social.
Fonte: Vermelho
Nada mais falso. Como tudo o que o candidato do PSDB tem dito e proposto ao longo da campanha eleitoral, é mais uma tese que não tem correspondência com os fatos. No caso em tela, mais uma falsificação da História.
Tancredo Neves, político tradicional que representava setores democráticos das classes dominantes, tinha como característica principal a moderação e movia-se pelo propósito de promover a conciliação nacional. Embora esta fosse irrealizável em face dos antagonismos sociais do país, o projeto de Tancredo era em essência generoso e progressista e teve a virtude de contribuir para a união dos brasileiros para superar a ditadura militar. Eleito presidente da República na última eleição indireta, em 15 de janeiro de 1985, tendo por vice José Sarney, Tancredo não assumiu o posto por uma fatalidade que comoveu a nação. Deixou, porém, uma mensagem que calou fundo nos corações e mentes do povo brasileiro, fonte de inspiração para a obra que hoje é realizada sob a liderança das forças progressistas: “Não vamos nos dispersar”!
Nisto consiste a diferença essencial, no conteúdo e na forma, entre a mensagem do presidente Tancredo e a do seu neto, Aécio Neves. O velho liberal-democrata queria unir o Brasil para livrar o país da crise e de todas as mazelas deixadas por 21 anos de ditadura militar. Unir os brasileiros para varrer para sempre a ditadura militar, nisso estava a sabedoria e o valor da mensagem do velho Tancredo.
Que propõe Aécio hoje? Unir os neoliberais, conservadores, reacionários, falsos socialistas, ecologistas de fachada para ... derrotar o PT, varrer o PT, acabar com a “raça” do PT. Não se trata da união de forças democráticas, que inclui as de centro, para dar um passo histórico à frente, mas da formação de um condomínio de forças retrógradas para fazer a roda da História girar para trás.
Sob a liderança de Lula e Dilma, o governo das forças progressistas foi capaz de constituir um sistema de alianças que vai da esquerda, nucleada pelo PT, o PCdoB e o PDT, até o centrista PMDB de Michel Temer e José Sarney. Uma aliança que contém elementos contraditórios e implica limitações na realização de reformas e mudanças, mas que corresponde objetivamente à correlação de forças da luta política e social do Brasil contemporâneo. É esta aliança que tem criado as condições para a vigência do Brasil democrático e popular, a união das forças vivas e emergentes da nação para assegurar o rumo progressista do governo.
No quadro atual, as transformações políticas e sociais mais profundas estão relacionadas com a acumulação de forças para a criação de uma nova unidade do povo brasileiro, a fim de enfrentar inimigos poderosos – as classes dominantes retrógradas e o imperialismo. Como dizia o antigo líder histórico dos comunistas brasileiros, João Amazonas, “a unidade é a bandeira da esperança”.
O Brasil vive há 12 anos uma nova etapa política. Depois de três mandatos presidenciais, que mudaram o país, o cenário atual exige como tarefa prioritária a “renovação da esperança”, como adequadamente assinala o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, para o que é indispensável a unidade de todas as forças suscetíveis de serem unidas e que querem mudar o Brasil no sentido do aprofundamento da democracia, do reforço da soberania nacional e da conquista do progresso social.
No novo alinhamento de forças que emergirá das urnas de 26 de outubro, será necessário lutar pela constituição de uma frente de afinidades de esquerda, que não será apenas eleitoral, mas abrangerá partidos políticos, organizações e movimentos populares, sindicais, juvenis, femininos, culturais, com toda a diversidade de bandeiras e enfoques, assim como personalidades independentes. É algo indispensável para uma inflexão à esquerda e mais ofensividade na luta por reformas estruturais democráticas.
O primeiro passo é reeleger Dilma presidenta da República, a líder capaz de assegurar mais mudanças, consolidar a democracia, a soberania nacional e promover um consistente progresso social.
Fonte: Vermelho
Breno Altman: Tucanos flertam com golpismo
O ex-governador Alberto Goldman, coordenador da campanha de Aécio Neves em São Paulo, leva seu ódio antipetista ao paroxismo. Leiam com atenção o título de seu artigo mais recente, no site do PSDB: “O Brasil rejeitou o PT. Dilma não teria condições de governar o Brasil.” Do que está falando esse cavalheiro que um dia já foi de esquerda?
Por Breno Altman*, em seu blog
Goldman parece ter finalmente concluído sua adesão ao lacerdismo e seu bordões.
O que pensa parece inspirado no que foi escrito sobre Getúlio Vargas nos anos 50. Dilma não pode vencer. Se vencer, não pode governar. Se governar tem que cair.
Esta é a linha do prócer tucano?
O álibi para tal raciocínio é aberração que fere a Constituição. “Dilma recebeu 41,5% dos votos válidos no primeiro turno das eleições. Os restantes são 58,5%”, diz o ex-comunista.
Ora, por esta tese, qualquer vitória em segunda volta é ilegítima. Afinal, só há nova votação quando o primeiro colocado recebe menos sufrágios que a soma de seus adversários.
Vejam, por exemplo, a situação de Aécio Neves. Teve apenas 33,55% dos votos válidos na primeira rodada. Os demais foram 66,45%. Sua eventual vitória em segundo escrutínio, portanto, deveria ser politicamente impugnada?
Se Dilma vencer no próximo dia 26, com 50% mais um dos votos, como manda a carta maior, terá sido eleita pela aliança entre os petistas e o veto ao retrocesso conservador, e seu mandato terá plena legitimidade.
Caso venha a ser Aécio o vitorioso, na união entre os votos tucanos e a rejeição antipetista, seu triunfo também será legítimo e o neto de Tancredo teria “condições de governar”.
O resto é conversa golpista.
Mas Goldman vai além.
“A votação do PT se sobrepõe”, afirma, “quase que com absoluta perfeição, no mapa da distribuição dos programas assistenciais, em especial do bolsa família. Abstraídos os votos dessas áreas, que deram a Dilma mais de 50% dos votos, a derrota para a oposição é muito mais expressiva”.
O impressionante é sua conclusão. “O Brasil do trabalho formal, produtivo, dos seus trabalhadores e empresários, no campo e na cidade, o Brasil da cultura e da tecnologia – essa é, de fato, a elite brasileira – rejeitou, por ampla maioria, o PT e sua candidata.”
Quer dizer que o voto dos brasileiros que ganham menos de dois salários mínimos, entre os quais Dilma teve 52%, vale menos que a “elite brasileira” identificada pelo ex-governador?
Qual seria a sugestão de Goldman para resolver esta situação que o incomoda? O voto censitário? A concessão do título de eleitor apenas aos cidadãos do que considera ser “o Brasil da cultura e da tecnologia”?
Seu discurso não é apenas antidemocrático. Apela também para o preconceito social e a fúria de classe contra os pobres. Na pior tradição da direita brasileira.
Vergonhoso outono de um homem público que caminhou entre as forças progressistas antes de saltar o alambrado.
*Diretor editorial do site Opera Mundi e blogueiro
Fonte: Vermelho
Datafolha: Dilma lidera com 52% das intenções de voto
A candidata à reeleição Dilma Rousseff lidera a corrida presidencial com 52% das intenções de voto contra 48% do candidato oposicionista Aécio Neves segundo pesquisa divulgada na noite de segunda-feira (20) pelo portal UOL.
Ichiro Guerra
A candidata à reeleição superou o oposicionista: 52% contra 48%
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a pesquisa ainda aponta um empate entre os dois postulantes ao cargo, com "viés" de elevação para Dilma, já que a taxa de rejeição a Aécio elevou-se, o contrário do que ocorreu com Dilma.
A pesquisa do instituto, que pertence ao grupo Folha, diz que 40% dos eleitores não votam no tucano "de jeito nenhum", enquanto que para Dilma a taxa está em 39%, uma situação que já era apontada nas pesquisas anteriores.
Em relação à totalidade dos votos, levando em consideração os brancos e nulos, a presidenta obteve 46% das intenções de voto e Aécio, candidato do PSDB, ficou com 43%. Brancos e nulos estão em 5% e o número de indecisos bate nos 6%.
Segundo o Datafolha, foram entrevistadas 4.389 pessoas em 257 municípios nesta segunda-feira (20). O nível de confiança do levantamento é 95% (em 100 pesquisas com a mesma metodologia, os resultados estarão dentro da margem de erro em 95 ocasiões). O registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR 01140/2014.
Do Portal Vermelho, com agências
"Vamos ganhar essa guerra, moçada", diz Dilma na Zona Leste em SP
Dilma Rousseff e Lula, durante o encontro Cultura e Juventude: Periferia com Dilma, em São Paulo Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13 |
Com a presença do ex-presidente Lula, representantes dos movimentos sociais, de Cultura, Comunicação, Juventude, Direitos Humanos e Moradia realizaram na segunda-feira (20), na Zona Leste, na capital paulista, um grande ato de apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Na ocasião foram entregues a Dilma vários manifestos específicos de apoio a sua candidatura.
Participaram no encontro também o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o deputado federal reeleito Jean Wyllys (Psol), o ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, o rapper Emicida, a cantora Tulipa Ruiz, o ator Henri Castelli e a cantora Negra Li.Antes da fala de Lula e Dilma, vários representantes dos movimentos sociais deram depoimentos emocionados sobre os avanços e as melhorias conquistadas por eles que eram antes esquecidos pelos governos passados.
Em seu discurso, Lula disse estar indignado com o clima de agressividade da campanha e criticou Aécio: "Jamais pensei que um candidato pudesse chamar uma presidenta de mentirosa diante das câmeras de televisão, de leviana... nunca imaginei que pudesse desrespeitar uma mãe, uma avó, uma mulher e, acima de tudo, a presidenta do Brasil só para deixar a Dilma nervosa", disse.
"Será que faria isso se fosse homem?", questionou. Lula lamentou ainda casos de violência contra militantes de esquerda e do PT, dizendo que "disseminaram o ódio ao PT".
Lula ironizou dizendo que mesmo contra a vontade dos adversários, Dilma será reeleita. "Dilminha, mesmo contra a vontade da imprensa e do adversário, você será reconduzida à Presidência da República."
Dilma Rousseff
Em seu discurso, Dilma falou com os milhares de presentes que respondiam com palavras de ordem e gritos calorosos. "Queria agradecer essa imensa força que vem da periferia da maior cidade do Brasil. Aqui está diversidade, a cor do país", disse.
Dilma também comparou a vida da população antes do governo Lula com a de hoje. “Antes, podia-se batalhar o que quisesse que não se conquistava uma vida melhor. Agora nós temos condições de batalhar por uma vida melhor, cada vez melhor. E é isso que vai ser julgado na urna, no dia 26”.
"Este país não pode aceitar o preconceito"
A presidenta falou ainda do seu comprometimento com os movimentos sociais. “Eu tenho o compromisso de lutar contra a discriminação à juventude negra nesse país, contra os autos de resistência. Assim como tenho um compromisso de lutar contra a violência que vitima a mulher e também lutar contra a homofobia, temos que criminalizá-la, reafirmou. E para desenvolvermos, disse a presidenta, “vamos precisar de uma reforma política”, lembrou.
O Brasil tem de ter dois fundamentos morais nessa nova etapa, disse Dilma. O primeiro é a igualdade de oportunidades e o segundo, o combate sem tréguas à corrupção.
Descontraída, Dilma pediu a colaboração de todos para o êxito nestas eleições. “Eu tenho certeza e peço que vocês me ajudem a fazer que se torne realidade a vitória. Vamos ganhar essa guerra, moçada, essa guerra do bem, das boas intenções, do governo justo, essa guerra da paz. Vamos juntos e misturados votar com consciência, com paz e amor no coração, no 13!”
Confiram as fotos do evento abaixo:
Da redação do Vermelho
Matéria atualizada às 23h40 para acréscimo de informações
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