“A luta pelos direitos humanos continua como prioridade, até que não existam mais brasileiros tratados de forma vil ou degradante, ou discriminados por raça, cor, credo, orientação sexual ou identidade de gênero”, aponta o Programa de Governo da presidenta Dilma Rousseff, renovando o compromisso com a luta LGBT e a igualdade no segundo mandato.
Os governos Lula e Dilma promoveram avanços na defesa e garantia dos direitos da população LGBT e na luta contra a homofobia no Brasil. Até 2002, a pauta LGBT era tratada apenas no âmbito do Ministério da Saúde. Ainda no primeiro mandato de Lula, foi criado o Programa Brasil Sem Homofobia (2004), fazendo com que vários ministérios passassem a atuar em favor destes brasileiros.
Para definir as estratégias e proteger a população LGBT, foi realizada a I Conferência Nacional LGBT e foram criados, em 2009, a Coordenação de Promoção dos Direitos de LGBT e, em 2010 foi instalado o Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT. O governo Dilma deu continuidade às ações para esta população: realizou a II Conferência Nacional LGBT; instituiu a Política de Saúde Integral LGBT; atualizou a portaria que instituiu o processo transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS) e definiu regras para o acolhimento de LGBT no sistema prisional.
Criminalização da homofobia
A presidenta Dilma Rousseff também já declarou que é favorável à criminalização da homofobia. “Tenho integral compromisso em criminalizar a homofobia. Em um país como o Brasil, uma das mais importantes democracias do mundo, isto é absolutamente necessário, assim como criminalizar a violência contra o negro e contra a mulher”, afirmou Dilma recentemente em sabatina para o jornal O Globo.
Este ano, a população LGBT teve mais uma importante conquista: travestis e transexuais passaram a poder usar seus nomes sociais em todo o processo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nas listas de presença, cartões de inscrição, nome na prova e listas de resultados. Com isso, poderão usar o nome com o qual se identificam ou são conhecidas na sociedade, não sendo obrigados a sofrerem preconceito, violência e humilhação por terem sido registrados com um nome que não representa a sua identidade de gênero.
Em 2010, o Ministério do Planejamento lançou portaria assegurando o uso do nome social por servidores públicos federais travestis e transexuais. Em 2011, o Ministério da Educação divulgou portaria garantindo a escolha de tratamento nominal em todas as instituições sob sua administração.
Outras medidas
Em 2013, foi lançado o Sistema Nacional de Promoção de Direitos e Enfrentamento à Violência LGBT, que funciona por meio de centros de promoção e defesa – com apoio psicológico e jurídico – e de comitês de enfrentamento à discriminação e de combate à violência, com participação de atores sociais.
Em maio deste ano, o serviço Disque 100 passou a receber denúncias de casos de violência envolvendo homofobia. O número de telefone é um canal disponibilizado pela Secretaria de Direitos Humanos, da Presidência da República para receber denúncias contra violações aos direitos humanos.
Fonte: Equipe Dilma Rousseff via Vermelho
A proposta de Banco Central independente proposto pela candidata à Presidência da República, Marina Silva (PSB), provocou a reação dos trabalhadores do setor. Bancários de todo o País organizam atos no próximo dia 2 de outubro, em frente às 10 representações do BC nas capitais.
Em campanha salarial, categoria inicia greve nesta terça-feira (30)
Além de tirar dos poderes eleitos pelo povo o controle da política econômica, a independência do BC reduz o papel dos bancos públicos como, instrumentos de fomento de políticas públicas.
A Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) prevê mobilizações em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre e Belém. A entidade espera contar também com a participação de movimentos populares.
“Foi com a contribuição decisiva dos bancos públicos que o Brasil passou incólume pela crise de 2008. Enquanto os bancos privados fecharam as torneiras e encareceram o crédito, as instituições públicas lideradas por BB, Caixa, BNDES, BNB e Banco da Amazônia ampliaram a oferta de crédito, mantendo o mercado de consumo aquecido e gerando empregos”, afirmou o presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Carlos Cordeiro, em artigo publicado na sexta-feira (26).
Além de expor os problemas da proposta de independência do Banco Central, apresentada por Marina Silva (PSB), a Contraf irá alertar para os riscos de um choque fiscal a ser promovido por Aécio Neves, que já deu declarações que caso eleito, tomará “medidas impopulares”. E existe o indicativo de que o provável ministro da Fazenda de Aécio, o banqueiro Arminio Fraga, pretende combater a inflação com medidas para reduzir salários e aumentar o desemprego.
Greve decretada para o dia 30
Os bancários de todo País, aprovaram nesta quinta-feira (25), indicativo de greve para a terça-feira (30). Devido a expressiva participação dos trabalhadores nas assembleias, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), convidou os representantes dos bancários para uma nova negociação, neste sábado (27). Os banqueiros apresentaram uma proposta já rejeitada pelos bancários, de 7%.
Fonte: Agência PT de Notícias via Vermelho
Há algum tempo, dados e declarações que procuram demonstrar que há no Brasil grande crise e descontrole da economia ganharam destaque.
Por Clemente Ganz Lúcio*, na Carta Maior
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Produção na indústria
A vida não anda fácil no mundo e no Brasil, é verdade. A partir de 2007/2008, as economias desenvolvidas provocaram a mais grave crise do capitalismo desde 1929. “A grande recessão”, segundo economistas, trouxe aos países desenvolvidos alto desemprego, arrocho salarial, perda de direitos e da proteção social como remédio para a crise.
A atividade econômica caiu nos países em desenvolvimento e a China passou a mostrar seu poder econômico. Com políticas anticíclicas, o Brasil permaneceu em pé, garantindo empregos, preservando salários e políticas sociais, bem como protegendo e incentivando a atividade produtiva. É muito difícil enfrentar essa crise. Há acertos e erros que fazem parte do risco de quem governa e decide diante de tantas incertezas.
O Brasil enfrenta inúmeros desafios de curto prazo: a pressão dos preços internacionais de alimentos; a severa seca, a mais grave dos últimos 60 anos, que comprometeu a safra agrícola, elevando preços de insumos, alimentos e energia elétrica; a Copa do Mundo, que reduziu a quantidade de dias úteis, com impacto sobre a atividade econômica; a desvalorização do Real (R$ 1,6 para R$ 2,3 por dólar), que ajuda a proteger a indústria, mas tem impactos sobre preços; a queda na receita fiscal do governo; a redução na venda de manufaturados para a Argentina; a China ganhando espaço comercial na América Latina e no nosso mercado interno; a enorme pressão dos rentistas pelo aumento dos juros, entre outros.
Apesar disso, os números da atual conjuntura evidenciam que ainda estamos em pé, senão vejamos:
- No primeiro semestre de 2014, houve aumento salarial em 93% das Convenções Coletivas, com ganhos reais entre 1% e 3%;
- O preço da cesta básica caiu nas 18 capitais pesquisadas pelo Dieese, entre julho e agosto (-7,69% a -0,48%).
- O Índice do Custo de Vida do Dieese, na cidade de São Paulo, variou 0,68% em julho e 0,02% em agosto, arrefecendo.
- O mercado de trabalho formal criou mais de 100 mil postos de trabalho em agosto.
- O comércio calcula que serão criadas mais de 135 mil vagas no final do ano.
- O BC estimou a variação positiva do PIB para julho em 1,5% e indicou trajetória de queda da inflação.
- A atividade produtiva da indústria cresceu 0,7% em julho.
A ciência dos números é insubstituível para dar qualidade ao debate público e apoiar um olhar criterioso sobre a dinâmica da realidade. O desafio é correlacionar as informações para produzir o conhecimento e compreender o movimento do real.
*Diretor Técnico do Dieese
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Artigo publicado originalmente na Revista Princípios ainda sob o calor dos acontecimentos na Palestina, quando Israel atacou a Faixa de Gaza, provocando a morte de milhares de palestinos.
Por *Socorro Gomes
Enquanto a humanidade assiste estarrecida e indignada às explosões das casas, hospitais, escolas e redes de abastecimento de água, e aos “eficientes” ataques com os mais novos instrumentos da morte, os drones, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama, o chefe do maior e mais pérfido império do mundo, foi a público expressar seu “firme apoio ao exercício do direito de defesa de Israel, (...) e apoio às medidas militares de Israel para garantir que não haja mais disparos contra seu território”. Seu governo reforçou ainda a aliança através do eloquente voto negativo no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em sessão que deliberou pela criação de uma comissão de investigação das denúncias de crimes de guerra cometidos por Israel. Dos 47 membros do Conselho, o único voto contrário à investigação foi exatamente o dos Estados Unidos.
O holocausto dos palestinos, executado pelo regime de Israel, ao que a humanidade assiste horrorizada, conta com o total apoio dos Estados Unidos. Recentemente, Obama endossou o envio de mais US$ 225 milhões para o aperfeiçoamento do sistema antimíssil Iron Dome, a Cúpula de Ferro. A cifra se somará aos US$ 3 bilhões anuais em ajuda militar ao seu incondicional aliado. Assim, o presidente tem deixado clara a sua criminosa cumplicidade com a matança dos palestinos.
Somente nesta última operação, a “Margem Protetora”, de acordo com a Autoridade Nacional Palestina, o número de mortos pode chegar a cerca de dois mil; entre estes, mais de 400 crianças. São também cerca de 10.000 feridos. A absoluta maioria das vítimas fatais era civil, em torno de 74%, afirma a ONU. Mais de 10 mil lares palestinos foram bombardeados e quase 500 mil civis foram forçados a deixar suas casas e áreas de residência. Centenas de escolas, hospitais, clínicas, cemitérios, igrejas e mesquitas foram destruídos ou gravemente danificados. Seis escolas da ONU foram atacadas em bombardeios que causaram a morte de mulheres e crianças assustadas, homens civis e funcionários das Nações Unidas. Mais de seis mil palestinos buscavam refúgio em duas escolas diferentes bombardeadas, o que causou a morte de 16 pessoas, em uma, e 10, em outra. Os civis abrigavam-se de atrocidades que podem ser consideradas crimes de guerra, ressaltou a comissária da ONU para direitos humanos Navy Pilay, horas antes do cessar-fogo do dia 5 de agosto. Estes são dados que corroboram as denúncias feitas contra o Estado de Israel pelas autoridades palestinas sobre o genocídio do seu povo.
Não nos espantemos se o criminoso governo de Israel “transformar” a infância palestina martirizada e assassinada em uma “‘grave ameaça à segurança de Israel, que precisava ser eliminada.” Ou então na afirmação de que eram “escudos”, portanto “os palestinos são os responsáveis pelas mortes”. O poder destruidor do sionismo vai mais além do que sua gigantesca força bélica. Sua ignominiosa capacidade de construir mentiras, contando com uma rede midiática de alto poder tecnológico e a cumplicidade das grandes potências – transformando as vítimas em culpadas pelas bombas lançadas por Israel em seu território, pela destruição de suas casas e pomares, pela diáspora palestina, pelo assassinato de seus filhos ainda crianças – está entre os mais importantes instrumentos de dominação, usados em abundância, ontem por Hitler e hoje pelos imperialistas sionistas.
Quem não enxerga a campanha constante para esconder a origem semita dos palestinos com o cínico objetivo de acusá-los de serem antissemitas? Pois se o mundo tiver conhecimento da origem semita de ambos - árabes palestinos e judeus -, cairá por terra a falsa e sórdida acusação de antissemitismo a todos os que condenam o sionismo e seu mais de meio século de matança do povo palestino.
É através da propaganda suja e criminosa – por ser falsa e servir à destruição de um povo e sua cultura – que os invasores se fazem de vítimas, e fazem das vítimas, agressores. O historiador judeu israelense Ilan Pappe, renomado estudioso da questão palestina-israelense, tem dedicado atenção especial aos acontecimentos de 1948, elucidando fatos da maior importância para o entendimento do chamado conflito. Pappe tem denunciando os grandes mitos de Israel, as sórdidas mentiras destiladas desde quando o nascente regime assassinava massivamente os palestinos como os contidos no Plan Dalet, que detalhava a lista de vilas palestinas a serem destruídas e os métodos a serem utilizados para a expulsão dos palestinos que ali viviam (intimidação, bombardeios, incêndios de casas, assassinatos). Como descreve Pappe: “...a política sionista se transformou em uma iniciativa para a completa limpeza étnica do país, demorou seis meses para completar a missão”. Expulsaram cerca de 800.000 pessoas de suas terras, limpando-as de sua presença e passando a ocupá-las permanentemente, saltando para os 82% de terras palestinas nas mãos dos sionistas, atualmente.
Um dos mitos principais era que Israel era o “Davi lutando contra Golias”, quando já naquele momento o regime havia feito um acordo com o mais forte Exército árabe de então, o da Jordânia, para garantir a expulsão e a ocupação das terras do povo palestino. Muito ao contrário da propaganda de que os judeus estavam sofrendo uma ameaça iminente de extinção, as palavras do maior representante do Estado de Israel, David Ben Gurion, são elucidativas dos objetivos reais dos sionistas: “Devemos usar do terror, assassinatos, intimidações, corte de todos os serviços sociais para expulsar da Galileia os palestinos”, afirmou o então primeiro-ministro, em maio de 1948, quando tomava posse e inaugurava o cargo.
Ações como o massacre de 254 pessoas, mulheres e crianças em Deir Yasin, foram relatadas por um oficial da Cruz Vermelha, citado no livro de Antônio Basallote, História da expansão sionista sobre a Palestina (1948-2010): “Aqui a limpeza étnica havia sido realizada com metralhadoras, depois com granadas de mão, terminando com facas.”
Outro grande mito sobre o qual se fundou o movimento migratório de judeus de todo o mundo em direção à Palestina, cuja maior parte do território foi transformada no Estado de Israel, foi o de que se tratava de um “uma terra sem povo para um povo sem terra”, de acordo com a estratégia sustentada de negar a existência do povo palestino.
Além disso, a narrativa da “ameaça” representada pelos árabes e, em específico, pelos palestinos, é auxiliada pela comunicação das potências imperialistas, como os jornais, rádios e cinemas, instrumentalizados por Israel. É comum vermos “analistas” de grandes veículos de comunicação transmitirem venenoso discurso de que os palestinos “não se importam” com suas crianças, que não têm amor à vida, entre outros mitos empenhados na sua desumanização. A comunicação a serviço da destruição da imagem das vítimas dos sionistas é uma poderosa arma para buscar suprimir qualquer possibilidade de resistência deste povo martirizado, como demonstra o último ataque à Faixa de Gaza: castigar, enfraquecer e destruir a recém-nascida unidade entre as organizações políticas do povo palestino, principalmente Al-Fatah, à frente da Autoridade Nacional Palestina, e a organização política do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), esta sim, a real e imediata motivação da matança. O que a potência sionista quer é um povo desnaturado, despojado de sua dignidade, silenciado pelo medo, paralisado pelo terror que lhe é imposto. Uma missão impossível. Como disse uma companheira palestina, “nesta guerra genocida, os palestinos perdem a vida e Israel perde a alma!”
Estas agressões que provocam um sentimento de dor e profunda revolta nos povos do mundo inteiro são uma macabra repetição dos crimes de que foram vítimas os judeus, os ciganos, os homossexuais, os socialistas e comunistas, sob o nazismo, com os mesmos falsos pretextos: de que eram terroristas, que escondiam armas nos guetos, que eram um perigo para a segurança do Estado alemão e do seu povo.
É um martírio semelhante, imposto há mais de seis décadas pelo Estado de Israel ao povo palestino, que vive hoje com o que restou do seu território, preso no maior campo de concentração que jamais existiu, cercado por um muro de mais de 700 quilômetros na Cisjordânia e o bloqueio completo a Gaza, com militares armados de fuzis e metralhadoras noite e dia, vigiando-os, dali só saindo se tiverem uma autorização do Exército invasor.
Mesmo esta nesga de terra que restou está ocupada pelo invasor, que proíbe o povo palestino de circular em sua própria terra: as estradas, em sua grande maioria, tal qual na África do apartheid, só servem para os israelenses. Como se não bastasse tanta humilhação, o Exército sionista espalhou os postos de controle militar, com seus jovens e arrogantes soldados de armas em riste contra aqueles que são por eles considerados menos que humanos, separados de seus parentes por um gigantesco muro, assistindo quase que impotentes (pois não se pode comparar os foguetes caseiros palestinos com os mísseis de altíssima tecnologia, com as bombas, com os tanques, a artilharia pesada ou com os drones de Israel) a destruição de suas casas, o incêndio de seus sítios, quando não são simplesmente ocupados por colonos trazidos de qualquer parte do mundo, que não por acaso fazem parte de um plano de ocupação meticulosamente calculada do território do povo palestino. As tropas de Israel destroem as redes de abastecimento de água e as já precárias redes esgoto, os hospitais e escolas, promovem práticas de limpeza do território, com a imposição do terror, do medo da expulsão, ou da matança sistemática.
O objetivo é cada vez mais cristalino: impedir, pela força bruta das armas, a criação do Estado palestino definido pela ONU ainda em 1947. Para consumar este crime contra o direito de existência plena do povo palestino, Israel construiu toda uma estratégia para impedir o avanço da organização política, administrativa e diplomática das representações palestinas. Eventos históricos recentes, de grande significado para o avanço da luta do povo palestino, como o reconhecimento pela ONU do estatuto de Estado observador (nãomembro), e o acordo entre a Autoridade Palestina e o Hamas, foram dois momentos a partir dos quais Israel intensificou seu virulento ataque ao povo palestino. No primeiro, em um acesso de “insatisfação” com a Unicef pela integração da Palestina em seu seio, Israel e o seu aliado império estadunidense deixaram de contribuir financeiramente com o órgão, num calote chantagista, em retaliação. No outro episódio, a construção da unidade entre palestinos, o governo israelense chega ao paroxismo do ódio, motivo real que o levou a promover a mais recente chacina em Gaza, alegando exercer um tergiversado “direito à autodefesa” contra a resistência palestina no território sitiado há quase oito anos, taxada de “terrorista”. Aliás, o termo parece ser herdado, na concepção do regime israelense, a qualquer militante palestino, qualquer membro da resistência, seus familiares, vizinhos ou qualquer habitante de Gaza.
Criando uma teia de mentiras e de mitos, como recomenda a doutrina nazista de Joseph Goebbels, o regime terrorista de Israel tem buscado transformar um povo agredido, usurpado no sagrado direito a seu território, à sua nação plena e soberana, em “terrorista”. Horror dos horrores: o Estado de Israel, a quarta potência militar do planeta, com suas mais de duzentas ogivas nucleares, bombas de fragmentação, drones, mísseis e tanques, enfim, com os mais modernos e eficazes instrumentos de destruição e morte – contando ainda com o apoio incondicional da maior potência bélica do planeta, os Estados Unidos –, através de seu poder midiático e com a cumplicidade de seus próceres, inclusive dentro do Brasil, tem o poder de se passar por ameaçado por um povo sem armas, sem Exército, sem recursos, vivendo em verdadeiros campos de concentração, sem direito às mínimas condições de vida digna, vítima de uma política genocida e que tem como única arma, além de alguns estilingues e foguetes artesanais, sua própria existência martirizada. Esta sim, grandiosa, heroica, teimosa em sua resistência, que só pelo fato de insistir em existir é um libelo acusatório, não só contra o regime que lhe suprime os meios de existência, que dia após dia impõe-lhes, do amanhecer ao anoitecer, o terror e a humilhação, as prisões e torturas de milhares de crianças e adolescentes, com postos de controle militar e esparramados em todo seu território, o que sobrou da rapinagem de suas terras, através da colonização militar, a subordinação aos ocupantes, que afirmam aos quatro cantos do mundo que a simples existência do Estado da Palestina ameaça a segurança desta potência racista. A acusação estende-se inevitavelmente para quem mantém, apoia e fortalece a política de limpeza étnica conduzida por Israel, os Estados Unidos.
Depois de seis décadas de holocausto, só de estarem vivos, os palestinos gritam ao mundo: “Eu sou filho de Mustafá, morávamos, em 1948, ali naquela terra hoje ocupada por Israel, esta é a chave de nossa casa, meu pai me entregou antes de morrer,” ou “Viemos para Gaza, e agora nossa casa foi bombardeada por Israel. Não temos para onde ir. Não temos como sair daqui. Não queremos sair daqui!” E, ainda, “Eu acabo de perder meus filhos, minha mulher, meus pais. Restou-me um filho. Toda a minha família foi morta pelo Exército israelense”. Esta existência singela e densa de sofrimentos e resistência ao invasor é a verdadeira ameaça, não só aos sionistas, mas aos seus mantenedores e beneficiários, o imperialismo estadunidense que, fazendo tábua rasa da Carta das Nações Unidas, no direito de resistência do povo ocupado contra o invasor - ainda que, neste caso, abissalmente assimétrico. Em voz uníssona com os sionistas, os EUA vociferam que a paz depende dos palestinos, que devem se desarmar, no mesmo momento em que aumentam a ajuda financeira para intensificar o poder de ataque do Exército agressor. A humanidade não pode aceitar mais esta ignomínia! Impor, como condição para a Paz não o que determina a ONU, a criação do Estado palestino na sua plenitude, mas a aberração de um não-Estado, cercado militarmente, um protetorado israelense manietado e impotente.
O atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem reconhecido o apoio fiel e constante dos Estados Unidos ao seu governo e à sua chamada “política de segurança”, outro mito construído para mascarar a ocupação expansiva da Palestina e a opressão do povo que resiste naquela terra, sobre o qual é imposto um regime de segregação e violações sistemáticas dos direitos mais básicos. Essa dissimulação cínica da segregação, da imposição de um regime militar aos palestinos, enquanto um regime civil e de benefícios abrangentes é oferecido aos colonos israelenses nos territórios palestinos ocupados, é assentada sobre a negação essencial da condição de uma “ocupação”. Reconhecer esta situação imporia a Israel obrigações enquanto a “Potência Ocupante” que é – de acordo com a própria ONU – com base, principalmente, em inúmeros artigos da quarta Convenção de Genebra, sobre a Proteção das Pessoas Civis em Tempos de Guerra, de 1949.
Inúmeras resoluções emitidas todos os anos por cinco órgãos principais da ONU desde a década de 1940 são deliberadamente violadas por Israel. Exemplos são a 181, da Assembleia Geral, que estabelecia um Plano de Partilha que já garantia para a criação do Estado de Israel 53%, ficando para o Estado da Palestina 47% com uma população duas vezes maior que a hebraica; a 194, de 1948, que pretendia finalizar a guerra entre Israel e vizinhos árabes, estabelecia uma Comissão de Conciliação e reconhecia o direito das centenas de milhares de refugiados ao retorno às suas casas e terras, ou à compensação pelo que foi destruído, entre as mais de 400 vilas devastadas; e as resoluções 237 e 242, de 1967, que exigiam a retirada israelense dos territórios sobre os quais avançou na ocupação durante a Guerra dos Seis Dias, em junho daquele ano, e afirmavam o direito dos novos refugiados ao retorno. Estes são apenas alguns exemplos flagrantes e específicos – que podem ser comprovados também no direito internacional geral – das graves violações israelenses que sustentam a ocupação da Palestina, com a cumplicidade ativa dos Estados Unidos que, enquanto membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas com poder de veto, barrou dezenas de resoluções que condenariam Israel.
A única força capaz de deter a máquina israelense do apartheid é a resultante da indignação e revolta dos povos, da consciência humanista dos que não se curvam ao império da força bruta e do terror. É a força da resistência do povo palestino que, na sua dor infinita, eleva acima dela sua dignidade, sua valentia e determinação de não se deixar subjugar. De fazer valer seu direito sagrado à resistência e à luta em defesa de seu território. De quem não acredita e não aceita a rendição diante do Exército invasor. “Não, mil vezes não!”, têm dito os palestinos. Não pode a força bruta rasgar tantas resoluções da ONU, que determinam a retirada de Israel das terras ocupadas e a devolução aos seus donos, os palestinos. Não, mil vezes não! Israel não pode passar por cima do direito internacional e promover a carnificina que tem promovido contra o povo palestino e sair impune! Não, mil vezes não! Israel não pode continuar suprimindo o direito à vida de um povo e continuar impune.
É preciso que as pessoas que acreditam e têm compromisso com a Paz e com uma ordem mundial sob o primado da justiça, da igualdade e do respeito entre povos e nações intensifique movimentos e pressões no sentido de fazer valer as resoluções da ONU acerca do Estado do povo palestino e sobre as fronteiras entre os dois Estados, assim como as denúncias de crimes de guerra cometidos por Israel, sempre acobertados pelos Estados Unidos.
Não podemos aceitar o cínico argumento da quarta potência militar do planeta de que a existência do Estado da Palestina ameace sua segurança, numa afronta à nossa inteligência. O que querem os sionistas é um povo desarmado, indefeso e inexistente no cenário internacional, fácil presa de sua política de limpeza étnica!
A sustentação que lhes garantem os EUA obedece à lógica da sua própria busca de controle e hegemonia na região, faz parte da estratégia de “reformatação do Oriente Médio”, na qual o papel de Israel já de há muito está definido como seu esbirro e em troca da proteção imperialista, fornecendo mão de obra para escabrosas operações na guerra suja contra governos e países soberanos, a exemplo do Iraque, Líbia , Síria, os dois primeiros transformados em um teatro de horrores a serem atacados, saqueados destruídos, e a Síria que resiste valentemente, ameaçada pelas hordas criadas pelo império, à divisão do seu território. Os fortes liames que ligam estas duas potências no ataque aos palestinos têm deixado cada dia mais claro quão significativo é o patrocínio dos Estados Unidos às ações de Israel contra os direitos e a vida do povo palestino.
A destruição e a morte servem para controlar países ricos em fontes energéticas, nomeadamente petróleo e gás, e dominar esta região de ligação entre três continentes, África, Europa e Ásia. Ao fim e ao cabo, o império estadunidense e o sionista só poderiam ter esta relação simbiótica, ambos comprometidos com um objetivo que colide frontalmente com os interesses da humanidade, buscando eliminar qualquer resistência ao saque e à dominação.
As manifestações de solidariedade ao povo palestino e à criação de seu Estado soberano que ocorrem nos mais diversos países são uma demonstração inequívoca da condenação dos povos à política de limpeza étnica de apartheid levada a cabo por Israel.
Neste sentido, cresce a convicção da imperante necessidade de romper os acordos comerciais, e especialmente os acordos militares com o Estado de Israel. Nações e povos compromissados com uma nova ordem mundial sob o império do respeito à soberania e autodeterminação dos povos, devem cessar todo e qualquer acordo que fortaleça de qualquer forma Estados que têm como principal razão de ser a agressão militar e a destruição de um povo com fins de conquista.
A resolução do conflito Israel-Palestina é uma questão de toda humanidade!
*Socorro Gomes, presidenta do Conselho Mundial da Paz
Fonte: Vermelho

“No próximo domingo vamos às urnas para decidir o que queremos para o futuro do Brasil. Nesse momento, todos devem se perguntar quem tem mais capacidade e experiência para manter o que conquistamos, mudar o que é preciso e fazer mais. Quem tem força e apoio político para fazer as reformas que o Brasil exige. Quem enfrentou a pior crise internacional, aumentou empregos, salários e investimento. Quem tem firmeza para projetar o Brasil no cenário mundial. Quem preparou o Brasil para novo ciclo de desenvolvimento, com emprego e salário adequado e colocando a educação no centro de tudo. Reflita sobre todas as questões, e você vai fazer a melhor escolha. No próximo domingo, vamos votar com consciência, paz e amor no coração”.
As palavras com que a presidenta Dilma Rousseff despediu-se dos telespectadores no debate realizado pela TV Record no último domingo (28), contêm uma síntese precisa do que está em jogo nas eleições do próximo domingo, 5 de outubro, e um chamamento ao povo brasileiro.
O Brasil vive desde 1º de janeiro de 2003, quando o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tomou posse pela primeira vez na Presidência da República, uma nova etapa em sua vida política, reflexo de históricos embates do povo brasileiro por democracia, direitos sociais e soberania nacional. O governo da presidenta Dilma foi a continuidade dessa etapa nas condições peculiares de um quadro internacional marcado por profunda crise econômico-financeira, conflitos e ameaças à paz mundial, e de uma evolução política nacional em que ficou patente um elevado grau de exigência de mais celeridade e abrangência na realização de mudanças e reformas estruturais. A reeleição da presidenta afigura-se como o caminho seguro nessa direção.
Chegamos à última semana da campanha eleitoral com o resultado totalmente em aberto. A presidenta Dilma consolidou sua liderança e favoritismo na disputa, sendo nítidas as chances para alcançar a quarta vitória do povo. A tendência do momento é que Dilma passe ao segundo turno com larga vantagem sobre a candidatura adversária. E, embora não seja ainda a hipótese mais provável neste início de semana, pela primeira vez, no quadro de uma disputa acirrada, despontou a possibilidade de decisão no primeiro turno.
No campo oposicionista, são fortes as oscilações. Antes dada como certa, a passagem de Marina Silva para o segundo turno já é posta em dúvida. A candidata do PSB revelou-se não só um dócil instrumento da direita neoliberal e conservadora, como também uma rematada fraude, tamanhas foram as contradições, incoerências e vacilações que exibiu em pouco mais de um mês de campanha. Transmitiu apenas insegurança aos seus potenciais eleitores e demonstrou que num eventual segundo turno chegará completamente desgastada. Em poucas semanas de confronto político aberto, o eleitorado viu Marina como ela é e a serviço de que causa está a sua candidatura. Foi mais uma tentativa destinada ao fracasso esboçada pela direita brasileira para forjar uma alternativa messiânica explorando insatisfações e manipulando aspirações populares.
Em face disso, o PSDB, o mais estruturado núcleo político, ideológico e orgânico do neoliberalismo e conservadorismo no Brasil, porta-voz mais credenciado dos interesses das classes dominantes retrógradas e do imperialismo, porá em tensão e movimento todas as suas forças e influência nesta semana derradeira para fazer com que seu candidato Aécio Neves supere a candidata do PSB e credencie-se a enfrentar a presidenta Dilma no eventual segundo turno.
Dilma, que fez uma brilhante campanha, chega à reta final como portadora de uma mensagem de renovação da esperança e sobretudo de confiança e credibilidade. Na liderança do país, mostrou que é capaz de conduzir o povo na realização de mais mudanças para continuar construindo uma forte nação democrática, soberana e socialmente progressista.
Neste momento decisivo, a mensagem da presidenta deve ser reforçada pela mobilização total da militância para a conquista do voto popular, com vontade de vencer e a arraigada convicção de que “nem que a vaca tussa”, o povo brasileiro abriria mão das vitórias alcançadas nos últimos 12 anos, nem desistiria de prosseguir na luta por mais mudanças e mais conquistas. A ação da militância nas ruas, nos locais de trabalho, nos bairros e nos lares, conversando, debatendo, mostrando as diferenças entre os projetos que estão em disputa é o fator diferencial e decisivo para vencer em 5 de outubro.
Fonte: Vermelho
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João Jorge. |
Os tambores coloridos, mundialmente conhecidos, tocavam na Rua das Laranjeiras, no Pelourinho, quando o advogado João Jorge abriu as portas da Casa do Olodum para uma entrevista exclusiva ao Vermelho, que aconteceu na tarde de sexta-feira (26). João é presidente da organização, umas das importantes e conhecidas na luta pelo fim da discriminação. Ele esteve no encontro de representantes de 25 entidades negras, que, nesta semana, em Salvador, declararam apoio a Dilma Rousseff, do PT.
O fato curioso é que, além de presidente do Olodum, João Jorge é também filiado ao PSB, partido que acolheu a ex-senadora Marina Silva e permitiu que ela concorresse a Presidência da República, após a morte de Eduardo Campos. A decisão de não apoiar a candidata do próprio partido chamou a atenção da nossa reportagem, que marcou com ele uma entrevista para conhecer os motivos da manifestação de descontentamento com Marina e de apoio à candidata adversária.
Com uma lucidez de quem alia militância no movimento negro à vida acadêmica – possui mestrado em Direito Público pela Universidade de Brasília -, João Jorge expôs as principais críticas à Marina, que estão relacionadas ao fato de ela estar aliada a setores conservadores da sociedade. Ele não acredita que, com ela na Presidência, o povo negro verá continuar o processo de promoção da igualdade e da liberdade, que ele reconhece ter sido intensificado a partir da Era Lula, em 2003.
Confira as principais declarações de João Jorge durante a entrevista:
O posicionamento
"A minha posição pessoal é igual à posição de todos que querem o progresso do Brasil. As entidades negras estavam reunidas no Ilê e expressaram esse pensamento sobre liberdade religiosa, pluralismo ideológico, pensamento republicano e, ao mesmo tempo, uma condição importantíssima: a ideia de que o candomblé, a umbanda, religiões de matriz africana não podem continuar a ser perseguidas neste país. A organização Olodum está acima dos partidos e da eleição. As principais lideranças do Olodum é que dizem que caminho seguir, que é a continuidade dos programas sociais, de igualdade, de equidade, que permitem o desenvolvimento da população negra".
Perseguição
"Quando citei o [Marco] Feliciano [deputado federal PSC-SP] e o pastor Silas Malafaia, é porque, neste momento, há um risco de um totalitarismo e um fundamentalismo religioso. O pluralismo religioso está na base da luta do movimento negro desde Zumbi dos Palmares, desde a Revolta dos Búzios de 1798, dos Partidos Comunistas, dos Partidos Socialistas. Não tem sentido agora, em uma campanha presidencial, o pano de fundo não revelado ser a intolerância religiosa e a gente associar isso ao fato de ser uma candidata mulher, negra, pobre, como se esses parâmetros estivessem em curso nessa campanha. Não estão".
Viés conservador
"Pelo que esta aí, podem ser candidatos A, B ou C, mas desde que tenham o viés conservador. O viés conservador prejudica os avanços que foram feitos em parte no governo Fernando Henrique Cardoso e, em grande parte, nos governos Lula e Dilma. Por que há uma alegria de certos setores de determinadas regiões do Brasil? Porque quando veem alguém lutando contra a igualdade, lutando pelo Estado Mínimo, que se afasta das mazelas sociais, se animam como ninguém. Não querem mais cotas para afrodescendentes, não querem mais Ciências sem Fronteiras, não querem programas como Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, Mobilidade Urbana e são contra a voz das ruas de 2013. A ironia é isso".
Direita e Marina
"Aos jovens que querem mudanças, estamos dizendo que não pensem a candidatura da ex-senadora Marina Silva vai representar os seus anseios. Pelo contrário. É uma forma de esconder a direita, a injustiça social, o fim das lutas pela igualdade, da promoção do ser humano. É muito sintomático que, nos estados mais ricos do país, a queixa do PT é pelo fato de o partido ter distribuído melhor as riquezas no país. Como se fosse possível um ou dois estados avançarem e ter 25 pobres".
Nova política
"Fui candidato a senador pelo PV em 2010 e não tive legenda, havendo duas vagas. Além de mim, a Bete Wagner também não teve vaga. Isso mostra que isso não é política nova. Quem estava à frente deste processo era Marina e ela não estava praticando a política nova. Ela optou por uma pessoa de Juazeiro, que era um desses quadros históricos da política brasileira, quando poderia ter a Bahia um candidato a senador negro e uma candidata mulher".
Aprofundar mudanças
"O Brasil precisa continuar aprofundando a igualdade e a igualdade é o que é mais odiado neste momento. Não é o PT em si, não é o ex-presidente Lula, não é a presidenta Dilma. A luta pela igualdade permite pobre andar de avião, ter geladeira em casa, ter coisas que, até pouco tempo atrás, eram coisas de luxo, inacessíveis paras as pessoas".
Bahia
"O posicionamento serve também para a Bahia e para todos os estados onde essa disputa está havendo, entre os adeptos da igualdade e justiça social e os adeptos da desigualdade e do Estado Mínimo".
Repercussão da decisão
"Tentei falar com a presidenta [estadual] do PSB, a senhora Lídice da Mata, mas não consegui. Mas, na verdade, já tinha expressado isso no ano passado. Enquanto Eduardo Campos estava vivo, a campanha tinha um tom, tinha um apoio não tão visível do deputado Feliciano e dessas pessoas que são da intolerância religiosa. No momento em que ele morre, a campanha passa a ganhar um contorno incrivelmente messiânico e direcionado para uma coisa que política é algo ruim. Não posso compactuar com isso. A questão agora é se o PSB está pronto para incorporar essas críticas, refletir sobre elas e ver se pode ir até o fim da campanha sendo coadjuvante de uma coisa que vai contra a história do próprio partido. Estou me expressando como pessoa, independente de partido".
Por Erikson Walla, da redação do Vermelho da Bahia
Em rodada convocada para sábado (27/9), bancos ofereceram 7,35% de reajuste para salário, PLR, vales e auxílios, 8% para piso, e mais nada. Bancários paralisam as atividades a partir da terça 30, em todo o Brasil
Os bancos parecem não ter entendido o recado da categoria. Apesar de reafirmarem querer evitar uma greve e por isso a convocação para negociar neste sábado 27, apresentaram ao Comando Nacional dos Bancários proposta ainda insuficiente: índice de 7,35% de reajuste para salário, PLR, vales e auxílios (0,94% aumento real) e 8% para o piso (aumento real de 1,55%). E mais nada.
“Cinco dos maiores bancos que compõem a mesa de negociação (BB, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander) viram seu lucro crescer 16,5%. Mas oferecem menos de 1% de aumento real para seus trabalhadores. Não dá pra aceitar: queremos aumento real maior para salários, piso, PLR, vales e auxílios”, diz a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando.
> Vídeo: Presidenta Juvandia Moreira comenta proposta
Os representantes dos trabalhadores voltaram a cobrar da federação dos bancos propostas para resolver problemas graves, como a pressão por metas abusivas que adoecem os bancários em níveis epidêmicos, o fim das demissões injustificadas e mais contratações para acabar com a sobrecarga de trabalho. Mas os negociadores da Fenaban disseram já ter apresentado proposta sobre essas cláusulas sociais, que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) já tem avanços nesse sentido e que “a vida tem metas”.
“As pessoas têm mesmo metas na vida, mas para serem felizes, não para adoecer, como acontece nos bancos. Não precisam acordar todos os dias se perguntando como vão bater a meta do dia, que nem sabem qual será”, critica Juvandia. “Os bancários não aguentam mais tanta cobrança, tanta pressão. E vão paralisar as atividades até que os bancos apresentem solução para esse quadro que atormenta e adoece os trabalhadores.”
A categoria quer, ainda, mais segurança nas agências para clientes e funcionários e igualdade de oportunidades na ascensão profissional. “As mulheres, por exemplo, recebem, em média, salários 22% menores que os dos homens. Essa injustiça tem de acabar.”
Entenda – No dia 19, na sétima rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada 2014, uma primeira proposta econômica foi feita pelas instituições financeiras, com reajuste de 7% para salários , PLR, vales e auxílios (0,61% de aumento real) e 7,5% (1,08% de aumento real) para o piso. O índice foi considerado insuficiente pelo Comando, que comunicou isso à federação dos bancos.
A proposta também não contemplava as reivindicações de saúde e condições de trabalho, emprego, segurança. Diante disso, assembleias realizadas em todo o país, no dia 25, decidiram pela greve por tempo indeterminado a partir de 30 de setembro.
> Bancários em greve a partir de 30 de setembro
“Apesar de esta campanha estar sendo diferente, com os bancos apresentando aumento real, mesmo insuficiente, desde a primeira proposta, ainda temos muito a avançar. Nesta segunda-feira 29, vamos lotar novamente a Quadra dos Bancários para dizer não a mais essa proposta dos bancos e organizar uma grande paralisação”, convoca Juvandia. “Por mais um ano, o 11º seguido, a Fenaban desperdiça a oportunidade de resolver a campanha na mesa de negociação. Agora é greve!”
A assembleia nesta segunda 29 será a partir das 19h, na Quadra dos Bancários (Rua Tabatinguera, 192, Sé). Participe! Você é fundamental para organizar a greve e construir uma grande mobilização. É necessário crachá do banco e documento com foto para o credenciamento.
Específicas – As negociações com os bancos públicos também não avançaram.
Na Caixa, além de não trazerem proposta para mais contratações de bancários, isonomia, carreira e respeito à jornada, não querem garantir o pagamento da PLR Social.
A situação é a mesma no Banco do Brasil: nada para melhoria do PCR (Plano de Carreira e Remuneração), mudança do interstício para 6% na carreira, inclusão dos escriturários na carreira do mérito, mais contratações, melhorias para o SAC (Serviço de Apoio ao Cliente), CABB (Central de Atendimento) e PSO (Plataforma de Suporte Operacional), entre outras.
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> Veja como foram todas as negociações gerais e específicas
Cláudia Motta
Fonte: Seeb-SP