Subiu para 7.673 o número de agências e centros administrativos de bancos públicos e privados de todo o país fechados nesta quarta-feira 1º de outubro, segundo dia da greve nacional dos bancários, conforme balanço realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf) com base nos dados enviados até as 18h pelos sindicatos que integram o Comando Nacional da categoria.
Foi um crescimento de 16,75% (1.101 agências a mais) em relação ao primeiro dia de greve, quando 6.572 unidades foram fechadas.
Os bancários pararam em São Paulo até a Vila Santander (callcenter), telebancos do HSBC e do Bradesco, os centros administrativos ITM e Tatuapé do Itaú, SAC (Serviço de Apoio ao Cliente) e o CABB (Central de Atendimento) do Banco do Brasil. Paralisaram também o callcenter do Santander no Rio de Janeiro.
"O movimento está se ampliando rapidamente no Brasil todo, o que demonstra a insatisfação dos bancários com a postura dos bancos. Os trabalhadores aumentaram a produtividade, contribuindo para que as empresas tivessem lucros recordes - somente as seis maiores instituições lucraram R$ 56,7 bilhões em 2013 e mais R$ 28,5 bilhões no primeiro semestre deste ano - e a maior rentabilidade do sistema financeiro mundial, mas os banqueiros apresentaram uma proposta econômica insuficiente e ignoraram as reivindicações sociais", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf e coordenador do Comando Nacional.
Os bancários entraram em greve na terça-feira 30 de setembro, após considerarem insuficiente a segunda proposta dos bancos que eleva o índice de reajuste de 7% para 7,35% (0,94% de aumento real) para os salários e demais verbas salariais e de 7,5% para 8% (1,55% acima da inflação) para os pisos. E os bancos nada apresentaram para acabar com as metas abusivas e o assédio moral, a rotatividade e as terceirizações, a insegurança e as discriminações.
Logo após a realização das assembleias do dia 29 de setembro, que deflagraram a paralisação, a Contraf enviou ofício à Fenaban comunicando a decisão da categoria e informando que o Comando Nacional está à disposição para a retomada das negociações.
Bancários fazem atos contra BC independente nesta quinta
Além da greve, os bancários fazem nesta quinta-feira 2 manifestações em dez capitais para combater as propostas políticas que os bancos colocaram na agenda da eleição presidencial deste ano, entre elas a independência do Banco Central, a limitação do papel dos bancos públicos e o fim do crédito direcionado.
Os atos foram convocados pelo Comando Nacional, coordenado pela Contraf, e estão recebendo apoio da CUT, da CTB e de outras centrais sindicais e movimentos sociais.
A manifestação em frente à sede do Banco Central, em Brasília, será às 17h. Haverá atos também, em horários diferentes, nas representações do BC em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Belém.
Leia aqui por que os bancários vão às ruas nesta quinta protestar contra o BC independente.
Veja abaixo a proposta completa dos bancos e as reivindicações dos bancários.
AS PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES DOS BANCÁRIOS
Reajuste salarial de 12,5%.
Piso Salarial de R$ 2.979,25
PLR: três salários mais parcela adicional de R$ 6.247.
14º salário.
Vales alimentação, refeição, cesta-alimentação, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 724,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
Gratificação de caixa: R$ 1.042,74.
Gratificação de função: 70% do salário do cargo efetivo.
Vale-cultura: R$ 112,50 para todos.
Fim das metas abusivas.
Combate ao assédio moral.
Isonomia de direitos para afastados por motivo de saúde.
Manutenção dos planos de saúde na aposentadoria.
Emprego: fim das demissões e da rotatividade, mais contratações, proibição às dispensas imotivadas como determina a Convenção 158 da OIT, aumento da inclusão bancária e combate às terceirizações.
Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
Prevenção contra assaltos e sequestros: cumprimento da Lei 7.102/83 que exige plano de segurança em agências e PABs, garantindo pelo menos dois vigilantes durante todo o horário de funcionamento dos bancos; instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento das agências; biombos em frente aos caixas e fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.
Igualdade de oportunidades para todos, pondo fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
A PROPOSTA DOS BANCOS REJEITADA PELOS BANCÁRIOS
Reajuste de 7,35% (0,94% de aumento real).
Piso portaria após 90 dias - 1.240,89 (8% ou 1,55% de aumento real).
Piso escritório após 90 dias - R$ 1.779,97 (1,55% acima da inflação).
Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.403,60 (salário mais gratificação mais outras verbas de caixa), significando 1,39% de aumento real).
PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 1.818,51, limitado a R$ 9.755,42. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 21.461,91.
PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.637,02.
...................................................................
Antecipação da PLR
Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva e a segunda até 2 de março de 2015.
Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.091,11, limitado a R$ 5.853,25 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro.
Parcela adicional - 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2014, limitado a R$ 1.818,51.
...................................................................
Auxílio-refeição - R$ 24,88.
Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 426,60.
Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 355,02.
Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 303,70.
Gratificação de compensador de cheques - R$ 137,97.
Requalificação profissional - R$ 1.214,00.
Auxílio-funeral - R$ 814,57.
Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 121.468,95.
Ajuda deslocamento noturno - R$ 85,03.
Fonte: Contraf
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Dilma, política econômica e a chantagem eleitoral dos especuladores
| Diferente de Marina e Aécio, Dilma já afirmou que tem lado e está com os trabalhadores. |
Desde o ano passado, a grande mídia tem feito um terror sobre a situação econômica do Brasil na tentativa de barrar o avanço das forças progressistas e emplacar seus candidatos, agora definidos, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), queridinhos do sistema financeiro.
Por Dayane Santos, da Redação do Portal Vermelho
A cerca de uma semana das eleições e com seus candidatos perdendo nas pesquisas, o sistema financeiro age com chantagem contra a presidenta Dilma. Isso ficou evidente depois de uma subida histórica da bolsa na sexta-feira (26), movida por boatos estrategicamente plantados que davam conta de uma pesquisa de intenção de voto que colocaria a candidata dos banqueiros Marina Silva à frente de Dilma, e de uma suposta “bomba” que apresentaria uma revista especializada em factoides.
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Proporcional à subida foi a queda do índice Bovespa na segunda-feira (29), atraído, principalmente, pela queda das ações da Petrobras e a subida do dólar. Os fatos atropelaram a boataria. Os números da pesquisa Datafolha indicaram que a posição de Dilma melhorou em relação aos seus adversários. Resultado: a Bovespa atingiu seu índice mais baixo em três anos, chegando aos 54.625 pontos, queda de 4,52%. Seguindo esse ritmo, o dólar subiu 1,6% fechando em R$ 2,47, a maior taxa desde 2008.
No mês de setembro, as baixas chegam a 12%. O dólar, por sai vez, valorizou-se 9% sobre o real nas últimas quatro semanas. Os pessimistas continuam jogando e projetam que os próximos pregões da Bovespa fiquem abaixo dos 45 mil pontos.
Boataria corre solta
Como um cenário de alta e queda pode alterar tão rapidamente a partir de um boato que contraria a realidade política, já que a campanha de Dilma tem ampliado a vantagem sobre seus adversários nas últimas semanas e, portanto, não há nenhuma novidade a ponto de explicar tal grau de irracionalidade do mercado? A explicação está na chantagem.
A imprensa pessimista tenta acobertar o ataque especulativo dando um caráter de “fato” resultante das condições da economia brasileira e do “medo” diante do que eles chamam de “incertezas” da política econômica do governo Dilma.
No entanto, essa mesma Bovespa catapultou os índices, chegando a ultrapassar os 60 mil pontos, para inflar a candidatura de Marina Silva assim que ela entrou na disputa eleitoral e saíram as primeiras pesquisas de intenção de voto. A candidata estava em empate técnico no primeiro turno com Dilma e, segundo pesquisas, venceria no segundo.
Agora, com as contradições de Marina cada vez mais escancaradas pela candidata Dilma, aumentando a sua rejeição nas pesquisas, e com Aécio Neves sem demonstração de forte recuperação, o mercado financeiro joga as suas fichas no cassino especulativo.
Dilma é adversária e não candidata do sistema financeiro
André Biancarelli, professor do Instituto de Economia da Unicamp, diretor-executivo do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon-IE/Unicamp), afirma que o mercado financeiro age assim contra a presidenta Dilma porque ela contraria os interesses do setor.
“O fato de ter uma candidata que explicitamente acusa a outra de ser a representante dos banqueiros e que diz que a prioridade do seu governo vai ser o emprego e não o mercado financeiro é sintomático de uma economia que está muito menos vulnerável à ação desses agentes do que estava em 2002”, destacou o economista, referindo-se à mesma ação do capital especulativo durante a primeira eleição de Lula em 2002.
Segundo ele, operadores menos precavidos chegam a afirmar claramente que “pelo jeito Dilma vai ser eleita mesmo” e, portanto, “tem que fazer pressão, quase que terrorista, porque ela só vai ceder na base da ameaça”.
| Queda do Ibovespa chegou a 54.625 pontos na segunda (29). |
Especulação eleitoral
Sobre a queda da bolsa, Biancarelli não tem dúvidas: “O que aconteceu na sexta-feira [26] é claramente um movimento de especulação eleitoral das mais cristalinas. Disseminou-se um boato de que a Dilma iria cair nas pesquisas, que haveria uma notícia que acabaria com a candidatura da Dilma e muita gente ganhou dinheiro. Afinal, quando a bolsa cai ou sobe muita gente ganha, o que demonstra a miopia desse setor com relação à realidade política. É um cassino e tem gente que cai muito bem nesses boatos”, pontuou.
O economista destaca ainda que o setor não é imune ao processo eleitoral, mas não afetaria tanto se os interesses não fossem tão latentes. “O mercado tem uma candidata, ou melhor, nesse caso tem uma adversária com capacidade de contrariar seus interesses”, argumentou ele referindo-se a Dilma.
Biancarelli lembrou das eleições de 2002, em que os porta-vozes do mercado financeiro diziam que Lula representava um perigo para o Brasil. “Depois, nas eleições de 2006 e 2010, se passou sem esses problemas. Na política macroeconômica ele fez um governo menos ousado do que o mercado dizia”, resgatou.
Já o governo Dilma, disse ele, fez uma tentativa de mexer mais na política macroeconômica. “Acabou retrocedendo, principalmente no que se refere à questão das taxas de juros. Mas criou-se uma espécie de consenso de que a Dilma é excessivamente intervencionista.”
Motivos
O economista avalia que o esforço do governo Dilma em reduzir a taxa de juros e, posteriormente, transformar esse esforço numa diretriz política para outras ações da economia foi o fiel da balança. “A diretriz seria reduzir a taxa de rentabilidade da economia, que é extraordinariamente alta no Brasil. As taxas de remuneração decorrem de um patamar muito alto da taxa de juros de títulos públicos. As taxas de remuneração implícita nos contratos de concessão feitos nos anos 1990, por exemplo, eram extraordinariamente altas. Ao sinalizar com uma taxa de juros pública mais baixa e a manutenção desse patamar de rentabilidade com o dinheiro parado mais baixo, o Banco Central mostrou que o esforço era de mudar. De mudar o custo do dinheiro não aplicado em atividades produtivas no Brasil.”
Segundo ele, a economia não está nos seus melhores momentos, principalmente no que diz respeito ao ritmo de crescimento, contas públicas e taxa de inflação. “Mas outros governos terminaram em condições muito piores. Do ponto de vista do crescimento certamente tem influência muito grande a trajetória da economia internacional, o que não significa que não houve erros na condução da política econômica”, pontuou Biancarelli.
Fonte: Vermelho
Política externa e eleição presidencial
Não são apenas as conquistas sociais e a autonomia nacional para conduzir a economia popular à margem dos interesses da oligarquia financeira nacional e internacional que sofreriam imenso retrocesso caso um dos candidatos do campo neoliberal e conservador – Aécio Neves, do PSDB, ou Marina Silva, do PSB – vencesse as eleições.
Está também em xeque a política externa – a opção brasileira pela integração regional soberana e solidária entre países e povos independentes e por desempenhar um papel internacional progressista, em prol de nova ordem livre de hegemonismos, por um mundo de cooperação e paz.
Muito embora aparentemente distante do cotidiano do povo e do debate político corriqueiro, a política externa também é posta em causa na campanha eleitoral. Tanto Aécio Neves como Marina Silva opinaram que o Brasil deve mudar o foco da orientação do Itamaraty, com proposições estapafúrdias e retrógradas, como a prioridade para as relações com os Estados Unidos e a União Europeia, o abandono dos mecanismos de integração regional em nome de relações bilaterais “pragmáticas” e a condenação, que tem acentuado viés reacionário, às vitoriosas parcerias com Cuba no programa Mais Médicos e na construção de obras de infraestrutura na maior das Antilhas. Até mesmo um trêfego candidato ecologista, ex-secretário de José Serra e Gilberto Kassab, sem qualquer representatividade eleitoral, deitou falação em recente debate na televisão contra o convênio firmado entre o Brasil e Cuba, de comprovados efeitos positivos no atendimento à saúde em nosso país.
Nos últimos dias, os principais jornais conservadores publicaram matérias com o intuito de desqualificar a política externa brasileira. O jornal paulistano Folha de S. Paulo, arauto do entreguismo pós-moderno, editou extensa reportagem explorando contradições internas no Itamaraty, ampliando a importância de problemas administrativos e fabricando uma crise que não existe na diplomacia brasileira.
Já o vetusto Estadão, porta-voz mais tradicional das classes dominantes retrógradas e dos interesses do imperialismo estadunidense no Brasil, reagiu irado ao discurso presidencial na abertura dos debates de alto nível na Assembleia Geral da ONU, ocasião em que mais uma vez Dilma Rousseff se apresentou ao mundo como estadista e líder nacional que fala de igual para igual com os demais chefes de Estado e de governo. O diário paulista ficou particularmente irritado porque Dilma deu a conhecer ao mundo que o Brasil vai percorrendo com segurança o caminho de sua construção como grande nação progressista e exerce um papel geopolítico progressista. Como se fora um panfleto de Aécio ou Marina, o jornal da família Mesquita protestou pelo uso da tribuna da ONU “para fazer campanha eleitoral”.
O fato é que, desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula, a direita brasileira e os círculos imperialistas internacionais formulam um discurso ideológico para combater o que chamam de diplomacia “petista” e o caráter “ideológico” da política externa brasileira. Mas é de ideologia reacionária que está eivada a crítica de que supostamente as diretrizes presidenciais para o Itamaraty têm caráter partidário, conflitam com os interesses permanentes do Estado nacional e afastam-se das técnicas e rituais do comércio internacional pragmático e da diplomacia.
Na essência, a crítica se volta contra as opções da nova Política Externa Brasileira inaugurada em 2003 – a defesa da paz, do multilateralismo e da democratização das relações internacionais, o empenho pela integração regional soberana e solidária, a constituição de novos polos geopolíticos, em oposição ao hegemonismo do imperialismo estadunidense e da União Europeia.
Pragmaticamente, sob orientação ideológica, tanto os candidatos oposicionistas quanto os seus veículos na mídia insurgem-se agora, depois de 12 anos, contra os êxitos que o Brasil alcançou no cenário internacional – a consolidação dos Brics, o fortalecimento do polo progressista na América Latina e Caribe, incluindo Cuba e os países bolivarianos, com a Celac convertida em sólida instituição multilateral e os mecanismos de integração que resultam em fortalecimento das relações comerciais.
Os críticos da política externa não toleram também que o Brasil tenha condenado o massacre sionista contra os palestinos e a opção do uso da força pelos Estados Unidos e seus aliados na atual crise no Oriente Médio.
No fundo, há uma luta de ideias, um conflito político e ideológico em torno da política externa. Nas eleições presidenciais o povo brasileiro decidirá também sobre isto.
Fonte: Vermelho
Está também em xeque a política externa – a opção brasileira pela integração regional soberana e solidária entre países e povos independentes e por desempenhar um papel internacional progressista, em prol de nova ordem livre de hegemonismos, por um mundo de cooperação e paz.
Muito embora aparentemente distante do cotidiano do povo e do debate político corriqueiro, a política externa também é posta em causa na campanha eleitoral. Tanto Aécio Neves como Marina Silva opinaram que o Brasil deve mudar o foco da orientação do Itamaraty, com proposições estapafúrdias e retrógradas, como a prioridade para as relações com os Estados Unidos e a União Europeia, o abandono dos mecanismos de integração regional em nome de relações bilaterais “pragmáticas” e a condenação, que tem acentuado viés reacionário, às vitoriosas parcerias com Cuba no programa Mais Médicos e na construção de obras de infraestrutura na maior das Antilhas. Até mesmo um trêfego candidato ecologista, ex-secretário de José Serra e Gilberto Kassab, sem qualquer representatividade eleitoral, deitou falação em recente debate na televisão contra o convênio firmado entre o Brasil e Cuba, de comprovados efeitos positivos no atendimento à saúde em nosso país.
Nos últimos dias, os principais jornais conservadores publicaram matérias com o intuito de desqualificar a política externa brasileira. O jornal paulistano Folha de S. Paulo, arauto do entreguismo pós-moderno, editou extensa reportagem explorando contradições internas no Itamaraty, ampliando a importância de problemas administrativos e fabricando uma crise que não existe na diplomacia brasileira.
Já o vetusto Estadão, porta-voz mais tradicional das classes dominantes retrógradas e dos interesses do imperialismo estadunidense no Brasil, reagiu irado ao discurso presidencial na abertura dos debates de alto nível na Assembleia Geral da ONU, ocasião em que mais uma vez Dilma Rousseff se apresentou ao mundo como estadista e líder nacional que fala de igual para igual com os demais chefes de Estado e de governo. O diário paulista ficou particularmente irritado porque Dilma deu a conhecer ao mundo que o Brasil vai percorrendo com segurança o caminho de sua construção como grande nação progressista e exerce um papel geopolítico progressista. Como se fora um panfleto de Aécio ou Marina, o jornal da família Mesquita protestou pelo uso da tribuna da ONU “para fazer campanha eleitoral”.
O fato é que, desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula, a direita brasileira e os círculos imperialistas internacionais formulam um discurso ideológico para combater o que chamam de diplomacia “petista” e o caráter “ideológico” da política externa brasileira. Mas é de ideologia reacionária que está eivada a crítica de que supostamente as diretrizes presidenciais para o Itamaraty têm caráter partidário, conflitam com os interesses permanentes do Estado nacional e afastam-se das técnicas e rituais do comércio internacional pragmático e da diplomacia.
Na essência, a crítica se volta contra as opções da nova Política Externa Brasileira inaugurada em 2003 – a defesa da paz, do multilateralismo e da democratização das relações internacionais, o empenho pela integração regional soberana e solidária, a constituição de novos polos geopolíticos, em oposição ao hegemonismo do imperialismo estadunidense e da União Europeia.
Pragmaticamente, sob orientação ideológica, tanto os candidatos oposicionistas quanto os seus veículos na mídia insurgem-se agora, depois de 12 anos, contra os êxitos que o Brasil alcançou no cenário internacional – a consolidação dos Brics, o fortalecimento do polo progressista na América Latina e Caribe, incluindo Cuba e os países bolivarianos, com a Celac convertida em sólida instituição multilateral e os mecanismos de integração que resultam em fortalecimento das relações comerciais.
Os críticos da política externa não toleram também que o Brasil tenha condenado o massacre sionista contra os palestinos e a opção do uso da força pelos Estados Unidos e seus aliados na atual crise no Oriente Médio.
No fundo, há uma luta de ideias, um conflito político e ideológico em torno da política externa. Nas eleições presidenciais o povo brasileiro decidirá também sobre isto.
Fonte: Vermelho
Salário mínimo do México é o menor do continente e viola os direitos
O México se converteu no único país latino-americano onde o salário mínimo não cresce, o que viola a Constituição, denuncia a secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena.
Subemprego é uma das características da pobreza no México
"Há uma porcentagem muito grande de mexicanos que não tem acesso a um salário mínimo digno e isto é para nós o que permite cobrir pelo menos as necessidades básicas da família. Isso está escrito na constituição do país", afirmou Alicia em declarações citadas por meios de comunicação locais.A secretária executiva da Cepal apresentou na Cidade do México o terceiro relatório da instituição para a região chamado "Pactos para a igualdade: Rumo a um futuro sustentável", indicando que o Pacto pelo México "não foi pela igualdade: o México é o único pais da América Latina onde o salário mínimo não teve aumento, pelo contrário, perdeu seu poder de compra", disse.
"É preciso enquadrar o que é o emprego bem remunerado, com segurança social e direitos, porque isso é a chave contra a desigualdade", explicou. No México, o salário mínimo médio se situa em 67,29 pesos por dia (cerca de US$ 5).
Por seu lado, o reitor da Universidade Autônoma do México, a principal do país, José Narro Robles, pediu que sejam tomadas medidas concretas para combater a desigualdade. Nos últimos 14 anos o México destinou milhões de pesos para o combate à pobreza, mas não obteve resultados. "Temos de nos aprofundar no assunto, para ver o que fizemos de errado mas não para encontrar culpados, mas sim soluções".
Em geral, os especialistas destacam que o país reune todos os requisitos para converter-se em uma potência mundial, mas é incapaz de gerar desenvolvimento para seu mercado interno devido a uma série de fatores, tais como a falta de tecnologias e infraestruturas eficientes e abalizadas por todos os setores da economia nacional e o fato de que as autoridades acabaram se preocupando em realizar reformas no setor energético e no de comunicações, se omitindo no setor de educação, trabalhista e financeiro.
Fonte: Russia Today via Vermelho
Salário mínimo tem maior poder de compra em 30 anos
Entre as muitas conquistas que contribuem para a transformação social que o Brasil vive hoje é, sem dúvida, a política de valorização do salário mínimo. Essa política atende a uma antiga reivindicação das centrais sindicais e foi instituída pelo governo Lula em 2005. Desde então, vem sendo mantida e ampliada por Dilma, assegurando um avanço significativo em termos de aumento da renda média do trabalhador brasileiro - e em todos os aspectos sociais e econômicos afetados por essa melhora.
Hoje, o valor estabelecido para o salário mínimo nacional (R$ 724) representa o maior poder de compra desde 1979. A quantidade de 2,23 cestas básicas que podem ser compradas com o salário reajustado é a melhor já registrada pelo Dieese, mais que o dobro da média registrada em 1995. O salário mínimo de 2014 representa um avanço de 61% no poder de compra desde 2003.O salário do trabalhador, vítima histórica das crises econômicas em governos passados, tornou-se uma das prioridades do governo nas administrações petistas, e foi protegido do cenário internacional. Mesmo nessa constante elevação dos últimos anos, só em 2014 os trabalhadores puderam recuperar o poder de compra que tinham em 1983.
Agora, o reajuste se dá pela soma do crescimento PIB dos dois anos anteriores com a inflação do ultimo ano – fórmula garantida pelo governo até 2023. O mínimo de R$ 724 em 2014 é fruto de um reajuste de 6,78%, resultado da variação do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, 1,03%, e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor de 2013, estimado em 5,54%.
Fonte: Portal Dilma via Vermelho
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Entremeio ao bombardeio, Dilma eleva sua liderança
Neste primeiro turno que chega à reta final teve de tudo. E mais ainda está por vir. Campanha pelo fracasso da Copa do Mundo, polarização entre a presidenta Dilma Rousseff e Aécio Neves, troca de candidato em decorrência de uma tragédia, deslocamento do tucano e subida de Marina Silva e, agora, queda da candidata da Rede-PSB e um fiapo de esperança dos tucanos.
Por Adalberto Monteiro*
Neste cenário de variações e sobressaltos, há, todavia, uma constante: a presidenta Dilma Rousseff, entremeio a um ataque cerrado da oposição e da grande mídia, eleva sua liderança política. Ela conquista crescente apoio popular e, lance a lance, batalha a batalha, vai construindo a quarta vitória consecutiva do povo.
Marina, encolhida entre seus xales, se queixa, se diz vítima de ataques. Falso. Quem o tempo todo tem sido alvo de uma campanha de “desconstrução” é a candidata Dilma Rousseff. Mas, em vez de se fazer de “coitadinha” como teatraliza a candidata Marina Silva, Dilma optou pela luta de ideias. A um só tempo dá visibilidade às realizações de seu governo, aponta um futuro de transformações e reformas e empreende um debate programático incisivo com Marina e Aécio.
A farsa da “nova política” de Marina e o discurso neoliberal recauchutado de Aécio foram desnudados pela campanha de Dilma. Progressivamente, foi ganhando nitidez que não há terceira via, o confronto é entre o avanço e o retrocesso.
Quem é alvo do “vale-tudo” é Dilma como ficou evidente nas armações da revista Veja, explorando a delação premiada do ladrão da Petrobras. Ladrão, sublinhe-se, que foi preso porque no governo de Dilma a Polícia Federal e o Ministério Público, ao contrário do que ocorria na era FHC, são fortalecidos para desempenhar os que lhes determina a Constituição.
Chegamos à reta final do primeiro turno e o sistema de oposição como pêndulo oscila entre Marina e Aécio. O enredo é conhecido. Aécio antes da morte de Eduardo era o predileto dos banqueiros.
Com a subida de
Marina – totalmente rendida e convertida ao rentismo, e o tucano ficando para
trás nas pesquisas –, o bloco conservador e a grande mídia se fracionaram.
Houve um momento em que a situação de Aécio beirou a figura de um “abandonado”.
As fragilidades de Marina, o emaranhado de contradições e vulnerabilidades de
seu programa, a voz corrente entre o eleitorado de que ela “não tem pulso”, não
tem força para governar o Brasil, corroeram parte das convicções das alas
conservadoras da classe dominante que haviam embarcado na sua campanha. Além
dos mais, aqueles suntuosos números das pesquisas que sinalizavam uma Marina
imbatível derreteram-se como cera ao fogo.
Aécio não sabe qual derrota tenta evitar: Se
a do governo de Minas ou a da eleição presidencial. Setores da grande mídia e
aliados que o haviam deixado de lado, no auge daquela miragem que fazia ver
Marina triunfar já no primeiro turno, voltam a injetar glicose na veia da
campanha do tucano. De volta ao jogo em busca de uma derrota honrosa ou de uma
recuperação inusitada que o leve ao segundo turno, ele recrudesce o ódio ao
“petismo” e atira em Marina. A banda dos banqueiros que dobram a aposta na
candidata da Rede-PSB ironiza e diz que a reação de Aécio é uma mera “visita da
saúde” na sua moribunda campanha. Blogueiros dos jornalões também dizem que o
neto distante de Tancredo faz o papel de inocente útil: ataca Marina e ajuda
Dilma.
Enquanto a oposição se engalfinha, se
autodevora, Dilma Rousseff emerge com sua real estatura: a liderança capaz de
conduzir o Brasil à nova etapa de desenvolvimento, com mais crescimento econômico
e uma redução ainda mais eficaz das desigualdades sociais e regionais.
*Presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios
Fonte: Vermelho
Ibope: Dilma venceria qualquer adversário no 1º e no 2º turnos
| Ibope: Dilma é favorita no 1º e 2º turno contra qualquer adversário |
A cinco dias das eleições presidenciais no Brasil, levantamento Ibope aponta que a presidenta e candidata à reeleição Dilma Rousseff ampliou de 9 para 14 pontos porcentuais sua diferença em relação à segunda colocada, Marina Silva (PSB). O candidato do PSDB, Aécio Neves se mantém em terceiro lugar. A pesquisa foi divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, na noite de ontem, terça-feira (30).
Na simulação de 1.º turno, a pesquisa mostra que Dilma tem 39% das intenções de voto, um ponto porcentual a mais que na semana anterior. Marina caiu quatro pontos, de 29% para 25%, e Aécio se manteve com os 19% de intenções de voto diante do levantamento anterior.
Leia também:Datafolha aponta liderança de Dilma com 40%, Marina cai para 25%
Na série do Ibope, Marina Silva apresentou queda nos últimos cinco levantamentos - desde o início de setembro, ela perdeu oito pontos porcentuais, ou um quinto de seu eleitorado.
No mesmo período, Dilma cresceu dentro da margem de erro, entre 37% e 39%. Aécio subiu de 14% para 19% na metade de setembro e manteve-se no mesmo patamar desde então.
Levando-se em conta apenas os votos válidos - excluídos os nulos, brancos e eleitores indecisos-, o placar é de 45% para Dilma, Marina tem 29% e 22% para o candidato tucano.
Nos votos válidos, a vantagem de Dilma em relação à candidata Marina subiu de 10 para 16 pontos em uma semana. Já a distância entre a candidata do PSB para o tucano caiu de 11 para 7 pontos.
Dilma é favorita contra qualquer adversário
No 2.º turno, Dilma aparece à frente da principal adversária, com 42%, enquanto Marina aparece com 38% das intenções de voto. Em um eventual 2.º turno entre a atual presidenta e o tucano, ela o venceria por 45% a 35%.
A pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo ouviu 3.010 eleitores entre os dias 27 e 29 de setembro. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O registro no Tribunal Superior Eleitoral foi feito sob o protocolo BR-00909/2014.
Da redação do Vermelho
Com informações O Estado de S.Paulo
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